"A Educação é a base de tudo, e a Cultura é a base da Educação"

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sexta-feira, 7 de junho de 2019

- Nicolao Day

Um ser humano do bem!
Foto de novembro 1994
Nascido na cidade de Brusque. na localidade (bairro) Bateas, em 25 de Abril de 1930, filho de Carlos e Izabel Day que tiveram 9 filhos:
Letra de Nicolao Day
José (faleceu com menos de 1 ano), Alberto, José, Olga, Hedvig,, Oscar, Nicolao, Catarina e Maria.
Nicolao Day em 1942 em Brusque com a cachorra "Diana"
Veio para Blumenau em 1948. Por uns tempos morou na Rua Emilio Tallmann, então Beco Tallmann. Logo em seguida foi morar em uma transversal da Rua Belo Horizonte (conhecida à época como rua do Pfiffer), residência de seu amado irmão Alberto Day, até casar em fevereiro de 1951, indo residir na Rua Almirante Saldanha da Gama – então bairro Garcia (Glória) onde permaneceu até seu falecimento em 08 de setembro de 1995.
No RJ na Aeronáutica
Certificado de Reservista: na cidade do Rio de Janeiro de 12 de novembro de 1948 até 13 de fevereiro de 1950.  Unidade onde serviu Quartel General da 3ª Zona Aérea
Augusta e Nicolao Day 1951

Casou-se em 21 de fevereiro de 1951 na Igreja Nossa Senhora da Glória, com Augusta Deschamps (Barz) Day (nascida em 09/10/1929 e falecida em 09/03/2017).
Tiveram 3 filhos: Dóris Day casada Seubert, Adalberto Day e João Carlos Day.
Antes de vir para Blumenau trabalhou nas empresas:
Indústria Têxtil Buettner S/A – 09/07/1945 até 22/09/1945. Função de passador de fios.
Indústria Têxteis Carlos Renaux S/A – 10/01/1946 até 26/06/1946. Servente de Fiação.
 
EIG - 1967 - e antiga Praça Getúlio Vargas
Lançadeira utilizada na Sala 16
Em Blumenau trabalhou na Empresa Industrial Garcia depois incorporada pela Artex em 15 de fevereiro de 1974 – Período 09/03/1948 até 28/12/1980. Funções: Auxiliar de Tecelão, Tecelão, Mecânico, Ajudante de Contramestre e por final Contramestre, a tão conhecida Sala 16 - Tecelagem.
 1965 - Bombeiros EIG
A Empresa Industrial Garcia mantinha uma equipe de bombeiros considerada uma das melhores de Blumenau, que prestaram relevantes serviços à comunidade não só do Grande Garcia, mas de toda Blumenau. Essa equipe de corpo de bombeiros era formada por funcionários da empresa, e que também residiam próximo as casas da própria empresa. O bombeiro era avisado pela sirene que tocava várias vezes e bem forte e, como moravam próximo a empresa, conseguiam ouvir até uma distância de 3 Km. O período de atuação dessa guarnição de bombeiros da Empresa Industrial Garcia, foi anterior a implantação da corporação de bombeiros de Blumenau, que iniciou suas atividades a partir de 13 de agosto de 1958.
Muito organizada, a corporação de Bombeiros da E.I. Garcia atuou de 1929 a 1974, quando da incorporação pela Artex S/A, sendo esta a mais antiga organização de corpo de bombeiros de Blumenau, e não como consta no Livro “ACIB 100 anos construindo Blumenau” ao dar referências a antiga Fábrica de Gaitas Alfredo Hering como sendo a pioneira. Eu tinha muito orgulho de ter o meu pai, Nicolao Day (primeiro em pé no FORD, de braços cruzados), como um dos bombeiros voluntários da empresa, atividade muito importante para a sociedade.
Entre os sinistros que acompanhei e ainda me lembro, foi o da antiga Prefeitura de Blumenau em novembro de 1958, da vizinha empresa Artex em 26 de dezembro de 1964 e outras casas de toda região do Garcia e Blumenau.
 26 dias Nicolao faleceu
Como já descrito, desde seu casamento em 1951, morou na Rua Almirante Saldanha da Gama – a primeira transversal a direita da Rua da Glória em casas populares produzidas pelos próprios funcionários da Empresa Industrial Garcia. Em 1967 a EIG vende as casas aos seus colaboradores. Todas eram equipadas com saneamento básico e água encanada, com coleta de lixo duas vezes por semana.
Casas populares da EIG - e onde morou Nicolao e família
A nova e definitiva casa 
Em 1987 incentivado pelos filhos, constrói a casa de seus sonhos. Dizia ele, “sinto-me rico em ter essa casa”. Na realidade dizia isso pois teve uma infância pobre, mas digna, a casa tinha 89 m².
Considerado amigo, conselheiro dos empregados, correto, honesto e amigo da comunidade. Criativo, incentivador, colaborador. Lembro-me que meu pai sempre com sua bicicleta (quando falamos dele todos lembram dele pedalando), visitava seus amigos. Poderia citar muitos, mas prefiro não o fazê-lo pois não saberia mais o nome de todos.
Um dos grandes orgulhos que eu nutria por ele, foi que com todos que conversei, falaram sempre bem a seu respeito. Comigo foi meu pai herói, que educava com poucas palavras, atitudes, exemplos e com olhar.
Sempre procurava ensinar com muita educação sem proferir algum tipo de palavra de baixo calão.
Era muito revoltado com a situação das desigualdades sociais no Brasil.

Divertimento tinha poucos, era pacato, gostava de pescar, caçar (na época era “cultura”? deixou de praticar logo que foi proibido), adorava filmes de faroeste, músicas sertanejas, ouvir noticiários. Assistir jogos do Amazonas Esporte Clube. Comigo jogou muito futebol em um pequeno gramado, e as vezes dentro de casa mesmo.
Adorava os netos (as). Era amoroso e afetivo.
Adorava uma boa feijoada, saladas, aipim, churrasco, torresmo, linguiça, morcilha, amendoim, pão caseiro que assava, goiabas, pitangas. Araçás.
Faleceu de câncer nos intestinos aos 65 anos.

Futebol
Em 1949/50 ao assistir um jogo no estádio Vasco da Gama, mais conhecido como São Januário, apaixonou-se pelo Clube de Regatas Vasco da Gama, então Bicampeão Carioca e melhor time do Brasil, além de ter o maior estádio.
Time base do Vasco: Barbosa, Augusto, Laerte, Eli, Danilo e Jorge; Alfredo, Tesourinha, Ipojucan, Ademir Meneses, Maneca, Dejair, Chico.
Em Blumenau torcia pelo Amazonas Esporte Clube de Tillmann, Nino, Ziza, Jepe, Malheirinho, Meyer, Arlindo Eing, Dico, Boião, Rizada, Oscarito, Nicassio, Bigo,
Também gostava do G.E. Olímpico de Nicolau, Mauro, Paraná, Honório, Joca, Rodrigues, Quatorze ...

Em 1948 meu pai Nicolao Day (1930-1995) veio procurar emprego na Empresa Industrial Garcia (1948 até 1951 - neste período foi acolhido pelo seu irmão Alberto.  Fato este e outros meu pai nutria um carinho especial pelo irmão e em sua homenagem colocou meu nome de AdAlberto Day
Texto , pesquisas, fotos de Adalberto Day
História de seu irmão Alberto:

terça-feira, 14 de maio de 2019

- Vou-me embora pro passado

Vou-me embora pro passado
No passado, presente ou futuro sempre minha amada cidade de Blumenau
Passado e presente ou futuro  é agora, neste instante. Você é que determina o tempo.
Lá sou amigo de dr. Blumenau! do Fritz Muller! Dos Hering!  do Grevsmuhl! dos Hering!
Lá tinha a maior e primeira empresa Têxtil de Blumenau a Empresa Industrial Garcia do ramo Têxtil.
Lá tem coisas "daqui, ó!" tem o Trem Macuca, os Vapores Progresso, Lourenço e Blumenau.
Tem os Clubes Amazonas, Blumenauense/Olímpico, Brasil/Palmeiras/BEC. Bom Retiro, Vasto Verde, Progresso, Canto do Rio, Horizonte e Guarani. Têm até o Campinho do 12, ou Morro, lá Tem as Festas Juninas produzidas pelo José Henrique Pera.
Lá tem a "Ponte Preta" no Kroba e o Majestoso Hotel Holetz.
Lá tem o Tapume do Ribeirão Garcia no Beco Tallmann.
Tem clubes de Caça e Tiro e o bairro da  Velha onde nasceu Vera Fischer e a FAMOSC
Lá tem Gibis Roy Rogers, Buc Jones; Rock Lane, Dóris Day.
Vou-me embora pro passado.
Vou-me embora pro passado porque lá, é outro astral
Lá tem carros Vemaguet; Jeep Willes, Maverick; tem Gordine, tem Buick; tem Candango e tem Rural.
Lá dançarei Twist; Hully-Gully, Iê-iê-iê
Lá é uma brasa mora!
Lá ouço O “Pick-up da frigideira”, ,antigamente era assim, Marcha do Esporte
Só você vendo pra crê. Assistirei Rim Tin Tin; Ou mesmo Jinne é um Gênio. o Túnel do Tempo, Vestirei calças de Nycron ; Faroeste ou Durabem; Tecidos sanforizados Tergal, Percal e Banlon; Verei lances de anágua; Combinação, califon.
Escutarei Al Di Lá; Dominiqui Niqui Niqui
Me fartarei de Grapette nas farras dos piqueniques.
Vou-me embora pro passado
No passado tem Moleque Saci, Jerônimo, aquele Herói do Sertão.
Tem Coronel Ludgero com Otrope em discussão. Tem Mazzaropi e Tonico e Tinoco.
Tem passeio de Lambreta, de Vespa, de Berlineta; Marinete e Lotação.
Quando toca Pata Pata; cantam a versão musical; "Tá Com a Pulga na Cueca"
E dançam a música sapeca; Ô Papa Hum Mau Mau.
Tem a turma prafrentex; cantando Banho de Lua.
Tem bundeira e piniqueira dando sopa pela rua
Vou-me embora pro passado
Que o passado é bom demais!
Lá tem meninas "quebrando" ao cruzar com um rapaz, elas cheiram a Pó de Arroz, da Cashemere Bouquet; Coty ou Royal Briar; colocam Rouge e Laquê, english Lavanda Atkinsons; ou Helena Rubinstein; Saem de saia plissada; ou de vestido Tubinho; com jeitinho encabulado; flertando bem de fininho.
E lá no cinema Busch, Blumenau, Mogk, Garcia, Atlas, se vê broto a namorar de mão dada com o guri, com vestido de organdi, com gola de tafetá. Tem também o Sr. Russo pra consertar nosso rádio a pilha Sharp e Mitsubishi.
Os homens lá do passado só andam tudo tinindo de linho Diagonal; camisas Lunfor, a tal!
Sapato Clark de cromo ou Passo-Doble esportivo ou Fox do bico fino.

De camisas Volta ao Mundo.
Caneta Sheafers no bolso; ou Parker 51.
Só cheirando a Áqua Velva; a sabonete Gessy; ou Lifebouy, Eucalol e junto com o espelhinho Pente Pantera, Carioca, ou Flamengo e uma trunfinha no quengo cintilante como o sol.

Tem Alvarenga e Ranchinho; tem Jararaca e Ratinho aprontando a gozação, Tonico e Tinoco
Tem Long-Play da Mocambo mas Rosenblit é o bom
Tem Albertinho Limonta ;tem também Mamãe Dolores, Marcelino Pão e Vinho
Tem Bat Masterson, tem Lesse,Túnel do Tempo, tem Zorro, Tarzan, não se vê tantos horrores.
Lá no passado tem corso, lança perfume Rodouro, Geladeira Kelvinator
Tem rádio com olho mágico, ABC a voz de ouro.
Se ouve o programa do Zé Betio, Carlos Galhardo, Orlando Silva, Francisco Alves, Nelson Gonçalves, Dolores Duran,
 em Audições Musicais, Piano ao cair da tarde
Cancioneiro de Sucesso, tem também Repórter Esso com notícias atuais.
Tem petisqueiro e bufê junto à mesa de jantar, o picolé do "Mirelo" tem o Tapume, O Menino Santo (o povo era enganado) .... Tinha a História do caso Waldemar Fachner, nunca solucionado, será porquê ... o assassinato ocorreu em 21 novembro 1967 no bairro Progresso Blumenau 
 Tem bisqüit e bibelô, tem louça de toda cor, Bule de ágata, alguidar
Se brinca de cabra cega, de drama, de garrafão Camoniboi, balinheira
De rolimã na ladeira, de rasteira e de pinhão.
Lá, também tem radiola de madeira e baquelita
Lá se faz caligrafia pra modelar a escrita

Lá se joga pião na rua, brinca-se de "Papai-mamãe" de médico , Bolinha de gude, de bilboquê 
Lá tem cada prima que oh!
Se estuda a tabuada de Teobaldo Miranda ou na Cartilha do Povo
Lendo Vovô Viu o Ovo, e a palmatória é quem manda.
Tem na revista O Cruzeiro a beleza feminina e Revista do Esporte
Tem misse botando banca com seu maiô de elanca o famoso Catalina
Tem cigarros Yolanda, Continental e Astória
Tem o Conga Sete Vidas, tem brilhantina Glostora
Tem Chacrinha e as chacretes.
Tem o programa do Jota Silvestre, Silvio Santos, Flávio Cavalcanti
Se ouve radialistas esportivos, Valdir Amaral, Jorge Curi, Doalcei Bueno de Camargo, Rudolfo Sestrem, Jeser Josi, Tesoura Jr., Amauri Pereira, Luciano Silva.
Escovas Tek, Frisante. Relógio Eterna Matic com 24 rubis pontual a toda hora
Se ouve página sonora na voz de Ângela Maria.
"— Será que sou feia?
— Não é não senhor!
— Então eu sou linda?
— Você é um amor!..."
Quando não querem a paquera Mulheres falam: "Passando, que é pra não enganchar!"
"Achou ruim dê um jeitim!"
"Pise na flor e amasse!"
E AI e POFE! e quizila mas o homem não cochila passa o pano com o olhar
Se ela toma Postafen que é pra bunda aumentar, Ele empina o polegar faz sinal de "tudo X" e sai dizendo "Ô Maré!
Todo boy, mancando o pé insistindo em conquistar.
No passado tem remédio pra quando se precisar.
Lá tem Doutor de família que tem prazer de curar
Lá tem Água Rubinat, Mel Poejo e Asmapan, Bromil e Capivarol, Arnica, Phimatosan, Regulador Xavier
Tem Saúde da Mulher
Tem Aguardente Alemã
Tem também Capiloton
Pentid e Terebentina
Xarope de Limão Brabo, e o capilé
Pílulas de Vida do Dr. Ross
Tem também aqui pra nós uma tal Robusterina a saúde feminina.
Vou-me embora pro passado
Pra não viver sufocado
Pra não morrer poluído
Pra não morar enjaulado
Lá não se vê violência
Nem droga nem tanto mal
Não se vê tanto barulho
Nem asfalto nem entulho
No passado é outro astral

Se eu tiver qualquer saudade escreverei pro presente, e quando eu estiver cansado da jornada, do batente, terei uma cama Patente, daquelas do selo azul, num quarto calmo e seguro onde lá descansarei.
Lá no passado "nóis" era chique, tinha Império (monarquia, D.João VI que fugiu de Portugal, tinha os filhos D. Pedro I (que proclamou a nossa Independência, será?, tinha o filho dele D.Pedro II (que mais parece nas fotos pai do D. Pedro I) tinha a princesa Isabel que libertou os escravos ...
Lá sou amigo do rei Pelé, do Zico, do Roberto Dinamite, do prefeito e do governador
Sou até meio parente do ditador Getúlio Vargas, e muitos acham que foi o presidente dos pobres, que fez muita coisa, ficou quase 19 anos ... alguma coisa ele fez, também o Brasil estava 200 anos atrasado ...
Lá no passado conversei com o "Lula" que disse que iria melhorar o país, "ledo engano"
Lá tem as Torres Gêmeas
Lá, tem muito mais futuro

No presente e futuro "Latinha"
Vou-me embora pro passado
Texto baseado em Jessier Quirino é paraibano de Campina Grande, arquiteto por profissão, poeta por vocação. É o autor dos livros "Paisagem de Interior", "A Miudinha", "O Chapéu Mau e O Lobinho Vermelho" "Agruras da Lata D'Água", "Prosa Morena - acompanha um CD com gravações de alguns poemas", "Política de Pé de Muro" e "A Folha de Boldo - Notícias de Cachaceiros", além de cordéis, causos, musicas e outros escritos. 
Imagens Adalberto Day

quarta-feira, 17 de abril de 2019

- A Escola da Vida

MINHA VIDA PROFISSIONAL
ADALBERTO DAY
CIENTISTA SOCIAL, PESQUISADOR E PROFESSOR.
Faço um breve relato da minha infância e parte da vida profissional.
Aprendi desde criança com meus pais e avós a ter bons hábitos, trabalhos caseiros, bons costumes. Uma verdadeira lição de vida! Muitos ao lerem esta crônica sentir-se-ão inseridos no contexto.    
Hoje olho para trás e vejo que os problemas eram, na verdade, os degraus para me levar à vitória. Então concluo que minhas sequelas, são os troféus de minha vitória.
Garcia                   Artex                            Souza Cruz
           1968-1992
Fui criado e educado aprendendo a obedecer, respeitar, e servir.
Este era o ambiente familiar em toda comunidade que era cooperativa, prestativa, e em sua maioria trabalhava nas Indústrias do bairro Garcia, a Empresa Industrial Garcia, Artex, e Souza Cruz. Meus bisavós vieram da Alemanha, tanto do lado paterno (Day) como materno (Deschamps), e estabeleceram-se  inicialmente em Brusque e Gaspar respectivamente. Porém as origens dos meus antepassados são Ingleses (com pezinho na Irlanda) e Franceses. 
          Um jovem ao ingressar em uma empresa deveria ter todas as qualidades citadas, de preferência deveriam ser “alienados nos processos políticos, religiosos, e da realidade do mundo”. Criava-se a mentalidade de servos e quem fosse despedido ou recebesse carta branca (nome dado a quem fosse demitido), era considerado pela comunidade mau caráter, elemento "vagabundo", pessoa por vezes não grata. Saber que um cidadão perdeu seu emprego era coisa de “outro mundo”.
     Imbuído deste espírito ou princípios “básicos de qualificação”?, ingressei em 05/07/1968 na Empresa Industrial Garcia, no setor de expedição, faturamento, vendas e a partir de 1971 em recursos humanos. Foram anos de plena ditadura militar, inclusive os ex presidentes Castello Branco, Ernesto Geisel, Figueiredo, Ministro Delfim Netto, visitaram o bairro Garcia/Progresso
           Para muitos uma fase de crescimento tecnológico e de nação perante o mundo. Para outros uma fase negra da história do Brasil. Cabe a cada cidadão analisar sem ranços políticos. Minha concepção ditadura existiu antes e pós-militares, a tal ditadura “Branca”. Muitos não sabem usar a democracia achando ser anarquia e assim o caos social se estabelece.
Assistencialismo
Tínhamos assistência médica e odontológica, creche, cursos de alfabetização e um excelente centro de treinamento, a melhor praça esportiva até o final da década de 60 (Séc. XX) do estado de Santa Catarina, o Amazonas Esporte Clube.
Nesta praça esportiva eram realizados vários tipos de modalidades esportivas, atletismo, basquete, vôlei, ciclismo, futebol e outros. Também eram realizadas anualmente festas, como comemoração do dia do trabalhador com diversas atrações e sorteio de bicicletas e outros prêmios tanto para funcionários como também seus filhos, festa junina, e festa natalina sempre com presentes a todos empregados e filhos.
Boa parte dos colaboradores moravam em casas produzidas pelos próprios funcionários da marcenaria, com toda infraestrutura, coleta de lixo feito pela Empresa Industrial Garcia e saneamento básico, pagando um aluguel simbólico (centavos). Depois estas casas (a partir de 1966) foram vendidas a preços razoáveis aos empregados que então começaram uma nova fase de reformas pinturas e até os primeiros comércios começam a aparecer, como a loja Prosdócimo em 1967 na casa do Sr. Edelui Massaneiro, e Calçados Hass em 1971 na residência do Sr. José de Oliveira. Também existia a cooperativa dos empregados, onde os funcionários podiam comprar, e ser descontado em seu próprio holerite (envelope de pagamento).
Os empregados recebiam 2 kg de retalhos por “Zero Faltas” assiduidade ao trabalho.  Nas calamidades as duas empresas Artex e Garcia sempre foram muito prestativas aos seus colaboradores, exemplo foram a enchentes de 1983/84 e várias  enxurradas no Grande Garcia.
O tempo passa ... última volta do ponteiro
          O tempo passava e percebia que os fatos mencionados não eram bem assim, o próprio sistema organizacional divergia de ideias melhores para o bom desenvolvimento interno nas empresas. Constatei que nem sempre aqueles que conseguiam uma posição melhor profissionalmente eram os mais capazes, os mais qualificados ou inteligentes, mas sim em muitos casos os pelegos e alienados da vida cotidiana e que viviam prejudicando os colegas  e atropelando seu semelhante que se destacava, como também algumas famílias de nomes conhecidas da região que tinham seus "privilégios".
Eram realizados avaliações de cargos, muitas vezes por pessoas despreparadas e anualmente, quando deveria ser diariamente. Nessas avaliações nem sempre prevalecia a verdade, pois o avaliador com receio de perder o seu cargo, fazia uma avaliação duvidosa.
Nos testes de promoções vários concorriam, mas nem sempre o melhor era promovido, já existia o "candidato preferencial", apenas dava-se oportunidade aos demais para que o mesmo “participasse”, e pensasse que era inferior ao “vencedor ”.
Como trabalhava em Recursos Humanos, tinha acesso a esse tipo de informações, não sendo surpresa para muitos funcionários que desconfiavam e comentavam essa prática enganosa.
          Procurava sempre colaborar com meus “superiores” e colegas de trabalho, na expectativa de conseguir melhores posições profissionais. Principalmente a partir da incorporação da Empresa Industrial Garcia a Artex em fevereiro de 1974, exercia uma posição intermediária entre a chefia e colegas de trabalho, era o “coringa” que ensinava e substituía todos inclusive a chefia, e como trabalho principal Orientador Ocupacional.
          Em algum momento fui considerado líder negativo, por ter pensamentos sociais diferentes do empregador, e que não “vestia a camisa” (se não vestia é por que não me davam para vesti-la) claro que isso não é verdade, pois em 25 anos de empresa, muito colaborei e fui correto com meus superiores. Os anos iam se passando e cada vez mais me decepcionando, mas com esperanças.
Fusão Artex/Garcia em 1974
Fusão: o começo do fim
Acompanhei a fusão das duas empresas Artex e Garcia.
Na Empresa Industrial Garcia, o Sr. Ernesto Stodieck Jr. Que trabalhou de 1940 até 1967, teve uma liderança e conseguiu um grande impulso para o desenvolvimento não só da empresa como também da comunidade (anteriormente João Medeiros Jr. foi um grande diretor da EIG.  fundador da PRC 4 Rádio Clube de Blumenau e Radioamadorismo em Santa Catarina). Stodieck colaborou  na construção da Igreja Nossa Senhora da Glória e do Grupo Escolar São José (atual Celso Ramos) na Rua da Glória, como também a construção em maior escala a partir de 1941 de novas casas populares (ultrapassando a 240 unidades), tal como foi Gustav Roeder, e o os pioneiros desta grande organização Johann Henrich Gresvmuhl, Johann Gauche e August Sandner. O Suíço Otto Huber, foi um dos grandes colaboradores da EIG, Foi dele a modernidade em edifícios com três pavimentos que trouxe da Europa e  pôde implantar na empresa e cobrir com telhados as instalações. Sim de telhados tradicionais, já que desde a fundação em 1868 até 1926, para economizar energia elétrica, os telhados da empresa eram de vidros resistentes. 
    Na Artex com a fusão boa parte dos  empregados da Empresa Industrial Garcia, passaram por “humilhações” com poucas perspectivas de sucesso profissional, muitos foram demitidos ou solicitaram desligamento. Fizeram questão de aterrar para sempre o magnifico estádio do Amazonas (a partir de Abril de 1974), e acabar com o clube em janeiro de 1975.
       Além dos pioneiros Otto Huber que trabalhou por mais de 30 anos na Empresa Industrial Garcia, Theóphilo B. Zadrozny (nascido na Polônia e não Brusque como muitos pensam)  e Max Rudolf Wuesch que também trabalhou na E.I Garcia por 20 anos, a família Zadrozny (Arno, Carlos Curt, Júlio, Norberto Ingo) souberam erguer a maior industria têxtil da América latina. 
Arno Zadrozny estava sendo preparado para substituir seu pai Theóphilo no comando da organização, porém faleceu prematuramente no dia 26 de dezembro de 1965 aos 45 anos. Com isso seu irmão Carlos Curt Zadrozny foi o preparado para assumir.
Mas quando chamaram diretores técnicos para administrar a empresa, e com a implantação do sistema rodízio a partir de 1984, a empresa começou sua fase de declínio no cenário nacional e mundial. Na época o sistema rodízio foi implantado para aumentar a produção e a criação de novos empregos, era visto como uma boa alternativa para o momento difícil que passava o setor econômico nacional. Deveria ser temporário, mas não foi. Ao contrário que os diretores da empresa pensavam, nunca fui contra o sistema, mas avaliava a situação como caótica para a organização. Muitos empregados se revoltaram, igreja e comunidade em geral.   Boa parte dos empregados insatisfeitos solicitaram demissão da empresa. No mês de dezembro de 1986, 110 empregados qualificados solicitaram demissão e em janeiro de 1987 mais 107 fizeram o mesmo. Um número recorde em nossa cidade de Blumenau e Santa Catarina. Imagine uma empresa perder 217 funcionários em sua maioria altamente qualificados, o “baque” que isso proporcionou. Vários desses cidadãos que solicitaram a demissão ou se estabeleceram por conta própria com enorme sucesso, ou ingressaram em outras empresas, que os receberam de braços abertos pela experiência profissional. Infelizmente neste período a Artex teve dificuldades de contratar bons profissionais que não queriam trabalhar na organização.
“O empregado que não faltasse o mês todo recebia uma compensação financeira e até alimentícia, 15% a mais em seu contra cheque, se faltasse um dia sem justificativa 5% e se as faltas ultrapassem dois dias, não recebia nenhum beneficio”.
Outros que permaneceram foram cumpridores de seus deveres, mas sempre no aguardo de uma solução conciliatória entre as partes. No entanto boa parcela dos colaboradores agiu com desprezo para com a empresa, não produzindo com boa qualidade, danificando materiais, faltas em excesso, causando sérios prejuízos à corporação. Em 1986 (cinquentenário da empresa) foi construído uma piscina semiolímpica e um grande complexo esportivo, para lazer dos empregados, mas nada desses benefícios foram suficientes para amenizar o descontentamento de quem trabalhava nesse sistema. Mesmo assim os problemas de qualidade e assiduidade continuaram. Na intenção de “forçar” o empregado a aceitar, o assistencialismo foi enorme, em datas comemorativas exemplo dia das mães das mulheres, eram oferecidas nas igrejas (Nossa Senhora da Glória, Santa Isabel e Santo Antônio) rosas a cada mãe ou mulher. Mas não era isso que cada família queria, para elas o dia “Sagrado de domingo” deveria ser mantido. E assim também pelo Natal, Páscoa e outros.
Associação Artex
Toda esta situação fez com que a Artex, declinasse ainda mais no cenário nacional e mundial, na sua posição de maior empresa da América Latina no ramo Têxtil.
A Greve
“Em 12 de março de 1989, deflagrou-se uma grande greve dos trabalhadores têxteis, culminando com uma passeata do centro até a empresa Artex, quando então, os trabalhadores não só da Artex, mas de todas as indústrias, solicitaram o término do sistema rodízio, como também melhores salários.”.  
Esta greve perdurou até dia 19 de março, quando houve um esfriamento (Continuou mais dois dias) justamente em um dia que houve um jogo importante entre Blumenau e Figueirense, os grevistas em boa parte foram assistir o jogo.
Trabalhadores  em plena rua Amazonas em massa dirigindo-se para frente dos portões da Artex - Foto:  CHARLES SCHWANKE
É bom salientar que nesta época, o Presidente do Sindicato Têxtil Osmar Zimmermann, tinha recém assumido a presidência em fevereiro de 1989, e diante de tamanha multidão mais de 10 mil em frente ao sindicato, não restou alternativa a não ser dar apoio à greve em assembleia realizada na oportunidade. Também na época os salários eram melhores que nos anos 90 e no inicio dos anos 2000, o motivo principal foi salários baixos em algumas empresas, e devido ao sistema rodízio. Os empregados retornaram ao trabalho e receberam menos de reposição salarial que o oferecido ou previsto pelos empresários.
Plebiscito
Com a greve, a Artex, permitiu que o sindicato realizasse um plebiscito para saber da continuidade ou não do sistema rodízio. Este plebiscito teve como resultado, o fim do sistema, já que a maioria dos empregados votou contrario a continuidade.   
 Na realidade sou sabedor que a empresa iria acabar com o sistema rodizio e o plebiscito foi o estopim, amenizando o impacto dos comentários as demissões necessárias com a desativação do sistema.
Consequência
Mais de 450 empregados perderam o emprego, durante os meses de março e abril de 1989, (no final de 1988, com a desativação da Fiação FIGA e FIBLU, mais de 800 empregados foram desligados da corporação) trazendo grande prejuízo não só à empresa, mas deles próprios e de toda a comunidade. Em 14 de outubro de 1990 houve uma grande enxurrada em todo o Garcia, que também atingiu violentamente o parque fabril da Artex, causando enormes prejuízos onde balançou com a estrutura econômica da empresa.
     Em setembro de 1994 a família Zadrozny perde o controle acionário da empresa, que  é vendida para o grupo GP Investimentos (Garantia Partners- sócios do Banco Garantia), lavrado em ata em 28 de abril de 1995, desaparecendo o nome Fabrica de Artefatos Têxteis S/A .ARTEX – para então somente ARTEX S/A . Em 01 de junho de 2000, a empresa é novamente vendida desta vez ao Grupo Coteminas - e doravante a empresa passou a possuir uma nova razão social passando a denominar-se Toália S/A - Indústria Têxtil . - Filial da Empresa Toália de João Pessoa – Paraíba, mas ainda com participação do grupo Garantia. A ex empresa Artex S/A muda de razão social para atender interesses próprios e de seus acionistas, com o nome de Kualá S/A em junho de 2000. E finalmente em 09 novembro de 2001, o grupo Garantia, sai do controle acionário, e a empresa adota o nome de COTEMINAS – Companhia de Tecidos Norte de Minas. E finalmente em 06 de janeiro de 2006, COTEMINAS S/A.
Este é um pequeno relato de alguém que colaborou, tinha raízes, pois morava próximo a empresa (60 metros), atualmente como cientista social e pesquisador da história, preservo a história do bairro e das duas empresas, por carinho, gratidão e necessidade de um resgate histórico do grande Garcia, pois a empresa desativou todo acervo magnífico que possuía. Posso dizer que sinto orgulho de ter trabalhado nestas duas empresas que foram uma grande Escola da Vida e me projetar como cidadão.
          Por divergências de opiniões e pensamentos, preferi negociar meu desligamento em 03/12/1992, sem mágoas  a organização (por mais que aqui possa transparecer - lembrando sempre que sou pesquisador e cientista social) por isso preservo um acervo particular de um resgate histórico que começou, por volta de 1960, podendo dizer com orgulho que essas duas empresas, foram à alavanca para o progresso não só do bairro como também de Blumenau.
          1993 - dias atuais
Então fui lecionar, encontrei pessoas que me apoiaram, direção, comunidade, alunos, fui muito  bem recebido, apesar do descaso das autoridades com o ensino. Adorei ser professor de História, Filosofia, Geografia, Sociologia no ensino médio e fundamental, um cargo digno. Sinto muito orgulho de ainda ser chamado de “Professor”.
Trabalhei com palestras de Motivação Profissional e elaborando planilhas e apostilas para vários palestrantes ... Bons tempos.
Hoje aposentado profiro palestras (a partir de 2012 com problemas sérios de saúde, comecei a diminuir minhas atividades) sobre história de Blumenau e em especial do Grande Garcia, em Universidades, entidades de ensino em geral, 23 BI, turismo, empresas. A própria empresa que me demitiu, me contratou para palestras, mostras e outros, mostrando o reconhecimento do trabalho que desenvolvia.
Trabalho com pesquisas, dou entrevistas em rádios, TVs, participo de trabalhos desde graduação até doutorado/mestrado, escrevo para diversos livros e revistas, como também jornais. Já participei de vários vídeos, seriados e outros. 

Blumenau, Janeiro de 1993 – com inserções em 2001 , 2003 e alguns adendos em 2014 , 2015 e 2019.
Atenciosamente
Adalberto Day/Cientista social e pesquisador da história.
Arquivo de Dalva e Adalberto Day 

quarta-feira, 3 de abril de 2019

- Barracão dos imigrantes

OS PRIMEIROS TEMPOS em Blumenau
José Ferreira da Silva 
Reprodução
Pelos relatórios deixados pelo Dr. Hermann Blumenau podemos, hoje, fazer urna ideia, mais ou menos exata, de corno foi formado o povoado que ele fundara às margens do Garcia e do Velha e certas particularidades da vida da Colônia que, de outra forma, se teriam perdido para a posteridade. Mas houve, também, visitantes e colonos que escreveram muita coisa interessante a respeito dos primeiros anos de Blumenau. Nesse particular, algumas cartas de colonos a amigos seus, na Alemanha, e a parentes são muito preciosas. Felizmente, muita coisa ainda nos ficou a esse respeito. Em 1903, um antigo colono de Blumenau publicou num Calendário, escrito em alemão e editado em Joinville, urnas memórias muito pitorescas a respeito das impressões que lhe ficaram da sua chegada à nascente povoado do Dr. Blumenau. Convém traduzir uns trechos dessas memórias. Esse colono, cujo nome, entretanto, não consta do escrito, chegou a Blumenau em 1856, juntamente com outros imigrantes, que formavam um pequeno grupo, e os quais eram tratados, pelos que já aqui se achavam estabelecidos, de "alemães novos". Eram todos bem pobres, corno era a grande maioria dos imigrantes que para cá veio, mas agricultores ativos e trabalhadores. Era verão, bem próximo do Natal, quando eles chegaram à chamada "Stadtplatz", que quer dizer local da cidade, que nada mais era do que a sede da Colônia.
Reprodução
E o colono acrescenta ironizando: "0 local, sem dúvida, estava ali à vista, mas a cidade, onde estava?" E continua: "Desta nada se via. Havia urna única construção a que se poderia dar o nome de casa. Nela estava instalado o único negócio do lugar, ou melhor, de toda a Colônia e também o escritório do Diretor da Colônia. As outras moradias não eram mais que miseráveis choupanas, algumas ainda abertas, cobertas de palha. Algumas dessas edificações, legitimamente brasileiras, estavam ocupadas por urna companhia de soldados que ali se encontravam corno guardas de proteção contra eventuais assaltos dos bugres. Mas a sua principal ocupação consistia em caçar e pescar e, quanto ao mais, eles ficavam afastados dos imigrados o mais possível. Para o povoado mesmo eles eram realmente urna proteção que não era para se desprezar, mas os colonos do interior, mais distantes da sede, esses teriam que se proteger por si mesmos. Onde hoje se erguem prédios majestosos, havia, então, só mato, árvores ao lado de árvores, a floresta virgem. Nesta, os macacos e muitos outros animais se amontoavam, apesar dos muitos caçadores que havia. Não muito longe da foz do Garcia no Itajaí, ficava a casa mais importante para nós, recém-vindos: o barracão dos imigrantes". Antes de irmos adiante com a descrição desse barracão, precisamos dar alguns esclarecimentos para a melhor compreensão da narrativa do nosso colono. A única casa da povoação que merecia mesmo esse nome e onde o autor diz que estava instalado o escritório do Dr. Blumenau, fora a primeira casa de alvenaria construída em Blumenau e ficava ao lado do atual prédio da Biblioteca Pública. Era urna casa de dois andares, construída, em 1852, por Guilherme Friedenreich, que viera dois anos antes, com os 17 imigrantes, fundadores de Blumenau. Nessa casa, realmente, o Dr. Blumenau alugara dois quartos: Um para o seu escritório e outro para uma venda que fornecia aos colonos gêneros de primeira necessidade e outras mercadorias. O barracão de imigrantes ficava, mais ou menos, onde hoje está (esteve) a estátua do Dr. Blumenau, no começo da rua das Palmeiras.
 

Na Alameda Duque de Caxias (permanência de 32 anos - de 1967 a 1999)
Foto - Arquivo H. José Ferreira da Silva
Vamos ver como o nosso colono-escritor descreve esse barracão: "0 aspecto dele não era muito convidativo. Tanto no exterior, como no interior, a sua aparência era das mais lamentáveis. Era cumprido e estreito e dividido em muitos compartilhamentos que parecia mais currais de ovelhas que outra coisa. naturalmente, havia sido construído só de palmitos e a cobertura era de folhas de palmeira. As paredes eram de pau-a-pique e haviam sido uma vez cobertas de barro. Mas como, de tempos em tempos, o Garcia transbordava, provocando enchentes que atingiam o barracão, o barro havia caído e jazia, misturado com lama, no chão, dentro e fora do barracão. Janelas e gateiras tinham sido julgadas desnecessárias e a porta ainda não havia sido colocada na abertura a qual, assim, fornecia uma farta ventilação para o interior. O soalho era de terra batida, que haviam esquecido de aplainar. E, para completar o quadro, uma junta de bois havia feito do Barracão seu quartel general e os quais, de quando em quando, inundavam de um para outro compartilhamento, deixando em cada um deles evidentes e legítimos sinais de sua ocupação. A pobre construção fora demolida "Casa de Recepção de Imigrantes" e as respectivas divisões eram chamadas quartos. Os imigrantes recém-chegados, por felicidade, não haviam ainda esquecido os trabalhos que haviam passado a bordo do navio que os trouxera e por isso ocupavam o barracão sem reclamar. Somente alguns, que, na Alemanha, tinham visto melhores dias, estavam a resmungar coisas que, certamente, não eram lá muito lisonjeiras. Mas, de que poderia servir agora? Agora era tocar para diante e levar tudo pelo melhor, com paciência e alegria. E, realmente, as coisas se sucederam de maneira melhor do que a esperada. Uns ajudavam os outros a suportarem e a se acostumarem à nova pátria e ao novo lar e, em pouco tempo, também o Barracão se tornara habitável e suportável. Realmente, para nós, que tivemos que ocupar o barracão de imigrantes, foi aquele, o pior tempo que passamos. Não havia ajuda pecuniária por parte do governo; a maioria era paupérrima e alguns até estavam carregados de dívidas quando aqui chegaram e trabalho renumerado era bem raro. Ainda por cima tínhamos que suportar um calor medonho e prolongado, os insetos de que a gente não sabia como se livrar, a mudança de alimentação, os inconvenientes da aclimatação etc. Muitos também sentiam saudades. Mas, o remédio era fazer tudo por acostumar-se. Para alguns a coisa foi fácil. Mas outros, só a duras penas, com muitas lágrimas e suspiros podiam esquecer a velha Pátria distante que nunca mais veriam. Realmente, é duro destacar-se da terra em que se nasceu e onde se passou a mocidade." Eis como o nosso colono-escritor viu e sentiu os primeiros anos de Blumenau. E, como ele, todos os que para cá vieram, tiveram os seus dias de tristezas e sofrimentos até que pudessem contemplar,
felizes, a grandeza da nossa terra e também fruir do bem-estar de nossa gente.
Para saber mais sobre a história de Blumenau acesse:
Revista Blumenau em Cadernos – Julho de 1968 Páginas 122,123.

segunda-feira, 25 de março de 2019

- Kindergarten

Kindergarten 
Em uma cidade perto da sua
Fico muito honrado em ser um dos personagens nestes dois livros, juntamente com a Professora, historiadora e amiga Sueli Petry, assim como Jaime Batista da Silva. outro grande amigo. Uma bela história de Ficção e Romanceada, embora o conteúdo seja aquilo que a memória do autor gravou em seu subconsciente. 
Lançamento de livros da série Kindergarten (Jardim das crianças) - Autor: Júlio César Rodrigues 
Maria Marta, Júlio, Dalva, Adalberto, Valdir Petry, Marco
O Projeto
Um conjunto de histórias, dividido em 2 romances, que aborda com sensibilidade o tema profundo do aborto. De uma forma artística, o autor utiliza da crença de Santo Agostinho, sobre o Limbo, para criar uma grande história que tem como fundo a Bela Blumenau, esta magnífica cidade do Vale do Itajaí, conhecida em todo o Brasil por suas tradições germânicas. Desta forma, vem mostrar aos leitores uma outra realidade, além de nosso cotidiano comum, e assim expõe o mundo fantástico de Kindergarten, o Jardim das crianças (das crianças esquecidas pelo mundo).
Esta obra quer salvar muitas vidas inocentes - as crianças abortadas, esquecidas. Mas também quer salvar a vida daqueles que cometem tal violência. A vitória de Deus é que todos sejam salvos, pois não veio condenar o mundo, mas salvá-lo.
Os livros 
A saga "Kindergarten" conta atualmente com dois livros publicados, mas o autor não quer parar por aí. Tem ainda muitos projetos para enriquecer e aumentar esta série. 
 O primeiro livro, "Kindergarten - em uma cidade perto da sua", mostra uma realidade invertida. Ele mostra que cada cidade no mundo tem uma cidade irmã, numa outra realidade, onde vivem as crianças que não foram recebidas em nosso mundo. Numa visão concedida pelos céus, o próprio autor percorre sua cidade, sendo conduzido por um portal ao incrível mundo de Kindergarten, recebendo as revelações feitas pelos Anjos e participando de incríveis aventuras com as crianças. Ao longo da narrativa, vai descortinando uma Blumenau semelhante a verdadeira Blumenau, mas muito mais fantástica, brilhante como um cristal, habitada somente pelas crianças e seus anjos protetores. A aventura vai culminar numa grande batalha pela vida, a batalha contra a Floresta do Caos, uma região sombria e desabitada, localizada onde em nossa realidade existe o parque do Spitzkopf
No segundo volume - "Kindergarten 2 - agora em sua cidade", a revelação se torna mais profunda, e a visão não mostra outro mundo, e sim, nossa própria realidade, com os elementos que não vemos, os elementos do mundo espiritual, uma realidade aumentada. São grandes batalhas entre Anjos e demônios, entre a Luz e a escuridão. O grande Arcanjo Miguel lidera os Anjos em grandes batalhas contra a escuridão. Nesta narrativa o autor mostra sua própria cidade sendo destruída, tragada pelo violência, mas que terá seu valor reconhecido por Deus. Neste volume, o leitor irá conhecer os Guardiões da História, incríveis seres espirituais, que são associados com três personalidades do mundo real de Blumenau: Adalberto Day, Sueli Petry e Jaime Batista da Silva, que são os Guardiões reais da História. 
Assim como os guardiões reais, os personagens inspirados neles defendem os valores da brava gente do Vale do Itajaí. O leitor ainda se encantará com os jovens protagonistas, Paula e Bebeto, o Guerreiro e a Luz da cidade, que enfrentam as forças demoníacas, liderando os habitantes, junto com os Guardiões da História.
 O escritor  
Jaime Batista da Silva - Professora Sueli Petry - Adalberto Day e Júlio César Rodrigues
Júlio César Rodrigues, o oitavo filho de Rosa Viana e José Rodrigues, nascido e criado em Blumenau, uma linda e encantadora cidade no interior de Santa Catarina. Profissional da área de Tecnologia, mas que realiza em "Kindergarten" um antigo sonho de escrever, de transformar seu amor em letras. Seus irmão poetas, José Roberto e Tânia Sílvia, são sua inspiração neste projeto e a luta pela vida dos mais indefesos é seu grande objetivo. Júlio César é cristão engajado, catequista na bela Paróquia de Cristo Rei, onde atua na catequese de adultos e também no grupo de casais MI (Movimento de Irmãos).

Quem publica 
A Editora Biblioteca 24 Horas tem a missão de dar ao autor, conhecido ou não, a oportunidade de publicar sua obra através de livro impresso e digital. Nesta editora, o autor é um parceiro e os direitos autorais permanecem com ele.
Possui processo digital de atendimento e impressão, o que permite total controle da obra pelo autor, bem como a possibilidade de correções e atualizações rápidas no corpo da obra.

Onde encontrar os livros 
Com o próprio autor, pelo telefone 99922-3117 (Ele irá até você)
Na Cafeteria Especial temos exemplares à venda.
Também no portal da Amazon Brasil, na internet.

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