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quarta-feira, 4 de julho de 2018

- Karsten

Por André Bonomini

Antigamente: A Karsten, uma História moldada através dos tempos.
Uma gigante encravada na simpática região do Testo Salto. De uma família em busca de segurança e uma nova chance de prosperar para uma das organizações mais sólidas do Brasil no setor têxtil. 
Encravada no simpático Testo Salto, nos confins de Blumenau, ela alcançou 0 centenários em setembro/1982 mas nem de longe se parece com uma velha senhora, muito embora viveu com intensidade vários momentos da história blumenauense, brasileira e mundial, numa espécie de Benjamin Button germânica.
E quando se fala em simpática, é para o desorientado que ainda não viu o seu tamanho naquele caminho de Pomerode. Os dois lados do nº 260 da rua que leva o nome do fundador mostram somente um pouco daquilo que ela representa para o setor têxtil, industrial e, claro para a história da cidade que, pelos idos de 1860, abrigou uma família em busca de novas chances para prosperar e para fugir da agitação que permeava a Europa. Era a saga de Johann e os seus que originaria a gigante Karsten, a sexta mais antiga empresa do Brasil.

De saída da Alemanha para uma grande história
E foi assim, meio que em fuga mas também em busca de prosperidade que a família Karsten deixou a bordo do navio Nancy a região da Schleswig-Holstein. Eram os primeiros movimentos do que viria a ser, em 1870, a unificação alemã sob o comando de Bismarck e a região, controlada pela Dinamarca, entra no meio de um conflito com austríacos e prussianos pelo seu domínio.
A propriedade dos Karsten no Rio do Testo. A moenda de grãos e serraria era o sustento da família até a violenta enchente de 1880 (Reprodução)
Era, também, o início das grandes migrações de europeus pelo mundo, especialmente o Brasil, que era propagandeado como uma terra de grandes perspectivas para um povo que vivia a mercê de guerras quase em todo o tempo. Ao desembarcar no Rio de Janeiro, a família numerosa ruma para a jovem colônia de um farmacêutico prussiano, Hermann Blumenau, em Santa Catarina, onde lá encontram guarida e a chance de recomeçar ao lado das águas do calmo Rio do Testo.
Logo, os Karsten se colocam ao trabalho. Aproveitam a força do rio para instalar uma roda d’água responsável por fornecer energia, mover a serraria e moer grãos. Nada era fácil naqueles primeiros tempos, nem mesmo controlar a força do outrora calmo, mas também violento Rio do Testo, que assim como o Itajaí-Açu, subiu e arrasou propriedades como a da família durante a temerosa enchente de 1880, a maior de todos os tempos.
A família Karsten. Johann, o patriarca, teria de achar outro caminho para manter a família. Encontraria-o no ramo têxtil, que iniciaria dois anos depois da cheia Reprodução / Karsten)
Com a propriedade arruinada, o jeito era mudar de rumos com relação ao que fazer da vida. Johann Karsten teve a saída: montar uma tecelagem. Não que fosse novidade naqueles idos, a região do Vale tinha lá algumas pequenas tecelagens, mas era uma forma de ganhar a vida perdida nas águas turvas do Rio do Testo. O dinheiro era pouco, mas Johann foi em frente e montou uma sociedade com Henrich Hadlich para iniciar a empreitada no segmento.
Ideia plantada, Hadlich seguia para a Alemanha com as poucas economias que tinham no negócio para montar a nova empresa. Neste caminho, ele passou pelo Rio de Janeiro, onde encontrou-se com o tecelão Gustav Roeder, que foi convidado por Hadlich a juntar-se aos negócios. Batata! Em setembro de 1882, tendo seis teares e 300 fusos, a firma dá inicio as atividades sob o nome de Roeder, Karsten & Hadlich.
Entre as dificuldades, a consolidação
No entanto, quem achava que era fácil montar um negócio assim no difícil Vale do Itajaí daqueles idos está bem enganado. O algodão logo mostrou-se a maior dificuldade da nova empresa. A primeira tentativa foi o plantio, o que não deu muito certo por conta das chuvas da região. Depois, outra tentativa utilizando ovelhas, mas com resultados esparsos.
No fim, era necessário importar a matéria-prima de Londres, o que demorava meses e meses até uma simples caixa de fios chegar a firma. Da Inglaterra até Desterro (Florianópolis), de Desterro até Itajaí, de Itajaí até Blumenau e de Blumenau até o Rio do Testo. Uma saga para começar a produzir. Mas mesmo nestes momentos difíceis, a empresa começa a prosperar. Foi quando Roeder e Hadlich deixaram a sociedade, tornando Johann o único a tocar os negócios já bem consolidados mesmo abaixo de tantos obstáculos a ser superados.
João Karsten assumiu o comando da firma junto do irmão, Christiano, dando continuidade a consolidação e adaptando a marca ao mercado feminino (Reprodução / Karsten)
Os panos fabricados para forros de cobertas, travesseiros e colchões eram o carro-chefe da firma, passando com o tempo a também fabricar tecidos para o vestuário. Lá fora dos muros da empresa, o mundo se transforma. O Brasil abole a escravidão e proclama a república, eram bons tempos para os Karsten.
Isto até chegar 1914, quando a Primeira Guerra explode na Europa. A exportação de fios, que já era penosa, torna-se inviável por conta do conflito, o que força muitos dos funcionários a voltarem a agricultura de subsistência para garantir o sustento. Nestas mudanças todas, a firma também passa por um processo de renovação. Johann abre caminho, em 1916, para os filhos Christiano e João no comando da empresa, mudando seu nome para Karsten Irmãos.
A marca Karsten Irmãos, criada na administração dos irmãos João e Christiano Karsten. Anos depois, Christiano deixa a sociedade e João fica sozinho a frente da empresa (Reprodução)
Termina a guerra e o mundo reencontra-se com o crescimento econômico. Na década de 1920, as mudanças na sociedade também forçam a empresa, de volta nos trilhos, a acrescentar novos itens na sua linha de produção. Entram as toalhas, panos com estampas variadas e que atraiam os olhos das mulheres, cada vez mais em busca de seu espaço na sociedade e auto-determinando-se o poder de compra. Neste meio-tempo, Christiano deixa a sociedade e a Karsten passa a ser uma sociedade anônima sob o comando de João Karsten.
Os anos passam e a empresa ganha estabilidade e reconhecimento cada vez maior no mercado, com números interessantes. Era mais um dos tantos negócios familiares do Vale do Itajaí que ganhava notoriedade nas páginas de economia de grandes jornais brasileiros como bons exemplos. Nos anos 40, já sob o nome de Cia. Textil Karsten, a empresa aperfeiçoa sua linha de produtos graças as inovações trazidas por Walter Karsten, filho de João, da Alemanha, e outras mudanças estavam a caminho.
Eis a década de 1970 no horizonte. Dentro de um país que se enquadrava como a oitava economia no mundo, a Karsten estava muito bem, obrigado no contexto econômico de Blumenau. A outrora pequena cidade agora era uma economia de respeito, destaque em vários setores industriais, especialmente o têxtil, onde a empresa estava muito bem colocada entre as grandes da cidade, como Teka, Garcia, Artex e outras.
Revoluções setentistas, força nas crises e o futuro
Mas para a Karsten, os anos 1970 vieram com embalo geral na sua estrutura, tirando-a do simpático Testo Salto e a levando para o mundo. Já em 1971, a empresa abre o capital e passa a exportar produtos, chegando a exportar no fim da década cerca de 60% do que produzia. Um ano depois (1972), conquista a cobiçada licença da marca Disney, uma das mais fortes no mercado mundial. Em 1974, expõe seus produtos na Feira Têxtil de Frankfurt, a Heimtextil, uma das maiores do mundo. Mais dois anos a frente, em 1976, começa a produzir felpudos e, no mesmo ano, resolve o antigo problema dos fios ao implantar a própria fiação.
São muitas revoluções em uma única década, completando ainda com a mudança na direção da firma, agora sob o comando de Walter Karsten, tendo ao seu lado no setor comercial o irmão, Ralf. Eram anos prósperos até a chegada da década de 90 e dos planos econômicos de Fernando Collor que colocaram muitas empresas em situação de risco no país, com prejuízos que trariam reflexos por vários anos. Mas não para a Karsten, exemplo único entre as coirmãs de cidade.
Projeção nacional e revoluções. Os anos 70 foram de constante mudança e inovações. Capital aberto, licença de uso da Disney abaixo), exposição em Frankfurt e, enfim, a fiação própria (Reprodução)
Enquanto algumas se debatiam com os reflexos da crise, a Karsten tinha no bojo a tradição de bons produtos para manter-se firme no mercado interno e externo diante dos reflexos da abertura de mercado, que pegou muita gente de surpresa. A solidez da empresa é algo que espanta nos dias atuais no cenário presente, fruto de uma administração pensada para frente e sem passos fora da curva que colocassem em risco a imagem já consolidada com os anos.
Ao passar os anos, sucederam-se os presidentes (Carlos Odebrecht e Alvin Rauh Neto) até a chegada do grupo atual, sob o comando de Armando Hess de Souza, um dos orgulhosos filhos da Dudalina, que tem levado a empreitava a voos mais altos, cada vez mais desafiada pela constante mudança do público consumidor e do mercado. Prova disto é uma das mais sofisticadas marcas de artigos de cama, mesa e banho da tradicional marca Trussardi, de raízes italianas, cobiçada por muitos e adquirida pela Karsten em 2010. 
Ao bater os 135 anos, a jovialidade da Karsten assusta e também inspira. De uma história moldada na esperança de novos tempos para uma simples família alemã para uma trajetória de sucesso foram vários os obstáculos, sempre acompanhando o caminhar do mundo por fora de seus portões. Cada colaborador tem em si a sensação de ter colocado um tijolo no imponente complexo industrial as margens da rua que leva o nome de seu fundador – Johann Karsten – e que ajudou como tantos outros a criar em volta uma comunidade, uma economia forte e uma história digna de grandes livros. 
Quantos anos e revoluções mais virão? Não se sabe ao certo. Certeza é que a Karsten provavelmente estará lá para vive-los. da mesma forma jovem que qualquer grande empresa centenária e de grande história que existe… no mundo.

terça-feira, 12 de junho de 2018

- Na época do Frei João Maria

RECORDAR É VIVER – PARTE 2
Por Sérgio Cunha


As minhas primeiras lembranças sobre acontecimentos religiosos me remetem ao Frei João Maria (Foto), o pároco da Igreja N.S. da Glória, localizada no bairro Garcia. Sobre o Frei Raul, o antecessor, não tenho lembrança, provavelmente por ser eu ainda muito pequeno. Frei João marcou muito, principalmente porque ele nos lecionou aulas de doutrina.
Tinha um comportamento bem peculiar, pois quando nos encontrava no pátio da igreja, indo para a doutrina, de longe já citava o nome do aluno e ia logo perguntando se estava tudo bem, como estavam o papai, a mamãe, se tínhamos estudado a lição da doutrina, etc. Colocava a sua enorme mão no ombro do menino e começava a apertar fortemente o musculo, acho que é o “ombrex”, kkk, enquanto esboçava seu largo e exuberante sorriso.
Nós, garotos, sentíamos muita dor, pois ele apertava bem forte, mas aguentávamos, mesmo porque nos ensinavam que “homem não chora”. Os garotos comentavam entre si que doía bastante, mas nunca soube de alguém que tivesse reclamado por isso, ao frei. Comentavam também que quando era possível, se desviavam do caminho dele, dando a volta ao redor da igreja, indo direto para a catequese.

As aulas de catequese eram lecionadas atrás da igreja num salão que servia para atividades variadas. Foram alí as primeiras aulas da Dona Julia (Foto), catequese, reuniões, além de Sede da Congregação de Marianos e das Filhas de Maria. Nesse local, em domingos que tinham celebração especial, perfilavam-se os Congregados Marianos e as Filhas de Maria, rigorosamente paramentados e principalmente portando sua fita de congregado no pescoço. Em seguida, contornavam a igreja, margeando próximo a rua e entrando pela porta da frente, entoando belos hinos religiosos.
Ocupavam essas pessoas a terceira carreira de bancos da igreja para o final, porque a primeira e segunda carreira seriam ocupadas pelas crianças que estavam na catequese. O padre iniciava a missa e quando chegava na hora do “Sermão”, aproximava-se das crianças e as questionava aleatoriamente sobre o texto lido no Evangelho, com a finalidade de testar se estavam prestando atenção a missa e também para fixar a doutrina.
Por pouco, muito pouco mesmo, o povo não aprendeu a falar em latim, pois tudo o que o padre falava durante a celebração: “Dominus Vobiscum”, o povo respondia: “Et cum Spiritu tuo”. Não aprendemos porque o latim caiu em desuso. Era, sem sombra de dúvidas, uma linda celebração religiosa.
No pátio da igreja (Foto), bem encostadinho da rua, tinha uma pequena banca de madeira, tipo banca de revista, pintada de verde claro, onde os fiéis encontravam e compravam uma variedade imensa de artigos religiosos, como crucifixos, escapulários, terços, imagens, bíblias, catecismos, velas, medalhas, pingentes, “santinhos”, etc. A banca era aberta pouco antes de iniciar a missa e fechava logo depois do final da mesma.
Localizados atrás do salão e portanto também atrás da igreja, existiam os banheiros, erguidos em uma construção de alvenaria bastante rudimentar. Entre esses banheiros e o colégio iniciava o caminho que subia o morro em direção a gruta de Nossa Senhora
Gruta
O caminho foi escavado no morro em forma de ziguezague entremeado com as arvores. Nos dias que a comunidade se reunia para prestar homenagem a Santa, principalmente quando realizada à noite, com os devotos subindo o morro, empunhando suas lanternas iluminadas com velas, formava-se um espetáculo indescritível. Lembro de quando era encenada a Via Sacra, as 15 estações da crucificação de Cristo. Um espetáculo sem igual.
Em 1959/60 as irmãs do grupo escolar selecionaram uns oito meninos do primeiro e segundo ano e montaram conosco uma peça teatral. Depois de vários e vários dias de ensaio, fizemos nossa apresentação naquele salão atrás da igreja onde se reuniam os congregados. O nome da peça era: “O esquife do morto vivo”. Encenávamos um fato acontecido em um velório e em um determinado ato, o defunto se levantava, “vivinho da silva”. Aí era um corre-corre danado. Fizemos somente três apresentações e logo fomos censurados pois algumas crianças que assistiram, a noite não conseguiram dormir, kkk. Nunca soubemos se alguma das freiras era fã do Zé do Caixão, hehe.
Anos mais tarde (63/64), o Érico Morbis fundou um grupo de teatro de jovens com idade entre 15 a 20 anos, batizado de TASC, Teatro Amador Sta. Cecilia, que fizeram bastante sucesso durante alguns anos, encenando episódios como “Os Dois Sargentos” e “Sinal Misterioso”, entre outros. Inicialmente as apresentações eram feitas em um pequeno palco montado no pátio do Grupo Escolar São José que ficava lotado pelo povo. Não demorou muito, o grupo fez tanto sucesso que se apresentavam no palco da Cantina da Artex e apresentavam-se também em cidades próximas.
Alguns integrantes desse grupo eram os nossos amigos, Celézio Bernz e Maurina Pereira, Irineu Bernz, Ornélio Bernz, Jacó Antônio Tomasi, Luiz Ernesto Souza (Leco), Jaci Sestrem, Álvaro de Andrade, a Cristina, que trabalhava no Centro de Treinamento da Artex, Getúlio Cristofolini, Gerson Cardoso, entre outros.
Em conversa com nossa querida amiga Erica Morbis, que contribuiu com importantes informações sobre esse grupo de teatro, contou-me ela também que quando falava com o Érico sobre o grupo, sua mãe Dona Aninha lhe disse que era ela que costurava as vestimentas e figurinos do grupo.
Nessa época, os jovens na nossa faixa de idade, estávamos exalando hormônios por todos os poros e iniciava-se então aquela fase de flertes, namoricos e olhares apaixonados. Alguns casais saíam do colégio de mãos dadas com suas namoradas. Um ou outro casal arriscava-se a dar as primeiras bitoquinhas.
Acontece que morava no Garcia um senhorzinho, cujo nome não é necessário mencionar, o qual era extremamente religioso e conservador dos preceitos da família. Ele dirigia uma carroça puxada por dois cavalos. Quando via um casal de namoradinhos de mãos dadas ou trocando bitoquinhas na rua, ficava furioso e os ameaçava com seu chicote em punho. Uma outra vez o vi parar a carroça, descer e sair em perseguição de um casal. Sorte deles que eram mais jovens do que ele e corriam mais rápido, kkk. Foi muito divertida nossa infância e adolescência. Saudades!
(Em tempo: O nome do musculo que o frei Joao apertava é o Trapézio). Uuufa!
Sergio Cunha – 14/04/2018 


sábado, 9 de junho de 2018

- Falecimento de uma lenda esportiva: Teixeirinha

O CRAQUE ETERNO
- Nascido em Tubarão SC em 03 de agosto de 1923. O ex-jogador de futebol Nildo Teixeira de Melo, o Teixeirinha, faleceu sábado, 9 de junho/2018, aos 95 anos, vítima de Alzheimer.
          Teixeirinha foi considerado o melhor jogador de futebol de Santa Catarina de todos os tempos e na época década 1940/50 do Brasil. Jogou em vários clubes não só de SC, mas do Brasil.
Entre esses clubes, estão Palmeiras de Blumenau, Carlos Renaux de Brusque, Olímpico de Blumenau, Botafogo, Bangu do Rio de Janeiro, e São Paulo. 
Santo Cristo, Otávio, Heleno, Geninho, e Teixeirinha.
           No Botafogo jogou ao lado do maior jogador da história do glorioso, Heleno de Freitas, e no Bangu, nada menos ao lado do mestre Ziza o Zizinho, um dos maiores jogadores da história do Brasil. 
Teixeirinha e Zizinho
          Teixeirinha em 1950 teria disputado a copa do mundo se fosse pela vontade de João Saldanha, Técnico e cronista.
A imagem mostra o Carlos Renaux de Brusque em 1958, após uma partida contra o Botafogo do Rio de Janeiro 5x5 foi o placar. Em pé da Esquerda para a direita: Esnel, Tesoura, Ivo Meyer, Baião, Mosmann, e Gordinho; Agachados (Massagista), Petruscky, Julinho, Teixeirinha, Júlio Camargo e Agenor.
Teixeirinha e Adalberto Day em 2006
Palmeiras 1950 Campeão do Centenário de Blumenau
Da (E) para (D) em pé : Oscar, Schramm, Antoninho, Augustinho, Augusto, Alvarenga, Libório (massagista). Agachados Jonas, Lazinho, Bitinho, Teixerinha, Paulino – Técnico José Henrique Pera. (arquivo de Orlando Schramm Filho)
Teixeirinha foi Pentacampeão pelo Palmeiras Esporte Clube de Blumenau na Liga LBF – Liga Blumenauense de Futebol (1944/45/46/47/48). Campeão do Centenário de Blumenau pelo Palmeiras em 1950.  Tri-campeão pelo Carlos Renaux da LBF – (1952/53/54) e 1958.  E Tri-campeão da liga de Brusque (1960/61/62)
Campeão pela Seleção Catarinense Sul Brasileiro em 1960.
 Para saber mais acesse:
 Acervo de Adalberto Day/Valdir Appel

terça-feira, 8 de maio de 2018

- As Pontes de Balanço





AS PONTES DE BALANÇO
RECORDAR É VIVER.
Mais uma contribuição do amigo Sérgio Cunha



Alguém já falou esta frase: “Recordar é viver”. Até 1961 as pessoas acessavam o Beco Tallmann, por uma ponte pênsil, chamada por todos de “ponte de balanço” e o acesso era ali, do lado esquerdo da antiga Cooperativa de Consumo dos Empregados da E.I. Garcia (Veja foto abaixo).
Lembro que além dessa, existia outra na Rua Capinzal com acesso ao Clube Centenário e outra próxima da Associação da Artex, que ligava a rua Catarina Abreu Coelho a rua Júlio Heiden. Crianças gostavam de pular sobre elas para vê-las balançar, porém, logo eram advertidas por algum adulto. 
Foto: Ponte pênsil (bem semelhante) as do Bairro Garcia
O acesso para veículos, carroças e raros “automóveis” e caminhões, era feito pelo lado direito do prédio da cooperativa, extremando com o campo do Amazonas. Nesse local tinha uma rampa, de terra, que permitia passagem ao Beco, pelas águas do ribeirão Garcia.
Esta estrada não dava acesso ainda para o bairro Progresso e se estendia somente até atrás da Associação Artex, próximo da propriedade da Frau Bachmann.
Foto: Construção Ponte Rua Emilio Tallmann (Acervo Adalberto Day)

Em 1961 foi construída a ponte de concreto armado substituindo a antiga ponte de balanço, facilitando enormemente o trafego, já que a região crescia rapidamente por conta da proximidade com as duas empresas, E.I. Garcia e Artex S/A. Nessa época o Beco passou a chamar-se rua Emilio Tallmann, sendo esta alargada e estendida até ligar-se com o bairro Progresso mediante a rua Julio Heiden. 
Em frente da cooperativa ficava o ponto de ônibus, parada para quem se deslocaria ao centro e outros bairros. Ao lado desse ponto de ônibus, tinha um pequeno quiosque onde as pessoas, principalmente os funcionários, compravam lanches, pastéis, bananinhas, para saborear nos horários de pausa para café, além de outras guloseimas como balas, amendoim torrado, paçoquinha, etc. Esse quiosque era de propriedade do Sr. Pedro Novaes, que por muitos anos explorou esse nicho comercial.
Ali do lado esquerdo da entrada para a ponte ficava o ambulatório da E.I. Garcia. Esse ambulatório foi extremamente importante para os funcionários da empresa, pois fazia a triagem da maioria das enfermidades que atingiam a população, deixando passar somente os casos mais graves, para os hospitais da região. 
O médico responsável pelo ambulatório era o Dr. Caetano, clinico geral, um homem alto, moreno, robusto, que contribuiu intensamente no tratamento das pessoas do bairro, já que além de atender os funcionários, atendia também seus dependentes. O Dr. Caetano atendia a domicilio, caso tivesse dificuldade de deslocamento do paciente até o ambulatório.
Assessoravam o Dr. Caetano os enfermeiros e enfermeiras, como o Sr. Nilton Tobias Aguiar, o Sr. Ewaldo Mass e a Sra. Veneranda da Rosa (Vanda), são os que lembro no momento. Enfermidades mais simples, como dor de garganta, eram resolvidas na maioria das vezes pelos próprios enfermeiros que recomendavam umas pastilhas de Pondicilina e dentro de 2 a 3 dias a pessoa estava restabelecida. Passei por isso. As pastilhas além de eficientes eram docinhas, iguais as “balas Zequinha”, kkk.
A E.I.Garcia contava ainda com um ambulatório dentário e o dentista responsável era o Dr. José Dobes, outro grande profissional que trouxe inestimável colaboração a população do bairro.
O médico responsável pelo ambulatório da Artex era o Dr. Margarida, clinico geral, também um homem alto e robusto. Era assessorado pelas enfermeiras dona Alaíde Gauche, Frida Caresia, o enfermeiro Vilmar da Silva e outros. Com o desenvolvimento da empresa, mais tarde novos profissionais foram incorporados ao quadro clinico, como o Dr. Sergio Braga, Dr. Marco Antônio Wanrowsky, Dr. Cézar Zillig, Dr. Hamilton, enfermeiro Augusto Cesar Viana e outros.
No quadro de funcionários da Cooperativa da E.I. Garcia figuravam, o Reinaldo Olegário como gerente, Vitorio Pfeiffer, Ronaldo Gonçalves da Luz, Curt Labes, Antônio Tillmann, o Cunha, Germano Krueger, Jeter e outros.
Do quadro de funcionários do Armazém da Artex faziam parte o Sr. Arthur Rudolph como gerente, o Fifa (Pfeiffer), o Reinaldo de Melo, entre outros. Nota: Nos informou o Adalberto Day que a da Artex não era Cooperativa, mas sim Armazém.
Nos dias de compra mensal formavam-se imensas filas de pessoas, cada uma com sua lista de compras, que esperavam pacientemente a vez de ser atendidos pelos funcionários.
O sistema de atendimento era totalmente diferente de hoje. Do lado de fora do balcão ficavam as pessoas esperando receber seus produtos. Do lado de dentro ficavam os atendentes, apanhando os produtos, nas prateleiras, balcões, gondolas e pesando ou medindo na quantidade solicitada. O valor da compra daquele mês era descontado no próximo pagamento mensal.
Na frente do prédio da cooperativa existia um estacionamento para bicicletas (foto), muito bem feito em madeira de lei pelos marceneiros da empresa. Cada bicicleta tinha seu lugar no suporte onde encaixava a roda dianteira. Sempre que o estacionamento estava todo ocupado, as pessoas deixavam suas bicicletas encostadas ao lado do prédio. As vezes as pessoas estacionavam a bicicleta no estacionamento e dirigiam-se ao centro da cidade. Quando voltavam, devido ao encerramento do expediente da cooperativa, as bicicletas estavam presas.
Foto: Acervo Adalberto Day
A pessoa pulava o muro, passava sua bicicleta por sobre este e ia para casa pedalando na Calói, kkk. Ninguém pegava a bicicleta alheia. As pessoas tinham respeito e eram honestas. A medida em que as empresas progrediam aumentando seu desenvolvimento fomos perdendo esse privilégio. Realmente eram tempos muitos bons. Saudades!   -   (Sérgio Cunha   -   04/04/2018)

sábado, 28 de abril de 2018

- Revivendo a E.I. Garcia


Postagem feita pelo amigo Djalma Fontanella da Silva (foto) no Grupo Antigamente em Blumenau. Os comentários aqui transcritos emocionam a qualquer um que conviveu com esta potência industrial que foi a Empresa Industrial Garcia, primeira indústria Têxtil de Blumenau de 1868, e que chegou em seu “auge” em 1973 com 5.238 empregados. 
Sinto-me inserido nos comentários. Adalberto Day
Empresa Industrial Garcia fundada em 1868 – A imagem de 1970, mostra o poderio da empresa com mais de 5 mil colaboradores. Parque esportivo, cooperativa, parque fabril, Casas populares, Igreja Nossa senhora da Glória e Escola São José (EEB Celso Ramos). Tudo girava em torno a Garcia que incentiva todas as praticas religiosas, educação, Cooperativismo, esporte, lazer e de bons costumes.
Acervo Dalva/Adalberto Day.
1 - Inicio do Complexo Esportivo do Amazonas Futebol Clube;
2 - Cooperativa de Consumo do Empregados da Empresa Industrial Garcia;
3 - Parque Fabril da Empresa Industrial Garcia;
4 - Casas Populares onde moravam alguns dos funcionários da Empresa Industrial Garcia;
5 - Igreja Nossa Senhora da Gloria;
6 – Grupo Escolar São José, posteriormente Conjunto Educacional Governador Celso Ramos.
As participações
Ademar Sestrem
Linda foto! Trabalhei oito anos na EIG. Pena que aquele império se transformou numa pérgula da Coteminas!!
Caro Djalma Fontanella fico feliz por você postar artigos de Blumenau antigamente relativos ao bairro Garcia e adjacências pois até então só se postava fotos e artigos da parte "VIP" da cidade como se os bairros não existissem, e todos se sentiam muito a vontade para comentar o status de Alameda Rio Branco e bairros mais nobres de seus antepassados. Parabéns pela iniciativa!
Djalma Fontanella
A postagem é minha, mas os méritos do Acervo do Adalberto Day.
Tere Nolli
Quem trabalhou na EIG nesse período, lembra daquele carrinho, que ficava na beira da calçada, e vendia uns pastéis deliciosos. Olhem bem para a foto e veja se não é o carrinho que está estacionado ali. Bom, eu coloquei uma lente daí é possível vê-lo......rsrsrs....ele ficava logo na saída da rua Emílio Talmann , só que o carrinho ficava no lado esquerdo de quem vai em direção a rua da Glória.
Ademar Sestrem
Sim Tere Zimmermann comprei muita bananinha ali!!! rsrsrs
Tere Nolli
É mesmo Ademar Sestrem tinha bananinha também. Eu comprei muito pastel e bananinha. Lembro que as 4:30 da manhã quando chegávamos na portaria, as vezes comprávamos um pão com pastel, para comer as 8:30. lembro que eu ficava contando os minutos para chegar essa hora para comer o delicioso pastel. Lembrando que não não era sempre que dava para comprar, pois tínhamos que dar o pagamento todo em casa, e não sobrava nada para nós (eu e minha irmã).
Maria De Fátima Pereira
NÃO ME LEMBRO DO NOME DO SR DO CARRINHO ,MAS O SOBRENONE É BITTENCOURT, A FILHA DELE DALVA E O FILHO TRABALHAVAM NA EMPRESA GARCIA. E TAMBÉM ESTUDARAM NA ESCOLA SÃO JOSÉ.
Djalma Fontanella
Já havia notado aquele carrinho em outras fotos e me lembrado..........quando o Rigon Knop ia lá e comprava amendoim.........foi quando peguei nojo de amendoim......kkkkkkkkkkkk.nem perguntem o que ele fazia....kkkkkkkk
Maria De Fátima Pereira
NÃO PRECISA NEM CONTAR ACHO QUE TODOS SABEM.RSRSRS. ELE JÁ É FALECIDO.
Djalma Fontanella
No topo do morro que ficava atrás da Empresa Industrial Garcia, aquele que esta sem vegetação, foi instalado nos meados da década de 1960 a primeira repetidora de TV de Blumenau, que na ocasião era da TV Paraná Canal 6 de Curitiba.
Lorena Karasinski
Djalma Fontanella. Lembro. Não daria de chamar bem de repetidora. Faziam o que podiam para a época. Assistíamos chuviscos, kkkk Quando melhorava então... 5ª à noite, Missão Impossível e Sábados a tarde, Jovem Guarda. rsrsrs
Djalma Fontanella
O Túnel do tempo, Jornada nas Estrelas, O Fugitivo. Domingo, o Clube do Curumim........
Ivonete Poerner
Acho que o carrinho era do avô do Vilmar da Silva (enfermeiro da Artex), acho que o nome dele era Sr. Novaes. Adalberto Day : (Ivonete esse do senhor Novaes se localizava nas dependências da Cooperativa dos Empregados da Empresa Industrial Garcia, o citado aqui é ao lado do ponto de ônibus em frente a cooperativa).
Osmar Roepcke
Osmar Roepcke Lembro bem de tudo isso inclusive o relógio que ficava em uma torre. Assisti muitos jogos do Amazonas sentado no muro que circundava o campo. Saudades desse tempo.
André Luiz Bonomini
Djalma, só me refresca a memória... ali no nº4 era a Rua 12 de Outubro... confere?
Djalma Fontanella
Djalma Fontanella Sim André luiz 
1967
Carlos Jorge Hiebert Russo
Eu nasci e morei até os 20 anos em uma casa na rua 12 de Outubro identificada com o numero 4, trabalhei de 1965 até 1975 neste parque fabril, meu pai David Hiebert também trabalhou aqui por 25 anos meu irmão Adolfo Hiebert trabalhou neste complexo industrial por 44 anos e tenho um filho que também trabalhou aí por algum tempo. A população que vivia em seu entorno e dependia desta empresa tinha muito orgulho de tudo. Orgulho e respeito pelos diretores, pelo primeiro emprego, pelas casas da fábrica onde morávamos pelo estádio olímpico da fábrica que tínhamos o direito de desfrutar pela Escola São José que virou Celso Ramos pelo campinho do 12 onde disputávamos garrafa de capilé pelo Ribeirão Garcia onde escondido dos pais tomávamos banho, conhecíamos e convivíamos com centenas, milhares de pessoas como se fossemos uma grande família. Esta empresa oferecia berçário para crianças cujas mães eram funcionárias, esta empresa dispunha de medico e dentista e ambulatório para os funcionários e seus familiares isto a mais de 70 anos atrás. Minha memória consegue me levar a cada metro onde viviam e trabalhavam pessoas abnegadas, que produziam riquezas, que tinham respeito entre si, é neste espaço que de mãos de pessoas humildes que se produzia as tolhas e roupas de camas consumidas e admiradas pelo Brasil e exterior. Foi com o salário oriundo do emprego desta maravilhosa fabrica que muitos dos filhos dos funcionários puderam buscar uma instrução superior o que os levou a galgar espaços profissionais importantes na economia do pais, cito como exemplo me irmão Valter Hiebert que aqui trabalhou por alguns anos e chegou a um cargo no alto escalão do Banco Central do Brasil e posteriormente foi Diretor da Caixa Econômica. Eu na adolescência comecei trabalhando na oficina fazendo os trabalhos mais simples e terminei meus últimos anos com Mestre da Fiação. Por estas coisas e mais uma porção de motivos que vou deixar para outros lembrarem. Aqui meu registro e agradecimento ao visionário Adalberto Day que garimpou e guardou este e outros registros da vida de milhares de pessoas. Quanto orgulho deste espaço, quanto orgulho de ser da família da EMPRESA INDUSTRIAL GARCIA
Imagem 1958 - foto batida do Campinho do 12 citado pelo Carlos Russo, mostrando a E.I. Garcia
Marilena Lana
Marilena Lana
Marilena Lana Meu avô e seu irmão vieram da Suíça para montar uma maquina , creio que tear; comprado pela empresa.
Amaram o Brasil, acharam as brasileiras lindas e aqui ficaram.
Meu avô trabalhou 50 anos nesta empresa.
Casou-se com Hildegardt Bernhardt.
Tiveram 11 filhos.
Onde 3 morreram crianças.
Moraram primeiramente nas primeiras casas da empresa, depois foram morar no chamado beco Talmann.
Meus tios, creio que quase todos trabalharam ali.
Eu tenho lindas recordações, e outras até tristes.
Mas o importante, EMOÇÕES EU VIVI...
Pois creio que nós fomos afastados um pouco da família porque meu pai , desde que eu me conheci por gente, foi alcoólatra.
E também na época era muito rígido a forma de casamento.
Minha mãe professava outra religião e não tinha origem alemã.
Que na verdade, hoje vejo um certo ponto de realidade. Não viver num lar de crença diferente, pois é impossível guiar uma carroça sem que os cavalos vão para mesma direção.
Então, também convive neste meio industrial, nas festas no Campo do Amazonas, nas festas de Junho, etc...
Djalma Fontanella
Como era o nome de sua mãe Marilena Lana?
Marilena Lana
Marilena Lana Minha saudosa mãe, Daura de Simas, casada Iten.
Filha de Itapema.
Djalma Fontanella
Pergunto porque minha mãe era muito amiga de uma senhora na rua Emílio Talmann que era de uma religião que não era a católica. 
Airton Gonçalves Ribeiro 
A manifestação do Amigos Carlos Jorge Hiebert Russo, é emocionante para a população que usufruiu das benesses descritas no seu depoimento, convivi estes momentos, estudamos juntos, caminhamos nos mesmos caminhos e trabalhamos na inesquecível EIG, graças ao talento de Adalberto Day estes momentos históricos e felizes possuem o seu registro, não sabíamos e vivíamos imaginando que isto seria eterno e não foi, mas valeu a pena, a memória viaja no tempo e revive estes momentos e parecem sonhos, mas não, foi realidade....saudades lembranças....infelizmente ao término destas memórias somos traídos pela tristeza, não encontramos mais as pessoas que faziam parte deste verdadeiro sonho e muito longe, distante, impossível de termos novamente estes momentos.... tristeza... muita tristeza..
Marli Hornburg
Essa toalha minha mãe ganhou de presente de casamento a 52 anos atrás. ....guardou e me deu de presente pois sempre admirei a estampa maravilhosa, de muito bom gosto daquela época.
Ludgero Amorim 
Que beleza de foto. Muitas saudades.  
Norma Wachholz
Que relíquia ...tudo era valorizado nessa época ...parabéns. 

Face: Antigamente em Blumenau

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