"A Educação é a base de tudo, e a Cultura é a base da Educação"

Seja Bem-Vindo e faça uma boa pesquisa!

domingo, 21 de outubro de 2018

- 2018 Oktober-IngoFest

A 35ª Edição da Oktoberfest foi realizada de  03/10/2018 à 21/10/2018 , no Parque Vila Germânica em Blumenau.
Fomos no último dia (21/10/18) na 35ª Edição da Oktoberfest prestigiar a festa e bandas, (de cara encontramos com o Luciano Carlos e outros amigos) mas em especial o meu amigo o fotógrafo e jornalista Ingo Penz da  Banda Choppmotorrad
Na oportunidade ao me avistar no meio da multidão, ele me acessou com as duas mãos , apontou em seguida  o dedo indicador em minha direção, pronunciou meu nome. Ingo Penz nasceu em Jaraguá do Sul, mas morador e garciense de coração das barrancas do Garcia. Assim dirigiu-se a mim, direto das “Barrancas do Garcia” Adalberto Day, completou Ingo em pleno palco.
Um pouco antes dessa foto ele acessou para mim e apontou o dedo.
A Banda maravilhosa da Choppmotorrad.
Detalhe do Ingo me fotografando
592.291 mil pessoas passaram pelos pavilhões da Vila Germânica nestes 19 dias.
Quero aqui ressaltar em nome de Ricardo Stodieck outro grande amigo e presidente da Vila Germânica, pela qualidade e organização da Festa sem maiores transtornos. Em nome dele, agradecer todos os que participaram ao seu lado e por algum motivo se sintam inseridos neste contexto. 
Pude também participar de uma entrevista na NSC TV Jornal do almoço em três dias  seguidos contando histórias sobre o evento. Na oportunidade ao lado do sempre Prefeito Dalto dos Reis e o nosso Norberto Mette com seu incansável trabalho junto a organização do complexo Vila Germânica.  
Como dizia o saudoso Horácio "E Viva a Vida"
A tristeza do Ingo junto a barranca do Ribeirão Garcia , após o falecimento dia 24 de março de 2007 de seu amigo Horácio. 
E a festa e desfile da Choppmotorrad.
Para saber mais sobre Ingo Penz acesse:
História da Oktoberfest:

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

- Giovani Rossi







Mais uma contribuição inédita do Jornalista e Escritor Carlos Braga Mueller. (foto)



                                                                                                  
LIBERTÁRIO E ANARQUISTA, GIOVANI ROSSI AJUDOU A   MPULSIONAR A AGRICULTURA DE BLUMENAU

Em 1975 o cineasta francês Jean-Louis Comolli realizou o filme La Cecília, retratando a história da Colônia Cecília, a primeira tentativa efetiva de implantação do ideário anarquista no Brasil.
Em 1989 a Rede Bandeirantes de Televisão exibiu a minissérie “Colônia Cecília”, abordando o mesmo assunto.
E a Globo focou a Colônia Cecília na minissérie de 1984, “Anarquistas, Graças a Deus”.
Afinal, o que provocou tamanha repercussão tanto tempo depois dessa comunidade ter existido?
Talvez reflexos dos ideais libertários de maio de 1968, que nascidos na França, espalharam-se pelo mundo.
A Colônia Cecília foi implantada pelo agrônomo e veterinário italiano Giovani Rossi em 1890 no município de Palmeira, Estado do Paraná, e deixou de existir em 1893, ou seja, durou apenas quatro anos.

COMO NASCEU A COLÔNIA CECÍLIA NO BRASIL 
Giovani Rossi  - Foto divulgação Internet
Rossi nasceu na cidade de Pisa, Itália, no dia 12 de janeiro de 1856.  Faleceu em 9 de janeiro de 1943
Influenciado pelos socialistas libertários franceses, escreveu vários livros sobre a criação de comunidades experimentais, despertando a atenção de lideranças em vários países, inclusive no Brasil.
Sua proposta de uma comunidade libertária previa o equilíbrio da liberdade de relações, a abolição da propriedade privada, o amor sem fronteiras, a ausência de hierarquias e de dogmas.
Em abril de 1888, passando por Milão para tratamento da saúde, o Imperador do Brasil, Dom Pedro II, manteve um encontro com Rossi. O monarca havia lido um dos livros dele, no qual o autor situava uma comunidade libertária na América do Sul. Interessado na superação das desigualdades, Pedro II tinha interesse em acompanhar uma experiência desse tipo. Foi mais além.
Comprometeu-se a conceder terras para que Giovani Rossi implantasse sua Colônia no Brasil.
E assim, no dia 20 de fevereiro de 1890, Rossi embarcou em Genova com destino ao Brasil, acompanhado de poucos mas fiéis discípulos. Embora o destino fosse Porto Alegre, desembarcaram em Paranaguá, agoniados com os constantes enjôos provocados pela embarcação. No Paraná, conseguiram uma área de terras na localidade de Palmeira.
Graças a uma campanha de divulgação, a Colônia teve a adesão de muitos interessados, originários da Itália principalmente.
Enfrentando sérias dificuldades para a manutenção da Colônia, batizada de Cecília, homenagem a uma personagem de seus livros,
Rossi em pouco tempo teve que concordar que sua idéia não estava dando certo. Inclusive, para incentivar a livre manifestação do amor entre os habitantes da Colônia, chegou a partilhar com eles sua companheira. Proclamada a República em 15 de novembro de 1889, o ato de doação das terras, assinado pelo Imperador, foi considerado nulo, obrigando a que Rossi adquirisse as terras ocupadas. De nada adiantou; aos poucos os moradores foram abandonando Rossi e partindo em busca de novos horizontes.
E assim, em 1893 a Colônia se extinguiu. Mas deixou história.

ROSSI NÃO FOI EMBORA
Giovani Rossi não retornou para a Itália. Foi residir em Taquara, no Rio Grande do Sul. Depois acabou vindo para Blumenau, em Santa Catarina.
De seu bom relacionamento com o então Superintendente do município, José Bonifácio da Cunha, conseguiu que  em 1898 o então Governador Hercílio Luz lhe designasse, por ato oficial, para ser o Diretor da Estação Agronômica da localidade de Rio dos Cedros, que então fazia parte do município de Blumenau.
Eram inegáveis os seus conhecimentos como agrônomo.
Sua presença era reconhecida pela comunidade não só na agricultura, mas também na vida social.
Em 1900, por ocasião da comemoração dos 25 anos da imigração italiana no Vale do Itajaí, o município de Blumenau também comemorava uma data especial, seus 50 anos de fundação. E lhe foi confiada a tarefa de elaborar o texto oficial desse evento, uma saudação a Blumenau, por quem Rossi sentia profundo amor e respeito.
Em 1902 viajou para a Europa, em missão oficial do Estado, para estudar a fabricação de manteiga, levando consigo certa quantidade para análise e estudos bacteriológicos. Efetuou experimentos de novas culturas, entre elas a do tabaco e da oliveira, com sementes trazidas da Itália.
Criou uma cooperativa agrícola entre os colonos italianos de Rio dos Cedros, agindo como mediador e favorecendo a exportação do tabaco, principalmente para a Itália.
Na pequena e católica localidade de Rio dos Cedros, mesmo com toda a ação voltada ao desenvolvimento da agricultura da região, e embora não pregasse abertamente suas idéias socialistas e libertárias, era visto com desconfiança por muitos habitantes, enfrentando sérias reações e hostilidades, especialmente por parte dos padres franciscanos.
A morte das filhas lhe havia deixado seriamente abatido.
Em 1904 um decreto do Governo transferiu a Estação Agronômica para Florianópolis. Em 1907 Rossi foi exonerado do cargo de Diretor da empresa. Mesmo assim indicou, e teve aprovado, o nome de seu conterrâneo Túlio Cavallazzi para substituí-lo.
Retornou a Itália assumindo um consórcio agrário em San Remo.
Em cartas enviadas em 1907 e 1909 ainda mostrava interesse em favorecer a exportação de produtos da agricultura catarinense para o mercado europeu, principalmente o tabaco e o mate.
Mandou para os agricultores catarinenses sementes e dados tecnológicos sobre o crescimento do bicho-da-seda.
Voltando a morar em Pisa, sua cidade natal, Rossi exerceu ainda as funções de veterinário, escrevendo em periódicos sobre suas experiências com a Colônia Cecília.
Não se envolveu mais com movimentos políticos e morreu em Pisa, aos 87 anos, no dia 9 de janeiro de 1943.
Foi inegável a contribuição que deu ao desenvolvimento da agricultura no Vale do Itajaí, integrando-se assim à galeria das pessoas que ajudaram a construir o nosso progresso.  
O QUE  GIOVANI ROSSI ESCREVEU E FOI DIVULGADO NOS 50 ANOS DE FUNDAÇÃO DE BLUMENAU
O historiador José E. Finardi, no seu livro “Colonização Italiana de Ascurra – 1876-1976”, transcreve o texto redigido por Giovani Rossi para as comemorações dos cinqüenta anos do município de Blumenau, festejado no limiar do século XX, em 1900.
Uma peça realmente inspirada, que revela o carinho que o italiano Rossi dedicava a Blumenau e ao seu povo.
Assim começava:
“Ó Blumenau, recanto gentil do mundo descoberto por Cabral, eu desejaria ser filósofo, artista e poeta para entender e cantar a tua glória. O teu céu límpido, azul e profundo canta hinos de paz e de alegria. Mas algumas vezes é brumoso e velado, como a pobre alma humana.
Nas tardes de verão inflama-se em um oceano de calor, de luz e de força sideral, terror do viandante, mas sublime doador de vida à flora opulenta; depois se cobre de espessas nuvens e desaba a chuva, entre fulgores de relâmpagos e estrondos de raios. E nas noites serenas as estrelas cintilam como em outros céus nunca vi e, mais do que em nenhum lugar, pesa sobre nosso pensamento a visão do infinito.”
E o texto prossegue com o enfoque sobre o clima temperado (e tempestuoso) de uma região tropical como a nossa:
“Se o teu verão é ardente e chuvoso, o teu inverno é enxuto e tépido, como uma primavera na Itália. Tão doce que a videira, apenas perdidas as folhas, os brotos repontam, túrgidos, como mamilos de púbere precoce, desejosas de amor . Os teus montes são majestosos com seu esqueleto de granito e seu manto soberbo de florestas virgens, perenemente tocadas com todas as inimagináveis tonalidades do verde. Os teus vales são férteis, banhados pelos afluentes do largo e pitoresco Itajaí, que te beija e ao mesmo tempo te ameaça, e algumas vezes te invade, amigo infiel e caprichoso, ó gentil cidade de Blumenau !”
Em outro tópico, Giovani Rossi, há mais de cem anos, já previa a devastação de nossas florestas, quando escreveu:
“Os teus bosques são ainda preciosos tesouros pela madeira que escondem, pelo húmus que acumulam, pelas fontes que conservam. Tenha piedade deles a bárbara foice do colono”.
A saudação aos 50 anos de Blumenau termina assim:
“Ó Blumenau ! O fado quer que o teu nome germânico te anuncie caríssima a Flora. E de tuas flores são enredadas as casas dos teus agricultores; de flores que muitos ricos jardins invejariam, na fria Europa. De flores e de plantas raras que rodeiam e alindam magnificamente os palacetes da tua industriosa cidade.
De flores, eternos símbolos da poesia; de flores das tintas mais vivas, das formas mais bizarras, de inebriante perfume é esmaltado  todo o teu vasto território, que mais parece um só jardim. Mas as tuas flores mais belas e mais gentis, ó Blumenau, não são as orquídeas das tuas florestas; são as moças dos teus lares, que todas as flores vencem em beleza, na doce primavera da vida; são os recém-nascidos nos teus berços, são as crianças das tuas escolas que, sobre as ruínas da nossa civilização, decrépita e mentirosa, ainda verão um dia, talvez, esplender o futuro.” 
Bibliografia:
- Blumenau, Arte, Cultura e as Histórias de sua Gente - Edith Kormann
- Colonização Italiana de Ascurra - 1876-1976 - José E. Finardi

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

- C. N. Ipiranga e América

Sim isso mesmo Blumenau teve duas grandes equipes de Remo.
Curiosidades de uma época
-  O Patrão Nos anos que antecederam a segunda guerra mundial, O' remo era um esporte muito praticado. Havia em Blumenau dois clubes" sendo um situado na descida para o porto fluvial entre o Jardim e a firma Breitkopf (local anterior). O Clube Náutico América como era chamado, não só se dedicava eficazmente à prática do remo. como promovia festas sociais com bailes que marcaram época. S.C. Wahle 1995. No Natal, Carnaval, Páscoa, Pentecostes, aniversário do Clube, etc., os .banes não raro varavam a madrugada afora, alcançando o café da manhã. O outro clube, conhecido por Clube Náutico Ipiranga, com sede própria situado na Itoupava Seca, também conhecido pela aplicada prática do remo, era conhecido também pelas boas festas com animados bailes, muito frequentados peia mocidade de Blumenau. Na prática do remo havia uma" grande rivalidade entre Blumenau e ltoupava-Seca. Na estatística final, talvez o lpiranga levasse uma certa vantagem em número de vitórias. " Havia no América guarnições tradicionais, como a dos Otte que durante muitos anos permaneceram juntas " Talvez, o Sr. Sebald Otte, seja um dos que melhor conheceu as atividades do remo do América.
O América chegou a vencer páreos até em Montevidéu. Duas pessoas fizeram época, uma no América e outra no Ipiranga. Trata-se dos patrões. No América foi durante algum tempo patrão João Kracick Neto. Bubi como era conhecido, era um moço sempre alegre e de um raro bom humor. Trabalhava no Banco Nacional do Comércio. Como não via condições de progredir na vida em Blumenau, transferiu-se para o mesmo Banco em Curitiba. Lá além de suas atividades no Banco, conseguiu-se eleger presidente do sindicato dos bancários. Fez o ginásio em curso noturno, e prestou exame vestibular para direito. Uma vez formado em direito, passou a exerc1er a advocacia, acumulando a presidência do sindicato. Aos poucos entrou, na política onde depois de alguns anos foi eleito vereador por diversas vezes. Chegou a presidente da câmara dos vereadores, e numa determinada ocasião com o afastamento do prefeito passou a assumir a prefeitura ", de Curitiba.
O patrão do Ipiranga na época era Carlos Haser, mecânico-encanador, que trabalhava nas oficinas de Estrada de Ferro Santa Catarina, na manutenção das Locomotivas, principalmente relacionado com o sistema de vapor. Carlos Raser era uma pessoa de pequena estatura, franzina e o tipo ideal para patrão de remo. Era um cidadão alemão que, embora casado com uma blumenauense, achava que deveria voltar à Alemanha, pois o nazismo encontrava-se em pleno apogeu. Mas, como para tantos outros, terminada a guerra, tratou de voltar ao Brasil. Embora, fosse casado com brasileira e ter filhos brasileiros, na volta ficou retido na ilha das Flores no Rio de Janeiro, para ver o seu aproveitamento. Foi nesta ocasião, que ele foi selecionado por uma comissão da Companhia Siderúrgica Nacional de Volta Redonda, para trabalhar na Usina como encanador de linhas de vapor. O sistema de vapor, estendia-se por vários quilômetros. Quando eu assumi o departamento de manutenção mecânica na CSN em Volta Redonda, Carlos Haser reconheceu-me e ficou muito satisfeito por ficar subordinado a um blumenauense. Com reformulação dos quadros de pessoal, passou a assumir a responsabilidade de todo o sistema de vapor nas funções de encarregado geral, onde prestou relevantes serviços até a sua aposentadoria.
Revista Blumenau em Cadernos – Fevereiro de 1997 nº 2 – páginas 37,38.
Para saber mais acesse:

quarta-feira, 4 de julho de 2018

- Karsten

Por André Bonomini

Antigamente: A Karsten, uma História moldada através dos tempos.
Uma gigante encravada na simpática região do Testo Salto. De uma família em busca de segurança e uma nova chance de prosperar para uma das organizações mais sólidas do Brasil no setor têxtil. 
Encravada no simpático Testo Salto, nos confins de Blumenau, ela alcançou 0 centenários em setembro/1982 mas nem de longe se parece com uma velha senhora, muito embora viveu com intensidade vários momentos da história blumenauense, brasileira e mundial, numa espécie de Benjamin Button germânica.
E quando se fala em simpática, é para o desorientado que ainda não viu o seu tamanho naquele caminho de Pomerode. Os dois lados do nº 260 da rua que leva o nome do fundador mostram somente um pouco daquilo que ela representa para o setor têxtil, industrial e, claro para a história da cidade que, pelos idos de 1860, abrigou uma família em busca de novas chances para prosperar e para fugir da agitação que permeava a Europa. Era a saga de Johann e os seus que originaria a gigante Karsten, a sexta mais antiga empresa do Brasil.

De saída da Alemanha para uma grande história
E foi assim, meio que em fuga mas também em busca de prosperidade que a família Karsten deixou a bordo do navio Nancy a região da Schleswig-Holstein. Eram os primeiros movimentos do que viria a ser, em 1870, a unificação alemã sob o comando de Bismarck e a região, controlada pela Dinamarca, entra no meio de um conflito com austríacos e prussianos pelo seu domínio.
A propriedade dos Karsten no Rio do Testo. A moenda de grãos e serraria era o sustento da família até a violenta enchente de 1880 (Reprodução)
Era, também, o início das grandes migrações de europeus pelo mundo, especialmente o Brasil, que era propagandeado como uma terra de grandes perspectivas para um povo que vivia a mercê de guerras quase em todo o tempo. Ao desembarcar no Rio de Janeiro, a família numerosa ruma para a jovem colônia de um farmacêutico prussiano, Hermann Blumenau, em Santa Catarina, onde lá encontram guarida e a chance de recomeçar ao lado das águas do calmo Rio do Testo.
Logo, os Karsten se colocam ao trabalho. Aproveitam a força do rio para instalar uma roda d’água responsável por fornecer energia, mover a serraria e moer grãos. Nada era fácil naqueles primeiros tempos, nem mesmo controlar a força do outrora calmo, mas também violento Rio do Testo, que assim como o Itajaí-Açu, subiu e arrasou propriedades como a da família durante a temerosa enchente de 1880, a maior de todos os tempos.
A família Karsten. Johann, o patriarca, teria de achar outro caminho para manter a família. Encontraria-o no ramo têxtil, que iniciaria dois anos depois da cheia Reprodução / Karsten)
Com a propriedade arruinada, o jeito era mudar de rumos com relação ao que fazer da vida. Johann Karsten teve a saída: montar uma tecelagem. Não que fosse novidade naqueles idos, a região do Vale tinha lá algumas pequenas tecelagens, mas era uma forma de ganhar a vida perdida nas águas turvas do Rio do Testo. O dinheiro era pouco, mas Johann foi em frente e montou uma sociedade com Henrich Hadlich para iniciar a empreitada no segmento.
Ideia plantada, Hadlich seguia para a Alemanha com as poucas economias que tinham no negócio para montar a nova empresa. Neste caminho, ele passou pelo Rio de Janeiro, onde encontrou-se com o tecelão Gustav Roeder, que foi convidado por Hadlich a juntar-se aos negócios. Batata! Em setembro de 1882, tendo seis teares e 300 fusos, a firma dá inicio as atividades sob o nome de Roeder, Karsten & Hadlich.
Entre as dificuldades, a consolidação
No entanto, quem achava que era fácil montar um negócio assim no difícil Vale do Itajaí daqueles idos está bem enganado. O algodão logo mostrou-se a maior dificuldade da nova empresa. A primeira tentativa foi o plantio, o que não deu muito certo por conta das chuvas da região. Depois, outra tentativa utilizando ovelhas, mas com resultados esparsos.
No fim, era necessário importar a matéria-prima de Londres, o que demorava meses e meses até uma simples caixa de fios chegar a firma. Da Inglaterra até Desterro (Florianópolis), de Desterro até Itajaí, de Itajaí até Blumenau e de Blumenau até o Rio do Testo. Uma saga para começar a produzir. Mas mesmo nestes momentos difíceis, a empresa começa a prosperar. Foi quando Roeder e Hadlich deixaram a sociedade, tornando Johann o único a tocar os negócios já bem consolidados mesmo abaixo de tantos obstáculos a ser superados.
João Karsten assumiu o comando da firma junto do irmão, Christiano, dando continuidade a consolidação e adaptando a marca ao mercado feminino (Reprodução / Karsten)
Os panos fabricados para forros de cobertas, travesseiros e colchões eram o carro-chefe da firma, passando com o tempo a também fabricar tecidos para o vestuário. Lá fora dos muros da empresa, o mundo se transforma. O Brasil abole a escravidão e proclama a república, eram bons tempos para os Karsten.
Isto até chegar 1914, quando a Primeira Guerra explode na Europa. A exportação de fios, que já era penosa, torna-se inviável por conta do conflito, o que força muitos dos funcionários a voltarem a agricultura de subsistência para garantir o sustento. Nestas mudanças todas, a firma também passa por um processo de renovação. Johann abre caminho, em 1916, para os filhos Christiano e João no comando da empresa, mudando seu nome para Karsten Irmãos.
A marca Karsten Irmãos, criada na administração dos irmãos João e Christiano Karsten. Anos depois, Christiano deixa a sociedade e João fica sozinho a frente da empresa (Reprodução)
Termina a guerra e o mundo reencontra-se com o crescimento econômico. Na década de 1920, as mudanças na sociedade também forçam a empresa, de volta nos trilhos, a acrescentar novos itens na sua linha de produção. Entram as toalhas, panos com estampas variadas e que atraiam os olhos das mulheres, cada vez mais em busca de seu espaço na sociedade e auto-determinando-se o poder de compra. Neste meio-tempo, Christiano deixa a sociedade e a Karsten passa a ser uma sociedade anônima sob o comando de João Karsten.
Os anos passam e a empresa ganha estabilidade e reconhecimento cada vez maior no mercado, com números interessantes. Era mais um dos tantos negócios familiares do Vale do Itajaí que ganhava notoriedade nas páginas de economia de grandes jornais brasileiros como bons exemplos. Nos anos 40, já sob o nome de Cia. Textil Karsten, a empresa aperfeiçoa sua linha de produtos graças as inovações trazidas por Walter Karsten, filho de João, da Alemanha, e outras mudanças estavam a caminho.
Eis a década de 1970 no horizonte. Dentro de um país que se enquadrava como a oitava economia no mundo, a Karsten estava muito bem, obrigado no contexto econômico de Blumenau. A outrora pequena cidade agora era uma economia de respeito, destaque em vários setores industriais, especialmente o têxtil, onde a empresa estava muito bem colocada entre as grandes da cidade, como Teka, Garcia, Artex e outras.
Revoluções setentistas, força nas crises e o futuro
Mas para a Karsten, os anos 1970 vieram com embalo geral na sua estrutura, tirando-a do simpático Testo Salto e a levando para o mundo. Já em 1971, a empresa abre o capital e passa a exportar produtos, chegando a exportar no fim da década cerca de 60% do que produzia. Um ano depois (1972), conquista a cobiçada licença da marca Disney, uma das mais fortes no mercado mundial. Em 1974, expõe seus produtos na Feira Têxtil de Frankfurt, a Heimtextil, uma das maiores do mundo. Mais dois anos a frente, em 1976, começa a produzir felpudos e, no mesmo ano, resolve o antigo problema dos fios ao implantar a própria fiação.
São muitas revoluções em uma única década, completando ainda com a mudança na direção da firma, agora sob o comando de Walter Karsten, tendo ao seu lado no setor comercial o irmão, Ralf. Eram anos prósperos até a chegada da década de 90 e dos planos econômicos de Fernando Collor que colocaram muitas empresas em situação de risco no país, com prejuízos que trariam reflexos por vários anos. Mas não para a Karsten, exemplo único entre as coirmãs de cidade.
Projeção nacional e revoluções. Os anos 70 foram de constante mudança e inovações. Capital aberto, licença de uso da Disney abaixo), exposição em Frankfurt e, enfim, a fiação própria (Reprodução)
Enquanto algumas se debatiam com os reflexos da crise, a Karsten tinha no bojo a tradição de bons produtos para manter-se firme no mercado interno e externo diante dos reflexos da abertura de mercado, que pegou muita gente de surpresa. A solidez da empresa é algo que espanta nos dias atuais no cenário presente, fruto de uma administração pensada para frente e sem passos fora da curva que colocassem em risco a imagem já consolidada com os anos.
Ao passar os anos, sucederam-se os presidentes (Carlos Odebrecht e Alvin Rauh Neto) até a chegada do grupo atual, sob o comando de Armando Hess de Souza, um dos orgulhosos filhos da Dudalina, que tem levado a empreitava a voos mais altos, cada vez mais desafiada pela constante mudança do público consumidor e do mercado. Prova disto é uma das mais sofisticadas marcas de artigos de cama, mesa e banho da tradicional marca Trussardi, de raízes italianas, cobiçada por muitos e adquirida pela Karsten em 2010. 
Ao bater os 135 anos, a jovialidade da Karsten assusta e também inspira. De uma história moldada na esperança de novos tempos para uma simples família alemã para uma trajetória de sucesso foram vários os obstáculos, sempre acompanhando o caminhar do mundo por fora de seus portões. Cada colaborador tem em si a sensação de ter colocado um tijolo no imponente complexo industrial as margens da rua que leva o nome de seu fundador – Johann Karsten – e que ajudou como tantos outros a criar em volta uma comunidade, uma economia forte e uma história digna de grandes livros. 
Quantos anos e revoluções mais virão? Não se sabe ao certo. Certeza é que a Karsten provavelmente estará lá para vive-los. da mesma forma jovem que qualquer grande empresa centenária e de grande história que existe… no mundo.

terça-feira, 12 de junho de 2018

- Na época do Frei João Maria

RECORDAR É VIVER – PARTE 2
Por Sérgio Cunha


As minhas primeiras lembranças sobre acontecimentos religiosos me remetem ao Frei João Maria (Foto), o pároco da Igreja N.S. da Glória, localizada no bairro Garcia. Sobre o Frei Raul, o antecessor, não tenho lembrança, provavelmente por ser eu ainda muito pequeno. Frei João marcou muito, principalmente porque ele nos lecionou aulas de doutrina.
Tinha um comportamento bem peculiar, pois quando nos encontrava no pátio da igreja, indo para a doutrina, de longe já citava o nome do aluno e ia logo perguntando se estava tudo bem, como estavam o papai, a mamãe, se tínhamos estudado a lição da doutrina, etc. Colocava a sua enorme mão no ombro do menino e começava a apertar fortemente o musculo, acho que é o “ombrex”, kkk, enquanto esboçava seu largo e exuberante sorriso.
Nós, garotos, sentíamos muita dor, pois ele apertava bem forte, mas aguentávamos, mesmo porque nos ensinavam que “homem não chora”. Os garotos comentavam entre si que doía bastante, mas nunca soube de alguém que tivesse reclamado por isso, ao frei. Comentavam também que quando era possível, se desviavam do caminho dele, dando a volta ao redor da igreja, indo direto para a catequese.

As aulas de catequese eram lecionadas atrás da igreja num salão que servia para atividades variadas. Foram alí as primeiras aulas da Dona Julia (Foto), catequese, reuniões, além de Sede da Congregação de Marianos e das Filhas de Maria. Nesse local, em domingos que tinham celebração especial, perfilavam-se os Congregados Marianos e as Filhas de Maria, rigorosamente paramentados e principalmente portando sua fita de congregado no pescoço. Em seguida, contornavam a igreja, margeando próximo a rua e entrando pela porta da frente, entoando belos hinos religiosos.
Ocupavam essas pessoas a terceira carreira de bancos da igreja para o final, porque a primeira e segunda carreira seriam ocupadas pelas crianças que estavam na catequese. O padre iniciava a missa e quando chegava na hora do “Sermão”, aproximava-se das crianças e as questionava aleatoriamente sobre o texto lido no Evangelho, com a finalidade de testar se estavam prestando atenção a missa e também para fixar a doutrina.
Por pouco, muito pouco mesmo, o povo não aprendeu a falar em latim, pois tudo o que o padre falava durante a celebração: “Dominus Vobiscum”, o povo respondia: “Et cum Spiritu tuo”. Não aprendemos porque o latim caiu em desuso. Era, sem sombra de dúvidas, uma linda celebração religiosa.
No pátio da igreja (Foto), bem encostadinho da rua, tinha uma pequena banca de madeira, tipo banca de revista, pintada de verde claro, onde os fiéis encontravam e compravam uma variedade imensa de artigos religiosos, como crucifixos, escapulários, terços, imagens, bíblias, catecismos, velas, medalhas, pingentes, “santinhos”, etc. A banca era aberta pouco antes de iniciar a missa e fechava logo depois do final da mesma.
Localizados atrás do salão e portanto também atrás da igreja, existiam os banheiros, erguidos em uma construção de alvenaria bastante rudimentar. Entre esses banheiros e o colégio iniciava o caminho que subia o morro em direção a gruta de Nossa Senhora
Gruta
O caminho foi escavado no morro em forma de ziguezague entremeado com as arvores. Nos dias que a comunidade se reunia para prestar homenagem a Santa, principalmente quando realizada à noite, com os devotos subindo o morro, empunhando suas lanternas iluminadas com velas, formava-se um espetáculo indescritível. Lembro de quando era encenada a Via Sacra, as 15 estações da crucificação de Cristo. Um espetáculo sem igual.
Em 1959/60 as irmãs do grupo escolar selecionaram uns oito meninos do primeiro e segundo ano e montaram conosco uma peça teatral. Depois de vários e vários dias de ensaio, fizemos nossa apresentação naquele salão atrás da igreja onde se reuniam os congregados. O nome da peça era: “O esquife do morto vivo”. Encenávamos um fato acontecido em um velório e em um determinado ato, o defunto se levantava, “vivinho da silva”. Aí era um corre-corre danado. Fizemos somente três apresentações e logo fomos censurados pois algumas crianças que assistiram, a noite não conseguiram dormir, kkk. Nunca soubemos se alguma das freiras era fã do Zé do Caixão, hehe.
Anos mais tarde (63/64), o Érico Morbis fundou um grupo de teatro de jovens com idade entre 15 a 20 anos, batizado de TASC, Teatro Amador Sta. Cecilia, que fizeram bastante sucesso durante alguns anos, encenando episódios como “Os Dois Sargentos” e “Sinal Misterioso”, entre outros. Inicialmente as apresentações eram feitas em um pequeno palco montado no pátio do Grupo Escolar São José que ficava lotado pelo povo. Não demorou muito, o grupo fez tanto sucesso que se apresentavam no palco da Cantina da Artex e apresentavam-se também em cidades próximas.
Alguns integrantes desse grupo eram os nossos amigos, Celézio Bernz e Maurina Pereira, Irineu Bernz, Ornélio Bernz, Jacó Antônio Tomasi, Luiz Ernesto Souza (Leco), Jaci Sestrem, Álvaro de Andrade, a Cristina, que trabalhava no Centro de Treinamento da Artex, Getúlio Cristofolini, Gerson Cardoso, entre outros.
Em conversa com nossa querida amiga Erica Morbis, que contribuiu com importantes informações sobre esse grupo de teatro, contou-me ela também que quando falava com o Érico sobre o grupo, sua mãe Dona Aninha lhe disse que era ela que costurava as vestimentas e figurinos do grupo.
Nessa época, os jovens na nossa faixa de idade, estávamos exalando hormônios por todos os poros e iniciava-se então aquela fase de flertes, namoricos e olhares apaixonados. Alguns casais saíam do colégio de mãos dadas com suas namoradas. Um ou outro casal arriscava-se a dar as primeiras bitoquinhas.
Acontece que morava no Garcia um senhorzinho, cujo nome não é necessário mencionar, o qual era extremamente religioso e conservador dos preceitos da família. Ele dirigia uma carroça puxada por dois cavalos. Quando via um casal de namoradinhos de mãos dadas ou trocando bitoquinhas na rua, ficava furioso e os ameaçava com seu chicote em punho. Uma outra vez o vi parar a carroça, descer e sair em perseguição de um casal. Sorte deles que eram mais jovens do que ele e corriam mais rápido, kkk. Foi muito divertida nossa infância e adolescência. Saudades!
(Em tempo: O nome do musculo que o frei Joao apertava é o Trapézio). Uuufa!
Sergio Cunha – 14/04/2018 


sábado, 9 de junho de 2018

- Falecimento de uma lenda esportiva: Teixeirinha

O CRAQUE ETERNO
- Nascido em Tubarão SC em 03 de agosto de 1923. O ex-jogador de futebol Nildo Teixeira de Melo, o Teixeirinha, faleceu sábado, 9 de junho/2018, aos 95 anos, vítima de Alzheimer.
          Teixeirinha foi considerado o melhor jogador de futebol de Santa Catarina de todos os tempos e na época década 1940/50 do Brasil. Jogou em vários clubes não só de SC, mas do Brasil.
Entre esses clubes, estão Palmeiras de Blumenau, Carlos Renaux de Brusque, Olímpico de Blumenau, Botafogo, Bangu do Rio de Janeiro, e São Paulo. 
Santo Cristo, Otávio, Heleno, Geninho, e Teixeirinha.
           No Botafogo jogou ao lado do maior jogador da história do glorioso, Heleno de Freitas, e no Bangu, nada menos ao lado do mestre Ziza o Zizinho, um dos maiores jogadores da história do Brasil. 
Teixeirinha e Zizinho
          Teixeirinha em 1950 teria disputado a copa do mundo se fosse pela vontade de João Saldanha, Técnico e cronista.
A imagem mostra o Carlos Renaux de Brusque em 1958, após uma partida contra o Botafogo do Rio de Janeiro 5x5 foi o placar. Em pé da Esquerda para a direita: Esnel, Tesoura, Ivo Meyer, Baião, Mosmann, e Gordinho; Agachados (Massagista), Petruscky, Julinho, Teixeirinha, Júlio Camargo e Agenor.
Teixeirinha e Adalberto Day em 2006
Palmeiras 1950 Campeão do Centenário de Blumenau
Da (E) para (D) em pé : Oscar, Schramm, Antoninho, Augustinho, Augusto, Alvarenga, Libório (massagista). Agachados Jonas, Lazinho, Bitinho, Teixerinha, Paulino – Técnico José Henrique Pera. (arquivo de Orlando Schramm Filho)
Teixeirinha foi Pentacampeão pelo Palmeiras Esporte Clube de Blumenau na Liga LBF – Liga Blumenauense de Futebol (1944/45/46/47/48). Campeão do Centenário de Blumenau pelo Palmeiras em 1950.  Tri-campeão pelo Carlos Renaux da LBF – (1952/53/54) e 1958.  E Tri-campeão da liga de Brusque (1960/61/62)
Campeão pela Seleção Catarinense Sul Brasileiro em 1960.
 Para saber mais acesse:
 Acervo de Adalberto Day/Valdir Appel

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...