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domingo, 16 de maio de 2021

- A curva do Rio Itajaí-Açu em Blumenau

A Curva do Rio Itajaí-Açu em Blumenau

Quando dr. Blumenau esteve por aqui pela primeira vez acompanhado pelo canoeiro Ângelo Dias, logo se encantou com a exuberância das matas, do rio e principalmente com a curva do rio. Este ano foi 1848 e veio para fazer o reconhecimento de sua futura “Colônia Blumenau”, jamais confundir com Colônia alemã.

As boas línguas contam que ao passar pela curva do rio se encantou tanto, que decidiu estabelecer por aqui seu projeto, mesmo sabendo através dos indígenas que lhes disseram: “dr. Blumenau, mas aqui pega enchente - teria respondido Hermann Blumenau ao indígena, “não enche” ...”

Como se formou a Curva do Rio Itajaí Açu em Blumenau?

Um capitulo a parte e é preciso entender, pois não é nos ensinado nas escolas entre tantos assuntos que não nos ensinam.

Existe uma pedra ou Laje chamada Lontra., ao ser observada pelos indígenas, deram o nome (quando o nível do rio estava abaixo de 2 metros) é escura e tem uma figuração comparada a uma “Lontra”. E essa laje começa do outro lado na rua Itajaí  na parte visível e passa por baixo do rio até onde se localiza mais ou menos a praça dr. Blumenau, e casa Caça e Pesca. Os colonos a chamavam de "Hunger stein" pedra da fome.

Bem, mas o que ela tem a haver com a curva? ... há milhares de anos quando o rio começou a se formar, ele (teria) começado a "forçar" o lado frontal dessa Pedra ou Laje, e "percebeu" que não dava para seguir reto e se curvou a aceitar, contornar e formar a curva do rio, ou Ponta Aguda também nome chamado pelos indígenas. Simples assim ... nesse caso aquele ditado: “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”  as águas se “curvaram” é a lógica.

  “ PEDRA DO LONTRA  - como marco referencial da nossa conjuntura. 

Presumia-se, até os anos sessentas do século passado, que o nível das águas do rio Itajaí Açu, quando considerado em seu fluxo padrão, estivesse situado a cerca de 1,50 metros acima do nível do mar, no trecho, de seu curso, diante da posterior cidade de Blumenau, ou mais precisamente na linha da flor d’água que fluía sobre a Pedra do Lontra. Nos primórdios da colonização o que mais importava quanto ao nível das águas, era a condição de haver fluxo de águas com volumes suficientes à viabilidade da navegação, se bem que, por evidente, houvesse grande preocupação com possíveis enchentes. Nos períodos de longa estiagem a antiga Colônia permanecia completamente isolada de qualquer comunicação, por não haver, então, via alternativa de trafego que não fosse o Itajaí Açu.

Situações de calamidade ocorriam quase anualmente quando a pequena vazão das águas não permitia que as embarcações, provindas de Itajaí, com toda sorte de mantimentos e mesmo novos colonos, alcançassem Blumenau, necessitando procederem, quando ainda possível, o desembarque em Gaspar, cujo atracadouro situava-se onde, no presente, encontra-se a cabeceira da margem direita da Ponte Hercílio Deeke. Era o quanto acontecia com o vapor São Lourenço – de navegação marítima - que desde 1874 foi a embarcação que mais significativamente atendeu a Colônia Blumenau. O primeiro aportamento do São Lourenço em Blumenau, ocorreu em 22/11/1874.

O ponto referencial para verificarem se haveria condições de navegabilidade até o porto de Blumenau, era o cabeço da ¨Pedra do Lontra¨. Antes de 1937 era dita ¨ Otter Stein¨, mas devido a nacionalização que então ocorria de forma coercitiva, passaram nos documentos oficiais a referi-la como Pedra do Lontra, no masculino, porque na língua germânica Otter, ou seja Lontra, é masculino.

Na verdade, trata-se de uma extensa laje de pedra estratificada (em camadas) que se estende desde a margem direita do Itajaí Açu até pouco antes da margem esquerda, quando termina formando um cabeço mais elevado.

Observada do alto da margem, em períodos de seca, a aparência da escura laje coberta de liquens à guisa de pelagem cujos filamentos remexiam com a fraca correnteza, era a de uma gigantesca lontra, com o corpo submerso e cuja cabeça sobressaia da água, faz, com rio, a partir do local onde se encontra a casa “Caça e Pesca.” A chapada daquela pedra (“ Pedra ou Laje Do Lontra”- no masculino, como costumavam chamá-la até o ano de 1954 e com tal denominação a referia Raul Deeke, que estudou detalhadamente as enchentes visando emergir o casco do “Vapor Blumenau”, então semi submerso na foz do ribeirão de Tigre (Tigerbach) para colocá-lo nesta laje.

Na linguagem popular a Pedra da Lontra indicaria grande flagelo de seca, provocando escassez de alimentos – consequência muito relativa na atualidade e portanto denominação injustificável, vez que no passado, estando o rio, antes do seu aterro com pedras que forma o atual talude, mais largo em oito metros ou mais, motivo porque a Pedra do Lontra surgia com maior frequência, quando a vazão d’água em uma superfície mais larga era muito maior.. Há, entretanto, um raso canal – com a largura de cerca 3,50 metros e talvez 2,00 m de profundidade, em sentido oeste a partir do cabeço da Pedra, ou seja em direção à margem direita do rio. O mencionado canal foi aberto justo no ponto da ¨ NUCA do LONTRA ¨, segundo ouvi dizerem, resultou de explosão procedida por volta de 1905 pela empresa alemã que construía a Estrada de Ferro, porquanto era necessária maior profundidade naquele ponto para possibilitar que os vapores que transportavam os trilhos e ferragens das pontes da futura linha Férrea, pudessem ultrapassar aquele baixio, trafegando até alcançar a Foz do Velha onde localizava-se o primeiro canteiro de obras da ferrovia e também a Itoupava Seca no local onde construíram as oficinas da dita empresa. Pessoalmente penso que tal obra de explosão aconteceu muito antes, entre 1880 e 1905, ou talvez com os recursos dos 5 contos de réis, remetidos pelo Império ao dr. Blumenau, visando melhorias à navegação do rio. Sintetizando: A Laje do Lontra representa, na verdade absoluta, uma Barragem, um Talude, uma Represa, enfim um imenso Paredão submerso, que impede o escoamento das águas em nível profundo. Acaso removido, com o aprofundamento da calha em até quatro metros, o fluxo da vazão de fundo teria nível idêntico ao que apresenta o fundo do dito portinho da praça Hercílio Luz. Sim – parece inacreditável, porém o fundo do rio no dito portinho, situado a menos de cem abaixo da Laje, é 04 metros mais profundo que a chapada da plataforma da Laje do Lontra. Removida a laje, certamente ocorrerão efeitos colaterais, quiçá danos à sedimentação da areia na Prainha, o que, porém, poderá ser evitado mediante construção de proteção específica, em concreto.

Então a feitura de tais canais não traria vantagem alguma no escoamento das águas, quando muito formaria duas imensas ilhas, a ILHA DA PONTA AGUDA e a ILHA DO ABACAXI.

CANAL EXTRAVASOR, sim.... mas do Escalvado em direção à Penha. Tal Barra Morta foi um CANAL Extravasor NATURAL para quando níveis das águas alcançassem 16,00 metros em Blumenau.

Durante as tratativas do Kennel Clube que, em 1961, determinaram o assentamento do Vapor Blumenau, em 08/9/1961, sobre pilares do concreto na “Prainha”, foi, por Raul Deeke, aventada a hipótese de erigirem duas grossas pilastras sobre a Laje da Lontra, elevadas até nível idêntico ao do piso da Ponte Adolfo Konder (então já existente) para então lá sobreporem, sobre travessões de concreto constituídos em berço, o casco da embarcação com sua proa embicada para montante do rio. Pretendiam proceder o acesso ao Vapor Blumenau, após sua firme fixação sobre os pilotis, mediante o lançamento de uma ponte pênsil (pinguela) até barranca do rio próxima à Prainha.

2) Kennel Clube de Santa Catarina : Criado em 14/5/1952, com sede em Blumenau, cuja finalidade era amparar e fiscalizar a criação de cães de toda espécie, como os de caça, serviço, guarda ou luxo, porém todos de raça. Em 26/10/1952 ocorreu a 1ª Exposição de Cães promovida pelo Kennel Clube de Santa Catarina, realizada na sede social do Clube Blumenauense de Caça e Tiro, então ainda situado no bairro Bom Retiro, mais precisamente na atual ( ano 1997) rua Porto Alegre.

Raul Deeke inicialmente abraçou tal ideia, e insistiu junto ao seu irmão Hercílio Deeke, que então era o Prefeito Municipal, a fim de que a Prefeitura executasse as duas pilastras e travessões do berço. No entanto Hercílio Deeke, apesar de considerar a ideia louvável, ponderou que naquele período de crise financeira, a execução das soberbas pilastras, dariam margem à acerbas críticas, vez que nem mesmo meios havia para restabelecer o prédio da Prefeitura Municipal incendiado cerca de três anos antes.

Autoria : NIELS DEEKE, in memorian e Adalberto Day cientista Social e pesquisador da história. Arquivo Adalberto Day 

Leia mais:

A história do Rio Itajaí Açu.

https://adalbertoday.blogspot.com/2019/10/historia-do-rio-itajai-acu.html

A Pedra da Lontra:

https://adalbertoday.blogspot.com/2011/09/pedra-do-lontra.html

9 comentários:

José Geraldo Reis Pfau disse...

Parabéns. Muito interessante as informações sobre as pedras que se destacam na região do Centro no nosso rio Itajaí Acú.

Antônio Rocha disse...

Muito bom eu não sabia da tal curva, um grande abraço. Ponta aguda.

Zuqui disse...

Meu caro Adalberto!! Pouquíssimas pessoas cidadãs da mesma, não sabem a origem e alguns nem sabem da tal curva. Fato esse que deve se dar pelo fato de hoje em dia as pessoas não caminharem as margens do rio, e até mesmo o fluxo na sua maioria ser de automóveis pela avenida. Todavia, sempre se soube e observamos a curva em eventos outrora realizados na prainha nos seus históricos eventos, e até mesmo ponto de encontro de namorados (no passado). Que linda história, lembro bem do vapor ali onde servia de plano de fundo para fotos, o que é lamentável pois poderia ser muito mais útil por se tratar de um exemplo histórico do nosso município. Parabéns!!

Ricardo disse...

Ricardo da Conceição

Parabéns! Desconhia essa informação.

Mariane disse...

Mariane Hofmann
Administrador
Interessante o relato sobre a Pedra do Lontra.

Anônimo disse...

Daniel Faria
Olha amigo muito bem elaborada esta tese, porém, o geólogo e paleontólogo Paulo Kasulke possui uma teoria diferente, esta curva nada mais é que uma série de rochas trazidas rio abaixo, que, ao se depararem com a "costa" acumulavam-se formando uma verdadeira parede, entre elas acumulavam-se detritos provindos do Rio, tais como ferro, manganês, argila e areia, com essa mistura, formou-se uma Laje, que até hoje forma uma linda paisagem
Já o pesquisador
Maicon Quintino, em seu estudo recente, acredita que tal formação se deu através de um meteoro, datado de 70 mil anos A.C, que ao se chocar com o Rio, acabou formando esta característica, o meteoro Heinschumüell acabou também, causando muitos prejuízos ao Samae, pois todo encanamento foi comprometido

Gerson disse...

Gerson Luiz França
Achei interessante o relato do alerta dos indígenas, pois também sempre pensei assim. Era previsível que erguer a cidade junto à uma curva acentuada de um rio e entre a foz de dois grandes ribeirões teria consequências em relação às enchentes.
Mas deu no que deu... Essa bela cidade que temos hoje!

Reinolda disse...

Reinolda Zibert
Que maravilha!!!
Que bom ganhar um pouco mais de sabedoria da nossa linda Blumenau' que amoooo.
Parabéns , obrigada !!

Eliane disse...

Eliane Day
Obrigada Beto, sempre nos surpreendendo com seus relatos. Parabéns.

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