“A Educação é a base de tudo, e a Cultura a base da Educação”

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terça-feira, 24 de agosto de 2021

- Gincana Cidade de Blumenau: equipes campeãs

 
29ª GCB : Não foi realizada devido a Covid-19
28ª GCB : Não foi realizada devido a Covid-19
27ª GCB   Fase final realizada dias 07 e 08 de setembro de 2019.
Parabéns a todos os amigos Gincaneiros e seus autores, administradores e organizadores. Abaixo lista de todos os campeões:
A cada ano que passa, tanto gincaneiros como a comunidade se interessam mais e com mais qualidade. A aceitação e credibilidade pela comunidade, a cada ano aumenta, sendo este uma conquista para a manutenção de nossa cultura, tradição e história. 
Recebi com muito orgulho o titulo de "Padrinho dos Gincaneiros".
ObservaçãoNão poderá ter embate no primeiro lugar geral da gincana. O critério de desempate será o maior número de provas cumpridas. 
Todos os campeões da GCB - Gincana Cidade De Blumenau
1993 -  1ª GCB    = Ecossistemas
1994 -  2ª GCB    = Ecossistema
1995 -  3ª GCB    = Ecossistema
1996 -  4ª GCB    = Duna
1997 -  5ª GCB    = Ecossistema
1998 -  6ª GCB    = Capitão Caverna
1999 -  7ª GCB    = Capitão Caverna
2000 -  8ª GCB    = Capitão Caverna
2001 -  9ª GCB    = Capitão Caverna
2002 - 10ª GCB   = Aranha
2003 - 11º GCB   = Ecossistema
2004 - 12ª GCB   = Snipers                                    
2005 - 13ª GCB   = Capitão Caverna   
2006 - 14ª GCB   = Arromba                             
2007 - 15ª GCB   = Garra                    
2008 - 16ª GCB   =   Amigos  do Barney                     
2009 - 17ª GCB   =  Amigos  do Barney       
2010 - 18ª GCB  =  Amigos  do Barney      
2011 - 19ª GCB   =  Capitão Caverna
2012 - 20ª GCB  =  Safari
2013 - 21ª GCB  = Capitão Caverna
2014 - 22ª GCB  = Arromba
2015 - 23ª GCB  = Arromba
2016 - 24ª GCB  = Amigos do Barney e Safari. *Obs.:
2017 - 25ª GCB = Arromba
2018 - 26ª GCB = Safari 
2019 - 27ª GCB = Arromba
2020 - 28ª GCB = Não houve devido a pandemia do Covid-19
2021 - 29º GCB = Não foi realizado novamente devido a pandemia do Covid-19
2022 -
* Obs.: Por haver problemas na contagem das avaliações das provas pelos jurados, as duas equipes se uniram e decidiram proclamar-se campeãs. 
História:
No ano de 1993, A Gincana foi organizada pela Assessoria para assuntos da Juventude da Prefeitura de Blumenau (em comemoração ao aniversário do município), pois naquela época ainda não existia a Liga de Gincaneiros. Na ocasião os irmãos Nico e  Fabrício Wolff  que era o Assessor, que coordenou o evento com a ajuda do Cláudio  (Caco) Peixer  e o Vinícios
Todos eles participaram da primeira edição.
No primeiro ano, foram 366, em seis equipes participantes. 
Atualmente totalizam cerca de 2000 pessoas participando no evento. É importante salientar que boa parte das equipes se mantêm estruturadas o ano inteiro, participando de diversas outras atividades beneficentes.
Apesar de o evento ainda ser apoiado pela Assessoria da Juventude, hoje em dia é organizado pela Liga Blumenauense dos Gincaneiros, composta por 1 integrante de cada equipe, presidida pelo Gincaneiro Gilson da Motta Soares (Falecido em 25 08 2021). A criação da LIGA foi um importante passo na consolidação da gincana, que passou a contar com administração independente para garantir estabilidade e continuidade da gincana.
Precedem a gincana às provas com objetivos filantrópicos. Toneladas de alimentos já foram arrecadadas ao decorrer da gincana, além de brinquedos, livros, produtos de higiene, agasalhos e cobertores. Todo ano os gincaneiros participam maciçamente do Pedágio da APAE, cobrindo diversos pontos de arrecadação e contribuem com o hemocentro através da prova de doação de sangue.
Já no final de semana do evento, acontecem as mais esperadas provas, compostas por charadas inteligentes que envolvem variedades, conhecimentos gerais, cultura e principalmente a história da cidade.
Do outro lado das equipes está a Comissão de Provas, coordenada desde 1997 (salvo em duas edições) por André Mrozkowski, responsável pela elaboração e execução das tarefas. A CP vem cumprindo com êxito sua tarefa de fazer desta uma gincana diferenciada, com aspecto distinto das convencionais. As provas que acontecem neste evento se diferem da concepção tradicional de gincana. São provas muito mais complexas, em que as equipes têm que desvendar enredos, geralmente policiais ou de terror, através de interpretação de pistas distribuídas por toda a cidade.
Dentre estas provas, se destaca a prova da madrugada (a mais esperada), que tem duração até as 05 da manhã. Criptografia e sustos rolam a noite toda, inclusive em cenários que são preparados especificamente para esta prova, como sítios ou casas abandonadas, aumentando o suspense. E, por incrível que pareça, muita gente gosta destes sustos.
Por suas peculiaridades, a gincana de Blumenau acabou virando referencial e modelo para diversas gincanas do Brasil, que buscam suporte em nosso evento.
Primeira Diretoria - Presidente - Humberto José de Paiva / Vice - Rodrigo Cirino / Primeira Secretária - Dominique Pires Ibbotson / Primeiro Tesoureiro - Rafael Coutinho dos Santos.
*********
Meus agradecimentos a todos os gincaneiros, pelo carinho. Também agradeço toda diretoria  pela confiança em nosso trabalho e a toda equipe #GCBlu2016
Arquivo: Liga Gincaneiros/Adalberto Day   

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

- Pelé

Faço mais uma postagem sobre Pelé e muitos dados importantes
Seguindo meu raciocínio de postagens, é necessário constar o nome marca "Blumenau"; Pelé jogou em Blumenau no dia 30 de agosto de 1961.

Pelé nasceu no dia 23 de outubro de 1940  na cidade de Três Corações em Minas Gerais. Embora na certidão original de nascimento apareça a data de nascimento de Pelé dia 21 de outubro, como também Edison ao invés de Edson.
Pesquisas de Sidney Barbosa da Silva 
Fontes: Arquivo www.campeoesdofutebol.com.br ; Placar - "Tira-Teima" - de 01- 11 -1997; e Editora Sextante.

Página adicionada em março/2009.
Pelé começou no futebol jogando pela equipe infanto-juvenil do Bauru Atlético Clube, o Baquinho, time de futebol amador da cidade de Bauru, estado de São Paulo.
Pelo Baquinho conquistou o bicampeonato da Liga Citadina em 1954 e 1955.
Foto divulgação
Em 1956, Pelé foi levado por Waldemar de Britto, antigo meia-direita da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1934, para treinar no Santos e foi aprovado. Estreou pelo clube (equipe adulta) num jogo treino contra uma equipe da cidade de Cubatão reunindo alguns jogadores profissionais e das categorias menores (um mistão), vestindo pela primeira vez a camisa do peixe. O Santos vencera por 6 a 1, com quatro gols de Pelé. Como era apenas um jogo treino, o resultado não contou para as estatísticas de sua carreira e esses quatro gols nunca foram contabilizados, mas foram fundamentais para a sua carreira, acabando inclusive com o apelido de "Gasolina" que os jogadores mais velhos deram a ele. Depois desta apresentação passou a ser chamado por Pelé, como era no Bauru AC.
Depois de mais ou menos um mês treinando com os mais velhos, teve finalmente a chance de jogar uma partida oficial. Foi no feriado de 7 de setembro de 1956, num amistoso do Santos contra o Corinthians, de Santo André-SP. O Santos ganhou de 7 x 1 e Pelé fez seu primeiro gol pelo clube (o sexto da goleada). O goleiro que sofreu o gol "0001" se chamava Zaluar Torres Rodrigues que faleceu em 1995.

No time do Santos teve as maiores conquistas, ganhou mais de 40 taças e foi artilheiro do campeonato paulista em 11 oportunidades, sendo 9 consecutivas. Foi ainda artilheiro da Libertadores (em 1965, com seis gols), da Taça Brasil  por três vezes (1961, 1963 e 1964) e do Torneio Rio-São Paulo em 1963. Apesar de ter feito mais de 1200 gols, nunca conseguiu o feito de ser artilheiro numa Copa do Mundo.
Foto Divulgação: em pé Djalma Santos, Zito, Beline, Nilton Santos, Orlando e Gilmar; Agachados: Garrincha, Didi, Pelé, Vavá, Zagalo.
Na Seleção Brasileira, Pelé (foto reprodução) estreou em 7 de julho de 1957, contra a Argentina, no Maracanã, na vitória do Brasil por 2 a 1. Pelé tinha 16 anos, oito meses e catorze dias de vida, tornando-se jogador mais jovem a vestir a camisa do Brasil. Nesse dia, marcou também seu primeiro gol pela seleção. Já a sua despedida da Seleção Canarinho ocorreu em 18 de julho de 1971, no Maracanã, num amistoso contra a extinta seleção da Iugoslávia que terminou empatada por 2 a 2.
Despediu-se do futebol em 2 de outubro de 1974, Santos 2 x 0 Ponte Preta, pelo campeonato paulista. Aos 22 minutos do segundo tempo, ele se ajoelhou no centro do campo, abriu os braços e virou para os quatro lados do campo.
No ano seguinte recebeu uma proposta irrecusável e voltou a jogar, desta vez pelo Cosmos de Nova York. Estreou em 15 de junho de 1975 no campeonato norte-americano contra o Dallas Tornado (2x2), fazendo um dos gols de sua equipe. Dois anos depois, em 1° de outubro de 1977, se despedia em definitivo do futebol jogando meio tempo pelo Cosmos e meio tempo pelo Santos (Cosmos 2 x 1 Santos), fez um gol - o primeiro do Cosmos.
No dia 15 de maio de 1981, o jornal francês L`equipe concedeu a Pelé o título de Atleta do Século numa pesquisa feita junto aos vinte mais importantes jornais do mundo. Ele teve 178 votos contra 169 do segundo colocado, o corredor norte-americano Jesse Owens, medalha de ouro nas Olímpiadas de 1936, em Berlim. A taça, de bronze, tem 80 centímetros e pesa 23 kg.
CAMISAS QUE VESTIU (Seleções Nacionais, Regionais, Clubes Militares. e outros.)
Ao longo de sua carreira, Pelé (foto reprodução) atuou em diversas partidas festivas, e algumas equipes eram formadas com os nomes de "Amigos de Pelé", "Ex-Atletas do Cosmos", etc.. Dados como estes citados serviram como base a pesquisadores para formar a listagem de clubes e jogos em que atuou. Em alguns casos Pelé acabou por marcar mais gols e disputar mais jogos. Em outros os adversários não batem. 

Na Revista Placar - Tira Teima, de Novembro de 1997, é computado 1376 jogos disputados e 1284 gols marcados - existe ainda a formação de uma equipe denominada "Seleção de Amigos do Garrincha" que não é encontrada em outras fontes pesquisadas.
No site da Editora Sextante, que serviu de base para este projeto, foi encontrado uma relação de jogos e gols da carreira de Pelé em que informa que o Rei fez 1285 gols em 1375 partidas. Em todo caso, este trabalho serve apenas de ponto de partida pois - e com certeza - aparecerão mais dados sobre o Rei do Futebol.

Seguindo os dados obtidos, a relação das equipes (clubes e seleções) em que atuou são:
» Seleção Brasileira » Seleção Brasileira de Seniores » Seleção Paulista » Seleção do Sudeste do Brasil »      Seleção da Nigéria » Santos Futebol Clube, de Santos-SP » New York Cosmos, de Nova Iorque/EUA » Fluminense Foot-Ball Club, do Rio de Janeiro-RJ » Clube de Regatas Flamengo, do Rio de Janeiro-RJ » American All Stars, dos Estados Unidos » Combinado entre o Santos FC-SP e o CR Vasco da Gama-RJ (atuou três vezes e fez 5 gols) » Ex-Atletas do Cosmos » Seleção do Resto do Mundo » Seleção de Amigos do Garrincha » Sindicato dos Atletas, de São Paulo » 6ª Guarda Costeira » Forças Armadas » Seleção das Forças Armadas » Seleção de Astros.
A discussão sobre o gol 1000
Oficialmente, o gol 1000 foi marcado de pênalti, no dia 19 de novembro de 1969, no jogo Santos 2 x 1 Vasco da Gama, no Maracanã, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. O goleiro do Vasco era o Argentino Andrada. 
Em maio de 1995, uma reportagem do jornal Folha de São Paulo encontrou um gol a mais do Rei Pelé no Campeonato Sul-Americano Militar de 1959 contra o Paraguai. O gol 1000, assim, teria acontecido cinco dias antes, em 14 de novembro de 1969, em um amistoso contra o Botafogo da Paraíba.
Atualmente, algumas pesquisas para projetos como Pelé Eterno e Historiografia do Futebol Brasileiro , foram encontradas algumas partidas perdidas de Pelé. Estas pesquisas sugerem que o gol 1000 teria ocorrido em 12 de novembro de 1969, na partida Santos 4 x 0 Santa Cruz de Recife.
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Blumenau  
Foi no dia 30 de agosto de 1961, que o famoso time do Santos de Pelé jogou em Blumenau, no estádio da Baixada. O jogo foi contra o Grêmio Esportivo Olímpico, o placar 8x0 em favor do time do rei Pelé.

Na oportunidade Pelé marcou cinco gols?  e Cabralzinho três, embora alguns afirmem que foram quatro gols e não cinco os tentos anotados por Pelé. Um dos gols teria sido marcado por Formiga (segundo meu amigo Arno Buerger, que assistiu o jogo) e atribuído ao rei do futebol. Mas vale os registros, e na súmula do jogo e também na revista Placar e incluído na contagem dos “1000” gols, constam cinco gols de Pelé neste jogo.
Curiosidades: Pelé recebeu este nome em homenagem a Thomas Edison, o inventor da lâmpada.  Seu Dondinho pai de Pelé colocou o nome de Edison, pois a energia elétrica estava chegando a região. Sim na certidão original de Pelé está o nome de Edison, e não Edson, como também por erro a data de nascimento que aparece na certidão é o dia 21/outubro/1940
No carinho da família, Pelé era simplesmente o "DICO".
Curiosidades sobre Pelé por:

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

- Lindolf Bell "O Poeta"

Morte do Poeta em dezembro de 1998 abriu uma lacuna na cultura blumenauense.

O Dono das palavras mágicas

“O som do poema é essencial” defendia o poeta Lindolf Bell. Conhecimento de causa ele tinha para enaltecer as poesias. Recitadas por sua mãe Amália, na infância em Timbó, sua cidade natal, acabaram moldando os sentidos do artista.

Assim como o som do bandôneon tocado pelo seu pai, Theodor, cujos acordes ouvia atentamente na infância. A arte, o conjunto de palavras dispostas de forma bela, como os sons, como as tintas de um quadro, era o que encantava poeta.

Como ele, não houve nenhum poeta foi tão importante para a Cultura de Blumenau. “ Ele era o crítico oficial da cidade”., lembra o então diretor da Fundação Cultural de Blumenau, Vilson do Nascimento. Com a criação da Galeria Açu-Açu, no início dos anos 70, Bell se tornou o principal propulsor das artes de Blumenau e da região.


 Lindolf Bell declamando em praça pública

A comemoração dos seus 60 anos, completados em 2 de novembro de 1998, poderia servir como uma homenagem à sua vida, e aos seus ideais. Enfim Bell faria uma grande festa, esquecendo o retiro individual que, na maioria das vezes, acompanhava suas bodas. Os presentes que queria receber não eram caros, mas espalhafatosos: cada um de seus convidados devia levar livros, que seriam doados ao Acervo da Biblioteca Pública municipal de Timbó. A intenção era difundir a leitura entre os jovens de sua comunidade natal, incutir o prazer e o valor da palavra escrita para a vida. Era sua forma de sanar a dificuldade pela qual ele próprio passara cinco, seis décadas atrás, quando as poucas condições da família, lembrava não lhe deixavam ler algo além da “Bíblia e do calendário de farmácia”.

 Lindolf Bell com a família Elke, Pedro, Rafaela e Eduardo

Mas no dia 5 de dezembro, às vésperas da grande comemoração, o disparado e ansioso coração de Bell , ainda acabrunhado com os preparativos para a festa, começa a brincar com a saúde do poeta, as 9h. Segue-se um tormento de cinco dias, que acaba levando sua vida. O diagnóstico é uma dissecção aguda na aorta.
Para a cultura de Blumenau, devastação semelhante só com a morte da ex-mulher de Lindolf Bell, Elke Hering, quatro anos antes. Desde jovem o escritor já insistia em vôos mais altos, no entanto, chegaram após servir a Policia do Exercito (PE), em 1958 no Rio de Janeiro, quando o poeta começa a tomar vulto.
Antes mesmo de deixar a PE, começa a frequentar a faculdade de Ciencias Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 60, de volta a Timbó, começa a ter grande reconhecimento no ambiente literário.
Lindolf Bell - Galeria Açu-Açu
O ambiente tenso de 1964parece não te abatido o jovem poeta, Nesse ano,Bell publica Ciclos e inicia o movimento de Catequese Poética, recitando poemas na Boate ELA, Cravo e Canela, em São Paulo. Faz vários recitais em teatros, universidades, escolas e clubes de São Paulo e Rio de Janeiro, onde também se apresentam Álvaro Alves de Faria, Carlos Soulé do Amaral e Roberta Bicellei. Entre 1965 e 1968, a Catequese Poética toma vulto. O Poeta e os outros integrantes do movimento viajam por todo o país, sensibilizando o universo artístico e estudantil. Sai também a Antologia da Catequese Poética. De volta ao Vale do Itajaí, e já unido a Elke Hering, se fixou em Blumenau. Junto com Péricles e Arminda Prade, o casal criou a Galeria Açu-Açu, em 1970. Pouco depois, Bell publica As Annamarias, considerada por Carlos Drummond de Andrade “a mais importante obra lírico-amorosa em língua portuguesa dos últimos quinze anos”. Nas próximas três décadas, seguem-se obras vigorosas, o apoio a arte e permanecem os ideais.
Porém nem tudo que escreveu e fez em vida preenche o abismo deixado pela sua morte.
Suplemento do Jornal de Santa Catarina, sábado 2/setembro/2000 Volume 3 – Personagens, lugares e construções.
Foto: Arquivo Histórico José Ferreira da Silva/Adalberto Day

domingo, 1 de agosto de 2021

- A Escola da Vida

MINHA VIDA PROFISSIONAL
ADALBERTO DAY
CIENTISTA SOCIAL, PESQUISADOR E PROFESSOR.
Faço um breve relato da minha infância e parte da vida profissional.
Aprendi desde criança com meus pais e avós a ter bons hábitos, trabalhos caseiros, bons costumes. Uma verdadeira lição de vida! Muitos ao lerem esta crônica sentir-se-ão inseridos no contexto.    
Hoje olho para trás e vejo que os problemas eram na verdade, os degraus para me levar à vitória. Então concluo que minhas sequelas, são os troféus de minha vitória.
Garcia                   Artex                            Souza Cruz
Revista Manchete de Outubro de 1966 -  Colaboração Guenter Georg

           1968-1992
Fui criado e educado aprendendo a obedecer, respeitar, e servir.
Este era o ambiente familiar em toda comunidade que era cooperativa, prestativa, e em sua maioria trabalhava nas Indústrias do bairro Garcia, a Empresa Industrial Garcia, Artex, e Souza Cruz. Meus bisavós vieram da Alemanha, tanto do lado paterno (Day) como materno (Deschamps), e estabeleceram-se  inicialmente em Brusque e Gaspar respectivamente. Porém as origens dos meus antepassados são Ingleses (com pezinho na Irlanda) e Franceses. 
          Um jovem ao ingressar em uma empresa deveria ter todas as qualidades citadas, de preferência deveriam ser “alienados nos processos políticos, religiosos, e da realidade do mundo”. Criava-se a mentalidade de servos e quem fosse despedido ou recebesse carta branca (nome dado a quem fosse demitido), era considerado pela comunidade mau caráter, elemento "vagabundo", pessoa por vezes não grata. Saber que um cidadão perdeu seu emprego era coisa de “outro mundo”.
     Imbuído deste espírito ou princípios “básicos de qualificação”?, ingressei em 05/07/1968 na Empresa Industrial Garcia, no setor de expedição, faturamento, vendas e a partir de 1971 em recursos humanos. Foram anos de plena ditadura militar, inclusive os ex presidentes Castello Branco, Ernesto Geisel, Figueiredo, Ministro Delfim Netto, visitaram o bairro Garcia/Progresso
           Para muitos uma fase de crescimento tecnológico e de nação perante o mundo. Para outros uma fase negra da história do Brasil. Cabe a cada cidadão analisar sem ranços políticos. Minha concepção ditadura existiu antes e pós-militares, a tal ditadura “Branca”. Muitos não sabem usar a democracia achando ser anarquia e assim o caos social se estabelece.
Assistencialismo
Tínhamos assistência médica e odontológica, creche, cursos de alfabetização e um excelente centro de treinamento, a melhor praça esportiva até o final da década de 60 (Séc. XX) do estado de Santa Catarina, o Amazonas Esporte Clube.
Nesta praça esportiva eram realizados vários tipos de modalidades esportivas, atletismo, basquete, vôlei, ciclismo, futebol e outros. Também eram realizadas anualmente festas, como comemoração do dia do trabalhador com diversas atrações e sorteio de bicicletas e outros prêmios tanto para funcionários como também seus filhos, festa junina, e festa natalina sempre com presentes a todos empregados e filhos.
Boa parte dos colaboradores moravam em casas produzidas pelos próprios funcionários da marcenaria, com toda infraestrutura, coleta de lixo feito pela Empresa Industrial Garcia e saneamento básico, pagando um aluguel simbólico (centavos). Depois estas casas (a partir de 1966) foram vendidas a preços razoáveis aos empregados que então começaram uma nova fase de reformas pinturas e até os primeiros comércios começam a aparecer, como a loja Prosdócimo em 1967 na casa do Sr. Edelui Massaneiro, e Calçados Hass em 1971 na residência do Sr. José de Oliveira. Também existia a cooperativa dos empregados, onde os funcionários podiam comprar, e ser descontado em seu próprio holerite (envelope de pagamento).
Os empregados recebiam 2 kg de retalhos por “Zero Faltas” assiduidade ao trabalho.  Nas calamidades as duas empresas Artex e Garcia sempre foram muito prestativas aos seus colaboradores, exemplo foram a enchentes de 1983/84 e várias  enxurradas no Grande Garcia.
O tempo passa ... última volta do ponteiro
          O tempo passava e percebia que os fatos mencionados não eram bem assim, o próprio sistema organizacional divergia de ideias melhores para o bom desenvolvimento interno nas empresas. Constatei que nem sempre aqueles que conseguiam uma posição melhor profissionalmente eram os mais capazes, os mais qualificados ou inteligentes, mas sim em muitos casos os pelegos e alienados da vida cotidiana e que viviam prejudicando os colegas  e atropelando seu semelhante que se destacava, como também algumas famílias de nomes conhecidas da região que tinham seus "privilégios".
Eram realizados avaliações de cargos, muitas vezes por pessoas despreparadas e anualmente, quando deveria ser diariamente. Nessas avaliações nem sempre prevalecia a verdade, pois o avaliador com receio de perder o seu cargo, fazia uma avaliação duvidosa.
Nos testes de promoções vários concorriam, mas nem sempre o melhor era promovido, já existia o "candidato preferencial", apenas dava-se oportunidade aos demais para que o mesmo “participasse”, e pensasse que era inferior ao “vencedor ”.
Como trabalhava em Recursos Humanos, tinha acesso a esse tipo de informações, não sendo surpresa para muitos funcionários que desconfiavam e comentavam essa prática enganosa.
          Procurava sempre colaborar com meus “superiores” e colegas de trabalho, na expectativa de conseguir melhores posições profissionais. Principalmente a partir da incorporação da Empresa Industrial Garcia a Artex em fevereiro de 1974, exercia uma posição intermediária entre a chefia e colegas de trabalho, era o “coringa” que ensinava e substituía todos inclusive a chefia, e como trabalho principal Orientador Ocupacional.
          Em algum momento fui considerado líder negativo, por ter pensamentos sociais diferentes do empregador, e que não “vestia a camisa” (se não vestia é por que não me davam para vesti-la) claro que isso não é verdade, pois em 25 anos de empresa, muito colaborei e fui correto com meus superiores. Os anos iam se passando e cada vez mais me decepcionando, mas com esperanças.
Fusão Artex/Garcia em 1974
Fusão: o começo do fim
Acompanhei a fusão das duas empresas Artex e Garcia.
Na Empresa Industrial Garcia, o Sr. Ernesto Stodieck Jr. Que trabalhou de 1940 até 1967, teve uma liderança e conseguiu um grande impulso para o desenvolvimento não só da empresa como também da comunidade (anteriormente João Medeiros Jr. foi um grande diretor da EIG.  fundador da PRC 4 Rádio Clube de Blumenau e Radioamadorismo em Santa Catarina). Stodieck colaborou  na construção da Igreja Nossa Senhora da Glória e do Grupo Escolar São José (atual Celso Ramos) na Rua da Glória, como também a construção em maior escala a partir de 1941 de novas casas populares (ultrapassando a 240 unidades), tal como foi Gustav Roeder, e o os pioneiros desta grande organização Johann Henrich Gresvmuhl, Johann Gauche e August Sandner. O Suíço Otto Huber, foi um dos grandes colaboradores da EIG, Foi dele a modernidade em edifícios com três pavimentos que trouxe da Europa e  pôde implantar na empresa e cobrir com telhados as instalações. Sim de telhados tradicionais, já que desde a fundação em 1868 até 1926, para economizar energia elétrica, os telhados da empresa eram de vidros resistentes. 
    Na Artex com a fusão boa parte dos  empregados da Empresa Industrial Garcia, passaram por “humilhações” com poucas perspectivas de sucesso profissional, muitos foram demitidos ou solicitaram desligamento. Fizeram questão de aterrar para sempre o magnifico estádio do Amazonas (a partir de Abril de 1974), e acabar com o clube em janeiro de 1975.
       Além dos pioneiros Otto Huber que trabalhou por mais de 30 anos na Empresa Industrial Garcia, Theóphilo B. Zadrozny (nascido na Polônia e não Brusque como muitos pensam)  e Max Rudolf Wuesch que também trabalhou na E.I Garcia por 20 anos, a família Zadrozny (Arno, Carlos Curt, Júlio, Norberto Ingo) souberam erguer a maior industria têxtil da América latina. 
Arno Zadrozny estava sendo preparado para substituir seu pai Theóphilo no comando da organização, porém faleceu prematuramente no dia 26 de dezembro de 1965 aos 45 anos. Com isso seu irmão Carlos Curt Zadrozny foi o preparado para assumir.
Mas quando chamaram diretores técnicos para administrar a empresa, e com a implantação do sistema rodízio a partir de 1984, a empresa começou sua fase de declínio no cenário nacional e mundial. Na época o sistema rodízio foi implantado para aumentar a produção e a criação de novos empregos, era visto como uma boa alternativa para o momento difícil que passava o setor econômico nacional. Deveria ser temporário, mas não foi. Ao contrário que os diretores da empresa pensavam, nunca fui contra o sistema, mas avaliava a situação como caótica para a organização. Muitos empregados se revoltaram, igreja e comunidade em geral.   Boa parte dos empregados insatisfeitos solicitaram demissão da empresa. No mês de dezembro de 1986, 110 empregados qualificados solicitaram demissão e em janeiro de 1987 mais 107 fizeram o mesmo. Um número recorde em nossa cidade de Blumenau e Santa Catarina. Imagine uma empresa perder 217 funcionários em sua maioria altamente qualificados, o “baque” que isso proporcionou. Vários desses cidadãos que solicitaram a demissão ou se estabeleceram por conta própria com enorme sucesso, ou ingressaram em outras empresas, que os receberam de braços abertos pela experiência profissional. Infelizmente neste período a Artex teve dificuldades de contratar bons profissionais que não queriam trabalhar na organização.

“O empregado que não faltasse o mês todo recebia uma compensação financeira e até alimentícia, 15% a mais em seu contra cheque, se faltasse um dia sem justificativa 5% e se as faltas ultrapassem dois dias, não recebia nenhum beneficio”.
Outros que permaneceram foram cumpridores de seus deveres, mas sempre no aguardo de uma solução conciliatória entre as partes. No entanto boa parcela dos colaboradores agiu com desprezo para com a empresa, não produzindo com boa qualidade, danificando materiais, faltas em excesso, causando sérios prejuízos à corporação. Em 1986 (cinquentenário da empresa) foi construído uma piscina semiolímpica e um grande complexo esportivo, para lazer dos empregados, mas nada desses benefícios foram suficientes para amenizar o descontentamento de quem trabalhava nesse sistema. Mesmo assim os problemas de qualidade e assiduidade continuaram. Na intenção de “forçar” o empregado a aceitar, o assistencialismo foi enorme, em datas comemorativas exemplo dia das mães das mulheres, eram oferecidas nas igrejas (Nossa Senhora da Glória, Santa Isabel e Santo Antônio) rosas a cada mãe ou mulher. Mas não era isso que cada família queria, para elas o dia “Sagrado de domingo” deveria ser mantido. E assim também pelo Natal, Páscoa e outros.
Associação Artex
Toda esta situação fez com que a Artex, declinasse ainda mais no cenário nacional e mundial, na sua posição de maior empresa da América Latina no ramo Têxtil.
A Greve
“Em 12 de março de 1989, deflagrou-se uma grande greve dos trabalhadores têxteis, culminando com uma passeata do centro até a empresa Artex, quando então, os trabalhadores não só da Artex, mas de todas as indústrias, solicitaram o término do sistema rodízio, como também melhores salários.”.  
Esta greve perdurou até dia 19 de março, quando houve um esfriamento (Continuou mais dois dias) justamente em um dia que houve um jogo importante entre Blumenau e Figueirense, os grevistas em boa parte foram assistir o jogo.
Trabalhadores  em plena rua Amazonas em massa dirigindo-se para frente dos portões da Artex - Foto:  CHARLES SCHWANKE
É bom salientar que nesta época, o Presidente do Sindicato Têxtil Osmar Zimmermann, tinha recém assumido a presidência em fevereiro de 1989, e diante de tamanha multidão mais de 10 mil em frente ao sindicato, não restou alternativa a não ser dar apoio à greve em assembleia realizada na oportunidade. Também na época os salários eram melhores que nos anos 90 e no inicio dos anos 2000, o motivo principal foi salários baixos em algumas empresas, e devido ao sistema rodízio. Os empregados retornaram ao trabalho e receberam menos de reposição salarial que o oferecido ou previsto pelos empresários.
Plebiscito
Com a greve, a Artex, permitiu que o sindicato realizasse um plebiscito para saber da continuidade ou não do sistema rodízio. Este plebiscito teve como resultado, o fim do sistema, já que a maioria dos empregados votou contrario a continuidade.   
 Na realidade sou sabedor que a empresa iria acabar com o sistema rodizio e o plebiscito foi o estopim, amenizando o impacto dos comentários as demissões necessárias com a desativação do sistema.
Consequência
Mais de 450 empregados perderam o emprego, durante os meses de março e abril de 1989, (no final de 1988, com a desativação da Fiação FIGA e FIBLU, mais de 800 empregados foram desligados da corporação) trazendo grande prejuízo não só à empresa, mas deles próprios e de toda a comunidade. Em 14 de outubro de 1990 houve uma grande enxurrada em todo o Garcia, que também atingiu violentamente o parque fabril da Artex, causando enormes prejuízos onde balançou com a estrutura econômica da empresa.
     Em setembro de 1994 a família Zadrozny perde o controle acionário da empresa, que  é vendida para o grupo GP Investimentos (Garantia Partners- sócios do Banco Garantia), lavrado em ata em 28 de abril de 1995, desaparecendo o nome Fabrica de Artefatos Têxteis S/A .ARTEX – para então somente ARTEX S/A . Em 01 de junho de 2000, a empresa é novamente vendida desta vez ao Grupo Coteminas - e doravante a empresa passou a possuir uma nova razão social passando a denominar-se Toália S/A - Indústria Têxtil . - Filial da Empresa Toália de João Pessoa – Paraíba, mas ainda com participação do grupo Garantia. A ex empresa Artex S/A muda de razão social para atender interesses próprios e de seus acionistas, com o nome de Kualá S/A em junho de 2000. E finalmente em 09 novembro de 2001, o grupo Garantia, sai do controle acionário, e a empresa adota o nome de COTEMINAS – Companhia de Tecidos Norte de Minas. E finalmente em 06 de janeiro de 2006, COTEMINAS S/A.
Este é um pequeno relato de alguém que colaborou, tinha raízes, pois morava próximo a empresa (60 metros), atualmente como cientista social e pesquisador da história, preservo a história do bairro e das duas empresas, por carinho, gratidão e necessidade de um resgate histórico do grande Garcia, pois a empresa desativou todo acervo magnífico que possuía. Posso dizer que sinto orgulho de ter trabalhado nestas duas empresas que foram uma grande Escola da Vida e me projetar como cidadão.
          Por divergências de opiniões e pensamentos, preferi negociar meu desligamento em 03/12/1992, sem mágoas  a organização (por mais que aqui possa transparecer - lembrando sempre que sou pesquisador e cientista social) por isso preservo um acervo particular de um resgate histórico que começou, por volta de 1960, podendo dizer com orgulho que essas duas empresas, foram à alavanca para o progresso não só do bairro como também de Blumenau.
          1993 - dias atuais
Então fui lecionar, encontrei pessoas que me apoiaram, direção, comunidade, alunos, fui muito  bem recebido, apesar do descaso das autoridades com o ensino. Adorei ser professor de História, Filosofia, Geografia, Sociologia no ensino médio e fundamental, um cargo digno. Sinto muito orgulho de ainda ser chamado de “Professor”.
Trabalhei com palestras de Motivação Profissional e elaborando planilhas e apostilas para vários palestrantes ... Bons tempos.
Hoje aposentado profiro palestras (a partir de 2012 com problemas sérios de saúde, comecei a diminuir minhas atividades) sobre história de Blumenau e em especial do Grande Garcia, em Universidades, entidades de ensino em geral, 23 BI, turismo, empresas. A própria empresa que me demitiu, me contratou para palestras, mostras e outros, mostrando o reconhecimento do trabalho que desenvolvia.
Trabalho com pesquisas, dou entrevistas em rádios, TVs, participo de trabalhos desde graduação até doutorado/mestrado, escrevo para diversos livros e revistas, como também jornais. Já participei de vários vídeos, seriados e outros. 

Blumenau, Janeiro de 1993 – com inserções em 2001 , 2003 e alguns adendos em 2014 , 2015 e 2019.
Atenciosamente
Adalberto Day/Cientista social e pesquisador da história.
Arquivo de Dalva e Adalberto Day 

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