“A Educação é a base de tudo, e a Cultura a base da Educação”

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

- Os Quebra-Tigelas

 Blumenau e Gaspar

Quebra-Tigelas

A história dos quebra-tigelas é mais antiga que se supõe, mais ou menos entre 1880/1890, quando Gaspar foi Distrito de Blumenau por 54 anos (1880 – 1934) apenas em 18 de março de 1934 houve a emancipação, com Leopoldo Schramm se tornando o primeiro prefeito de Gaspar. As desavenças principalmente bairristas nas festas dançantes onde fechava o tempo (desavenças entre os jovens) e sobrava para as tigelas, copos e outros. Isso ocorria quase sempre nos encontros entre jovens das duas cidades. A mais famosa delas foi em um encontro entre jovens blumenauenses e gasparenses em Belchior Alto, por volta de 1910/1920, onde existia um comércio que vendia tigelas, louças, copos e outros utensílios, e em anexo salão dançante, os gasparenses atacavam nas brigas e desavenças os blumenauenses com tigelas, que pegavam das prateleiras do mercado e salão.

Belchior Alto
Mas isso se intensificou nos anos seguintes e perdura este fato do apelido dado pelos blumenauenses aos gasparenses de Quebra-tigelas até os dias correntes. E eles tem orgulho de ser chamados assim, pois levaram vantagens na primeira briga generalizada, onde usavam tigelas, enquanto os blumenauenses tão somente copos que estavam em suas mãos para seus drinques, e como levaram desvantagens, logo os blumenauenses perderam o apelido de quebra-copos. Foram esquecidos pois os quebra-tigelas foram os vencedores. 
Blumenau

No Grande Garcia

Os reflexos do passado continuavam.

O nome ou menção Quebra-Tigelas, existe desde os anos 1940 final e 1950, atribuídos aos Gasparenses (cidade de Gaspar). Conta-se que surgiu na Rua da Glória – bairro Glória – Blumenau - onde predominavam os Tijucanos e alemães.

Na época era muito comum as “festinhas dançantes” nas salas residências ditas como “Casas de família”.

Como Gaspar faz divisa com Blumenau através de Gaspar Alto com bairro Glória e Progresso na localidade Jordão, era comum alguns deles virem a estas festinhas caseiras. E quando se aproximavam os moradores diziam “lá vem os Quebra-Tigelas” As salas não eram muito grandes, mas retirando os moveis dava para alguns casais dançar. Permanecia na sala ou cozinha as tais cristaleiras lotadas de Pratos, Pires, XícarasBules e outros. Em certas ocasiões, vieram através da localidade de Gaspar Grande, Gaspar Alto, município de Gaspar, pessoas que vinham a essas residências dançar. Muitas festas dessas acabavam em brigas e as cristaleiras pagavam o pato, caiam ao solo e quebravam, era cacos para todos os lados. Esses desentendimentos entre os blumenauenses e gasparenses apareceu em outros bairros da cidade e o termo quebra-tigelas, faz parte do folclore das duas cidades. Minha mãe também foi nascida em Gaspar.

Esse fato era muito comentado quando clubes como o Tupi de Gaspar vinha jogar no estádio da EIG – ocupado pelo Amazonas Esporte Clube. Os torcedores anilados comentavam hoje tem jogo do Amazonas contra os quebra-tigelas. A rivalidade era tão significativa que as brigas entre torcedores e jogadores eram evidentes, nas duas cidades. Por conta do “destino” o último jogo no estádio do Amazonas dia 26 de maio de 1974, foi contra os “quebra-tigelas” representado pelo Tupi. Garanto que neste jogo que terminou com o placar Amazonas 3x1 Tupi, não houve nenhum incidente. Afirmo, pois, além de estar no estádio, joguei na preliminar. No Amazonas jogaram três craques Quebra-Tigelas, o talentoso, formidável Jepe (José Curbani) que não era de brigas, Valdir da Silva o Poroca e o Goleiro Dolete José Alves, mais conhecido como Gaspar, esse era bom de briga, apesar de ser um cidadão de uma bondade infinita, ambos queridos e  amigos do Reino do Garcia.

Adalberto Beto Day cientista social e pesquisador da história de Blumenau.

domingo, 6 de dezembro de 2020

- Natal do imigrante em Blumenau

Texto enviado pela historiadora Sueli M,V. Petry
Diretora Patrimônio histórico de Blumenau
Entre o sonho do imigrar e a realidade do chegar:
Natal do imigrante
 Com o processo civilizador dos europeus no Vale do Itajaí ocorreu a introdução de uma diversificação de usos e costumes que se são marcantes nas áreas colonizadoras do sul do Brasil.
  Muitas das tradições que ainda hoje se preservam fazem parte do cotidiano das pessoas, as quais herdaram dos imigrantes  que a trouxeram na sua  bagagem cultural. Nesta interface do “sonho do imigrar e a realidade do chegar”, uma série de transformações ocorreram nas vivências dos imigrantes.
Uma destas vivências é narrada pelo imigrante Karl Kleine, ao chegar no ano de 1856.
 A chegada ocorreu justamente no dia de Natal  eis o que narra o imigrante: “Naturalmente faltava muito para que pudéssemos nos instalar confortavelmente, contudo, precisaríamos nos conformar....
À noite, depois do jantar todos estavam sentados ao ar livre e um sentimento estranho invadiu cada um – era a primeira noite na nova pátria, era Noite de Natal! – Todos recordavam os natais na antiga pátria e, de repente, fez-se um silêncio estranho (....)
A princípio baixinho e timidamente, a seguir, cada vez mais alto e forte, ouvia-se a canção “Noite feliz”, que se misturava com o canto estridente das cigarras. Ninguém sabia quem havia iniciado, mas todos acompanhavam a pequena canção, mas de conteúdo rico, cujos acordes ecoavam pelo céu estrelado.
Era como se um anjo tivesse descido para acalentar todos os corações. Nessa noite, mais do que durante a viagem inteira, todos se sentiram muito próximos uns dos outros. – Ninguém percebeu que já era meia noite!”.[1]
Arquivo família Oliveira
As lembranças dos imigrantes não param por aqui, um outro imigrante revela que chegou (1875), alguns meses antes da festa natalina. E, conta... “Na véspera do natal nossa comida estava chegando ao fim, comemos pão seco e já mofo, acompanhado de água do ribeirão”. Como se constata, muitos sentimentos tomavam conta dos corações dos imigrantes, com eles agregaram-se novos elementos para a celebração da festa Natalina nos trópicos. O antigo costume europeu de decorar a árvore com maçãs e nozes para se fazerem mais visíveis eram dourados ou prateados e recobertos de açúcar.
Foto reprodução
Nas áreas de colonização alemã este costume foi substituído por novos componentes. Vejamos o que nos diz Frederico Kilian num conto inspirado nas memórias de imigrantes:
“O nosso primeiro pinheirinho de natal. Mas não é o pinheiro alemão, “Abies pectinata”, mas sim, uma árvore com folhas aciculares mais duras, que nasce no planalto, a “auracária brasiliensis”, e que foi introduzida aqui na colônia pelo próprio Dr. Blumenau que arranjou as sementes da zona serrana. Cresce muito ligeiro e dentro de quatro a cinco anos já pode ser cortada para servir de árvore de natal.
Nos anos anteriores nossa árvore de natal era um arbusto ou pequena árvore com galhos simétricos e que enfeitávamos com pequenas fitas de cores, cortadas de restos de fazenda, com as quais prendíamos aos ramos as flores das múltiplas orquídeas que aqui abundam, e pendurávamos em falta das costumeiras gulodices (doces, maçãs e peras), as frutas que nascem aqui, como bananas, cachos de uvas maduras e várias frutas silvestres.
Também não faltavam as velinhas de cera de cera, pois existem aqui nas matas abelhas, de várias espécies, que se alojam nos troncos ocos das árvores que produzem uma cera escura, mas que serve para fazer velas.
Assim, em todos os anos não deixamos de ter a nossa árvore de natal, mesmo nos três primeiros anos em que a vida era dura de fato.(...) Aqui estamos, com a graça de Deus, vivendo felizes e contentes,...”.[2]
 Hoje há árvores de Natal que são artisticamente decoradas. Os adornos empregados para decorar a árvore de Natal experimentaram grande mudança.  Também se generalizou o uso de filetes dourados e prateados, conhecidos como lameta, feito a base fino estanho, de 30 a 40 centímetros de comprimento e apenas um a dois milímetros de largura, para estender sobre as ramas do pinheiro, realçando suas linhas.
Agregou-se a isto “Cabelos de anjo” de lã de vidro, algodão brilhante e estrelas prateadas ou outro material que cause efeito, e eis que está pronto o Pinheirinho ou o Tannenbaun. 

(....) O iniciador desse costume  do “Natal de rua” foi um paulista chamado Carlos Mazzei, filho de italianos. Recebera de seus pais, católicos praticantes, o ensinamento cristão de festejar o nascimento de Cristo com grandes solenidades e efusivas alegrias. Desde sua adolescência, seu espírito de observação foi acumulando uma profunda piedade por inúmeros semelhantes seus, menos afortunados, que não possuíam recursos para que o seu Natal se tornasse uma data mais festiva e algo diferente da triste rotina de privações de todos os outros dias.  Idealizou, então, um meio de transformar as praças públicas, as ruas da cidade e os logradouros comuns em grandes presépios coletivos.”
Tradição alemã trazida para Blumenau - Papai Noel do Mato
Ornamentação natalina nas ruas de Blumenau
                   A tradição da ornamentação natalina em nossa cidade teve início na década dos anos setenta. Neste tempo, a Comissão de Turismo da cidade, juntamente com o apoio do comércio, ornamentou a cidade e os bairros da Velha, Garcia e Vila Itoupava. Esta Ornamentação deu um toque todo especial, principalmente à noite.
Mereceu por parte de toda a imprensa e visitantes os maiores elogios, tanto pela beleza e bom gosto, como pelas inovações. É  o caso da Avenida Beira Rio - que foi decorada de ponta a ponta.
 O projeto decorativo do ano de 1971 contou com o apoio do artista carioca Almir Silva. As peças decorativas foram todas confeccionadas pela própria prefeitura, que contou com a supervisão da Comissão.
Esta novidade, copiada anos mais tarde por outras cidades, trouxe muitos turistas que vinham apreciar e realizar compras nas casas de comércio. Esta tradição, com o passar dos anos, teve os seus altos e baixos.
 Arquivo de Adalberto Day
Ao ser retomado, através do Projeto “Magia do Natal”, este evento se expandiu também para a Vila Germânica e ruas da cidade. A visitação de blumenauenses e turistas que acorrem para apreciar este local de encantamento das ornamentações natalinas, encontram locais de venda de produtos relacionados ao período festivo, exposições, desfiles, oficinas de pintura em doces, visita à casa do Papai Noel e outras atrações culturais que marcam esta programação natalina que se encerra em 6 de janeiro. 
Sueli M.V.Petry
Diretora Patrimônio Histórico

[1] Suas memórias foram publicadas em alemão sob o título  “Blumenau de Ontem: experiências e recordações de um imigrante” - (Blumenau einst Erlebnisse und Erinnerungen eines Eingewanderten). Os originais manuscritos em 35 cadernos foram doados pela família. Os mesmos estão sob a guarda do Arquivo Histórico Prof. José Ferreira da Silva, órgão vinculado à Fundação Cultural de Blumenau.  Fundo Memória da Cidade – Coleção “Família Kleine”.  

[2]Arquivo Histórico José Ferreira da Silva: Fundo Memória da Cidade. Família Kilian – série Produção Intelectual.
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OS “PELZNICKEL” MORAM AQUI PERTINHO...EM GUABIRUBA PARA SER MAIS EXATO!
Texto enviado por
Carlos Braga Mueller (Jornalista e Escritor)
 
pelznickel.blogspot.com

Em Blumenau, antes da chegada do Natal, mais precisamente na noite de 6 de dezembro, as crianças deixavam suas meias ou sapatinhos na janela para que o Papai Noel, ou seus ajudantes, colocassem ali guloseimas: bombons e pequenas lembranças. Mas existia uma recomendação: só as crianças obedientes e estudiosas receberiam presentes.
As malcriadas e as que não haviam estudado durante o ano teriam que rezar muito e pedir perdão pelas suas faltas.

Esta situação era comum na Blumenau da metade do século passado. É possível que esta tradição ainda permaneça no seio de algumas famílias.
 
pelznickel.blogspot.com

Em algumas regiões da Alemanha, Croácia, Eslovênia, Hungria e Suíça , existe um personagem nas comemorações natalinas que, longe de ser simpático como o Papai Noel, é um ser que mete medo: coberto de folhas, máscara diabólica e chifres, ele é conhecido na Alemanha como o Pelznickel, que ao invés de brinquedos e doces, sai da floresta trazendo nas mãos um chicote para assustar as crianças que não gostam de estudar. E tem uma missão importante: é o ajudante do Papai Noel !

Nos relatos dos imigrantes que colonizaram Blumenau, não encontramos referências a essa figura, que certamente não era tradição nas regiões de onde os migrantes vieram, por isso não a trouxeram consigo.

Acontece que foi em Guabiruba, aqui em Santa Catarina, que aflorou a ideia, recente, de se introduzir o Pelznickel nas comemorações do Natal. Com chicote na mão e um saco para levar as crianças mal educadas e desobedientes !

Há cerca de 10 anos foi fundada em Guabiruba a Sociedade Pelznickel, que tem sede própria no bairro Imigrantes, naquela cidade.
  
Segundo um estudo feito pela blumenauense Marion Bubeck no opúsculo “Desfile Natal Alles Blau”, editado em 2009 pela Fundação Cultural de Blumenau, “outra tradição, fortemente difundida entre os povos germânicos e em algumas regiões da América colonizadas por grupos étnicos europeus, nos conta que São Nicolau (o Papai Noel alemão) possui ajudantes, que são os Pelznickel.
No dia 06 de dezembro, dia de São Nicolau, os Pelznickel saem da floresta para buscar as cartas de Papai Noel e verificar como as crianças estão se comportando. Sua indumentária são roupas velhas escuras, com máscaras muito feias e chifres. Nas mãos levam acessórios como correntes, chicotes e um saco. Neste dia eles vêm para verificar quem são as crianças desobedientes. Se o comportamento da criança não melhorar até o dia 24 de dezembro, eles virão buscá-la e levá-la para a floresta.”

Como se depreende, causavam terror nas crianças, sob o pretexto de que iriam corrigi-las.

Lembro que quando criança, na noite de São Nicolau, eu deixava um sapato na janela e esperava que o Papai Noel e seus ajudantes colocassem as guloseimas. De manhã lá estava um chocolate. Mas minhas tias, que cuidavam disso, sempre diziam que só viria o presente se eu fosse obediente.
 
pelznickel.blogspot.com

Pelo que consta, os ajudantes conhecidos como Pelznickel só têm atuação no município de Guabiruba.
Nas semanas que antecedem o Natal, começando em 6 de janeiro, eles andam pelas ruas daquela  cidade, participam de desfiles e recebem turistas na sede da Sociedade Pelznickel, onde – em um bosque – fazem representações.   


É possível que alguns imigrantes que aportaram na região de Guabiruba tenham transmitido a seus descendentes por tradição oral, a existência desses duendes da floresta, adotados pelos guabirubenses como mais uma tradição natalina do Vale Europeu.
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Arquivo da família de Nahir de Oliveira envida por Ângela Maria de Oliveira
Adendo de José Geraldo Reis Pfau – Publicitário em Blumenau
Bolas ou bagas de Natal
Material (bolas de natal em vidro) são muito lindas. 
Lembro que na casa de meus pais a árvore (tannenbaun) era feita na sala que ficava trancada até na noite do dia 24. Nós ficávamos olhando pelas frestas da porta e janela e tentando ver lá dentro quando eles abriam a porta. Os conjuntos de portas da sala na nossa casa eram com vidros martelados, portanto se viam vultos. Claro que, tinha momentos, em que víamos o Papai Noel de vermelho lá dentro da sala. Imaginação infantil. Junto à arvore ficavam os presentes. Cinco filhos era uma maravilha de Natal. Na árvore colocavam algodão para imitar a neve, as bolas de vidro eram grandes, reluzentes, coloridas e castiçais pequenos com velas eram distribuídos pelos galhos. A árvore chegava até perto do teto - aonde tinha uma ponteira na forma de estrela e de vidro também. Minha mãe tinha o talento de cantar (principalmente nas missas) e se fazia uma fila para entrar na sala na hora “H”. O pinheiro já estava aceso com dezenas de velinhas. Era maravilhoso. Luz só do lustre no canto da sala. E entravamos na sala cantando o NOITE FELIZ, a mãe e o pai atrás, com a voz de minha mãe em evidencia. Emocionante. Daí em diante era o sonho se realizando. 

Tradição Alemã do Pelznickel em Guabiruba (SC)
Papai Noel Existe?

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

- O Conde d’Eu em Blumenau

 Brasil Imperial

Em dezembro de 1884 durante viagem a Santa Catarina, o Genro do Imperador Dom Pedro II, Príncipe Consorte Gastão de Orléans o Conde d’Eu resolvera fazer uma visita ao recém-criado município de Blumenau (colônia agrícola fundada por imigrantes alemães) tendo chegado no dia 15 de dezembro entre 3 e 4 horas da tarde. 

Já desde cedo a vila engalanara-se para receber condignamente Sua Alteza e se preparava para proporcionar sua curta estada da mais aprazível forma possível.
Os moradores se reuniram no Rio Itajaí-açu para assistir à chegada do ilustre visitante e dar-lhe as boas vindas, aportando Sua Alteza ao som do hino nacional executado pela banda musical local e sob os brados de “Vivas” da população aglomerada no porto de desembarque.
Após as apresentações protocolares e do estilo, formou-se um préstito, puxado pelas bandas musicais de Rüdiger e Lingner, tendo à frente os alunos do Colégio São Paulo (depois Santo Antônio), conduzindo Sua Alteza até a Igreja Católica onde foi realizado um solene “Te Deum”. A seguir, voltando ao local da sede, Sua Alteza visitou a Coletoria, como também a Câmara Municipal, onde lhe foram apresentados também os arquivos da Colônia e da Câmara. Após curta demora o préstito dirigiu-se ao edifício Schreep, onde a Câmara havia reservado aposentos para o visitante e sua comitiva e onde também, pelas 6 horas se realizou um banquete em honra do ilustre visitante.
 Após um ligeiro passeio pelas principais ruas da vila, Sua Alteza compareceu à uma reunião dançante, realizada em sua honra no Salão dos Atiradores, onde, antes do baile, as sociedades de cantores Germânia e Urania se apresentaram com os seus coros orfeônicos, executando vários números de seus repertórios, cujos cantos mereceram os aplausos do homenageado.

Na manhã seguinte foi improvisado um passeio de carruagem até a casa do Sr. Clasen. Antes da entrada naquele bairro, em frente à casa do Sr. Höppner, o príncipe foi recebido por uma delegação de senhoritas e moços a cavalo, onde uma das moças o cumprimentou com uma breve alocução, sendo-lhe ofertado, por parte das moças, vários ramalhetes de flores.

Chegados à sede da Vila, o príncipe ainda visitou rapidamente as escolas, a Igreja Evangélica, Cadeia, Hospital, etc., tendo também, na parte da manhã já visitado a fábrica de malhas e tricotagem do Sr. Hermann Hering Sênior, onde com muito interesse observou todas as instalações e os maquinários empregados naquela indústria.

O príncipe mostrou-se de uma forma tão cordial e amável conseguindo de imediato captar os corações e a simpatia dos blumenauenses, e o fato de ter usado, em suas palestras com os alemães a língua materna destes despertou nos mesmos imensa alegria.

Ao deixar Blumenau, o príncipe entregou ainda à Câmara Municipal a quantia de 100.000 Réis para ser distribuída aos pobres.

Fonte: Colônia Blumenau. Por Gilberto Schmidt-Gerlach Bruno Kilian Kadletz e Marcondes Marchetti.

Fernando Luiz Theiss - Antigamente em Blumenau 

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Adendo de Wieland Lickfeld : O Conde d'Eu estava em visita às províncias do sul e vinha acompanhado da Princesa Isabel. Por motivos de saúde ela não veio junto a Blumenau, tendo partido de São Francisco do Sul diretamente a Desterro, para onde o marido se deslocou depois a fim de continuar a viagem. Uma pena, o Dr. Blumenau não ter podido vivenciar este momento, dado o bom relacionamento que tinha com D. Pedro II, sogro do Conde d'Eu. Partira para a Alemanha pouco mais de três meses antes. 

Adendo

Conde d´Eu Nascimento:  28/04/1842, Neuilly, França Falecimento: 28/08/l922, Navio Massilia, Oceano Atlântico. 

"Eu" é uma comuna (=município) situado no norte da França, e local de origem do Conde d'Eu.

Gastão de Orléans, o Conde d’Eu, foi o consorte da princesa Isabel e se tornou um personagem importante para a história brasileira. Nasceu em 1842 num subúrbio de Paris chamado Neuilly-sur-Seine e obteve o título de conde ao nascer, concedido por seu avô, o rei Luis Felipe. O conde recebeu uma educação esmerada, falava várias línguas, entre elas o português, e estudou na Escola Militar de Segóvia, na Espanha. Era também sobrinho do rei Fernando II de Portugal e foi por intermédio do tio que recebeu a proposta para se casar com uma das filhas do Imperador Pedro II, do Brasil. Não eram incomuns esses matrimônios “arranjados” entre os membros da realeza e Gastão de Orléans aceitou o convite, porém, com uma condição: queria conhecer a princesa antes de oficializar o noivado.

Assim, em 2 de setembro de 1864, o conde desembarcava no porto do Rio de Janeiro para conhecer sua futura esposa. Junto com ele estava seu primo, o príncipe Augusto de Saxe, que também aceitara desposar a outra filha de D. Pedro. Um fato curioso dessa combinação é que pelo plano inicial os pares estavam trocados. Isto é, Dona Isabel que viria a se casar com o Conde d’Eu estava inicialmente destinada ao primo do conde, assim como a irmã da Princesa Isabel, a Princesa Leopoldina, deveria desposar o conde. Ao conhecer os pretendentes, as duas irmãs logo perceberam que o acordo precisaria ser retificado para atender as simpatias recíprocas. O fato foi comunicado e prontamente aceito por D. Pedro, que não queria ver as filhas casadas apenas por conveniência política. Feito o novo arranjo, o Conde d’Eu casa-se com a Princesa Isabel em 15 de outubro de 1864 e o casal parte em viagem de núpcias para a Europa. Mas essa viagem logo seria interrompida.

Um ditador põe fim à lua-de-mel

De fato, em novembro daquele mesmo ano, Francisco Solano López, o ditador do Paraguai, aprisionou no porto de Assunção o navio brasileiro Marquês de Olinda e, em seguida, atacou Dourados, na então província de Mato Grosso. A intenção de Solano López era expansionista e essas atitudes hostis obrigaram o império a deflagrar aquele que seria um dos conflitos mais sangrentos da América do Sul, a chamada Guerra do Paraguai. Nela estiveram envolvidos também a Argentina e o Uruguai. Foi da cidade de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, que partiu uma carta de D. Pedro para o casal em lua-de-mel, nela, o imperador solicitava que o conde retornasse para se juntar a ele e ao Exército brasileiro.

Foi somente depois de muitas vitórias brasileiras nas batalhas e após o comandante supremo do Exército Brasileiro, o duque de Caxias, demitir-se do comando que o Conde d’Eu pode assumir o posto para conduzir as últimas operações da guerra. Conflito que chegaria a seu fim em março de 1870. Ao retornar ao Brasil, o conde é recebido como herói.

O fim do império

A família real ainda não sabia, mas a essa altura poucos anos restavam para a sobrevivência do regime imperial no Brasil, pois vários acontecimentos estavam contribuindo para o agravamento das dissensões políticas que culminariam com o advento da República.

Para o príncipe Gastão de Órleans, bem como para toda a família imperial, o exílio durou mais de trinta anos e só terminou com a revogação da lei do banimento em 1920. Em 1922, quando, vinha ao Brasil a convite do governo para as comemorações do centenário da independência, teve um mal súbito e morreu a bordo do navio Massília. O conde estava com 80 anos de idade e seus restos mortais estão, hoje, depositados no Mausoléu Imperial na cidade de Petrópolis no Rio de Janeiro.

https://educacao.uol.com.br/biografias/gastao-de-orleans-conde-deu.htm 

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

- Jornal Metas - Gervásio Tessaleno Luz

 

COLUNA

Prosa & Verso

Por Gervásio Luz

Cinema e livro brasileiros

Desde guri, curti bastante o produto nacional em termos de cinema. Além das chanchadas do Oscarito e Grande Otelo e as fitas que tinham pouco enredo e intermináveis mais números musicais. Embora sério, longe da chanchada, - também pudera dirigido pelo ator italiano Adolfo Celi, nunca esquecerei Tico- tico no fubá, com a belíssima Tônia Carrero, a quem fui apresentado pelo então prefeito Renato Viana, no Grande Hotel Blumenau. Virou mania agora fazerem filmes sobre artistas de nosso país. A maioria cantores e cantoras. E lá vem, pelas tevês por assinatura, a biografia, pífios retratos desses "estrelos".

Dos que vi, registro:

Hebe, a mulher maravilha. A Hebe Camargo pode ter sido uma mulher maravilha de programas de auditório. O filme não é um filme maravilha. Foca mais os bastidores dos programas do que propriamente os shows e entrevistas. A atriz lembra de longe a apresentadora. Uma Dercy Gonçalves, apresentada pela Hebe como a mulher mais bonita do Brasil, e também pouquíssimo parecida com ela, limita-se a levantar-se do desbundante sofá e expor seus (flácidos?) seios.

Tim Maia - A atuação do ator fica a dever ao seu enorme vozeirão, Fraco.

Wílson Simonal, que, embora negando, foi um tremendo dedo- duro, entregando seus colegas "esquerdistas" ao regime militar. Dispensável.

Chacrinha - Salvo engano, fizeram dois filmes sobre o Abelardo Barbosa. Suportável o que é vivido pelo Stepan Nercessian (ex-vereador no Rio e em plena atividade ainda na Sétima Arte.

Gonzagão e Gonzaguinha - Pai do Asa Branca e seu filho cantor e compositor. Assistível.

Elis - Devo ter esquecido outros e outras, mas o que com o qual a gauchinha que enriqueceu a música brasileira merece destaque.

Trata-se do melhor dos filmes citados acima.

Eu tinha na minha biblioteca o livro O Cinema em Santa Catarina, do meu conhecido José Henrique Nunes Pires, cineasta florianopolitano, que todos chamam de Zeca Pires apenas. A obra sumiu sem explicação alguma.

Lembrei-me então do também amigo Adalberto Day. Ele mantém, via internet, um arquivo histórico de Blumenau de deixar qualquer um boquiaberto. E foi ele que me forneceu os dados necessários. A obra enviada - Pioneiros do Cinema Catarinense - José Jullianelli e Alfredo Baumgarten, os primeiros cinegrafistas da região do Vale do Itajaí. Ambos focalizaram o início do século 20, anos de 20 e 30.

https://adalbertoday.blogspot.com/2018/02/blumenau-e-sua-historia.html 

O comerciante Willy Siewert também filmou cinejornais e documentários na década de 1960.

Portanto, se temos acesso a essas importantes fontes para a memória de Blumenau e cidades vizinhas devemos a eles.

Na realidade, ficamos gratos aos descendentes de italiano (Jullianelli) e a alemães (Baumgarten e Siewert).

http://www.jornalmetas.com.br/prosaeverso/cinema-e-livro-brasileiros-1.2271315 

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Adendo de Adalberto Day - Cientista Social e pesquisador da história:

O Professor Gervásio Tessaleno Luz, foi (é) um dos grandes amigos e educador que tive o prazer  na década de 1970, ter sido seu aluno,foi meu Mestre da disciplina de Português. Eu nunca fui muito bem na disciplina, mas conquistei o Mestre com minhas redações, embora com alguns erros, textos aprovados por ele sempre com as devidas correções. Lembro-me que após tantos anos, ele ao adentra-se a sala, dirigia-se direto ao quadro Negro? e escrevia um pensamento, uma frase, antes de terminar, eu em algumas oportunidades  citava quem escreveu. Preferido dele, Vícios de Morais. Quero aqui me render e citar mais alguns grandes Mestres em "Português"; Professor Salles, Barbieri, Nilton Zosky, Bernadete Venera.

Agradecer ao Mestre Gervásio por citar meu nome no jornal Metas da vizinha cidade de Gaspar e também o envio do Livro "Máximas do Barão de Itapuí (ele próprio) Itapuí da rua frente ao 23 BI onde mora desde 2008.  Crônicas e Apontamentos. 



Professor Gervásio o homem de tantas histórias, crônicas, contos, - que adorava (adora) pássaros, cães, e sem falar do seu Uísque de boa qualidade. Um cidadão nascido em Rio do Sul, mas com coração Blumenauense "Barão de ITAPUÌ" da rua Itapuí e do #ReinoDoGarcia. Homem de prosa e verso, humilde simples e inteligente.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

- Nova Rússia

Documentário Sobre A Nova Rússia produzido em Novembro 2010 por André Santos e Danubia de Souza. Participação do Cientista Social e pesquisador da história Adalberto Day.
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Lauro Bacca e Adalberto Day

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

- O inicio do Futebol em Blumenau

TVL 2005 Sobre O Inicio do Futebol em Blumenau Programa com Vilmar Minozo sobre a história do Futebol em Blumenau

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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

- Clube Náutico América

Nosso Remo  forte antes e agora
História:
Nosso querido e tradicional C.N. América foi fundado em 20 de outubro de 1920 e desde então acumula grande números de títulos, na atividade do REMO, como o de campeão sul americano, campeão brasileiro, estadual e até títulos internacionais.
A iniciativa de fundação deste tradicional clube, partiu do Juiz de Direito Amadeu da Luz a partir de 28 de março de 1920.
O Clube tradicional de Blumenau está em uma luta incansável para resgatar sua história brilhante e retomar com tudo no Remo esportivo não só de Santa Catarina, mas de Brasil.
Nacionalmente foi incansável adversário de famosos como os Clubes de Regatas do Rio; Flamengo, Botafogo Vasco da Gama, São Cristovão e (outros de outros estados) e em Santa Catarina dos ( Clube de Regatas Aldo Luz (1918) e Clube de Regatas Francisco Martinelli - (1915) Clube Náutico Riachuelo - (1915)) de Florianópolis. As atividades esportivas no Rio Itajaí Açu sempre foi um programa de final de semana dos blumenauenses. A presença de remadores na raia do Rio quase todos os dias acontece até hoje.(graças a incansável capacidade de seus dirigentes na manutenção desta atividade)
Fundos da Sede do Clube Náutico América, onde hoje ergue-se o esqueleto de concreto do prédio inacabado. As janelas abertas davam para o Rio Itajaí Açu 1951.
Imagem por volta de 1930 Mulheres com a Bandeira Brasileira a (E) e
bandeira suástica a (D) Foto: Sérgio da Silva
Além das atividades esportivas, o Clube Nautico América, em boa memória, foi uma das nossas importantes sociedades na metade do século 20, que proporcionou grandes bailes e alegres e movimentados eventos (foto do Carnaval de 1935). A Sociedade blumenauense frequentou alegres tardes e noitadas com as atividades no clube cuja privilegiada localização lhe proporciona a proximidade ao porto, praça Hercílio Luz (hoje Biergarten) e frente a majestosa vista para a Rua das Palmeiras, uma das espetaculares e tradicionais atrações da cidade.
Regata em 1927 - Imagem Sérgio da Silva
Da (E) para (D) Não identificado, Nilton Russi , Rumbeira da Orquestra de Ruy Rey, Ruy Rey, Sebastião Cruz, presidente do Clube Náutico América
O Clube que honrosamente representou pelo Remo Blumenau está em uma luta incansável para resgatar sua história brilhante e retomar com tudo no Remo esportivo, orgulhosamente, não só de Santa Catarina, mas de Brasil.
A busca de um ideal para o Clube, provar que a modalidade de Remo e um esporte olímpico e que é viável em Blumenau, devido a diversos fatores, material humano, um rio espetacular para treinamento que em poucos lugares do Brasil temos um Clube tão bem localizado para treinamento.
Um povo hospitaleiro e guerreiro, temos que honrar os nossos antepassados. Uma sede que dê condições dignas á estes bravos atletas e dirigentes.
Ata de Fundação
Em outubro do ano de 1920 um grupo de rapazes, tendo a frente João Kersanach, idealizaram a fundação de uma agremiação náutica, com o aproveitamento do Rio Itajaí-Açú que corta a cidade de Blumenau, para a pratica do saudável exercício do Remo.
Remadores nas ioles, fundos da Praça Hercílio Luz, Porto Fluvial.
Aos fundos se vê o lendário Hotel Holetz -1952
Foi escolhido um barracão existente atrás da velha prefeitura municipal no Ribeirão Fresco, servindo ao mesmo tempo de sede, sendo transferido mais tarde para um outro barracão no local onde hoje se encontra a nova construção de dois pavimentos.
Os fundadores são: João Kersanach, Roberto Baier,Antônio Cândido de Figueiredo,Adolfo Wollstein, Paulo Grossenbacher, Victorino Braga, Carlos Souto, Cláudio Buechler, Alfredo Buechele, Edmundo Pozer, Oto Abry, Arnoldo Kumm, Reinaldo Phlmann, Walter Berner e outros.
No dia 7 de setembro de 1921 foi realizado o batismo dos tres primeiros barcos, sendo as Yoles "NAHYD", "Nina" e "Luz".Tendo aumentado consideravelmente o quadro social, e o entusiasmo pelo remo, urgia a instalação de uma nova sede com conforto ee higiene. Não estando o Clube a levantar um empréstimo, o saudoso Victor Hering ofereceu-se a custear a construção, tendo havido a festada cumieira em agosto de 1932. O Clube Náutico América já foi o centro polarizador da Sociedade Blumenauense , com seu salão de danças, servindo para eleições e convenções bem como abrigo dos flagelados atingidos pelas enchentes.
Praticou-se também o Bolão e o Tiro , e a Natação.
Presidentes do Clube Náutico América:
- 1920 a 1929 = João Kersanack
- 1920 a 1930 = Roberto Grossenbacher
- 1930 a 1931 = Leonardo Petrelli
- 1931 a 1932 = Claudio Buechler
- 1932 a 1934 = Victor Hering
- 1934 a 1936 = João Medeiros Junior
- 1936 a 1938 = Alfredo Buechele
- 1938 a 1939 = Alfredo campos
- 1940 a 1942 = Victor Hering
- 1943 a 1944 = Anto V.Avila F.
- 1945 a 1945 = Adolfo Wollstein
- 1946 a 1946 = Acrisio Moreira da Costa
- 1947 a 1947 = Victorino Braga
- 1948 a 1949 = Pedro Reis Junior.
- 1950 a 1950 = Manoel Pereira Junior
- 1951 a 1951 = Hiundlmeyer Castro Pêra
- 1952 a 1960 = Sebastião Cruz
- 1961 a 1965 = Erico Muller
- 1965 a 1968 = J.C.Ubiratan da Silva Jotahy
- 1969 a 1970 = Guido Kranbeck
- 1970 a 1974 = Carlos Ubiratan da Silva Jothay
- 1974 a 1978 = Hans Jürgen Post
- 1978 a 1998 = J.C.Ubiratan da Silva Jotahy
- 1998 a 2000 = Rolf Kroesfeld
- 2000 a 03/01 = Rolf Kroesfeld
- 2001 a 2002 = Sérgio da Silva
- 2002 a 2004 = Sérgio da Silva
- 2004 a 2006 = Aléssio da Silva
- 2006 a 2008 = Sérgio da Silva
- 2008 a 06/09 = Rolf Kroesfeld
- 2009 a 2012 = Sérgio da Silva
- 2012 a 2016 = Rafael Burgonovo    
- 2016 a 2020 = Henrique Willecke Passold
- 2020 a 2022 = Renato Luiz Martins Gaertner 
Sebastião Cruz sendo entrevistado pelo então locutor Álvaro Correia.
Obs:
Localização Rua XV de novembro,74 fundos - entrada da cidade, o esqueleto cinzento do Edifício América deixa feia a paisagem do Centro Histórico. Assim está ali desde 1979 (O inicio das obras se deu em 1977)  para abrigar a sede do Clube Náutico América, a construção embargada - pelo MPF - Ministério Público Federal em Blumenau (SC) O MPF se baseia no Código Florestal, que estabelece como APP a faixa de 100 metros ao longo do Itajaí-Açu, impedindo qualquer construção. A demolição da antiga sede foi em 1972 e no ano de 1977 o inicio da construção do prédio inacabado.

Mai um capitulo da história da demolição do Ed. América.
O terreno foi doado pelo estado ao Clube Náutico América, em 1936 e desde lá essa novela vem se arrastando. O terreno doado é de 1408 metros quadrado.
Cronologia da vergonha estabelecia:
1936: A Assembleia Legislativa aprova que doa o terreno do Estado ao CN América de Blumenau.
1937: O titulo de concessão da área é homologado pelo Governador Nereu Ramos, e o CN América se instala no mesmo ano.
1962: É lavrada a escritura publica finalizando a doação do terreno e entregue a concessão ao clube.
1977: A RB Planejamento ganha a permuta para construir um prédio residencial. A obra começa mais é interrompida por ferir o Plano diretor e vira área de utilidade pública.
1985: Com o novo plano diretor, o projeto muda para um hotel com 18 andares.
1986: Recomeçam as obras do Ed. América.
1997: Por falta de verbas a RB Planejamentos paralisa as obras. A Itacolomi Incorporações Imobiliárias Ltda. Se interessa em investir no projeto.
1997 até 2006: A obra tem pequenos avanços na construção chegando aos 10 andares.
2007: Falta mão de obra na construção civil
2008: Ministério Público entra na justiça para que seja procedida a demolição do edifício, alegando que o prédio está em área de Preservação Ambiental. IBAMA pede o embrago da obra e a obra é paralisada.
2011: Dia 10 de outubro a ustiça Federal determina a demolição do Ed. América.
Podendo o processo de demolição durar até 6 anos.
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Quarta-feira 20/10/2010 Jornal de Santa Catarina
ARTIGO
Clube Náutico América, 90 anos de atividades Ao final da primeira década do Século 20, o Clube Náutico Marcílio Dias, de Itajaí, com o idealizador, doutor Amadeu da Luz, resolveu subir o Rio Itajaí-Açu com a intenção de criar uma nova sociedade recreativa e desportiva náutica. Essa ideia foi concretizada apenas em 1920, mais precisamente no dia 20 de outubro daquele, com a constituição do Clube Náutico América, instalado no início da Rua XV de Novembro, em Blumenau.
Tendo como fundadores João Kersanack, Roberto Bayer e mais alguns amigos, essa sociedade vingou, tanto social quanto desportivamente. Durante muitos anos, despontou com títulos e vitórias nas modalidades de natação e remo, revelando grandes talentos no esporte. Teve destaque também como clube social, onde a juventude curtia as matinés dançantes promovidas no amplo salão da sede do clube. Eleições também eram realizadas nas instalações do clube.
Logo, a vontade de reestilizar a antiga sede social, dando ares de modernidade e praticidade, foi colocada no papel. No entanto, devido a inúmeros obstáculos e problemas burocráticos, essa ideia foi barrada quando a antiga sede já não existia mais, e, em seu lugar, já havia uma nova edificação. O sonho da efetiva realização e concretização de uma nova sede ainda permanece, mesmo passados quase 40 anos.
Ainda assim, nutrido por muita garra, dedicação e perseverança, o América está novamente ganhando destaque no remo nos níveis estadual, nacional e também internacional. Não é porque não tenhamos uma estrutura adequada que desistiremos dos nossos ideais.
Por isso, estamos animados com a chegada dos 90 anos do clube. Agradecemos de coração a todos os atletas, todos os sócios e colaboradores, patrocinadores, membros da diretoria e àqueles que de alguma forma fizeram parte da história do Clube Náutico América.
Muito obrigado, Blumenau!
SÉRGIO DA SILVA
Presidente do Clube Náutico América
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Para saber mais acesse:
Arquivo de Sergio da Silva/José Geraldo Reis Pfau/Lauro Cordeiro /Luiz Henrique Pfau/Edemar Annuseck/Adalberto Day

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