“A Educação é a base de tudo, e a Cultura a base da Educação”

Seja bem-vindo (a) e faça uma boa pesquisa.

sexta-feira, 23 de julho de 2021

- River Plate

Foto divulgação
Depoimento dado pelo cientista espacial e astrônomo professor ¹José Manoel Luís da Silva (Zezito), nascido em Pirassununga, São Paulo em 26 outubro 1933. Foi um dos 22 cientistas brasileiros que integraram a equipe da NASA durante o projeto Apollo, que levou os astronautas a pousar na lua no dia 20 de julho de 1969 com a Apolo 11.

Sua família veio residir em Blumenau – bairro do Garcia em abril 1939, seu pai Manoel Luís da Silva era militar (Sargento músico) e foi para a reforma como Major (foi um dos precursores do 32BC estabelecido em 29 de abril de 1939 no bairro Garcia) ano e mês que veio prestar serviços no então 32BC - 23 RI (BI). Moravam em casa alugada do Sr. Johann Magnus Iten (11/07/1882 – 01/09/1956), na Rua Amazonas n. 4.191 (foto) onde nasceu a filha mais jovem Maria da Penha nascida em 17 de fevereiro de 1941, parto efetuado pela Schwester Martha Kunzmann , casa que depois foi adquirida pela família Hinkeldey em 1945, e eles foram morar na parte de trás da residência em uma casa de madeira até 1952. A casa em que morou a família Hinkeldey ainda existe, tombada pelo patrimônio histórico de Blumenau. 

River Plate do bairro Garcia, formado por jovens garotos que atuaram entre Janeiro1948/Janeiro1952. Criado pelo hoje Coronel da reserva José Manoel da Silva conhecido como Zezito (reside em Curitiba há muitos anos e Garciense de coração) me ligou algumas vezes contando detalhes do time e da vida cotidiana quando moravam no Garcia. O nome foi também escolhido por ele, por duas paixões, torcedor fanático do Club Atlético River Plate da Argentina (melhor Clube da América do Sul da época) e torcedor fanático pelo  Vasco da Gama do Rio de Janeiro ambos utilizam a faixa em diagonal. Também atuou seis partidas amistosas no Club Athlético Paranaense como meio campista e lateral esquerdo. Foi cadete da Academia Militar das Agulhas Negras - AMAN -. Abandonou a carreira de jogador para seguir a carreira militar.
Cadete José Manoel Luis da Silva (Zezito) – AMAN / 1958 

O time foi formado por grandes craques que atuaram em diversas equipes de Blumenau.

A base do time: Guy, Nilson Bitencourt, Zezito, Ivo Mass, Nilson Greuel, Nino, Jali, Ipiranga, Osmar Galm (Marinho), Valmor Seiler, Felipinho. Faziam parte do elenco também, Eurico e Gaspar.

Foto divulgação (idêntica ao River Plate do Garcia
Estádio do Amazonas (década 1950)
Atuavam no estádio do Amazonas de propriedade da Empresa Industrial Garcia. As cores do uniforme eram na cor Branca com distintivo uma estrela solitária (idêntica ao Botafogo F.R.).

Alguns clubes que eles enfrentaram nesta época:

Torino do Centro; São Paulo do Garcia; Bom Retiro; Nacional do bairro Glória.

Alguns nomes que jogaram com sucesso em outras equipes:

- Zezito, meio campista no Juvenil Palmeiras de Blumenau entre 1949/1951, e Club Atlhético Paranaense.

- Ivo Mass, lateral direito, Juvenil do Palmeiras, no Amazonas Esporte Clube entre 1953/1961 quando faleceu em um acidente automobilístico.

- Nilson Greuel, Bicampeão pelo G.E. Olímpico do campeonato estadual de futebol de 1964 (faleceu 17 de julho de 2021 aos 86 anos).

- Ipiranga, jogou no Progresso e no G.E. Olímpico, jogador fantástico. Também jogou basquetebol no clube Ipiranga, onde surgiu seu apelido.

- Valmor Seiler, segundo o senhor José M.L. da Silva, foi um dos melhores jogadores que viu atuar, depois de Pelé e Garrincha. Faleceu jovem com 18 ou 19 anos       eletrocutado.

- Felipinho, ponta esquerda extraordinário, que atuou no Amazonas final dos anos de 1954 até 1962. Habilidoso, ligeiro e fazia gols de “Bicicleta”.

- Marinho jogou no Guarani.

Os artilheiros eram: Nilson Greuel, Felipinho, Ipiranga, Valmor Seiler.

Segundo José M.L. da Silva (Zézito), jogaram 47 partidas contabilizando 47 vitórias, a maioria com goleadas. 

Fotos do arquivo de Zezito:

Torneio de basquete - quadra G.E. Olímpico

   O Ipiranga foi o campeão. Final: Ipiranga 34 x 26 Grêmio Estudantil Blumenauense. Zezito foi o cestinha da partida. Da esquerda para a direita: em pé , Staimbak, Néfe, Werner Greul. Agachados: Vila , Zezito e Evaldo.

7 de setembro 1951 – Gaspar.- C. A. Tupi  4 x 1 Palmeiras   ( juvenis). Duas semanas depois a revanche em Blumenau na Rua das Palmeiras , com atuação primorosa do Zezito , elogiado pelos jornais da época , o Palmeiras venceu por 3 x 2. Jogadores do Palmeiras com a camisa branca , da esquerda para a direita, Hercílio ( de gorro ), Zezito, Jali (de costas ) e Carlinhos.  

    Palmeiras 3 x 3 Beira-Mar - clube de jogadores adultos da praia da Armação, Novembro 1951, estádio do Palmeiras, que na ocasião havia recebido um Circo para espetáculos noturnos, Da esquerda para a direita : em pé – Bob, Jali , Gordinho , não recordo , Zipf , Darci , Zezito , Baumgarten , Hercílio , não recordo ; agachados : Itinho ( excelente goleiro  titular ), Ivo Maas , Marinho , Horst, Luizinho , não recordo e Carlinhos,

¹Coronel José Manoel Luís da Silva

Graduado pela Universidade Federal do Paraná, em física e matemática.

Depois que foi para a reserva, trabalhou em astronomia e observação, no Observatório Nacional do RJ – entre 1968/1972, pela NASA – E.U.A., onde estagiou em algumas oportunidades. Ainda presta relevantes trabalhos para a NASA, com suas observações. Diretor do Observatório e Planetário do OACEP e Presidente do CACEP.

Fonte; Coronel José Manoel Luís da Silva; arquivo José Manoel Luís da Silva; Adalberto Day 

quarta-feira, 7 de julho de 2021

- BluGarciense

Registro:
Em conversa com o amigo Arquiteto e Urbanista Celso Gauche, sugeriu que me intitulasse como BluGarciense, Assim como qualquer cidadão nascido no Grande Garcia e foi morar em outra localidade de Blumenau, possa pelas suas raízes assim ser conhecido.
BluGarciense – criado pelo Arquiteto e Urbanista de Blumenau, Celso Gauche, para designar cidadão nascido em Blumenau, no Grande Garcia ou Reino do Garcia.
Foto do Grande Garcia ou Reino do Garcia de 1977
Lembro-me também que em 2007 o amigo José Geraldo Reis Pfau, publicitário já me orientava neste sentido. 
Garciense: Cidadão Nascido em Blumenau ou outra cidade, que mora no Grande Garcia, composto de 6 bairros: Ribeirão Fresco, Garcia, Vila Formosa ,Valparaiso, Progresso e Glória.
 Para saber mais acesse:
Humor no Reino do Garcia.
Decreto Oficial do Reino do Garcia.

Arquivo de Adalberto Day 

quinta-feira, 1 de julho de 2021

- Covid 19 em Blumenau e história da gripe espanhola

Corona Vírus 2020/21 – Atualizado dia 24/julho/2021

Mortes no mundo        :  Mais de   4.143.105

Mortes no Brasil          :  Mais de      549.520

Mortes em SC              :  Mais de        17.726

Mortes em Blumenau :  Mais de             583

 História

Desde o início de fevereiro 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a chamar oficialmente a doença causada pelo novo coronavírus de Covid-19. COVID significa Corona Vírus Disease (Doença do Corona vírus), enquanto “19” se refere a 2019, quando os primeiros casos em Wuhan, na China, foram divulgados publicamente pelo governo chinês no final de dezembro. A denominação é importante para evitar casos de xenofobia e preconceito, além de confusões com outras doenças. SARS-CoV-2 (do inglês Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavírus 2) ou síndrome respiratória aguda grave do coronavírus 2. 

Adalberto Day

No Brasil  as politicas partidárias, ideológicas e governantes, tomaram atitudes inicialmente inadequadas e com maus exemplos, "prevaricaram"!. O futuro dirá e cobrará o elevado número de mortes, por falta de planejamento, ação. A República Federativa do Brasil da América do Sul (2020/21), foi inicialmente um dos piores exemplos para o mundo.  Foram "Negaciionistas" no enfrentamento da pandemia. Milhares de vidas (mortes) poderiam ter sido evitadas se as autoridades tivessem atitudes corretas desde fevereiro de 2020, quando ainda não havia nenhum óbito  de cidadão brasileiro. Pressionados (governantes) o Brasil começou a tomar atitudes tardias, após mais de 300 mil mortes, em março de 2021.

**********************************************************************

Primeiro Óbito em Blumenau foi no dia 05 de maio de 2020, as 07:40 nome Vanesa Neuber Salm, 34 anos, Bairro da Velha internada desde 07 de Abril de 2020. Servidora pública da secretária Municipal de Promoção da Saúde, atuava como técnica de enfermagem no CAPS. Internada desde 07 de abril de 2020, no Hospital Santa Isabel.

O segundo óbito foi a senhora Norma Blasius, 79 anos, faleceu no dia 07 de maio de 2020. Moradora do bairro Val Paraiso/Garcia e internada desde o dia 03 de abril de 2020, no Hospital Santa Catarina.

*******************************************************************

Pandemia da Gripe espanhola em Blumenau 1918/1919

História

Adalberto Day

Em Blumenau não existe registro de mortes, só de infectados. Em Florianópolis foram algumas mortes. A Gripe espanhola saiu dos EUA e quem pagou o pato foram os espanhóis. 1918/1919 a duração da vacina levou mais de 10 anos para sua eficácia, porém até hoje tomamos a vacina Influenza. No mundo mais de 50 milhões de mortes. No Brasil mais de 35.000 mil mortes.

Aquela pessoa que faleceu um ano depois, não foi diagnosticado como vítima da gripe espanhola, pegou sim, mas deixa dúvidas.

Augusto Ittner

Fonte Jornal de Santa Catarina

Gripe Espanhola em Blumenau: em 1918, falta de leitos preocupou o Hospital Santa Isabel 

Há poucos relatos sobre a pandemia do século passado na cidade, mas textos publicados no Blumenau em Cadernos mostram como foi o tratamento da doença no município e indicam semelhanças com os dias atuais 

22/04/2020 - 07h19 - Atualizada em: 22/04/2020 - 17h34

NSC – Total Jornal de Santa Catarina.

Por Augusto Ittner
Hospital Santa Isabel no fim da década de 1910, quando ocorreu a pandemia da gripe espanhola. 
Relatos que foram publicados no Blumenau em Cadernos mostram como a cidade lidou com a gripe espanhola há mais de 100 anos. Embora a doença tenha matado cerca de 35 mil pessoas no Brasil, há poucos documentos que indicam como blumenauenses, autoridades de saúde e políticos da região superaram a pandemia. 

​Nos textos que foram publicados em edições do ano 2008, há algumas curiosidades históricas que chamam a atenção: a primeira delas é o fato de o Hospital Santa Isabel (foto) ter se preocupado com o número de pacientes infectados em Blumenau em relação à capacidade da unidade. Havia em 1918, segundo o relato, temor quanto a um possível colapso no sistema de saúde — que já era precário.

"Com o aparecimento da (gripe) espanhola, o hospital (Santa Isabel) teve grandes dificuldades, pois não havia leitos suficientes", diz o texto.

Para amenizar o impacto da falta de vagas no HSI, o Dr. Ernesto Sappelt — um dos nomes mais importantes da medicina em Blumenau — utilizou ácido acetilsalicílico (hoje conhecido pelo nome comercial: Aspirina) para tratar as pessoas com sintomas da gripe espanhola. Ele ia de casa em casa para oferecer o medicamento aos doentes.

"Junto com o suadouro (um dos tratamentos para doenças na época), (os pacientes) tomavam duas Aspirinas que o Dr. Sappelt distribuía gratuitamente. Os resultados foram muito benéficos e o número de vítimas fatais foi negligível (aquilo que pode ser desconsiderado)", afirma o relato.

Não há números de infectados em Blumenau, mas conforme o material, originalmente publicado como Crônica do Hospital Santa Isabel, o surto no município "foi violento". Um dos pacientes que teve a gripe, segundo o Blumenau em Cadernos, foi Carl Wahle, o livreiro e professor de história, alemão e grego do Colégio Santo Antônio.

Dr. Sappelt visitava pessoas doentes durante todos os dias. Isso o fez ser infectado com a gripe espanhola, de acordo com o documento, doença que iria matá-lo um ano depois, ainda em meio à pandemia, em 8 de outubro de 1919.

"Depois de ter salvado praticamente todos os seus pacientes, o Dr. Sappelt, apesar de ele mesmo ter contraído a gripe, continuou a cuidar de seus pacientes. Ele não teve a mesma sorte, pois veio a falecer". O relato continua, e afirma: "no tratamento desta gripe, muita gente tomou conhecimento pela primeira vez da Aspirina".

Com a falta de leitos no Hospital Santa Isabel, ainda segundo o documento, as farmácias se transformaram "em verdadeiras clínicas para a classe pobre" em Blumenau. Dr. João Medeiros, farmacêutico conhecido na cidade, atendia até 15 pessoas com sintomas de gripe espanhola por dia, e praticamente todos eram tratados com Aspirina.

Para a historiadora e Diretora do Patrimônio Histórico de Blumenau, Sueli Petry, esses relatos ajudam a diminuir a escassez de informações sobre como foi a pandemia do século passado em Blumenau e no Vale do Itajaí.

— A imprensa da época não relatava nada sobre a gripe espanhola. O que a gente tem é a descrição de um personagem que foi acometido pela doença, que é o Carl Wahle. Ele escreveu muitas memórias, que foram publicadas no Blumenau em Cadernos, o que nos ajuda um pouco a ver como foi aquela pandemia por aqui. E o que chama mais a atenção é o fato de termos muitas semelhanças com os dias atuais — destaca a historiadora.

Colaboração e pesquisa: Professora e diretora do arquivo histórico de Blumenau ,Sueli Petry

domingo, 13 de junho de 2021

- Festa Junina

Festa Junina em Blumenau
Desfile de empregados da Empresa Industrial Garcia em 1956. Na foto o desfile passando em frente as instalações da empresa (Rua Amazonas) , proveniente da Rua da Glória, culminando no estádio do Amazonas, bairro do Garcia. Foto que ganhei de meu pai Nicolao Day (1930/1995), o segundo atrás do violeiro a esquerda.
As festas juninas em toda a cidade sempre foram fascinantes. Em minha infância e a de muita gente, lá pelos anos 50, 60 e 70, foram inesquecíveis. As escolas e igrejas promoviam grandes e belas festas. No dia 24 de junho os alunos iam para as aulas a caráter (caipiras) e havia as apresentações de quadrilha.

A Empresa Garcia também promovia magníficas festas juninas, organizadas pelos próprios funcionários da empresa. Minhas recordações são as mais diversas: uma enorme fogueira, foguetórios, pipocas, corujas (roscas de polvilho), maçã do amor, pinhão, quentão, cachorros quente, o tradicional churrasco, brincadeiras, pescarias, roda da fortuna, as famosas e esperadas quadrilhas, parque de diversão, e tantas outras atrações. Era emocionante.

As festividades eram realizadas no estádio do Amazonas, com teatros e desfiles pelas ruas da Glória e Amazonas, festas representativas de índios, sorteios de eletrodomésticos e outras premiações, culminando com um jogo do time anilado ou alvi-celeste, o Grande Amazonas Esporte Clube.

Desfile festa junina em 1956 na Rua da Glória e jogo de caipiras no estádio do Amazonas em 1968,destaque preto e guarda-chuva José Pêra.
Sempre à frente destes trabalhos, lá estava o Sr. José Pêra (ou Zé Pêra) que era o motorista dos diretores e treinador do Amazonas. A supervisão da festa ficava a cargo do gerente de relações industriais, Nelson Salles de Oliveira.
Não há quem não tenha participado ou ouvido falar destas comemorações que emocionavam todo o Garcia. Tenho a convicção que como participante e atuante dessas festividades, elas são um cantinho da saudade que nos parece cada vez mais forte e evidente em nossa memória.
Festa junina no Grupo Escolar São José (Celso Ramos) na Rua da Glória em Blumenau - dança da quadrilha - 1969 e 1971 respectivamente.
_____________________________
História
Existem duas explicações para o termo festa junina.
De acordo com historiadores, esta festividade foi trazida para o Brasil pelos portugueses, ainda durante o período colonial (época em que o Brasil foi colonizado e governado por Portugal).
Outra versão diz que esta festa tem origem em países católicos da Europa e, portanto, seriam em homenagem a São João.
A primeira explicação surgiu em função das festividades que ocorrem durante o mês de junho.No princípio, a festa era chamada de Joanina.
Nesta época, havia uma grande influência de elementos culturais portugueses, chineses, espanhóis e franceses. Da França veio a dança marcada, característica típica das danças nobres e que, no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas. Já a tradição de soltar FOGOS DE ARTIFÍCIO veio da China, região de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. Da península Ibérica teria vindo a dança de fitas, muito comum em Portugal e na Espanha
A primeira festa junina realizada no Brasil aconteceu no ano de 1603, em comemoração a São João, pelo Frade Vicente do Salvador que se referiu aos nativos que aqui se encontravam da seguinte forma: “os índios acudiam a todos os festejos dos portugueses com muita vontade, porque era muito amigo da novidade, como no dia de São João Batista por causa das fogueiras e capelas”.(Ib p.106 Mariza Lira).
Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas.
Festa Junina no Nordeste
Embora sejam comemoradas nos quatro cantos do Brasil, na região Nordeste as festas ganham uma grande expressão
A tradição deste encontro festivo é tão forte que em algumas regiões do Nordeste ninguém trabalha em dia de Festa de São João, 23 de junho (portanto comemorado na véspera do dia) . O mês de junho é o momento de se fazer homenagens aos três santos católicos: São João, São Pedro e Santo Antônio. Como é uma região onde a seca é um problema grave, os nordestinos aproveitam as festividades para agradecer as chuvas raras na região, que servem para manter a agricultura.
COMIDAS TÍPICAS
Como o mês de junho é a época da colheita do milho, grande parte dos doces, bolos e salgados, relacionados às festividades, são feitos deste alimento. Pamonha, curau, milho cozido, canjica, cuscuz, pipoca, bolo de milho são apenas alguns exemplos.
Além das receitas com milho, também fazem parte do cardápio desta época: arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, bombocado, broa de fubá, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente, batata doce e muito mais.
TRADIÇÕES
As tradições fazem parte das comemorações
O mês de junho é marcado pelas FOGUEIRAS, que servem como centro para a famosa dança de quadrilhas. Os BALÕES também compõem este cenário, embora cada vez mais raros em função das leis que proíbem esta prática, em função dos riscos de incêndio que representam.
A FORMAÇÃO DAS FOGUEIRAS
As fogueiras são partes fundamentais para qualquer festa junina, nas cidades, nem sempre, mas no interior, fazer uma fogueira não é tão simples assim.
Aqueles que são devotos de Santo Antônio, São João, São Pedro, sabem para quem é dedicada a festa junina apenas olhando para a formação da fogueira.
Para cada santo existe um tipo de fogueira.
Elas devem ser construídas como diz a tradição, para cada dia e comemoração, elas tem a sua formação.
Santo Antônio: As lenhas são montadas em forma de quadrado.
São Pedro: As lenhas são atreladas em formato triangular
São João: As lenhas são colocadas semelhantes a uma pirâmide.
No NORDESTE, ainda é muito comum a formação dos grupos festeiros. Estes grupos ficam andando e cantando pelas ruas das cidades. Vão passando pelas casas, onde os moradores deixam nas janelas e portas uma grande quantidade de comidas e bebidas para serem degustadas pelos festeiros
Já na REGIÃO SUDESTE são tradicionais a realização de quermesse
Como SANTO ANTONIO é considerado o santo casamenteiro, são comuns as simpatias para mulheres solteiras que querem se casar. No dia 13 de junho, as igrejas católicas distribuem o “pãozinho de Santo Antônio”. Diz a tradição que o pão bento deve ser colocado junto aos outros mantimentos da casa, para que nunca ocorra a falta. As mulheres que querem se casar, diz a tradição, devem comer deste pão.
Estas festas populares são realizadas por igrejas, colégios, sindicatos e empresas. Possuem barraquinhas com comidas típicas e jogos para animar os visitantes. A dança da quadrilha, geralmente ocorre durante toda a quermesse.
Outros Dados
Origem das festas Juninas
Três santos são efusiva e intensamente comemorados em junho em todo o Brasil desde o período colonial: Santo Antônio, São João e São Pedro. No norte e nordeste do país, principalmente, estes santos são reverenciados, e pode-se dizer que a importância dessas festas ultrapassa a do natal, principal festa cristã. Por este motivo, para os moradores desta região, este evento é o mais importante do ano, tanto festiva quanto politicamente.
Acredita-se que essas festas tenham começado no século XII, na região da França, com a celebração dos solstícios de verão (dia mais longo do ano) e também do início da época de colheitas. No hemisfério sul, na mesma época, acontece o solstício de inverno (noite mais longa do ano). Como aconteceram com outras festas de origem pagã, estas também foram adquirindo um sentido religioso, trazido pela igreja católica ao Novo Mundo. A comemoração das festas juninas é certamente herança portuguesa no Brasil, acrescida ainda dos costumes franceses que a eles se mesclaram na Europa.
O ciclo das festas juninas gira em torno de três datas principais: 13 de junho, festa de Santo Antônio, 24 de junho, São João e 29 de junho, São Pedro. Durante este período o Brasil fica praticamente tomado por festas. Do norte ao sul do país comemoram-se os Santos Juninos, com fogueiras e comidas típicas.
Arquivo de Adalberto Day/colaboração Marilia Carqueja

domingo, 6 de junho de 2021

- Os antigos clubes de Blumenau

 
Este foi o local no centro onde foi o primeiro campo de Futebol em Blumenau
Segundo campo de futebol de Blumenau - e o primeiro Ginásio coberto de SC -  1924
“Turnverein Blumenau – Sociedade de Ginástica (1873-1942)” Atual EEB Pedro II
Anteriormente o futebol era praticado somente por equipes formadas pelos jovens do “Turnverein Blumenau – Sociedade de Ginástica (1873-1942)” e operários da Empresa Industrial Garcia, depois Amazonas Esporte Clube. Os jogos eram realizados nos finais de semana, próximo ao hotel Holetz, hoje Grande Hotel. O Pasto era aos fundos, onde se localizava antiga Maternidade/Cavalinho Branco /Casa do Comércio. Foto acima.
As fotos foram batidas em 1963, mas o Álbum circulou entre 1964//6 devido ao enorme sucesso da época. Times de Blumenau que participaram da edição.
LBF - Camisas: Olímpico, Palmeiras, Amazonas, Vasto Verde, Guarani

Depois que a liga LBD – LBF Liga blumenauense de futebol foi fundada em 12 de janeiro de 1941 com o nome de Liga blumenauense de desportos, o Amazonas foi o primeiro campeão oficial de Blumenau, o time do Garcia venceu o Torneio Início no dia 20 de abril. Anteriormente (1910/1940) por vários anos os campeões se revezaram, mas sem registros oficiais. Turnverein Blumenau – Sociedade de Ginástica (1873-1942), Amazonas E.C (1910-1974) Anita Garibaldi (1915-?) Bom Retiro F.C. (1926-1932?),

Depois da oficialização da LBD-LBF, o time que mais venceu de 1941 até 1964 foi o Palmeiras Esporte Clube (BEC), inclusive foi campeão em 1950 no centenário de Blumenau, foram 12 títulos.

Os primeiros clubes filiados foram... Amazonas, Bandeirante de Blumenau bairro Água Verde, Blumenauense (Olímpico), Brasil (Palmeiras), Guarani, Concórdia (Rio do Sul), Indaial, Timboense e Tupi (Gaspar). Os mais tradicionais clubes que disputaram o campeonato Citadino de Blumenau (todos profissionais), entre 1952 até 1963 foram Palmeiras, Olímpico, Amazonas, Vasto Verde e Guarani.

   Leal         Mauro    Quatorze    Meyer     Carlinhos
Para saber mais sobre o Álbum Teixeirinha acesse:

segunda-feira, 31 de maio de 2021

- A origem dos nomes dos Bairros

A origem dos nomes dos bairros de Blumenau
do Vorstadt: “Entrada da Cidade”, isto é, para quem vinha do litoral é o que se localiza antes do centro da cidade.
Centro: Local onde ficou instalada a sede da Colônia Blumenau, conhecida como Stadtplatz – praça da cidade. Hoje engloba três ruas principais, a Rua XV de Novembro, a Rua Sete de Setembro e Castelo Branco (Beira Rio).
do Ribeirão Fresco: Desde o início da Colônia Blumenau, já se conhecia o caminho principal deste bairro como Kühler Grund – palavra de origem alemã que significa Solo Fresco, daí o nome do ribeirão, como Fresco.
do Garcia: Por existir nesta região moradores vindos do rio Garcia de Camboriú, hoje rio Camboriú, já em 1846. Conhecidos como gente do Garcia
da Glória: Nome dado em 04 de fevereiro de 1938 pelo então prefeito José Ferreira da Silva por existir nesta localidade, desde 1920, o Clube Musical Glória.  Esta localidade até esta data era conhecida pelos moradores como Spectiefe – palavra de origem alemã que significa caminho ou vale lamacento, ou gorduroso.   
Progresso: O nome deriva de na proximidade da região; serem instaladas as primeiras indústrias têxteis: Empresa Industrial Garcia e a Artex, sinal de Progresso. Quando um morador vinha fazer uma "Ficha" nas empresas ou no comércio, eram perguntados: Onde você mora? - Moro no Alto Garcia, ou Garcia Alto, - mas onde fica este local? ; - Lá onde o Progresso está chegando, se referindo as indústrias. 
Valparaíso: Por haver na localidade um conjunto residencial Loteamento Valparaíso – nome dado em homenagem à cidade chilena de Valparaíso. 
da Vila  Formosa: Margeado pela rua Hermann Huscher, este bairro foi criado em 1956 pelo prefeito Frederico Guilherme Busch Júnior.   Esta denominação foi dada em homenagem a um grande proprietário de terras no Bairro Vila Formosa, que inaugurou um curtume no dia 7 de janeiro de 1898.
Jardim Blumenau: Criado em 1956 belo então prefeito Frederico Guilherme Busch Júnior que o denominou assim, motivado pela tradição dos moradores terem em frente às casas, sempre jardins bem cuidados. 
Bom Retiro: Desde cedo esta localidade era conhecida como Jammerthal – que significa Vale das lamentações. O nome do Ribeirão Retiro já consta no mapa de Blumenau de 1864.  Com a criação deste bairro em 1956, a tranqüilidade do lugar deu origem ao nome de Bom Retiro.
da Velha: A origem do nome deste bairro tem duas versões: uma, que remonta a 1838 diz que na região morava uma velha senhora as margens do ribeirão; outra versão baseia-se no fato de que ali existiria uma família de cognome Velha, antes mesmo da fundação da cidade de Blumenau. Como também de referencia a serraria mais velha, do que a do Garcia.
Velha Central: Área central do curso do ribeirão Velha com ampla área plana, envoltos em pequenos morros.
Velha Grande: Área junto do ribeirão da Velha formada pelo estreito e longo  vale deste ribeirão, hoje com locais de ocupação quase que exclusivamente em áreas de declive.
Passo Manso: Desde cedo esta região era conhecida como Stiller Pass, que significa passo ou passagem calmo ou silencioso, pois o rio Itajaí-Açu ali tem suas águas calmas e tranquilas.
Salto Weissbach: Bairro na margem direita do rio Itajaí-Açu próximo da foz do Ribeirão Branco, que em alemão se diz “Weissbach”. Nome dado por imigrantes alemães que significa “Salto do Ribeirão Branco”.
do Salto: Bairro localizado na margem direita do rio Itajaí-Açu, do lado sul do Grande Salto de 8 metros de altura aproximadamente.
da Escola Agrícola: Na localidade em 1940 foi instalada uma “Escola Agrícola Municipal” para crianças. Com o desenvolvimento a região passou a ser conhecida como Escola Agrícola. 
Água Verde: Diz a lenda que por haver nas águas do ribeirão da região grande número de algas e musgos, aparentando ser de coloração verde, daí o nome deste bairro.
Vila Nova: Bairro criado em 1956 e deu-se o nome de Vila Nova, porque na época sua ocupação com residências era recente. 
de Itoupava Seca: Localizado no lado Sul do rio Itajaí, o nome Itoupava de origem tupi-guarani significa corredeiras, já Seca se refere ao afloramento das pedras do leito do rio em épocas de estiagem.
dr. Victor Konder: Nome dado em homenagem a personagem da história local. Victor Konder tinha uma fazenda nesta localidade e  foi Presidente da Câmara de Blumenau, Secretário da Fazenda do Estado e Ministro da Viação.
da Boa Vista: Nome derivado de neste bairro haver um morro que desde cedo oferecia uma boa visão da área central da colônia.
da Ponta Aguda: Nome dado pelo fato de o rio Itajaí-Açu nesta área ter uma curva bem acentuada, formando uma ponta de terra, daí Ponta Aguda. 
Nova Esperança:  A localidade era conhecida como Morro do Abacaxi , mais tarde após o encontro de uma onça passaram a chamar Toca da Onça, nos anos 1980 após um plebiscito na comunidade optaram pela denominação Nova Esperança, por ventura da esperança dos inúmeros migrantes que chegavam ao local.
de Itoupava Norte : O nome  Itoupava é de origem tupi-guarani e significa corredeiras, logo este bairro está localizado no lado Norte do rio Itajaí-Açu.
Fortaleza: Região do ribeirão Fortaleza, por ventura deste ribeirão haver próxima sua foz no Itajaí um rochedo alinhado semelhante a uma fortaleza. 
Tribess: Nome dado em homenagem a um dos primeiros moradores da localidade. 
Fortaleza Alta: Região próxima as nascentes do ribeirão Fortaleza.
Fidélis : Nome derivado da referência que os primeiros moradores da localidade faziam ao ribeirão ali existente, dizendo: fluss geht ganz fidel – o rio corre mansamente. A palavra Fidel, mais tarde aportuguesada passou a ser pronunciada Fidélis. 
Salto do Norte: Lado norte do Grande Salto do rio Itajaí-Açu..
Badenfurt: Bairro próximo à região da foz do rio do Testo no Itajaí-Açu, onde imigrantes vindos de Baden se estabeleceram, daí o nome que significa travessia do (rio) de Baden. Trata-se de um lugar que permite a passagem de um rio, travessia do rio em uma localização da água rasa (mas não pantanosa).
Testo Salto: Bairro próximo ao salto do rio do Testo, daí a origem do seu nome. 
Itoupavazinha: De origem tupy que significa “pequeno ribeirão com corredeiras”.
Itoupava Central: Região central do ribeirão Itoupava. Itoupava: corredeiras.
Vila Itoupava: Vila do ribeirão de corredeiras.
Para saber mais acesse:
Arquivo de Adalberto Day/Colaboração Jochen G. Rohlfs

domingo, 16 de maio de 2021

- A curva do Rio Itajaí-Açu em Blumenau

A Curva do Rio Itajaí-Açu em Blumenau

Quando dr. Blumenau esteve por aqui pela primeira vez acompanhado pelo canoeiro Ângelo Dias, logo se encantou com a exuberância das matas, do rio e principalmente com a curva do rio. Este ano foi 1848 e veio para fazer o reconhecimento de sua futura “Colônia Blumenau”, jamais confundir com Colônia alemã.

As boas línguas contam que ao passar pela curva do rio se encantou tanto, que decidiu estabelecer por aqui seu projeto, mesmo sabendo através dos indígenas que lhes disseram: “dr. Blumenau, mas aqui pega enchente - teria respondido Hermann Blumenau ao indígena, “não enche” ...”

Como se formou a Curva do Rio Itajaí Açu em Blumenau?

Um capitulo a parte e é preciso entender, pois não é nos ensinado nas escolas entre tantos assuntos que não nos ensinam.

Existe uma pedra ou Laje chamada Lontra., ao ser observada pelos indígenas, deram o nome (quando o nível do rio estava abaixo de 2 metros) é escura e tem uma figuração comparada a uma “Lontra”. E essa laje começa do outro lado na rua Itajaí  na parte visível e passa por baixo do rio até onde se localiza mais ou menos a praça dr. Blumenau, e casa Caça e Pesca. Os colonos a chamavam de "Hunger stein" pedra da fome.

Bem, mas o que ela tem a haver com a curva? ... há milhares de anos quando o rio começou a se formar, ele (teria) começado a "forçar" o lado frontal dessa Pedra ou Laje, e "percebeu" que não dava para seguir reto e se curvou a aceitar, contornar e formar a curva do rio, ou Ponta Aguda também nome chamado pelos indígenas. Simples assim ... nesse caso aquele ditado: “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”  as águas se “curvaram” é a lógica.

  “ PEDRA DO LONTRA  - como marco referencial da nossa conjuntura. 

Presumia-se, até os anos sessentas do século passado, que o nível das águas do rio Itajaí Açu, quando considerado em seu fluxo padrão, estivesse situado a cerca de 1,50 metros acima do nível do mar, no trecho, de seu curso, diante da posterior cidade de Blumenau, ou mais precisamente na linha da flor d’água que fluía sobre a Pedra do Lontra. Nos primórdios da colonização o que mais importava quanto ao nível das águas, era a condição de haver fluxo de águas com volumes suficientes à viabilidade da navegação, se bem que, por evidente, houvesse grande preocupação com possíveis enchentes. Nos períodos de longa estiagem a antiga Colônia permanecia completamente isolada de qualquer comunicação, por não haver, então, via alternativa de trafego que não fosse o Itajaí Açu.

Situações de calamidade ocorriam quase anualmente quando a pequena vazão das águas não permitia que as embarcações, provindas de Itajaí, com toda sorte de mantimentos e mesmo novos colonos, alcançassem Blumenau, necessitando procederem, quando ainda possível, o desembarque em Gaspar, cujo atracadouro situava-se onde, no presente, encontra-se a cabeceira da margem direita da Ponte Hercílio Deeke. Era o quanto acontecia com o vapor São Lourenço – de navegação marítima - que desde 1874 foi a embarcação que mais significativamente atendeu a Colônia Blumenau. O primeiro aportamento do São Lourenço em Blumenau, ocorreu em 22/11/1874.

O ponto referencial para verificarem se haveria condições de navegabilidade até o porto de Blumenau, era o cabeço da ¨Pedra do Lontra¨. Antes de 1937 era dita ¨ Otter Stein¨, mas devido a nacionalização que então ocorria de forma coercitiva, passaram nos documentos oficiais a referi-la como Pedra do Lontra, no masculino, porque na língua germânica Otter, ou seja Lontra, é masculino.

Na verdade, trata-se de uma extensa laje de pedra estratificada (em camadas) que se estende desde a margem direita do Itajaí Açu até pouco antes da margem esquerda, quando termina formando um cabeço mais elevado.

Observada do alto da margem, em períodos de seca, a aparência da escura laje coberta de liquens à guisa de pelagem cujos filamentos remexiam com a fraca correnteza, era a de uma gigantesca lontra, com o corpo submerso e cuja cabeça sobressaia da água, faz, com rio, a partir do local onde se encontra a casa “Caça e Pesca.” A chapada daquela pedra (“ Pedra ou Laje Do Lontra”- no masculino, como costumavam chamá-la até o ano de 1954 e com tal denominação a referia Raul Deeke, que estudou detalhadamente as enchentes visando emergir o casco do “Vapor Blumenau”, então semi submerso na foz do ribeirão de Tigre (Tigerbach) para colocá-lo nesta laje.

Na linguagem popular a Pedra da Lontra indicaria grande flagelo de seca, provocando escassez de alimentos – consequência muito relativa na atualidade e portanto denominação injustificável, vez que no passado, estando o rio, antes do seu aterro com pedras que forma o atual talude, mais largo em oito metros ou mais, motivo porque a Pedra do Lontra surgia com maior frequência, quando a vazão d’água em uma superfície mais larga era muito maior.. Há, entretanto, um raso canal – com a largura de cerca 3,50 metros e talvez 2,00 m de profundidade, em sentido oeste a partir do cabeço da Pedra, ou seja em direção à margem direita do rio. O mencionado canal foi aberto justo no ponto da ¨ NUCA do LONTRA ¨, segundo ouvi dizerem, resultou de explosão procedida por volta de 1905 pela empresa alemã que construía a Estrada de Ferro, porquanto era necessária maior profundidade naquele ponto para possibilitar que os vapores que transportavam os trilhos e ferragens das pontes da futura linha Férrea, pudessem ultrapassar aquele baixio, trafegando até alcançar a Foz do Velha onde localizava-se o primeiro canteiro de obras da ferrovia e também a Itoupava Seca no local onde construíram as oficinas da dita empresa. Pessoalmente penso que tal obra de explosão aconteceu muito antes, entre 1880 e 1905, ou talvez com os recursos dos 5 contos de réis, remetidos pelo Império ao dr. Blumenau, visando melhorias à navegação do rio. Sintetizando: A Laje do Lontra representa, na verdade absoluta, uma Barragem, um Talude, uma Represa, enfim um imenso Paredão submerso, que impede o escoamento das águas em nível profundo. Acaso removido, com o aprofundamento da calha em até quatro metros, o fluxo da vazão de fundo teria nível idêntico ao que apresenta o fundo do dito portinho da praça Hercílio Luz. Sim – parece inacreditável, porém o fundo do rio no dito portinho, situado a menos de cem abaixo da Laje, é 04 metros mais profundo que a chapada da plataforma da Laje do Lontra. Removida a laje, certamente ocorrerão efeitos colaterais, quiçá danos à sedimentação da areia na Prainha, o que, porém, poderá ser evitado mediante construção de proteção específica, em concreto.

Então a feitura de tais canais não traria vantagem alguma no escoamento das águas, quando muito formaria duas imensas ilhas, a ILHA DA PONTA AGUDA e a ILHA DO ABACAXI.

CANAL EXTRAVASOR, sim.... mas do Escalvado em direção à Penha. Tal Barra Morta foi um CANAL Extravasor NATURAL para quando níveis das águas alcançassem 16,00 metros em Blumenau.

Durante as tratativas do Kennel Clube que, em 1961, determinaram o assentamento do Vapor Blumenau, em 08/9/1961, sobre pilares do concreto na “Prainha”, foi, por Raul Deeke, aventada a hipótese de erigirem duas grossas pilastras sobre a Laje da Lontra, elevadas até nível idêntico ao do piso da Ponte Adolfo Konder (então já existente) para então lá sobreporem, sobre travessões de concreto constituídos em berço, o casco da embarcação com sua proa embicada para montante do rio. Pretendiam proceder o acesso ao Vapor Blumenau, após sua firme fixação sobre os pilotis, mediante o lançamento de uma ponte pênsil (pinguela) até barranca do rio próxima à Prainha.

2) Kennel Clube de Santa Catarina : Criado em 14/5/1952, com sede em Blumenau, cuja finalidade era amparar e fiscalizar a criação de cães de toda espécie, como os de caça, serviço, guarda ou luxo, porém todos de raça. Em 26/10/1952 ocorreu a 1ª Exposição de Cães promovida pelo Kennel Clube de Santa Catarina, realizada na sede social do Clube Blumenauense de Caça e Tiro, então ainda situado no bairro Bom Retiro, mais precisamente na atual ( ano 1997) rua Porto Alegre.

Raul Deeke inicialmente abraçou tal ideia, e insistiu junto ao seu irmão Hercílio Deeke, que então era o Prefeito Municipal, a fim de que a Prefeitura executasse as duas pilastras e travessões do berço. No entanto Hercílio Deeke, apesar de considerar a ideia louvável, ponderou que naquele período de crise financeira, a execução das soberbas pilastras, dariam margem à acerbas críticas, vez que nem mesmo meios havia para restabelecer o prédio da Prefeitura Municipal incendiado cerca de três anos antes.

Autoria : NIELS DEEKE, in memorian e Adalberto Day cientista Social e pesquisador da história. Arquivo Adalberto Day 

Leia mais:

A história do Rio Itajaí Açu.

https://adalbertoday.blogspot.com/2019/10/historia-do-rio-itajai-acu.html

A Pedra da Lontra:

https://adalbertoday.blogspot.com/2011/09/pedra-do-lontra.html

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...