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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

- O Menino caiu na privada

 O Menino caiu na privada! 

Curiosidades do Reino do Garcia
Por Sérgio Cunha

Quando eu era criança, kkk, agora já me lembro daquele personagem da Escolinha do Prof. Raimundo, que dizia: “Quando eu era criança lá em Barbacena”, pois bem. Quando eu era criança lá no Reino do Garcia, nós morávamos na casa da minha avó, na Vila, próximo da Igreja Nossa Senhora da Gloria.

A casa da minha avó, como tantas outras da Vila, foram construídas pela Empresa Industrial Garcia e alugadas para as famílias de funcionários da empresa, por sinal, um aluguel bem modesto. Conforme já disse o nosso amigo e professor Adalberto Day, foram construídas mais de 200 casas desse modelo no bairro.

As casas eram simples, mas boas, com tamanho médio, a maioria delas, de dois pisos. Somente no piso superior, tinha quatro quartos. No início quando construíram as casas, o banheirinho foi construído separado do corpo da casa, como pode-se ver na foto abaixo.

Mais tarde, em uma segunda oportunidade, foi construída mais uma parte atrás das casas e nessa nova área foi incluído o banheirinho ao corpo da casa.

Esse banheirinho que se vê na foto, era dividido em duas partes. Uma parte servia para se tomar banho, onde as pessoas colocavam uma bacia grande, enchiam com água morna e se banhavam. Chuveiro, naquela época, (1945/1960), no nosso bairro, não existia. Então se esquentava a água no fogão a lenha.

A outra parte era o WC. Na verdade, essa sigla WC a gente não conhecia. Viemos a conhecer anos mais tarde. Se conhecia mesmo, pelo nome de “privada”, “patente”, mas, mais comum era dizer “casinha”. Às vezes uma pessoa procurava outra e então perguntava: Onde está o fulano? Alguém responderia: “O fulano está na casinha”.

Para construir a “casinha”, os pedreiros faziam um buraco no chão, rebocavam as paredes desse buraco com cimento e areia e depois alisavam bem esse reboco, que ficava assemelhando-se a uma cerâmica. Esse buraco em seguida era ligado através de uma manilha à fossa e ao sumidouro. Essa “casinha” tinha uns 80 centímetros de largura e de profundidade. A área de banhar-se, era um pouquinho maior.

Acima do buraco, os pedreiros colocavam tabuas para formar o assento que tinha no centro, um buraco de uns 25 centímetros, onde a pessoa sentava e aí......soltava a água, ou o “barro”. Após realizada toda a operação, jogava-se bastante água com um balde, tentando deixar o mais limpo possível. Porém, sempre alguns vestígios ficavam.

Pode-se observar na foto, que atrás de cada casa, havia o banheiro. Entre o banheiro de uma casa e de outra, existia um corredor de 1 metro de largura, por onde passava a tubulação de esgoto que, com certeza corria para o córrego da Vila e esse, corria para o ribeirão Garcia.

Um desses dias de 1956, a minha tia foi visitar suas cunhadas, a vó, etc...e levou meu primo que tinha na época uns 3 anos. Eu tinha então 5 anos. Elas, como de praxe, sentaram-se, e enquanto tomavam um cafezinho, já estavam tentando atualizar as “lives” . Eu e o primo aproveitamos então para brincar. Corríamos pra lá e pra cá, tanto dentro como fora de casa.

Lá pelas tantas, o primo disse que precisava ir na privada. Como ele era bem pequeno, eu disse a ele que poderia ensiná-lo a usar a privada, pois com todos os meus “anos de experiência”, estava mais do que apto a ajuda-lo. E lá fomos nós.

Eu disse a ele: Óh, a gente coloca um pé no lado do buraco e o outro pé, no outro lado. E ai manda ver. Ele subiu no assento e assim fez. Mas eu vi que o seu pé direito ficou muito afastado do buraco. Eu disse então: Não é assim! O teu pé ficou muito longe. Tem que ser mais perto, senão você fica todo torto. Ele deu aquele embalozinho para a esquerda, tentando levantar o pé direito e eu peguei no tornozelo dele para ajudar a colocar no lugar certo.

Porém, tudo aconteceu tão depressa, que enquanto ele levantava o pé, eu empurrava esse pé para colocar mais próximo do buraco. O problema é que o pé, passou da beirada, e já estava, portanto, na direção do buraco. E, aí, desceu. Desceu o pé, e o menino atrás. Totalmente dentro do buraco.

Saaannto Deus! Aí foi aquele gritêdo, aquele berreiro. O menino se assustou com a queda e também por estar em um lugar onde ninguém gostaria de estar. As mães e tias imediatamente correram para acudir, assustadas e também perplexas de como pôde acontecer aquela situação.

Retiraram o menino de lá, tentando acalmá-lo, pois chorava desesperado e providenciaram logo um bom banho visando eliminar possíveis contaminações, ao mesmo tempo que faziam aquele “inquérito” para entender como tudo foi acontecer. Acontecem sustos que marcam a memória da gente. Felizmente todos se salvaram. Uuuffaa!

Sérgio Cunha – 30/07/2020

As fotos das latrinas são somente ilustrativas. 

14 comentários:

Renate disse...

Renate Aparecida Iten Ritschel 👍👏🏻👏🏻👏🏻
Imagino o susto dos 2 meninos!
Obrigada por compartilhar histórias conosco!🤗

Maria Lina disse...

Maria Lina Ferrari Rezende Blog Adalberto Day tenho algo parecido
Quuando vim morar no
Água Verde isso lá pelos ano 80
Onde hoje tenho minha modesta residência
Os meus dois rapazes adolescentes mais os amigos que formavam pelo menos uns dez adolescente teriveeis .Como tudo estava para construir avia uma casinha desativada . Aos domingos eles se reunião para brincar de mocinho ou seja de bange bange
Eu como super mãe alertei ?
Não vão na casinha ?que está podre e vocês vão cair lá dentro !!

Maria Salete disse...


Salete Silva geralmente era de madeira e bem menor a nossa passava o ribeirão em baixo

Sonia disse...

Sonia Ruth Anton Bauler Levei um susto só de ler o relato, imagina viver a cena. Crianças, af, aprontam e às vezes o anjo da guarda cochila

Jose disse...

Jose Osmar Rocha Sérgio Sérgio, não foi de propósito não?
E depois a varinha ou a cinta do seu Pedro não trabalhou?
Kkkkkkkk um abraço.

Henrique disse...


Henrique Santos Esse da foto era luxuoso ainda tinha outros q era brincadeira kkkk

Unknown disse...

Muito bom, são histórias de vida.

Eliana disse...


Eliana Hufnagel E verdade,o medo que nos tinha pra não cair... o cheiro era terrível...lkklk
Só tinha papel, papel higiênico era objeto de luxo...

Eliana disse...

Eliana Hufnagel berto Day o pior,que tinha que levar vela a noite era fria,é o.medo queimar os jornais era grande...
Mas graças a Deus,são recordações, de que nunca devemos esquecer nossas origens...
Um abraço..

sergio luiz buchmann disse...

Boa tarde Professor e querido amigo. O texto relatado seria engraçado se não fosse trágico. Lendo os comentários alguém citou que a dela passava o Ribeirão, lembrei de um caso parecido que aconteceu com um primo meu na localidade de Ibirama. Só que lá quase se deu uma tragédia,uma noite de muita chuva e Ribeirão cheio meu primo caiu rs. Sua sorte que meu tio estava guardando os cavalos no estábulo que ficava próxima e ouviu o berreiro rs. Com essas ditas patentes devem existir inúmeros casos uns engraçados outros nem tanto. Mas pra nós que conhecemos sabemos que em tese pra crianças era perigoso. Em minha casa já tinha banho e wc normal. Mas sempre bom relembrar de histórias de uma época que ficará em nossas lembranças. Abraço meu amigo!

Adalberto Day disse...

Eu até uns 6 anos era desse modelo na EIG. Mas em nossa casa era dentro e não fora, nas tradicionais casinhas. Passava também um pequeno rio que vinha lá de cima da rua Almirante Saldanha da gama, hoje tudo canalizado e levava através dos encanamentos feitos pela EIG até o Ribeirão Garcia. Até os dias atuais ainda funciona assim, ali naquela localidade da Almirante Saldanha da Gama e inicio da rua da Glória.
Adalberto Day

Catarina disse...

Superfã
Catarina Tecla Mistura É a famosa casinha, mas imagino a cena, hoje é engraçado, mas no dia com certeza um susto tanto pelas crianças como pelas mães.
Na minha casa também tínhamos a privada, mais conhecida como casinha, e a gente se limpava com papel, jornal, também retalhos de pano, e era uma coisa muito normal.Muito bem lembrado...

Bianchi disse...

Parabéns pelo texto curioso e muito bem escrito com palavras simples e coerentes. Ideia bem articulada com clareza textual.

Zuqui disse...

Meu caro Adalberto!!
Que texto rico em detalhes, e um tanto quanto cômico, claro que me veio a memória a minha infância na VILA SESTREM. Sim, pois ali papai pagava aluguel em uma das casas da vila, e todas as casas, (salvo a do próprietario) tinham a sua "patente", sim patente, assim a chamávamos. Todavia, na época início dos anos 70 cada casa tinha a sua e não usava um a do outro, havia muito respeito e ordem na referida época. Lembro que as patentes eram mais simples de madeira, não havendo material de concreto e ou cimento, somentemsomente madeira, era o que tínhamos na época. Quão bom é lembrar deste tempo que outrora entendiamos como tempos " difíceis" qual adjetivo usamos nos dias de hoje? É claro que mesmo com o conforto de suítes vivemos momentos difíceis e de muita reflexão em relação ao que já vivemos na época da patente.
Parabéns pela história.

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