“A Educação é a base de tudo, e a Cultura a base da Educação”

Seja bem-vindo (a) e faça uma boa pesquisa.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

- Noite Feliz

Recebi do meu amigo José Geraldo Reis Pfau que recebeu de seu irmão Luiz Henrique Reis Pfau. Uma  história que envolve Blumenau.
Presépio que passou de gerações em gerações e desde 1976 está conosco (Dalva e Adalberto Day)

Olha que interessante este episódio da tradução da música Noite Feliz.

Se for verdade pode dar uma bela história.
Leia até o final da história da criação da música o comentário sobre a tradução para o português.

OBERNDORF, pequena aldeia austríaca à beira do rio Salzbach, região de Salzburg, véspera do Natal de 1818.
O padre Joseph Mohr estava desesperado porque o órgão da capela havia quebrado. A cantata de Natal seria um fiasco. Logo no primeiro Natal naquela paróquia. Pediu orientação a Deus e se lembrou que dois anos antes havia escrito um poema simples, também na véspera de Natal, após uma caminhada pelos bosques das montanhas da região. 
Encontrou o manuscrito do poema em uma gaveta da sacristia. Correu para a casa de um professor e músico humilde, chamado Franz Gruber e lhe perguntou se poderia musicar sua letra para que todos a pudessem cantar logo mais à noite, na missa do Galo.
Franz olhou e disse que sim, porque a letra era simples e permitiria uma melodia fácil. Mas teria de ser tocada no violão porque não haveria tempo para algo mais elaborado. Não era um problema porque não havia órgão disponível.
O padre Mohr agradeceu e correu de volta para terminar de organizar os detalhes da missa.
À noite, Franz Gruber chegou na capela com o violão e reuniu o coral para ensinar o hino improvisado. Que música era, afinal?
Stille Nacht (noite silenciosa, no original alemão) traduzida para o português como Noite Feliz.
Naquela noite de Natal de 1818, os participantes da missa da capela de Oberndorf cantaram maravilhados aquele hino tão singelo e profundo que viria a se tornar a canção natalina mais conhecida do mundo, sendo hoje cantada em mais de 50 idiomas.

Blumenau - Coral Mil Vozes

Como ela se espalhou?

Semanas depois, o técnico que veio consertar o órgão ouviu a história e pediu para tocar a música.
Ficou impressionado com a riqueza melódica da composição que decidiu difundi-la por todas as igrejas por onde passava, até que chegou aos ouvidos do rei Friedrich Wilhelm IV da Prússia, a Nova Iorque em 1838 e difundida de forma ativa também pela emigração alemã que era corrente naquela época.
Esta é a história do hino natalino Noite Feliz. O que começou como um momento de pânico e perspectiva de um fiasco, terminou como um eterno presente de Natal para toda a Humanidade em forma de música. 
Feliz Natal a todos.

Lojas HM - Natal Hermes Macedo em Blumenau década de 1970.
A versão brasileira foi escrita por um padre franciscano alemão frei Pedro Sinzig por volta de 1912.
O curioso e que nesta mesma época este mesmo frade trabalhou em Blumenau e foi professor do Colégio Santo Antônio hoje Bom Jesus.
Então há grandes chances desta letra em português ter sido pelo menos pensada, aqui em Blumenau.

Clique e ouça a musica: Música Noite Feliz

Luiz Henrique Reis Pfau/José Geraldo Reis Pfau
Fotos Adalberto Day/José Geraldo Pfau (Zé Pfau)

terça-feira, 5 de novembro de 2019

- E.I. Garcia. 1001 utilidades.

"1001" Utilidades.
A empresa pioneira no ramo têxtil de Blumenau.
Fazia de tudo, pioneira em quase tudo. Trouxe o Progresso para todo Grande Garcia e Blumenau.
Acervo: antigamente em Blumenau 
 
Mesma foto que possuo original - e notem ainda não existia a Artex a esquerda.

Transcrição com correção ortográfica:
Empresa Industrial Garcia – Blumenau Santa Catarina
Escritório e Fábrica: GARCIA
End. Telegrama: GARCIA
Caixa Postal N.22
Fiação, Tecelagem, Serraria, Marcenaria, Fundição e Oficinas Mecânicas
Assadeiras de Ferro fundido, Arados reversíveis EIG, Buzinas para carros, Bancos para Jardins, Chapas para fogão com quadro e de qualquer modelo e com radiador para instalação de água quente e fria, Cruzes de ferro para tumulo, Forjas quadradas, Moendas de cana (diversos tipos),  Maquinas para ferragem, grandes e pequenos Moinhos de fubá, adaptáveis ao descasques de café, Marquesas para vitrines, Pesos para balanças, Panelas de ferro, Rodízios para cama, Bombas centrifugas e outras quaisquer maquinas.
Sinos de bronze, de qualidade insuperável – Polimento durável
PEÇAM ORÇAMENTOS
Fundição da E.I.Garcia em 1944

Aspectos Históricos   
                 Em 1860, com a chegada do imigrante alemão Johann Heinrich Grevsmuhl nascido em (12 de novembro de 1804 – provavelmente falecido nos primeiros meses de 1883, abordo de um navio que o conduzia para tratamento de saúde na Alemanha), o Vale do Garcia tomava novo impulso.
Não satisfeito com os trabalhos agrícolas, passara a explorar a madeira da região, constituindo uma serraria, e com o represamento do Ribeirão Garcia, pode instalar uma atafona movida a força da roda d' água, (energia elétrica veio em definitivo para o bairro somente  por volta de 1914) que ficava próximo as duas Empresas Garcia e Artex.
            Os compensadores progressos do empreendimento levaram-no a associar-se com dois vizinhos, que conheciam a técnica da tecelagem, para a organização de uma fábrica. Nascia naquela região, a semente da indústria têxtil por volta de 1868, solidificando-se mais tarde com o nome de Empresa Industrial Garcia.
Em decorrência desta atividade têxtil, a região passaria por uma série de transformações, sendo uma delas o surgimento do lavrador-operário. A divisão da propriedade e o esgotamento das mesmas, provocadas pela falta de espaço para a “Rotação das Terras, dificultavam a opção do plantio, que não dependia exclusivamente do agricultor”.
            Outro aspecto que merece destaque é o fato do imigrante alemão ao chegar à nova terra, trazer na sua bagagem cultural, usos e costumes de seu país de origem.
           
            Dentro desta visão, o constante processo de desenvolvimento econômico, e consequentemente populacional, começa a abranger o Garcia. A industrialização abria espaços para novos empregos e muitos migrantes vindos de outras cidades buscam o "ELDORADO" de uma vida melhor. O espaço ocupado por estas pessoas: urbano e rural; providos ou não de recursos; e o próprio descaso dos órgãos municipais aos longos dos anos, passava a gerar problemas sociais devido à falta de infraestrutura da cidade para acompanhar o desenvolvimento crescente das últimas décadas.

A Pioneira
A primeira indústria que se instalou no bairro e mais antiga de Blumenau, foi a Ex-Empresa Industrial Garcia em 1868, na Rua Amazonas nº 4906 - fundada por Johann Heinrich Grevsmuhl (que possuía em suas terras que depois foram vendidas para Garcia e Artex, uma roça de aipim com um moinho para fubá e engenho de serra) August Sandner, Johann Gauche,( Confirmado no Documentário da CIA. Hering por ocasião de seu centenário  em 1980) associaram-se com um tecelão, conhecido como Lipmann (já possuía teares desde 1865) que ajudou a montar alguns teares e deram impulso na primeira indústria têxtil de Blumenau, com o nome de “Johann Henirich Grevsmuhl & Cia.” Este era o nome da pequenina tecelagem -. A partir de então, a tecelagem passa às mãos de Gustav Hermann Roeder hábil tecelão ajudou a montar a empresa, mas ficou somente até 1878 quando retornou para Alemanha.
. Em 1883 passou a denominar-se “Tecelagem de Tecidos Roeder”,. Em  1906 “Probst & Sachtleben”.

Em 1913 a Empresa foi transformada em Sociedade Anônima, adotando a denominação “Empresa Industrial Garcia  & Probst”. Fabrica de Fiação e Tecelagem – Tinturaria – Fundição – Serraria – Olaria - -Oficina Mecânica – Marcenaria - Ferraria.
A empresa colocou o nome de Garcia em homenagem a primeira família a residir no bairro conhecido como gente do Garcia. A ex E.I.Garcia já foi também conhecida  pela fabricação de maquinário agrícola e de sinos para Igrejas. Otto Huber técnico austríaco trouxe idéias não só para a tecelagem, mas também foi responsável pela implantação do prédio com três pavimentos.

Em janeiro de 1918  verificou-se a nova alteração no nome da firma  com a retirada do seu maior acionista JÚLIO PROBST. Na constituição da nova sociedade, verificou-se a entrada de capitais de Curitiba Grupo Hauer (permanecendo até o final da Empresa), passando definitivamente a denominar-se “Empresa Industrial Garcia S/A”.
 Em 15 de fevereiro 1974, a E.I.Garcia, incorporou-se a Fábrica de Artefatos Têxteis  - Artex. A incorporação teve cunho político através do governo federal, que investia nas duas empresas, a Artex dirigida pela família Zadrozny e a Garcia controlada por dirigentes do Estado do Paraná, grupo Hauer, que controlava a empresa que pertencia a um grupo canadense. O processo de incorporação teve início no dia 15 de fevereiro de 1973.
Empresa centenária em 1968

Texto Adalberto Day e com colaboração de José Geraldo Reis Pfau.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

- Olimpíco 100 anos de História.

No dia 16 de agosto de 2019 recebi em nossa residência as 13:30 horas , a Camisa "100 Anos" do Clube Grená - Grêmio Esportivo Olímpico de Blumenau. Foram confeccionadas apenas 100 camisas. A honra foi me concedida pelo atual presidente do Clube Grená Braulino Pontes, que já foi Goleiro do Fluminense RJ, Blumenau Esporte Clube entre outros clubes. 
 
História: 
O Olímpico foi fundado em 14 de agosto de 1919, e desativou seu futebol profissional em 1970. Este foi o palco que viu por duas vezes a única equipe de futebol de Blumenau ser campeã do Estado, em 1949 e 1964.



Neste belo estádio e com um gramado invejável, atuaram grandes jogadores do futebol brasileiro: Pelé, Garrincha, Zito, Barbosa, Belini, Paulinho de Almeida, Sabará,Teixeirinha e tantos outros. Clubes como : Santos, Flamengo,Vasco da Gama, Botafogo, Fluminense, Grêmio....
Hino do Olímpico: Autor do Hino Márcio Volkmann/Edson da Silva
Forte és, alvi-grená
Por tua história, teu valor
Pela camisa reluzente
Pelo grito do torcedor
Estribilho
Olímpico, Olímpico,
O teu verbo é vencer
Olímpico, Olímpico
És a razão do meu viver
A baixada das conquistas
Na Alameda das vitórias
Fez surgir esse gigante
Uma paixão de muitas glórias
(repete o estribilho)
Para quem quiser ouvir,
Com orgulho vou cantar
É grená meu coração
Para sempre vou te amar.
(repete o estribilho)

Antiga arquibancada do G.E. Olímpico Arquivo: Evelin Koterba
Pelé e Garrincha jogaram no t\pete verde da Baixada. Pelé jogou pelo Santos contra o Olímpico de Blumenau no dia 30 de agosto de 1961. O placar foi 8 a 0, com cinco gols marcados pelo rei. Já Garrincha, "o anjo das pernas tortas", atuou no Estádio da Baixada com a camisa do Olímpico no dia 30 de agosto de 1969. O adversário foi o Caxias de Joinville. Torneio chamado "Vera Fischer" homenagem a então eleita Miss Brasil de 1969 - moradora do bairro Velha em Blumenau.
O Olímpico não foi só forte no futebol, mas também no amadorismo. A história de Waldemar Thiago de Souza confunde-se com a do atletismo catarinense. Nascido em 1926 , na localidade de Espinheiro (Ilhota), veio para Blumenau ainda jovem. Durante décadas foi o quase que imbatível atleta fundista de 5 mil e 10 mil metros. Representou Santa Catarina pelo Brasil, levando o nome de Blumenau além-fronteiras na década de 40 Ele representa todo o sucesso do Clube Grená no atletismo, como a família Belz , Paulo Zimmer, Mara Furmann e tantos outros.
Vídeo dos 3 gols de Rodrigues na final de 1964 - Narração Alvaro Correia e Edemar Annuseck

Para saber mais acesse : - “O Foot-Ball Club Blumenauense”.
Arquivo de Adalberto Day

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

- TV em SC completa 50 anos!

TV EM SANTA CATARINA COMPLETA 50 ANOS !
Por :Carlos Braga Mueller (foto) (Jornalista e ex-apresentador da TV Coligadas)
O pioneirismo em comunicações na cidade de Blumenau começou com a instalação da primeira estação de rádio no Estado: a PRC-4 Rádio Clube de Blumenau, nos anos trinta do século passado. Decorridos mais trinta e poucos anos, outro pioneirismo: a inauguração oficial, em 1º de setembro de 1969, do Canal 3 -  TV Coligadas de Santa Catarina, primeira emissora de televisão catarinense a emitir sinais locais para uma plateia que até então só recebia imagens de canais paranaenses ou gaúchos. A TV Coligadas passou por muitas mãos desde que foi inaugurada, mudou de nome, hoje é a NSC-TV Blumenau. Mas naquele longínquo sessenta e nove, quando o rock e a bossa nova faziam sucesso, foi a iniciativa de três ousados blumenauenses que proporcionou o surgimento da TV Coligadas: Caetano Deeke de Figueiredo, que na época era empresário do ramo de cinemas; Wilson de Freitas Melro; um dos proprietários da rede de emissoras de rádio conhecida como "emissoras coligadas de Santa Catarina", e Flávio Rosa, também sócio dessa rede. Logo veio juntar-se a eles Flávio de Almeida Coelho.
Tal ação era resultado de um trabalho hercúleo: a equipe para irradiar essas imagens tinha que enfrentar a tortuosa subida do Morro do Cachorro, onde o transmissor já estava instalado, e dali, numa pequena construção que abrigava os equipamentos, faziam a transmissão.
A imagem criada por Beto Fausel no final dos anos 60 mostra o logotipo da TV Coligadas, canal 3, de Blumenau. 
Mas em 1º de setembro de 1969 o estúdio instalado na Rua Getúlio Vargas, nº 32, no centro de Blumenau, tinha sido dotado de tudo o que uma emissora precisava; a programação havia sido contratada com uma rede que tinha apenas cinco anos de vida e havia sido batizada de Rede Globo; a equipe de apresentadores e técnicos estava afiada, depois de treinar durante trinta dias sem parar. Os noticiários e programas de variedades eram apresentados por gente nossa.
Os catarinenses puderam conhecer também os primeiros (e difíceis) anos da Globo, assistindo novelas e programas humorísticos que ficaram na história. Um ano depois, com a interligação de Blumenau à Embratel, outro pioneirismo: imagens diárias e ao vivo do Jornal Nacional.
Algumas curiosidades: a NSC TV Blumenau continua no mesmo endereço em que a Coligadas iniciou suas transmissões; a TV Coligadas foi a quinta emissora afiliada da então novata Rede Globo; as transmissões pouco a pouco foram se estendendo a todo o território catarinense através de mais de 100 repetidoras, e a TV foi considerada a "emissora da integração catarinense" porque era sintonizada desde o litoral até o extremo oeste; e um slogan que marcou na época foi a imagem desenhada de uma menina, que ficou conhecida como "a menina dos seus olhos".
Os mais velhos lembram, mas tudo ficou na saudade.

Nos meses que antecederam a inauguração, imagens podiam ser sintonizadas de vez em quando no canal 3, quando a emissora apresentava alguns "slides"  e na voz do saudoso locutor Carlos Xavier anunciava que estava no ar em caráter experimental.
Telejornal Garcia
Durante as experiências, o apresentador Jose Schreiber (foto) redigia a noticia do Repórter Garcia quando sua pauta vai ao chão, o câmera, ainda inexperiente e achando o abaixar do jornalista normal, seguiu-o e revelou muito mais do que se sabia, o apresentador de terno na parte superior usava um esportivo short e havaianas abaixo das câmeras
Telejornal Malhas Hering
O telejornal era apresentado por Carlos Braga Mueller, que tinha como acompanhantes José Reinoldo Rosembrock e Jesser Jossi nos esportes.
Arquivos: Carlos Braga Mueller/Adalberto Day/André Bonomini/Divulgação.  
Para saber mais sobre a TV – Coligadas Canal 3, acesse:
TV Coligadas:Pioneirismo e Aventuras

sexta-feira, 7 de junho de 2019

- Nicolao Day

Um ser humano do bem!
Foto de novembro 1994
Nascido na cidade de Brusque. na localidade (bairro) Bateas, em 25 de Abril de 1930, filho de Carlos e Izabel Day que tiveram 9 filhos:
Letra de Nicolao Day
José (faleceu com menos de 1 ano), Alberto, José, Olga, Hedvig,, Oscar, Nicolao, Catarina e Maria.
Nicolao Day em 1942 em Brusque com a cachorra "Diana"
Veio para Blumenau em 1948. Por uns tempos morou na Rua Emilio Tallmann, então Beco Tallmann. Logo em seguida foi morar em uma transversal da Rua Belo Horizonte (conhecida à época como rua do Pfiffer), residência de seu amado irmão Alberto Day, até casar em fevereiro de 1951, indo residir na Rua Almirante Saldanha da Gama – então bairro Garcia (Glória) onde permaneceu até seu falecimento em 08 de setembro de 1995.
No RJ na Aeronáutica
Certificado de Reservista: na cidade do Rio de Janeiro de 12 de novembro de 1948 até 13 de fevereiro de 1950.  Unidade onde serviu Quartel General da 3ª Zona Aérea
Augusta e Nicolao Day 1951

Casou-se em 21 de fevereiro de 1951 na Igreja Nossa Senhora da Glória, com Augusta Deschamps (Barz) Day (nascida em 09/10/1929 e falecida em 09/03/2017).
Tiveram 3 filhos: Dóris Day casada Seubert, Adalberto Day e João Carlos Day.
Antes de vir para Blumenau trabalhou nas empresas:
Indústria Têxtil Buettner S/A – 09/07/1945 até 22/09/1945. Função de passador de fios.
Indústria Têxteis Carlos Renaux S/A – 10/01/1946 até 26/06/1946. Servente de Fiação.
 
EIG - 1967 - e antiga Praça Getúlio Vargas
Lançadeira utilizada na Sala 16
Em Blumenau trabalhou na Empresa Industrial Garcia depois incorporada pela Artex em 15 de fevereiro de 1974 – Período 09/03/1948 até 28/12/1980. Funções: Auxiliar de Tecelão, Tecelão, Mecânico, Ajudante de Contramestre e por final Contramestre, na conhecida Sala 16 - Tecelagem.
 1965 - Bombeiros EIG
A Empresa Industrial Garcia mantinha uma equipe de bombeiros considerada uma das melhores de Blumenau, que prestaram relevantes serviços à comunidade não só do Grande Garcia, mas de toda Blumenau. Essa equipe de corpo de bombeiros era formada por funcionários da empresa, e que também residiam próximo as casas da própria empresa. O bombeiro era avisado pela sirene que tocava várias vezes e bem forte e, como moravam próximo a empresa, conseguiam ouvir até uma distância de 3 Km. O período de atuação dessa guarnição de bombeiros da Empresa Industrial Garcia, foi anterior a implantação da corporação de bombeiros de Blumenau, que iniciou suas atividades a partir de 13 de agosto de 1958.
Muito organizada, a corporação de Bombeiros da E.I. Garcia atuou de 1929 a 1974, quando da incorporação pela Artex S/A, sendo esta a mais antiga organização de corpo de bombeiros de Blumenau, e não como consta no Livro “ACIB 100 anos construindo Blumenau” ao dar referências a antiga Fábrica de Gaitas Alfredo Hering como sendo a pioneira. Eu tinha muito orgulho de ter o meu pai, Nicolao Day (primeiro em pé no FORD, de braços cruzados), como um dos bombeiros voluntários da empresa, atividade muito importante para a sociedade.
Entre os sinistros que acompanhei e ainda me lembro, foi o da antiga Prefeitura de Blumenau em novembro de 1958, da vizinha empresa Artex em 26 de dezembro de 1964 e outras casas de toda região do Garcia e Blumenau.
 26 dias após Nicolao faleceu
Como já descrito, desde seu casamento em 1951, morou na Rua Almirante Saldanha da Gama – a primeira transversal a direita da Rua da Glória em casas populares produzidas pelos próprios funcionários da Empresa Industrial Garcia. Em 1967 a EIG vende as casas aos seus colaboradores. Todas eram equipadas com saneamento básico e água encanada, com coleta de lixo duas vezes por semana.
Casas populares da EIG - e onde morou Nicolao e família
A nova e definitiva casa desde 1987 
Em 1987 incentivado pelos filhos, constrói a casa de seus sonhos. Dizia ele, “sinto-me rico em ter essa casa”. Na realidade dizia isso pois teve uma infância pobre, mas digna, a casa tinha 89 m².
Considerado amigo, conselheiro dos empregados, correto, honesto e amigo da comunidade. Criativo, incentivador, colaborador. Lembro-me que meu pai sempre com sua bicicleta (quando falamos dele todos lembram ele pedalando), visitava seus amigos. Poderia citar muitos, mas prefiro não o fazê-lo pois não saberia mais o nome de todos.
Um dos grandes orgulhos que eu nutria por ele, foi que com todos que conversei, falaram sempre bem a seu respeito. Comigo foi meu pai herói, que educava com poucas palavras, atitudes, exemplos e com o olhar.
Sempre procurava ensinar com muita educação sem proferir algum tipo de palavra de baixo calão.
Era muito revoltado com a situação das desigualdades sociais no Brasil.

Divertimento tinha poucos, era pacato, gostava de pescar, caçar (na época era “cultura”? deixou de praticar logo que foi proibido), adorava filmes de faroeste, músicas sertanejas, ouvir noticiários. Assistir jogos do Amazonas Esporte Clube. Comigo jogou muito futebol em um pequeno gramado, e as vezes dentro de casa mesmo.
Adorava os netos (as). Era amoroso e afetivo.
Adorava uma boa feijoada, saladas, aipim, churrasco, torresmo, linguiça, morcilha, amendoim, pão caseiro que assava, goiabas, pitangas. Araçás.
Faleceu de câncer nos intestinos aos 65 anos.

Futebol
Em 1949/50 ao assistir um jogo no estádio Vasco da Gama, mais conhecido como São Januário, apaixonou-se pelo Clube de Regatas Vasco da Gama, então Bicampeão Carioca e melhor time do Brasil, além de ter o maior estádio.
Time base do Vasco: Barbosa, Augusto, Laerte, Eli, Danilo e Jorge; Alfredo, Tesourinha, Ipojucan, Ademir Meneses, Maneca, Dejair, Chico.
Em Blumenau torcia pelo Amazonas Esporte Clube de Tillmann, Nino, Ziza, Jepe, Malheirinho, Meyer, Arlindo Eing, Dico, Boião, Rizada, Oscarito, Nicassio, Bigo,
Também gostava do G.E. Olímpico de Nicolau, Mauro, Paraná, Honório, Joca, Rodrigues, Quatorze ...

Em 1948 meu pai Nicolao Day (1930-1995) veio procurar emprego na Empresa Industrial Garcia (1948 até 1951 - neste período foi acolhido pelo seu irmão Alberto.  Fato este e outros meu pai nutria um carinho especial pelo irmão e em sua homenagem colocou meu nome de AdAlberto Day
Texto , pesquisas, fotos de Adalberto Day
História de seu irmão Alberto:

terça-feira, 14 de maio de 2019

- Vou-me embora pro passado

Vou-me embora pro passado
No passado, presente ou futuro sempre minha amada cidade de Blumenau
Passado e presente ou futuro  é agora, neste instante. Você é que determina o tempo.
Lá sou amigo de dr. Blumenau! do Fritz Muller! Dos Hering!  do Grevsmuhl! dos Hering!
Lá tinha a maior e primeira empresa Têxtil de Blumenau a Empresa Industrial Garcia do ramo Têxtil.
Lá tem coisas "daqui, ó!" tem o Trem Macuca, os Vapores Progresso, Lourenço e Blumenau.
Tem os Clubes Amazonas, Blumenauense/Olímpico, Brasil/Palmeiras/BEC. Bom Retiro, Vasto Verde, Progresso, Canto do Rio, Horizonte e Guarani. Têm até o Campinho do 12, ou Morro, lá Tem as Festas Juninas produzidas pelo José Henrique Pera.
Lá tem a "Ponte Preta" no Kroba e o Majestoso Hotel Holetz.
Lá tem o Tapume do Ribeirão Garcia no Beco Tallmann.
Tem clubes de Caça e Tiro e o bairro da  Velha onde nasceu Vera Fischer e a FAMOSC
Lá tem Gibis Roy Rogers, Buc Jones; Rock Lane, Dóris Day.
Vou-me embora pro passado.
Vou-me embora pro passado porque lá, é outro astral
Lá tem carros Vemaguet; Jeep Willes, Maverick; tem Gordine, tem Buick; tem Candango e tem Rural.
Lá dançarei Twist; Hully-Gully, Iê-iê-iê
Lá é uma brasa mora!
Lá ouço O “Pick-up da frigideira”, ,antigamente era assim, Marcha do Esporte
Só você vendo pra crê. Assistirei Rim Tin Tin; Ou mesmo Jinne é um Gênio. o Túnel do Tempo, Vestirei calças de Nycron ; Faroeste ou Durabem; Tecidos sanforizados Tergal, Percal e Banlon; Verei lances de anágua; Combinação, califon.
Escutarei Al Di Lá; Dominiqui Niqui Niqui
Me fartarei de Grapette nas farras dos piqueniques.
Vou-me embora pro passado
No passado tem Moleque Saci, Jerônimo, aquele Herói do Sertão.
Tem Coronel Ludgero com Otrope em discussão. Tem Mazzaropi e Tonico e Tinoco.
Tem passeio de Lambreta, de Vespa, de Berlineta; Marinete e Lotação.
Quando toca Pata Pata; cantam a versão musical; "Tá Com a Pulga na Cueca"
E dançam a música sapeca; Ô Papa Hum Mau Mau.
Tem a turma prafrentex; cantando Banho de Lua.
Tem bundeira e piniqueira dando sopa pela rua
Vou-me embora pro passado
Que o passado é bom demais!
Lá tem meninas "quebrando" ao cruzar com um rapaz, elas cheiram a Pó de Arroz, da Cashemere Bouquet; Coty ou Royal Briar; colocam Rouge e Laquê, english Lavanda Atkinsons; ou Helena Rubinstein; Saem de saia plissada; ou de vestido Tubinho; com jeitinho encabulado; flertando bem de fininho.
E lá no cinema Busch, Blumenau, Mogk, Garcia, Atlas, se vê broto a namorar de mão dada com o guri, com vestido de organdi, com gola de tafetá. Tem também o Sr. Russo pra consertar nosso rádio a pilha Sharp e Mitsubishi.
Os homens lá do passado só andam tudo tinindo de linho Diagonal; camisas Lunfor, a tal!
Sapato Clark de cromo ou Passo-Doble esportivo ou Fox do bico fino.

De camisas Volta ao Mundo.
Caneta Sheafers no bolso; ou Parker 51.
Só cheirando a Áqua Velva; a sabonete Gessy; ou Lifebouy, Eucalol e junto com o espelhinho Pente Pantera, Carioca, ou Flamengo e uma trunfinha no quengo cintilante como o sol.

Tem Alvarenga e Ranchinho; tem Jararaca e Ratinho aprontando a gozação, Tonico e Tinoco
Tem Long-Play da Mocambo mas Rosenblit é o bom
Tem Albertinho Limonta ;tem também Mamãe Dolores, Marcelino Pão e Vinho
Tem Bat Masterson, tem Lesse,Túnel do Tempo, tem Zorro, Tarzan, não se vê tantos horrores.
Lá no passado tem corso, lança perfume Rodouro, Geladeira Kelvinator
Tem rádio com olho mágico, ABC a voz de ouro.
Se ouve o programa do Zé Betio, Carlos Galhardo, Orlando Silva, Francisco Alves, Nelson Gonçalves, Dolores Duran,
 em Audições Musicais, Piano ao cair da tarde
Cancioneiro de Sucesso, tem também Repórter Esso com notícias atuais.
Tem petisqueiro e bufê junto à mesa de jantar, o picolé do "Mirelo" tem o Tapume, O Menino Santo (o povo era enganado) .... Tinha a História do caso Waldemar Fachner, nunca solucionado, será porquê ... o assassinato ocorreu em 21 novembro 1967 no bairro Progresso Blumenau 
 Tem bisqüit e bibelô, tem louça de toda cor, Bule de ágata, alguidar
Se brinca de cabra cega, de drama, de garrafão Camoniboi, balinheira
De rolimã na ladeira, de rasteira e de pinhão.
Lá, também tem radiola de madeira e baquelita
Lá se faz caligrafia pra modelar a escrita

Lá se joga pião na rua, brinca-se de "Papai-mamãe" de médico , Bolinha de gude, de bilboquê 
Lá tem cada prima que oh!
Se estuda a tabuada de Teobaldo Miranda ou na Cartilha do Povo
Lendo Vovô Viu o Ovo, e a palmatória é quem manda.
Tem na revista O Cruzeiro a beleza feminina e Revista do Esporte
Tem misse botando banca com seu maiô de elanca o famoso Catalina
Tem cigarros Yolanda, Continental e Astória
Tem o Conga Sete Vidas, tem brilhantina Glostora
Tem Chacrinha e as chacretes.
Tem o programa do Jota Silvestre, Silvio Santos, Flávio Cavalcanti
Se ouve radialistas esportivos, Valdir Amaral, Jorge Curi, Doalcei Bueno de Camargo, Rudolfo Sestrem, Jeser Josi, Tesoura Jr., Amauri Pereira, Luciano Silva.
Escovas Tek, Frisante. Relógio Eterna Matic com 24 rubis pontual a toda hora
Se ouve página sonora na voz de Ângela Maria.
"— Será que sou feia?
— Não é não senhor!
— Então eu sou linda?
— Você é um amor!..."
Quando não querem a paquera Mulheres falam: "Passando, que é pra não enganchar!"
"Achou ruim dê um jeitim!"
"Pise na flor e amasse!"
E AI e POFE! e quizila mas o homem não cochila passa o pano com o olhar
Se ela toma Postafen que é pra bunda aumentar, Ele empina o polegar faz sinal de "tudo X" e sai dizendo "Ô Maré!
Todo boy, mancando o pé insistindo em conquistar.
No passado tem remédio pra quando se precisar.
Lá tem Doutor de família que tem prazer de curar
Lá tem Água Rubinat, Mel Poejo e Asmapan, Bromil e Capivarol, Arnica, Phimatosan, Regulador Xavier
Tem Saúde da Mulher
Tem Aguardente Alemã
Tem também Capiloton
Pentid e Terebentina
Xarope de Limão Brabo, e o capilé
Pílulas de Vida do Dr. Ross
Tem também aqui pra nós uma tal Robusterina a saúde feminina.
Vou-me embora pro passado
Pra não viver sufocado
Pra não morrer poluído
Pra não morar enjaulado
Lá não se vê violência
Nem droga nem tanto mal
Não se vê tanto barulho
Nem asfalto nem entulho
No passado é outro astral

Se eu tiver qualquer saudade escreverei pro presente, e quando eu estiver cansado da jornada, do batente, terei uma cama Patente, daquelas do selo azul, num quarto calmo e seguro onde lá descansarei.
Lá no passado "nóis" era chique, tinha Império (monarquia, D.João VI que fugiu de Portugal, tinha os filhos D. Pedro I (que proclamou a nossa Independência, será?, tinha o filho dele D.Pedro II (que mais parece nas fotos pai do D. Pedro I) tinha a princesa Isabel que libertou os escravos ...
Lá sou amigo do rei Pelé, do Zico, do Roberto Dinamite, do prefeito e do governador
Sou até meio parente do ditador Getúlio Vargas, e muitos acham que foi o presidente dos pobres, que fez muita coisa, ficou quase 19 anos ... alguma coisa ele fez, também o Brasil estava 200 anos atrasado ...
Lá no passado conversei com o "Lula" que disse que iria melhorar o país, "ledo engano"
Lá tem as Torres Gêmeas
Lá, tem muito mais futuro

No presente e futuro "Latinha"
Vou-me embora pro passado
Texto baseado em Jessier Quirino é paraibano de Campina Grande, arquiteto por profissão, poeta por vocação. É o autor dos livros "Paisagem de Interior", "A Miudinha", "O Chapéu Mau e O Lobinho Vermelho" "Agruras da Lata D'Água", "Prosa Morena - acompanha um CD com gravações de alguns poemas", "Política de Pé de Muro" e "A Folha de Boldo - Notícias de Cachaceiros", além de cordéis, causos, musicas e outros escritos. 
Imagens Adalberto Day

quarta-feira, 17 de abril de 2019

- A Escola da Vida

MINHA VIDA PROFISSIONAL
ADALBERTO DAY
CIENTISTA SOCIAL, PESQUISADOR E PROFESSOR.
Faço um breve relato da minha infância e parte da vida profissional.
Aprendi desde criança com meus pais e avós a ter bons hábitos, trabalhos caseiros, bons costumes. Uma verdadeira lição de vida! Muitos ao lerem esta crônica sentir-se-ão inseridos no contexto.    
Hoje olho para trás e vejo que os problemas eram, na verdade, os degraus para me levar à vitória. Então concluo que minhas sequelas, são os troféus de minha vitória.
Garcia                   Artex                            Souza Cruz
Revista Manchete de Outubro de 1966 -  Colaboração Guenter Georg

           1968-1992
Fui criado e educado aprendendo a obedecer, respeitar, e servir.
Este era o ambiente familiar em toda comunidade que era cooperativa, prestativa, e em sua maioria trabalhava nas Indústrias do bairro Garcia, a Empresa Industrial Garcia, Artex, e Souza Cruz. Meus bisavós vieram da Alemanha, tanto do lado paterno (Day) como materno (Deschamps), e estabeleceram-se  inicialmente em Brusque e Gaspar respectivamente. Porém as origens dos meus antepassados são Ingleses (com pezinho na Irlanda) e Franceses. 
          Um jovem ao ingressar em uma empresa deveria ter todas as qualidades citadas, de preferência deveriam ser “alienados nos processos políticos, religiosos, e da realidade do mundo”. Criava-se a mentalidade de servos e quem fosse despedido ou recebesse carta branca (nome dado a quem fosse demitido), era considerado pela comunidade mau caráter, elemento "vagabundo", pessoa por vezes não grata. Saber que um cidadão perdeu seu emprego era coisa de “outro mundo”.
     Imbuído deste espírito ou princípios “básicos de qualificação”?, ingressei em 05/07/1968 na Empresa Industrial Garcia, no setor de expedição, faturamento, vendas e a partir de 1971 em recursos humanos. Foram anos de plena ditadura militar, inclusive os ex presidentes Castello Branco, Ernesto Geisel, Figueiredo, Ministro Delfim Netto, visitaram o bairro Garcia/Progresso
           Para muitos uma fase de crescimento tecnológico e de nação perante o mundo. Para outros uma fase negra da história do Brasil. Cabe a cada cidadão analisar sem ranços políticos. Minha concepção ditadura existiu antes e pós-militares, a tal ditadura “Branca”. Muitos não sabem usar a democracia achando ser anarquia e assim o caos social se estabelece.
Assistencialismo
Tínhamos assistência médica e odontológica, creche, cursos de alfabetização e um excelente centro de treinamento, a melhor praça esportiva até o final da década de 60 (Séc. XX) do estado de Santa Catarina, o Amazonas Esporte Clube.
Nesta praça esportiva eram realizados vários tipos de modalidades esportivas, atletismo, basquete, vôlei, ciclismo, futebol e outros. Também eram realizadas anualmente festas, como comemoração do dia do trabalhador com diversas atrações e sorteio de bicicletas e outros prêmios tanto para funcionários como também seus filhos, festa junina, e festa natalina sempre com presentes a todos empregados e filhos.
Boa parte dos colaboradores moravam em casas produzidas pelos próprios funcionários da marcenaria, com toda infraestrutura, coleta de lixo feito pela Empresa Industrial Garcia e saneamento básico, pagando um aluguel simbólico (centavos). Depois estas casas (a partir de 1966) foram vendidas a preços razoáveis aos empregados que então começaram uma nova fase de reformas pinturas e até os primeiros comércios começam a aparecer, como a loja Prosdócimo em 1967 na casa do Sr. Edelui Massaneiro, e Calçados Hass em 1971 na residência do Sr. José de Oliveira. Também existia a cooperativa dos empregados, onde os funcionários podiam comprar, e ser descontado em seu próprio holerite (envelope de pagamento).
Os empregados recebiam 2 kg de retalhos por “Zero Faltas” assiduidade ao trabalho.  Nas calamidades as duas empresas Artex e Garcia sempre foram muito prestativas aos seus colaboradores, exemplo foram a enchentes de 1983/84 e várias  enxurradas no Grande Garcia.
O tempo passa ... última volta do ponteiro
          O tempo passava e percebia que os fatos mencionados não eram bem assim, o próprio sistema organizacional divergia de ideias melhores para o bom desenvolvimento interno nas empresas. Constatei que nem sempre aqueles que conseguiam uma posição melhor profissionalmente eram os mais capazes, os mais qualificados ou inteligentes, mas sim em muitos casos os pelegos e alienados da vida cotidiana e que viviam prejudicando os colegas  e atropelando seu semelhante que se destacava, como também algumas famílias de nomes conhecidas da região que tinham seus "privilégios".
Eram realizados avaliações de cargos, muitas vezes por pessoas despreparadas e anualmente, quando deveria ser diariamente. Nessas avaliações nem sempre prevalecia a verdade, pois o avaliador com receio de perder o seu cargo, fazia uma avaliação duvidosa.
Nos testes de promoções vários concorriam, mas nem sempre o melhor era promovido, já existia o "candidato preferencial", apenas dava-se oportunidade aos demais para que o mesmo “participasse”, e pensasse que era inferior ao “vencedor ”.
Como trabalhava em Recursos Humanos, tinha acesso a esse tipo de informações, não sendo surpresa para muitos funcionários que desconfiavam e comentavam essa prática enganosa.
          Procurava sempre colaborar com meus “superiores” e colegas de trabalho, na expectativa de conseguir melhores posições profissionais. Principalmente a partir da incorporação da Empresa Industrial Garcia a Artex em fevereiro de 1974, exercia uma posição intermediária entre a chefia e colegas de trabalho, era o “coringa” que ensinava e substituía todos inclusive a chefia, e como trabalho principal Orientador Ocupacional.
          Em algum momento fui considerado líder negativo, por ter pensamentos sociais diferentes do empregador, e que não “vestia a camisa” (se não vestia é por que não me davam para vesti-la) claro que isso não é verdade, pois em 25 anos de empresa, muito colaborei e fui correto com meus superiores. Os anos iam se passando e cada vez mais me decepcionando, mas com esperanças.
Fusão Artex/Garcia em 1974
Fusão: o começo do fim
Acompanhei a fusão das duas empresas Artex e Garcia.
Na Empresa Industrial Garcia, o Sr. Ernesto Stodieck Jr. Que trabalhou de 1940 até 1967, teve uma liderança e conseguiu um grande impulso para o desenvolvimento não só da empresa como também da comunidade (anteriormente João Medeiros Jr. foi um grande diretor da EIG.  fundador da PRC 4 Rádio Clube de Blumenau e Radioamadorismo em Santa Catarina). Stodieck colaborou  na construção da Igreja Nossa Senhora da Glória e do Grupo Escolar São José (atual Celso Ramos) na Rua da Glória, como também a construção em maior escala a partir de 1941 de novas casas populares (ultrapassando a 240 unidades), tal como foi Gustav Roeder, e o os pioneiros desta grande organização Johann Henrich Gresvmuhl, Johann Gauche e August Sandner. O Suíço Otto Huber, foi um dos grandes colaboradores da EIG, Foi dele a modernidade em edifícios com três pavimentos que trouxe da Europa e  pôde implantar na empresa e cobrir com telhados as instalações. Sim de telhados tradicionais, já que desde a fundação em 1868 até 1926, para economizar energia elétrica, os telhados da empresa eram de vidros resistentes. 
    Na Artex com a fusão boa parte dos  empregados da Empresa Industrial Garcia, passaram por “humilhações” com poucas perspectivas de sucesso profissional, muitos foram demitidos ou solicitaram desligamento. Fizeram questão de aterrar para sempre o magnifico estádio do Amazonas (a partir de Abril de 1974), e acabar com o clube em janeiro de 1975.
       Além dos pioneiros Otto Huber que trabalhou por mais de 30 anos na Empresa Industrial Garcia, Theóphilo B. Zadrozny (nascido na Polônia e não Brusque como muitos pensam)  e Max Rudolf Wuesch que também trabalhou na E.I Garcia por 20 anos, a família Zadrozny (Arno, Carlos Curt, Júlio, Norberto Ingo) souberam erguer a maior industria têxtil da América latina. 
Arno Zadrozny estava sendo preparado para substituir seu pai Theóphilo no comando da organização, porém faleceu prematuramente no dia 26 de dezembro de 1965 aos 45 anos. Com isso seu irmão Carlos Curt Zadrozny foi o preparado para assumir.
Mas quando chamaram diretores técnicos para administrar a empresa, e com a implantação do sistema rodízio a partir de 1984, a empresa começou sua fase de declínio no cenário nacional e mundial. Na época o sistema rodízio foi implantado para aumentar a produção e a criação de novos empregos, era visto como uma boa alternativa para o momento difícil que passava o setor econômico nacional. Deveria ser temporário, mas não foi. Ao contrário que os diretores da empresa pensavam, nunca fui contra o sistema, mas avaliava a situação como caótica para a organização. Muitos empregados se revoltaram, igreja e comunidade em geral.   Boa parte dos empregados insatisfeitos solicitaram demissão da empresa. No mês de dezembro de 1986, 110 empregados qualificados solicitaram demissão e em janeiro de 1987 mais 107 fizeram o mesmo. Um número recorde em nossa cidade de Blumenau e Santa Catarina. Imagine uma empresa perder 217 funcionários em sua maioria altamente qualificados, o “baque” que isso proporcionou. Vários desses cidadãos que solicitaram a demissão ou se estabeleceram por conta própria com enorme sucesso, ou ingressaram em outras empresas, que os receberam de braços abertos pela experiência profissional. Infelizmente neste período a Artex teve dificuldades de contratar bons profissionais que não queriam trabalhar na organização.

“O empregado que não faltasse o mês todo recebia uma compensação financeira e até alimentícia, 15% a mais em seu contra cheque, se faltasse um dia sem justificativa 5% e se as faltas ultrapassem dois dias, não recebia nenhum beneficio”.
Outros que permaneceram foram cumpridores de seus deveres, mas sempre no aguardo de uma solução conciliatória entre as partes. No entanto boa parcela dos colaboradores agiu com desprezo para com a empresa, não produzindo com boa qualidade, danificando materiais, faltas em excesso, causando sérios prejuízos à corporação. Em 1986 (cinquentenário da empresa) foi construído uma piscina semiolímpica e um grande complexo esportivo, para lazer dos empregados, mas nada desses benefícios foram suficientes para amenizar o descontentamento de quem trabalhava nesse sistema. Mesmo assim os problemas de qualidade e assiduidade continuaram. Na intenção de “forçar” o empregado a aceitar, o assistencialismo foi enorme, em datas comemorativas exemplo dia das mães das mulheres, eram oferecidas nas igrejas (Nossa Senhora da Glória, Santa Isabel e Santo Antônio) rosas a cada mãe ou mulher. Mas não era isso que cada família queria, para elas o dia “Sagrado de domingo” deveria ser mantido. E assim também pelo Natal, Páscoa e outros.
Associação Artex
Toda esta situação fez com que a Artex, declinasse ainda mais no cenário nacional e mundial, na sua posição de maior empresa da América Latina no ramo Têxtil.
A Greve
“Em 12 de março de 1989, deflagrou-se uma grande greve dos trabalhadores têxteis, culminando com uma passeata do centro até a empresa Artex, quando então, os trabalhadores não só da Artex, mas de todas as indústrias, solicitaram o término do sistema rodízio, como também melhores salários.”.  
Esta greve perdurou até dia 19 de março, quando houve um esfriamento (Continuou mais dois dias) justamente em um dia que houve um jogo importante entre Blumenau e Figueirense, os grevistas em boa parte foram assistir o jogo.
Trabalhadores  em plena rua Amazonas em massa dirigindo-se para frente dos portões da Artex - Foto:  CHARLES SCHWANKE
É bom salientar que nesta época, o Presidente do Sindicato Têxtil Osmar Zimmermann, tinha recém assumido a presidência em fevereiro de 1989, e diante de tamanha multidão mais de 10 mil em frente ao sindicato, não restou alternativa a não ser dar apoio à greve em assembleia realizada na oportunidade. Também na época os salários eram melhores que nos anos 90 e no inicio dos anos 2000, o motivo principal foi salários baixos em algumas empresas, e devido ao sistema rodízio. Os empregados retornaram ao trabalho e receberam menos de reposição salarial que o oferecido ou previsto pelos empresários.
Plebiscito
Com a greve, a Artex, permitiu que o sindicato realizasse um plebiscito para saber da continuidade ou não do sistema rodízio. Este plebiscito teve como resultado, o fim do sistema, já que a maioria dos empregados votou contrario a continuidade.   
 Na realidade sou sabedor que a empresa iria acabar com o sistema rodizio e o plebiscito foi o estopim, amenizando o impacto dos comentários as demissões necessárias com a desativação do sistema.
Consequência
Mais de 450 empregados perderam o emprego, durante os meses de março e abril de 1989, (no final de 1988, com a desativação da Fiação FIGA e FIBLU, mais de 800 empregados foram desligados da corporação) trazendo grande prejuízo não só à empresa, mas deles próprios e de toda a comunidade. Em 14 de outubro de 1990 houve uma grande enxurrada em todo o Garcia, que também atingiu violentamente o parque fabril da Artex, causando enormes prejuízos onde balançou com a estrutura econômica da empresa.
     Em setembro de 1994 a família Zadrozny perde o controle acionário da empresa, que  é vendida para o grupo GP Investimentos (Garantia Partners- sócios do Banco Garantia), lavrado em ata em 28 de abril de 1995, desaparecendo o nome Fabrica de Artefatos Têxteis S/A .ARTEX – para então somente ARTEX S/A . Em 01 de junho de 2000, a empresa é novamente vendida desta vez ao Grupo Coteminas - e doravante a empresa passou a possuir uma nova razão social passando a denominar-se Toália S/A - Indústria Têxtil . - Filial da Empresa Toália de João Pessoa – Paraíba, mas ainda com participação do grupo Garantia. A ex empresa Artex S/A muda de razão social para atender interesses próprios e de seus acionistas, com o nome de Kualá S/A em junho de 2000. E finalmente em 09 novembro de 2001, o grupo Garantia, sai do controle acionário, e a empresa adota o nome de COTEMINAS – Companhia de Tecidos Norte de Minas. E finalmente em 06 de janeiro de 2006, COTEMINAS S/A.
Este é um pequeno relato de alguém que colaborou, tinha raízes, pois morava próximo a empresa (60 metros), atualmente como cientista social e pesquisador da história, preservo a história do bairro e das duas empresas, por carinho, gratidão e necessidade de um resgate histórico do grande Garcia, pois a empresa desativou todo acervo magnífico que possuía. Posso dizer que sinto orgulho de ter trabalhado nestas duas empresas que foram uma grande Escola da Vida e me projetar como cidadão.
          Por divergências de opiniões e pensamentos, preferi negociar meu desligamento em 03/12/1992, sem mágoas  a organização (por mais que aqui possa transparecer - lembrando sempre que sou pesquisador e cientista social) por isso preservo um acervo particular de um resgate histórico que começou, por volta de 1960, podendo dizer com orgulho que essas duas empresas, foram à alavanca para o progresso não só do bairro como também de Blumenau.
          1993 - dias atuais
Então fui lecionar, encontrei pessoas que me apoiaram, direção, comunidade, alunos, fui muito  bem recebido, apesar do descaso das autoridades com o ensino. Adorei ser professor de História, Filosofia, Geografia, Sociologia no ensino médio e fundamental, um cargo digno. Sinto muito orgulho de ainda ser chamado de “Professor”.
Trabalhei com palestras de Motivação Profissional e elaborando planilhas e apostilas para vários palestrantes ... Bons tempos.
Hoje aposentado profiro palestras (a partir de 2012 com problemas sérios de saúde, comecei a diminuir minhas atividades) sobre história de Blumenau e em especial do Grande Garcia, em Universidades, entidades de ensino em geral, 23 BI, turismo, empresas. A própria empresa que me demitiu, me contratou para palestras, mostras e outros, mostrando o reconhecimento do trabalho que desenvolvia.
Trabalho com pesquisas, dou entrevistas em rádios, TVs, participo de trabalhos desde graduação até doutorado/mestrado, escrevo para diversos livros e revistas, como também jornais. Já participei de vários vídeos, seriados e outros. 

Blumenau, Janeiro de 1993 – com inserções em 2001 , 2003 e alguns adendos em 2014 , 2015 e 2019.
Atenciosamente
Adalberto Day/Cientista social e pesquisador da história.
Arquivo de Dalva e Adalberto Day 

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