“A Educação é a base de tudo, e a Cultura a base da Educação”

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quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

- Catedral de Blumenau é cartão Postal

- Catedral São Paulo Apóstolo lota em missa de Padre Bachmann – 22 de fevereiro 2008 – foto Jandyr Nascimento. - A Igreja Matriz São Paulo Apóstolo atual Catedral, é cartão postal principalmente após a conclusão da obra da Torre - inaugurada em 01 de junho de 1963.

Torre
As pedras de " Pórfiro Rosado " ( ditas granito rosa) com que foi edificada a Torre e a Catedral São Paulo Apóstolo, além do muro na rua Padre Jacobs,  em Blumenau, vieram sim de ¨ TREM ¨ , provindas da lavra de cantaria no Morro da Subida entre Apiúna e Lontras no Vale do Itajaí onde foram talhados os blocos nas medidas previamente definidas.
Lavrar um bloco de granito porfírico demanda muito maior trabalho do que uma execução em granito comum- claro ou escuro- tais como os usuais paralelepípedos de pavimentação de ruas, em razão da massa daqueles conter grande quantidade de cristais que, ao ser talhada a pedra, não racha, facilmente, em sentido retilíneo. As superfícies obtidas no primeiro ¨talhe¨ ( Corte à ponteira por rachadura) requerem exaustivo picoteamento milimétrico em virtude de apresentarem-se muito ásperas e com saliências disformes, o que não  acontece com o granito comum.
Niels
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Padre João Bachmann assume a Catedral Diocesana do centro
- Desde que o Padre. João Bachmann foi transferido do santuário nossa senhora aparecida, do bairro Itoupava Norte para a catedral diocesana, no centro da cidade de Blumenau, podemos testemunhar o carinho, o carisma, que ele transmite a toda comunidade. A Catedral sempre lotada, chegando a tomar todas as dependências da Igreja, em um número aproximado de quatro mil pessoas. Ser um padre tão popular não o incomoda, pois é sabedor dessa importância não só para ele, mas para toda a Igreja Católica principalmente. Nada melhor para a comunidade católica, justamente no ano em que a Nova Catedral São Paulo Apóstolo completa cinqüenta anos, ter a presença do Padre João Bachamnn que leva multidões, por onde passa. A Primeira missa celebrada pelo Padre Bachamnn na Catedral, foi no dia 03 de fevereiro de 2008. O Bispo da Catedral é atualmente Dom Angélico Sândalo Bernardino, que permanecerá até ser escolhido um novo Bispo, devido sua aposentadoria.
História :
- A nova Igreja (data oficial de inauguração 25 de janeiro de 1958) substitui a primeira igreja, de 1876 construída em estilo gótico.
A atual Catedral foi construída com pedras de granito vermelho, a majestosa catedral apresenta um novo conceito arquitetônico para igrejas católicas. Projetada por Gotfried Boehm (faleceu aos 101 anos dia 10 de junho de 2021), a construção da nova igreja foi executada pelo Frei Brás Reuter, que colhia donativos da comunidade para dar continuidade às obras. Com a construção da nova igreja, a popular torre em forma de cruz foi substituída pela torre dos sinos e relógios. A torre de pedra tem 45 metros de altura e abriga três sinos e relógios. Novos sinos foram então adquiridos, mas só puderam ser instalados em 1963, após o término das obras da nova torre.
Observação: O senhor RUFINO TOMASI, foi um dos responsáveis para que tudo isso se tornasse possível. Ajudou a construir os blocos de granito, desde os mais simples até os mais difíceis.
Obs: Órgão da Igreja Matriz São Paulo Apóstolo.
Se foi inaugurado em 1927 deve ter vindo (não é certo) pelo vapor Blumenau desde o porto de Itajaí e descarregado em Blumenau no porto que ficava nos fundos da Praça Hercílio Luz.

Segundo o historiador José Ferreira da Silva, em seu livro "História de Blumenau" (Editora Edeme - Fpolis),  à páginas 290 e 291:

"Na festa da Assunção de 1926, completadas as obras (reforma da igreja) foi o templo novamente consagrado pelo Bispo de Florianópolis, com grande solenidade.
No ano seguinte (1927) a matriz foi dotada de grande órgão, com que as festividades litúrgicas adquiriram mais brilho."

(Observação: Nessa década - anos 20 do Século XX, a igreja recebeu duas capelas laterais, nova sacristia e a torre foi modificada para comportar os novos sinos, inaugurados em 18 de junho de 1928).

Segundo Frei Estanislau Schaette, no livro "Centenário de Blumenau", a página 432:

"Em 1927, na Páscoa, inauguração do órgão da matriz, adquirido por Frei Gabriel Zimmer."

Na biografia de Frei Gabriel Zimmer, também no livro do Centenário de Blumenau:

"Frei Gabriel Zimmer dirigia o côro da matriz e deu-lhe fama, de maneira que os cantores de Blumenau eram convidados a cantar em Florianópolis nas grandes solenidades. mas faltava um órgão na matriz. Não demorou e estava montado".

Carlos Braga Mueller

Jornalista
Arquivo Adalberto Day e Dalva Day – Jornal de Santa Catarina

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

- O HOTEL HOLETZ E SUA ESTRATÉGIA DE DIVULGAÇÃO

Hoje tenho a satisfação de apresentar mais um belo relato do amigo Wieland Lickfel, sobre o antigo e majestoso Hotel Holetz.
O Hotel Holetz, para os padrões da época em que foi inaugurado, em 1902, foi uma edificação majestosa, imponente, especialmente se considerada a juventude do então núcleo urbano do município de Blumenau e sua ainda precária infra-estrutura de acesso e transportes. Demolido em 1959 com o objetivo de ceder espaço ao então considerado dos mais modernos hotéis do Brasil, o Grande Hotel Blumenau, assim como aconteceu com muitos outros empreendimentos e monumentos arquitetônicos que por longos anos marcaram a paisagem urbana de Blumenau e deixaram de existir, praticamente não é referência às gerações mais jovens. Para o historiador e escritor Theobaldo Costa Jamundá (1914-2004), o seu desaparecimento criou uma lacuna impossível de ser preenchida. Para ele, o hotel constituía “a própria fotografia do caráter da cidade” (JAMUNDÁ, 1977) e o progresso, ao impor o seu desaparecimento, do ponto de vista da perda do testemunho cultural, exigiu desta o seu mais alto preço.
Suas origens remontam ao século XIX e possivelmente o registro iconográfico mais antigo ao qual temos acesso seja o abaixo, uma aquarela (1) sobre a qual aparece o nome de Maurício Holetz (o imigrante Moritz Holetz aqui chegado em 1854) juntamente com a indicação do ano que a imagem deseja retratar: 1879.

Residência dos Holetz no início da Rua Richard Hoketz, bairro Bom Retiro.
Nas décadas de 1880 e 1890 Moritz Holetz já oferecia hospedagem aos viajantes em sua propriedade (SILVA, 1960), com frente para a atual Alameda Rio Branco e a Rua 15 de Novembro, e tendo aos fundos o Ribeirão Garcia. O negócio hoteleiro parecia ser a vocação da família Holetz e, anos mais tarde, em 1902 (KORMANN, 1996?), esta inaugurou o empreendimento hoteleiro que foi marco arquitetônico em nossa cidade por quase sessenta anos. Não sem razão foi constantemente citado nas memórias e relatos de viagem de imigrantes recém-chegados e viajantes que nele se hospedaram ou apenas o vislumbraram. A fotografia (2) abaixo, da década de 1950, permite observar como o hotel se destacava na paisagem do centro da cidade. Estrategicamente bem localizado, nas proximidades do porto ao qual chegavam os vapores, e na entrada da cidade para que utilizasse o acesso terrestre entre Itajaí e Blumenau, era facilmente visto pelos visitantes.
Estas linhas desejam motivar o leitor a conhecer melhor a rica história de Blumenau, mas são sobretudo importantes para que se compreenda o contexto do que aqui se pretende tratar: lançar luz sobre um aspecto mercadológico deste empreendimento, colocado em prática há sete décadas e assaz importante para a sobrevivência do negócio, e que continua atualíssimo nestes tempos de economia globalizada: sua estratégia de divulgação.
“A propaganda é a alma do negócio”, assim o dito popular. Consta que o primeiro anúncio publicitário publicado no Brasil data de 1808 quando, com a chegada da Família Real portuguesa ao Brasil, foi criado o jornal Gazeta do Rio de Janeiro. Já os primeiros reclames ilustrados teriam aparecido em nossos jornais a partir de 1875.
Não desejamos nos ater às diferenças conceituais entre publicidade e propaganda. Limitar-nos-emos a observar como este empreendimento lançou mão desta poderosa ferramenta de marketing e vendas, que é a divulgação do negócio, mais de meio século antes do surgimento das teorias mercadológicas que norteiam as ações das empresas em nossos dias.
O Hotel Holetz não dispunha de um modelo referencial refinado como os atualmente em vigor para se posicionar no mercado no período em que nele atuou. Mesmo assim, veremos que sua preocupação, ao divulgar seu negócio, não era outra que sobreviver num mercado competitivo, a exemplo do que fazem as empresas atualmente. Vejamos como isso se deu em certo período da década de 1930, num momento em que o empreendimento já não pertencia à família Holetz. Para tanto, propomos a observação de dois anúncios (3, 4) do Hotel Holetz em publicações daquela época.
Ambos têm teor praticamente idêntico: são ilustrados com a imponente edificação que abrigava o hotel, identificam claramente o empreendimento e seu proprietário (o hotel então pertencia a um Besitzer de nome R. Siebert, muito provavelmente Reinoldo Siebert, conforme atestam outras fontes), informam o número do telefone (a diferença no Telephon No. do hotel pode ter sido um erro gráfico), a caixa postal (Postfach), o endereço telegráfico (Telegramm), a cidade e o estado onde o hotel se localiza, diferenciam-no de seus concorrentes e dão conta de suas características com informações detalhados sobre os serviços prestados e as facilidades oferecidas.
O endereço postal comumente utilizado, com rua e número, tão importante para orientar hóspedes potenciais, curiosamente não aparece nos anúncios. Haja vista aparecerem caixa postal e o endereço telegráfico, nada deveria impedir o hotel de receber sua correspondência. Mas como o viajante recém-chegado à cidade encontraria o hotel? Talvez esta informação fosse considerada desnecessária. Além de o hotel ser conhecido pela cadeia de transportes ora existente, o viajante, ao se deslocar pelo centro da cidade, dificilmente não reconheceria, in loco, a imponente construção que ilustrava os anúncios. Ainda que isso falhasse, certamente não teria dificuldade para encontrar alguém na cidade que lhe prestasse a informação necessária de forma correta. A expressão Bekanntestes Hotel am Platze, que pode ser traduzida como “hotel mais conhecido da cidade” (ou “do centro da cidade”) é a segunda mais fortemente grafada nos anúncios. Utilizada para diferenciar o hotel de seus concorrentes, parece suprir a suposta falta do endereço postal com rua e número. Afinal de contas, quem é tão conhecido pode ser facilmente encontrado. Reforça a indicação quanto à localização do hotel a expressão que aparece ao final do anúncio, im Zentrum der Stadt gelegen, “localizado no centro da cidade”.
Merece destaque o fato de Reinoldo Siebert não ter, a exemplo do que muitas vezes ocorre nos casos de mudança de proprietário, mudado o nome do empreendimento. Ao contrário, preferiu mantê-lo, provavelmente por já à época da compra ter-se tratado de empreendimento com marca consolidada no mercado, referência de hotelaria em Blumenau. No entanto, Siebert parecia saber que “a propaganda é a alma do negócio”, que uma marca supostamente consolidada não deixa as empresas imunes às regras de mercado. Estes anúncios, testemunhos de sua estratégia de vendas, utilizados com o intuito de fazer frente a uma já existente concorrência, publicados ano após ano em diversos veículos de comunicação, parecem demonstrar isso.
A fim de atingir seu objetivo maior, de influenciar a decisão dos hóspedes potenciais, fazendo com que viessem a se tornar clientes, os anúncios fornecem diversas informações a respeito das facilidades e dos serviços prestados pelo hotel. A expressão saubere und luftige Zimmer (quartos limpos e arejados) demonstra a preocupação do hotel em fazer com que seus clientes potenciais saibam que se trata de um estabelecimento preocupado com asseio e higiene. Se em nossos dias estes pressupostos para qualquer estabelecimento hoteleiro que almeja sucesso nem sempre correspondem à realidade, podemos compreender a importância deste argumento no contexto das condições de higiene e infra-estrutura das cidades há quase 80 anos atrás. Já erstklassige Kueche (cozinha de 1a. classe) procurava demonstrar as vantagens de ser hóspede do hotel a partir da perspectiva gastronômica. Relatos do passado dão conta de que a comida do hotel era realmente muito boa. Um contraste aos dias atuais, quando são cada vez mais raros os hotéis que gozam desse tipo de reputação, apesar dos massivos investimentos nesta área. Como ocorre em nossos dias, já naquela época homens de negócio eram vistos como um público-alvo importante. É isso que nos mostra a expressão Musterzimmer stehen den Herren Reisenden zur Verfuegung, equivalente a “salas para a exposição de mostruários encontram-se à disposição dos senhores viajantes”. O vendedor viajante podia contar com uma espécie de showroom para receber clientes, demonstrar produtos e concretizar negócios. Sem dúvida, uma grande facilidade para os vendedores viajantes da época. Àqueles que viajavam de carro era transmitida a tranqüilizadora mensagem de que o hotel oferece genuegende Auto Garagen, ou seja, “suficientes garagens para veículos”. Para completar o anúncio, uma indicação quanto à localização do hotel no centro da cidade, im Zentrum der Stadt gelegen, à qual já nos referimos anteriormente.
Esforços para vender e conquistar clientes não são fruto de um mundo que se globalizou de forma marcante nas últimas décadas com a queda do protecionismo comercial e a abertura econômica. São resultado de uma necessidade que remonta às origens da atividade comercial entre os povos, e que recebeu impulso definitivo a partir do século XVI com o surgimento do liberalismo econômico e a consolidação dos pilares do capitalismo nos séculos seguintes. Muitos dos imigrantes europeus que aqui chegaram a partir da metade do século XIX estavam, portanto, familiarizados com estes conceitos.
A considerar os relatos dos viajantes que fizeram uso do Hotel Holetz, e seu importante papel na vida social da cidade, podemos assumir que as estratégias utilizadas pelo seu proprietário foram, ao menos durante algum tempo, bem sucedidas. No entanto, isso não impediu que o empreendimento entrasse num período de decadência que culminou com seu lamentável desaparecimento em 1959 (SILVA, 1988). As razões para isso, apenas especulativas, além de muitas outras, podem ter sido: escassez de recursos para investimentos em modernização e assim fazer frente a uma nova concorrência, como a do Hotel Rex, inaugurado em 1950 para os festejos do Centenário de Blumenau com base num conceito mais modernos de hotelaria; impossibilidade de adaptação do negócio aos desejos e necessidades de uma classe viajante que se tornava mais exigente; pressão pela iniciativa de romper paradigmas arquitetônicos do passado a fim de dotar o centro da cidade de monumentos arquitetônicos considerados mais adequados à visão progressista dos tempos da passagem da década de 1950 para a de 1960; falta de interesse na continuidade da atividade por parte do proprietário. Fato é que em seu lugar surgiria um novo empreendimento hoteleiro, de características totalmente distintas, e que à época parecia suprir aquilo que o antigo Hotel Holetz já não era capaz de oferecer: o Grande Hotel Blumenau (5).
Autor
Wieland Lickfeld, Bacharel em Administração de Empresas (FURB) e Mestre em Turismo e Hotelaria (UNIVALI).
Colaboração
José Geraldo Reis Pfau e Adalberto Day.
Para ler outros artigos do autor, acesse : - Wieland Lickfeld
Fotografias
(1) Acervo do Arquivo Histórico José Ferreira da Silva.
(2) Acervo particular do autor.
(3) Blumenauer Volkskalendar 1933.
(4) Blumenauer Volkskalendar 1936.
(5) Acervo do Arquivo Histórico José Ferreira da Silva.
Fontes
JAMUNDÁ, T. C. Theagá. Florianópolis, ACL, 1977.
KORMANN, E. Blumenau: arte, cultura e as histórias da sua gente (1859-1985). 2 ed. Blumenau: Edith Kormann, 1996?
NIETSCHE & KÖMKE. Blumenauer Volkskalendar 1933. Blumenau: Empreza Graphica, 1933.
____________. Blumenauer Volkskalendar 1936. Blumenau: Empreza Graphica, 1936.
SILVA, J. F. Cervejarias de Blumenau. Blumenau em Cadernos, Blumenau, tomo 3, n. 9, p. 161-3, set. 1960.
____________.História de Blumenau. 2 ed. Blumenau: Fundação “Casa Dr. Blumenau”, 1988.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

- E.I. Garcia. 1001 utilidades.

"1001" Utilidades.
A empresa pioneira no ramo têxtil de Blumenau.
Fazia de tudo, pioneira em quase tudo. Trouxe o Progresso para todo Grande Garcia e Blumenau.
Acervo: antigamente em Blumenau 
 
Mesma foto que possuo original - e notem ainda não existia a Artex a esquerda.

Transcrição com correção ortográfica:
Empresa Industrial Garcia – Blumenau Santa Catarina
Escritório e Fábrica: GARCIA
End. Telegrama: GARCIA
Caixa Postal N.22
Fiação, Tecelagem, Serraria, Marcenaria, Fundição e Oficinas Mecânicas
Assadeiras de Ferro fundido, Arados reversíveis EIG, Buzinas para carros, Bancos para Jardins, Chapas para fogão com quadro e de qualquer modelo e com radiador para instalação de água quente e fria, Cruzes de ferro para tumulo, Forjas quadradas, Moendas de cana (diversos tipos),  Maquinas para ferragem, grandes e pequenos Moinhos de fubá, adaptáveis ao descasques de café, Marquesas para vitrines, Pesos para balanças, Panelas de ferro, Rodízios para cama, Bombas centrifugas e outras quaisquer maquinas.
Sinos de bronze, de qualidade insuperável – Polimento durável
PEÇAM ORÇAMENTOS
Fundição da E.I.Garcia em 1944

Aspectos Históricos   
                 Em 1860, com a chegada do imigrante alemão Johann Heinrich Grevsmuhl nascido em (12 de novembro de 1804 – provavelmente falecido nos primeiros meses de 1883, abordo de um navio que o conduzia para tratamento de saúde na Alemanha), o Vale do Garcia tomava novo impulso.
Não satisfeito com os trabalhos agrícolas, passara a explorar a madeira da região, constituindo uma serraria, e com o represamento do Ribeirão Garcia, pode instalar uma atafona movida a força da roda d' água, (energia elétrica veio em definitivo para o bairro somente  por volta de 1914) que ficava próximo as duas Empresas Garcia e Artex.
            Os compensadores progressos do empreendimento levaram-no a associar-se com dois vizinhos, que conheciam a técnica da tecelagem, para a organização de uma fábrica. Nascia naquela região, a semente da indústria têxtil por volta de 1868, solidificando-se mais tarde com o nome de Empresa Industrial Garcia.
Em decorrência desta atividade têxtil, a região passaria por uma série de transformações, sendo uma delas o surgimento do lavrador-operário. A divisão da propriedade e o esgotamento das mesmas, provocadas pela falta de espaço para a “Rotação das Terras, dificultavam a opção do plantio, que não dependia exclusivamente do agricultor”.
            Outro aspecto que merece destaque é o fato do imigrante alemão ao chegar à nova terra, trazer na sua bagagem cultural, usos e costumes de seu país de origem.
           
            Dentro desta visão, o constante processo de desenvolvimento econômico, e consequentemente populacional, começa a abranger o Garcia. A industrialização abria espaços para novos empregos e muitos migrantes vindos de outras cidades buscam o "ELDORADO" de uma vida melhor. O espaço ocupado por estas pessoas: urbano e rural; providos ou não de recursos; e o próprio descaso dos órgãos municipais aos longos dos anos, passava a gerar problemas sociais devido à falta de infraestrutura da cidade para acompanhar o desenvolvimento crescente das últimas décadas.

A Pioneira
A primeira indústria que se instalou no bairro e mais antiga de Blumenau, foi a Ex-Empresa Industrial Garcia em 1868, na Rua Amazonas nº 4906 - fundada por Johann Heinrich Grevsmuhl (que possuía em suas terras que depois foram vendidas para Garcia e Artex, uma roça de aipim com um moinho para fubá e engenho de serra) August Sandner, Johann Gauche,( Confirmado no Documentário da CIA. Hering por ocasião de seu centenário  em 1980) associaram-se com um tecelão, conhecido como Lipmann (já possuía teares desde 1865) que ajudou a montar alguns teares e deram impulso na primeira indústria têxtil de Blumenau, com o nome de “Johann Henirich Grevsmuhl & Cia.” Este era o nome da pequenina tecelagem -. A partir de então, a tecelagem passa às mãos de Gustav Hermann Roeder hábil tecelão ajudou a montar a empresa, mas ficou somente até 1878 quando retornou para Alemanha.
. Em 1883 passou a denominar-se “Tecelagem de Tecidos Roeder”,. Em  1906 “Probst & Sachtleben”.

Em 1913 a Empresa foi transformada em Sociedade Anônima, adotando a denominação “Empresa Industrial Garcia  & Probst”. Fabrica de Fiação e Tecelagem – Tinturaria – Fundição – Serraria – Olaria - -Oficina Mecânica – Marcenaria - Ferraria.
A empresa colocou o nome de Garcia em homenagem a primeira família a residir no bairro conhecido como gente do Garcia. A ex E.I.Garcia já foi também conhecida  pela fabricação de maquinário agrícola e de sinos para Igrejas. Otto Huber técnico austríaco trouxe idéias não só para a tecelagem, mas também foi responsável pela implantação do prédio com três pavimentos.

Em janeiro de 1918  verificou-se a nova alteração no nome da firma  com a retirada do seu maior acionista JÚLIO PROBST. Na constituição da nova sociedade, verificou-se a entrada de capitais de Curitiba Grupo Hauer (permanecendo até o final da Empresa), passando definitivamente a denominar-se “Empresa Industrial Garcia S/A”.
 Em 15 de fevereiro 1974, a E.I.Garcia, incorporou-se a Fábrica de Artefatos Têxteis  - Artex. A incorporação teve cunho político através do governo federal, que investia nas duas empresas, a Artex dirigida pela família Zadrozny e a Garcia controlada por dirigentes do Estado do Paraná, grupo Hauer, que controlava a empresa que pertencia a um grupo canadense. O processo de incorporação teve início no dia 15 de fevereiro de 1973.
Empresa centenária em 1968

Texto Adalberto Day e com colaboração de José Geraldo Reis Pfau.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

- Olimpíco 100 anos de História.

No dia 16 de agosto de 2019 recebi em nossa residência as 13:30 horas , a Camisa "100 Anos" do Clube Grená - Grêmio Esportivo Olímpico de Blumenau. Foram confeccionadas apenas 100 camisas. A honra foi me concedida pelo atual presidente do Clube Grená Braulino Pontes, que já foi Goleiro do Fluminense RJ, Figueirense, Blumenau Esporte Clube entre outros clubes. 
 
História: 
O Olímpico foi fundado em 14 de agosto de 1919, e desativou seu futebol profissional em 1970. Este foi o palco que viu por duas vezes a única equipe de futebol de Blumenau ser campeã do Estado, em 1949 e 1964.
Neste belo estádio e com um gramado invejável, atuaram grandes jogadores do futebol brasileiro: Pelé, Garrincha, Zito, Barbosa, Belini, Paulinho de Almeida, Sabará, Teixeirinha e tantos outros. Clubes como : Santos, Flamengo, Vasco da Gama, Botafogo, Fluminense, Grêmio....
Hino do Olímpico: Autor do Hino Márcio Volkmann/Edson da Silva
Forte és, alvi-grená
Por tua história, teu valor
Pela camisa reluzente
Pelo grito do torcedor
Estribilho
Olímpico, Olímpico,
O teu verbo é vencer
Olímpico, Olímpico
És a razão do meu viver
A baixada das conquistas
Na Alameda das vitórias
Fez surgir esse gigante
Uma paixão de muitas glórias
(repete o estribilho)
Para quem quiser ouvir,
Com orgulho vou cantar
É grená meu coração
Para sempre vou te amar.
(repete o estribilho)
Antiga arquibancada do G.E. Olímpico Arquivo: Evelin Koterba
Pelé e Garrincha jogaram no tapete verde da Baixada. Pelé jogou pelo Santos contra o Olímpico de Blumenau no dia 30 de agosto de 1961. O placar foi 8 a 0, com cinco gols marcados pelo rei. Já Garrincha, "o anjo das pernas tortas", atuou no Estádio da Baixada com a camisa do Olímpico no dia 30 de agosto de 1969. O adversário foi o Caxias de Joinville. Torneio chamado "Vera Fischer" homenagem a então eleita Miss Brasil de 1969 - moradora do bairro Velha em Blumenau.
O Olímpico não foi só forte no futebol, mas também no amadorismo. A história de Waldemar Thiago de Souza confunde-se com a do atletismo catarinense. Nascido em 1926 , na localidade de Espinheiro (Ilhota), veio para Blumenau ainda jovem. Durante décadas foi o quase que imbatível atleta fundista de 5 mil e 10 mil metros. Representou Santa Catarina pelo Brasil, levando o nome de Blumenau além-fronteiras na década de 40 Ele representa todo o sucesso do Clube Grená no atletismo, como a família Belz , Paulo Zimmer, Mara Furmann e tantos outros.
Vídeo dos 3 gols de Rodrigues na final de 1964 - Narração Alvaro Correia e Edemar Annuseck
Para saber mais acesse : - “O Foot-Ball Club Blumenauense”.
Arquivo de Adalberto Day

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

- Pelé, o livro!

- Rádio Blumenau "Arca da Aliança"
No dia 21 de outubro/2010, fizemos uma visita surpresa ao Programa Show de Bola dos amigos Amauri Pereira e Marciano Régis. O programa é realizado pela dupla dinâmica do Rádio futebolístico blumenauense de segunda/sexta na Rádio Blumenau - Arca da Aliança AM 1260 , sito à Rua Dr. Amadeu da Luz,31 Sala 3, - Centro - Blumenau, SC - das 17:00 as 19:00 horas.
Obs:. lamentavelmente demitidos assim como todos da equipe a partir do dia 23 de janeiro 2015;  Uma grande perda de audiência para emissora e para a comunidade de Blumenau.
Amauri - Adalberto - Marciano
Na oportunidade, entregamos um livro da autobiografia do Rei Pelé.
Amauri Pereira nos presenteou com um livro 50 anos JASC - Arthur Schlosser e a criação dos  JASC - jogos abertos de Santa Catarina.
Marciano Régis nos entregou um belo distintivo do XV Indaial - antigo XV de Outubro da cidade de Indaial.
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Durante 1 hora podemos discorrer sobre esportes em geral de nossa cidade.
Comentamos sobre a vinda de Pelé que jogou em Blumenau em 30 de agosto de 1961, e na oportunidade o Santos derrotou o Olímpico por oito a zero, com 5 gols de Pelé e 3 de Cabralzinho. Segundo muitos que assistiram o jogo, na realidade 1 dos gols atribuído a Pelé, foi de Formiga .
Porém na revista Placar consta 5 gols de Pelé conforme imagem a esquerda.
Destacamos grandes craques do passado, e estádio do Amazonas. Relembramos que após o jogo contra o Santos, no dia 1º de setembro de 1961, o Olímpico é campeão da cidade na prorrogação vencendo o Amazonas por 1x0, gol de Orio. No tempo regulamentar o placar foi dois a dois. Nos dois jogos anteriores o Olímpico venceu o primeiro jogo por 2x0, no segundo jogo o Amazonas deu o troco no estádio da Empresa Industrial Garcia vencendo ao time Grená pelo placar de 3x1.
Destaque negativo do jogo derradeiro onde o Olímpico se tornaria campeão da cidade, foi que após o gol de Orio na prorrogação, um torcedor do Olímpico morre de um ataque fulminante do coração. A arquibancada e todo estádio estavam lotados neste dia.
Falamos sobre o BEC - Palmeiras, Metropolitano, Olímpico principalmente do ano de 1964, quando o clube grená da baixada derrotou o Internacional da cidade de Lages pelo placar de três tentos a um - gols de Rodrigues, sagrando-se pela segunda vez campeão estadual. O jogo foi realizado no dia 25 de abril de 1965.
Também fizemos um relato da passagem dos 90 anos de história do Clube Náutico América, completados dia 20/outubro. Uma história que se mistura a cultura e tradição de nossa gente.
Durante a entrevista/visita, nosso amigo Vascaíno Valmir "Verde que te quero Verde" ligou, como também o Sérgio de Oliveira, que fez um breve comentário elogiando nosso trabalho perante a cultura de nossa cidade.
Agradecemos a acolhida da diretoria e funcionários da Rádio Blumenau - Arca da Aliança e em especial ao Amauri Pereira e Marciano Régis que nos ofertaram um delicioso café no intervalo, para a Oração da Ave Maria do nosso querido Padre João Bachamnn.
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Acesse :

Pelé, simplesmente ele!
PARTICIPE dessa lembrança sobre a vinda de Pelé em Blumenau. Faça seus comentários no BLOG e inclua suas informações que serão importantes para nossa história.
Curiosidades: Pelé recebeu este nome em homenagem a Thomas Edison, o inventor da lâmpada.  Seu Dondinho pai de Pelé, colocou o nome de Edison pois a energia elétrica estava chegando a região. Sim na certidão original de Pelé está o nome de Edison, e não Edson, como também por erro a data de nascimento que aparece na certidão é o dia 21/outubro/1940
No carinho da família, Pelé era simplesmente o "DICO".
Cinco Sim
O pesquisador Adalberto Day, que tem vasto material sobre a passagem de Pelé pela cidade, afirma não haver dúvidas sobre os cinco gols do Rei naquele jogo. Mais tarde, garante, surgiu a história de que um gol marcado por Formiga teria sido dado a Pelé. - Mas valem os registros. Na súmula do jogo e na contagem dos 1.000 gols de Pelé, constam cinco gols marcados por ele neste jogo - destacou.
Garoto propaganda
Adalberto Day lembra também que, após a partida, Pelé esteve na Artex (atual Coteminas), fazendo fotos para uma ação publicitária das toalhas da empresa.
Publicado no Jornal de Santa Catarina páginas 28,29 Esportes, sábado e domingo 23/24/10/2010. Jornalista Everton Siemann.
Observação : Comentei ao jornalista que Pelé esteve na Artex, mas foi antes do jogo. Quanto a ele Pelé ter feito cinco gols, não afirmei, apenas disse que assim me foi relatado e que na revista placar e na contagem dos 1.000 gols de Pelé, constam 5 gols do Rei neste jogo.
Arquivo de Dalva e Adalberto Day

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

- TV em SC !

TV EM SANTA CATARINA !
Por :Carlos Braga Mueller (foto) (Jornalista e ex-apresentador da TV Coligadas)
O pioneirismo em comunicações na cidade de Blumenau começou com a instalação da primeira estação de rádio no Estado: a PRC-4 Rádio Clube de Blumenau, nos anos trinta do século passado. Decorridos mais trinta e poucos anos, outro pioneirismo: a inauguração oficial, inaugurada (31 agosto de  1969, em caráter experimental a partir de 06 de maio de 1969) e foi ao ar oficialmente  no dia 1º de setembro de 1969 em Blumenau com o nome de TV Coligadas canal 3. , primeira emissora de televisão catarinense a emitir sinais locais para uma plateia que até então só recebia imagens de canais paranaenses ou gaúchos. A TV Coligadas passou por muitas mãos desde que foi inaugurada, mudou de nome, hoje é a NSC-TV Blumenau. Mas naquele longínquo sessenta e nove, quando o rock e a bossa nova faziam sucesso, foi a iniciativa de três ousados blumenauenses que proporcionou o surgimento da TV Coligadas: Caetano Deeke de Figueiredo, que na época era empresário do ramo de cinemas; Wilson de Freitas Melro; um dos proprietários da rede de emissoras de rádio conhecida como "emissoras coligadas de Santa Catarina", e Flávio Rosa, também sócio dessa rede. Logo veio juntar-se a eles Flávio de Almeida Coelho.
Tal ação era resultado de um trabalho hercúleo: a equipe para irradiar essas imagens tinha que enfrentar a tortuosa subida do Morro do Cachorro, onde o transmissor já estava instalado, e dali, numa pequena construção que abrigava os equipamentos, faziam a transmissão.
A imagem criada por Beto Fausel no final dos anos 60 mostra o logotipo da TV Coligadas, canal 3, de Blumenau. 
Mas em 1º de setembro de 1969 o estúdio instalado na Rua Getúlio Vargas, nº 32, no centro de Blumenau, tinha sido dotado de tudo o que uma emissora precisava; a programação havia sido contratada com uma rede que tinha apenas cinco anos de vida e havia sido batizada de Rede Globo; a equipe de apresentadores e técnicos estava afiada, depois de treinar durante trinta dias sem parar. Os noticiários e programas de variedades eram apresentados por gente nossa.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

- Bombeiros


A Empresa Industrial Garcia mantinha uma equipe de bombeiros que prestaram relevantes serviços à comunidade, não só do Grande Garcia, mas de toda Blumenau a partir de 1929. A equipe era formada por funcionários da empresa e moradores próximos. O bombeiro era avisado pela sirene que tocava várias vezes. Conseguiam ouvir o chamado até um raio de 3 quilômetros. O período de atuação dessa guarnição foi anterior à implantação da corporação de bombeiros de Blumenau, que iniciou as atividades em 13 de agosto de 1958. (Foto: Arquivo de Dalva e Adalberto Day)

Publicado no Jornal de Santa Catarina - Sábado/Domingo 06/07//Dezembro/2008,coluna Almanaque do Vale;jornalista Sérgio Antonello; Edição nº 11458

Motor bomba F600 – que fazia parte deste corpo de Bombeiros
Foto do Ford A 1929, o mesmo que aparece na foto principal junto com os bombeiros, foto do dia da venda pela Artex ao senhor Alfredo Gonçalves da Luz


Publicado no Jornal de Santa Catarina 11 de/dez/2008, em Sobre Rodas - Clique no Carro, Edição nº 11493 - Como se encontra nos dias atuais.
Arquivo de Adalberto Day/Jonas Vargas Husadel/Alfredo Gonçalves da Luz
Este é o antigo Ford A Chassis A482948, o primeiro carro do Corpo de Bombeiros de Blumenau. Pertencia à Empresa Industrial Garcia. Em 25 de junho de 1999, foi adquirido pelo senhor Alfredo Gonçalves da Luz (foto) junto a Artex. A foto foi enviada por Adalberto Day e Alfredo Gonçalves da Luz.
O Ford A 1929
Bombeiro "War de La France
José Geraldo Reis Pfau
Esse caminhão é marca "WAR DE LA FRANCE"  - esteve nos Bombeiros de Blumenau. 
Na época - 1972 eu estava na divisão de obras da Prefeitura acompanhava compras e consertos da frota na oficina da PMB que ficava do lado da delegacia (cadeia) na Rua Itajaí. Esse motor foi retificado e "ninguém" conseguia regular para ligar.
Na Velha, na rua ao lado da Casa da Vera Fischer havia um mecânico (velhinho) antigo que se chamava "Peta Schmith" (deve ser Peter Schmith) que era especialista em regular (na casa dele) carburadores e deixar carros afinados. 
Buscamos ele em casa e ele regulou o War de La France e o caminhão que ficou afinadíssimo. 
Arquivo José Geraldo Reis Pfau/Adalberto Day

terça-feira, 14 de maio de 2019

- Vou-me embora pro passado

Vou-me embora pro passado
No passado, presente ou futuro sempre minha amada cidade de Blumenau
Passado e presente ou futuro  é agora, neste instante. Você é que determina o tempo.
Lá sou amigo de dr. Blumenau! do Fritz Muller! Dos Hering!  do Grevsmuhl! dos Hering!
Lá tinha a maior e primeira empresa Têxtil de Blumenau a Empresa Industrial Garcia do ramo Têxtil.
Lá tem coisas "daqui, ó!" tem o Trem Macuca, os Vapores Progresso, Lourenço e Blumenau.
Tem os Clubes Amazonas, Blumenauense/Olímpico, Brasil/Palmeiras/BEC. Bom Retiro, Vasto Verde, Progresso, Canto do Rio, Horizonte e Guarani. Têm até o Campinho do 12, ou Morro, lá Tem as Festas Juninas produzidas pelo José Henrique Pera.
Lá tem a "Ponte Preta" no Kroba e o Majestoso Hotel Holetz.
Lá tem o Tapume do Ribeirão Garcia no Beco Tallmann.
Tem clubes de Caça e Tiro e o bairro da  Velha onde nasceu Vera Fischer e a FAMOSC
Lá tem Gibis Roy Rogers, Buc Jones; Rock Lane, Dóris Day.
Vou-me embora pro passado.
Vou-me embora pro passado porque lá, é outro astral
Lá tem carros Vemaguet; Jeep Willes, Maverick; tem Gordine, tem Buick; tem Candango e tem Rural.
Lá dançarei Twist; Hully-Gully, Iê-iê-iê
Lá é uma brasa mora!
Lá ouço O “Pick-up da frigideira”, ,antigamente era assim, Marcha do Esporte
Só você vendo pra crê. Assistirei Rim Tin Tin; Ou mesmo Jinne é um Gênio. o Túnel do Tempo, Vestirei calças de Nycron ; Faroeste ou Durabem; Tecidos sanforizados Tergal, Percal e Banlon; Verei lances de anágua; Combinação, califon.
Escutarei Al Di Lá; Dominiqui Niqui Niqui
Me fartarei de Grapette nas farras dos piqueniques.
Vou-me embora pro passado
No passado tem Moleque Saci, Jerônimo, aquele Herói do Sertão.
Tem Coronel Ludgero com Otrope em discussão. Tem Mazzaropi e Tonico e Tinoco.
Tem passeio de Lambreta, de Vespa, de Berlineta; Marinete e Lotação.
Quando toca Pata Pata; cantam a versão musical; "Tá Com a Pulga na Cueca"
E dançam a música sapeca; Ô Papa Hum Mau Mau.
Tem a turma prafrentex; cantando Banho de Lua.
Tem bundeira e piniqueira dando sopa pela rua
Vou-me embora pro passado
Que o passado é bom demais!
Lá tem meninas "quebrando" ao cruzar com um rapaz, elas cheiram a Pó de Arroz, da Cashemere Bouquet; Coty ou Royal Briar; colocam Rouge e Laquê, english Lavanda Atkinsons; ou Helena Rubinstein; Saem de saia plissada; ou de vestido Tubinho; com jeitinho encabulado; flertando bem de fininho.
E lá no cinema Busch, Blumenau, Mogk, Garcia, Atlas, se vê broto a namorar de mão dada com o guri, com vestido de organdi, com gola de tafetá. Tem também o Sr. Russo pra consertar nosso rádio a pilha Sharp e Mitsubishi.
Os homens lá do passado só andam tudo tinindo de linho Diagonal; camisas Lunfor, a tal!
Sapato Clark de cromo ou Passo-Doble esportivo ou Fox do bico fino.

De camisas Volta ao Mundo.
Caneta Sheafers no bolso; ou Parker 51.
Só cheirando a Áqua Velva; a sabonete Gessy; ou Lifebouy, Eucalol e junto com o espelhinho Pente Pantera, Carioca, ou Flamengo e uma trunfinha no quengo cintilante como o sol.

Tem Alvarenga e Ranchinho; tem Jararaca e Ratinho aprontando a gozação, Tonico e Tinoco
Tem Long-Play da Mocambo mas Rosenblit é o bom
Tem Albertinho Limonta ;tem também Mamãe Dolores, Marcelino Pão e Vinho
Tem Bat Masterson, tem Lesse,Túnel do Tempo, tem Zorro, Tarzan, não se vê tantos horrores.
Lá no passado tem corso, lança perfume Rodouro, Geladeira Kelvinator
Tem rádio com olho mágico, ABC a voz de ouro.
Se ouve o programa do Zé Betio, Carlos Galhardo, Orlando Silva, Francisco Alves, Nelson Gonçalves, Dolores Duran,
 em Audições Musicais, Piano ao cair da tarde
Cancioneiro de Sucesso, tem também Repórter Esso com notícias atuais.
Tem petisqueiro e bufê junto à mesa de jantar, o picolé do "Mirelo" tem o Tapume, O Menino Santo (o povo era enganado) .... Tinha a História do caso Waldemar Fachner, nunca solucionado, será porquê ... o assassinato ocorreu em 21 novembro 1967 no bairro Progresso Blumenau 
 Tem bisqüit e bibelô, tem louça de toda cor, Bule de ágata, alguidar
Se brinca de cabra cega, de drama, de garrafão Camoniboi, balinheira
De rolimã na ladeira, de rasteira e de pinhão.
Lá, também tem radiola de madeira e baquelita
Lá se faz caligrafia pra modelar a escrita

Lá se joga pião na rua, brinca-se de "Papai-mamãe" de médico , Bolinha de gude, de bilboquê 
Lá tem cada prima que oh!
Se estuda a tabuada de Teobaldo Miranda ou na Cartilha do Povo
Lendo Vovô Viu o Ovo, e a palmatória é quem manda.
Tem na revista O Cruzeiro a beleza feminina e Revista do Esporte
Tem misse botando banca com seu maiô de elanca o famoso Catalina
Tem cigarros Yolanda, Continental e Astória
Tem o Conga Sete Vidas, tem brilhantina Glostora
Tem Chacrinha e as chacretes.
Tem o programa do Jota Silvestre, Silvio Santos, Flávio Cavalcanti
Se ouve radialistas esportivos, Valdir Amaral, Jorge Curi, Doalcei Bueno de Camargo, Rudolfo Sestrem, Jeser Josi, Tesoura Jr., Amauri Pereira, Luciano Silva.
Escovas Tek, Frisante. Relógio Eterna Matic com 24 rubis pontual a toda hora
Se ouve página sonora na voz de Ângela Maria.
"— Será que sou feia?
— Não é não senhor!
— Então eu sou linda?
— Você é um amor!..."
Quando não querem a paquera Mulheres falam: "Passando, que é pra não enganchar!"
"Achou ruim dê um jeitim!"
"Pise na flor e amasse!"
E AI e POFE! e quizila mas o homem não cochila passa o pano com o olhar
Se ela toma Postafen que é pra bunda aumentar, Ele empina o polegar faz sinal de "tudo X" e sai dizendo "Ô Maré!
Todo boy, mancando o pé insistindo em conquistar.
No passado tem remédio pra quando se precisar.
Lá tem Doutor de família que tem prazer de curar
Lá tem Água Rubinat, Mel Poejo e Asmapan, Bromil e Capivarol, Arnica, Phimatosan, Regulador Xavier
Tem Saúde da Mulher
Tem Aguardente Alemã
Tem também Capiloton
Pentid e Terebentina
Xarope de Limão Brabo, e o capilé
Pílulas de Vida do Dr. Ross
Tem também aqui pra nós uma tal Robusterina a saúde feminina.
Vou-me embora pro passado
Pra não viver sufocado
Pra não morrer poluído
Pra não morar enjaulado
Lá não se vê violência
Nem droga nem tanto mal
Não se vê tanto barulho
Nem asfalto nem entulho
No passado é outro astral

Se eu tiver qualquer saudade escreverei pro presente, e quando eu estiver cansado da jornada, do batente, terei uma cama Patente, daquelas do selo azul, num quarto calmo e seguro onde lá descansarei.
Lá no passado "nóis" era chique, tinha Império (monarquia, D.João VI que fugiu de Portugal, tinha os filhos D. Pedro I (que proclamou a nossa Independência, será?, tinha o filho dele D.Pedro II (que mais parece nas fotos pai do D. Pedro I) tinha a princesa Isabel que libertou os escravos ...
Lá sou amigo do rei Pelé, do Zico, do Roberto Dinamite, do prefeito e do governador
Sou até meio parente do ditador Getúlio Vargas, e muitos acham que foi o presidente dos pobres, que fez muita coisa, ficou quase 19 anos ... alguma coisa ele fez, também o Brasil estava 200 anos atrasado ...
Lá no passado conversei com o "Lula" que disse que iria melhorar o país, "ledo engano"
Lá tem as Torres Gêmeas
Lá, tem muito mais futuro

No presente e futuro "Latinha"
Vou-me embora pro passado
Texto baseado em Jessier Quirino é paraibano de Campina Grande, arquiteto por profissão, poeta por vocação. É o autor dos livros "Paisagem de Interior", "A Miudinha", "O Chapéu Mau e O Lobinho Vermelho" "Agruras da Lata D'Água", "Prosa Morena - acompanha um CD com gravações de alguns poemas", "Política de Pé de Muro" e "A Folha de Boldo - Notícias de Cachaceiros", além de cordéis, causos, musicas e outros escritos. 
Imagens Adalberto Day

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