“A Educação é a base de tudo, e a Cultura a base da Educação”

Seja bem-vindo (a) e faça uma boa pesquisa.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

- Gratidão e reconhecimento

"Gratidão e reconhecimento"
Abro meu coração 💓 ao meu trabalho de pesquisas e agradecer os resultados alcançados, abaixo transcritos. Muita #Gratidão!

Em primeiro lugar agradecer a Deus pela minha memória, onde reviro os meus guardados do passado e reproduzo, a família esposa e filhas pelo apoio e construção deste enorme trabalho da História de Blumenau, aos meus pais Augusta e Nicolao Day, minha avó Ana Deschamps (Barz) esses que foram meus primeiros professores. Também a toda comunidade que de maneira geral, repassaram seus conhecimentos os quais utilizei.

Adalberto Beto Day "BLUGARCIENSE" Cientista Social e pesquisador da história em Blumenau. Professor, Contabilista e 25 anos de experiências em RH – Recursos Humanos. 

  1. Blogger: mais de 3.220.000 milhões de acessos as postagens;
  2. Postagens no Blog: mais de 1100, mais de 9 mil comentários;
  3. Meu Canal no Youtube, mais de 23 vídeos registrados;
  4. Face book: fotos e vídeos. com milhares de visualizações;
  5. Mostras em toda a cidade: foram algumas dezenas entre 1993 até 2019;
  6. Jornal de SC (NSC), Folha de Blumenau, DC, "O Garcia", e outros em diversas cidades de SC, Brasil e Alemanha; mais de 1000 inserções das quais mais de 525 no Jornal de Santa Catarina, obs.: não consegui todos exemplares ; 
  7. Acompanhamentos e participações em diversos trabalhos desde graduação, pós graduação, mestrado e doutorado;
  8. Livros e Revistas: mais de 120 citações. Prefácio e textos, na realidade perdi a conta;
  9. Palestras motivacionais, e sobre a história de Blumenau, Educandários, FURB, 23BI, Empresas, Instituições: mais de 100;
  10. Moção, Homenagens, placas inclusive do Governo Estadual: mais de 20;
  11. Com orgulho intitulado presidente de honra do Amazonas Esporte Clube, Padrinho do Grupo de Amigos do Cine Garcia e dos Gincaneiros Cidade de Blumenau, Ministro da Cultura do #Reino do Garcia;
  12. Colaborei em implantar e fundar diversas Associações de Bairros;
  13. Trabalhos comunitários mais de 50: Destaque, abertura e pavimentação das Ruas Emilio Tallmann, Júlio Heiden, e transversais, obra de orgulho e com citação do nome AGG – Schwester Marta que foi aprovado na comissão e câmara de vereadores que já havia aprovado o nome de Vereador Mauricio Pacheco, e conseguimos reverter;
  14. Algumas pessoas que contribuíram para meu conhecimento e possuem destaques em Blumenau e no mundo, para sucesso em meu trabalho principalmente no Blog. ReferênciasProfessora e historiadora Sueli Maria Vanzuita Petry; Jornalista/escritor, Carlos Braga Mueller; Memorialista Niels Deeke; Senhor Udo Gauche; Biólogo Lauro Eduardo Bacca; Memorialista, pesquisador. Wieland Lickfeld; Dom Bertrand Orleães e Bragança - bisneto da Princesa Isabel; escritor, pesquisador e cinéfilo Gilberto Gerlach; Publicitário, José Geraldo Reis Pfau; Pesquisador, Diretor das empresas EIG e Cremer, vice prefeito, Alfredo Iten; diretor da EIG e DICATESA, Ernesto Stodieck Jr.; memorialista e estudioso Werner Henrique Tonjes; Rubens Heusi; Coronel da NASA projeto Apollo Prof. José Manoel Luís da Silva Diretor do OACEP e Presidente do CACEP; Comunicador Antunes Severo; escritor  Flávio Monteiro de Mattos é carioca de nascimento e blumenauense por opção; o médico, escritor, apresentador e ex-Secretário de Saúde de Blumenau, Luiz Eduardo Caminha; Dr. Cezar Zillig, Neurologista em Blumenau; Ex jogadores Zico e Roberto Dinamite. Professora e Escritora Urda Alice Klueger; Valter Hiebert Empresas: Artex, Empresa Industrial Garcia, Cia Hering, Coteminas.
  15. Blog criado em 21/07/2007 para saber mais clique Aqui

sábado, 1 de janeiro de 2022

- Projeto Indígena

Educação para a revitalização da língua e da cultura Laklanõ/Xokleng

Texto sobre Indígenas do amigo Carlos Odilon.
Carlos Odilon da Costa.( Professor de escola pública, mestre em Educação pela FURB Blumenau SC, com a pesquisa Autonomia em Paulo Freire e a Educação Indígena, pesquisador do grupo Educogitans Mestrado em Educação FURB.)

No ano de 2009 o professor Ernesto Jacob Keim inscreveu o projeto referente a Educação Indígena da Universidade Regional de Blumenau FURB, por intermédio do grupo de pesquisa do Mestrado em Educação Educogitans, no processo seletivo Capes/ Observatório da Educação Indígena, um programa nacional voltado ao desenvolvimento de estudos e pesquisas que priorizem a formação de professores e gestores educacionais para territórios ocupados por povos indígenas e que escolhe os melhores projetos a nível nacional, que de certa forma contribuirá com a valorização da cultura indígena.
Foto: Reunião Aldeia Coqueiro
O projeto foi aprovado juntamente com mais 16 projetos de outras Universidades, com o seguinte título: “Planejamento Pedagógico-Didático e Formação Intercultural de Professores para a Revitalização da Língua e da Cultura Laklanô/Xokleng nas Escolas Indígenas Laklanô e Bugio em Santa Catarina”, este projeto é coordenado pelo professor Jacob e que tem como foco o Povo Laklanô, que se constituiu com os remanescentes do povo Xokleng, juntamente com indígenas dos povos Guarani e Kaigang. O interesse dos pesquisadores no Povo Laklanô se dá pelo fato de que eles existem há aproximadamente 3.000 anos na região do Vale do Itajaí Açú, na condição de povo nômade, que tinha como hábito fazer duas migrações anuais, passando o inverno no litoral e o verão na serra e no planalto. Vivem hoje na Reserva Duque de Caxias, localizada entre os municípios de Doutor Pedrinho, José Boiteux, Victor Meireles e Taió.
Atualmente segundo as lideranças indígenas da localidade, um grande desafio é como manter a identidade e a cultura de pertencimento, em um mundo cada vez mais globalizado fragmentário? Os próprios indígenas percebem que seus jovens e crianças não possuem mais acesso aos saberes e cultura tradicionais, para agravar existem “aldeias” na Terra Indígena Laklanô, que quase 90% não falam mais o Laklanô/Xokleng, nesse sentido, para muitos indígenas, eles estão vivendo um momento desafiador, nas palavras de Paulo Freire: “Situação Limite”, ou algo deverá ser feito para que revitalize a cultura (inédito viável) , ou o na terão mais esperanças quanto a futuro de seu povo. O Projeto nasce a partir do olhar, de revitalizar a língua e a cultura Laklanô/Xokleng dentro de uma perspectiva ética-vital, ou seja, os indígenas serão sujeitos no projeto e não objetos, este projeto será totalmente revertido para os povos indígenas da Terra Laklanô. Pensamos que o local pó excelência para desencadear este processo, passa pela Escola. A escola nos próximos anos terá a missão de ser o inicio de um processo maior que visa influenciar as comunidades em seu entorno, os aknos serão formados, dentro de uma visão de colaboração e participação na comunidade e preservando a cultura e a língua Laklanô/Xokleng.
Foto: Ponte para Aldeia Toldo
O projeto já teve início e as primeiras ações foram as seguintes:Após algumas reuniões de nosso grupo, em particular a pessoa do professor Jacob e as lideranças indígenas de todas “Aldeias” do Território Indígena e o povo das comunidades, foi liberada nossa entrada no território Indígena, para iniciarmos o projeto. Nos dias dias 19, 20 e 21 de Fevereiro visitamos a Terra Indígena para a aplicarmos um questionário sócio/cultural/econômico.
No primeiro dia houve uma reunião com o cacique presidente Aniel e os demais caciques na sede as FUNAI em José Boiteux. A pesquisa foi desenvolvida ao longo dos três dias contemplou as aldeias: Pavão, Palmerinha, Bugio, Figueira, Toldo e Sede. A Aldeia Coqueiro foi realizada uma semana após esta data. Está pesquisa de campo nos ajudará a conduzir o projeto. A partir da pesquisa veremos como poderemos criar a formação para os professores indígenas, seja no curso de especialização que será ofertado para eles, ou até mesmo no ambiente virtual que está em fase de construção. Os professores indígenas foram escolhidos pelas lideranças das Aldeias, são seis no total. Eles terão a missão de multiplicar o conhecimento construído no curso de formação para os outros professores. A pesquisa também servrá comoum marco referencial para a comunidade, conhecer e entender um pouco mas da dinâmica social/econômica que eles vivem.

Foto: Ponte caída que era o acesso para o povo Guarani da Aldeia Toldo
Após este primeiro levantamento foi realizado um encontro nas dependências da FURB no dia 26 de março conferência de lançamento do programa “Educação para a revitalização da língua e da cultura Laklanõ/Xokleng”, com o tema "Dor e culpa e a diversidade cultural”. O palestrante convidado foi o professor pesquisador da USP Antonio Joaquim Severino. Diversas atividades aconteceram durante todo o dia 26 de março, com a participação de indígenas da reserva Duque de Caxias. Para as 17h 30, os organizadores programaram uma feira de artesanato indígena, que aconteceu no hall térreo do Bloco I, também no campus 1 da Universidade.Acreditamos que este projeto sem sombra de dúvida de certa forma poderá ajudar aos povos indígenas de nossa região na construção de uma vida melhor para as comunidades existentes e assim a revitalização de cultura indígena passa pela manutenção língua no caso, os Laklanô/Xokleng, em tempos de globalização a preservação de identidade torna-se um elemento importantíssimo para garantir que as futuras gerações desses povos autóctones possam ser vividas e contadas.
Texto e arquivo de Carlos Odilon da Costa

- BluGarciense

Registro:
Em conversa com o amigo Arquiteto e Urbanista Celso Gauche, sugeriu que me intitulasse como BluGarciense, Assim como qualquer cidadão nascido no Grande Garcia e foi morar em outra localidade de Blumenau, possa pelas suas raízes assim ser conhecido.
BluGarciense – criado pelo Arquiteto e Urbanista de Blumenau, Celso Gauche, para designar cidadão nascido em Blumenau, no Grande Garcia ou Reino do Garcia.
Foto do Grande Garcia ou Reino do Garcia de 1977
Lembro-me também que em 2007 o amigo José Geraldo Reis Pfau, publicitário já me orientava neste sentido. 
Garciense: Cidadão Nascido em Blumenau ou outra cidade, que mora no Grande Garcia, composto de 6 bairros: Ribeirão Fresco, Garcia, Vila Formosa ,Valparaiso, Progresso e Glória.
 Para saber mais acesse:
Humor no Reino do Garcia.
Decreto Oficial do Reino do Garcia.

Arquivo de Adalberto Day 

- A Escola da Vida

MINHA VIDA PROFISSIONAL
ADALBERTO DAY
CIENTISTA SOCIAL, PESQUISADOR E PROFESSOR.
Faço um breve relato da minha infância e parte da vida profissional.
Aprendi desde criança com meus pais e avós a ter bons hábitos, trabalhos caseiros, bons costumes. Uma verdadeira lição de vida! Muitos ao lerem esta crônica sentir-se-ão inseridos no contexto.    
Hoje olho para trás e vejo que os problemas eram na verdade, os degraus para me levar à vitória. Então concluo que minhas sequelas, são os troféus de minha vitória.
Garcia                   Artex                            Souza Cruz
Revista Manchete de Outubro de 1966 -  Colaboração Guenter Georg

           1968-1992
Fui criado e educado aprendendo a obedecer, respeitar, e servir.
Este era o ambiente familiar em toda comunidade que era cooperativa, prestativa, e em sua maioria trabalhava nas Indústrias do bairro Garcia, a Empresa Industrial Garcia, rua Amazonas 4906, Artex, e Souza Cruz. Meus bisavós vieram da Alemanha, tanto do lado paterno (Day) como materno (Deschamps), e estabeleceram-se  inicialmente em Brusque e Gaspar respectivamente. Porém as origens dos meus antepassados são Ingleses (com pezinho na Irlanda) e Franceses. 
          Um jovem ao ingressar em uma empresa deveria ter todas as qualidades citadas, de preferência deveriam ser “alienados nos processos políticos, religiosos, e da realidade do mundo”. Criava-se a mentalidade de servos e quem fosse despedido ou recebesse carta branca (nome dado a quem fosse demitido), era considerado pela comunidade mau caráter, elemento "vagabundo", pessoa por vezes não grata. Saber que um cidadão perdeu seu emprego era coisa de “outro mundo”.
     Imbuído deste espírito ou princípios “básicos de qualificação”?, ingressei em 05/07/1968 na Empresa Industrial Garcia, no setor de expedição, faturamento, vendas e a partir de 1971 em recursos humanos. Foram anos de plena ditadura militar, inclusive os ex presidentes Castello Branco, Ernesto Geisel, Figueiredo, Ministro Delfim Netto, visitaram o bairro Garcia/Progresso
           Para muitos uma fase de crescimento tecnológico e de nação perante o mundo. Para outros uma fase negra da história do Brasil. Cabe a cada cidadão analisar sem ranços políticos. Minha concepção ditadura existiu antes e pós-militares, a tal ditadura “Branca”. Muitos não sabem usar a democracia achando ser anarquia e assim o caos social se estabelece.
Assistencialismo
Tínhamos assistência médica e odontológica, creche, cursos de alfabetização e um excelente centro de treinamento, a melhor praça esportiva até o final da década de 60 (Séc. XX) do estado de Santa Catarina, o Amazonas Esporte Clube.
Nesta praça esportiva eram realizados vários tipos de modalidades esportivas, atletismo, basquete, vôlei, ciclismo, futebol e outros. Também eram realizadas anualmente festas, como comemoração do dia do trabalhador com diversas atrações e sorteio de bicicletas e outros prêmios tanto para funcionários como também seus filhos, festa junina, e festa natalina sempre com presentes a todos empregados e filhos.
Boa parte dos colaboradores moravam em casas produzidas pelos próprios funcionários da marcenaria, com toda infraestrutura, coleta de lixo feito pela Empresa Industrial Garcia e saneamento básico, pagando um aluguel simbólico (centavos). Depois estas casas (a partir de 1966) foram vendidas a preços razoáveis aos empregados que então começaram uma nova fase de reformas pinturas e até os primeiros comércios começam a aparecer, como a loja Prosdócimo em 1967 na casa do Sr. Edelui Massaneiro, e Calçados Hass em 1971 na residência do Sr. José de Oliveira. Também existia a cooperativa dos empregados, onde os funcionários podiam comprar, e ser descontado em seu próprio holerite (envelope de pagamento).
Os empregados recebiam 2 kg de retalhos por “Zero Faltas” assiduidade ao trabalho.  Nas calamidades as duas empresas Artex e Garcia sempre foram muito prestativas aos seus colaboradores, exemplo foram a enchentes de 1983/84 e várias  enxurradas no Grande Garcia.
O tempo passa ... última volta do ponteiro
          O tempo passava e percebia que os fatos mencionados não eram bem assim, o próprio sistema organizacional divergia de ideias melhores para o bom desenvolvimento interno nas empresas. Constatei que nem sempre aqueles que conseguiam uma posição melhor profissionalmente eram os mais capazes, os mais qualificados ou inteligentes, mas sim em muitos casos os pelegos e alienados da vida cotidiana e que viviam prejudicando os colegas  e atropelando seu semelhante que se destacava, como também algumas famílias de nomes conhecidas da região que tinham seus "privilégios".
Eram realizados avaliações de cargos, muitas vezes por pessoas despreparadas e anualmente, quando deveria ser diariamente. Nessas avaliações nem sempre prevalecia a verdade, pois o avaliador com receio de perder o seu cargo, fazia uma avaliação duvidosa.
Nos testes de promoções vários concorriam, mas nem sempre o melhor era promovido, já existia o "candidato preferencial", apenas dava-se oportunidade aos demais para que o mesmo “participasse”, e pensasse que era inferior ao “vencedor ”.
Como trabalhava em Recursos Humanos, tinha acesso a esse tipo de informações, não sendo surpresa para muitos funcionários que desconfiavam e comentavam essa prática enganosa.
          Procurava sempre colaborar com meus “superiores” e colegas de trabalho, na expectativa de conseguir melhores posições profissionais. Principalmente a partir da incorporação da Empresa Industrial Garcia a Artex em fevereiro de 1974, exercia uma posição intermediária entre a chefia e colegas de trabalho, era o “coringa” que ensinava e substituía todos inclusive a chefia, e como trabalho principal Orientador Ocupacional.
          Em algum momento fui considerado líder negativo, por ter pensamentos sociais diferentes do empregador, e que não “vestia a camisa” (se não vestia é por que não me davam para vesti-la) claro que isso não é verdade, pois em 25 anos de empresa, muito colaborei e fui correto com meus superiores. Os anos iam se passando e cada vez mais me decepcionando, mas com esperanças.
Fusão Artex/Garcia em 1974
Fusão: o começo do fim
Acompanhei a fusão das duas empresas Artex e Garcia.
Na Empresa Industrial Garcia, o Sr. Ernesto Stodieck Jr. Que trabalhou de 1940 até 1967, teve uma liderança e conseguiu um grande impulso para o desenvolvimento não só da empresa como também da comunidade (anteriormente João Medeiros Jr. foi um grande diretor da EIG.  fundador da PRC 4 Rádio Clube de Blumenau e Radioamadorismo em Santa Catarina). Stodieck colaborou  na construção da Igreja Nossa Senhora da Glória e do Grupo Escolar São José (atual Celso Ramos) na Rua da Glória, como também a construção em maior escala a partir de 1941 de novas casas populares (ultrapassando a 240 unidades), tal como foi Gustav Roeder, e o os pioneiros desta grande organização Johann Henrich Gresvmuhl, Johann Gauche e August Sandner. O Suíço Otto Huber, foi um dos grandes colaboradores da EIG, Foi dele a modernidade em edifícios com três pavimentos que trouxe da Europa e  pôde implantar na empresa e cobrir com telhados as instalações. Sim de telhados tradicionais, já que desde a fundação em 1868 até 1926, para economizar energia elétrica, os telhados da empresa eram de vidros resistentes. 
    Na Artex com a fusão boa parte dos  empregados da Empresa Industrial Garcia, passaram por “humilhações” com poucas perspectivas de sucesso profissional, muitos foram demitidos ou solicitaram desligamento. Fizeram questão de aterrar para sempre o magnifico estádio do Amazonas (a partir de Abril de 1974), e acabar com o clube em janeiro de 1975.
       Além dos pioneiros Otto Huber que trabalhou por mais de 30 anos na Empresa Industrial Garcia, Theóphilo B. Zadrozny (nascido na Polônia e não Brusque como muitos pensam)  e Max Rudolf Wuesch que também trabalhou na E.I Garcia por 20 anos, a família Zadrozny (Arno, Carlos Curt, Júlio, Norberto Ingo) souberam erguer a maior industria têxtil da América latina. 
Arno Zadrozny estava sendo preparado para substituir seu pai Theóphilo no comando da organização, porém faleceu prematuramente no dia 26 de dezembro de 1965 aos 45 anos. Com isso seu irmão Carlos Curt Zadrozny foi o preparado para assumir.
Mas quando chamaram diretores técnicos para administrar a empresa, e com a implantação do sistema rodízio a partir de 1984, a empresa começou sua fase de declínio no cenário nacional e mundial. Na época o sistema rodízio foi implantado para aumentar a produção e a criação de novos empregos, era visto como uma boa alternativa para o momento difícil que passava o setor econômico nacional. Deveria ser temporário, mas não foi. Ao contrário que os diretores da empresa pensavam, nunca fui contra o sistema, mas avaliava a situação como caótica para a organização. Muitos empregados se revoltaram, igreja e comunidade em geral.   Boa parte dos empregados insatisfeitos solicitaram demissão da empresa. No mês de dezembro de 1986, 110 empregados qualificados solicitaram demissão e em janeiro de 1987 mais 107 fizeram o mesmo. Um número recorde em nossa cidade de Blumenau e Santa Catarina. Imagine uma empresa perder 217 funcionários em sua maioria altamente qualificados, o “baque” que isso proporcionou. Vários desses cidadãos que solicitaram a demissão ou se estabeleceram por conta própria com enorme sucesso, ou ingressaram em outras empresas, que os receberam de braços abertos pela experiência profissional. Infelizmente neste período a Artex teve dificuldades de contratar bons profissionais que não queriam trabalhar na organização.

“O empregado que não faltasse o mês todo recebia uma compensação financeira e até alimentícia, 15% a mais em seu contra cheque, se faltasse um dia sem justificativa 5% e se as faltas ultrapassem dois dias, não recebia nenhum beneficio”.
Outros que permaneceram foram cumpridores de seus deveres, mas sempre no aguardo de uma solução conciliatória entre as partes. No entanto boa parcela dos colaboradores agiu com desprezo para com a empresa, não produzindo com boa qualidade, danificando materiais, faltas em excesso, causando sérios prejuízos à corporação. Em 1986 (cinquentenário da empresa) foi construído uma piscina semiolímpica e um grande complexo esportivo, para lazer dos empregados, mas nada desses benefícios foram suficientes para amenizar o descontentamento de quem trabalhava nesse sistema. Mesmo assim os problemas de qualidade e assiduidade continuaram. Na intenção de “forçar” o empregado a aceitar, o assistencialismo foi enorme, em datas comemorativas exemplo dia das mães das mulheres, eram oferecidas nas igrejas (Nossa Senhora da Glória, Santa Isabel e Santo Antônio) rosas a cada mãe ou mulher. Mas não era isso que cada família queria, para elas o dia “Sagrado de domingo” deveria ser mantido. E assim também pelo Natal, Páscoa e outros.
Associação Artex
Toda esta situação fez com que a Artex, declinasse ainda mais no cenário nacional e mundial, na sua posição de maior empresa da América Latina no ramo Têxtil.
A Greve
“Em 12 de março de 1989, deflagrou-se uma grande greve dos trabalhadores têxteis, culminando com uma passeata do centro até a empresa Artex, quando então, os trabalhadores não só da Artex, mas de todas as indústrias, solicitaram o término do sistema rodízio, como também melhores salários.”.  
Esta greve perdurou até dia 19 de março, quando houve um esfriamento (Continuou mais dois dias) justamente em um dia que houve um jogo importante entre Blumenau e Figueirense, os grevistas em boa parte foram assistir o jogo.
Trabalhadores  em plena rua Amazonas em massa dirigindo-se para frente dos portões da Artex - Foto:  CHARLES SCHWANKE
É bom salientar que nesta época, o Presidente do Sindicato Têxtil Osmar Zimmermann, tinha recém assumido a presidência em fevereiro de 1989, e diante de tamanha multidão mais de 10 mil em frente ao sindicato, não restou alternativa a não ser dar apoio à greve em assembleia realizada na oportunidade. Também na época os salários eram melhores que nos anos 90 e no inicio dos anos 2000, o motivo principal foi salários baixos em algumas empresas, e devido ao sistema rodízio. Os empregados retornaram ao trabalho e receberam menos de reposição salarial que o oferecido ou previsto pelos empresários.
Plebiscito
Com a greve, a Artex, permitiu que o sindicato realizasse um plebiscito para saber da continuidade ou não do sistema rodízio. Este plebiscito teve como resultado, o fim do sistema, já que a maioria dos empregados votou contrario a continuidade.   
 Na realidade sou sabedor que a empresa iria acabar com o sistema rodizio e o plebiscito foi o estopim, amenizando o impacto dos comentários as demissões necessárias com a desativação do sistema.
Consequência
Mais de 450 empregados perderam o emprego, durante os meses de março e abril de 1989, (no final de 1988, com a desativação da Fiação FIGA e FIBLU, mais de 800 empregados foram desligados da corporação) trazendo grande prejuízo não só à empresa, mas deles próprios e de toda a comunidade. Em 14 de outubro de 1990 houve uma grande enxurrada em todo o Garcia, que também atingiu violentamente o parque fabril da Artex, causando enormes prejuízos onde balançou com a estrutura econômica da empresa.
     Em setembro de 1994 a família Zadrozny perde o controle acionário da empresa, que  é vendida para o grupo GP Investimentos (Garantia Partners- sócios do Banco Garantia), lavrado em ata em 28 de abril de 1995, desaparecendo o nome Fabrica de Artefatos Têxteis S/A .ARTEX – para então somente ARTEX S/A . Em 01 de junho de 2000, a empresa é novamente vendida desta vez ao Grupo Coteminas - e doravante a empresa passou a possuir uma nova razão social passando a denominar-se Toália S/A - Indústria Têxtil . - Filial da Empresa Toália de João Pessoa – Paraíba, mas ainda com participação do grupo Garantia. A ex empresa Artex S/A muda de razão social para atender interesses próprios e de seus acionistas, com o nome de Kualá S/A em junho de 2000. E finalmente em 09 novembro de 2001, o grupo Garantia, sai do controle acionário, e a empresa adota o nome de COTEMINAS – Companhia de Tecidos Norte de Minas. E finalmente em 06 de janeiro de 2006, COTEMINAS S/A.
Este é um pequeno relato de alguém que colaborou, tinha raízes, pois morava próximo a empresa (60 metros), atualmente como cientista social e pesquisador da história, preservo a história do bairro e das duas empresas, por carinho, gratidão e necessidade de um resgate histórico do grande Garcia, pois a empresa desativou todo acervo magnífico que possuía. Posso dizer que sinto orgulho de ter trabalhado nestas duas empresas que foram uma grande Escola da Vida e me projetar como cidadão.
          Por divergências de opiniões e pensamentos, preferi negociar meu desligamento em 03/12/1992, sem mágoas  a organização (por mais que aqui possa transparecer - lembrando sempre que sou pesquisador e cientista social) por isso preservo um acervo particular de um resgate histórico que começou, por volta de 1960, podendo dizer com orgulho que essas duas empresas, foram à alavanca para o progresso não só do bairro como também de Blumenau.
          1993 - dias atuais
Então fui lecionar, encontrei pessoas que me apoiaram, direção, comunidade, alunos, fui muito  bem recebido, apesar do descaso das autoridades com o ensino. Adorei ser professor de História, Filosofia, Geografia, Sociologia no ensino médio e fundamental, um cargo digno. Sinto muito orgulho de ainda ser chamado de “Professor”.
Trabalhei com palestras de Motivação Profissional e elaborando planilhas e apostilas para vários palestrantes ... Bons tempos.
Hoje aposentado profiro palestras (a partir de 2012 com problemas sérios de saúde, comecei a diminuir minhas atividades) sobre história de Blumenau e em especial do Grande Garcia, em Universidades, entidades de ensino em geral, 23 BI, turismo, empresas. A própria empresa que me demitiu, me contratou para palestras, mostras e outros, mostrando o reconhecimento do trabalho que desenvolvia.
Trabalho com pesquisas, dou entrevistas em rádios, TVs, participo de trabalhos desde graduação até doutorado/mestrado, escrevo para diversos livros e revistas, como também jornais. Já participei de vários vídeos, seriados e outros. 

Blumenau, Janeiro de 1993 – com inserções em 2001 , 2003 e alguns adendos em 2014 , 2015 e 2019.
Atenciosamente
Adalberto Day/Cientista social e pesquisador da história.
Arquivo de Dalva e Adalberto Day 

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