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sexta-feira, 18 de maio de 2012

- O Céu de “Brigadeiro”

Nostalgia:
O Céu de Brigadeiro*
Por volta dos anos de 1962/63, na minha infância, tão linda e de pés descalços ao chão, uma das maravilhas que presenciamos nos céus de toda Santa Catarina, e em especial em Blumenau, foram os aviões a Jato riscando “O céu de Brigadeiro”.
Creio que na época foram novos aviões adquiridos pela “Varig” - Viação Aérea Rio-Grandense.
Lembro-me do ceticismo na ocasião: “Vai acabar o mundo”, invasão de extraterrestres – chegada de Marcianos. Os comentários eram os mais extravagantes e variados.
No entanto aquela quantidade de aeronaves em um só momento, que imagino tenha sido próxima a dez, nunca mais foi vista a não ser em vôos individuais, solitários.
Decorrido meio século ainda lembramos do episódio, único na época  - notável, épico  -  pois tão  sensacional foi o espetáculo que jamais foi esquecido, quando  em nossa memória ficou indelevelmente gravada a recordação daquele dia em que a nossa Blumenau foi brindada com  primorosa maquiagem adornando o seu firmamento, presenteando-nos com verdadeiro  “Céu de Brigadeiro”.
Bem, a historieta esta terminando, anoitece e outras visões, nos remetem a mesma época.  A via Láctea, nossa galáxia, as estrelas, as constelações, os satélites naturais, a nossa estrela o Sol, os planetas, os temíveis asteroides ou meteoritos, que – riscando o céu - pareciam cair atrás dos morros ali perto. A estrela Dalva (é o nome da minha esposa) em especial minha amada, que na realidade é o planeta Vênus ou Vésper, o qual por tanto invulgar e refulgente brilho é prontamente reconhecido pela sua exuberância.
Contudo, além disso, havia os satélites artificiais, que rondavam nosso planeta, foguetes e naves espaciais tripuladas em busca de uma melhor vida, bem como a aventura da conquista da Lua em 20/julho/1969.
* Seria o tal de “Céu de Brigadeiro”  aquilo que todos costumam imaginar?
Para saber mais acesse:
http://www.brasilescola.com/curiosidades/ceu-brigadeiro.htm

Adendo de Carlos Braga Mueller Jornalista e escritor.
O ESPAÇO AÉREO SEMPRE FASCINOU O SER HUMANO
por Carlos Braga Mueller
Adalberto Day retrata muito bem em sua narrativa o impacto que ele, ainda criança,  teve ao olhar para o céu, límpido e cristalino, e ver o rastro de fumaça  que deixaram pelo menos 10 aviões que passaram por Blumenau nos anos 60. Era certamente um reforço à frota da VARIG, toda ela baseada em Porto Alegre.

O céu e os objetos voadores não identificados (os famosos OVNIs) sempre exerceram uma fascinante atração  sobre os humanos.

O céu sem nuvens recebeu o apelido de "céu de brigadeiro" porque, segundo um velho ditado popular,  era nestes dias que os velhos militares da Aeronáutica, os brigadeiros do ar,  sem a mesma acuidade visual que marcava suas juventudes, arriscavam-se a sair voando como nos "bons tempos" ! Hoje, com a tecnologia dos radares, não é mais preciso voar às cegas.

A  idéia de se explorar o espaço surgiu em 1865, quando o escritor francês Jules Verne escreveu o conto "Da Terra a Lua", uma ficção que relatava a aventura de integrantes de um clube de armas conhecido como "Clube do Canhão". Para chegar a Lua eles construiram um enorme canhão e uma bala descomunal. Depois,  dispararam a bala com três homens no seu interior. E não é que eles chegaram lá ?
A história foi levada às telas pelo cineasta George Meliès em 1902 e passou a ser o primeiro  filme de "ficção científica" do cinema mudo, e ainda com aqueles passos rapidinhos que caracterizavam os espetáculos pioneiros, filmados com manivela manual. Mas foi um grande sucesso de público no mundo inteiro.

Santos Dumont tornou-se o "Pai da Aviação", embora contestado pelos norte americanos, que cultuam os Irmãos Wright como os precursores da conquista do espaço.  
Nas primeiras décadas do século passado os alemães transformaram os céus em território dos zepelins: Blumenau viu passar o "Graf Zepellin" em 1934, e em 1936 foi a vez do "Hindenburg" sobrevoar a cidade. Porém o incêndio que logo em seguida destruiu este dirigível, quando preparava-se para  pousar em Nova Iorque, acabou com o sonho de Hitler, de espalhar seus dirigiveis pelo mundo inteiro, inclusive ostentando a suástica do nazismo em seus lemes.
Os norte  americanos "conquistaram a Lua em 1969, antecipando-se aos russos, que já haviam colocado no espaço o Sputnik, o primeiro satélite artificial do planeta.
Hoje a comunicação ao redor da Terra é feita através de centenas de satélites. Satélite deixou de ser novidade. Em compensação, cuidado, porque podem cair em nossas cabeças a qualquer momento pedaços de satélites que já estão em desuso e fora de órbita.

Recentemente um grande estrondo, e alguns tremores de terra, assustaram os moradores do Distrito joinvilense de Pirabeiraba. Na manhã seguinte aos primeiros estrondos, alguém registrou em foto um estranho rastro de fumaça que, vindo do céu, adentrava a floresta.  Até agora, ninguém conseguiu explicar de forma convincente o que aconteceu naquela área. Por isto persiste a afirmação de alguns "ufólogos", de que os tremores  e o estrondo partiram de um objeto voador não identificado. Ao pousar, teria provocadoo abalos,  e ao partir deixou no céu o rastro de fumaça. Acredite quem quiser !

Blumenau convive hoje com rastros diários,  deixados pelos jatos que cortam nossos céus. E se ele, o céu, está "de brigadeiro", pode-se até enxergar as aeronaves. Sabe-se, conforme reportagem publicada pelo JSC, que os vôos de Porto Alegre para Florianópolis, devem vir até o espaço aéreo de Blumenau, e daqui embicar em direção ao Aeroporto da nossa capital. 

Como se vê, o espaço e o que voa por ele, continuam a exercer fascínio; do contrário, não teriamos escrito esta matéria, induzidos pela excelente lembrança do Adalberto Day.
Arquivo: Dalva e Adalberto Day
Colaboração Carlos Braga Mueller/Jornalista e escritor

9 comentários:

Rubens Heusi disse...

Meu caro Adalberto,lembrar é preciso.
Até hoje eles cortam os ceus formando imagens interessantes.

Antunes Severo disse...

Puxa vida,
que bom que o universo é imune aos estragos que a humanidade tem feito em nome de um mito chamado progresso.
boa semana amigo,
Antunes Severo

Bethania disse...

Esse tipo de lembrança deixa nosso presente mais vivo!

Meu avô conta a mesma coisa... quando o Hindenburg passou por aqui ele lembra da comoção geral que deu... da mesma forma que descreveste... pessoas achando que era ataque alienígena, pessoas se escondendo com medo... isso foi em 1927, acho... ele tinha 11 anos e isso o marcou de um jeito que não se apaga mais da memória dele...

Hoje ele tem 95 anos e muitas histórias bacanas (e do arco da velha!!!) - penso que essas duas gerações (a dele e a tua) foram testemunhas de um pequeno espaço da história em que tudo aconteceu. Se formos pensar, os últimos 100 anos deram a base para tudo o que acontecerá daqui pra frente. Nossos filhos não vislumbrarão mudanças tão intensas, conquistas tão decisivas ou avanços tão significativos como essas duas gerações viram - ou até virão... Mas não com tanto deslumbramento...

Vejo o meu avô, saído de uma cidade pequena de interior na década de 1910, sem luz, sem água encanada e descalço com uma lousa embaixo do braço... quase um século depois sentado na sua poltrona automática, assistindo canais de TV de todos os países, no ar-condicionado e se comunicando com quem quiser ou buscando qualquer informação com apenas um clique. Tudo o que acontecerá daqui pra frente não será tão assustador, tão surpreendente e tão marcante quanto tudo o que ele viu - rádio, TV, luz elétrica, carro, o primeiro ônibus da Catarinense, uma voltinha de Hidro-avião em 1937 que o fez jurar que nunca mais andaria de avião até o tablet com Facebook que o bisnetinho lhe apresentou, orgulhoso.

Acho essas pequenas lembranças de infância (por mais simples que sejam - do dia-a-dia mesmo)... simplesmente douradas. Porque este tempo não volta nunca, nunca mais!

Maria Helena disse...

Senhor Adalberto,
Gosto muito de seus trabalhos e eles são tão importantes para a história de Blumenau. Estava pensando que o senhor poderia colaborar com a Revista de História da Biblioteca Nacional. Vou ver se consigo o e-mail dela. Essa revista é vendida em bancas de jornais.
abraços
maria helena

Wieland Lickfeld disse...

Estimado Adalberto, que bela lembrança compartilha com seus amigos. Há de fato algo mágico na contemplação do firmamento. Lembro do nosso falecido pai, Willi Lickfeld, quando éramos pequenos, apontando para a pequena estrela viajante que cortava lentamente o céu. Era um satélite artificial, dizia ele. E deve ter sido mesmo. Ver o risco de fumaça deixado no céu por algum avião era uma festa, pois não acontecia na mesma frequência de hoje. Mas ainda é algo que me toca. Quando vejo um avião cortando o céu, no meu íntimo sempre digo: "Boa viagem, Comandante. Que Deus o proteja e aos seus passageiros". Em 1998, retornando de uma viagem a trabalho à Alemanha num avião da saudosa Varig, tive o privilégio de assistir a um espetáculo inesquecível a 10 mil metros de altitude após a decolagem em Hamburgo: a longa, silenciosa e solitária jornada do cometa Hale Bopp no firmamento infinito. Era impossível não ficar contemplando tal fenômeno por todo o tempo em que o posicionamento da aeronave o permitisse. Mágico também é procurar estrelas cadentes. Certa ocasião, lá pela virada do milênio, acampando no Morro da Igreja em Urubici numa gelada noite de inverno, contamos um total de 47 no período de uma hora. Deve ter sido uma daquelas chuvas de meteoros que acontece de tempos em tempos. Estar num local como aquele, sem interferência de luz artificial e numa noite sem nuvens, é uma sensação indescritível. Poucos lugares permitem uma visão da Via Láctea como aquela. Quem afirma já ter visto o céu estrelado deve ir lá para ver o que isso realmente significa. Dá uma ideia de como Abrão deve ter se sentido ao ouvir de Deus as palavras: "Olha para os céus e conta as estrelas, se é que podes." (Gn 15, 5). Por falar em Deus, que Ele lhe abençoe e conceda a força que necessita nestes dias difíceis. Um grande abraço a você e à Dalva, a estrela que Deus colocou em sua vida para, literalmente, lhe iluminar o caminho. "Dalva" vem de "d'alva" ou "da alva", ou seja, "do alvorecer", "da manhã", por isso é a estrela que vemos brilhar mais forte no amanhecer de um novo dia. Que Deus abençoe a ambos.

Osmar Hinkeldey disse...

Boa tarde Adalberto

Estas lembranças da infância são coisas que realmente "marcam" a vida da gente.
Que legal esta tua postagem!
abraço

Anônimo disse...

Caro amigo Beto,
Recordar é viver. Lambro-me também daquele dia quando estupefato assisti aquelas linhas de fumaça que cortaram o nosso céu. O que seria? Até hoje quando vejo a marca de um jato relembro o ocorrido. Um abraço,
Zé Carlos

Urda disse...

Que lindo Adalberto! Sabe, tenho uma lembrança vaga do fato - o teu "Céu de brigadeiro" fez como que ela tomasse forma. Tu recordas de um avião que caiu em Blumenau na década de 1950? De tal nunca esqueci - morreu lá, dentre outros, um amigo do meu pai.
Abração,
Urda.

sergio luiz buchmann disse...

Boa tarde Prof Adalberto! Céu de brigadeiro, os aviões recordações que a humanidade nem aprecia talvez por serem fatos corriqueiros,e comuns,ou falta de tempo,e quem sabe a falta do romantismo.Na época nos anos 60,tudo era novidade,ate mesmo um avião feito com sarrafos,pra mim na é um pouco mais tarde também chamava estaquetas rs. Lendo seu texto me veio a memória uma historia de minha Mãe. Que eu bebe,e meu irmão , uma tia conversando começou a passar aviões,e minha tia sai correndo e gritando sai Júlia (minha Mãe)o avião vai cair nas bananeiras kkkk. Se tal fato acontecer nos dias de hoje talvez as pessoas ficariam olhando sem consciência do Perigo. Parabéns Prof Adalberto por sempre nos trazer relados que ainda vivem em nossas memórias e com seus textos vaõ entram na memória de outros, e quem sabe em 50,ou 100 anos alguém vai contar ou ler tais textos,e vai levar essas pessoas a uma viagem,como nos nos dias de hoje. Grande abraço meu querido amigo!

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