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terça-feira, 19 de janeiro de 2021

- Minha rica infância!

 Foto: Vó Ana, minha irmã Dóris. minha mãe Augusta Grávida de (Adalberto) em 1953

Por Adalberto Day¹

Ao assistir o filme brasileiro Redemoinho dia 30 de setembro 2020 Canal Brasil, me veio a mente (ideia) de escrever sobre acontecimentos que me lembro (algumas preferi não citar) dos meus 3 anos (1956) até os 12 anos (1965), de idade, já no início da adolescência 

Os dados procurei descrever de forma a serem os mais precisos. Alguns dados posso ter esquecido ano (2020) aos 67 anos de idade.

"Minha memória reprisa você tal qual uma tela
Sou a chama da vela que quase se apaga com o sopro do ar
Se volto ao passado e reviro os guardados um tanto inseguro
Por saber de verdade que nesse presente você não está ?"

Matogrosso & Matias 

Gratidão a DEUS por essa memória espetacular que nunca me abandonou ...

Minhas primeiras lembranças de 1956/1965

Nasci em Blumenau - 1953, na Rua Almirante Saldanha da Gama, primeira transversal a direita da Rua da Glória .  A casa não aparece na foto acima, se localizava depois daquelas árvores. Observação: a primeira casa a direita pertencia  a Rua da Glória, n.100.

1956: Apareceu um porquinho “fujão” em nossa propriedade, em um dia de muita chuva. Meus pais custaram a pegá-lo, depois devolveram ao dono. Minha primeira vacina aplicada em casa (o primeiro Pics). O sótão que nunca fui com medo da tal da “Fratz” que minha avó (materna) propagava.  O Asfalto chegando na antiga Praça Getúlio Vargas (começou do final da rua Amazonas para o centro) minha avó Isabel (paterna a única vez que a vi) sentada na cadeira de balanço na varanda, logo depois veio a falecer em Brusque.

Começo a lembrar-me dos Natais e do Presépio de minha avó materna Ana que ainda enfeita nossas noites de Natais.

1957 Primeiro carro que conheci (um veraneio vindo dos EUA com portas de madeira), dirigido pelo motorista da Empresa industrial Garcia Senhor Alberto de Oliveira, que me colocou no veículo para andar uns 10 metros? logo depois faleceu no mesmo ano. Escorreguei na calçada onde existia um poço artesanal, bati a cabeça no local onde a bomba tinha para colocar o balde e depois bombear. No vasto terreno que pertencia a EIG (atualmente com 4 casas) com muitas árvores frutíferas, caçava com meu pai diversos espécies de pássaros, Coleirinho, Sabiá, Canário Terrinha e outros. Um dia fiquei por uns instantes com um Coleirinho em um pacote de macarrão. Logo após um vizinho conhecido como Dico (Tristão da Silva), ao me ver, me disse: “Solta logo este Coleirinho” e fui dando liberdade que não devemos nunca privar.

1958 Por solicitação da EIG, tivemos de nos retirar da nossa casa antiga construída por volta de 1913, para que fosse erguida duas novas residências. Fomos morar em outra casa ao lado esquerdo da mesma rua. A promessa  para com meu pai era que uma delas seria nossa a serem construídas em início de 1958. A promessa não foi cumprida pela diretoria da EIG, e fizeram com que fossemos morar em 1959 na casa do também motorista da diretoria Odeval Husadel que ficou com a casa a nós prometida e viemos morar na casa dele. Neste ano de 1958 ganhei meu primeiro carrinho movido a pilha (uma maravilha que guardei até 1986)  e uma bola de futebol. Também neste ano conheci meus dois primeiros amiguinhos, o Amazonas e o Clube de Regatas Vasco da Gama, e presenteado com a primeira camisa vascaína. Ao girar uma das rodas da bicicleta do meu pai, quase perco o dedo médio da mão direita.

Toca a Sirene da EIG com sua valorosa corporação de Bombeiros, vão ajudar ao combate das chamas na antiga Prefeitura de Blumenau atual Centro Cultural, meu pai estava presente como bombeiro.

1959 Em janeiro viemos morar na casa que era do senhor Odeval Husadel e ele foi morar como já citei na casa que foi prometida a nós. Tudo na mesma rua. Meu pai não merecia isso ... sacanagem! 

Meu pai começa a me levar nas missas das 09:00 horas na igreja Nossa Senhora da Glória. Fez um assento de madeira entre os guidões em sua bicicleta cor verde, com placa,  me leva para passear e segundo ele, me exibir como troféu dele com muita alegria. Ganhei da senhora Rosa Cândido da Silva de aniversário um carrinho de latão de uns 8 cm com predominante azul escuro e claro. 

1960 Começo meus contatos mais intensos com a bola de futebol, treinando com meu pai que me levava para jogar no time Dente de Leite do Amazonas e também no Clube 12 ou Morro. E a história do "Menino Santo"  na Rua Emilio Tallmann, que charlatanismo. 

Minha mãe ao ir ao centro, me presenteava sempre com a famosa Revista do Esporte (algumas guardo até hoje). vou as festas populares Junina e dia do Trabalhador no estádio do Amazonas e torcer para ganhar no sorteio uma bicicleta, ir em festas de igreja e os tradicionais Churrascos, as pescarias, corujas e roda da fortuna. Também minha fase de Bolinha de Gude, Bilboquê. Pião. Primeiros contatos com filmes, na casa do meu tio Alberto e no antigo salão do Amazonas. Começo os contatos com meus primeiros amiguinhos da Rua: Nilton da Silva, Francisco Carlos (Chico) e Antônio Vieira, Aurélio Pinheiro (Lei), Alfonso Bauler (Phuller), Gerson da Silva, e da redondeza, Wilson Siegel (Nene), Nilson Siegel (Bigo), Dorivaldo Costa (Dori), Raul Cavaco, Adolfo, Carlos, Valter Hiebert, Os Oliveiras Carlos, Luiz, Edson, Álvaro, Dimas e Dalmo Gonçalves, Gilmar e Gilberto Oeshcler, José Egídio de Borba (Tigi) Walfrido Bachman, Argeu e Luiz Zuqui e tantos outros. Minha avó Ana vai uma vez ou outra visitar sua irmã Maria. Queria saber como as coisas aconteciam. “Sempre perguntava para minha Avó Ana o porquê disso ou daquilo”. A avó respondia no “Kroba”, referindo-se à localidade que hoje é conhecida como rua Rui Barbosa. O local adentra-se para além da ponte com denominação de “Ponte Preta”.

O “Kroba” na verdade era “Krohberger” ou Krohbergerbach “bach ribeirão”, ou ainda somente “Kroba”, originando-se do Sr. Heinrich Krohberger, que chegou por aqui por volta de 1858. Era engenheiro, agrimensor e prestou serviços inclusive para Dr. Blumenau, com quem projetou as primeiras e maiores obras de vulto do município. 

Ganhei de presente em meu aniversário um lindo Ford (mais ou menos  1,10 x 0,50 m) com carroceria, cores verdes e azuis,. Uma beleza construída pelo meu tio Hartiwig, todo em madeira como também meu primeiro Curió. 

1961 Iniciei meus estudos no Grupo Escolar São José, Atual EEB Governador Celso Ramos – Minha primeira professora chamava-se Marijesus, meu primeiro amiguinho de banco escolar, Trogildo Esteves, e os brilhantes alunos Clério José Ribeiro, José Carlos Theiss , José Carlos de Oliveira, Renato Olegário, Sérgio da Costa.
Presidente do Brasil Jânio da Silva Quadros renuncia após um pouco mais de 7 meses no cargo, "alegando forças ocultas ..." "Fi-lo porque qui-lo",
Tremenda enxurrada no Garcia, dia 31 de outubro, onde faleceu afogado nosso vizinho e amigo Soldado Moacir Pinheiro que ao atravessar da  então rua estreita (mal passava uma carroça)  da Hermann Huscher em direção a Rua Amazonas, o rio encheu e transbordou rápido, antes que ultrapassasse, a ponte foi levada pelas fortes correntezas. O Estádio do Amazonas é totalmente destruído, uma catástrofe para Blumenau e em especial Garcia com 3 crianças encontradas mortas no salão e alambrados. Meu pai me presenteou após voltarmos de uma missa (culto) com um quadro de 1961 do Vasco da Gama Super-super campeão de 1958.
Ano em que começo a olhar e brincar com as meninas e aquele namoro inocente com vizinhas. Começo a ir pescar no ribeirão Garcia com meu pai. Em uma dessas pescarias (no estádio do Amazonas)  pulei de um barranco dentro de cinzas (inocentemente) sem saber que ainda ardia fogo no fundo. A perna direita e principalmente os pés são queimados, sem que meu pai pudesse fazer nada. As sequelas carrego até hoje.
Todo final de tarde ouvia a Rádio Nacional do RJ, seriado Jeronimo "Herói do Sertão", Moleque Saci e Aninha. Assim como jogos da Seleção e de futebol, nas rádios Nacional, Globo e Tupi. Começo a ir as missas mais cedo com minha mãe aos domingos, para depois poder jogar futebol.
Que delicia a 
cuca da Oma Ana, do tear ao ruído das lançadeiras...Tec...tec...tec...tec...e levar as 08:30 horas o café para o meu pai na tecelagem sala 16 no meio dos teares. Ele me dava as vezes Cr$ 1,00 ou Cr$ 2,00 para minha alegria comprar pipoca ou picolé.
Ouvir , soar  a sirene que se localizava em uma torre com relógio. Seu som alto e grave dava para ouvir em um raio de 3 Km para anunciar entrada ou saída de empregados. Também, em casos de sinistros, tocava por várias vezes para chamar os Bombeiros. Na decisão do campeonato da LBF
Amazonas e Olímpico se enfrentam no estádio da Baixada. Meu pai me levou para assistir ao jogo com predominância da torcida do Amazonas, o time anilado após 2x2 no tempo regulamentar, perde na prorrogação com gol de Orion. Ao nosso lado na Arquibancada , morre de ataque cardíaco fulminante um torcedor Grená. Isso foi dia 1º de setembro de 1961. Os mais antigos que jogaram no Amazonas, me diziam que  o Clube Anilado, foi campeão da cidade vários anos nas décadas de 1920 até a década de 1940. Porém não havia a LBF era tudo no improviso e amadorismo, apesar dos clubes serem profissionais. 

1962 Reconstrução do estádio do Amazonas que se torna o maior e mais belo estádio de SC, até 26 de maio de 1974 quando é aterrado impiedosamente pela empresa Artex.

Foto do dia da reinauguração 23/11/1962
Dimensões 110x75m e com drenagem copiada do Maracanã. Todos os anos recebia uma bola de presente. E como era o dono da bola, jogava entre os de mais idade, na disputa de garrafa de Capilés, no “12 ou morro”. Acompanhei a construção do Grande Hotel e da torre da Matriz SPA. 
Foto: reprodução
Nos assombra os novos aviões passarem lado a lado formando uma densa fumaça branca de rastro nos céus de Brigadeiro, eram as novas aquisições da Viação Aérea Rio-grandense - VARIG indo para o Rio Grande do Sul.  
Vou com minha mãe pela primeira vez a capital Florianópolis passando pela Ponte Hercilio Luz com piso todo de madeira. Conheço os primeiros ciganos (as) que aparecem em nossa rua, vendendo produtos produzidos por eles. Chama a atenção as lindas vestimentas das "Ciganas" e assustam ao ler as mãos das pessoas. Vem seguidamente um senhor conhecido como "Frank" que dá uns "gritos" e assusta as crianças. Diziam que ele estudou "tinha muito estudo" e que acabou ficando com algum distúrbio mental? ... pelo menos é assim que ouvia falar. Nos Natais a partir do dia 06 de dezembro dia de São Nicolau, aparece Papai Noel do Mato, o Pelznickel, uma figura folclórica natalina trazida pelos imigrantes alemães. Era brabo e exigia das crianças muita disciplina, mas assustava. 

1963 Meu pai e eu continuamos as pescaras e já vou com ele caçar pela região da Garuva e Gaspar Alto. Um dia ele me disse, veja aquele cavalo ali a esquerda no Pasto, quando nós voltarmos vou te explicar. Ao retornar o cavalo estava ao chão morto e meu pai disse, Cavalo é só útil enquanto produz, depois de velho é abandonado para morrer no pasto e assim é mais ou menos com o ser humano”, completou dizendo: vamos passar e avisar ao dono da propriedade. Ainda sem entender de política, muito menos de politico, uma noticia surpreende o mundo com o assassinato do presidente dos E.U.A. John Fitzgerald Kenedy dia 22 de novembro de 1963 na cidade de Dallas no Texas. Meus pais trabalhavam na EIG e minha irmã com minha ajuda fazíamos os trabalhos caseiros com muito orgulho. Ela mais dentro da casa e eu fora cuidava do galinheiro, serrando lenha, cuidando do riquíssimo pomar, capinando ao redor de casa e na extensão do terreno pelo lado de fora. Também varria e passava cera no assoalho da casa e depois passava o “Escovão” para deixar tudo brilhando ... que maravilha, orgulho como cidadão. Cuidava do meu irmão recém nascido sempre com muito cuidado e ensinando a ele os bons costumes da vida cotidiana. 

Diploma recebido por desempenho do aluno que conseguisse uma quantia através do preenchimento de uma cartela. Cada cartela dava direito ao recebimento do Diploma, e se tornava  “Padrinho ou Madrinha” de uma suposta criança Pagã, em algum lugar do mundo, principalmente no continente africano. E Esse fato ocorreu na Igreja Nossa Senhora da Glória, e Grupo Escolar São José (Gov. Celso Ramos) no bairro Glória em Blumenau-SC. Pura enganação da Igreja Católica, e nós inocentes, acatávamos e "ficávamos felizes".

Comecei a ter gosto por música e ouvia a Hora do Rei na Rádio Nereu Ramos acompanhando Roberto Carlos, Erasmo Carlos Onda do --iê, e toda Jovem Guarda  (antes ouvia Tonico e Tinoco e Teixeirinha). Na Rádio Clube PRC4 o programa A Marcha do Esportes, comandado pelo Grande Tesoura Jr. e Jeser Joci Reinert. Começo a ser treinado pelo meu primeiro Professor maravilhoso de Educação e Física Oswaldo Husadel. Praticávamos ginastica, futebol, basquete, vôlei. Ir até o morro do 12, acompanhar meu estimado tio Alberto Day soltar suas belas pipas, algo maravilhoso. Comecei a frequentar o "Cine Garcia" e não via a hora para chegar aos 13 anos idade para ler Gibis e fazer as trocas.

Rua 12 de Outubro
Urda Alice Klueger, saindo do Grupo Escolar São José com uma bicicleta emprestada, sofreu grave acidente, caindo de um pontilhão dentro do ribeirão Grevsmuhl, na antiga Rua 12 de Outubro, atual Praça Getúlio Vargas quebrando o tornozelo em mais de um lugar.

1964 – Ano de muita confusão política e ideológica no Brasil, com a tomada do poder pelos Militares, permanecendo por 21 anos de ditadura amarga para nossos cidadãos. Mesmo assim com progressos sociais e tecnológicos, mas nada justificava a atitude. Cabe aqui cada um com sua reflexão. Não discuto Políticos, ideologias e partidos, que carrega um triste fardo de intrigas, brigas e desamor entre famílias e amigos, mas sim tão somente política.

Guerra no Vietnã com E.UA (1964/1975). assusta até crianças, os mais idosos diziam que o mundo iria acabar, alias o comentário maior que o mundo acabaria no ano 2000.

Fiz minha primeira comunhão.

Meu pai me autorizou fazer a coleção do Álbum Eterno Craque Catarinense – Teixeirinha (ainda tenho completo) Começo a banhar-me junto com colegas, no caudaloso Ribeirão Garcia e em vários pontos, um deles o mais frequentado o famoso ”Tapume” em uma transversal da Rua Emilio Tallmann. Começo a jogar mais ativamente Basquete e vôlei pelo Amazonas até 1971. Grande incêndio na Artex (26/12/64) e a EIG com seus valorosos bombeiros vão ajudar a combater. Meu pai estava presente como Bombeiro voluntário.
"Sempre alerta" fui escoteiro com muito aprendizado, "palavra de Escoteiro". Pergunta para os meus chefes dr. Gildo e Ademar. Começo a andar de bicicletas (da minha irnã), e vou fazer pequenas compras para meus pais. Andar de bicicleta era tudo de bom. 

1965 Vou estudar o 5º ano primário na EEB Santos Dumont. Lá conquistei meu primeiro campeonato de futebol por Sala. Uma alegria vencemos a final por 2x1, fiz um dos gols e a professora que não gostava muito de mim (com razão, só queria jogar futebol) veio me abraçar chorando de alegria. Nosso time tinha o Jorge dos Santos (Tangerina), Dimas Gonçalves, Valdomiro Oliveira, Adir Luebke, Marcos Souza entre outros craques. Ano em que o Marcos me leva para jogar no time do Brasileirinho, muito famoso, treinávamos em frente onde era o antigo Fraga o atual AP? . Os jogos eram realizados no 23BI e outros estádios. Acompanho a construção da Avenida Castello Branco (Beira Rio).

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Meu pai (minha mãe e avó) um dia me falaram, para que eu nunca mentisse; mas eles também se esqueceram de me dizer a verdade, a realidade do mundo; que eu ia saber, dos traumas que a gente só sente depois de crescer. Falaram dos anjos que eu conheci. Meu pai, minha mãe e avó, encheram de fantasias e enfeitar as coisas que eu via e ouvia, mas aqueles anjos agora já se foram depois que eu cresci. 

Da minha infância agora tão distante, aqueles anjos no tempo eu perdi. “Meu pai sentia o que eu sinto agora depois que cresci. Agora eu sei o que meu pai queria me dizer”, as vezes os contos, mitologias nos ajudam a crescer ... Minha casa era modesta, mas eu não temia nada, só respeitava. Mas meu passado vive em tudo que eu faço e agora ele está em meu presente ...Meu querido, meu velho, meu amigo...

Roberto Carlos e algumas inserções de Adalberto Day 

  ¹Cientista Social e Pesquisador da história em Blumenau

domingo, 3 de janeiro de 2021

- Quadro Série Gente: Adalberto Day

Adalberto Day RICTV Blumenau 29 08 2015 entrevistado por Cinthia Canziani

Quem abrir pelo Celular ir mais abaixo onde está escrito em Azul  Página Inicial: Clicar em Visualizar versão para Web, e você poderá assistir o vídeo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

- Os Quebra-Tigelas

 Blumenau e Gaspar

Quebra-Tigelas

A história dos quebra-tigelas é mais antiga que se supõe, mais ou menos entre 1880/1890, quando Gaspar foi Distrito de Blumenau por 54 anos (1880 – 1934) apenas em 18 de março de 1934 houve a emancipação, com Leopoldo Schramm se tornando o primeiro prefeito de Gaspar. As desavenças principalmente bairristas nas festas dançantes onde fechava o tempo (desavenças entre os jovens) e sobrava para as tigelas, copos e outros. Isso ocorria quase sempre nos encontros entre jovens das duas cidades. A mais famosa delas foi em um encontro entre jovens blumenauenses e gasparenses em Belchior Alto, por volta de 1910/1920, onde existia um comércio que vendia tigelas, louças, copos e outros utensílios, e em anexo salão dançante, os gasparenses atacavam nas brigas e desavenças os blumenauenses com tigelas, que pegavam das prateleiras do mercado e salão.

Belchior Alto
Mas isso se intensificou nos anos seguintes e perdura este fato do apelido dado pelos blumenauenses aos gasparenses de Quebra-tigelas até os dias correntes. E eles tem orgulho de ser chamados assim, pois levaram vantagens na primeira briga generalizada, onde usavam tigelas, enquanto os blumenauenses tão somente copos que estavam em suas mãos para seus drinques, e como levaram desvantagens, logo os blumenauenses perderam o apelido de quebra-copos. Foram esquecidos pois os quebra-tigelas foram os vencedores. 
Blumenau

No Grande Garcia

Os reflexos do passado continuavam.

O nome ou menção Quebra-Tigelas, existe desde os anos 1940 final e 1950, atribuídos aos Gasparenses (cidade de Gaspar). Conta-se que surgiu na Rua da Glória – bairro Glória – Blumenau - onde predominavam os Tijucanos e alemães.

Na época era muito comum as “festinhas dançantes” nas salas residências ditas como “Casas de família”.

Como Gaspar faz divisa com Blumenau através de Gaspar Alto com bairro Glória e Progresso na localidade Jordão, era comum alguns deles virem a estas festinhas caseiras. E quando se aproximavam os moradores diziam “lá vem os Quebra-Tigelas” As salas não eram muito grandes, mas retirando os moveis dava para alguns casais dançar. Permanecia na sala ou cozinha as tais cristaleiras lotadas de Pratos, Pires, XícarasBules e outros. Em certas ocasiões, vieram através da localidade de Gaspar Grande, Gaspar Alto, município de Gaspar, pessoas que vinham a essas residências dançar. Muitas festas dessas acabavam em brigas e as cristaleiras pagavam o pato, caiam ao solo e quebravam, era cacos para todos os lados. Esses desentendimentos entre os blumenauenses e gasparenses apareceu em outros bairros da cidade e o termo quebra-tigelas, faz parte do folclore das duas cidades. Minha mãe também foi nascida em Gaspar.

Esse fato era muito comentado quando clubes como o Tupi de Gaspar vinha jogar no estádio da EIG – ocupado pelo Amazonas Esporte Clube. Os torcedores anilados comentavam hoje tem jogo do Amazonas contra os quebra-tigelas. A rivalidade era tão significativa que as brigas entre torcedores e jogadores eram evidentes, nas duas cidades. Por conta do “destino” o último jogo no estádio do Amazonas dia 26 de maio de 1974, foi contra os “quebra-tigelas” representado pelo Tupi. Garanto que neste jogo que terminou com o placar Amazonas 3x1 Tupi, não houve nenhum incidente. Afirmo, pois, além de estar no estádio, joguei na preliminar. No Amazonas jogaram três craques Quebra-Tigelas, o talentoso, formidável Jepe (José Curbani) que não era de brigas, Valdir da Silva o Poroca e o Goleiro Dolete José Alves, mais conhecido como Gaspar, esse era bom de briga, apesar de ser um cidadão de uma bondade infinita, ambos queridos e  amigos do Reino do Garcia.

Adalberto Beto Day cientista social e pesquisador da história de Blumenau.

domingo, 6 de dezembro de 2020

- Natal do imigrante em Blumenau

Texto enviado pela historiadora Sueli M,V. Petry
Diretora Patrimônio histórico de Blumenau
Entre o sonho do imigrar e a realidade do chegar:
Natal do imigrante
 Com o processo civilizador dos europeus no Vale do Itajaí ocorreu a introdução de uma diversificação de usos e costumes que se são marcantes nas áreas colonizadoras do sul do Brasil.
  Muitas das tradições que ainda hoje se preservam fazem parte do cotidiano das pessoas, as quais herdaram dos imigrantes  que a trouxeram na sua  bagagem cultural. Nesta interface do “sonho do imigrar e a realidade do chegar”, uma série de transformações ocorreram nas vivências dos imigrantes.
Uma destas vivências é narrada pelo imigrante Karl Kleine, ao chegar no ano de 1856.
 A chegada ocorreu justamente no dia de Natal  eis o que narra o imigrante: “Naturalmente faltava muito para que pudéssemos nos instalar confortavelmente, contudo, precisaríamos nos conformar....
À noite, depois do jantar todos estavam sentados ao ar livre e um sentimento estranho invadiu cada um – era a primeira noite na nova pátria, era Noite de Natal! – Todos recordavam os natais na antiga pátria e, de repente, fez-se um silêncio estranho (....)
A princípio baixinho e timidamente, a seguir, cada vez mais alto e forte, ouvia-se a canção “Noite feliz”, que se misturava com o canto estridente das cigarras. Ninguém sabia quem havia iniciado, mas todos acompanhavam a pequena canção, mas de conteúdo rico, cujos acordes ecoavam pelo céu estrelado.
Era como se um anjo tivesse descido para acalentar todos os corações. Nessa noite, mais do que durante a viagem inteira, todos se sentiram muito próximos uns dos outros. – Ninguém percebeu que já era meia noite!”.[1]
Arquivo família Oliveira
As lembranças dos imigrantes não param por aqui, um outro imigrante revela que chegou (1875), alguns meses antes da festa natalina. E, conta... “Na véspera do natal nossa comida estava chegando ao fim, comemos pão seco e já mofo, acompanhado de água do ribeirão”. Como se constata, muitos sentimentos tomavam conta dos corações dos imigrantes, com eles agregaram-se novos elementos para a celebração da festa Natalina nos trópicos. O antigo costume europeu de decorar a árvore com maçãs e nozes para se fazerem mais visíveis eram dourados ou prateados e recobertos de açúcar.
Foto reprodução
Nas áreas de colonização alemã este costume foi substituído por novos componentes. Vejamos o que nos diz Frederico Kilian num conto inspirado nas memórias de imigrantes:
“O nosso primeiro pinheirinho de natal. Mas não é o pinheiro alemão, “Abies pectinata”, mas sim, uma árvore com folhas aciculares mais duras, que nasce no planalto, a “auracária brasiliensis”, e que foi introduzida aqui na colônia pelo próprio Dr. Blumenau que arranjou as sementes da zona serrana. Cresce muito ligeiro e dentro de quatro a cinco anos já pode ser cortada para servir de árvore de natal.
Nos anos anteriores nossa árvore de natal era um arbusto ou pequena árvore com galhos simétricos e que enfeitávamos com pequenas fitas de cores, cortadas de restos de fazenda, com as quais prendíamos aos ramos as flores das múltiplas orquídeas que aqui abundam, e pendurávamos em falta das costumeiras gulodices (doces, maçãs e peras), as frutas que nascem aqui, como bananas, cachos de uvas maduras e várias frutas silvestres.
Também não faltavam as velinhas de cera de cera, pois existem aqui nas matas abelhas, de várias espécies, que se alojam nos troncos ocos das árvores que produzem uma cera escura, mas que serve para fazer velas.
Assim, em todos os anos não deixamos de ter a nossa árvore de natal, mesmo nos três primeiros anos em que a vida era dura de fato.(...) Aqui estamos, com a graça de Deus, vivendo felizes e contentes,...”.[2]
 Hoje há árvores de Natal que são artisticamente decoradas. Os adornos empregados para decorar a árvore de Natal experimentaram grande mudança.  Também se generalizou o uso de filetes dourados e prateados, conhecidos como lameta, feito a base fino estanho, de 30 a 40 centímetros de comprimento e apenas um a dois milímetros de largura, para estender sobre as ramas do pinheiro, realçando suas linhas.
Agregou-se a isto “Cabelos de anjo” de lã de vidro, algodão brilhante e estrelas prateadas ou outro material que cause efeito, e eis que está pronto o Pinheirinho ou o Tannenbaun. 

(....) O iniciador desse costume  do “Natal de rua” foi um paulista chamado Carlos Mazzei, filho de italianos. Recebera de seus pais, católicos praticantes, o ensinamento cristão de festejar o nascimento de Cristo com grandes solenidades e efusivas alegrias. Desde sua adolescência, seu espírito de observação foi acumulando uma profunda piedade por inúmeros semelhantes seus, menos afortunados, que não possuíam recursos para que o seu Natal se tornasse uma data mais festiva e algo diferente da triste rotina de privações de todos os outros dias.  Idealizou, então, um meio de transformar as praças públicas, as ruas da cidade e os logradouros comuns em grandes presépios coletivos.”
Tradição alemã trazida para Blumenau - Papai Noel do Mato
Ornamentação natalina nas ruas de Blumenau
                   A tradição da ornamentação natalina em nossa cidade teve início na década dos anos setenta. Neste tempo, a Comissão de Turismo da cidade, juntamente com o apoio do comércio, ornamentou a cidade e os bairros da Velha, Garcia e Vila Itoupava. Esta Ornamentação deu um toque todo especial, principalmente à noite.
Mereceu por parte de toda a imprensa e visitantes os maiores elogios, tanto pela beleza e bom gosto, como pelas inovações. É  o caso da Avenida Beira Rio - que foi decorada de ponta a ponta.
 O projeto decorativo do ano de 1971 contou com o apoio do artista carioca Almir Silva. As peças decorativas foram todas confeccionadas pela própria prefeitura, que contou com a supervisão da Comissão.
Esta novidade, copiada anos mais tarde por outras cidades, trouxe muitos turistas que vinham apreciar e realizar compras nas casas de comércio. Esta tradição, com o passar dos anos, teve os seus altos e baixos.
 Arquivo de Adalberto Day
Ao ser retomado, através do Projeto “Magia do Natal”, este evento se expandiu também para a Vila Germânica e ruas da cidade. A visitação de blumenauenses e turistas que acorrem para apreciar este local de encantamento das ornamentações natalinas, encontram locais de venda de produtos relacionados ao período festivo, exposições, desfiles, oficinas de pintura em doces, visita à casa do Papai Noel e outras atrações culturais que marcam esta programação natalina que se encerra em 6 de janeiro. 
Sueli M.V.Petry
Diretora Patrimônio Histórico

[1] Suas memórias foram publicadas em alemão sob o título  “Blumenau de Ontem: experiências e recordações de um imigrante” - (Blumenau einst Erlebnisse und Erinnerungen eines Eingewanderten). Os originais manuscritos em 35 cadernos foram doados pela família. Os mesmos estão sob a guarda do Arquivo Histórico Prof. José Ferreira da Silva, órgão vinculado à Fundação Cultural de Blumenau.  Fundo Memória da Cidade – Coleção “Família Kleine”.  

[2]Arquivo Histórico José Ferreira da Silva: Fundo Memória da Cidade. Família Kilian – série Produção Intelectual.
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OS “PELZNICKEL” MORAM AQUI PERTINHO...EM GUABIRUBA PARA SER MAIS EXATO!
Texto enviado por
Carlos Braga Mueller (Jornalista e Escritor)
 
pelznickel.blogspot.com

Em Blumenau, antes da chegada do Natal, mais precisamente na noite de 6 de dezembro, as crianças deixavam suas meias ou sapatinhos na janela para que o Papai Noel, ou seus ajudantes, colocassem ali guloseimas: bombons e pequenas lembranças. Mas existia uma recomendação: só as crianças obedientes e estudiosas receberiam presentes.
As malcriadas e as que não haviam estudado durante o ano teriam que rezar muito e pedir perdão pelas suas faltas.

Esta situação era comum na Blumenau da metade do século passado. É possível que esta tradição ainda permaneça no seio de algumas famílias.
 
pelznickel.blogspot.com

Em algumas regiões da Alemanha, Croácia, Eslovênia, Hungria e Suíça , existe um personagem nas comemorações natalinas que, longe de ser simpático como o Papai Noel, é um ser que mete medo: coberto de folhas, máscara diabólica e chifres, ele é conhecido na Alemanha como o Pelznickel, que ao invés de brinquedos e doces, sai da floresta trazendo nas mãos um chicote para assustar as crianças que não gostam de estudar. E tem uma missão importante: é o ajudante do Papai Noel !

Nos relatos dos imigrantes que colonizaram Blumenau, não encontramos referências a essa figura, que certamente não era tradição nas regiões de onde os migrantes vieram, por isso não a trouxeram consigo.

Acontece que foi em Guabiruba, aqui em Santa Catarina, que aflorou a ideia, recente, de se introduzir o Pelznickel nas comemorações do Natal. Com chicote na mão e um saco para levar as crianças mal educadas e desobedientes !

Há cerca de 10 anos foi fundada em Guabiruba a Sociedade Pelznickel, que tem sede própria no bairro Imigrantes, naquela cidade.
  
Segundo um estudo feito pela blumenauense Marion Bubeck no opúsculo “Desfile Natal Alles Blau”, editado em 2009 pela Fundação Cultural de Blumenau, “outra tradição, fortemente difundida entre os povos germânicos e em algumas regiões da América colonizadas por grupos étnicos europeus, nos conta que São Nicolau (o Papai Noel alemão) possui ajudantes, que são os Pelznickel.
No dia 06 de dezembro, dia de São Nicolau, os Pelznickel saem da floresta para buscar as cartas de Papai Noel e verificar como as crianças estão se comportando. Sua indumentária são roupas velhas escuras, com máscaras muito feias e chifres. Nas mãos levam acessórios como correntes, chicotes e um saco. Neste dia eles vêm para verificar quem são as crianças desobedientes. Se o comportamento da criança não melhorar até o dia 24 de dezembro, eles virão buscá-la e levá-la para a floresta.”

Como se depreende, causavam terror nas crianças, sob o pretexto de que iriam corrigi-las.

Lembro que quando criança, na noite de São Nicolau, eu deixava um sapato na janela e esperava que o Papai Noel e seus ajudantes colocassem as guloseimas. De manhã lá estava um chocolate. Mas minhas tias, que cuidavam disso, sempre diziam que só viria o presente se eu fosse obediente.
 
pelznickel.blogspot.com

Pelo que consta, os ajudantes conhecidos como Pelznickel só têm atuação no município de Guabiruba.
Nas semanas que antecedem o Natal, começando em 6 de janeiro, eles andam pelas ruas daquela  cidade, participam de desfiles e recebem turistas na sede da Sociedade Pelznickel, onde – em um bosque – fazem representações.   


É possível que alguns imigrantes que aportaram na região de Guabiruba tenham transmitido a seus descendentes por tradição oral, a existência desses duendes da floresta, adotados pelos guabirubenses como mais uma tradição natalina do Vale Europeu.
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Arquivo da família de Nahir de Oliveira envida por Ângela Maria de Oliveira
Adendo de José Geraldo Reis Pfau – Publicitário em Blumenau
Bolas ou bagas de Natal
Material (bolas de natal em vidro) são muito lindas. 
Lembro que na casa de meus pais a árvore (tannenbaun) era feita na sala que ficava trancada até na noite do dia 24. Nós ficávamos olhando pelas frestas da porta e janela e tentando ver lá dentro quando eles abriam a porta. Os conjuntos de portas da sala na nossa casa eram com vidros martelados, portanto se viam vultos. Claro que, tinha momentos, em que víamos o Papai Noel de vermelho lá dentro da sala. Imaginação infantil. Junto à arvore ficavam os presentes. Cinco filhos era uma maravilha de Natal. Na árvore colocavam algodão para imitar a neve, as bolas de vidro eram grandes, reluzentes, coloridas e castiçais pequenos com velas eram distribuídos pelos galhos. A árvore chegava até perto do teto - aonde tinha uma ponteira na forma de estrela e de vidro também. Minha mãe tinha o talento de cantar (principalmente nas missas) e se fazia uma fila para entrar na sala na hora “H”. O pinheiro já estava aceso com dezenas de velinhas. Era maravilhoso. Luz só do lustre no canto da sala. E entravamos na sala cantando o NOITE FELIZ, a mãe e o pai atrás, com a voz de minha mãe em evidencia. Emocionante. Daí em diante era o sonho se realizando. 

Tradição Alemã do Pelznickel em Guabiruba (SC)
Papai Noel Existe?

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

- O Conde d’Eu em Blumenau

 Brasil Imperial

Em dezembro de 1884 durante viagem a Santa Catarina, o Genro do Imperador Dom Pedro II, Príncipe Consorte Gastão de Orléans o Conde d’Eu resolvera fazer uma visita ao recém-criado município de Blumenau (colônia agrícola fundada por imigrantes alemães) tendo chegado no dia 15 de dezembro entre 3 e 4 horas da tarde. 

Já desde cedo a vila engalanara-se para receber condignamente Sua Alteza e se preparava para proporcionar sua curta estada da mais aprazível forma possível.
Os moradores se reuniram no Rio Itajaí-açu para assistir à chegada do ilustre visitante e dar-lhe as boas vindas, aportando Sua Alteza ao som do hino nacional executado pela banda musical local e sob os brados de “Vivas” da população aglomerada no porto de desembarque.
Após as apresentações protocolares e do estilo, formou-se um préstito, puxado pelas bandas musicais de Rüdiger e Lingner, tendo à frente os alunos do Colégio São Paulo (depois Santo Antônio), conduzindo Sua Alteza até a Igreja Católica onde foi realizado um solene “Te Deum”. A seguir, voltando ao local da sede, Sua Alteza visitou a Coletoria, como também a Câmara Municipal, onde lhe foram apresentados também os arquivos da Colônia e da Câmara. Após curta demora o préstito dirigiu-se ao edifício Schreep, onde a Câmara havia reservado aposentos para o visitante e sua comitiva e onde também, pelas 6 horas se realizou um banquete em honra do ilustre visitante.
 Após um ligeiro passeio pelas principais ruas da vila, Sua Alteza compareceu à uma reunião dançante, realizada em sua honra no Salão dos Atiradores, onde, antes do baile, as sociedades de cantores Germânia e Urania se apresentaram com os seus coros orfeônicos, executando vários números de seus repertórios, cujos cantos mereceram os aplausos do homenageado.

Na manhã seguinte foi improvisado um passeio de carruagem até a casa do Sr. Clasen. Antes da entrada naquele bairro, em frente à casa do Sr. Höppner, o príncipe foi recebido por uma delegação de senhoritas e moços a cavalo, onde uma das moças o cumprimentou com uma breve alocução, sendo-lhe ofertado, por parte das moças, vários ramalhetes de flores.

Chegados à sede da Vila, o príncipe ainda visitou rapidamente as escolas, a Igreja Evangélica, Cadeia, Hospital, etc., tendo também, na parte da manhã já visitado a fábrica de malhas e tricotagem do Sr. Hermann Hering Sênior, onde com muito interesse observou todas as instalações e os maquinários empregados naquela indústria.

O príncipe mostrou-se de uma forma tão cordial e amável conseguindo de imediato captar os corações e a simpatia dos blumenauenses, e o fato de ter usado, em suas palestras com os alemães a língua materna destes despertou nos mesmos imensa alegria.

Ao deixar Blumenau, o príncipe entregou ainda à Câmara Municipal a quantia de 100.000 Réis para ser distribuída aos pobres.

Fonte: Colônia Blumenau. Por Gilberto Schmidt-Gerlach Bruno Kilian Kadletz e Marcondes Marchetti.

Fernando Luiz Theiss - Antigamente em Blumenau 

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Adendo de Wieland Lickfeld : O Conde d'Eu estava em visita às províncias do sul e vinha acompanhado da Princesa Isabel. Por motivos de saúde ela não veio junto a Blumenau, tendo partido de São Francisco do Sul diretamente a Desterro, para onde o marido se deslocou depois a fim de continuar a viagem. Uma pena, o Dr. Blumenau não ter podido vivenciar este momento, dado o bom relacionamento que tinha com D. Pedro II, sogro do Conde d'Eu. Partira para a Alemanha pouco mais de três meses antes. 

Adendo

Conde d´Eu Nascimento:  28/04/1842, Neuilly, França Falecimento: 28/08/l922, Navio Massilia, Oceano Atlântico. 

"Eu" é uma comuna (=município) situado no norte da França, e local de origem do Conde d'Eu.

Gastão de Orléans, o Conde d’Eu, foi o consorte da princesa Isabel e se tornou um personagem importante para a história brasileira. Nasceu em 1842 num subúrbio de Paris chamado Neuilly-sur-Seine e obteve o título de conde ao nascer, concedido por seu avô, o rei Luis Felipe. O conde recebeu uma educação esmerada, falava várias línguas, entre elas o português, e estudou na Escola Militar de Segóvia, na Espanha. Era também sobrinho do rei Fernando II de Portugal e foi por intermédio do tio que recebeu a proposta para se casar com uma das filhas do Imperador Pedro II, do Brasil. Não eram incomuns esses matrimônios “arranjados” entre os membros da realeza e Gastão de Orléans aceitou o convite, porém, com uma condição: queria conhecer a princesa antes de oficializar o noivado.

Assim, em 2 de setembro de 1864, o conde desembarcava no porto do Rio de Janeiro para conhecer sua futura esposa. Junto com ele estava seu primo, o príncipe Augusto de Saxe, que também aceitara desposar a outra filha de D. Pedro. Um fato curioso dessa combinação é que pelo plano inicial os pares estavam trocados. Isto é, Dona Isabel que viria a se casar com o Conde d’Eu estava inicialmente destinada ao primo do conde, assim como a irmã da Princesa Isabel, a Princesa Leopoldina, deveria desposar o conde. Ao conhecer os pretendentes, as duas irmãs logo perceberam que o acordo precisaria ser retificado para atender as simpatias recíprocas. O fato foi comunicado e prontamente aceito por D. Pedro, que não queria ver as filhas casadas apenas por conveniência política. Feito o novo arranjo, o Conde d’Eu casa-se com a Princesa Isabel em 15 de outubro de 1864 e o casal parte em viagem de núpcias para a Europa. Mas essa viagem logo seria interrompida.

Um ditador põe fim à lua-de-mel

De fato, em novembro daquele mesmo ano, Francisco Solano López, o ditador do Paraguai, aprisionou no porto de Assunção o navio brasileiro Marquês de Olinda e, em seguida, atacou Dourados, na então província de Mato Grosso. A intenção de Solano López era expansionista e essas atitudes hostis obrigaram o império a deflagrar aquele que seria um dos conflitos mais sangrentos da América do Sul, a chamada Guerra do Paraguai. Nela estiveram envolvidos também a Argentina e o Uruguai. Foi da cidade de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, que partiu uma carta de D. Pedro para o casal em lua-de-mel, nela, o imperador solicitava que o conde retornasse para se juntar a ele e ao Exército brasileiro.

Foi somente depois de muitas vitórias brasileiras nas batalhas e após o comandante supremo do Exército Brasileiro, o duque de Caxias, demitir-se do comando que o Conde d’Eu pode assumir o posto para conduzir as últimas operações da guerra. Conflito que chegaria a seu fim em março de 1870. Ao retornar ao Brasil, o conde é recebido como herói.

O fim do império

A família real ainda não sabia, mas a essa altura poucos anos restavam para a sobrevivência do regime imperial no Brasil, pois vários acontecimentos estavam contribuindo para o agravamento das dissensões políticas que culminariam com o advento da República.

Para o príncipe Gastão de Órleans, bem como para toda a família imperial, o exílio durou mais de trinta anos e só terminou com a revogação da lei do banimento em 1920. Em 1922, quando, vinha ao Brasil a convite do governo para as comemorações do centenário da independência, teve um mal súbito e morreu a bordo do navio Massília. O conde estava com 80 anos de idade e seus restos mortais estão, hoje, depositados no Mausoléu Imperial na cidade de Petrópolis no Rio de Janeiro.

https://educacao.uol.com.br/biografias/gastao-de-orleans-conde-deu.htm 

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