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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

- Clube Náutico Marcílio Dias

Bandeiras de 1920 e 1952 do Amazonas
Amazonas x Marcílio Dias
Antes vamos tentar explicar o porquê desta postagem faço um breve relato sobre o Amazonas Esporte Clube.
O clube Alve – Celeste - ou anilado como era conhecido o Amazonas, fundado por empregados da Empresa Industrial Garcia oficialmente em 19 de setembro de 1919 ,mas já praticavam o futebol desde 1910 com o nome de jogadores do Garcia, era o time proletário do bairro Garcia, teve como primeiro estádio por alguns meses, onde hoje é o batalhão do exercito (23 BI). Depois se transferiu para as proximidades da Rua Ipiranga (conhecida como Rua Mirador), por quase cinco anos, posteriormente por alguns meses, na rua Progresso próximo a Artex, onde existia um bar conhecido como Bar do Iko, e, finalmente, em 1926, mudou-se para o definitivo local, próximo a Empresa Garcia, até ser aterrado impiedosamente pela Artex, em 1974. 

O nome da praça de esportes Amazonense se chamava estádio da Empresa Industrial Garcia, o mais belo de Santa Catarina até então.
Lembro-me com muita tristeza a enxurrada de 31 de outubro de 1961, que destruiu totalmente toda praça esportiva, inclusive o salão, e ali foram encontradas três vitimas fatais presas ao alambrado. O reduto Amazonense ficou em ruínas, tal a violência da água que transbordou do curso normal do ribeirão Garcia, para causar destruição geral e deixar um rastro de calamidade. O gramado praticamente sumiu tal o acumulo de areia, pedras, lama, árvores, móveis, balcão frigorífico, material esportivo, troféus, tudo ficou inutilizado.
Nessa tragédia, tivemos o caso do Soldado Moacir Pinheiro (morador da rua Almirante Saldanha da Gama, bairro Glória)  que acabou caindo próximo a  passarela (pinguela) após tentar atravessa-la, devido a forte correnteza, da hoje rua Hermanan Huscher (Valparaiso) cujo nível da rua era inferior ao da pinguela. Era água pelo joelho, mas ele caiu e foi arrastado para uma cerca de arame próxima onde ficou preso junto ao entulho e veio a óbito na atual rua que empresta seu nome, ( Rua Soldado Moacir Pinheiro) no bairro Garcia em sua homenagem.. 
Outro fato foi uma tentativa feita por um morador da rua Emilio Tallmann, de salvar três crianças que vinham pelo ribeirão abaixo nos destroços da casa em que moravam. Este senhor foi HELMUTH LEYENDECKER que se atirou nas águas barrentas e com muita correnteza. Seu ato de heroísmo não foi suficiente pra salvar as três crianças, pois a ponte com estrutura muita baixa não permitiu, elas foram encontradas mortas no estádio do Amazonas Esporte Clube.
Neste período de recuperação do estádio, que se tornou mais bonito, sediando até competições dos primeiros jogos abertos em Blumenau em 1962, o Amazonas treinava num estádio construído provisoriamente próximo de onde hoje é a praça Getúlio Vargas Nos jogos oficiais, o mando de campo era no estádio do Palmeiras E.C,
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 E aqui entro com relatos sobre o Clube Náutico Marcílio Dias. 
Minutos antes da partida da reinauguração. 
Equipe do C.N. Marcílio Dias.
Em pé: Joel Reis, Sombra, Antoninho, Ivo Mayer, Zé Carlos e Joel Santana;
Agachados: Renê, Dico, Idésio, Aquiles e Ratinho. Um timaço com jogadores que atuaram por várias equipes do Brasil.
Os Gols do Amazonas foram marcados por Mozito e Nicassio. O Jogador Dico que está nesta formação, em 1964 vem jogar no Amazonas para substituir Meyer que havia se transferido para o Grêmio F. Portalegrense em final de 1963. Vale salientar que esta mesma equipe do Marinheiro foi campeã estadual de 1963.

O Estádio foi reinaugurado em 23 de setembro de 1962, com a realização de um jogo amistoso entre o Amazonas e  Marcílio Dias, com a praça esportiva completamente tomada pelos torcedores (quase cinco mil), mas o placar foi desastroso para o Azulão que após fazer um bom primeiro tempo, perde por 6x2 na fase derradeira. Mas nada que ofuscasse o brilho do evento. Os torcedores estavam felizes. 

lance do jogo ....

    Curiosidades
Da vida futebolística Amazonense, alguns momentos a registrar; em 23 de julho de 1939, o torneio que o Brasil (Palmeiras-Bec) realizou para comemorar o 20º aniversário de fundação, o Amazonas teve o prazer de ganhar o 50º troféu de sua existência até aquele momento, vencendo o torneio.
Já nos últimos dias de Amazonas, quando da fusão com a Associação Artex, em um jogo decisivo do campeonato do Sesi, o Amazonas/Associaçao Artex venceu o Moveis Cimo de Rio Negrinho e se tornou campeão Sesiano. Neste jogo tudo previamente combinado, Wilson Siegel atleta, e Adalberto Day, levam a bola do jogo como recordação. Após o término do jogo, o juiz põe a bola em baixo de seu braço, e Siegel vai por trás, e com um leve toque consegue tomar posse da bola e jogá-la por cima do alambrado para mim que a levo direto ao ônibus.
 O principio do fim
Foi a 26 de maio de 1974, um domingo bonito com sol, mas sombrio pela circunstância, que o Amazonas se despediu para sempre do seu magnífico estádio, uma baixada que foi impiedosamente aterrada, pela Artex, em trabalhos de terraplanagem executado por duas possantes maquinas da Construtora Triângulo, o Amazonas vence o Tupi de Gaspar por 3x1, com 2 gols de Bigu e um de Tarcisio Torres, pelo campeonato Taça Governador Colombo Machado Salles. Os últimos jogadores a pisar o gramado do majestoso estádio da Empresa Industrial Garcia, foram: Cavaco, Nena,  Girão, Eloi, Gaspar, e Adir,  Werninha (depois Poroca) Nelsinho,Nilson (Bigo), Tarcisio e Ademir. 
O fim melancólico
A incorporação da Empresa Garcia a Artex em 15 de fevereiro de 1974 marcou o começo do fim de uma era brilhante no esporte blumenauense.
Os dirigentes da Artex acabaram com o clube, mas ergueram um novo e moderno estádio, no antigo campo do América, que anteriormente era conhecido como pasto do Sr. Bernardo Rulenski, seu antigo proprietário. Por volta de 1970, a Artex comprou este local e fundou em 1971 a Associação Artex. O fim foi inevitável, mas trouxe muita revolta por parte de dirigentes, jogadores e torcedores, que ao saber do enceramento das atividades, alguns saquearam a sede e levaram tudo que pudessem, para ter alguma coisa como recordação, sem interferência da direção para o ocorrido, tanto é verdade que nada existe na Associação Artex, que mostre a existência da agremiação sou sabedor deste episódio, pois trabalhava na área de Recursos Humanos, onde possuía acesso a estas informações.
Acervo de Carlos Irapuã Meyer e Adalberto Day Colaboração Luiz Bianchi (Ziza)

sábado, 19 de agosto de 2017

- Gincana Cidade de Blumenau


PROVA 09 – ARTE COLABORATIVA
Veja o resultado de 2017 e todos os campeões desde 1993

A Gincana Cidade de Blumenau chegou aos 25 anos se consolidando como um dos maiores eventos do gênero existente. Boa parte deste sucesso se deve a diversidade de estilo de provas:
·      -  Temos, por exemplo, provas de integração que reforçam as amizades através de atividades conjuntas;
·       - Provas sobre a história de Blumenau são diversas, afinal este evento faz parte da comemoração do aniversário da cidade;
·      -  E claro, existem as provas de enigmas, em que os gincaneiros, munidos de gps, bússolas, mapas e do inseparável guia de ruas de Blumenau, realizam buscas de charadas pela cidade, procurando pistas ocultas em finais de ruas, que os levam à solução de mistérios.
E agora, a Comissão de Provas lança uma tarefa que reúne estes três tipos de provas.  
As equipes deverão realizar em conjunto uma PINTURA, tendo como tema a HISTÓRIA DE BLUMENAU.  O painel deverá ser exposto  nos dias 02 e 03 de setembro no setor 3 da Vila Germânica, no final de encerramento da Gincana, para que possa ser visto por todos os gincaneiros, bem como pela comunidade, que está convidada a prestigiar o evento.
Pra ficar ainda melhor, as equipes presentes na primeira reunião deste projeto irão ganhar um bônus. Ela vai acontecer hoje, às 18 horas. Pra saber o local, basta DESVENDAR A CHARADA que está nesta prova. 
As imagens dos gincaneiros cumprindo uma prova artística de integração cumprida há alguns anos (quadro), irá ajudar a solucionar este enigma.
Acesse o face de Adalberto Day
https://www.facebook.com/blogadalbertoday/
André Mrozkowski coordenador da COMISSÃO DE PROVAS.
A diretoria da Liga presidente MARCELO SPENGLER. 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

- O espaço aéreo

O ESPAÇO AÉREO SEMPRE FASCINOU O SER HUMANO
por Carlos Braga Mueller



Adalberto Day retrata muito bem em sua narrativa O Céu de Brigadeiro  o impacto que ele, ainda criança, teve ao olhar para o céu, límpido e cristalino, e ver o rastro de fumaça que deixaram pelo menos 10 aviões que passaram por Blumenau nos anos 60. Era certamente um reforço à frota da VARIG, toda ela baseada em Porto Alegre.
O céu e os objetos voadores não identificados (os famosos OVNIs) sempre exerceram uma fascinante atração  sobre os humanos.

O céu sem nuvens recebeu o apelido de "céu de brigadeiro" porque, segundo um velho ditado popular,  era nestes dias que os velhos militares da Aeronáutica, os brigadeiros do ar, sem a mesma acuidade visual que marcava suas juventudes, arriscavam-se a sair voando como nos "bons tempos" ! Hoje, com a tecnologia dos radares, não é mais preciso voar às cegas.
A  ideia de se explorar o espaço surgiu em 1865, quando o escritor francês Jules Verne escreveu o conto "Da Terra a Lua", uma ficção que relatava a aventura de integrantes de um clube de armas conhecido como "Clube do Canhão". Para chegar a Lua eles construiram um enorme canhão e uma bala descomunal. Depois,  dispararam a bala com três homens no seu interior. E não é que eles chegaram lá ?
A história foi levada às telas pelo cineasta George Meliès em 1902 e passou a ser o primeiro  filme de "ficção científica" do cinema mudo, e ainda com aqueles passos rapidinhos que caracterizavam os espetáculos pioneiros, filmados com manivela manual. Mas foi um grande sucesso de público no mundo inteiro.
Santos Dumont tornou-se o "Pai da Aviação", embora contestado pelos norte americanos, que cultuam os Irmãos Wright como os precursores da conquista do espaço.  
Nas primeiras décadas do século passado os alemães transformaram os céus em território dos zepelins: Blumenau viu passar o "Graf Zepellin" em 1934, e em 1936 foi a vez do "Hindenburg" sobrevoar a cidade. Porém o incêndio que logo em seguida destruiu este dirigível, quando preparava-se para  pousar em Nova Iorque, acabou com o sonho de Hitler, de espalhar seus dirigíveis pelo mundo inteiro, inclusive ostentando a suástica do nazismo em seus lemes.
Os norte americanos (leia-se E.U.A)  "conquistaram a Lua em 1969, antecipando-se aos russos, que já haviam colocado no espaço o Sputnik, o primeiro satélite artificial do planeta.
Hoje a comunicação ao redor da Terra é feita através de centenas de satélites. Satélite deixou de ser novidade. Em compensação, cuidado, porque podem cair em nossas cabeças a qualquer momento pedaços de satélites que já estão em desuso e fora de órbita.


Há alguns anos um grande estrondo e alguns tremores de terraassustaram os moradores do Distrito joinvilense de Pirabeiraba. Na manhã seguinte aos primeiros estrondos, alguém registrou em foto um estranho rastro de fumaça que, vindo do céu, adentrava a floresta.  Até agora, ninguém conseguiu explicar de forma convincente o que aconteceu naquela área. Por isto persiste a afirmação de alguns "ufólogos", de que os tremores  e o estrondo partiram de um objeto voador não identificado. Ao pousar, teria provocado os abalos,  e ao partir deixou no céu o rastro de fumaça. Acredite quem quiser!
Blumenau convive hoje com rastros diários,  deixados pelos jatos que cortam nossos céus. E se ele, o céu, está "de brigadeiro", pode-se até enxergar as aeronaves. Sabe-se, conforme reportagem publicada pelo JSC, que os vôos de Porto Alegre para Florianópolis, devem vir até o espaço aéreo de Blumenau, e daqui embicar em direção ao Aeroporto da nossa capital. 

Como se vê, o espaço e o que voa por ele, continuam a exercer fascínio; do contrário, não teriamos escrito esta matéria, induzidos pela excelente lembrança do Adalberto Day.
Arquivo: Dalva e Adalberto Day
Colaboração Carlos Braga Mueller/Jornalista e escritor 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

- Museu Fritz Müller

Museu Fritz MüllerArtigo publicado no jornal de Santa Catarina dia 27 de julho 2017, por Lauro Eduardo Bacca/ naturalista e ecólogo. Edição nº 14.150 Quinta feira.
 
A destinação de parte dos recursos do Fundo Municipal do Meio Ambiente para indenização por desapropriação de terreno contíguo ao Museu Fritz Müller, na Rua Itajaí, foi um dos mais importantes passos já dados nas últimas décadas em favor deste que é um dos principais sítios históricos não só de Blumenau, mas de todo o país. Essa destinação de verba, aprovada por unanimidade pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente de Blumenau, em reunião do dia 10 de julho, veio em muito boa hora.

O Museu Fritz Müller, ainda chamado de Museu de Ecologia, fica na casa e terreno onde residiu por 30 anos, até perto dos seus últimos dias, um dos mais notáveis naturalistas do Brasil do século 19, o maior estudioso da Mata Atlântica de todos os tempos, o mestre inigualável dos estudos das interações entre espécies na natureza, ecólogo pioneiro quando ainda não existia a ciência Ecologia, pioneiro da biologia marinha no Brasil, autor do primeiro modelo matemático de dinâmica das populações, descritor do mimetismo Mülleriano que até hoje leva seu nome e o maior contribuinte brasileiro para a teoria da Evolução do inglês Charles Darwin, que o cognominou príncipe dos observadores da natureza do Brasil, ainda merecedor de duas biografias publicadas nos Estados Unidos, em 2003 e no corrente 2017.
O sítio histórico onde residiu esse gigante das ciências naturais brasileiras que recebeu ainda em vida os títulos de Doutor Honoris Causa de duas universidades alemãs sem nunca para lá ter retornado e, post-mortem, da UFSC e da Furb, foi ameaçado em tempos recentes por uma inexplicável autorização para aterro no terreno vizinho ora em processo de desapropriação, que afetou a drenagem e a própria estrutura do prédio, deixando o terreno histórico num prejudicado nível inferior.

Que o ato da Faema e do CMMA seja o início de fato do resgate histórico e para lá de merecido da vida e obra de Fritz Müller, o começo da existência, de fato, de um moderno e dinâmico Museu ou Casa de Fritz Müller e o resgate de toda a sua antiga propriedade no morro fronteiriço, onde a municipalidade poderá criar uma nova e importante Unidade de Conservação Municipal que comece junto ao rio Itajaí-Açu e chegue até os limites das terras do Clube Blumenauense de Caça e Tiro, onde pode-se restaurar e recriar o tipo de floresta e nascente que Fritz Müller ali encontrou junto com muitas das inúmeras espécies que ele estudou. Uma lição de casa que, sendo bem feita, com auxílio da Furb e outros órgãos, fará do local um importante centro de estudos e uma das maiores atrações histórico-científicas do Brasil.

O sítio histórico onde residiu esse gigante das ciências naturais brasileiras foi ameaçado em tempos recentes

O naturalista e ecólogo Lauro Eduardo Bacca escreve neste espaço às quintas-feiras.

Para Saber mais acesse:

terça-feira, 25 de julho de 2017

- Como era o pavilhão da Praça Hercílio Luz

Como era o Pavilhão da Praça “Dr. Hercilio Luz”
           Fazia um ano que havia terminado a Primeira Guerra Mundial.  Blumenau em 1919, pelos padrões de hoje, não passava de uma minúscula cidade do interior. A “Hauptstrasse”, Rua Principal, era revestida de pedra britada.
          Perto da Prefeitura ficavam o Correio, a Caixa Econômica, a “Deutsche Schule” (Escola Alemã), o “Theaterverein Frohsinn) (Sociedade Teatral Frohsinn), umas casas comerciais, um hotel e uma fabrica de Lacticínios. Já havia casas de dois andares, como o “Hotel Holetz” e as casas comerciais dos Srs. Katz Scheeffer e Jansen. Também havia admiráveis casas construídas no estilo da época, fora as de estilo enxaimel. Conservavam suas características até os nossos dias, a casa do Sr. Rudolf Kleine, hoje “Casa das Louças”, a casa do Sr. Alvin Schrader onde funciona hoje a “ Varig” e a “Casa Husadel”.
          O Vapor Blumenau era o mais importante meio de transporte entre Blumenau e Itajaí. Além dos passageiros comuns das mercadorias e do correio, trazia levas de imigrantes que procuravam aqui um novo lar, uma nova pátria.
          A Praça “Dr. Hercilio Luz”, defronte à antiga Prefeitura, era o principal ponto de reuniões da cidade, que não parava de crescer. Esta praça e a Alameda de Palmeiras na rua Duque de Caxias, estava sob os cuidados de Mathias G. Fabian que possuía uma “Abricultura e Floricultura” na rua São Paulo. Ele tinha aprendido as artes de agricultura e Floricultura na “Schlossgaertnerei” de Heidelberg, que pertencia ao seu tio. Veio ainda moço, ´orfão, na companhia deste tio para o Brasil. Quando não lhe restava mais nada de sua herança parou em Blumenau. Aqui casou-se em 1914 com Frida Schoenfelder, também órfã, neta de Cristian Schoenfelder, que veio em 1853 e de sua mulher Henriette, Nata Fischer, que migrou em 1855 para o Brasil.
          Mathias notou que havia poucas diversões na cidade e que as pessoas que durante a semana toda trabalhavam de sol a sol, não tinham um lugar próprio, para nos fins de semana , bater um papo e tomar umas bebidas. Lembrou-se então de um coreto de praça na cidade de Heidelberg, na Alemanha, onde se criara.
          Este coreto atraia os cidadãos nos fins de semana. Era o lugar onde se ria, conversavam , conhecia pessoas, começava namoros, bebia vinho e cerveja, levava as crianças para passear e enfim se passava o templo livre.
          Por que não poderiam fazer a mesma coisa aqui? A ideia teve o apoio do então superintendente municipal, Paulo Zimmermann e tornou-se realidade. Foi lavrado em 1919, um solene contrato no livro próprio da Comarca de Blumenau, pelo qual o Sr. Mathias G. Fabian se obrigava a construir um “Pavilhão de Coreto de Música e Botequim”, na Praça Dr. Hercílio Luz.
          Constava ainda do documento, que o contratante estava obrigado a colocar no jardim da praça as mesmas mesas necessárias para o serviço de restaurante, atendimento ao público todos os domingos e feriados.
          O Pavilhão, como passou a ser conhecido, desde logo foi bem recebido pela população, e como na velha Heidelberg, do outro lado do Atlântico, tornou-se um ponto de encontro e lazer. A banda de música tocava, as pessoas passeavam, se divertiam, tomavam vinho e cerveja, além de gasosa, do capilé e da cachaça, tudo fabricado em Blumenau ou nas redondezas.
          O coreto passou a ser um centro de convergência das pessoas, já que no inicio da rua das palmeiras era o ponto de “carros de mola” e também de ônibus puxado por dois pacientes cavalos, do Sr. Gustav Grassmann, o qual fazia a linha do centro de Blumenau até o bairro de Itoupava Seca.
          O tempo ia passando, o Pavilhão abria também nos dias úteis.
Agora os moradores do interior, que tinham que fazer suas compras na cidade, pagar seus impostos ou vender seus produtos agrícolas de casa em casa, faziam sua parada no Pavilhão. Lá tomavam cerveja fabricada por Franz Hosang, Otto Berner Otto Jenrich, todas produzidas em Blumenau e comiam um pãozinho. As mulheres e  crianças gostavam de uma gasosa feita por Luiz Probst e Otto Jensen ( ou de capilé). Fabrivcavam naquela época capilé,  vinho de laranja e carambola, e os fornecedores eram Ernst Siebert da rua São Paulo e Rudolfo Thomsen, da Velha Central.
          O segundo fabricante ainda o célebre “Bitter Estomacal” muito requisitado. Até hoje, Sr. Thomsen, que mais tarde tornou-se proprietário da fábrica de vinagre do Sr. Siebert, guarda a primeira nota fiscal que sua firma extraiu no longínquo ano de 1929 e que tem como destinatário o Pavilhão de Mathias Fabian.
          Além dos pãezinhos tipo “bundinha” com queijo, salame, linguiça e ovos preparados em casa, à clientela era atendida com docinhos, chocolates e balas. Nos fins de semana havia cuca caseira especialidade de Dª Frida. Perto do Natal não faltavam maçãs e peras estrangeiras, maçã-pão e a gelatina “Waldmeister” importadas.
          Nos fins de semana, em dia de festa ou eleições, havia um suculento churrasco.
          Na época os cigarros eram de palha, mas havia grande sortimento de charutos como os dos “Irmãos Rothbarth”, de Blumenau, e Arthur Buerguer, de Pomerode.
          Em 1929, no governo de Curt Hering, o contrato foi renovado por mais dez anos. O pavimento foi aumentado. Neste tempo Mathias Fabian foi encarregado de projetar e executar a reforma e o embelezamento do jardim público da “Praça Dr. Hercilio Luz”, Foram acrescidas novas árvores ás já existentes, arbustos raros, árvores estrangeiras e semeadas flores. Bancos de madeiras pintados de verde, com os pés de ferro fundido, foram colocados. Todos os caminhos foram revestidos de uma camada de “Schamotte” coberta de areia.
          O “Schamotte” não prejudica as raízes das velhas e preciosas árvores que até hoje são o orgulho dos Blumenauenses.
          Bonito e aconchegante como se tornou o jardim, não faltavam visitantes que ocupavam os seus bancos. Ao por do sol, quando o céu se tingia multicolor, entre outras, o Sr. Arthur Koehler, proprietário do Jornal Periódico “Der Urwaldsbote”, procurava seu lugar predileto num banco à beira do rio Itajaí-Açu, com vista para o lindo panorama da cidade.
          A cidade cresceu muito, o ônibus puxado a cavalo foi substituído por um motorizado. Inaugurou-se linha para o bairro da Velha.
          Automóveis começaram a circular. A grande inovação da Tecnologia moderna no Pavilhão foi um caça-níqueis, que fazia a alegria não só dos jovens, como também de respeitáveis senhores de compridas barbas.
          Surgiram também os clubes de futebol, O Amazonas E.C. o “Blumenauense” hoje “Olímpico” o “Brasil”, depois “Palmeiras” e agora “Blumenau”, festejavam suas vitórias no Pavilhão da Praça “Dr. Hercilio Luz”.
Foto: Jaime Batista da Silva
          Em 1939 o contrato não mais foi renovado e acabou-se uma tradição.
          O pavilhão foi demolido, surgiu um posto de gasolina e mais tarde, no mesmo local foi erguido o “Monumento dos Voluntários da Pátria” .
Erica Pantzier – Filha de Mathias Fabian
CONTRATO
          A seguir vamos reproduzir os termos do contrato firmado entre o  superintendente  Zimmermann e o sr. Faban e que estabelecia o seguinte:
          Contrato para a construção de um pavilhão, na praça Hercilio Luz, que faz a Municipalidade de Blumenau com Mathias Fabian.
          Por este contrato, lavrado no livro de contratos da Câmara Municipal de Blumenau, o Superintendente Municipal Sr. Paulo Zimmermann e Mathias Fabian.
          Por este contrato, lavrado no livro de contratos da Camara Municipal de Blumenau Sr. Paulo Zimmermann e Mathias Fabian, jardineiro, morador nesta Cidade, perante as duas testemunhas (...) acordaram o  seguinte: Clausula Primeira: Matias Fabian obriga-se a construir até o dia 15 de novembro próximo, na Praça Hercilio Luz, desta Cidade, em lugar designado pela Municipalidade e de acordo com a planta por esta apresentada, um pavilhão para coreto de música e botequim, e a colocar no mesmo jardim as mesas necessárias para o serviço de restaurante que o contratante também se obriga a manter, correndo todas as despesas por conta do mesmo contratante Mathias Fabian.
Clausula Segunda: O Município de Blumenau concede ao contratante, em compensação, isenção de todos os impostos municipais. Durante o prazo de doze anos.
Clausula Terceira: Findo este prazo de doze anos, o pavilhão passará a ser propriedade da municipalidade, sem qualquer indemnização ao contratante, o que sucederá também se, durante o tempo do contrato, o Mathias Fabian deixar de explorar o estabelecimento, atendendo o público todos os domingos e dias feriados.
Clausula Quarta: A Câmara Municipal de Blumenau obriga-se a não fazer concessão igual no jardim da Praça Governador Hercilio Luz, durante os dozes anos de duração deste contrato. E por se acharem deste modo contratos, fez-se este que vai assignado pelo Superintendente Municipal e pelo outro contratante Mathias Fabian e pelas testemunhas F.E.F, que a tudo estiveram presentes. E para os fins legais dá-se ao presente o valor de (Rs. 600S000) seiscentos mil réis.
Revista Blumenau em Cadernos; Tomo XXVIII/4; abril de 1987, Fundação Cultural de Blumenau e Arquivo HJFS. 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

- As angústias de Dr. Blumenau

AS ANGÚSTIAS DO DOUTOR BLUMENAU
Por Carlos Braga Mueller/escritor e jornalista


Hermann Bruno Otto Blumenau foi um visionário e, ao mesmo tempo teve que ser um sonhador para concretizar a implantação da sua Colônia no sul do Brasil.
Quando lhe foi negada, pelas autoridades provinciais de Santa Catarina, a concessão gratuita das terras ele arriscou todo o dinheiro que tinha, e mais o que conseguiu com a família por empréstimo, constituindo uma empresa com Ferdinando Hackradt, passando a ser o detentor de uma Colônia particular. 

Conseguiu atrair poucos imigrantes para, com ele, fundar a futura cidade de Blumenau. Eram apenas 17, nove homens solteiros, duas mulheres solteiras, 2 casais, duas crianças. 

Mas chegando à densa floresta, onde índios selvagens estavam a espreita dia e noite, quase todos desistiram de ficar por aqui. Dos primeiros, só a família de Guilherme Friedenreich, o casal e duas filhas, e o charuteiro Frederico Riemer radicaram-se definitivamente na Colônia.
Os demais foram sucessivamente procurando outras plagas.
Aos poucos chegavam mais imigrantes, atraídos pela propaganda que na Alemanha se fazia sobre um futuro feliz no outro lado do mundo.
José Ferreira da Silva, no seu livro ”História de Blumenau”, narra as vicissitudes e infortúnios de Hermann Blumenau desde o início da colonização:
Casa de Dr. Blumenau que foi destruída na enchente de 1880

“Os infortúnios que ensombraram a vida do Dr. Blumenau multiplicaram-se com a chegada dos imigrantes. Atender-lhes as precisões mais urgentes, ouvir as queixas e reclamações de alguns, que se sentiam desiludidos, de outros torturados pelas saudades da terra natal, pensar na maneira de conseguir fundos para levar de vencida sua meta, eram assuntos que não o deixavam um só momento.” 
Alameda Duque de Caxias, Rua das Palmeiras em 1864

Em 1860 conseguiu transferir a responsabilidade da Colônia para o Governo Imperial e foi nomeado seu administrador, recebendo salário, o que o tirou do sufoco financeiro pelo qual passara desde a fundação, em 1850.
Até que, em 1881, a Colônia Blumenau foi elevada a município e Hermann Blumenau destituído da função.
Começava aí outra saga na sua vida, as dificuldades financeiras, sempre elas, com a possibilidade de não ter recursos para um futuro mais tranquilo.
A revista Blumenau em Cadernos, nas suas edições mais recentes vem publicando uma série de correspondências trocadas entre o Dr. Blumenau e seu amigo, Barão de Capanema.
O brasileiro Barão de Capanema, ou Guilherme Schüch, era filho de austríaco. Estudou em Viena e em Munique, na Alemanha, onde teve o apoio do botânico Von Martius, amigo de Hermann Blumenau.
Homem de confiança de D. Pedro II, Capanema em determinada época foi o encarregado de administrar a implantação de linhas telegráficas no Brasil, inclusive em Santa Catarina, onde contratou para o serviço o agrimensor Emil Odebrecht. Nesse tempo a amizade entre o Barão e Hermann Blumenau foi solidificada.
Por isso, prestes a deixar a administração da Colônia, elevada a município, ele contava suas mágoas, por carta, ao amigo. Reproduzimos alguns tópicos da correspondência:

Desde 1846 trabalhei duro neste país, procurei ajudar e ser útil onde era possível e servi ao Estado com entusiasmo, fidelidade e honestidade. Disso não colho méritos, pois apenas estava cumprindo a minha obrigação. No entanto, o fato de eu ter trabalhado muitas vezes além das minhas forças, e com isso arruinado completamente a minha saúde bem antes da hora e de ter ficado praticamente inválido para o trabalho, e ter me sacrificado bastante e ter sempre preterido os meus interesses e os da minha família, e apesar de termos vivido sempre modestamente, aos 62 anos não ter o suficiente para poder encarar o futuro sem preocupações, isso talvez mereça alguma consideração.”
Por isso, ao voltar para a Alemanha em agosto de 1884, sentia-se frustrado pela falta de reconhecimento por parte do Imperador.
Entretanto, várias vezes manifestou o desejo de permanecer e morrer na cidade que fundara e que tanto amou.
Nascido em 26 de dezembro de 1819, Hermann Bruno Otto Blumenau morreu em Brunsvique, Alemanha, no dia 30 de outubro de 1899. Estava com 79 anos, prestes a completar os 80.
Texto enviado por Carlos Braga Mueller/escritor e jornalista.
Para saber mais sobre Blumenau acesse:
Vídeo curiosidades sobre Blumenau:

http://www.youtube.com/watch?v=RIiU70pcf9U
Com Susan Germer e Adalberto Day

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