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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

- O Rádio do meu Pai

Crônica de Vitor Soares
Sou formado nas profissões de mecânica e eletrônica, por hobby sou brevetado como piloto privado de aeronaves, mas foi através da eletrônica que garanti o meu sustento até que pude me aposentar, ainda continuo na ativa com a eletrônica.
A inspiração pela eletrônica surgiu através do antigo rádio que o meu pai ganhou de um parente dele por volta dos anos 1960 ou 1962 da marca Saratoga. O rádio era movido a válvulas. Sus cobertura (capa) é de madeira. 
Todas as vezes que o meu pai ligava o rádio eu ficava repleto de curiosidade, queria descobrir a todo custo como é que aquela caixa falava.
O rádio era ligado apenas em algumas ocasiões como no horário almoço antes do meu pai ir trabalhar onde ele ouvia o repórter Esso e as notícias.
Também era ligado aos domingos onde meu pai ouvia musicas sertanejas, ele ouvia a Rádio PRC4 (rádio Clube), a Rádio Nereu Ramos e se não me engano também existia a rádio Difusora. Nós crianças não tínhamos permissão para mexer no rádio.
Impaciente eu queria a todo custo descobrir como aquilo falava, então sem o meu pai me visse eu ia atrás da cômoda onde estava o rádio e tentava meter os dedos pelos buracos de ventilação da tampa traseira.
Levei inúmeros choques porque conseguia encostar os dedos nas partes vivas do chassi do rádio, mas não desistia, a curiosidade apenas aumentava cada vez mais então havia prometido a mim mesmo que quando chegasse a mocidade iria estudar para saber como funcionava e como deveria ser consertado quando desse algum defeito porque me lembro do meu pai ter levado o rádio para o conserto em uma certa ocasião em que não funcionava mais e ficamos alguns dias sem ouvir nada.
Lembro que eu e a minha mãe costumava sintonizar a Rádio Aparecida de Aparecida do Norte, não lembro se a sintonia era feita em ondas curtas, médias, tropicais ou longas, mas dependia do tempo era possível ouvir bem as preces do Padre Vitor diretamente de Aparecida do Norte.
Eu e a minha mãe também ouvíamos rádio novela nesse rádio nas horas em que o meu pai (Osvaldo Soares) estava no trabalho, acho que uma das radio novela que ouvíamos era o direito de nascer ou viver, não lembro, e eu ficava encantado com as histórias, então decidi que queria ir assistir a novela ao vivo, queria conhecer os artistas e queria saber como é que eles se apresentavam.
Acho que era a rádio PRC4 que transmitia a radio novela e após ter saído da escola no meio de uma tarde, em vez de ir para casa fui procurar a rádio porque estava decidido a ver a novela pessoalmente.
Descobri onde era a rádio e chegando aos estúdios estranhei por ser tão pequeno e perguntei ao funcionário se eu podia assistir à novela que estava quase começando, ele disse que sim, apontou uma cadeira e pediu que eu me sentasse, na minha santa inocência fiquei esperando ansioso para a chegada do momento achando que o funcionário da rádio fosse me levar até uma enorme sala ou em algum enorme pátio onde teriam os artistas, chuva, vento, cavalos, crianças, etc.
Para o meu espanto olhei o funcionário colocando um LP de vinil no toca discos e foi a minha decepção, mesmo assim ouvi a novela até o final e fui para casa, a minha mãe só não me deu uma surra por chegar tarde em casa porque tratei de dar detalhadas explicações da minha curiosidade e ela me alertou que da próxima vez em que eu saísse da escola e não fosse diretamente para casa iria apanhar uma bela surra.
E essa é uma das passagens da minha infância relacionada ao rádio antigo do meu pai o qual eu preservo ele até hoje junto comigo.
Texto e foto do rádio de Vitor Soares
 Para saber mais sobre o dia do Rádio acesse:
Pra saber sobre PRC4 Rádio Clube de Blumenau acesse:
Para saber mais sobre a família de Vitor Soares acesse:

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

- Pensando Nele

                            PENSANDO NELE
(Para meu bisavô Katzwinkel, que veio no século XIX de Kaunas, Lituânia, e para minha prima Ivone Narloch, nascida Katzwinkel).

Por Urda Alice Klueger 


                                   Se procurar nos velhos documentos da família vou encontrar, mas a verdade é que não sei de cor sequer o seu nome. Minha avó, que estava prestes a fazer 7 anos quando chegou aqui, casou-se com 26 por volta de 1908 ou 1909 – o que significa que eles vieram mais ou menos no ano de 1889... No tempo em que convivi com ela ouvi-a falar muitas vezes nele, mas ela dizia “Meu pai”, e então nunca soube o nome dele, mas ele é muito forte na minha vida.
                                   Estou na madrugada de Natal e penso nele, como pensei tanto hoje, e nos últimos dias, e nos últimos anos, pois quando era mais jovem não chegava a me aprofundar neste assunto. Esta é uma época em que ele fica mais forte dentro de mim, pois fez uma coisa, no seu primeiro Natal no Brasil, que só gente muito especial teria feito: para não deixar passar em branco o Natal das suas crianças, andou 30 quilômetros a pé de ida e 30 quilômetros de volta para, na manhã do dia festivo, suas crianças terem a surpresa de UM docinho de Natal cada uma, escondido sob o prato emborcado na mesa rústica de uma cabana de imigrante dentro da floresta ainda praticamente virgem.
                                   Quem era ele, como era? Penso no meu pai, nos meus tios – o que teriam herdado dele? Penso em mim: a oitava parte da minha genética vem dele, e fico a lembrar como o meu pai era em relação ao Natal, data mágica e sagrada dentro da magia, fazendo tudo o que estivesse ao seu alcance para que cada Natal fosse um sucesso dentro de cada um de nós. Penso em mim e em toda esta curtição do Natal que possuo decerto porque herdei, e que faz com que eu faça todos os ritos, todas as comidas, enfeite a casa, mesmo que seja para comemorar a data apenas com os meus animaizinhos, como já fiz algumas vezes, como fiz hoje.
                                   Com meus cachorros empanturrados de peru saí para a noite, para a beira do mar desta enseada aonde vivo, e me sentei um pouco na beira daquela água que fica magnífica assim de noite, com os diversos pontos de luzes no seu entorno, tanto cá pelo continente quando mais lá longe, na ilha... Fiquei admirando a beleza daquilo tudo e pensando nele, naquele meu bisavô que me passou esta curtição do Natal, e me indaguei coisas: será que algum dia ele pensou que a sua filha teria um filho que teria uma filha, isto é, eu, que em pleno século XXI estaria na beirada do mar a pensar nele e a querer saber mais sobre aquele homem quase estranho mas que vivia tão fortemente nela? Imagino que ele fosse um jovem quando atravessou o grande mar-oceano num navio à vela que saiu de Hamburgo, navegou até Lisboa e depois ficou três meses vendo só “céu e mar”, conforme minha avó Emma Katzwinkel Klueger contava tantas vezes, pois quando se aventurou assim sua criança mais velha ainda não completara sete anos... Imagino que depois daquela travessia é provável que nunca mais tenha visto o mar...
O que pensava ele, o que sonhava? A luta pela vida era difícil e perigosa, então – dentre outras coisas, com sua família, estava dentre o fogo cruzado do genocídio Xokleng que acontecia no Vale do Itajaí, coisa tão criminosa e abjeta que foi parar num julgamento na Corte de Haia, na Holanda – a situação era difícil e imagino que sonhava, sobretudo, com segurança, com muita comida para suas crianças, com uma casa mais confortável do que sua cabana de palmitos... É provável que muita gente tenha esquecido dele, depois da luta que foi sua vida, mas agora ele está tão vivo e tão forte aqui dentro de mim! 


Frei João Maria

                                   Então fiquei lá na praia, nesta noite, olhando no entorno e pensando nele, e estar ali, com aquela água linda e aqueles colares de luzes me dava a sensação de estar dentro de um presépio, daqueles que o Frei João Maria o.f.m. fazia na igreja de Nossa Senhora da Glória, na Garcia, em Blumenau, quando eu era pequena, e então ficou mais forte a sensação de que ele estava ali comigo, quiçá em mim, pois se vim dele...
                                   Só queria contar que tenho pensado muito nele, naquele meu bisavô Katzwinkel que um dia veio lá do Mar  Báltico, da cidade de Kaunas, na Lituânia. Como ele é forte em mim!
                                   Enseada de Brito, 25 de Dezembro de 2016.

                                   Urda Alice Klueger

                                   Escritora, historiadora e doutora em Geografia.   

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

- Livros

Recomendo a leitura
Últimos livros que recebi e sugiro a leitura. Para adquirir exemplar mandar e-mail para cada um conforme na descrição de cada um. Todos lançados em final de 2016.

Vagões de Lembrança
Um livro que só acrescenta mais sobre a nossa antiga EFSCEstrada de Ferro de Santa Catarina inaugurada em 1909 em Blumenau, infelizmente desativada em 13 de março de 1971. O autor fez entrevistas com muita gente que fez parte da história riquíssima de nossa EFSC. E ao abordar sobre todas as Estações que compunham a EFSC, em consequência os entrevistados contam parte da história de Blumenau e região. Maravilhoso conteúdo. Parabéns Felipe Adam, jovem escritor com sucesso desde seu primeiro livro!
Jornalista nascido em Blumenau, formado na UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí. Agradeço por citar meu nome.
Contato: e-mail felipeadam91@gmail.com


Alinhavando “Poesia”
Um livro de poesias escrito pela consagrada e renomada escritora gasparense Arlete Trentini dos Santos. Já recebeu diversos prêmios e comendas. Embaixadora da Paz da Divine Academie Française des Arts Letres el Culture, Membro Efetivo da Academia Nacional de Letras do Portal do Poeta brasileiro entre outros adjetivos. O livro de fácil agradável leitura apresenta diversos poemas. Colaborador a e colunista no Jornal Sem Fronteiras de Gaspar/SC.
Contato: e-mail arletesan@terra.com.br



Ecos de um Peta
Um livro maravilhoso de autoria de Júlio Cesar – JC BRIDON, nascido em Blumenau e casado com a gasparense escritora Arlete Trentini dos Santos  . O autor escreve no Jornal Metas e no Jornal Cruzeiro do Vale ambos de Gaspar. Embaixador da Paz da Divine Academie Française des Arts Letres el Culture, Membro da Academia Nacional de Letras do Portal do Poeta Brasileiro, cadeira 12, entre outras atribuições e virtudes “Podem me impedir de escrever mas, de pensar, jamais” JC BRIDON.
Contato: e-mail bridon@terra.com.br

Agradeço a todos pelo carinho:
Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

- Natal do imigrante em Blumenau

Texto enviado pela historiadora Sueli M,V. Petry
Diretora Patrimônio histórico de Blumenau

Entre o sonho do imigrar e a realidade do chegar:
Natal do imigrante

 Com o processo civilizador dos europeus no Vale do Itajaí ocorreu a introdução de uma diversificação de usos e costumes que se são marcantes nas áreas colonizadoras do sul do Brasil.
  Muitas das tradições que ainda hoje se preservam fazem parte do cotidiano das pessoas, as quais herdaram dos imigrantes  que a trouxeram na sua  bagagem cultural. Nesta interface do “sonho do imigrar e a realidade do chegar”, uma série de transformações ocorreram nas vivências dos imigrantes.
Uma destas vivências é narrada pelo imigrante Karl Kleine, ao chegar no ano de 1856.
 A chegada ocorreu justamente no dia de Natal  eis o que narra o imigrante: “Naturalmente faltava muito para que pudéssemos nos instalar confortavelmente, contudo, precisaríamos nos conformar....
À noite, depois do jantar todos estavam sentados ao ar livre e um sentimento estranho invadiu cada um – era a primeira noite na nova pátria, era Noite de Natal! – Todos recordavam os natais na antiga pátria e, de repente, fez-se um silêncio estranho (....)
A princípio baixinho e timidamente, a seguir, cada vez mais alto e forte, ouvia-se a canção “Noite feliz”, que se misturava com o canto estridente das cigarras. Ninguém sabia quem havia iniciado, mas todos acompanhavam a pequena canção, mas de conteúdo rico, cujos acordes ecoavam pelo céu estrelado.
Era como se um anjo tivesse descido para acalentar todos os corações. Nessa noite, mais do que durante a viagem inteira, todos se sentiram muito próximos uns dos outros. – Ninguém percebeu que já era meia noite!”.[1]
Arquivo família Oliveira
As lembranças dos imigrantes não param por aqui, um outro imigrante revela que chegou (1875), alguns meses antes da festa natalina. E, conta... “Na véspera do natal nossa comida estava chegando ao fim, comemos pão seco e já mofo, acompanhado de água do ribeirão”. Como se constata, muitos sentimentos tomavam conta dos corações dos imigrantes, com eles agregaram-se novos elementos para a celebração da festa Natalina nos trópicos. O antigo costume europeu de decorar a árvore com maçãs e nozes para se fazerem mais visíveis eram dourados ou prateados e recobertos de açúcar.
Foto reprodução
Nas áreas de colonização alemã este costume foi substituído por novos componentes. Vejamos o que nos diz Frederico Kilian num conto inspirado nas memórias de imigrantes:
“O nosso primeiro pinheirinho de natal. Mas não é o pinheiro alemão, “Abies pectinata”, mas sim, uma árvore com folhas aciculares mais duras, que nasce no planalto, a “auracária brasiliensis”, e que foi introduzida aqui na colônia pelo próprio Dr. Blumenau que arranjou as sementes da zona serrana. Cresce muito ligeiro e dentro de quatro a cinco anos já pode ser cortada para servir de árvore de natal.
Nos anos anteriores nossa árvore de natal era um arbusto ou pequena árvore com galhos simétricos e que enfeitávamos com pequenas fitas de cores, cortadas de restos de fazenda, com as quais prendíamos aos ramos as flores das múltiplas orquídeas que aqui abundam, e pendurávamos em falta das costumeiras gulodices (doces, maçãs e peras), as frutas que nascem aqui, como bananas, cachos de uvas maduras e várias frutas silvestres.
Também não faltavam as velinhas de cera de cera, pois existem aqui nas matas abelhas, de várias espécies, que se alojam nos troncos ocos das árvores que produzem uma cera escura, mas que serve para fazer velas.
Assim, em todos os anos não deixamos de ter a nossa árvore de natal, mesmo nos três primeiros anos em que a vida era dura de fato.(...) Aqui estamos, com a graça de Deus, vivendo felizes e contentes,...”.[2]
 Hoje há árvores de Natal que são artisticamente decoradas. Os adornos empregados para decorar a árvore de Natal experimentaram grande mudança.  Também se generalizou o uso de filetes dourados e prateados, conhecidos como lameta, feito a base fino estanho, de 30 a 40 centímetros de comprimento e apenas um a dois milímetros de largura, para estender sobre as ramas do pinheiro, realçando suas linhas.
Agregou-se a isto “Cabelos de anjo” de lã de vidro, algodão brilhante e estrelas prateadas ou outro material que cause efeito, e eis que está pronto o Pinheirinho ou o Tannenbaun. 

(....) O iniciador desse costume  do “Natal de rua” foi um paulista chamado Carlos Mazzei, filho de italianos. Recebera de seus pais, católicos praticantes, o ensinamento cristão de festejar o nascimento de Cristo com grandes solenidades e efusivas alegrias. Desde sua adolescência, seu espírito de observação foi acumulando uma profunda piedade por inúmeros semelhantes seus, menos afortunados, que não possuíam recursos para que o seu Natal se tornasse uma data mais festiva e algo diferente da triste rotina de privações de todos os outros dias.  Idealizou, então, um meio de transformar as praças públicas, as ruas da cidade e os logradouros comuns em grandes presépios coletivos.”
Tradição alemã trazida para Blumenau - Papai Noel do Mato
Ornamentação natalina nas ruas de Blumenau
                   A tradição da ornamentação natalina em nossa cidade teve início na década dos anos setenta. Neste tempo, a Comissão de Turismo da cidade, juntamente com o apoio do comércio, ornamentou a cidade e os bairros da Velha, Garcia e Vila Itoupava. Esta Ornamentação deu um toque todo especial, principalmente à noite.
Mereceu por parte de toda a imprensa e visitantes os maiores elogios, tanto pela beleza e bom gosto, como pelas inovações. É  o caso da Avenida Beira Rio - que foi decorada de ponta a ponta.
 O projeto decorativo do ano de 1971 contou com o apoio do artista carioca Almir Silva. As peças decorativas foram todas confeccionadas pela própria prefeitura, que contou com a supervisão da Comissão.
Esta novidade, copiada anos mais tarde por outras cidades, trouxe muitos turistas que vinham apreciar e realizar compras nas casas de comércio. Esta tradição, com o passar dos anos, teve os seus altos e baixos.
 Arquivo de Adalberto Day
Ao ser retomado, através do Projeto “Magia do Natal”, este evento se expandiu também para a Vila Germânica e ruas da cidade. A visitação de blumenauenses e turistas que acorrem para apreciar este local de encantamento das ornamentações natalinas, encontram locais de venda de produtos relacionados ao período festivo, exposições, desfiles, oficinas de pintura em doces, visita à casa do Papai Noel e outras atrações culturais que marcam esta programação natalina que se encerra em 6 de janeiro. 
Sueli M.V.Petry
Diretora Patrimônio Histórico

[1] Suas memórias foram publicadas em alemão sob o título  “Blumenau de Ontem: experiências e recordações de um imigrante” - (Blumenau einst Erlebnisse und Erinnerungen eines Eingewanderten). Os originais manuscritos em 35 cadernos foram doados pela família. Os mesmos estão sob a guarda do Arquivo Histórico Prof. José Ferreira da Silva, órgão vinculado à Fundação Cultural de Blumenau.  Fundo Memória da Cidade – Coleção “Família Kleine”.  

[2]Arquivo Histórico José Ferreira da Silva: Fundo Memória da Cidade. Família Kilian – série Produção Intelectual.
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OS “PELZNICKEL” MORAM AQUI PERTINHO...EM GUABIRUBA PARA SER MAIS EXATO!
Texto enviado por
Carlos Braga Mueller (Jornalista e Escritor)
 
pelznickel.blogspot.com

Em Blumenau, antes da chegada do Natal, mais precisamente na noite de 6 de dezembro, as crianças deixavam suas meias ou sapatinhos na janela para que o Papai Noel, ou seus ajudantes, colocassem ali guloseimas: bombons e pequenas lembranças. Mas existia uma recomendação: só as crianças obedientes e estudiosas receberiam presentes.
As malcriadas e as que não haviam estudado durante o ano teriam que rezar muito e pedir perdão pelas suas faltas.

Esta situação era comum na Blumenau da metade do século passado. É possível que esta tradição ainda permaneça no seio de algumas famílias.
 
pelznickel.blogspot.com

Em algumas regiões da Alemanha, Croácia, Eslovênia, Hungria e Suíça , existe um personagem nas comemorações natalinas que, longe de ser simpático como o Papai Noel, é um ser que mete medo: coberto de folhas, máscara diabólica e chifres, ele é conhecido na Alemanha como o Pelznickel, que ao invés de brinquedos e doces, sai da floresta trazendo nas mãos um chicote para assustar as crianças que não gostam de estudar. E tem uma missão importante: é o ajudante do Papai Noel !

Nos relatos dos imigrantes que colonizaram Blumenau, não encontramos referências a essa figura, que certamente não era tradição nas regiões de onde os migrantes vieram, por isso não a trouxeram consigo.

Acontece que foi em Guabiruba, aqui em Santa Catarina, que aflorou a ideia, recente, de se introduzir o Pelznickel nas comemorações do Natal. Com chicote na mão e um saco para levar as crianças mal educadas e desobedientes !

Há cerca de 10 anos foi fundada em Guabiruba a Sociedade Pelznickel, que tem sede própria no bairro Imigrantes, naquela cidade.
  
Segundo um estudo feito pela blumenauense Marion Bubeck no opúsculo “Desfile Natal Alles Blau”, editado em 2009 pela Fundação Cultural de Blumenau, “outra tradição, fortemente difundida entre os povos germânicos e em algumas regiões da América colonizadas por grupos étnicos europeus, nos conta que São Nicolau (o Papai Noel alemão) possui ajudantes, que são os Pelznickel.
No dia 06 de dezembro, dia de São Nicolau, os Pelznickel saem da floresta para buscar as cartas de Papai Noel e verificar como as crianças estão se comportando. Sua indumentária são roupas velhas escuras, com máscaras muito feias e chifres. Nas mãos levam acessórios como correntes, chicotes e um saco. Neste dia eles vêm para verificar quem são as crianças desobedientes. Se o comportamento da criança não melhorar até o dia 24 de dezembro, eles virão buscá-la e levá-la para a floresta.”

Como se depreende, causavam terror nas crianças, sob o pretexto de que iriam corrigi-las.

Lembro que quando criança, na noite de São Nicolau, eu deixava um sapato na janela e esperava que o Papai Noel e seus ajudantes colocassem as guloseimas. De manhã lá estava um chocolate. Mas minhas tias, que cuidavam disso, sempre diziam que só viria o presente se eu fosse obediente.
 
pelznickel.blogspot.com

Pelo que consta, os ajudantes conhecidos como Pelznickel só têm atuação no município de Guabiruba.
Nas semanas que antecedem o Natal, começando em 6 de janeiro, eles andam pelas ruas daquela  cidade, participam de desfiles e recebem turistas na sede da Sociedade Pelznickel, onde – em um bosque – fazem representações.   


É possível que alguns imigrantes que aportaram na região de Guabiruba tenham transmitido a seus descendentes por tradição oral, a existência desses duendes da floresta, adotados pelos guabirubenses como mais uma tradição natalina do Vale Europeu.
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Arquivo da família de Nahir de Oliveira envida por Ângela Maria de Oliveira
Adendo de José Geraldo Reis Pfau – Publicitário em Blumenau
Bolas ou bagas de Natal
Material (bolas de natal em vidro) são muito lindas. 
Lembro que na casa de meus pais a árvore (tannenbaun) era feita na sala que ficava trancada até na noite do dia 24. Nós ficávamos olhando pelas frestas da porta e janela e tentando ver lá dentro quando eles abriam a porta. Os conjuntos de portas da sala na nossa casa eram com vidros martelados, portanto se viam vultos. Claro que, tinha momentos, em que víamos o Papai Noel de vermelho lá dentro da sala. Imaginação infantil. Junto à arvore ficavam os presentes. Cinco filhos era uma maravilha de Natal. Na árvore colocavam algodão para imitar a neve, as bolas de vidro eram grandes, reluzentes, coloridas e castiçais pequenos com velas eram distribuídos pelos galhos. A árvore chegava até perto do teto - aonde tinha uma ponteira na forma de estrela e de vidro também. Minha mãe tinha o talento de cantar (principalmente nas missas) e se fazia uma fila para entrar na sala na hora “H”. O pinheiro já estava aceso com dezenas de velinhas. Era maravilhoso. Luz só do lustre no canto da sala. E entravamos na sala cantando o NOITE FELIZ, a mãe e o pai atrás, com a voz de minha mãe em evidencia. Emocionante. Daí em diante era o sonho se realizando. 

Tradição Alemã do Pelznickel em Guabiruba (SC)
Papai Noel Existe?

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

- Nossa Senhora e São José

Crônica de Adalberto Day
Maria e José
Em 1929 a história da Igreja Nossa Senhora da Glória e do Grupo Escolar São José começa a se tornar realidade.
Tudo começou na Rua Belo Horizonte bairro da Glória em terras da família Loos e com o nome de Escola Paroquial São José. Depois se mudou para frente da atual Igreja Nossa Senhora da Glória e a partir da década de 1940 para o endereço atual Rua da Glória, 888 bairro Glória. 
Frei Beda Koch (ao centro) com os alunos na antiga escola da Rua da Glória, em Blumenau, na década de 1930. 

Desde minha infância e de milhares que moravam no então Garcia, um dos locais mais frequentados pelos moradores eram a Igreja Nossa Senhora da Glória e Grupo Escolar São José. Um ao lado do outro no mesmo número. Quantos encontros amorosos que resultaram em casamento na própria igreja, batizados, festas populares aconteceram desde 1929.
A Escola formou grandes cidadãos que se tornaram trabalhadores das empresas principalmente Garcia e Artex. Cidadãos e cidadãs que saíram pelo Brasil com um aprendizado exemplar podendo exercer funções com destaques por todos os cantos. Uma igreja linda, que merece ser tombada pelo patrimônio histórico de Blumenau, uma preciosidade.

 A Igreja Nossa Senhora da Glória é imponente, bela, majestosa, uma das mais lindas de nossa cidade. Sua edificação foi inaugurada em 1947, baseada na Igreja São Paulo Apóstolo que infelizmente foi demolida em 1956. Alguns Padres marcantes, o primeiro Frei Beda Koch, Frei Raul Bum, Frei João Maria, Padre Silvio, Padre Virtulino, Monsenhor Geraldo e tantos outros.
E o Grupo Escolar São José, que maravilha, que sonho para todos nós. Lembrar-se das Freiras de Minas Gerais e de todos que lecionaram neste Educandário Atual Celso Ramos. A primeira Professora Júlia Strzalkowska.
Abaixo parte da história da Igreja Nossa Senhora da Glória e Grupo Escolar São José.
 
1976
 
1978
A Igreja Nossa Senhora da Glória (pedra fundamental em 1942) inaugurada em 16 de março de 1947.A imagem mostra a igreja na década de 50, 60 e atual.
 
Freiras de Minas Gerais
Da esquerda pra direita, começando do primeiro degrau, ou seja, de baixo para cima.
Nomes das Irmãs que trabalhavam no Garcia e Apiúna na visita da Superiora Madre Maria Elizabeth no ano 1960.
1ª fila: Irmã Maria Dora (com as mãos dentro da manga) Irmã Maria Artêmia (sem óculos) Irmã Maria Hilária (com óculos) Irmã Maria do Pilar (com óculos) Irmã Maria Ludovina (que é natural de Apiúna) e Irmã Maria Joelma (que deixou o Convento)
2a fila: Irmã Maria Ignácia (com óculos) Irmã Maria de Fátima (sem óculos) Irmã Maria Rosina Irmã Maria Trindade, Irmã Maria da Paixão Irmã Maria Josélia (com óculos e que deixou o Convento) e Irmã Maria Simone.
3a fila: Irmã Maria Benigna, Irmã Maria do Rosário (com óculos) Irmã Isabel Maria (com óculos e no alto) Madre Maria Elizabeth (bem no meio) Irmã Maria Conceição (sem óculos e alta) Irmã Conceição que depois adotou o nome de Marina Resende, falecida dia 28/07/2013 com 86 anos, em Itajubá - Minas Gerais.  Irmã Maria São Mauro e Irmã Maria Caridade (com óculos) As que estavam em Apiúna no Grupo Escolar São João Bosco: Benigna, Isabel Maria, São Mauro, Caridade, Trindade, Maria de Fátima, Artêmia, Hilária. 
Já falecidas: Irmãs Conceição, São Mauro, Benigna, Trindade, Hilária, Madre Elizabeth. 
As Irmãs dizem que foi o melhor tempo da vida delas, o tempo de Garcia e do que passaram no Sul e que o povo as queria um bem enorme. Irmã Mercedes Darós (natural do Apiúna).
Colaboração Guiomar Daros Peixe e Mercedes Daros Peixe
Imagem Orlando de Oliveira e Edite de Oliveira Buerger 

História
Lado a lado Igreja e Educandário
A Escola de Educação Básica Governador Celso Ramos foi fundada em 14 de fevereiro de 1929, com o nome de Escola Paroquial São José (servia de Capela pela comunidade – com sede inicialmente na Rua Belo Horizonte, em propriedades da família de Carlos Loos), abrigando os primeiros 50 alunos na única sala. Nesta sala a professora lecionava para alunos de 1a, 2a e 3a séries.
“A primeira comissão formada para a construção da escola e a igreja era formada por Henrique Heiden, Carlos Loos, Roepcke, Gustavo Weinrich. Compraram o terreno da família Schatz (antes o terreno era da família Sasse). Todos com exceção de José Schatz doaram o terreno, que chegou a estar em mãos da professora Júlia Straskowsky. Antes dessa negociação do terreno, cogitou-se a construção de um cinema e de um hotel” (depoimento do senhor Nicolau Schtaz em 2002). O primeiro Presidente da escola foi Paulo Schatz, vice-presidente Carlos Loos e o primeiro secretário Nicolau Schatz.
 
Década de 1950, de 1970 e atual
Quem sugeriu o nome da igreja e ajudou a fundá-la foi frei Beda Koch, já na segunda comissão presidida pelo Sr. Rafael Rosini.
- Em meados de 1951, a Escola já contava com mais de 500 alunos.
- Em 1953, uma nova comissão em prol da ampliação da Escola foi formada, comandada pelo Frei Raul Bunn.
 - Em 1957, a Escola que era particular foi transformada em Grupo Escolar São José, por decreto do então governador Jorge Lacerda.
- Em 1960, o novo prédio foi oficialmente inaugurado pelo Governador Jorge Lacerda, que assinou convênio com a escola, decretando que as professoras seriam remuneradas pelo Estado.
- No ano de 1966, pelo Decreto Nº 3823, de 21 de janeiro, foi criado o Ginásio Normal Governador Celso Ramos, funcionando somente no período noturno em salas cedidas pelo Colégio São José e tendo como diretora a Professora Dóris Terezinha Sanceverino
- Em 1969, o Ginásio passou a funcionar em prédio anexo ao Colégio São José, com 12 salas de aula, além de salas destinadas à secretaria, à direção e aos professores.
- Em 31 de março de 1971, com a implantação do novo plano estadual de educação, a Escola foi transformada em Escola Básica Governador Celso Ramos.
- Em 1974, houve a fusão do Grupo Escolar São José com a Escola Básica Governador Celso Ramos.
- Em 1976 houve a implantação do 2º grau e a Escola passou a ser denominada Conjunto Educacional Governador Celso Ramos atual Escola de Educação Básica Governador Celso Ramos.
Essas terras onde estão o colégio foram adquiridas da família Schatz , pela comunidade de todos os credos, mas por indução do Frei Raul Bunn, a comissão comandada pelo Sr. Rudolfo Papst passou a emprestar o nome da Igreja como proprietária que iria assegurar em nome da comunidade.
Lamentavelmente em agosto de 2002, o Bispo diocesano da catedral São Paulo Apostolo Dom  Dom Angélico Sândalo Bernardino de Blumenau através da MITRA, vendeu ao governo do Estado o Colégio que foi construído pela comunidade sem distinção religiosa. Um ato que revoltou toda uma comunidade, de uma atitude prepotente, e sem fundamentação histórica. Observação.: Pelo que sei e toda a comunidade nunca prestou conta da Venda, ou seja onde anda esse dinheiro?, onde foi aplicado. Pergunta que não quer calar.
A comunidade no geral não foi consultada, apenas alguns lideres que não aceitaram a venda, gerando discussões em Rádios e Jornais.
O colégio e a Igreja foi o esforço de toda uma comunidade, ainda quando a Rua da Glória era conhecido com o nome de Spectife (palavra de origem alemã que quer dizer terra gordurosa ou lamacenta – barro vermelho) e foi nessas terras lamacentas que a comunidade do grande Garcia independente de credo, política, e pessoas representativas do bairro, como o Sr. Rudolfo Papst, Orlando de Oliveira, Francisco de Oliveira, João Heiden, José Klein Jr., Júlio Corsini, Antonio Tillmann, Nelson Salles de Oliveira, José de Oliveira, posteriormente Frei João Maria e o Padre Virtulino que introduziu o segundo grau e tantos outros que poderíamos nominar, levantaram tijolos por tijolos deste grande Educandário. Quero aqui relatar que dentro do direito judicial a venda do educandário foi efetuada dentro da legalidade, porém nem tudo que é moral é ético, e foi isso que foi ignorado.
Quando falamos que foi a comunidade que construiu, foram de todos os credos, inclusive os céticos, maçônicos espíritas e ateus, o que eles queriam era uma escola. - Houve participação efetiva da Empresa Industrial Garcia, inicialmente nos anos 20 e 30 com o Sr. João Medeiros Jr. (que também foi fundador da Radio Clube) e depois a partir de 1940 com o Sr. Ernesto Stodieck Jr. Como também da Artex S/A
- Dizem os moradores: "Foi o resultado de uma luta de classe, e deve ser melhor esclarecido pela Mitra, que precisa primeiro conhecer melhor a história de luta do povo do Garcia, antes de tomar qualquer atitude" . Essa historia começa antes da fundação da colônia Dr. Blumenau, de pessoas que já residiam por aqui desde 1846, nas imediações do inicio da Rua da Glória e que vieram do antigo Ribeirão Garcia, hoje Ribeirão Camboriú, conhecida como gente do Garcia.
“Mas o que queremos e sempre faremos é defender os interesses desta que foi a primeira comunidade organizada de Blumenau argumentou um dos moradores.” Até quando veremos esses tipos de desmandos e desrespeito a nossa comunidade. 
Arquivo de Dalva e Adalberto Day 

domingo, 11 de dezembro de 2016

- Fotos e documentos família de Victor Soares

Foi com muito orgulho que no dia 28 de novembro 2016, recebi este e-mail conforme dados  descritos abaixo.
Boa noite Sr. Adalberto.
Sou natural de Gaspar, nascido em 1955, mas fui criado em Blumenau desde os dois anos, resido em São Paulo a mais de trinta anos.
Quando batem as saudades eu acesso a sua página e fico olhando de tudo sobre a minha cidade.
Tenho alguns documentos, (anexos) que eram do meu avô e do meu pai, caso o Sr. tenha interesse em postar na sua página eu ficaria contente em poder compartilha
r.
Foto: 1970
Sou Vitor Soares nascido em Gaspar SC aos 06 de abril de 1955 e fui criado em Blumenau desde os dois anos de idade, estudei no Grupo escolar Adolfo Konder onde a diretora da época chamava-se Doracy Inês Dalsenter, o curso primário foi concluído no ano de 1968 conforme certificado .
Não tenho importantes informações sobre os meus avôs paternos, apenas sei que o meu avô paterno Chamava-se Victor Soares e a avó paterna chamava Maria Soares.
Casa de meus avós 1980 - Rua Prefeito Leopoldo Schramm, bairro Gaspar Grande, Gaspar próximo ao número 1800 mais ou menos.
O meu avô materno chamava-se Leonel Próspero de Aguiar, nasceu em 10 de junho de 1898 e faleceu no ano de 1967, foi casado com Amélia de Aguiar onde teve seis filhos, após o falecimento de sua esposa o meu avô casou-se com a irmã da sua esposa Eletlvina onde teve duas filhas sendo uma delas a minha mãe Alzira.
Esse meu avô fazia o cultivo de arroz em grandes campos alagados, criava gado tinha também plantações de cana e tinha um engenho onde a cana era moída através da força de animais de tração como bois ou cavalos que atrelados andavam em círculos para movimentar o engenho.
Eu era muito pequeno, não posso precisar a idade, mas ainda lembro-me dos animais andando em círculos quase que o dia todo para movimentar as moendas do engenho onde o meu avô produzia o melado de cana, o açúcar mascavo e a cachaça, anos mais tarde o meu avô substituiu os animais por um motor a diesel de apenas um pistão e eu adorava ver o meu avô dar a partida nesse motor manualmente com uma manivela.
O meu avô mantinha guardado um baú pequeno confeccionado de folhas de flandres onde ele guardava todos os documentos que achava ser importante, antes do falecimento da minha avó eu pedi a ela esse baú com a promessa de preservar os documentos guardados pelo meu avô e ela me concedeu o baú.
Entre os documentos estão notas fiscais de compras efetuadas em Gaspar e Blumenau bem como notas promissórias, um mapa de Blumenau e arredores datado do ano de 1905, imposto de carroça, certificado de propriedade de bicicleta, etc.
Um bilhete de um farmacêutico chamado Anfiloquio Nunes Pires convidando o meu avô a participar de uma reunião do partido revolucionista, mas não me lembro do meu avô participando de atos políticos.
O meu pai Osvaldo Soares, nascido em 02 de abril de 1933 e falecido no ano de 1994 trabalhou na antiga fábrica de chapéus Nelsa que era instalada perto no SENAI na Rua São Paulo e depois que a empresa encerrou as atividades ele trabalhou até a sua aposentadoria na Cia Hering no bairro do Bom Retiro.
Com o início da televisão no Brasil, no ano de 1969 o meu pai comprou um aparelho da marca Telefunken na loja Germano Stein conforme cópia da nota .
Documentos e fotos

Meu avô. esposa, cunhada e filhos.


Casa de meus pais em Blumenau nos anos de 19(60) - Rua Frei Estanislau Schatte, 1516, bairro água Verde, Blumenau.
Minha irmã Solange em 1962 em Blumenau
 
Bilhete de um namorado de uma tia
Certificado de Bicicleta
Convite de casamento
Duplicata
Nota de entrega
Nota fiscal de Televisão
Regras de imposto
Telegrama
Emplacamento de carroça
Nota de compra
Nota de entrega
Arquivo e texto
Vitor Soares

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