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terça-feira, 12 de junho de 2018

- Na época do Frei João Maria

RECORDAR É VIVER – PARTE 2
Por Sérgio Cunha


As minhas primeiras lembranças sobre acontecimentos religiosos me remetem ao Frei João Maria (Foto), o pároco da Igreja N.S. da Glória, localizada no bairro Garcia. Sobre o Frei Raul, o antecessor, não tenho lembrança, provavelmente por ser eu ainda muito pequeno. Frei João marcou muito, principalmente porque ele nos lecionou aulas de doutrina.
Tinha um comportamento bem peculiar, pois quando nos encontrava no pátio da igreja, indo para a doutrina, de longe já citava o nome do aluno e ia logo perguntando se estava tudo bem, como estavam o papai, a mamãe, se tínhamos estudado a lição da doutrina, etc. Colocava a sua enorme mão no ombro do menino e começava a apertar fortemente o musculo, acho que é o “ombrex”, kkk, enquanto esboçava seu largo e exuberante sorriso.
Nós, garotos, sentíamos muita dor, pois ele apertava bem forte, mas aguentávamos, mesmo porque nos ensinavam que “homem não chora”. Os garotos comentavam entre si que doía bastante, mas nunca soube de alguém que tivesse reclamado por isso, ao frei. Comentavam também que quando era possível, se desviavam do caminho dele, dando a volta ao redor da igreja, indo direto para a catequese.

As aulas de catequese eram lecionadas atrás da igreja num salão que servia para atividades variadas. Foram alí as primeiras aulas da Dona Julia (Foto), catequese, reuniões, além de Sede da Congregação de Marianos e das Filhas de Maria. Nesse local, em domingos que tinham celebração especial, perfilavam-se os Congregados Marianos e as Filhas de Maria, rigorosamente paramentados e principalmente portando sua fita de congregado no pescoço. Em seguida, contornavam a igreja, margeando próximo a rua e entrando pela porta da frente, entoando belos hinos religiosos.
Ocupavam essas pessoas a terceira carreira de bancos da igreja para o final, porque a primeira e segunda carreira seriam ocupadas pelas crianças que estavam na catequese. O padre iniciava a missa e quando chegava na hora do “Sermão”, aproximava-se das crianças e as questionava aleatoriamente sobre o texto lido no Evangelho, com a finalidade de testar se estavam prestando atenção a missa e também para fixar a doutrina.
Por pouco, muito pouco mesmo, o povo não aprendeu a falar em latim, pois tudo o que o padre falava durante a celebração: “Dominus Vobiscum”, o povo respondia: “Et cum Spiritu tuo”. Não aprendemos porque o latim caiu em desuso. Era, sem sombra de dúvidas, uma linda celebração religiosa.
No pátio da igreja (Foto), bem encostadinho da rua, tinha uma pequena banca de madeira, tipo banca de revista, pintada de verde claro, onde os fiéis encontravam e compravam uma variedade imensa de artigos religiosos, como crucifixos, escapulários, terços, imagens, bíblias, catecismos, velas, medalhas, pingentes, “santinhos”, etc. A banca era aberta pouco antes de iniciar a missa e fechava logo depois do final da mesma.
Localizados atrás do salão e portanto também atrás da igreja, existiam os banheiros, erguidos em uma construção de alvenaria bastante rudimentar. Entre esses banheiros e o colégio iniciava o caminho que subia o morro em direção a gruta de Nossa Senhora
Gruta
O caminho foi escavado no morro em forma de ziguezague entremeado com as arvores. Nos dias que a comunidade se reunia para prestar homenagem a Santa, principalmente quando realizada à noite, com os devotos subindo o morro, empunhando suas lanternas iluminadas com velas, formava-se um espetáculo indescritível. Lembro de quando era encenada a Via Sacra, as 15 estações da crucificação de Cristo. Um espetáculo sem igual.
Em 1959/60 as irmãs do grupo escolar selecionaram uns oito meninos do primeiro e segundo ano e montaram conosco uma peça teatral. Depois de vários e vários dias de ensaio, fizemos nossa apresentação naquele salão atrás da igreja onde se reuniam os congregados. O nome da peça era: “O esquife do morto vivo”. Encenávamos um fato acontecido em um velório e em um determinado ato, o defunto se levantava, “vivinho da silva”. Aí era um corre-corre danado. Fizemos somente três apresentações e logo fomos censurados pois algumas crianças que assistiram, a noite não conseguiram dormir, kkk. Nunca soubemos se alguma das freiras era fã do Zé do Caixão, hehe.
Anos mais tarde (63/64), o Érico Morbis fundou um grupo de teatro de jovens com idade entre 15 a 20 anos, batizado de TASC, Teatro Amador Sta. Cecilia, que fizeram bastante sucesso durante alguns anos, encenando episódios como “Os Dois Sargentos” e “Sinal Misterioso”, entre outros. Inicialmente as apresentações eram feitas em um pequeno palco montado no pátio do Grupo Escolar São José que ficava lotado pelo povo. Não demorou muito, o grupo fez tanto sucesso que se apresentavam no palco da Cantina da Artex e apresentavam-se também em cidades próximas.
Alguns integrantes desse grupo eram os nossos amigos, Celézio Bernz e Maurina Pereira, Irineu Bernz, Ornélio Bernz, Jacó Antônio Tomasi, Luiz Ernesto Souza (Leco), Jaci Sestrem, Álvaro de Andrade, a Cristina, que trabalhava no Centro de Treinamento da Artex, Getúlio Cristofolini, Gerson Cardoso, entre outros.
Em conversa com nossa querida amiga Erica Morbis, que contribuiu com importantes informações sobre esse grupo de teatro, contou-me ela também que quando falava com o Érico sobre o grupo, sua mãe Dona Aninha lhe disse que era ela que costurava as vestimentas e figurinos do grupo.
Nessa época, os jovens na nossa faixa de idade, estávamos exalando hormônios por todos os poros e iniciava-se então aquela fase de flertes, namoricos e olhares apaixonados. Alguns casais saíam do colégio de mãos dadas com suas namoradas. Um ou outro casal arriscava-se a dar as primeiras bitoquinhas.
Acontece que morava no Garcia um senhorzinho, cujo nome não é necessário mencionar, o qual era extremamente religioso e conservador dos preceitos da família. Ele dirigia uma carroça puxada por dois cavalos. Quando via um casal de namoradinhos de mãos dadas ou trocando bitoquinhas na rua, ficava furioso e os ameaçava com seu chicote em punho. Uma outra vez o vi parar a carroça, descer e sair em perseguição de um casal. Sorte deles que eram mais jovens do que ele e corriam mais rápido, kkk. Foi muito divertida nossa infância e adolescência. Saudades!
(Em tempo: O nome do musculo que o frei Joao apertava é o Trapézio). Uuufa!
Sergio Cunha – 14/04/2018 


sábado, 9 de junho de 2018

- Falecimento de uma lenda esportiva: Teixeirinha

O CRAQUE ETERNO
- Nascido em Tubarão SC em 03 de agosto de 1923. O ex-jogador de futebol Nildo Teixeira de Melo, o Teixeirinha, faleceu sábado, 9 de junho/2018, aos 95 anos, vítima de Alzheimer.
          Teixeirinha foi considerado o melhor jogador de futebol de Santa Catarina de todos os tempos e na época década 1940/50 do Brasil. Jogou em vários clubes não só de SC, mas do Brasil.
Entre esses clubes, estão Palmeiras de Blumenau, Carlos Renaux de Brusque, Olímpico de Blumenau, Botafogo, Bangu do Rio de Janeiro, e São Paulo. 
Santo Cristo, Otávio, Heleno, Geninho, e Teixeirinha.
           No Botafogo jogou ao lado do maior jogador da história do glorioso, Heleno de Freitas, e no Bangu, nada menos ao lado do mestre Ziza o Zizinho, um dos maiores jogadores da história do Brasil. 
Teixeirinha e Zizinho
          Teixeirinha em 1950 teria disputado a copa do mundo se fosse pela vontade de João Saldanha, Técnico e cronista.
A imagem mostra o Carlos Renaux de Brusque em 1958, após uma partida contra o Botafogo do Rio de Janeiro 5x5 foi o placar. Em pé da Esquerda para a direita: Esnel, Tesoura, Ivo Meyer, Baião, Mosmann, e Gordinho; Agachados (Massagista), Petruscky, Julinho, Teixeirinha, Júlio Camargo e Agenor.
Teixeirinha e Adalberto Day em 2006
Palmeiras 1950 Campeão do Centenário de Blumenau
Da (E) para (D) em pé : Oscar, Schramm, Antoninho, Augustinho, Augusto, Alvarenga, Libório (massagista). Agachados Jonas, Lazinho, Bitinho, Teixerinha, Paulino – Técnico José Henrique Pera. (arquivo de Orlando Schramm Filho)
Teixeirinha foi Pentacampeão pelo Palmeiras Esporte Clube de Blumenau na Liga LBF – Liga Blumenauense de Futebol (1944/45/46/47/48). Campeão do Centenário de Blumenau pelo Palmeiras em 1950.  Tri-campeão pelo Carlos Renaux da LBF – (1952/53/54) e 1958.  E Tri-campeão da liga de Brusque (1960/61/62)
Campeão pela Seleção Catarinense Sul Brasileiro em 1960.
 Para saber mais acesse:
 Acervo de Adalberto Day/Valdir Appel

terça-feira, 8 de maio de 2018

- As Pontes de Balanço





AS PONTES DE BALANÇO
RECORDAR É VIVER.
Mais uma contribuição do amigo Sérgio Cunha



Alguém já falou esta frase: “Recordar é viver”. Até 1961 as pessoas acessavam o Beco Tallmann, por uma ponte pênsil, chamada por todos de “ponte de balanço” e o acesso era ali, do lado esquerdo da antiga Cooperativa de Consumo dos Empregados da E.I. Garcia (Veja foto abaixo).
Lembro que além dessa, existia outra na Rua Capinzal com acesso ao Clube Centenário e outra próxima da Associação da Artex, que ligava a rua Catarina Abreu Coelho a rua Júlio Heiden. Crianças gostavam de pular sobre elas para vê-las balançar, porém, logo eram advertidas por algum adulto. 
Foto: Ponte pênsil (bem semelhante) as do Bairro Garcia
O acesso para veículos, carroças e raros “automóveis” e caminhões, era feito pelo lado direito do prédio da cooperativa, extremando com o campo do Amazonas. Nesse local tinha uma rampa, de terra, que permitia passagem ao Beco, pelas águas do ribeirão Garcia.
Esta estrada não dava acesso ainda para o bairro Progresso e se estendia somente até atrás da Associação Artex, próximo da propriedade da Frau Bachmann.
Foto: Construção Ponte Rua Emilio Tallmann (Acervo Adalberto Day)

Em 1961 foi construída a ponte de concreto armado substituindo a antiga ponte de balanço, facilitando enormemente o trafego, já que a região crescia rapidamente por conta da proximidade com as duas empresas, E.I. Garcia e Artex S/A. Nessa época o Beco passou a chamar-se rua Emilio Tallmann, sendo esta alargada e estendida até ligar-se com o bairro Progresso mediante a rua Julio Heiden. 
Em frente da cooperativa ficava o ponto de ônibus, parada para quem se deslocaria ao centro e outros bairros. Ao lado desse ponto de ônibus, tinha um pequeno quiosque onde as pessoas, principalmente os funcionários, compravam lanches, pastéis, bananinhas, para saborear nos horários de pausa para café, além de outras guloseimas como balas, amendoim torrado, paçoquinha, etc. Esse quiosque era de propriedade do Sr. Pedro Novaes, que por muitos anos explorou esse nicho comercial.
Ali do lado esquerdo da entrada para a ponte ficava o ambulatório da E.I. Garcia. Esse ambulatório foi extremamente importante para os funcionários da empresa, pois fazia a triagem da maioria das enfermidades que atingiam a população, deixando passar somente os casos mais graves, para os hospitais da região. 
O médico responsável pelo ambulatório era o Dr. Caetano, clinico geral, um homem alto, moreno, robusto, que contribuiu intensamente no tratamento das pessoas do bairro, já que além de atender os funcionários, atendia também seus dependentes. O Dr. Caetano atendia a domicilio, caso tivesse dificuldade de deslocamento do paciente até o ambulatório.
Assessoravam o Dr. Caetano os enfermeiros e enfermeiras, como o Sr. Nilton Tobias Aguiar, o Sr. Ewaldo Mass e a Sra. Veneranda da Rosa (Vanda), são os que lembro no momento. Enfermidades mais simples, como dor de garganta, eram resolvidas na maioria das vezes pelos próprios enfermeiros que recomendavam umas pastilhas de Pondicilina e dentro de 2 a 3 dias a pessoa estava restabelecida. Passei por isso. As pastilhas além de eficientes eram docinhas, iguais as “balas Zequinha”, kkk.
A E.I.Garcia contava ainda com um ambulatório dentário e o dentista responsável era o Dr. José Dobes, outro grande profissional que trouxe inestimável colaboração a população do bairro.
O médico responsável pelo ambulatório da Artex era o Dr. Margarida, clinico geral, também um homem alto e robusto. Era assessorado pelas enfermeiras dona Alaíde Gauche, Frida Caresia, o enfermeiro Vilmar da Silva e outros. Com o desenvolvimento da empresa, mais tarde novos profissionais foram incorporados ao quadro clinico, como o Dr. Sergio Braga, Dr. Marco Antônio Wanrowsky, Dr. Cézar Zillig, Dr. Hamilton, enfermeiro Augusto Cesar Viana e outros.
No quadro de funcionários da Cooperativa da E.I. Garcia figuravam, o Reinaldo Olegário como gerente, Vitorio Pfeiffer, Ronaldo Gonçalves da Luz, Curt Labes, Antônio Tillmann, o Cunha, Germano Krueger, Jeter e outros.
Do quadro de funcionários do Armazém da Artex faziam parte o Sr. Arthur Rudolph como gerente, o Fifa (Pfeiffer), o Reinaldo de Melo, entre outros. Nota: Nos informou o Adalberto Day que a da Artex não era Cooperativa, mas sim Armazém.
Nos dias de compra mensal formavam-se imensas filas de pessoas, cada uma com sua lista de compras, que esperavam pacientemente a vez de ser atendidos pelos funcionários.
O sistema de atendimento era totalmente diferente de hoje. Do lado de fora do balcão ficavam as pessoas esperando receber seus produtos. Do lado de dentro ficavam os atendentes, apanhando os produtos, nas prateleiras, balcões, gondolas e pesando ou medindo na quantidade solicitada. O valor da compra daquele mês era descontado no próximo pagamento mensal.
Na frente do prédio da cooperativa existia um estacionamento para bicicletas (foto), muito bem feito em madeira de lei pelos marceneiros da empresa. Cada bicicleta tinha seu lugar no suporte onde encaixava a roda dianteira. Sempre que o estacionamento estava todo ocupado, as pessoas deixavam suas bicicletas encostadas ao lado do prédio. As vezes as pessoas estacionavam a bicicleta no estacionamento e dirigiam-se ao centro da cidade. Quando voltavam, devido ao encerramento do expediente da cooperativa, as bicicletas estavam presas.
Foto: Acervo Adalberto Day
A pessoa pulava o muro, passava sua bicicleta por sobre este e ia para casa pedalando na Calói, kkk. Ninguém pegava a bicicleta alheia. As pessoas tinham respeito e eram honestas. A medida em que as empresas progrediam aumentando seu desenvolvimento fomos perdendo esse privilégio. Realmente eram tempos muitos bons. Saudades!   -   (Sérgio Cunha   -   04/04/2018)

sábado, 28 de abril de 2018

- Revivendo a E.I. Garcia


Postagem feita pelo amigo Djalma Fontanella da Silva (foto) no Grupo Antigamente em Blumenau. Os comentários aqui transcritos emocionam a qualquer um que conviveu com esta potência industrial que foi a Empresa Industrial Garcia, primeira indústria Têxtil de Blumenau de 1868, e que chegou em seu “auge” em 1973 com 5.238 empregados. 
Sinto-me inserido nos comentários. Adalberto Day
Empresa Industrial Garcia fundada em 1868 – A imagem de 1970, mostra o poderio da empresa com mais de 5 mil colaboradores. Parque esportivo, cooperativa, parque fabril, Casas populares, Igreja Nossa senhora da Glória e Escola São José (EEB Celso Ramos). Tudo girava em torno a Garcia que incentiva todas as praticas religiosas, educação, Cooperativismo, esporte, lazer e de bons costumes.
Acervo Dalva/Adalberto Day.
1 - Inicio do Complexo Esportivo do Amazonas Futebol Clube;
2 - Cooperativa de Consumo do Empregados da Empresa Industrial Garcia;
3 - Parque Fabril da Empresa Industrial Garcia;
4 - Casas Populares onde moravam alguns dos funcionários da Empresa Industrial Garcia;
5 - Igreja Nossa Senhora da Gloria;
6 – Grupo Escolar São José, posteriormente Conjunto Educacional Governador Celso Ramos.
As participações
Ademar Sestrem
Linda foto! Trabalhei oito anos na EIG. Pena que aquele império se transformou numa pérgula da Coteminas!!
Caro Djalma Fontanella fico feliz por você postar artigos de Blumenau antigamente relativos ao bairro Garcia e adjacências pois até então só se postava fotos e artigos da parte "VIP" da cidade como se os bairros não existissem, e todos se sentiam muito a vontade para comentar o status de Alameda Rio Branco e bairros mais nobres de seus antepassados. Parabéns pela iniciativa!
Djalma Fontanella
A postagem é minha, mas os méritos do Acervo do Adalberto Day.
Tere Nolli
Quem trabalhou na EIG nesse período, lembra daquele carrinho, que ficava na beira da calçada, e vendia uns pastéis deliciosos. Olhem bem para a foto e veja se não é o carrinho que está estacionado ali. Bom, eu coloquei uma lente daí é possível vê-lo......rsrsrs....ele ficava logo na saída da rua Emílio Talmann , só que o carrinho ficava no lado esquerdo de quem vai em direção a rua da Glória.
Ademar Sestrem
Sim Tere Zimmermann comprei muita bananinha ali!!! rsrsrs
Tere Nolli
É mesmo Ademar Sestrem tinha bananinha também. Eu comprei muito pastel e bananinha. Lembro que as 4:30 da manhã quando chegávamos na portaria, as vezes comprávamos um pão com pastel, para comer as 8:30. lembro que eu ficava contando os minutos para chegar essa hora para comer o delicioso pastel. Lembrando que não não era sempre que dava para comprar, pois tínhamos que dar o pagamento todo em casa, e não sobrava nada para nós (eu e minha irmã).
Maria De Fátima Pereira
NÃO ME LEMBRO DO NOME DO SR DO CARRINHO ,MAS O SOBRENONE É BITTENCOURT, A FILHA DELE DALVA E O FILHO TRABALHAVAM NA EMPRESA GARCIA. E TAMBÉM ESTUDARAM NA ESCOLA SÃO JOSÉ.
Djalma Fontanella
Já havia notado aquele carrinho em outras fotos e me lembrado..........quando o Rigon Knop ia lá e comprava amendoim.........foi quando peguei nojo de amendoim......kkkkkkkkkkkk.nem perguntem o que ele fazia....kkkkkkkk
Maria De Fátima Pereira
NÃO PRECISA NEM CONTAR ACHO QUE TODOS SABEM.RSRSRS. ELE JÁ É FALECIDO.
Djalma Fontanella
No topo do morro que ficava atrás da Empresa Industrial Garcia, aquele que esta sem vegetação, foi instalado nos meados da década de 1960 a primeira repetidora de TV de Blumenau, que na ocasião era da TV Paraná Canal 6 de Curitiba.
Lorena Karasinski
Djalma Fontanella. Lembro. Não daria de chamar bem de repetidora. Faziam o que podiam para a época. Assistíamos chuviscos, kkkk Quando melhorava então... 5ª à noite, Missão Impossível e Sábados a tarde, Jovem Guarda. rsrsrs
Djalma Fontanella
O Túnel do tempo, Jornada nas Estrelas, O Fugitivo. Domingo, o Clube do Curumim........
Ivonete Poerner
Acho que o carrinho era do avô do Vilmar da Silva (enfermeiro da Artex), acho que o nome dele era Sr. Novaes. Adalberto Day : (Ivonete esse do senhor Novaes se localizava nas dependências da Cooperativa dos Empregados da Empresa Industrial Garcia, o citado aqui é ao lado do ponto de ônibus em frente a cooperativa).
Osmar Roepcke
Osmar Roepcke Lembro bem de tudo isso inclusive o relógio que ficava em uma torre. Assisti muitos jogos do Amazonas sentado no muro que circundava o campo. Saudades desse tempo.
André Luiz Bonomini
Djalma, só me refresca a memória... ali no nº4 era a Rua 12 de Outubro... confere?
Djalma Fontanella
Djalma Fontanella Sim André luiz 
1967
Carlos Jorge Hiebert Russo
Eu nasci e morei até os 20 anos em uma casa na rua 12 de Outubro identificada com o numero 4, trabalhei de 1965 até 1975 neste parque fabril, meu pai David Hiebert também trabalhou aqui por 25 anos meu irmão Adolfo Hiebert trabalhou neste complexo industrial por 44 anos e tenho um filho que também trabalhou aí por algum tempo. A população que vivia em seu entorno e dependia desta empresa tinha muito orgulho de tudo. Orgulho e respeito pelos diretores, pelo primeiro emprego, pelas casas da fábrica onde morávamos pelo estádio olímpico da fábrica que tínhamos o direito de desfrutar pela Escola São José que virou Celso Ramos pelo campinho do 12 onde disputávamos garrafa de capilé pelo Ribeirão Garcia onde escondido dos pais tomávamos banho, conhecíamos e convivíamos com centenas, milhares de pessoas como se fossemos uma grande família. Esta empresa oferecia berçário para crianças cujas mães eram funcionárias, esta empresa dispunha de medico e dentista e ambulatório para os funcionários e seus familiares isto a mais de 70 anos atrás. Minha memória consegue me levar a cada metro onde viviam e trabalhavam pessoas abnegadas, que produziam riquezas, que tinham respeito entre si, é neste espaço que de mãos de pessoas humildes que se produzia as tolhas e roupas de camas consumidas e admiradas pelo Brasil e exterior. Foi com o salário oriundo do emprego desta maravilhosa fabrica que muitos dos filhos dos funcionários puderam buscar uma instrução superior o que os levou a galgar espaços profissionais importantes na economia do pais, cito como exemplo me irmão Valter Hiebert que aqui trabalhou por alguns anos e chegou a um cargo no alto escalão do Banco Central do Brasil e posteriormente foi Diretor da Caixa Econômica. Eu na adolescência comecei trabalhando na oficina fazendo os trabalhos mais simples e terminei meus últimos anos com Mestre da Fiação. Por estas coisas e mais uma porção de motivos que vou deixar para outros lembrarem. Aqui meu registro e agradecimento ao visionário Adalberto Day que garimpou e guardou este e outros registros da vida de milhares de pessoas. Quanto orgulho deste espaço, quanto orgulho de ser da família da EMPRESA INDUSTRIAL GARCIA
Imagem 1958 - foto batida do Campinho do 12 citado pelo Carlos Russo, mostrando a E.I. Garcia
Marilena Lana
Marilena Lana
Marilena Lana Meu avô e seu irmão vieram da Suíça para montar uma maquina , creio que tear; comprado pela empresa.
Amaram o Brasil, acharam as brasileiras lindas e aqui ficaram.
Meu avô trabalhou 50 anos nesta empresa.
Casou-se com Hildegardt Bernhardt.
Tiveram 11 filhos.
Onde 3 morreram crianças.
Moraram primeiramente nas primeiras casas da empresa, depois foram morar no chamado beco Talmann.
Meus tios, creio que quase todos trabalharam ali.
Eu tenho lindas recordações, e outras até tristes.
Mas o importante, EMOÇÕES EU VIVI...
Pois creio que nós fomos afastados um pouco da família porque meu pai , desde que eu me conheci por gente, foi alcoólatra.
E também na época era muito rígido a forma de casamento.
Minha mãe professava outra religião e não tinha origem alemã.
Que na verdade, hoje vejo um certo ponto de realidade. Não viver num lar de crença diferente, pois é impossível guiar uma carroça sem que os cavalos vão para mesma direção.
Então, também convive neste meio industrial, nas festas no Campo do Amazonas, nas festas de Junho, etc...
Djalma Fontanella
Como era o nome de sua mãe Marilena Lana?
Marilena Lana
Marilena Lana Minha saudosa mãe, Daura de Simas, casada Iten.
Filha de Itapema.
Djalma Fontanella
Pergunto porque minha mãe era muito amiga de uma senhora na rua Emílio Talmann que era de uma religião que não era a católica. 
Airton Gonçalves Ribeiro 
A manifestação do Amigos Carlos Jorge Hiebert Russo, é emocionante para a população que usufruiu das benesses descritas no seu depoimento, convivi estes momentos, estudamos juntos, caminhamos nos mesmos caminhos e trabalhamos na inesquecível EIG, graças ao talento de Adalberto Day estes momentos históricos e felizes possuem o seu registro, não sabíamos e vivíamos imaginando que isto seria eterno e não foi, mas valeu a pena, a memória viaja no tempo e revive estes momentos e parecem sonhos, mas não, foi realidade....saudades lembranças....infelizmente ao término destas memórias somos traídos pela tristeza, não encontramos mais as pessoas que faziam parte deste verdadeiro sonho e muito longe, distante, impossível de termos novamente estes momentos.... tristeza... muita tristeza..
Marli Hornburg
Essa toalha minha mãe ganhou de presente de casamento a 52 anos atrás. ....guardou e me deu de presente pois sempre admirei a estampa maravilhosa, de muito bom gosto daquela época.
Ludgero Amorim 
Que beleza de foto. Muitas saudades.  
Norma Wachholz
Que relíquia ...tudo era valorizado nessa época ...parabéns. 

Face: Antigamente em Blumenau

quarta-feira, 25 de abril de 2018

- Mario Sergio Cortella

Saindo um pouco do meu padrão de postar somente sobre Blumenau e região, a entrevista concedida à Jornalista KARINE WENZEL DO JORNAL nsc  "santa" COM Mario Sergio Cortella, Vale a pena a leitura.
24/02/2018 | N° 14384
ENTREVISTA
Ser feliz o tempo todo é uma forma de tolice, e infeliz, um desperdício
O impacto do discurso de ódio nas redes sociais e da intolerância nas relações humanas. A importância de encontrar um propósito no trabalho e aprender que a felicidade não é um estado, tampouco é constante. Essas questões tão fundamentais e complexas são tratadas de forma direta e didática pelo escritor Mario Sergio Cortella, que desponta como um dos mais conhecidos filósofos brasileiros.

Com mais de 1 milhão de livros vendidos, o paranaense nascido em Londrina lança seu 36º livro, A Sorte Segue a Coragem!, no qual é taxativo: coragem não é ausência de medo, é a capacidade de enfrentá-lo.


O professor-titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde atuou por 35 anos, deu aulas de ciências da religião e também teve uma experiência de três anos como monge. Aos 63 anos, é avô e com dois netos manezinhos.

Apesar das críticas que faz às redes sociais, que “permitem a idiotice vir à tona”, interage bastante com elas. São mais de 1,3 milhão de curtidores em sua página no Facebook e 30 mil inscritos no canal de Youtube.

Em entrevista por telefone, Cortella falou, como não podia deixar de ser, sobre diversos temas, desde sorte e eleições até confrontos e a busca por felicidade.

- Presenciamos um aumento dos discursos de ódio, principalmente nas redes sociais. Estamos mais intolerantes?
Não, estamos mais em condições de fazer com que a intolerância, que já tinha seu lugar, possa vir à tona de maneira ampliada. A perspectiva de rejeição a quem não pensa ou não é como eu já existia. E hoje nós temos uma tecnologia que tem inúmeros elementos benéficos, mas que também tem essa possibilidade de fazer com que as pessoas tenham a capacidade de reação de modo intempestivo, sem reflexão, sem raciocínio, dada a velocidade da comunicação. Hoje, essa intempestividade favorece, às vezes, a perda de reflexão, de raciocínio e até de bom senso.

- E esse seria um dos maiores perigos das redes sociais?
Eu acho que elas são magníficas em relação a modos de comunicação, capacidade de agregar forças, de estruturar organização de pessoas em torno de ideias e projetos, elas são uma grande fonte de entretenimento. Mas de modo algum elas podem ser olhadas como isentas de alguns malefícios. Dentre eles, permitir que a pessoa, que não necessariamente é marcada por uma capacidade intelectual de ser tolerante, tenha um palanque para se manifestar. Hoje não só há possibilidade de aquilo que é benéfico e bonito vir à tona, mas também da idiotice. Obviamente a questão não é da tecnologia em si, mas ela carrega a possibilidade desse tipo de efeito colateral. Que também terá de ser testado, ele é muito novo entre nós, é uma coisa que ainda não pegou nenhuma geração por inteiro na nossa sociedade.

- E esses impactos das redes ganham mais dimensão em um ano como esse, de eleições?
Sim, eles aparecem todas as vezes que temos situações que nossas posturas são postas à prova. Isso vale em várias situações. Por exemplo, você só tem uma briga mais intensa no condomínio, quando tem reunião de condomínio (risos). Você só tem situação em que há possibilidades de rusgas, de quebra da convivência, quando alguma coisa terá de ser decidida coletivamente. Então um ano como 2018 é um ambiente mais favorecedor dessa possibilidade, porque temos de tomar posição. E quando você tem de tomar posição relacionada à política, à religião, ao esporte isso fica algo muito fervido em nosso cotidiano. Não é algo tão fácil.
- E pode acabar em conflito...
Pode acabar em conflito, mas que não é necessariamente negativo, o problema é se acabar em confronto. Porque o conflito é importante. Uma democracia, uma família, uma relação amorosa, ela tem conflitos. Conflito é divergência de postura de ideias e a intenção do conflito é geração do consenso. Já o confronto é a degeneração do conflito, numa busca de anular a outra pessoa, de excluí-la. Por isso o conflito é sempre bem-vindo, o confronto não. Por isso uma eleição precisa ser inteligente. Quem a vencer em 2018 precisa ser capaz de compor a paz social e impedir que o confronto venha à tona. Eu gosto muito de um exemplo que acho que serve como exemplo para o Brasil. Abraham Lincoln, quando foi eleito nos Estados Unidos em 1860, era um senador de primeiro mandato em um Estado menos importante naquele momento. Ele venceu homens poderosos e o primeiro ato foi escolher como seus ministros nas três principais áreas aqueles que foram os que havia derrotado nas eleições. É um sinal de inteligência impedir na política, na escola, na igreja, na família que o conflito se degrade e vire confronto.

- Como as pessoas podem evitar esses confrontos?
A primeira coisa é obedecer o antigo aviso que as estradas de ferro traziam, que é “pare, olhe, escute”. Antes de atravessar qualquer linha, a do pensamento, da discussão, do debate, preste atenção, tente capturar o que o outro quer dizer, o quanto aquela pessoa só pensa diferente, não é teu inimigo. Neste sentido é preciso que a gente tenha capacidade inclusive de humildade para entender que há muitos modos de ser humano. E nós somos um deles. A gente precisa ter uma compreensão sobre o lugar das diferenças. A capacidade de tolerância se dá quando a gente entende que a diferença é um valor da nossa existência à medida que aumenta nosso repertório de soluções. Portanto, ser diferente não é ser desigual, é apenas ser diferente.

- Essa compreensão seria um passo para avançar como humanidade?
Sim. Tem muita gente que se acalma e diz que estamos evoluindo. Mas temos que entender que Charles Darwin nunca usou a palavra evolução como sinônimo de melhoria, ele usava como sinônimo de mudança. Que é o que a palavra significa em grego. Câncer também evolui, problema também se desenvolve, encrenca também progride. Por isso é preciso o uso muito maior da nossa inteligência para que a gente não degrade essa condição. Afinal, como um dia lembrou Mahatma Gandhi, olho por olho, uma hora acabamos todos cegos. E neste sentido é necessário mais capacidade de acolhimento, sem que eu abra mão da minha identidade, do meu pensamento, minha postura. Mas acima de qualquer coisa entenda que a noção de ser humano (e eu tô usando o ser como verbo, não como substantivo) é plural, não é individual. Não existe ninguém no mundo como eu, mas eu não sou o único a estar no mundo.

- Seu último livro A sorte segue a coragem! aponta caminhos para que cada um cultive a própria sorte. Como podemos fazer isso?
Primeiro, ele visa a lidar com uma noção de que coragem não é ausência de medo, é capacidade de enfrentar o medo. Uma pessoa que diz que não tem medo, ela não é corajosa, é inconsequente. O que a gente não deve é confundir medo com pânico. Pânico é a incapacidade de ação, medo é estado de alerta. E quando a gente diz que a sorte segue a coragem expressa a noção que a coragem precisa ser competente, para que quando a ocasião vem à tona ela possa ser aproveitada. Por isso temos de ter a coragem como mecanismo de movimento, não como se a gente sentasse e aguardasse a sorte, o acaso.

- Então a gente também é responsável por nossa sorte?
Com certeza. Há um ditado caipira da minha região no Paraná que diz que o cavalo não passa arreado duas vezes. Evidentemente tem que ser completado: saberá montar um cavalo o primeiro que estiver prestando atenção. Segundo, precisa ter habilidade para montar o cavalo, tem que se preparar antes. Senão montá-lo será um desastre. Então a sorte não pode ser desprezada como um fator benéfico ou maléfico. Também parte daquilo que faço e dá errado muitas vezes se deve a coisas que eu não quis. E eu preciso estar preparado para alterar minha rota e plano. Um dia Publílio Siro escreveu que um plano que não pode ser mudado, não presta. Mas precisa ter um plano, inclusive para ser mudado.

- Seu livro Por que fazemos o que fazemos fala sobre carreira. É possível ser feliz no trabalho?
A gente pode encontrar felicidade no trabalho, mas não é o lugar que ele vem sempre à tona. Aliás, nenhum lugar o é. Alguém que diz “eu quero fazer alguma coisa que eu gosto”, é uma pessoa que está dizendo o óbvio. Só um imbecil gostaria de fazer o que não gosta. No entanto, para se fazer o que se gosta e obter algum ponto de felicidade nisso, é necessário fazer muita coisa que não se gosta.

- Isso passa por encontrar também um propósito no trabalho?
Sim, afinal de contas é aquilo que coloco como meta e vou buscar. Por que faço o que faço? Porque me mandam, então eu tenho um propósito que é obedecer. Faço porque quero dar um passo para outro lugar, então aquilo que faço é uma etapa para obtenção de outra condição. O que não pode é ter uma vida automática, robótica, superficial. Portanto alienada. O propósito é o que impede a alienação.

Mas também há uma espécie de obsessão em se estar sempre feliz...

A felicidade não é um lugar que você chega, é uma ocorrência, é um evento que não é contínuo. E quando ela vem a gente tem que aproveitá-la, porque sabe que ela vai embora. Mas ela volta. Ela é um instante, um momento, não é um tempo em que tudo será paradisíaco. Pelo contrário, a gente sabe que a vida tem turbulências, mas ela não tem só isso. Ser feliz o tempo todo é uma forma de tolice e ser infeliz o tempo todo é um desperdício de vida.

- Para muitos o ano começa de fato agora, depois do Carnaval. O que fazer para ter um ano produtivo?
A gente precisa ter projetos, propostas e metas exequíveis, ou seja, que possam ser realizados. Se eu coloco para 2018 alguns objetivos que eu tenha muita dificuldade para alcançar, mesmo que esforço eu faça, eu vou conseguir ao final do ano frustração. A única possibilidade de eu não ter apenas frustração é estabelecer, mesmo que sejam poucas, metas que sejam realizáveis. E neste sentido as grandes perguntas são: quando terminar 2018, o que eu gostarei de ter feito? O que não terei feito, mas posso vir a fazer? E o que eu não fiz, porque fui relapso, fui negligente e preciso melhorar minha condição para alcançar isso? É um tempo de autoconhecimento para que não se termine em frustração, mas que também não se abandone a colocação de metas, vivendo uma vida no automático, alienada. Por isso um ano pela frente é uma possibilidade de realização de projetos. Nem tudo o que desejo acontecerá, mas se eu nada desejar, aí sim é que nada acontecerá.

karine.wenzel@somosnsc.com.br

segunda-feira, 9 de abril de 2018

- A árvore

Colaboração do amigo Sérgio Cunha
HISTORIAS DA INFANCIA
A ARVORE:
Em alemão se diz, Baum. No meio do caminho tinha uma arvore...tinha uma arvore no meio do caminho.
Na década de 50/60, quando éramos crianças (Kinder), quase não existia brinquedos manufaturados. Não na mesma proporção igual aos dias de hoje. Existiam bicicletas com três rodinhas, bem rudimentares, bonecas (Puppen) bem simples, com cabeça de plástico ou porcelana, gaitas de boca, alguns bichinhos de pelúcia, bem rudimentares, bilboquê, peão, bolinhas de gude, etc.
Certa vez, de tanto pedir, ganhei uma bola de futebol, no natal. Meus pais esforçaram-se para dar-me a bola, porém, devido à falta de conhecimento do meu pai, que nada entendia de futebol (Fußball), pois ele nem tinha tempo para aprender alguma coisa sobre o esporte, trabalhando duramente, a bola que ganhei mais parecia de futebol americano. Ela era oval. Colocava ela em uma posição, ela girava para outra.
Acervo Adalberto Day
Entretanto jogávamos futebol de qualquer jeito. Ora com a bola de um, ora com bola de outro e assim nos divertíamos. Brincávamos de “Pega-Pega”, de “Esconde-Esconde”. Brincávamos de “Mocinho e Bandido e Índio”. Brincávamos também de Tarzan, imitando as cenas das revistas Gibi e um pouco mais tarde, reproduzindo as cenas dos filmes que já passavam nas tardes de matinê no Cine Garcia. As meninas (Mädchen) brincavam na maioria das vezes de boneca, de casinha. Mas, as vezes, reunia-se o grupo todo, meninos e meninas, para brincar de Pega-Pega e Esconde-Esconde.
Nos divertíamos muito brincando de índio e de Tarzan, naquelas matas e capoeiras do Beco Tallmann, principalmente no morro (Hügel) apelidado como “morro do Tallmann”, hoje morro do Centenário, chamado assim, devido ao clube de mesmo nome. Naquela época, a passagem do Beco Tallmann para o bairro Zendron era muito primitiva. Passava-se somente a pé, de bicicleta ou de carroça. Ao chegar lá embaixo do morro, próximo do Centenário, havia uma porteira que abría-se permitindo a passagem para o bairro Zendron. Hoje em dia está a rua toda asfaltada.
Fazíamos cabanas com paus e folhas (Blätter) das arvores. Chegamos a fazer cabana na árvore, isso raramente, porque o trabalho requeria conhecimento e empenho. Brincávamos com os cipós (Reben) que pendiam de algumas arvores.
Naquele ponto (Punkt) mais alto do morro do Centenário e bem na beirada do ribeirão Garcia, tinha uma grande arvore, da qual pendia um cipó bem grosso, com uns 3 centímetros de espessura. Como o morro era inclinado em direção (Richtung) ao ribeirão, subíamos até um barranquinho mais alto, segurávamos no cipó e balançávamos em direção ao ribeirão até bater com os pés na arvore.
Um certo dia, brincando próximos daquela área, passamos pela arvore e decidimos cada um balançar uma vez antes de ir para casa. Todos balançaram divertidamente. Eu fui o último. Peguei o cipó, respirei fundo (Tief) e me lancei contra a arvore. La fui eu. Pernas duras e pés preparados para amortecer o impacto. Quando meus pés tocaram a arvore, minhas pernas (Beine) se abriram.
Geeente! Vocês já assistiram um daqueles documentários sobre lobos? Quando o lobo (Wolf) levanta a cabeça em direção a lua e começa a uivar? “Aaauuuuuu......uuuuuu...uuuuuu! No final, o lobo ainda dá aquelas paradinhas para fazer:   uuu...uuu...uuu! Éééé, véio, foi uma  trauletada. Sentei, me encolhi, “tentando” respirar fundo até “voltar a terra”. Ninguém viu, pois todos os guris já haviam corrido morro abaixo em direção as suas casas.
Felizmente e novamente aqui, quero agradecer a presença sempre constante do Anjo da Guarda em minha vida. Tudo terminou bem. Casei-me, minhas filhas estão aí, meus genros, meus netos e neta. E vamos que vamos! Ufa!
Sergio Cunha – 04/03/2018
Reprodução

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