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terça-feira, 8 de maio de 2018

- As Pontes de Balanço





AS PONTES DE BALANÇO
RECORDAR É VIVER.
Mais uma contribuição do amigo Sérgio Cunha



Alguém já falou esta frase: “Recordar é viver”. Até 1961 as pessoas acessavam o Beco Tallmann, por uma ponte pênsil, chamada por todos de “ponte de balanço” e o acesso era ali, do lado esquerdo da antiga Cooperativa de Consumo dos Empregados da E.I. Garcia (Veja foto abaixo).
Lembro que além dessa, existia outra na Rua Capinzal com acesso ao Clube Centenário e outra próxima da Associação da Artex, que ligava a rua Catarina Abreu Coelho a rua Júlio Heiden. Crianças gostavam de pular sobre elas para vê-las balançar, porém, logo eram advertidas por algum adulto. 
Foto: Ponte pênsil (bem semelhante) as do Bairro Garcia
O acesso para veículos, carroças e raros “automóveis” e caminhões, era feito pelo lado direito do prédio da cooperativa, extremando com o campo do Amazonas. Nesse local tinha uma rampa, de terra, que permitia passagem ao Beco, pelas águas do ribeirão Garcia.
Esta estrada não dava acesso ainda para o bairro Progresso e se estendia somente até atrás da Associação Artex, próximo da propriedade da Frau Bachmann.
Foto: Construção Ponte Rua Emilio Tallmann (Acervo Adalberto Day)

Em 1961 foi construída a ponte de concreto armado substituindo a antiga ponte de balanço, facilitando enormemente o trafego, já que a região crescia rapidamente por conta da proximidade com as duas empresas, E.I. Garcia e Artex S/A. Nessa época o Beco passou a chamar-se rua Emilio Tallmann, sendo esta alargada e estendida até ligar-se com o bairro Progresso mediante a rua Julio Heiden. 
Em frente da cooperativa ficava o ponto de ônibus, parada para quem se deslocaria ao centro e outros bairros. Ao lado desse ponto de ônibus, tinha um pequeno quiosque onde as pessoas, principalmente os funcionários, compravam lanches, pastéis, bananinhas, para saborear nos horários de pausa para café, além de outras guloseimas como balas, amendoim torrado, paçoquinha, etc. Esse quiosque era de propriedade do Sr. Pedro Novaes, que por muitos anos explorou esse nicho comercial.
Ali do lado esquerdo da entrada para a ponte ficava o ambulatório da E.I. Garcia. Esse ambulatório foi extremamente importante para os funcionários da empresa, pois fazia a triagem da maioria das enfermidades que atingiam a população, deixando passar somente os casos mais graves, para os hospitais da região. 
O médico responsável pelo ambulatório era o Dr. Caetano, clinico geral, um homem alto, moreno, robusto, que contribuiu intensamente no tratamento das pessoas do bairro, já que além de atender os funcionários, atendia também seus dependentes. O Dr. Caetano atendia a domicilio, caso tivesse dificuldade de deslocamento do paciente até o ambulatório.
Assessoravam o Dr. Caetano os enfermeiros e enfermeiras, como o Sr. Nilton Tobias Aguiar, o Sr. Ewaldo Mass e a Sra. Veneranda da Rosa (Vanda), são os que lembro no momento. Enfermidades mais simples, como dor de garganta, eram resolvidas na maioria das vezes pelos próprios enfermeiros que recomendavam umas pastilhas de Pondicilina e dentro de 2 a 3 dias a pessoa estava restabelecida. Passei por isso. As pastilhas além de eficientes eram docinhas, iguais as “balas Zequinha”, kkk.
A E.I.Garcia contava ainda com um ambulatório dentário e o dentista responsável era o Dr. José Dobes, outro grande profissional que trouxe inestimável colaboração a população do bairro.
O médico responsável pelo ambulatório da Artex era o Dr. Margarida, clinico geral, também um homem alto e robusto. Era assessorado pelas enfermeiras dona Alaíde Gauche, Frida Caresia, o enfermeiro Vilmar da Silva e outros. Com o desenvolvimento da empresa, mais tarde novos profissionais foram incorporados ao quadro clinico, como o Dr. Sergio Braga, Dr. Marco Antônio Wanrowsky, Dr. Cézar Zillig, Dr. Hamilton, enfermeiro Augusto Cesar Viana e outros.
No quadro de funcionários da Cooperativa da E.I. Garcia figuravam, o Reinaldo Olegário como gerente, Vitorio Pfeiffer, Ronaldo Gonçalves da Luz, Curt Labes, Antônio Tillmann, o Cunha, Germano Krueger, Jeter e outros.
Do quadro de funcionários do Armazém da Artex faziam parte o Sr. Arthur Rudolph como gerente, o Fifa (Pfeiffer), o Reinaldo de Melo, entre outros. Nota: Nos informou o Adalberto Day que a da Artex não era Cooperativa, mas sim Armazém.
Nos dias de compra mensal formavam-se imensas filas de pessoas, cada uma com sua lista de compras, que esperavam pacientemente a vez de ser atendidos pelos funcionários.
O sistema de atendimento era totalmente diferente de hoje. Do lado de fora do balcão ficavam as pessoas esperando receber seus produtos. Do lado de dentro ficavam os atendentes, apanhando os produtos, nas prateleiras, balcões, gondolas e pesando ou medindo na quantidade solicitada. O valor da compra daquele mês era descontado no próximo pagamento mensal.
Na frente do prédio da cooperativa existia um estacionamento para bicicletas (foto), muito bem feito em madeira de lei pelos marceneiros da empresa. Cada bicicleta tinha seu lugar no suporte onde encaixava a roda dianteira. Sempre que o estacionamento estava todo ocupado, as pessoas deixavam suas bicicletas encostadas ao lado do prédio. As vezes as pessoas estacionavam a bicicleta no estacionamento e dirigiam-se ao centro da cidade. Quando voltavam, devido ao encerramento do expediente da cooperativa, as bicicletas estavam presas.
Foto: Acervo Adalberto Day
A pessoa pulava o muro, passava sua bicicleta por sobre este e ia para casa pedalando na Calói, kkk. Ninguém pegava a bicicleta alheia. As pessoas tinham respeito e eram honestas. A medida em que as empresas progrediam aumentando seu desenvolvimento fomos perdendo esse privilégio. Realmente eram tempos muitos bons. Saudades!   -   (Sérgio Cunha   -   04/04/2018)

sábado, 28 de abril de 2018

- Revivendo a E.I. Garcia


Postagem feita pelo amigo Djalma Fontanella da Silva (foto) no Grupo Antigamente em Blumenau. Os comentários aqui transcritos emocionam a qualquer um que conviveu com esta potência industrial que foi a Empresa Industrial Garcia, primeira indústria Têxtil de Blumenau de 1868, e que chegou em seu “auge” em 1973 com 5.238 empregados. 
Sinto-me inserido nos comentários. Adalberto Day
Empresa Industrial Garcia fundada em 1868 – A imagem de 1970, mostra o poderio da empresa com mais de 5 mil colaboradores. Parque esportivo, cooperativa, parque fabril, Casas populares, Igreja Nossa senhora da Glória e Escola São José (EEB Celso Ramos). Tudo girava em torno a Garcia que incentiva todas as praticas religiosas, educação, Cooperativismo, esporte, lazer e de bons costumes.
Acervo Dalva/Adalberto Day.
1 - Inicio do Complexo Esportivo do Amazonas Futebol Clube;
2 - Cooperativa de Consumo do Empregados da Empresa Industrial Garcia;
3 - Parque Fabril da Empresa Industrial Garcia;
4 - Casas Populares onde moravam alguns dos funcionários da Empresa Industrial Garcia;
5 - Igreja Nossa Senhora da Gloria;
6 – Grupo Escolar São José, posteriormente Conjunto Educacional Governador Celso Ramos.
As participações
Ademar Sestrem
Linda foto! Trabalhei oito anos na EIG. Pena que aquele império se transformou numa pérgula da Coteminas!!
Caro Djalma Fontanella fico feliz por você postar artigos de Blumenau antigamente relativos ao bairro Garcia e adjacências pois até então só se postava fotos e artigos da parte "VIP" da cidade como se os bairros não existissem, e todos se sentiam muito a vontade para comentar o status de Alameda Rio Branco e bairros mais nobres de seus antepassados. Parabéns pela iniciativa!
Djalma Fontanella
A postagem é minha, mas os méritos do Acervo do Adalberto Day.
Tere Nolli
Quem trabalhou na EIG nesse período, lembra daquele carrinho, que ficava na beira da calçada, e vendia uns pastéis deliciosos. Olhem bem para a foto e veja se não é o carrinho que está estacionado ali. Bom, eu coloquei uma lente daí é possível vê-lo......rsrsrs....ele ficava logo na saída da rua Emílio Talmann , só que o carrinho ficava no lado esquerdo de quem vai em direção a rua da Glória.
Ademar Sestrem
Sim Tere Zimmermann comprei muita bananinha ali!!! rsrsrs
Tere Nolli
É mesmo Ademar Sestrem tinha bananinha também. Eu comprei muito pastel e bananinha. Lembro que as 4:30 da manhã quando chegávamos na portaria, as vezes comprávamos um pão com pastel, para comer as 8:30. lembro que eu ficava contando os minutos para chegar essa hora para comer o delicioso pastel. Lembrando que não não era sempre que dava para comprar, pois tínhamos que dar o pagamento todo em casa, e não sobrava nada para nós (eu e minha irmã).
Maria De Fátima Pereira
NÃO ME LEMBRO DO NOME DO SR DO CARRINHO ,MAS O SOBRENONE É BITTENCOURT, A FILHA DELE DALVA E O FILHO TRABALHAVAM NA EMPRESA GARCIA. E TAMBÉM ESTUDARAM NA ESCOLA SÃO JOSÉ.
Djalma Fontanella
Já havia notado aquele carrinho em outras fotos e me lembrado..........quando o Rigon Knop ia lá e comprava amendoim.........foi quando peguei nojo de amendoim......kkkkkkkkkkkk.nem perguntem o que ele fazia....kkkkkkkk
Maria De Fátima Pereira
NÃO PRECISA NEM CONTAR ACHO QUE TODOS SABEM.RSRSRS. ELE JÁ É FALECIDO.
Djalma Fontanella
No topo do morro que ficava atrás da Empresa Industrial Garcia, aquele que esta sem vegetação, foi instalado nos meados da década de 1960 a primeira repetidora de TV de Blumenau, que na ocasião era da TV Paraná Canal 6 de Curitiba.
Lorena Karasinski
Djalma Fontanella. Lembro. Não daria de chamar bem de repetidora. Faziam o que podiam para a época. Assistíamos chuviscos, kkkk Quando melhorava então... 5ª à noite, Missão Impossível e Sábados a tarde, Jovem Guarda. rsrsrs
Djalma Fontanella
O Túnel do tempo, Jornada nas Estrelas, O Fugitivo. Domingo, o Clube do Curumim........
Ivonete Poerner
Acho que o carrinho era do avô do Vilmar da Silva (enfermeiro da Artex), acho que o nome dele era Sr. Novaes. Adalberto Day : (Ivonete esse do senhor Novaes se localizava nas dependências da Cooperativa dos Empregados da Empresa Industrial Garcia, o citado aqui é ao lado do ponto de ônibus em frente a cooperativa).
Osmar Roepcke
Osmar Roepcke Lembro bem de tudo isso inclusive o relógio que ficava em uma torre. Assisti muitos jogos do Amazonas sentado no muro que circundava o campo. Saudades desse tempo.
André Luiz Bonomini
Djalma, só me refresca a memória... ali no nº4 era a Rua 12 de Outubro... confere?
Djalma Fontanella
Djalma Fontanella Sim André luiz 
1967
Carlos Jorge Hiebert Russo
Eu nasci e morei até os 20 anos em uma casa na rua 12 de Outubro identificada com o numero 4, trabalhei de 1965 até 1975 neste parque fabril, meu pai David Hiebert também trabalhou aqui por 25 anos meu irmão Adolfo Hiebert trabalhou neste complexo industrial por 44 anos e tenho um filho que também trabalhou aí por algum tempo. A população que vivia em seu entorno e dependia desta empresa tinha muito orgulho de tudo. Orgulho e respeito pelos diretores, pelo primeiro emprego, pelas casas da fábrica onde morávamos pelo estádio olímpico da fábrica que tínhamos o direito de desfrutar pela Escola São José que virou Celso Ramos pelo campinho do 12 onde disputávamos garrafa de capilé pelo Ribeirão Garcia onde escondido dos pais tomávamos banho, conhecíamos e convivíamos com centenas, milhares de pessoas como se fossemos uma grande família. Esta empresa oferecia berçário para crianças cujas mães eram funcionárias, esta empresa dispunha de medico e dentista e ambulatório para os funcionários e seus familiares isto a mais de 70 anos atrás. Minha memória consegue me levar a cada metro onde viviam e trabalhavam pessoas abnegadas, que produziam riquezas, que tinham respeito entre si, é neste espaço que de mãos de pessoas humildes que se produzia as tolhas e roupas de camas consumidas e admiradas pelo Brasil e exterior. Foi com o salário oriundo do emprego desta maravilhosa fabrica que muitos dos filhos dos funcionários puderam buscar uma instrução superior o que os levou a galgar espaços profissionais importantes na economia do pais, cito como exemplo me irmão Valter Hiebert que aqui trabalhou por alguns anos e chegou a um cargo no alto escalão do Banco Central do Brasil e posteriormente foi Diretor da Caixa Econômica. Eu na adolescência comecei trabalhando na oficina fazendo os trabalhos mais simples e terminei meus últimos anos com Mestre da Fiação. Por estas coisas e mais uma porção de motivos que vou deixar para outros lembrarem. Aqui meu registro e agradecimento ao visionário Adalberto Day que garimpou e guardou este e outros registros da vida de milhares de pessoas. Quanto orgulho deste espaço, quanto orgulho de ser da família da EMPRESA INDUSTRIAL GARCIA
Imagem 1958 - foto batida do Campinho do 12 citado pelo Carlos Russo, mostrando a E.I. Garcia
Marilena Lana
Marilena Lana
Marilena Lana Meu avô e seu irmão vieram da Suíça para montar uma maquina , creio que tear; comprado pela empresa.
Amaram o Brasil, acharam as brasileiras lindas e aqui ficaram.
Meu avô trabalhou 50 anos nesta empresa.
Casou-se com Hildegardt Bernhardt.
Tiveram 11 filhos.
Onde 3 morreram crianças.
Moraram primeiramente nas primeiras casas da empresa, depois foram morar no chamado beco Talmann.
Meus tios, creio que quase todos trabalharam ali.
Eu tenho lindas recordações, e outras até tristes.
Mas o importante, EMOÇÕES EU VIVI...
Pois creio que nós fomos afastados um pouco da família porque meu pai , desde que eu me conheci por gente, foi alcoólatra.
E também na época era muito rígido a forma de casamento.
Minha mãe professava outra religião e não tinha origem alemã.
Que na verdade, hoje vejo um certo ponto de realidade. Não viver num lar de crença diferente, pois é impossível guiar uma carroça sem que os cavalos vão para mesma direção.
Então, também convive neste meio industrial, nas festas no Campo do Amazonas, nas festas de Junho, etc...
Djalma Fontanella
Como era o nome de sua mãe Marilena Lana?
Marilena Lana
Marilena Lana Minha saudosa mãe, Daura de Simas, casada Iten.
Filha de Itapema.
Djalma Fontanella
Pergunto porque minha mãe era muito amiga de uma senhora na rua Emílio Talmann que era de uma religião que não era a católica. 
Airton Gonçalves Ribeiro 
A manifestação do Amigos Carlos Jorge Hiebert Russo, é emocionante para a população que usufruiu das benesses descritas no seu depoimento, convivi estes momentos, estudamos juntos, caminhamos nos mesmos caminhos e trabalhamos na inesquecível EIG, graças ao talento de Adalberto Day estes momentos históricos e felizes possuem o seu registro, não sabíamos e vivíamos imaginando que isto seria eterno e não foi, mas valeu a pena, a memória viaja no tempo e revive estes momentos e parecem sonhos, mas não, foi realidade....saudades lembranças....infelizmente ao término destas memórias somos traídos pela tristeza, não encontramos mais as pessoas que faziam parte deste verdadeiro sonho e muito longe, distante, impossível de termos novamente estes momentos.... tristeza... muita tristeza..
Marli Hornburg
Essa toalha minha mãe ganhou de presente de casamento a 52 anos atrás. ....guardou e me deu de presente pois sempre admirei a estampa maravilhosa, de muito bom gosto daquela época.
Ludgero Amorim 
Que beleza de foto. Muitas saudades.  
Norma Wachholz
Que relíquia ...tudo era valorizado nessa época ...parabéns. 

Face: Antigamente em Blumenau

quarta-feira, 25 de abril de 2018

- Mario Sergio Cortella

Saindo um pouco do meu padrão de postar somente sobre Blumenau e região, a entrevista concedida à Jornalista KARINE WENZEL DO JORNAL nsc  "santa" COM Mario Sergio Cortella, Vale a pena a leitura.
24/02/2018 | N° 14384
ENTREVISTA
Ser feliz o tempo todo é uma forma de tolice, e infeliz, um desperdício
O impacto do discurso de ódio nas redes sociais e da intolerância nas relações humanas. A importância de encontrar um propósito no trabalho e aprender que a felicidade não é um estado, tampouco é constante. Essas questões tão fundamentais e complexas são tratadas de forma direta e didática pelo escritor Mario Sergio Cortella, que desponta como um dos mais conhecidos filósofos brasileiros.

Com mais de 1 milhão de livros vendidos, o paranaense nascido em Londrina lança seu 36º livro, A Sorte Segue a Coragem!, no qual é taxativo: coragem não é ausência de medo, é a capacidade de enfrentá-lo.


O professor-titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde atuou por 35 anos, deu aulas de ciências da religião e também teve uma experiência de três anos como monge. Aos 63 anos, é avô e com dois netos manezinhos.

Apesar das críticas que faz às redes sociais, que “permitem a idiotice vir à tona”, interage bastante com elas. São mais de 1,3 milhão de curtidores em sua página no Facebook e 30 mil inscritos no canal de Youtube.

Em entrevista por telefone, Cortella falou, como não podia deixar de ser, sobre diversos temas, desde sorte e eleições até confrontos e a busca por felicidade.

- Presenciamos um aumento dos discursos de ódio, principalmente nas redes sociais. Estamos mais intolerantes?
Não, estamos mais em condições de fazer com que a intolerância, que já tinha seu lugar, possa vir à tona de maneira ampliada. A perspectiva de rejeição a quem não pensa ou não é como eu já existia. E hoje nós temos uma tecnologia que tem inúmeros elementos benéficos, mas que também tem essa possibilidade de fazer com que as pessoas tenham a capacidade de reação de modo intempestivo, sem reflexão, sem raciocínio, dada a velocidade da comunicação. Hoje, essa intempestividade favorece, às vezes, a perda de reflexão, de raciocínio e até de bom senso.

- E esse seria um dos maiores perigos das redes sociais?
Eu acho que elas são magníficas em relação a modos de comunicação, capacidade de agregar forças, de estruturar organização de pessoas em torno de ideias e projetos, elas são uma grande fonte de entretenimento. Mas de modo algum elas podem ser olhadas como isentas de alguns malefícios. Dentre eles, permitir que a pessoa, que não necessariamente é marcada por uma capacidade intelectual de ser tolerante, tenha um palanque para se manifestar. Hoje não só há possibilidade de aquilo que é benéfico e bonito vir à tona, mas também da idiotice. Obviamente a questão não é da tecnologia em si, mas ela carrega a possibilidade desse tipo de efeito colateral. Que também terá de ser testado, ele é muito novo entre nós, é uma coisa que ainda não pegou nenhuma geração por inteiro na nossa sociedade.

- E esses impactos das redes ganham mais dimensão em um ano como esse, de eleições?
Sim, eles aparecem todas as vezes que temos situações que nossas posturas são postas à prova. Isso vale em várias situações. Por exemplo, você só tem uma briga mais intensa no condomínio, quando tem reunião de condomínio (risos). Você só tem situação em que há possibilidades de rusgas, de quebra da convivência, quando alguma coisa terá de ser decidida coletivamente. Então um ano como 2018 é um ambiente mais favorecedor dessa possibilidade, porque temos de tomar posição. E quando você tem de tomar posição relacionada à política, à religião, ao esporte isso fica algo muito fervido em nosso cotidiano. Não é algo tão fácil.
- E pode acabar em conflito...
Pode acabar em conflito, mas que não é necessariamente negativo, o problema é se acabar em confronto. Porque o conflito é importante. Uma democracia, uma família, uma relação amorosa, ela tem conflitos. Conflito é divergência de postura de ideias e a intenção do conflito é geração do consenso. Já o confronto é a degeneração do conflito, numa busca de anular a outra pessoa, de excluí-la. Por isso o conflito é sempre bem-vindo, o confronto não. Por isso uma eleição precisa ser inteligente. Quem a vencer em 2018 precisa ser capaz de compor a paz social e impedir que o confronto venha à tona. Eu gosto muito de um exemplo que acho que serve como exemplo para o Brasil. Abraham Lincoln, quando foi eleito nos Estados Unidos em 1860, era um senador de primeiro mandato em um Estado menos importante naquele momento. Ele venceu homens poderosos e o primeiro ato foi escolher como seus ministros nas três principais áreas aqueles que foram os que havia derrotado nas eleições. É um sinal de inteligência impedir na política, na escola, na igreja, na família que o conflito se degrade e vire confronto.

- Como as pessoas podem evitar esses confrontos?
A primeira coisa é obedecer o antigo aviso que as estradas de ferro traziam, que é “pare, olhe, escute”. Antes de atravessar qualquer linha, a do pensamento, da discussão, do debate, preste atenção, tente capturar o que o outro quer dizer, o quanto aquela pessoa só pensa diferente, não é teu inimigo. Neste sentido é preciso que a gente tenha capacidade inclusive de humildade para entender que há muitos modos de ser humano. E nós somos um deles. A gente precisa ter uma compreensão sobre o lugar das diferenças. A capacidade de tolerância se dá quando a gente entende que a diferença é um valor da nossa existência à medida que aumenta nosso repertório de soluções. Portanto, ser diferente não é ser desigual, é apenas ser diferente.

- Essa compreensão seria um passo para avançar como humanidade?
Sim. Tem muita gente que se acalma e diz que estamos evoluindo. Mas temos que entender que Charles Darwin nunca usou a palavra evolução como sinônimo de melhoria, ele usava como sinônimo de mudança. Que é o que a palavra significa em grego. Câncer também evolui, problema também se desenvolve, encrenca também progride. Por isso é preciso o uso muito maior da nossa inteligência para que a gente não degrade essa condição. Afinal, como um dia lembrou Mahatma Gandhi, olho por olho, uma hora acabamos todos cegos. E neste sentido é necessário mais capacidade de acolhimento, sem que eu abra mão da minha identidade, do meu pensamento, minha postura. Mas acima de qualquer coisa entenda que a noção de ser humano (e eu tô usando o ser como verbo, não como substantivo) é plural, não é individual. Não existe ninguém no mundo como eu, mas eu não sou o único a estar no mundo.

- Seu último livro A sorte segue a coragem! aponta caminhos para que cada um cultive a própria sorte. Como podemos fazer isso?
Primeiro, ele visa a lidar com uma noção de que coragem não é ausência de medo, é capacidade de enfrentar o medo. Uma pessoa que diz que não tem medo, ela não é corajosa, é inconsequente. O que a gente não deve é confundir medo com pânico. Pânico é a incapacidade de ação, medo é estado de alerta. E quando a gente diz que a sorte segue a coragem expressa a noção que a coragem precisa ser competente, para que quando a ocasião vem à tona ela possa ser aproveitada. Por isso temos de ter a coragem como mecanismo de movimento, não como se a gente sentasse e aguardasse a sorte, o acaso.

- Então a gente também é responsável por nossa sorte?
Com certeza. Há um ditado caipira da minha região no Paraná que diz que o cavalo não passa arreado duas vezes. Evidentemente tem que ser completado: saberá montar um cavalo o primeiro que estiver prestando atenção. Segundo, precisa ter habilidade para montar o cavalo, tem que se preparar antes. Senão montá-lo será um desastre. Então a sorte não pode ser desprezada como um fator benéfico ou maléfico. Também parte daquilo que faço e dá errado muitas vezes se deve a coisas que eu não quis. E eu preciso estar preparado para alterar minha rota e plano. Um dia Publílio Siro escreveu que um plano que não pode ser mudado, não presta. Mas precisa ter um plano, inclusive para ser mudado.

- Seu livro Por que fazemos o que fazemos fala sobre carreira. É possível ser feliz no trabalho?
A gente pode encontrar felicidade no trabalho, mas não é o lugar que ele vem sempre à tona. Aliás, nenhum lugar o é. Alguém que diz “eu quero fazer alguma coisa que eu gosto”, é uma pessoa que está dizendo o óbvio. Só um imbecil gostaria de fazer o que não gosta. No entanto, para se fazer o que se gosta e obter algum ponto de felicidade nisso, é necessário fazer muita coisa que não se gosta.

- Isso passa por encontrar também um propósito no trabalho?
Sim, afinal de contas é aquilo que coloco como meta e vou buscar. Por que faço o que faço? Porque me mandam, então eu tenho um propósito que é obedecer. Faço porque quero dar um passo para outro lugar, então aquilo que faço é uma etapa para obtenção de outra condição. O que não pode é ter uma vida automática, robótica, superficial. Portanto alienada. O propósito é o que impede a alienação.

Mas também há uma espécie de obsessão em se estar sempre feliz...

A felicidade não é um lugar que você chega, é uma ocorrência, é um evento que não é contínuo. E quando ela vem a gente tem que aproveitá-la, porque sabe que ela vai embora. Mas ela volta. Ela é um instante, um momento, não é um tempo em que tudo será paradisíaco. Pelo contrário, a gente sabe que a vida tem turbulências, mas ela não tem só isso. Ser feliz o tempo todo é uma forma de tolice e ser infeliz o tempo todo é um desperdício de vida.

- Para muitos o ano começa de fato agora, depois do Carnaval. O que fazer para ter um ano produtivo?
A gente precisa ter projetos, propostas e metas exequíveis, ou seja, que possam ser realizados. Se eu coloco para 2018 alguns objetivos que eu tenha muita dificuldade para alcançar, mesmo que esforço eu faça, eu vou conseguir ao final do ano frustração. A única possibilidade de eu não ter apenas frustração é estabelecer, mesmo que sejam poucas, metas que sejam realizáveis. E neste sentido as grandes perguntas são: quando terminar 2018, o que eu gostarei de ter feito? O que não terei feito, mas posso vir a fazer? E o que eu não fiz, porque fui relapso, fui negligente e preciso melhorar minha condição para alcançar isso? É um tempo de autoconhecimento para que não se termine em frustração, mas que também não se abandone a colocação de metas, vivendo uma vida no automático, alienada. Por isso um ano pela frente é uma possibilidade de realização de projetos. Nem tudo o que desejo acontecerá, mas se eu nada desejar, aí sim é que nada acontecerá.

karine.wenzel@somosnsc.com.br

segunda-feira, 9 de abril de 2018

- A árvore

Colaboração do amigo Sérgio Cunha
HISTORIAS DA INFANCIA
A ARVORE:
Em alemão se diz, Baum. No meio do caminho tinha uma arvore...tinha uma arvore no meio do caminho.
Na década de 50/60, quando éramos crianças (Kinder), quase não existia brinquedos manufaturados. Não na mesma proporção igual aos dias de hoje. Existiam bicicletas com três rodinhas, bem rudimentares, bonecas (Puppen) bem simples, com cabeça de plástico ou porcelana, gaitas de boca, alguns bichinhos de pelúcia, bem rudimentares, bilboquê, peão, bolinhas de gude, etc.
Certa vez, de tanto pedir, ganhei uma bola de futebol, no natal. Meus pais esforçaram-se para dar-me a bola, porém, devido à falta de conhecimento do meu pai, que nada entendia de futebol (Fußball), pois ele nem tinha tempo para aprender alguma coisa sobre o esporte, trabalhando duramente, a bola que ganhei mais parecia de futebol americano. Ela era oval. Colocava ela em uma posição, ela girava para outra.
Acervo Adalberto Day
Entretanto jogávamos futebol de qualquer jeito. Ora com a bola de um, ora com bola de outro e assim nos divertíamos. Brincávamos de “Pega-Pega”, de “Esconde-Esconde”. Brincávamos de “Mocinho e Bandido e Índio”. Brincávamos também de Tarzan, imitando as cenas das revistas Gibi e um pouco mais tarde, reproduzindo as cenas dos filmes que já passavam nas tardes de matinê no Cine Garcia. As meninas (Mädchen) brincavam na maioria das vezes de boneca, de casinha. Mas, as vezes, reunia-se o grupo todo, meninos e meninas, para brincar de Pega-Pega e Esconde-Esconde.
Nos divertíamos muito brincando de índio e de Tarzan, naquelas matas e capoeiras do Beco Tallmann, principalmente no morro (Hügel) apelidado como “morro do Tallmann”, hoje morro do Centenário, chamado assim, devido ao clube de mesmo nome. Naquela época, a passagem do Beco Tallmann para o bairro Zendron era muito primitiva. Passava-se somente a pé, de bicicleta ou de carroça. Ao chegar lá embaixo do morro, próximo do Centenário, havia uma porteira que abría-se permitindo a passagem para o bairro Zendron. Hoje em dia está a rua toda asfaltada.
Fazíamos cabanas com paus e folhas (Blätter) das arvores. Chegamos a fazer cabana na árvore, isso raramente, porque o trabalho requeria conhecimento e empenho. Brincávamos com os cipós (Reben) que pendiam de algumas arvores.
Naquele ponto (Punkt) mais alto do morro do Centenário e bem na beirada do ribeirão Garcia, tinha uma grande arvore, da qual pendia um cipó bem grosso, com uns 3 centímetros de espessura. Como o morro era inclinado em direção (Richtung) ao ribeirão, subíamos até um barranquinho mais alto, segurávamos no cipó e balançávamos em direção ao ribeirão até bater com os pés na arvore.
Um certo dia, brincando próximos daquela área, passamos pela arvore e decidimos cada um balançar uma vez antes de ir para casa. Todos balançaram divertidamente. Eu fui o último. Peguei o cipó, respirei fundo (Tief) e me lancei contra a arvore. La fui eu. Pernas duras e pés preparados para amortecer o impacto. Quando meus pés tocaram a arvore, minhas pernas (Beine) se abriram.
Geeente! Vocês já assistiram um daqueles documentários sobre lobos? Quando o lobo (Wolf) levanta a cabeça em direção a lua e começa a uivar? “Aaauuuuuu......uuuuuu...uuuuuu! No final, o lobo ainda dá aquelas paradinhas para fazer:   uuu...uuu...uuu! Éééé, véio, foi uma  trauletada. Sentei, me encolhi, “tentando” respirar fundo até “voltar a terra”. Ninguém viu, pois todos os guris já haviam corrido morro abaixo em direção as suas casas.
Felizmente e novamente aqui, quero agradecer a presença sempre constante do Anjo da Guarda em minha vida. Tudo terminou bem. Casei-me, minhas filhas estão aí, meus genros, meus netos e neta. E vamos que vamos! Ufa!
Sergio Cunha – 04/03/2018
Reprodução

terça-feira, 3 de abril de 2018

- Balas "Zequinha"

Blumenau e as Balas e figurinhas “ Zequinha”
Faço esta postagem pois fez parte da minha infância e de muitos blumenauenses. Assim como eu muita gente colecionou as belas figurinhas do “Zequinha”
VOCÊ CONHECE O ZEQUINHA?, por Anthony Leahy
A fábrica de doces "A Brandinha" foi fundada na década de 1920 por quatro irmãos poloneses - Francisco, João, Antônio e Eduardo Sobania - que idealizaram e lançaram, em 1929, as Balas Zequinha, onde as balas eram embrulhadas em um papel com o desenho de um palhaço exercendo as mais diversas profissões e situações.
Inicialmente foi desenhada uma série de 30 figurinhas e posteriormente expandido até 50, pelo desenhista Alberto Thiele da Impressora Paranaense, na forma de palhaço careca, de boca aumentada pela maquiagem, gravata borboleta e sapatos tipo lancha. Virou figurinha-papel de bala, sob inspiração das balas Piolim, que eram embrulhadas em caricaturas do palhaço paulista Piolim. Somente quando Paulo Carlos Rohrbach assume a responsabilidade do desenho é que a coleção passa a ter 200 figurinhas.
Em 1948 foi vendida aos irmãos Francheschi (Franceschi & Cia Ltda, de Romar e Radi Franceschi) e, posteriormente, em 1955, assume a fábrica Elisio Gabardo e Plácido Massochetto.
Em 1967 Zigmundo Zavatski compra o direito da marca e a relança. Em 1986, a J. J. Promoções, de Jeferson Zavatski e João Iensen, recomeça a explorar a marca "Balas Zequinha", oferecendo pacotes de figurinhas com as figurinhas do Zequinha junto com doces, já para preencher álbum próprio.
Apesar dos diversos proprietários, o personagem Zequinha - o mais curitibano de todos os piás - resistiu ao tempo tornando-se um dos grandes ícones paranaense do Século XX.
Em 1979 , o Governo do Paraná lança a campanha do clube do Zequinha , para melhorar a arrecadação de ICM, com algumas figuras já adaptadas aos novos tempos (ecologia, trânsito, etc). Foi feita uma releitura do visual do personagem, mordernizando-o, mas sem ofender o conceito original.

Zequinha ensinou às gerações de piás e gurias paranaenses a contar até 200 e gerou inesquecíveis rodadas de jogo do bafo e um sem número de trocas das figurinhas repetidas na porta dos cinemas e no recreio das escolas.
As Balas Zequinha marcaram de forma indelével a memória de gerações de paranaenses. Todos se recordam, nitidamente, do afã de obter os 200 números (a número 200 era “Zequinha distribuindo”) para ganhar o prêmio máximo, a bicicleta, ou de descobrir, no verso do desenho, o carimbo e o selo da Receita Federal dando direito aos prêmios, entre os quais bolas de futebol e bonecas, lanternas elétricas e porta-níquéis

Das Balas Zequinhas sobraram os doces. 
Onde esteve, onde estará o Zéquinha da infância curitibana?
E quem fez parte do “Clube do Zequinha”? 
Zequinha nasceu em 1929. Foi criado pelo desenhista Alberto Thiele, da Impressora Paranaense, na forma de palhaço careca, de boca aumentada pela maquiagem, gravata borboleta e sapatos tipo lancha.
Virou figurinha-papel de bala, sob inspiração da balas Piolim, que eram embrulhadas em caricaturas do palhaço paulista Piolim.
 
Um dos fundadores da fábrica de doces "A Brandinha", Francisco Sobania, teve a ideia de utilizar os desenhos como papéis de bala, encomendando uma coleção inicial de 30 figurinhas à gráfica. Thiele desenhou esta série inicial e a expandiu até o número 50. Depois a coleção passou a ter 200 figurinhas, sendo as restantes desenhadas por Paulo Carlos Rohrbach.
  
Em 1948, a ideia foi comprada pela firma Irmãos Franceschi & Cia Ltda, de Romar e Radi Franceschi, irmãos que mantiveram a coleção e a patente até 1955. As figurinhas marcaram a infância curitibana, no afã de obter os 200 números para ganhar o prêmio máximo, a bicicleta, ou de descobrir, no verso do desenho, o carimbo - e o selo da Receita Federal - dando direito aos prêmios, entre os quais bolas de futebol e bonecas, lanternas elétricas e porta-niqueis.
 As figurinhas - e a de n.º 200 era "Zequinha distribuindo" - embrulhavam balas de açúcar com essência de frutas, de formato quadrado. A embalagem era feita à mão, por 75 moças, e o consumo exigia uma produção diária de 1200 quilos de balas, ou 360 mil balas, distribuídas em todo o Estado do Paraná. As balas eram distribuídas em latas com capacidade para 100 quilos. A cada tonelada era incluída uma bala embrulhada na figurinha n.º 200. 
Quando ficava difícil se livrar dos números duplos, nas trocas entre os piás e no jogo do bafo, havia as matinadas no Cine Curitiba, onde os colecionadores trocavam 100 duplas por um prêmio. Conforme testemunho de Ronei Franceschi, filho de Romar, "essas matinadas serviam para tirar de circulação figurinhas muito repetidas. Eram o 'Banco Central' da época".
 Dos Franceschi, a marca passou à firma E. J. Gabardo e Massocheto. Comparando os desenhos das várias séries, Rohrbach diz que "da primeira série dos Irmãos Sobania à última, de Gabardo e Massocheto, houve poucas modificações. Na figurinha "Na ressaca" dos Sobania, Zequinha usa óculos, que desaparecem na versão Franceschi. A maior mudança foi o sorriso do Zequinha nas edições Gabardo e Massocheto. Até então, a personagem era "séria". Também se americanizou o "Quininha Papai Noel", nesta edição". 
 
Em 1967, a marca de Gabardo e Massocheto é vendida a Zigmundo Zavatski, que relança no mercado as figurinhas das Balas Zequinha. Em 1979, o Governo do Paraná lança a campanha do "Clube do Zequinha", através da Secretaria de Finanças, para melhorar a arrecadação de ICM. Alguns temas foram adaptados ao tempo, como preocupação ecológica, educação de trânsito etc. A personagem ganhou novo aspecto visual, tentando conservar algumas características originais. 
 Em 1986, a J. J. Promoções, de Jeferson Zavatski e João Iensen, recomeçou a explorar a marca "Balas Zequinha", mantendo pacotes de figurinhas com a personagem, anexados a doces, para preencher álbum próprio.
 Zequinha, jamais envelhece na memória curitibana, ensinou gerações de piás e gurias a contar até 200 mais depressa do que a escola conseguia ensinar. Marcou inesquecíveis rodadas de jogo do bafo e um sem número de trocas das figurinhas repetidas, na porta do cinema e no recreio da escola. Ensinou aos curitibanos os ofícios. É parte fundamental no aprendizado do ofício de ser curitibano. 
Já não eram mais balas, mas era uma sensação doce mesmo assim, colecionar aquela tão íntima e só curitibana mania.
 
Hoje podemos encontrar álbuns quase completos vendidos em sites, por verdadeiras mixarias, e que graça tem comprar um álbum completo ou semicompleto; o que realmente valia era a diversão de montar um, com seu esforço, dia a dia, a surpresa que vinha num envelope fechado, as brincadeiras e trocas entre os amigos... é a mesma coisa que construir um sonho com suas próprias mãos, ou, talvez, montar um desenho animado pré-definido, porém o sabor é puramente infantil e íntimo, daquela época.
 
Para os que não vivenciaram isso naquela época, certamente, não perceberão a importância de uma brincadeira que não tem barulho de laser, nem destruição, nem sangue, nem animação gráfica, mas que nos tornavam semente de uma geração apaixonada por nossa cidade
“Zequinha” virou relíquia para colecionadores
 

  Campanha criada pelo Governo do Paraná, denominada “clube do Zequinha”, que trazia o personagem de um palhaço intensificando a cultura do estado, fez o álbum e as figurinhas virarem raridade após 27 anos 
    Com o objetivo de melhorar a arrecadação do ICM (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias), o Governo do Estado do Paraná lançou uma campanha do Clube do Zequinha. Era necessário ter Cr$ 1.000,00 (mil cruzeiros) em notas fiscais, para trocá-las por um envelope com 20 figurinhas.
  O personagem principal, um palhaço chamado Zequinha, nasceu, originalmente, no ano de 1929 em uma fábrica de doces, onde as balas, feitas apenas de “açúcar e água” como descreveu um colecionador, eram embrulhadas num papel com o desenho de Zequinha exercendo inúmeras profissões e apresentando-se em várias situações.
 
  Quando a campanha foi lançada, algumas mudanças na parte estética do personagem foram feitas. Figurinhas foram excluídas e outras, adaptadas de acordo com o contexto paranaense. Segundo dados do Instituto Memória, a maioria das crianças aprenderam a contar até 200 através da diversão em colecionar as figurinhas do palhaço e completar seu álbum. Trocas na porta das escolas e jogos de bafo, também eram comuns.

  Criação  
  Zeno José Otto, profissional na área de marketing e publicidade e propaganda, criou a agência P.A.Z, localizada em Curitiba. Estando à frente do atendimento, planejamento, diretoria de criação e diretoria de arte, Otto participou do ICM do Zequinha, na década de 80. Conforme ele mesmo descreve, a campanha “foi o maior sucesso de propaganda governamental do Paraná”.

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