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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

- "Férias no SUL"

A escritora e Colunista Urda Alice Klueger, nos apresenta uma crônica escrita em junho de 1997, sobre o filme "Férias no Sul" em Blumenau de 1967 -, que hoje sabemos de sua importância e significado.

Por Urda Alice Klueger
Faz pouco mais de um ano que, numa mostra de cinema, revi “Férias no Sul”, filme feito em Blumenau na década de sessenta, e que na época causou um frenesi na cidade.
Vivíamos, naquele tempo do passado, sob a égide do cinema – a televisão demoraria muito, ainda, para chegar por aqui – na verdade, as pessoas só acabaram comprando televisão para a Copa do mundo de 70. Assim, nos anos sessenta, o divertimento preferido de quase todo o mundo era ir ao cinema, ao cinema que nos trazia Brigite Bardot e o capitão Custer matando índios, além de farwest famosos, como “Django e o Dólar Furado”, e o agente 007, e por aí afora. Ir ao cinema era o máximo, era ir à mais maravilhosa das fábricas de fantasias – imaginem o que foi saber-se que aqui, na nossa provinciana Blumenau, iria ser rodado um filme de verdade, um filme que seria visto por todo o Brasil!
O primeiro frissson foi das pessoas que queriam aparecer no filme: todos queriam, e não sei como é que os diretores do mesmo fizeram para chegar à seleção dos que poderiam ou não ir para a tela. Vendo o filme, agora, diverti-me um monte vendo a antiga juventude blumenauense, hoje transformada em gente sisuda e responsável, a fazer “pontas” no filme, compenetradíssima no seu papel de alguns minutos. Até o nosso austero ex-prefeito Victor Fernando Sasse, que naqueles idos deveria andar pelos vinte anos, aparece em longa cena, dançando num baile do Tabajara, o nosso clube mais tradicional.
Bem, depois do frisson das filmagens, houve o frisson de ver o filme, este muito maior, pois colocava o filme ao alcance de todos os mortais, e ninguém perderia, por nada no mundo, de ver aquele filme que se passava na nossa cidade, embora a opinião geral fosse de ele denegrira a imagem de Blumenau. Malhou-se o pau em “Férias no Sul” como nunca se tinha malhado o pau em filme nenhum, em Blumenau, nem mesmo naqueles em que Brigite Bardot aparecia nua. Lembro-me como “Férias no Sul” foi apresentado em Blumenau no Cine Blumenau, em sessão contínua para dar vazão aos quase oitenta mil blumenauenses que não perderiam de vê-lo por nada, só para depois poder falar mal. A coisa funcionava assim: abriam-se as portas do nosso maior cinema, esperava-se entrar a multidão que o encheria, fechavam-se as portas e rodava-se o filme – quando acabava, as pessoas saíam e a operação se repetia – isso por dias seguidos, sessão após sessão, sem nunca acabar a longa fila de espera que, lembro-me muito bem, ia do Cine Blumenau até onde hoje é o Banco do Brasil, uma fila de quase uns quinhentos metros. O pessoal que esperava na fila ainda não tinha visto o filme, claro – mas falava mal dele com toda a veemência, como se cada um fosse o diretor responsável. E o que é que exasperava tanto os ânimos dos blumenauenses de antanho, que tornava o filme tão terrível, que fazia com que ninguém quisesse perdê-lo?
Revi o filme faz ano e pouco, e morro de rir ao me lembrar. O famoso Davi Cardoso, aquele mesmo das pornochanchadas, mas que nesse tempo ainda filmava de roupa, vive uma cena de amor com uma moça da nossa cidade. A cena é num baile dum clube de Caça e Tiro, onde os dois se paqueram dançando, e depois dão o fora. A cena seguinte é deles voltando ao salão, a nossa linda moça loira sugerindo que teve suas roupas descompostas, e, oh! o frenesi dos frenesis: nossa atriz de um dia arruma o ombro da sua roupa, e, supra-sumo da sem-vergonhice para a época, deixa ver a alça do seu sutiã!
Gente, todo o pau que se quebrou em cima do filme foi por causa dessa cena fugaz, e de uma moça acertando a roupa e deixando entrever a alça de um sutiã! O escândalo foi tão grande que essa moça, que trabalhava numa loja de calçados, teve que ir embora da cidade.
Cine Blumenau - altos da rua XV
O filme, mesmo, é de uma grande ingenuidade. A tal alça do sutiã deu todo o toque picante para aquele momento de gloria de Blumenau, o de aparecer nas telas dos cinemas de todo o Brasil. Até hoje, nas rodas de pessoas de mais idade que eu, ouço falar do filme “Férias no Sul” como algo que envergonhou nossa cidade. As pessoas de hoje deveriam rever o filme, para poderem rir de seus velhos preconceitos. Quase não dá para imaginar que Blumenau, um dia, já foi assim!

Blumenau, 23 de junho de 1997.

Urda Alice Klueger - Escritora, historiadora e Doutoranda em Geografia pela UFPR
Para saber mai acesse:
http://adalbertoday.blogspot.com/2009/08/ferias-no-sul-um-filme-feito-em.html
http://adalbertoday.blogspot.com/2009/08/ferias-no-sul-um-filme-feito-em_07.html
Arquivo de Dalva e Adalberto Day

6 comentários:

Valdir Appel disse...

As pornochanchadas precederam o cinema pornô e não havia sexo explicito. Atrizes que desfilaram nas telinhas destas produções baratas, seriam famosas posteriormente, como a Vera Fischer e a Elisabeth Hartmann, que está no elenco de Férias no sul.
Estes filmes revelavam pouco, mas davam asas às mentes fértéis de todos os jovens da época.
Hoje, o prato já é servido quente.
Parabéns, pelo texto.

Maicon disse...

Olá Sr. Adalberto,

Primeiramente, quero parabenizá-lo pelo blog, fiquei impressionado e entusiasmado ao me deparar com uma riqueza tão
grande de informações, que jamais imaginaria encontrar. A história da nossa região, mais precisamente o Garcia, com imagens e documentários tão ricos.
Se não me engano, eu era seu vizinho. Meu nome é Maicon S Cabral, sou filho do seu Cabral, que morávamos praticamente em frente em sua casa na julio heiden, meu pai trabalhou na Artex e depois fazia frete. Não sei o sr ainda mora ali.
Não sei como, mais procurando alguma coisa no google sobre a escola que estudei, Padre José Mauricio, encontrei seu blog.
E como ja escrevi, fiquei impressionado com o que encontrei. Minha vontade é ler e ver tudo de uma só vez, mais é muita informação,
que com certeza vou apreciar com calma sempre que puder. Muito rico o site, e com certeza, muito importante. Nos faz sentir
sensação de prazer ao ler cada postagem.
Mais meu contato, se reserva a uma solicitação, se for do seu alcançe, é claro.
Gostei muito da reportagem de vídeo O FIO DA HISTÓRIA. E gostaria de saber como posso conseguir este vídeo em DVD.
Se o Sr. puder me ajudar ou me informar aonde posso adquirir, lhe serei muito grato. // Talvez o lugar que eu possa baixar, ou
até mesmo comprar.

Desde ja agradeço.

E mais uma vez parabéns pela iniciativa, com certeza vou ser mais um leitor assíduo do seu blogger.

Abç, e um ótimo Natal para família

Ivo disse...

Prezado Adalberto,

Boa tarde.

Mais um email seu, mais uma boa surpresa e uma doce lembrança.

A filmagem do filme “Férias no Sul” mais uma vez nos envolveu na história de Blumenau. O castelinho dos meus avós maternos, Antônio (Tonico) Reinert e Stefânia (Fanny) Michels Reinert, sito até hoje à Rua Namy Deeke, 111 (atualmente propriedade da Ross Imóveis) foi usado como locação para o referido filme. Apesar de ainda não ter nascido, lembro-me de minha mãe Edir (Edy) Reinert comentando sobre a loucura que foi o uso da casa como locação e a convivência com o “astro” David Cardoso pelos cômodos da residência.

Forte abraço,

Ivo Antônio Reinert Prim

Osmar Hinkeldey disse...

Boa tarde Adalberto

Eu não vi esse filme, mas lembro que na época causou algum comentário. A prima Urda colocou muito bem no texto a ingenuidade da época.
Abraço

Paulo Roberto Bornhofen disse...

Adalberto,

Agora eu sei que Blumenau (ou melhor, os blumenauenses) não mudaram nada. O que mudou foi a alça do sutiã. Como essa cidade gosta de uma polêmica. Não interessa o tema, desde que proporcione uma bela polêmica, é bem vindo.

Abraços,

Paulo R. Bornhofen

Cao Zone disse...

Prezada dona Urda,
No currículo de Elizabeth Hartmann consta que Férias no Sul de 1967 é seu terceiro trabalho, ela que esteve em muita pornochanchada e depois de mais de 50 papéis acaba fazendo aquela madre superiora na TV de Àgua na Boca.
Abraços,
Cao

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