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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

- Ribeirão Passo Manso

Apresentamos hoje revelações históricas sobre o Ribeirão Passo Manso e região , com o renomado Niels Deeke - Memorialista em Blumenau – SC. Parte do Texto original em sua grafia .
O valor desta contribuição é de fundamentação histórica inigualável para nossa cidade. Que nossos leitores compreendam e façam uma bela leitura.
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Por Niels Deeke

RIBEIRÃO PASSO MANSO - Uma Ucronia e um Blefe como Topônimo.
Seleção extraída da coleção : Anedotário e Verdades na História de Blumenau - inédita por Niels Deeke
¨ Ribeirão inexistente, conquanto fosse muito citado no passado. ¨
Quando, em 1934, o território municipal de Blumenau foi desmembrado em diversos novos municípios, descreveram as linhas extremas fixando os limites intermunicipais entre Indaial e Blumenau, através uma caracterização muito vaga de um suposto ribeirão Passo Manso¨. É quase impossível acreditar que tenham confundido o diminuto canal que encontraram coberto por precária ponte, dita antigamente “Ponte do Passo Manso” no final da atual ( estamos no ano 1997) rua Bahia, com um ribeirão. A antiga poça de água, ou baixio alagado, é uma extensão das águas do rio Itajaí Açu –uma baia ou enseada, e atualmente serve de limite intermunicipal, quando, a ponte, em absoluto, não faz a travessia do ribeirão Passo Manso, pois o filete d’água é inominado, porquanto jamais existiu um ribeirão denominado Passo Manso. Talvez fossem induzidos a assim pensar, levados pela circunstância de haver naquela ponto a dita balsa do Passo Manso, e por que era o início da região assim chamada, onde há uma depressão que o rio Itajaí Açu adentra, que entretanto não chega a configurar um ribeirão. O pretenso ribeirão Passo Manso nasceria nas faldas terminais, sitas ao norte do Morro do Encano, que por sua vez integra o espinhaço do também denominado Encano, seguindo suas fracas águas em direção noroeste, quando, depois de atravessado por ponte na via asfáltica, deságua no Itajaí Açu muito a montante do atual ponto considerado limite intermunicipal. Portanto a real linha extrema, cuja descrição estabelecia o ribeirão Passo Manso deveria transferir o atual limite até o ponto do nº 6.550 na rua Dr. Blumenau, já no atualmente considerado território pertencente à Indaial, em local que secciona, no ponto antes referido, a estrada de ligação entre Blumenau e Indaial, margem direita do Itajaí Açu. É o seguinte o texto contido no Anexo 2 do Decreto-Lei nº 238 de 01/12/1938 que instituiu os limites municipais de Blumenau, no seu item 7. –« Com no município de Indaial » “Começa no ponto em que o divisor das águas entre os rios Encano e Garcia encontra a serra do Itajaí, segue pelo dito divisor e pelo que fica entre os rios Encano e da Velha até alcançar a nascente do ribeirão Passo Manso ; desce até a sua foz no rio Itajaí-assu; sobe o Itajaí-assu até a confluência do ribeirão Kellermann; por êste último acima até a sua cabeceira”. Aliás toda aquela região do antigo Morro do Seide e o local atualmente conhecido por “Pauschtiefe” [ Pauschtiefe O topônimo “Pauschtiefe”, ou tifa do “Pausch” é uma adulteração ( corrupção fonética) de “Paupitztiefe” ou seja Tifa do “Paupitz“. O antigo morador no início desde beco era um Sr. Paupitz e pela corrupção fonética “Paupitztiefe” tornou-se “Pauschtiefe” ] é cortada pela estrada que acompanha o que seria o verdadeiro ribeirão Passo Manso, via que segue ao encontro da estrada asfáltica quase na foz do dito ribeirão. A área está contida numa conformação topográfica triangular, quase isoscélica, cuja base está a leste e as duas estradas ( catetos) vão se juntar ao oeste, e toda a área de cerca de 04 km2 de conteúdo entre as duas vias deveria, conforme a descrição, integrar o município de Blumenau, entretanto integra, politicamente, o município de Indaial..
Reunidos, no ano transato de 1996, em nossa Fazenda Deeke, numa das muitas visitas para evocar secções coloquiais de nostalgia, junto com o nosso saudoso amigo sr. Honorato Tomelin (Falecido aos seus 92 anos de idade em 03/9/2005), ilustre jornalista do jornal “O Lume”, Fiscal da Fazenda do Estado de Santa Catarina e que em 19/01/1964 foi nomeado “Diretor da Imprensa Oficial do Estado” e atual (ano 1996) proprietário de terras – uma pequena chácara - na área em lide não distante de nosso ponto de reuniões, recordamos, durante conversas, uma antiga burlesca anedota acerca de como, improvisadamente, os topógrafos de então mediam terras. ( Obs. Honorato Tomelin- Fiscal da Fazenda do Estado de SC e Sebastião Cruz- Inspetor da Fazenda Estadual em Blumenau, eram, em 1956, desafetos ao extremo, requerendo de Hercílio Deeke – Secretário da Fazenda - muito desgaste no sentido de harmonizar as mútuas hostilidades ).
Relato da antiga Anedota acerca do fabuloso dislate que teriam perpetrado ao definirem os limites entre Blumenau e Indaial, em ambas as margens do rio Itajaí Açu: Supostamente alguns antigos moradores da região em foco ainda recordam-se de interessante história, na qual afirmavam que a circunstância do limite da divisão político- administrativa intermunicipal entre Blumenau e Indaial, junto à margem do rio Itajaí Açu, não coincidir nas linhas, em reta, de ambas as ribanceiras, como tendo origem no fato de haverem os agrimensores escolhido o lugar para marco lindeiro, em ponto onde haveria acostada uma antiga balsa que ali fazia esporádicas travessias. Iniciaram a medição na margem esquerda que concluíram em meio dia ao chegarem às margens do rio Itajaí Açu. Cansados almoçaram lautamente além de servirem-se generosamente do garrafão de forte cachaça, quando, logo após, tomando uma embarcação - uma canoa que geralmente seguia acoplada à referida balsa, puseram-se a atravessar o rio para dar continuidade aos serviços de medição, e de piqueteamento por estacas, na margem oposta – a direita no Itajaí Açu. Como porém a correnteza naquela oportunidade fosse considerável e, sonolentos como estavam pelo efeito da cachaça, não conseguiram apanhar, a tempo, os remos que estivam sobre a balsa, e lá os ditos ficaram, resultando que a canoa na qual embarcaram, fosse levada pela correnteza abaixo, vez que ficaram desprovidos de propulsor apropriado para vencê-la, pois dispunham somente de uma improvisada vara e ajudados pelas próprias mãos, com muito esforço, conseguiram atingir a margem oposta, ou seja à direita. Contudo completaram a travessia alcançando um ponto muito a jusante, rio abaixo, na outra margem. Por puro comodismo, ou preguiça, e ainda por encontrarem-se exaustos pelo esforço despendido, acrescendo a molemolência provocada pela ação da ¨Pinga¨, não teriam procurado o local exato da interseção da linha em reta, no que precisariam seguir pelas barrancas longo trecho rio acima, e assim iniciaram as medições no ponto em que arribaram com a canoa, cerca de três quilômetros rio abaixo, para onde os levou a correnteza. Foi desta forma que explicavam a circunstância da descontinuidade da linha divisória em ambas as margens do Itajaí Açu, uma incongruência enorme de confrontações na continuidade do traçado retilíneo, como era pretendido no memorial descritivo original . Hercílio Deeke tinha plena ciência da controvérsia, e perguntado porque não reivindicava a área, por direito pertencente à Blumenau, respondeu que por tão irrisório território não acreditava poder justificar uma demanda e que enfim toda a questão não importava - geraria conflitos sem trazer melhoria social e que se assim desejassem, a iniciativa deveria partir dos respectivos moradores. Portanto o Município de Blumenau tinha ainda em 1965, realmente a área 514 Km2, o que correspondia, aproximadamente, à 0,5% da área total do Estado de Santa Catarina. Conforme relatórios e noticiário jornalístico dos últimos anos, o município teria agora, em 1996, somente 483 km², e acreditamos que a perda ocorreu realmente na região do ribeirão Kellermann, limite com Indaial, porém na margem esquerda do Itajaí Açu, até encontrar a extrema com o Município de Pomerode, onde. a exclusão da área de Blumenau, foi de cerca de 16 km2, pelo abandono com que os serviços cadastrais municipais de Blumenau a deixaram, a partir de 1966, sem nem mesmo cadastrá-la para fins de lançamento de impostos, quando, na gestão administrativa do governo Zadrozny consideraram todo o dito “Vale das Bonecas” área rural submetida ao antigo IBRA, depois INCRA, sujeita, portanto, à legislação federal com exclusão do IPTU, o que foi correto, porém, completamente extralegal em excluí-la do território do município de Blumenau para fins administrativos - aliás um tremendo disparate. Sem a incidência de impostos municipais sobre a área, não interessou à novel e inexperiente gestão administrativa empossada em 1966, considerá-la, de fato ou de direito, jurisdição administrativa da municipalidade de Blumenau – enfim esqueceram-se da existência, daquele então ermo rural, posteriormente tanto importante com a construção da BR 470. (Observe-se que o “Ibra”- Instituto Brasileiro de Reforma Agrária - começou a cadastrar aquelas áreas rurais em Blumenau em dezembro de 1965, determinado que fora, na Gestão do prefeito Hercílio Deeke, ao Sr. Jonas Neves –funcionário da PMB - de proceder , ¨in loco¨ as respectivas inscrições de cada propriedade rural, trabalho que, em dezembro de 1965, permanecia ainda inconcluso e que a partir de fevereiro de 1966 foi desativado por inacabado, para aquela região, pelo novo governo municipal. Certamente seus moradores, então desamparados pelo governo de Blumenau, passaram a dirigir-se a Prefeitura de Indaial , mas próxima de suas propriedades, para obter cadastramento rural no antigo ¨Ibra¨, bem como os licenciamentos de construção etc. o que redundou num verdadeiro “Uti Possidetis”, estabelecendo a jurisdição administrativa do território a favor de Indaial. (Vide “Relatórios Dos Negócios Administrativos do Município De Blumenau”- Prefeito Hercílio Deeke, anos 1951, 1952, 1953,1954, parcial 1955,1961,1962, 1963, 1964, 1965. - dados estatísticos, obras constantes das bibliotecas públicas e arquivos ). Obs.:
Segundo o Guia de Ruas , 8ª Edição , editor José Gonçalves à p. 02 registra : área do município 531 Km² (?) e altitude 14 metros. Pergunta-se : teriam as enchentes de 1983 e 1984 depositado terras de aluvião em favor dos blumenauenses para engordar a superfície do município em 17 km2, quiçá num segundo pavimento ( 1° andar aéreo) territorial ? Depois de muito procurar Niels Deeke encontrou a solução do problema em 23/5/1997, quando encontrou, junto seus arquivos particulares, um “Antigo Mapa”, onde está configurado parcialmente o estabelecimento dos limites intermunicipais entre Blumenau e Indaial, bem como, também, entre Blumenau e Gaspar. Mediante a observação do mapa fica cabalmente comprovado que a linha limítrofe acompanha, na margem esquerda do rio Itajaí Açu, o Ribeirão Kellermann por longo trecho, onde, pela escala do mapa , o persegue em cerca de 5 mil metros; e na margem direita do Itajaí Açu, apanha a linha exatamente fronteira à foz do Ribeirão Kellermann, no dito e assinalado como um hipotético Ribeirão Passo Manso, que outro não é que a aguada proveniente da atual Pauschtiefe ( Antes configurado) , considerada como integrando o município de Indaial. Vide Mapa Pasta nº 1 da Crônica da Família Deeke por Niels Deeke.
## Ribeirão Kellermann : Servia como divisa entre os municípios de Blumenau e Indaial. Afluente do Rio Itajaí Açu na margem Esquerda, e primeiro ribeirão a jusante do Ribeirão Mulde.
Texto : Niels Deeke, Memorialista em Blumenau-SC
Arquivo de Adalberto Day

2 comentários:

Charles Ringenberg disse...

Ótimo post ! Não sei como demoraram tanto tempo para pavimentar a rua Bahia no bairro Passo Manso. Futuramente vai ser um dos locais de mais trânsito quando liberarem a ponte do Badenfurt. Foi uma via pensada para frente. Acho que foi pavimentada na gestão do Félix Theiss, um grande visionário que comandava nossa cidade naquela época.

Theodor disse...

Sr. Adalberto !

Interesantíssima a matéria do blog que trata da história da história da divisa Blumenau/Indaial, escrita por Niels Deeke. Por coincidência, estive no domingo passado dia 15/08, estudando "in loco" esta divisa, inclusive conversando com os moradores próximos a ela.

A divisa configura um traçado muito esquisito, margeando a Rua Dr. Blumenau (que pela matéria do Niels deveria pertencer a Blumenau). As empresas ali instaladas inclusive recolhem impostos para Indaial, mesmo estando situadas em território blumenauense. É que as transversais iniciam em Indaial e de um pequeno ribeirão em diante pertencem a Blumenau. Se a divisa tivesse sido respeitada, isto não ocorreria.

A situação é estranha, impactando até em dificuldades para os moradores, conforme me relataram. Acho que mereceria uma atenção das autoridades.

Um abraço e até mais,

Theodor.

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