Crônica de José Geraldo Reis Pfau, sobre o Papai Noel em Blumenau, das Lojas HM - Hermes Macedo
Por José Geraldo Reis
Do Blog Porto Alegre antigo republicamos com muita saudade, algumas lembranças da empresa de Hermes Macedo. No início da década de 1930 os irmãos Astrogildo e Hermes Macedo chegaram à capital paranaense. Vinham do interior do Rio Grande do Sul e pertenciam a uma tradicional família de comerciantes. Em 1932, sob a liderança de Hermes, abriram a Agência Macedo, um estabelecimento que vendia peças novas e usadas para caminhões e automóveis. Em pouco tempo formaram uma grande freguesia e decidiram ampliar os negócios. A segunda loja da empresa, aberta em 1936, funcionava na Praça Generoso Marques, no Centro de Curitiba, ao lado da Prefeitura e inserida do trajeto dos bondes e dos ônibus que ligavam o Centro à periferia curitibana. O sucesso foi tão grande que, alguns meses depois de aberta, os irmãos Macedo decidiram diversificar as vendas e assim a loja passou a comercializar bicicletas e artigos domésticos. Em 1943, já com a denominação de Lojas Hermes Macedo e obedecendo a uma planejada estratégia de expansão, foi inaugurada a primeira filial fora de Curitiba. O local escolhido foi a maior cidade do interior paranaense da época: Ponta Grossa. Em seguida – começando na década de 1940 – foram abertas lojas em Londrina, Maringá, Blumenau (a primeira fora do Paraná), Porto Alegre etc.
Em Blumenau as lojas HM se instalou na Rua XV ao lado do então Banco do Brasil aonde hoje é o centro comercial Beira Rio. No outro lado da rua, ao lado das Lojas Caça e Pesca de então, ficava o departamento de bicicletas e lambretas, onde hoje é o Banco do Brasil. Substituindo o Sr. Castelain no inicio da década de 50, meu saudoso pai Osmênio Pfau, assumiu a gerencia das Lojas Hermes Macedo. Teve a função de abrir todas as filiais no Estado. Pfau esteve a frente das organizações durante 35 anos, numa carreira brilhante e como diretor para Santa Catarina ele se aposentou. No inicio dos anos 60 Hermes Macedo construiu a maior loja do sul do Brasil com vão livre, na rua XV aonde hoje é o centro comercial Bremmer Zenter. Como uma loja de departamentos a nova HM de Blumenau surgiu no mercado catarinense como uma força de um verdadeiro shopping. Uma loja completa com moda masculina, feminina, presentes, toda a linha branca, eletrodomésticos, roupas de cama e banho, maquinas de costura, som, peças e acessórios para automóveis, bicicletas, lambretas, motos, pesca e náutica, pneus de automóveis e caminhões, móveis, carpete e outros, com o Frühstück bar num saboroso café e lanches.
No decorrer das décadas de 1960, 70 e 80, a rede de Lojas HM ocupou lugar de destaque no ranking das maiores empresas nacionais por vendas no comércio varejista brasileiro, sendo, durante todo esse período, a maior empresa do setor no Paraná. A partir do final da década de 1980, o império comercial criado por Hermes Macedo passou a enfrentar vários problemas. A desfavorável conjuntura econômica nacional, o aumento da concorrência com a entrada das novas empresas (nacionais e multinacionais) no setor de eletroeletrônicos e, principalmente, a disputa interna pela sucessão e pela administração da empresa foram fatores determinantes para o declínio do grupo HM.
Até 1997, quando foi decretada a falência da empresa, foram abertas 285 lojas em 80 cidades espalhadas por seis estados brasileiros: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Foi daí que surgiu o slogan que durante anos identificou as Lojas HM na publicidade nacional: “Do Rio Grande ao Grande Rio!”.
O domínio das Lojas HM
Decoração de Natal
Desde sua abertura em Ponta Grossa, as Lojas HM dominaram o comércio varejista local oferecendo eletrodomésticos, pneus, móveis, brinquedos, utensílios domésticos e vestuário. A “Brinquedorama HM”, estruturada no andar superior da loja se tornou um dos lugares mais procurado pelas famílias ponta-grossenses que buscavam os presentes para as crianças na véspera do Natal.
Aliás, durante a década de 1970, a abertura oficial do Natal em Ponta Grossa – e em outras localidades – ocorria com a chegada do Papai Noel HM à cidade. Carros alegóricos, personagens da Disney, Super-Heróis e dezenas de figurantes desfilavam pela Avenida saudando o público e anunciando a chegada do Natal. O ritual se encerrava justamente com a passagem do “Bom Velhinho” no último carro que integrava o cortejo.
Em Blumenau não era diferente essa grande festa de Natal HM. A decoração interna da loja, sua fachada, o arco instalado no alto da Rua XV junto com o desfile do Papai Noel fizeram durante anos a alegria de todas as idades. Com apoio circense (Circo Bartolo de Ctba) a filial do HM de Blumenau e seus artistas do setor de decoração desenvolviam painéis, esculturas e carros alegóricos maravilhosos. Presépios, muitas luzes e decoração com a presença do Papai Noel e seu trono junto a Brinquedorama eram o programa e o sonho de todas as famílias. Numa época de Blumenau dominava o comércio catarinense. A Brinquedorama recebia um cenário com atendentes uniformizados a caracter com uma enormidade de opções em brinquedos para encanto das crianças.
Nos meados daquela década, outra atração propiciada por Hermes Macedo aos ponta-grossenses era a possibilidade de “assistir” as TVs coloridas, então uma novidade no mercado brasileiro. Os aparelhos eram colocados nas vitrines e ficavam ligados durante boa parte noite. Mesmo sem ouvir o som do que era transmitido, a possibilidade de assistir aos programas a cores fazia com que se formassem filas de carros ao longo da calçada da loja.
Já nos anos 80, quando o Atari se tornou uma febre no Brasil, as Lojas HM atraíram grande número de crianças e adolescentes que se acotovelavam para jogar o Pac Mac, o Enduro e o River Raid, os mais populares jogos disponibilizados pelo vídeo game.
Numa caracteristica local, os consumidores tradicionais, ao adquirir principalmente os produtos da linha branca (refrigeradores e fogões) bem como móveis tinham a cortesia do transporte dos equipamentos usados para as suas casas de praia. Nos períodos de festas a frota do HM realizava nos finais de semana a entrega de refrigeradores e fogões usados de seus clientes nas praias do litoral catarinense.
Disputas pelo poder, crises financeiras, fizeram o grupo pedir concordata em 1992, conseguiu pagar grande parte dos credores, em 1995 não tendo condições de continuar a atividade por falta de crédito e confiança dos fornecedores, a Lojas Hermes Macedo fazem um acordo comercial com as Lojas Colombo, os pontos de venda e os funcionários ficaram com a HM, por este acordo que permaneceu até fevereiro de 1997, a HM recebia uma comissão de cerca de 10% sobre as vendas realizadas. Em fevereiro de 1997, depois de esgotadas todas as possibilidades a empresa pediu falência com continuidade dos negócios. As Lojas Colombo mantiveram o acordo até novembro de 1997 quando foi decretada a falência definitiva.
Natal da HM em 1982
Foto da chegada do Papai Noel das lojas Hermes Macedo na rua XV de Novembro, em 1982. Costumava ser "o" evento para a criançada. A Hermes Macedo era "a" loja naquela época. Tinha tudo o que a gente sonhava. Não dá para entender o motivo do fechamento, já que era muito frequentada.
Foto : Charles Ringenberg
Flâmula da Hermes Macedo em 1962
Hermes Macedo na política
Devido ao grande sucesso financeiro que adquiriu e pelo prestígio que as lojas da empresa possuíam, Hermes Macedo lançou-se na vida política. Filiado a Arena – partido criado para apoiar o Regime Militar – o empresário ocupou, por diversos mandatos, o cargo de Deputado Federal entre as décadas de 1960 e 1980.
http://adalbertoday.blogspot.com/2008/12/histrias-do-nosso-papai-noel.htmlVeja http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-162405002-flmula-lojas-hermes-macedo-blumenau-1962-_JM
José Geraldo Reis Pfau








20 comentários:
Grande Adalberto. Ainda ontem, eu falava com alguem e dizia que a primeira lembrança que tinha, sobre o Natal em Blumenau, era na HM. Lembro exatamente da Brinquedorama, e desse Arco sobre a XV. Acho que vc adivinhou que eu pensara nisso e me alegrou, com tão belas lembranças.
Feliz Natal, e tudo de bom pra você e sua família.
Abração
Sou muito saudosista, Sr. Adalberto!
Trago sempre a lembrança os Natais passados, da infância,de como eramos felizes!
O mais esperado era o Desfile de Natal da Loja HM.
HM era o shopping da nossa epoca, depois veio Lojas Hering.
Bons tempos. Tudo era alegria. Nos contentavamos com pouco.
Um post conveniente ao período.
Lembro com saudosismo, um presépio em miniatura motorizado, que nos deixava impressionados. O Papai Noel sentado em seu trono (Rei das Crianças) ouvindo atentamente meu pedido. Na loja era fácil encontrar o quer que se precisasse.
Pfau, foi muito bom relembrar a HM, que mostra como as lojas são mais que simples comércios, fazem parte de nossa vida, em algum momento.
Sr. Adalberto, fico feliz por compartilhar através de seus colaboradores, mais uma lembrança gostosa de nossa Blumenau.
Nunca imaginei que o Grupo Hermes Macedo fosse tão grande na época. Posso dizer que eu era uma das crianças que me acotovelava para jogar o Pac-Man no Atari que a loja tinha. Me trouxe belas lembranças. Obrigado ao Jose Pfau pelo texto e a você por compartilhar essas informações.
Boas festas.
Aqui na alemanhga H&M eh bem comum. H vem de Hemmes (ou Hemes) e M vem d Moritz :) Trata-se uma rede tipo C e A
...Von meinem drahtlosen BlackBerry®-Handheld gesendet
Bem que o pessoal de Gramado diz ter se espelhado no nosso Natal para fazer o deles...
Adalberto:
Você não sabe, mas como historiadora que convive com historiadores, mais de um vez tenho levado a eles essa informação: que quem trouxe o Papai Noel para Blumenau foi a Hermes Macedo. Antes, quem encantava nossos Natais era o Weinachtschmann ou o Nicolau.Papai Noel chegou solenemente em Blumenau por causa dessa loja, e como esperávamos por ele, a cada ano!
Conheci o seu Pfau e suas filhas, moradores, se não me engano, da Rua São José, numa casa que está lá até hoje.
A loja Hermes Macedo era fascinante, e sua Brinquedorama e Papai Noel eram o máximo! Na nossa família houve uma correria danada quando minha sobrinha Laura Alice Klueger (nascida em 1983), que deveria ter uns dois ou três aninhos, perdeu-se dentro da Brinquedorama, bem numa época em que a imprensa vinha contando muitos casos de crianças roubadas. Foi um corre-corre, cada um correndo para uma porta da loja, para cuidar para que ninguém roubasse a nossa menina - mas ela só tinha ido dar uma voltinha na loja e foi logo reconhecida e encontrada. Uma revendedora a reconheceu e anunciou no serviço de altofalante, avisando em que setor ela estava. Ufa! Até agora sinto um alívio, quando lembro!
Bom Natal!
Urda Alice Klueger.
Lembro que quando criança, no início dos anos 70, meus pais me levavam pra ver uma espécie de robô gigante que ficava no hall de entrada na loja, se não me engano, em épocas de natal. Lembro também que quase me borrava de medo daquele robô.
Amigo Adalberto
Comentava neste instante com meu esposo, que minha lembrança de Papai Noel era o das Lojas HM de Rio do Sul...onde qdo pequena aguardavamos a chegada dele na loja e sempre tão lindo e caprichado, um acontecimento de parar a cidade. Tudo com muita bala, alegria, familias reunidas e olhos brilhando com tanta alegria e magia.
Que saudade daquele tempo tão inocênte.
Abraços, e um FELIZ NATAL
Tati
willianspengler @adalbertoday Beto, a Brinquedorama da HM era a alegria da criançada dos anos 80. Qtas x peguei onibus Gaspar/Bnu só p/ jogar autorama na HM
Oi Adalberto.
Sou a neta mais velha do "seu" Pfau e também tenho maravilhosas lembranças não só do Natal e da Brinquedorama da HM. Lembro com especial carinho da lanchonete que servia o melhor pastel com laranjinha max wilhelmm que uma menina poderia sonhar em comer. Fico extremamente feliz em ver que a HM marcou a vida de tantas pessoas, e mais ainda em saber que meu querido avô teve participação nessa felicidade.
Parabéns pelo conteúdo Sr. Adalberto e Sr. Pfau, fantástico, também sou uma das crianças que queria jogar Atari. Saudosa lembrança. Grande abraço.
Caro Adalberto, nosso agradecimento a você e ao Pfau pelo interessante post sobre as Lojas HM. O "Natal HM" era um evento aguardado pelos blumenauenses, já acostumados ao belo arco erguido anualmente defronte à loja. Grande abraço!
Grande Beto: o Natal HM sempre foi sem igual. Começava pelo pórtico atravessando a rua em frente à loja; depois o Papai Noel sentado no trono quase na calçada com seu sino; sem contar o alto falante com as músicas natalinas e o fesfile do "seu" Noel pelas ruas da cidade jogando sapecas balinhas, mas que mesmo assim, nós corriamos atrás. E o principal: todos aqueles "sonhos de consumo" comprados para pagar nensalmente no carnê. Era um Natal... Feliz.
Poi é que bom eu ainda estar livre da doença de Alzaime, e poder ter a felicidade de lembrar, estes momentos felizes de minha vida, 1 foi ter a felicidade de conhecer o seu, Hosmeninio Pfau,sua esposa dona Lurdes que mulher maravilhosa, e seus maravilhosos filhos, Luuiz, José, Bernadete, R eu acho que éra, Regina , e Maria Helena éra isto? eu acho que éra, Sr Pfau foi meu grande professor em comercio, a Brinquedolandia com todo aquele parquinho com todos brinquedos, ate roda giganta infantil, comoera dificil tirar uma criança de seu assento para colocar outra em seu lugar, os defiles, com os arcos de rua que encantavam o publico que acreditavam em lojas H.M,e eu com meus amigaos funcionarios da casa que desfilavam como os maiores artistas, eu era caracterizado de palhaço Risadinha,obrigado Mestre José Pfau por esta oportonidade de espresar novamente meus momentos de alegrias, que trago comigo, abraços Valdir Salvador. ( Risadinha).
Bless you for an excellent posting
Absolutely, this became so useful to me personally. I am a new writer. Thanks so much!
Great one you use. I am truly thankful for the straight answers
This was what I had been looking for! Thanks!
Fazendo uma pergunta no Google,cheguei ao seu blog,Sr Adalberto.Foi uma grata surpresa achar bastante coisa sobre a Hermes Macedo. Fui funcionário da HM,como nós a chamávamos aqui(a agaême),durante 9 anos em Porto Alegre,av.Farrapos.Eu sempre fui intrigado do porque as HM fecharam as portas se eram um conglomerado de empresas que tinham até fazendas no Paraná se não me engano.Como pode uma potência destas falir?
Em tempo: Foi um período bem aproveitado este meu tempo na HM. Aprendi mais do que sabia conquistei amizades que duram até hoje,passados mais de 20 anos.Comprei muita coisa "no custo" como era dito na época.Vi duas copas mundiais na firma.Trabalhei até as 11 horas fazendo serão nas épocas de natal e etc.
Procuro até hoje um amigo meu daquele tempo. É o Valdemar Correa Kaihan.
Um abraço Sr Adalberto.
Postar um comentário