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terça-feira, 24 de maio de 2011

- O primeiro avião a pousar em Blumenau

Mais uma colaboração exclusiva e especial do renomado escritor, jornalista e colunista, Carlos Braga Mueller, que hoje nos relata sobre o primeiro avião a pousar em Blumenau.
O PRIMEIRO AVIÃO A POUSAR EM BLUMENAU
A multidão se reunia para observar os vôos na Rua Coronel Feddersen, usada como pista de pouso (Foto Aeroclube de Blumenau)
No início dos anos 30 do século passado, os blumenauenses já haviam visto uma experiência, sem êxito, de alguns aficcionados por aviação, que teimavam em catapultar planadores.
Aviões mesmo, só os que passaram voando por aqui.
No dia 23 de novembro de 1926 as cabeças voltaram-se para cima quando o céu foi cruzado por um hidroplano modelo Dornier Wall que trazia a bordo um importante integrante do governo alemão, Dr. Luther.
No ano seguinte foi a vez de um Ministro brasileiro sobrevoar Blumenau. O Dr. Victor Konder, então Ministro de Viação e Obras Públicas, passou sobre Blumenau no hidroavião “Atlântico”, num raide que marcou o início da aviação comercial no Brasil.
Como morava em Blumenau, Konder fez questão de incluir um sobrevôo ao Município nesta importante missão.
Tudo isto mexeu com o interesse dos blumenauenses, há muito interessados pela aviação. Todos queriam agora ver de perto um avião, poder tocá-lo, quem sabe entrar e voar em um.
Até que uma organização aérea se interessou em estabelecer uma linha aérea entre São Paulo e Blumenau.
Mas como fazer, se nem campo de pouso havia por aqui ?
Para concretizar o sonho, o então prefeito Antônio Cândido de Figueiredo entrou em entendimentos com um senhor de sobrenome Boettger, que era dono de uma grande área de terras na Itoupava Seca, próxima ao Rio Itajaí-Açú, onde hoje existe a Rua Coronel Federsen.
Houve acerto entre as partes e a Prefeitura preparou um campo de pouso naquele local.
Foi então marcada a data de 7 de maio de 1932 para a chegada do primeiro avião a Blumenau ((alguns registros dão como sendo no dia 5 de maio).
Ele deveria chegar às 4 horas da tarde daquele dia, conforme informavam telegramas chegados de São Paulo.
Chovia. Mesmo assim mais de 100 pessoas se dirigiram à Itoupava Seca para ver o avião pousar.
Impaciente, a pequena multidão teve que enfrentar um atraso de duas horas para avistar, então, a silhueta de um avião que se aproximava em direção da pista. Antes, porém, nas imediações do Morro da Boa Vista, o avião guinou para a direita e retornou pelo nordeste para então aterrissar suavemente. Um grande silêncio reinou por alguns segundos, encerrando o suspense da platéia. E então foram dados muitos vivas ao capitão Holand, piloto e dono do avião, que vinha acompanhado do Sr. Joachim Von Ribbeck , organizador do futuro Aereo Loyd Iguassu Fluggesellschaft, organização que tinha a intenção de implantar um serviço de transporte de passageiros e pequenas cargas, inclusive de facilitar a chegada dos jornais do Rio e São Paulo a Blumenau.
Ali mesmo, o cônsul alemão em Blumenau, Sr. Otto Rohkohl, saudou os visitantes e em seguida o avião foi conduzido a um abrigo improvisado.
- Em 1932, O Cônsul Otto Rohkohl (E) comanda a solenidade do primeiro avião em Blumenau. Jornal Santa Catarina 150 anos Blumenau. Volume 2 - O passado.
O avião pilotado pelo Capitão Holland havia decolado de São Paulo às 11 horas da manhã e chegado a Curitiba ás duas da tarde.
Problemas técnicos atrasaram a viagem para Blumenau em cerca de duas horas.Quando sobrevoavam Jaraguá do Sul, uma tempestade que estava se formando no oeste obrigou a uma mudança de rota. A opção foi vir pela costa até a foz do Rio Itajaí Açú e dali seguir em direção a Gaspar e Blumenau.
O aparelho, um “Moth Apparat” possuía motor de 80 cavalos e podia desenvolver até 170 quilômetros por hora. Mas na velocidade de cruzeiro voava a 130 km/h. Era um modelo bastante seguro, utilizado inclusive por escolas de pilotagem. Tinha espaço para o piloto e um acompanhante.
Vista aérea da 1º pista de Blumenau, sita à Rua Cel. Feddersen, bairro Itoupava Seca, (1932).
Na manhã seguinte, Holland e Ribbeck despediram-se e partiram para sobrevoar Brusque e Florianópolis.
Este acontecimento deixou em todos a esperança de que em breve Blumenau teria viagens aéreas para outras cidades.
E de fato, no dia 3 de maio de 1933 foi inaugurada a primeira linha aérea Blumenau-Curitiba com um avião da Aero Loyd Iguassu, um pouco maior, que aterrissou na Itoupava Seca às 16 horas daquele dia. A viagem inaugural foi prestigiada pelo diretor gerente da empresa aérea, Sr. Felinto Jorge Eisenbach.
O relacionamento da Aero Loyd Iguassu com Blumenau era tão cordial, que no dia 14 de maio de 1933, durante uma grande festa na Sociedade dos Atiradores, atual Tabajara T.C. um avião da empresa sobrevoou o local com faixas saudando os participantes.
Esta bela história foi resgatada pela pesquisadora Edith Kormann, em cujo trabalho fomos buscar estes subsídios.
Carlos Braga Mueller/jornalista e escritor.
Para saber mais acesse:
http://www.aeroclubedeblumenau.com.br/historico.php

8 comentários:

Lauro E. Bacca disse...

Só para chatear, um detalhe que não tira absolutamente o mérito da interessante informação: se a chegada estava marcada para as 16 h de 07 (ou 05) de maio e houve atraso de duas horas, então o avião teria chegado às 18 horas, quando, nessa época do ano, já está ficando escuro é quase noite em Blumenau. No entanto as fotos são de boa luz do dia. Então alguma coisa não bate na informação, coisa que mereceria ser estudada.

SAntos disse...

Beto. Como não poderia deixar de ser, mais uma interessante historia de nossa querida cidade. Aparece ai ate a prof. Edith Kormann, de saudosa memória, pessoa batalhadora, muito ativa e crítica. Ela trabalhou comigo quando fui presidente da Pro musica e nosso ambiente de trabalho era o Teatro Carlos Gomes, que ela defendia com "unhas e dentes". Digo isso porque a
empresa Hering queria reformar o Teatro e ela era totalmente contra. Dizia, com razão, que o Teatro deveria conservar suas características por ser uma importante referencia da cidade. É isso meu caro amigo Beto. Obrigado por mais uma pagina importante de nossa historia.

Paulo Roberto Bornhofen disse...

Adalberto,

Agora eu entendo a grande dificuldade de Blumenau ser atendida por linhas aéreas. É histórico!

Abraços,

Paulo R. Bornhofen

Antunes Severo disse...

Olá Adalberto,
esse é um tema muito atraente e o Carlos trabalhou bonitaço.
abraço do
Antunes Severo

José disse...

zekastor

@adalbertoday # Parabéns pelo blog. Muito bonito e recordativo
Jaraguá

paulodafigaro disse...

Olá. Por ser de interesse à matéria, aviso que coloquei no youtube o filme que narra as peripécias da viagem de Victor Konder do Rio a Florianópolis, com passagem por Blumenau, em 1927. Estão lá as cenas todas. inclusive da cidade vista do alto. O filme está em 4 partes e basta entrar no youtube e pedir "Victor Konder" ou meu canal "Paulo da Fígaro1". Abraço.Paulo (Curitiba)

Braga Mueller disse...

Excelente, amigo Beto, a contribuição do internauta Paulo da Fígaro, de Curitiba, que postou no Youtube o filme/relíquia da viagem de hidroavião pioneira, do então Ministro da Viação e Obras Públicas, Victor Konder, ao sul do Brasil, passando por Itajaí e Florianópolis, sobrevoando Blumenau.
Foi a partir deste voo experimental que teve início a aviação comercial no Brasil.
As cenas aéreas são as primeiras deste ângulo da nossa Blumenau.
E reforçam o quanto estamos espremidos, até hoje, entre os morros e o rio.
Importante também as cenas que mostram a residência de Victor Konder em Blumenau e o horto florestal da propriedade, originando a homenagem que o Município deu ao ilustre homem público, batizando de bairro Victor Konder a região da Itoupava Seca onde ele morava.
O trabalho de Alberto Botelho, cinegrafista carioca que acompanhou o Ministro, está preservado para a posteridade. E está merecendo destaque graças ao teu blog e ao Paulo da Fígaro.

Carlos Braga Mueller

Prof. Wieland Lickfeld disse...

Muito interessante, Adalberto. São eventos pouco conhecidos pelo público e seu blog ajuda a fazer com que a informação alcance a mais pessoas. Grande abraço, Wieland Lickfeld

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