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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

- Ônibus, Os Passos de Blumenau...

Histórias de nosso cotidiano:

Apresentamos mais uma bela crônica do colunista André Luiz Bonomini relatando sobre as andanças urbanas através de nossos coletivos.

Por André Luiz Bonomini

É amigos...
Já se vão tempos...dias, muitos...meses...anos...
Lá, sempre estão eles, cruzando o centro, os bairros, as grandes ruas e avenidas...
levando e trazendo, muitas pessoas...muitos homens e mulheres, que todos os dias (ou quase), vão atrás de sonhos, amigos, sucessos..muitas coisas alem disto.
Algumas cores nesse arco-íris sobre rodas, alguns azuis, brancos, verdes, amarelos, até brancos e vermelhos, grandes, pequenos, articulados, não importa...
Lá vão indo os ônibus...no seu caminho, imponentes...
Ostentando o nome da cidade que os acolhe...e ainda mais...
A responsabilidade de levar seus habitantes...
De guiar os blumenauenses...
As vezes, esquecemos de quem os conduz...
Sim, os motoristas...homens de "duas personalidades"
De um lado, o cara amigo, do outro, o profissional engajado...
É certo que alguns se levam pelos nervos, mas...
Atrás de um volante, está mais que um profissional...
Está um homem, um ser humano...
Cansado, fadigado, irritado, mas um filho de Deus...
Que mesmo pisoteado por qualquer um...
Ainda encontra no seu trabalho, diversão...
E no ônibus e no cobrador...dois companheiros das alegrias e tristezas...
E também é certo, que nós, os passageiros, também penamos...
As vezes sozinhos, ou junto dos motoristas...
Sozinhos, é quando nos indignamos, com o atraso...
Com as freadas...com as arrancadas...com a lotação do ônibus...
E principalmente, com os benditos 2,57 que ainda martelamos na cabeça...
E pensar, que antes, 0,35 centavos nos bastavam para ir do Progresso a Velha...
Do Centro ao Aterro...do nada ao lugar nenhum até...
Mas, creio que dias melhores virão...claro...afinal não somos brasileiros também?
E por acaso desistimos?
Nos ônibus, também encontramos histórias...
As vezes, lá está um trabalhador, ansioso para chegar na sua casa...
Dormindo, com a cabeça apoiada no vidro, sem ligar pras batidas que ela da nele...
Também está o namorado(a), nervoso...para encontrar sua menina(o)...
Não para de olhar pra fora e também de roer as cutículas...
Ora entram até os pedintes de dinheiro, se é que algum realmente precisam...
E talvez aquela estudante de faculdade, apressada, com os cabelos molhados...
Despertando a atenção dos caras no ônibus...e lendo o ultimo livro da saga"Crepúsculo" não importa, trabalhador estudante, apaixonado, menina, rapaz, homem, mulher...
São blumenauenses, pessoas, gente que passa, e deixa alguma lembrança...
Enquanto o ônibus roda...em seu caminho...
No dia-a-dia, deste longínquos anos, a vida tem sido maratona...
Nos horários de pico, carros lotados...gente se segurando onde pode...
Motoristas trabalhando com a cuca, pra lá e pra cá...se revezando...
Até que o trânsito de Blumenau hoje, até nos abre o raciocínio...
As vezes, esperamos dois ônibus da mesma linha, pra ver qual ta mais vazio...
É lógica, que as vezes não da certo...claro...
Mas é a vida, é a correria dos dias, que sempre passam imparciais...
E que também passam assim, dentro e fora de um ônibus...
Olho para trás, lá vejo outros tempos, outras histórias...
Lembro de um idoso chamado Kuhn, que lá da velha...vinha de ônibus...
Depois, fardados de marrom e bege, ostentavam o nome de Rodovel...
Que até hoje os acompanha no centro e em seu berço, a Velha...
Também recordo de 3 letras V, estampadas nos carros, parecendo pássaros...
Era um povo de 2 cidades, cruzando esse "Verde Vale"...
Mas, eu, venho mais forte, falar de uma família...os Sackl...
Que colocaram fé nos carros, embaixo de uma igreja...
Em frente a Igreja Nossa S. da Glória
E ainda hoje, podemos dizer que vemos a Nossa Senhora da Gloria com eles...

Pra ter força no trânsito de hoje, precisa de fé também, não é?

É, já se vão anos...hoje parado aqui, num ponto de ônibus...
Lembrei dessas palavras que escrevi...que viram momentos...
Momentos, valiosos, coisas que passam devagar na nossa mente...
De pegar ônibus no centro pra casa, passamos para os terminais...
Dos "pega-mão" nas portas, passamos até a levar os cadeirantes...
Olho a estrada do futuro, o que aguarda...ninguém sabe...
Mas, só espero que ela, seja menos esburacada, mas limpa e lisa...
Nisso, me levanto, mas uma vez o ônibus se aproxima...
E lá eu entro...pra mais uma jornada...pra mais uma história...
Que risca a estrada...rasga a rua...nos trilhos da cidade-jardim...
Para saber mais acesse: http://adalbertoday.blogspot.com/2008/02/empresa-nossa-senhora-da-glria.html
http://adalbertoday.blogspot.com/2008/04/auto-viao-catarinense-80-anos-de.html

Dentro de um ônibus...dos ônibus...dos passos de Blumenau.
Texto/André Luiz Bonomini. Arquivo de Adalberto Day

4 comentários:

André Luiz Bonomini (Vitor) disse...

Fantastico Beto ^^

mais uma vez, um otimo trabalho, e espero continuar colaborando e sempre ^^

Em breve mais noticias minhas, vo tentar mandar pro pessoal dos motoristas e do SIGA XD

André Luiz

Paulo Pedrini disse...

Mais uma vez Adalberto, revejo filmes de nossas vidas.
Posso contar "uma" sobre os ônibus?
Pois bem, lá vai.
Lá por 71, D. Sandra, professora da 2ª Série do CSJ, passou a lição - uma redação sobre o que queríamos ser quando crescer.
Na hora veio a resposta: Motorista de Ônibus. Claro, brigávamos para ser o primeiro da fila e poder escolher ficar mais a frente, bem ao lado do motorista.
Que emoção, aquele enorme volante, a sincronia e força do braço direito para engatar as marchas (caixa seca, lembra?), o soltar do freio de mão e ... sair navegando pela Rua da Glória, Amazonas, XV, Sete, Nereu, Beira Rio, São Paulo, das Palmeiras.
Mesmo tardio, desculpem-me nossos motoristas da época, que algumas broncas nos deram por tanto incomodo, mas também segue um abraço, com respeito por esta importante função em nossa comunidade.

Abraços,
Paulo Rogério Pedrini
paulo_pedrini@hotmail.com

Cao Zone disse...

Bravo, bravíssimo André, o ônibus é mesmo um dos principais ícones de uma cidade, desde o "bus" de Munique, que trânsita com horário pre-determinado, não só do início da linha, mas também entre uma parada e outra; até os "busquetas" da Colômbia em suas mirabolantes viagens.
Esse "caminhão" da primeira foto da matéria, se trata de um moderno "monobloco", projeto Mercedes-Bens feito numa das mais avançada fábrica do grupo localisada em Campinas SP.
Na segunda foto, provavelmente um mecânica Mercedes-Bens em carroceria Turino da Marcopolo de Caxias RS.
E os três em frente à igreja penso tratar-se de carrocerias Eliziario (antiga empresa absorvida pela Marcopolo).

Marina Rodrigues disse...

Os ônibus, esses "seres", se posso dizer isso, tem muita história para contar mesmo...e agora, a passagem está mais alta ainda, mas a rotina de levar e trazer sonhos continua :)
Belíssimo texto André!

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