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sábado, 4 de setembro de 2010

- O Príncipe dos observadores

Johann Friederich Theodor Müller é lembrado pela comunidade cientifica mundial pela contribuição notável aos estudos da natureza. E a comunidade de Blumenau agradece, sobretudo, a colaboração do cientista no desenvolvimento da colônia e pela descoberta dos tesouros ambientais locais. Com um talento incomum para a observação e para reprodução da fauna e da flora, já tinha um trabalho publicado na Alemanha, e era entusiasticamente instruído por professores como Johannes Müller, um dos primeiros a ver o potencial do jovem Fritz. Foi o mesmo potencial que fez o cientista Charles Darwin, criador da revolucionária Teoria da Evolução, se referir a Fritz Müller como o Príncipe dos Observadores.
O médico e naturalista já era bem relacionado com Hermannn Blumenau. Os dois se conheceram em Erfurt, ainda na Alemanha. A admiração e o respeito entre os dois amantes da natureza foram mútuos. Fritz Müller teria chegado a Blumenau em 21 de agosto de 1852, e junto com o irmão August adquiriu os dois primeiros e maiores lotes da colônia, recém-demarcados,pelos quais pagaram à vista. O naturalista desembarcou na colônia de Blumenau como médico. Praticamente todos os moradores do empreendimento, que na terra natal tinham alguma profissão, nos primeiros tempos da colônia tiveram de se dedicar às funções braçais. Não por acaso, Fritz Müller logo teve uma percepção diferente,atento à imensa natureza que cercava a pequena colônia.
Surgiu então um dos primeiros grandes personagens da cidade: Fritz Müller , o colono-cientista! Aquele que não se furtava a empunhar uma enxada, mas que também se embrenhava no mato, à procura de estimulantes descobertas científicas. O mesmo imigrante trabalhador recebeu a admiração e a amizade de gente como os cientistas Charles Darwin, elaborador da teoria das espécies, ou Ernest Haeckel, criador da lei da biogenética.
Passou um período no desterro, atual Florianópolis, onde deu aulas no Liceu Provincial, regendo as cadeiras de Matemática e Ciências Naturais.
Lá, mudou o foco das pesquisas: deixou de lado bromélias, orquídeas, liquens, borboletas e camarões do Itajaí para estudar moluscos e crustáceos marinhos. Um pequeno livro surge dessas pesquisas. Datado de “Desterro, 7 de setembro de 1863”, “Für Darwin” (Para Darwin) terminou por fazer barulho no meio acadêmico. Müller sustentou que a melhor maneira de apreciar a teoria de Darwin seria aplicá-la a um certo grupo animal. O desafio era explicar, de modo aceitável, a teoria dos tipos. O naturalista acabou descobrindo uma forma larval do camarão, chamada Nauplius. A descoberta preencheu uma lacuna que existia na descrição do desenvolvimento embriogenético dos crustáceos até o estágio Zoéa.

Em 1867, extinto o Liceu, voltou a Blumenau. De 1876 a 1891 foi funcionário do museu Nacional, do qual se desligou porque não pode – ou não quis – se mudar para o Rio de Janeiro, onde todos os naturalistas do estado deveriam se estabelecer. Também se diz que a queda se deveu aos desafetos políticos na cidade. E, de fato, o ferrenho defensor do germanismo e da monarquia não tinha na área pública o mesmo conceito do meio acadêmico.
Com um gênio irritadiço e exaltado, nem sempre tomava decisões ponderadas. Tal gênio difícil criou polêmicas, como a travada com Carl Friedenreich nos jornais Immigrant e Blumenauer Zeitung. Nem mesmo os correligionários ficaram satisfeitos com seu desempenho. Por tudo isso, ficou poucos dias no cargo de intendente municipal, em abril de 1892. Nascido em 31 de março de 1822, na cidade de Windischolzhausen, até morrer, em 21 de maio de 1897, aos 75 anos de idade, levantou polêmicas e permaneceu ativo dentro da comunidade blumenauense.
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Arquivo de Adalberto Day/Jornal de Santa Catarina, sábado 02 de setembro de 2000./150 anos Blumenau;volume 3 - Persongens, lugares e construções.

4 comentários:

Márcio disse...

sigomeumetro @adalbertoday Conheço seu blog, meu amigo.. É o Márcio, do Nova Blumenau.. Vc é um patrimonio de nossa cidade..

Mario Motta disse...

mariomottatv @adalbertoday Grande abraço meu amigo. Durante essa semana temos bons motivos para nos vermos em Brusque. JASC cinquentão... Um abraço.

Alves / Belgique disse...

Excelente este seu trabalho, Adalberto. Cultural, educativo, belas imagens e fácil navegação.
Meus cumprimentos.
Alves / Bruxelas-Bélgica

Cao Zone disse...

Prezado Adalberto,
No belo filme Creation de Jon Amiel sobre a vida de Darwin, num dado momento Charles recebe correspondencias diversas e não pude deixar de me lembrar do nosso Fritz Mueller.

Cao Zone
caozone@uol.com.br

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