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domingo, 9 de maio de 2010

- Alemão dormindo a “siesta”

A escritora e Colunista Urda Alice Klueger, nos apresenta uma crônica belíssima sobre um assunto por demais conhecido pelo Vale Europeu, “ A famosa siesta”.

Dizem que Santa Catarina tá cheia de alemão. Aqui no Vale do Itajaí, onde moro, dizem que tem mais alemão que formiga. Discordo: se tiver uma centena têm muito. O restante é tudo filho, neto, bisneto, trineto de alemão, e por aí vai. Tudo brasileiro legítimo, como dizia o nosso humorista no passado.
Daí penso no meu amiguinho Hermann Reimer, de Pomerode, apesar de ser algo assim como a sexta ou sétima geração de brasileiro, aos 23 anos ainda se acredita alemão e acha que se for para a Alemanha vai ser aceito, lá, como um igual. Canso de avisá-lo: no dia em que for visitar a Alemanha, prepare-se para ser recebido como terceiro-mundista. Daí que estes nossos alemães, digamos, “falsificados” (por favor, não fiquem brabos – eu tinha que arranjar um adjetivo!) têm toda uma filosofia de vida baseada no culto ao trabalho, e eu volto ao meu amiguinho Hermann Reimer: em monografia de especialização na Universidade Regional de Blumenau, além de defender o culto ao trabalho, contou como seu avô, seu bisavô, enfim, sua família sempre lhe disse da importância de manter-se o tempo todo ocupado, da importância de transformar-se tempo em dinheiro, da coisa vergonhosa que era o ócio.

Daí eu pergunto: diante do exposto, e do que a gente vê no dia-a-dia, alguém de vocês é capaz de imaginar um “alemão” a deitar-se após o almoço e a dormir até as cinco da tarde? Vamos imaginar esse alguém com toda a força da juventude e da saúde. Conseguem imaginar, no dia-a-dia, os nossos “alemães”, em todos os dias do ano, a dormir prolongada siesta, essa grande invenção dos povos mediterrânicos? (desconfio que os mediterrânicos já a copiaram dos árabes, que por ali andaram e ficaram na Península Ibérica por volta de oito séculos).

Bem, acabo de voltar de duas semanas maravilhosas no nosso vizinho tão desprezado, o Paraguai, e lá vi coisas que nem num ano conseguirei contar para vocês. Uma delas foi ver “alemão” dormindo a tarde inteira, todos os dias.

Vamos começar esquecendo que existe uma Ciudad Del Este, onde sacoleiros e outros curiosos fazem compras e contrabando, e onde se fica com uma impressão de sujeira e de coisas ruins sobre nosso vizinho país. Depois que a gente ultrapassa a cidade fronteiriça, vamos ter um Paraguai lindo, verde, com milhares de coisas interessantíssimas para conhecer, desde a cidade de Assunción até as cidades menonitas no Chaco. Agora complicou, não foi? Pois é, o Chaco é uma região ao Norte do Paraguai, extremamente verde apesar das escassas chuvas, e onde há como que todo um “estado” menonita. Menonita é uma religião que vem desde lá de 1520, se não me engano, e que foi fundada na Suíça logo depois que Lutero fez a Reforma Protestante. Assim como os luteranos tiveram o apoio dos príncipes alemães e acabaram ficando muito poderosos, os menonitas nunca tiveram grande apoio e foram perseguidos pelo mundo afora durante quatro séculos. O primeiro país que disse: “Venham para cá, temos terra, faremos leis especiais para vocês!” foi o Paraguai. E em 1930 eles vieram das mais diversas partes do mundo (já estavam até na China, de tão perseguidos), e criaram três “colônias” no Chaco paraguaio. Vamos dizer que cada “colônia” dessas tenha mais ou menos o tamanho do Vale do Itajaí, e que cada uma possui uma cidade que é uma sede administrativa. Fiquei em Filadélfia, mas há também as cidades de Loma Plata e Neuland, e lá tudo é alemão: desde a língua, as comidas, as construções, a organização, tudo. Daí a gente bate na grande diferença: a siesta. Donde já se viu alemão dormir la siesta? E ainda mais uma siesta de 4 a 5 horas? Siesta não é coisa de espanhóis e seus descendentes? “Alemão” de Santa Catarina teria coragem de dormir a tarde inteira sem ser chamado de malandro?

Pois é, gente, alemão menonita do Paraguai (os velhos já morreram quase todos, na verdade os alemães de lá são tão falsificados quanto os daqui, tudo paraguaio) dorme la siesta todas as tardes, nas horas de maior calor. Sem o menor constrangimento. Sem medo de ser chamado de malandro. Queria ver os “alemães” de Santa Catarina terem coragem para tanto!
Blumenau, 17 de janeiro de 2003.
Urda Alice Klueger/Escritora/Arquivo de Adalberto Day

5 comentários:

hiebert@uol.com.br disse...

Parabéns pelo belo relato.
Sobre os menonitas vale lembrar que parte do grupo se fixou, a partir de 1928, no Vale do Itajai, fundando colonias que hoje são os Municipios de Witmarsun, Dona Ema, Victor Meireles. As terras compradas eram cobertas de florestas virgens. Eles foram os primeiros moradores da região. Como eram produtores de trigo e centeio na Russia e a terra no Alto Vale era imprópria para tais cereais, passaram uns 20 anos cultivando milho e mandioca. Dadas as difuldades foram se m udando aos poucos, foram fechadas várias escolas, cooperativa e hospital. Os que ficaram por mais tempo se dividiram em dois grupos. Um fundou Colonia Nova, distrito de Aceguá - RS e outro comprou terras entre Curitiba e Ponta Grossa,crinado o Distrito de Witmarsun em Campo Largo - PR. Uma minoria se mudou para as cidades próximas como Blumenau, Brusque e Curitiba, onde ainda vivem uns poucos imigrantes iniciais e vários de seus descendentes Eu mesmo tenho 3 tias que vieram da Russia e ainda vivem em Curitiba. Meus pais vieram da Russia em 1930 e ficaram poucos anos no alto vale, tendo trabalhado em Curtiba e Brusque, para finalmente se radicaram em Blumenau. Meu pai trabalhou na EIG até a sua aposentadoria. Cinco de seus sete filhos nasceram e foram criados na rua 12 de Outubro, Garcia, na vila operaria da EIG. A sede de prefeitura de Witmarsun - SC foi o antido hospital dos menonitas na cidade. Existe uma placa na entrada da prefeitura agradecendo a doação do prédio pelos menonitas.
Os menonitas são cristãos anabatistas, ou seja, só batizam seus fiéis quando aduoltos. O nome Menonita deriva do nome Meno Simon, padre católico, que divergiu de Lutero e criou seu próprio segmento religioso. Meno Simon nasceu em Witmarsun, vilarejo que hoje faz parte da Belgica. Portanto, Witmarsun é o nome da cidade onde nasceu o fundador da religião menonita.
Em passeio recente por Witmarsun no alto vale ninguém sabia a origem do nome da cidade onde nasceram e vivem.
Sobre o idioma falado pelo menonitas o predominante é uma dialeto que mistura holandês e alemão, chamado "plautdeutch".
Em Blumenau e região existem várias famílias que optaram por ficar na região, não ficando mais no grupo fechado que até hoje predomina entre os menonitas. Além dos grupos citados,um outro menor, antes da migração final do Alto Vale, se radicou no Xaxim, Curitiba, cidade onde existem várias igrejas e um seminário menonita. Os primeiros que sairam do alto vale venderam nsua propriedades, os ú.ltimos simplesmente as abandonaram por falta de compradores.

Valter Hiebert disse...

Uma retificação sobre Witmarsum.
O local onde nasceu Menno Simons (1496-1561) fica no noroeste da Holanda, Provincia de Friesland, perto de Bolsward, Pingjum e Leeuwarden. Witmarsum fica a 5 km do Mar do Norte, onde foi preservada até hoje a casa de Menno Simons e construido um monumento em sua homenagem.

O dialeto falado pelos menonitas em todo o mundo onde se fixaram é o "PLAUTDIETSCH"

Sobre a vinda dos menonitas russos para o Brasil um breve resumo:
- em novembro de 1929 (inverno com -20/40) eram aproximadamente 13.000 menonitas que estavam nos suburbios de Moscou tentando a emigração daquele pais;(o motivo de alí estarem já é uma epopéia);
- desses 3.885 conseguiram abrigo temporário na Alemanha, nos campos de refugiados de Moelln, Prenzlau e Hammerstein;
- desses, por sua vez, 1.200 vieram par o Brasil;
- as primeiras 33 famílias sairam de Hamburgo em 16.01.1930 no Navio Monte Oliva;
- no Rio de Janeiro pegaram outro navio até São Francisco (caso de minha mãe) e outros até Itajaí (caso de meu pai).
- de São Francisco até Jaraguá do Sul o percurso foi feito de trem;
- de Jaraguá do Sul até Blumenau foi de ónibus;
- quem veio por Itajai veio com o vapor Blumenau até Blumenau;
- de Blumenau até Hamonia (hoje Ibirama)novamente de trem;
- de Hamonia até "NeuBreslau" (Presidnte Getúlio)foi de carroça;
- o trecho seguinte foi feito a pé.

Fundaram as vilas de Witmarsum; Waldheim e Gnadental na região denominada Krauel. Por último criaram um vila na serra "Stolzplateau".

Os últimos menonitas chegaram em junho de 1934, eram 34 famílias que fugiram da Russia para a China e de lá para o Brasil. A China foi somente uma rota de fuga para menonitas qeu se espalharam pelo mundo. Muitos foram capturados e assassinados pela policia da URSS, inclusive meus avós e tios.

Stolzplateu foi a primeira a ser abandonada, pois já existiam casas abandonadas no Krauiel e lá as terras eram melhores que no alto da serra e em 1950, depois de 20 anos, os últimos abandoram também o "Krauel".

No Atlas Histórico dos Nennonitas, de autoria de William Schroeder e Helmut T. Huebert, editado em Winnipeg, Canadá, edição 1996, que registra todas as localidades do mundo por onde passaram os menonitas, na sua página 85 existe uma legenda que só aparece nessa página, ou seja, só aconteceu no Brasil : " * assentamentos abandonados".

Registre-se que as terras foram compradas da "Hanseatic Colonization Company" e que todos os invetimentos foram feitos pelos próprios menonitas, tais como estrada, serraria, moinhos, escolas, hospital, casas, desmatamento, etc. Não houve em momento algum ajuda oficial.
O que houve foi perseguição durande a IIª Guerra mundial, dada a origem germânica dos mesmos.
O casamento de meus pais foi oficiado em Russo na casa de minha avó paterna, já que era proibido falar em alemão.
Falava-se o "PLAUTDIETSCH" pois os fiscais foram convencidos de ser um dialéto holandês.
As escolas contrataram professores brasileiros para o aprendizado em português.
Adalberto, grato por voce divulgar nossas raizes no Vale do Itajai.

Anônimo disse...

Realmente, eu como cidadão nato de WITMARSUM, naõ sabia que a verdadeira origem do nome era essa, pois aqui na cidade a história era que WITMAR, um pastor MENONITA, que tinha morrido na 2ª guerra mundial, e SUM, em RUSSO é JARDIM, portanto, eles deram o nome de Jardim de Witmar, que se originou em WITMARSUM.
Essa é a versão que foi contada aqui na cidade de WITMARSUM/SC, e que a maioria dos Witmarsuenses conhecem.
Muito bom estar sabendo que existe no mundo mais uma cidade com o nome de WITMARSUM.

Valter Hiebert disse...

Sobre Witmarsum transcrevo a publicação abaixo:
De: Valter Hiebert [mailto:hiebert.valter@gmail.com]
Enviada em: quinta-feira, 13 de maio de 2010 19:56
Para: Adalberto Day
Assunto: O significado de "Witmarsum"


Witmarsum

TrilhasBanho de CachoeiraAgroecologia
Nova África foi o primeiro nome de Witmarsum já que seus desbravadores alemães que aqui chegaram em 1924, haviam durante a 1ª Guerra Mundial combatido nas áreas do Continente Africano.

Os desbravadores alemães eram Paul Zerna, August Langhorst e Helmurth Teosowki.

Entre 1930 e 1934, 1.300 russos de origem germânica, em sua maioria Menonitas, provindos da Ucrânia aqui se instalou, dando à nova terra o nome de Witmarsum.

O nome do criador da religião dos menonitas foi Menno Simons - dai o nome Menno – Menonitas. Menno Simons nasceu na cidade de Witmarsum na Holanda.

Witmarsum, para os habitantes do município, significa Estrela Azul, porém estudos feitos na Universidade da Holanda constataram que: WITMAR era o nome de um príncipe e SUM significa jardim. Em resumo, Witmarsum significa JARDIM DE WITMAR.

Em 1954, quando Presidente Getúlio teve sua emancipação, Witmarsum ficou pertencendo ao município de Presidente Getúlio, sendo mais tarde criado o distrito de Witmarsum.

Witmarsum conquistou sua autonomia política, através da Lei n° 826 de 17 de maio de 1962, e foi instalado em 15 de junho do mesmo ano, data em que comemora-se o Dia do Município.
População

Tem uma população de 3250 habitantes, sendo que a maioria reside na Zona Rural. É formado por descendentes de alemães, italianos, ucranianos, poloneses e outros.
Cidades Próximas

Vitor Meireles (10km) e Salete (25km), ligação por estrada de barro; Dona Emma (18km), Presidente Getúlio (28km), Ibirama (42km), Rio do Sul (70km) e Blumenau (100km), ligação por Rodovia pavimentada.
Festa e Eventos

Festa do Colono e Motorista (mês de julho – Pavilhão Municipal de Eventos - Centro) e demais festas de igreja, nas comunidades.
Atrativos Turísticos

* Famílias envolvidas com o Projeto Acolhida na Colônia (Olírio Warmeling – Serra Cambará; Andrino Steffen – Vila Nova; Emília Lunelli – Tifa Jacupemba – Gnadental)
* Centro Cultural Paul Zerna – Centro
* Cachoeira Cambará
* Salto Rio Krauel (antiga atafona) – Centro
* Igreja Evangélica de Confissão Luterana (1ª Igreja do município) – Waldheim

Destinos Acolhida em Witmarsum

* Sítio Warmeling

Valter Hiebert disse...

De: Valter Hiebert [mailto:hiebert.valter@gmail.com]
Enviada em: quinta-feira, 13 de maio de 2010 19:56
Para: Adalberto Day
Assunto: O significado de "Witmarsum"


Witmarsum

TrilhasBanho de CachoeiraAgroecologia
Nova África foi o primeiro nome de Witmarsum já que seus desbravadores alemães que aqui chegaram em 1924, haviam durante a 1ª Guerra Mundial combatido nas áreas do Continente Africano.

Os desbravadores alemães eram Paul Zerna, August Langhorst e Helmurth Teosowki.

Entre 1930 e 1934, 1.300 russos de origem germânica, em sua maioria Menonitas, provindos da Ucrânia aqui se instalou, dando à nova terra o nome de Witmarsum.

O nome do criador da religião dos menonitas foi Menno Simons - dai o nome Menno – Menonitas. Menno Simons nasceu na cidade de Witmarsum na Holanda.

Witmarsum, para os habitantes do município, significa Estrela Azul, porém estudos feitos na Universidade da Holanda constataram que: WITMAR era o nome de um príncipe e SUM significa jardim. Em resumo, Witmarsum significa JARDIM DE WITMAR.

Em 1954, quando Presidente Getúlio teve sua emancipação, Witmarsum ficou pertencendo ao município de Presidente Getúlio, sendo mais tarde criado o distrito de Witmarsum.

Witmarsum conquistou sua autonomia política, através da Lei n° 826 de 17 de maio de 1962, e foi instalado em 15 de junho do mesmo ano, data em que comemora-se o Dia do Município.
População

Tem uma população de 3250 habitantes, sendo que a maioria reside na Zona Rural. É formado por descendentes de alemães, italianos, ucranianos, poloneses e outros.
Cidades Próximas

Vitor Meireles (10km) e Salete (25km), ligação por estrada de barro; Dona Emma (18km), Presidente Getúlio (28km), Ibirama (42km), Rio do Sul (70km) e Blumenau (100km), ligação por Rodovia pavimentada.
Festa e Eventos

Festa do Colono e Motorista (mês de julho – Pavilhão Municipal de Eventos - Centro) e demais festas de igreja, nas comunidades.
Atrativos Turísticos

* Famílias envolvidas com o Projeto Acolhida na Colônia (Olírio Warmeling – Serra Cambará; Andrino Steffen – Vila Nova; Emília Lunelli – Tifa Jacupemba – Gnadental)
* Centro Cultural Paul Zerna – Centro
* Cachoeira Cambará
* Salto Rio Krauel (antiga atafona) – Centro
* Igreja Evangélica de Confissão Luterana (1ª Igreja do município) – Waldheim

Destinos Acolhida em Witmarsum

* Sítio Warmeling

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