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domingo, 28 de junho de 2009

- Vera Fischer: a "Nossa eterna Miss Brasil".

Maracanãzinho
Quase vinte mil pessoas lotavam o Maracanãzinho, no antigo Estado da Guanabara –RJ. . Era uma noite fria de São Pedro (28 de junho) 24 jovens desfilaram pela passarela. Todas voltadas para ser a mais bela brasileira. Os apresentadores foram Paulo Max e Marli Bueno
A comissão julgadora escolheu como semifinalistas as misses Ceará, Guanabara, São Paulo, Amazonas, Brasília, Minas Gerais, Santa Catarina, e Rio Grande do Sul. Finalmente o resultado final: Miss Brasil de 1969, Vera Fischer, Miss Brasil Beleza Internacional Maria Lúcia Alexandrino dos Santos, Miss Brasil Mundo Ana Cristina Rodrigues, e em quarto lugar ficou Mara de Carvalho Ferro.
Vera Lúcia Fischer foi eleita com 17 anos, um a menos que o mínimo exigido pelo regulamento.

Antigo pavilhão "A" da Proeb - FAMOSC
Foi no dia 7 DE JUNHO de 1969, no Pavilhao A da Proeb em Blumenau que a Miss Blumenau Vera Fischer se tornou a Miss Santa Catarina. CANDIDATAS: 1 Lugar-Vera Fischer-miss Blumenau, 2 lugar-Marta Rinaldi-Miss Tubarao, 3 lugar- Dagmar Polmann-Miss Timbo.
História:
Vera Lucia Fischer nasceu em Blumenau no dia 27 de novembro de 1951 – Residia no Bairro da Velha.
Vera Fischer conta como se tornou Miss Brasil em livro.

Leia o trecho da autobiografia em que atriz revela que usou peruca e falsificou idade no concurso
A coroação como Miss Brasil, em 1969

Desfile na Rua Itajaí no dia 10/julho/1969 no "Thunderbird" Branco,com estofamento vermelho de couro, da FORD - foto batida por Egon Gropp - feita em cima do muro em sua casa.

Vera Fischer em visita a Artex - ao lado Júlio Zadrozny
"Daí eu já pensava: se eu for Miss Santa Catarina, vou para o Miss Brasil, e se eu vencer o Miss Brasil, saio da casa dos meus pais e vou morar no Rio. Morar no Rio era o meu sonho.Naquela época era a capital do glamour. Mar, sol, Pão de Açúcar, boates da moda, boutiques da moda, bossa nova, barzinhos, shorts, sandálias, vestidinhos de alça, gente bronzeada, uma certa esculhambação, enfim, a minha alforria.Pensando dessa maneira, em conquistar a minha liberdade, me esforcei ao máximo para cumprir todos os eventos sociais propostos. A primeira providência a ser tomada: eu teria que emagrecer um pouco. Comecei a fazer massagens para diminuir os quadris e as coxas; tomava aqueles choquinhos para celulite e me pesava diariamente. Só não consegui fazer dieta. Eu era chocólatra. E gulosa. ..... Aplaudiram muito a Miss Tubarão. Acho que queriam que ela ganhasse. Ela tinha uma torcida imensa e eu não tinha nenhuma. Para meu horror, fui vaiada novamente. Fiquei passada! Desfilei quase correndo pela passarela e nem olhei pra cara do júri, só queria sumir dali. Aí tinha o teste do microfone. Eu não sabia o que fazer. Estava muito nervosa, mas me saí bem.
“Mas a minha vida não era essa vida certinha de cidade do interior. Queria ser livre e morar na cidade grande. Queria ser dona do meu nariz, como, aliás, sempre fui"

Quando saiu o resultado, quase desmaiei. Eu ganhara. Queria pular de alegria, pois tinha conseguido um dos meus objetivos, que era vencer. Mas eu precisava voltar à passarela para ser coroada pela miss do ano anterior. Como eu tinha sido vaiada, não quis ir. Recusei-me terminantemente. Mas Elenita (a amiga que a acompanhava nos concursos), com muito tato, me convenceu. ........ Mas a minha vida não era essa vida certinha de cidade do interior. Queria ser livre e morar na cidade grande. Queria ser dona do meu nariz, como, aliás, sempre fui. Nunca ninguém me impôs nada, eu sempre sabia o que tinha que ser feito. E fazia. Na minha vida tudo tinha um porquê. Eu, que sempre fui tão corajosa, não consigo entender o porquê daquele medo louco de desfilar de maiô. Afinal, até então, eu nunca tinha tido medo de nada. Era vergonha do meu corpo. Não só porque ele não era perfeito, mas porque quando me desnudava eu o achava feio. Como se fosse um pedaço de carne pendurado num açougue.E tinha medo de multidão. Era fobia mesmo. Como tenho até hoje. Numa grande concentração de gente, eu fico perdida, não suporto. Também não gosto de falar em microfone. A verdade verdadeira é que sou tímida. Sempre fui. “Não parece, mas sou”.

A ovação no Maracanãzinho

"Elenita e eu ficamos no mesmo quarto. Todas as noites ela enrolava as minhas seis perucas. Tinha chanel, gatinho, longa lisa, longa enrolada e duas curtas. Todas da cor do meu cabelo. Eles nunca souberam o tamanho do meu cabelo, que era curto, e não desconfiavam que eu usava peruca. Eu os enganava, usando todos os dias uma peruca diferente. E depois, era proibido usar perucas para desfilar. Engraçado porque era moda e todas as mulheres usavam. Mas miss tinha que ser ao natural. Que bobagem! ….. Quando eu entrei de maiô, o público começou a aplaudir de pé. Foi uma ovação geral. Gritaram: – Já ganhou! Já ganhou! Foi de arrepiar; o Maracanãzinho lotado, lotado. Um delírio! Mas eu não sabia fazer gracinhas, andava rápido como um general, queria mesmo era chegar no final e ganhar. Só isso. Os repórteres estavam nos bastidores e queriam declarações minhas. ….. Eu teria que tirar o passaporte para ir a Miami para o Miss Universo, e aí o pessoal do concurso descobriu que eu só tinha 17 anos. Foi uma loucura! Claro, uma miss tinha que ter 18 anos. Foi um corre pra cá, corre pra lá, homens grandes entrando e saindo da minha casa, desesperados. Até trazerem um despachante que, finalmente, falsificou meus documentos. Pronto. Eu já tinha dezoito anos. Deram um jeitinho brasileiro. Fiquei com a identidade e o passaporte falsificados até poucos anos atrás, quando eu resolvi atualizar a minha idade. Afinal, agora que estou mais velha, faz diferença, né?!".

Este traje típico da Vera Fischer foi feito pela Senhora ASTRIT BAUMGARTEN. Moradora do bairro da Velha e que continua fazendo trajes de luxo, entre outras costuras. São os parentes dela que conviveram com o Doutor Blumenau.
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O texto a seguir foi enviado por Luiz Herinque Pfau
Depoimento de Vera Fischer
Blumenau. Santa Catarina. Era noite. O ano, 1968. Eu estava na cama lendo um livro de poesia... (Vera morava na casa do poeta Lindolf Bell e conta que foi procurada à noite. Vestiu uma roupa e foi à porta, ver o que era)... Cabelos bem curtinhos, óculos de grau, calças pretas, blusa de gola rulê preta e sapatilhas também pretas. Pronta para descer, eu estava sem a menor vontade de ver ou conversar com ninguém. Mas fui. Encontrei meu pai e minha mãe em companhia de três estranhos. Dois homens e uma mulher. Eram do jornal "A Nação". E tinham vindo me convidar para participar do concurso de Miss Blumenau.Então eu, musa do existencialismo, era convidada para ser miss? Que afronta! Era só o que me faltava. Eu não tinha nenhuma pinta de miss. Eu era intelectual (pelo menos eu achava) e ser miss seria uma desonra Eu quase morri. O quê?! Então eu, musa do existencialismo era convidada para ser miss? Que afronta! Era só o que me faltava. Eu não tinha nenhuma pinta de miss. Eu era intelectual (pelo menos eu achava) e ser miss seria uma desonra. Eu tinha 16 anos e é claro que meus pais não deixaram. – Ano que vem, quem sabe... – disseram. Mas mesmo que deixassem eu não aceitaria. Era contra os meus princípios. Mas fiquei com aquilo martelando a minha cabeça. Tinham colocado lá uma sementinha, e eu, sem ter muita consciência, a regava todos os dias. Adorava filosofia, mas queria ser jornalista. Dessas jornalistas que vão ao campo de batalha, no meio da guerra; queria ser como a Oriana Fallaci. Se eu soubesse o que passavam...!"

Um ano depois...
"O convite para concorrer ao título de Miss Blumenau veio, evidentemente (através da Elenita), do jornal "A Nação". Meus pais disseram que agora, se eu quisesse, poderia aceitar. Desfilar de novo, me maquiar, me pentear, usar saltos altíssimos, roupas de miss... e enfrentar o povo. Mas alguma coisa na minha cabeça estava se formando (não sei o quê, então) e eu disse sim. Iria ser candidata pelo teatro Carlos Gomes. À noite, eu pegava os maiôs da minha mãe (sim, porque eu só tinha biquínis e monoquínis) e ficava desfilando diante do espelho. Ai, ódio! Eu era cheinha, pernas grossas, e estava com pavor de ter que desfilar para a galera. Pensava, refletia – vou desistir – miss tem que ser magra, elegante. Eu já estava pronta para dizer que desistiria quando Elenita me contou que outros clubes não queriam concorrer. Eles não queriam apresentar nenhuma miss, porque sabiam que eu iria ganhar. Mas sabiam como? Bom, eles tiraram o cavalinho da chuva. Fiquei pasma! Foi uma surpresa e tanto para mim. Fiquei até meio convencida, porque isto significava que me achavam mais bonita que as outras. Foi um alívio saber que eu não teria que desfilar novamente. Desfilar de maiô era o meu terror".
Arquivo e fontes : Luiz Herinque Pfau/ José Geraldo Reis Pfau/Adalberto Day

5 comentários:

José Geraldo Reis Pfau disse...

O destaque da beleza e simpatia da Vera foi um dos fatos mais importantes para projeção de BLUMENAU em todos os cenários economicos e sociais.
Parabéns Adalberto pelo rico material de pesquisa.
José Geraldo Reis Pfau
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Djalma disse...

Belas mulheres sempre floriram nossa cidade.Algumas anônimas e algumas que conseguiram muinto susseso.Vera,Ingrit Budag,Urda , e muintas outras esqueço.Faltou apenas a foto em que ela esta visitando a Artex depois do evento.
Boa matéria.

christian disse...

Que blog sensacional

Valdir Appel disse...

Beto,
Já não se faz miss como antigamente.
Tinhamos o privilégio de imaginar o que havia por baixo de tanta roupa. Eh,EH, EH
Muito bom este post.

Guilherme da Costa Gomes disse...

Olá,
é possível me enviar a foto com o Thunderbird em maior resolução?
ficarei muito agrafdecido.
Grande abraço,
guilhermedicin@hotmail.com

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