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segunda-feira, 8 de junho de 2009

- O antigo comércio no Vale do Garcia


Rua Amazonas por volta de 1912
Adentrando a Die Kolonie (a colônia).

Para os moradores, era o local da “Gente do Garcia”. Como portal de entrada do bairro e de acesso a toda região do Vale do Garcia, a Rua Amazonas, com mais de 5 Km detém hoje um vasto e variado comércio e industrias. Foi conhecido primeiro por estrada geral do Garcia até 1919 e depois a ser a Rua Amazonas dos nossos dias correntes, que juntamente com a Alameda Rio Branco, foram as primeiras ruas da cidade a receberem asfalto. Em torno dela a vida socioeconômica do bairro cresceu. A venda dos Hinkeldey onde os agricultores faziam suas compras, trocas, o escambo: o cine Garcia, ponto de encontro principalmente da juventude, a churrascaria Tiefensee, iniciada por George Frederico Tiefensee...
Estádio do Amazonas E.C.
e o Clube Amazonas que nas tardes de domingo fazia o bairro se enfeitar de azul e branco para vê-lo jogar em seu magnífico estádio da “Empresa”, o time era formado tão somente pelos funcionários da Empresa Industrial Garcia “. E o Salão da família de “Hermann Hinkeldey" (Foto a esquerda e a direita Cooperativa da Garcia), quantos relatos de felicidades e divertimentos, resultando muitas vezes em matrimônios duradouros, e depois nesse mesmo local transformou-se em Cine, “Cine Garcia”  oficialmente fundado em novembro de fundado em 1944 (em 1941 começou a passar filmes no local amadoristicamente}. por Carlos Zuege e Arthur Lohse e dirigido por ultimo pelo sr. Sr. Reynaldo Olegário, que proporcionava momentos de lazer maior a toda comunidade do Vale do Garcia, quantos relatos de trocas de gibis, namoros, e até da suposta premiação de quem encontrasse uma pulga e entregasse ao proprietário, que maravilha, nunca soube de alguém que teria encontrado, mas era o comentário que se ouve até os dias correntes, foi sem dúvida momento raro que jamais o tempo irá apagar. Depois de assistir ao filme, o ponto de parada era o Bar ao Lado do Sr. “Schoenfelder” para deliciarmos o sorvete caseiro feito na hora.
“Fatores diversos contribuíram para o progresso da região do Vale do Garcia” Hospital Santa Catarina, Madereira Odebreacht, Artex, o hoje 23º BI, a Tecelagem União foto a (E) , que se localizava na Rua Amazonas 1531,fundada em 1943 por um tecelão sr. Christiano Theiss e sua esposa dona Hilda, que com a fabricação de tecidos de algodão e felpudos e juntamente com duas lojas próprias, gerou centenas de empregos até o encerramento de suas atividades em 1972. Com grande satisfação também queremos mencionar a enorme contribuição que a Souza Cruz, trouxe para a região que desde 1952 instalou-se na Rua Amazonas - foto acima (D), então como Companhia Brasileira de Fumo
O Vale do Garcia, possui uma característica de um grande condomínio, talvez por isso ser tão charmoso, encantador e cheio de belas histórias. Sempre quem chega a essa localidade, seja por qualquer motivo, se faz necessário seu retorno devido o acesso ser praticamente inexistente para outras localidades. E é essa diferenciação com outros bairros, (que ao contrario muitas vezes apenas passamos por necessidade na busca de outra região), que representa tanto para a nossa comunidade.
Blumenau passou a município em 1880, quando Gaspar e outras cidades vizinhas passam a ser distrito de Blumenau. Luiz e Antônio Deschamps Filho fixam residências no final do século XIX no Gaspar Alto, para trabalhar na Empresa Industrial Garcia.
Atividades comerciais no início do séc. XX, e que predominaram até a década de 70, no entroncamento dos bairros Garcia,Glória e Progresso, não tinham nomes próprios, eram conhecidos como venda, mercearia ou bar do fulano, cicrano e beltrano.
Na Rua Amazonas em frente à rua Antonio Zendron existia o comércio de secos e molhados da família de Hermann Hinkeldey desde o início do séc XX., quando não recebiam em dinheiro, faziam o escambo (troca) de mercadorias. Também neste local funcionava um salão dançante (Hermann Hinkeldey), e mais tarde por volta de 1944, o cine Garcia até 1974, quando se transformou na Igreja Santo Antônio, e demolido em 1979, ao lado a sorveteria do Sr. Schoenfelder .
Cine Garcia e ao lado a direita Comercial Arco Íris (Foto Ângela Maria de Oliveira).
Em frente a este local existia o comercial Arco Íris, da família de Gerhard Schmidt, ao lado funcionava a Alfaiataria de Waldemar Rudolf, e ao lado o comércio de Fritz Pahal
Ainda na Rua Amazonas no nº 3985, funcionou durante alguns anos, o tradicional Café Urú, e no nº 4.137, existiu uma padaria das famílias Raspold e Arthur Germer, essa propriedade depois foi residência da família de Oswaldo Hinkedey, e hoje tombada como patrimônio histórico, um pouco antes no mesmo lado existiu a Alfaiataria de Arnoldo Gauche, e encostado, o Fotógrafo Lulu Machado. Bem próximo Funcionava uma pequena Igreja Evangélica (Luterana) e uma pequena sala de aula, e nos dias correntes jardim de infância Dr. Blumenau.
Na Rua Amazonas 4.220, existia os Secos e Molhados de João Iten, que também foi o primeiro salão do Clube Centenário. Ainda na Rua Amazonas, existiu onde hoje é Parque Fabril da Empresa Coteminas, a Cooperativa de consumo dos empregados da Empresa Industrial Garcia Ltda.
Também no início da Rua Progresso a Empresa Artex S/A tinha sua cooperativa. Onde hoje é parque fabril, na altura do nº 400, existia o comércio e Bar do “IKO” de Hilário Hort, um pouco mais adiante no n° 541 existiu o comércio do Sr. Juca Santos. E no nº 846 existia o Bar e Venda de Paulo Schmith a partir de 1950 (hoje Comercial Dona Frida - foto), anteriormente morava neste local a família de Christiano Theiss e na entrada do Jordão o salão e comércio Sirhau.
Empresa Garcia e casas populares
No início da Rua da Glória onde hoje é o posto policial nº 22, existia uma pequena venda e garapeira da Senhora Faria, dirigido por última pela família Pêra.
Entre o início da Rua da Glória até próximo a Igreja Nossa Senhora da Glória, existiram os seguintes pontos comerciais respectivamente: Padaria do “MANECA”, Barbearia e Mercearia da família de Emilio Felsky, Venda da Cassiána, Bar e Secos e molhados de Francisco J. Malheiros, Alfaiataria do “MILICO” de Alois Felsky, Açougue do Capitão de Walter Haupt, Mercearia,Comércio de Secos e Molhados e Bar de “Oswaldo Phiffer”, Atafona de João Heiden, Churrascaria de Zé Silvino ,Mercearia de Delfino Tomio, Mercearia do Zé Geraldo, Secos e Molhados de Jacob Bodmuhller, Açougue de Valdir Bonanomi.

A partir de 1966 a Empresa Industrial Garcia, vende suas propriedades aos funcionários e começa a aparecer os primeiros pontos comerciais, como Loja Prosdócimo em 1967, no nº 174 e Hass calçados em 1971, no nº 130.
Vários empregados da Empresa Industrial Garcia, tinham outras atividades dentro da comunidade, um deles o Sr. Reynaldo Olegário Gerente da Cooperativa de Consumo dos empregados da Empresa Industrial Garcia, era proprietário do Cine Garcia. Outros participavam dos Clubes de Caça e Tiro Jordão e Centenário, alem de serem sócios do Amazonas E.C., aliás, o Amazonas até o início da década de 1970, era o clube de Blumenau com maior numero de associados, em torno de 3000. Outros colaboravam não só financeiramente na construção da Igreja Nossa Senhora da Glória e da antiga Escola São José hoje Colégio Celso Ramos, como também na própria construção, os empregados logo após o expediente, almoçavam e iam trabalhar na construção.
Também alguns empregados participavam de peças teatrais coordenados por eles mesmos. Algumas empregadas eram depois do expediente costureiras em sua própria casa. Era costume em quase todas as casas populares da Empresa Garcia, o cultivo de alimentos, os canteiros como eram chamados como também os famosos “galinheiros” todo mundo tinha um, onde existiam galinhas poedeiras e criação própria dessas aves. Era uma verdadeira aldeia formada pelos trabalhadores da Empresa industrial Garcia, que em sua maioria viviam em harmonia.
Arquivo de Adalberto Day/cientista social e pesquisador da história.

5 comentários:

Anônimo disse...

É muito bom poder conhecer aqui um pouco da história dessa linda região.

caminha, caminhando, poetando... disse...

É muito bom visitar teu Blog. Ele traz sonhos que sempre procurei realizar quando criei no site Stammtisch, Confrarias e Patotas http://www.stmt.com.br, a Galeria da Saudade e o Reagate Histórico que fiz questão de levar para minha coluna na Folha de Blumenau.
Resgatar imagens de Blumenau é mostrar sempre, para todos, que o blumenauense - e eu me incluo neste meio - vive pela tenacidade, pelo amor ao que é seu, pela teimosia, mesmo quando os revézes lhe aparecem ou os tempos se tornam bicudos.

Por isso visitar este site é uma forma de compensar a saudade que sinto desta boa gente e destas encantadas paragens onde, com muito orgulho, exerci por 25 anos minhas atividades profissionais, amadoras, políticas e sociais.

Que Deus abençoe a ti e a Dalva,

Grande Abraço,

Caminha

Tere disse...

Beto, grande coincidência. Hoje de manhã estava eu a lembrar do comércio que havia na Rua da Glória por volta da década de 70 à 80.Havia muitas lojas que hoje não existem mais. Sempre que necessitava de alguma coisa íamos na Rua da Glória, assim não precisava ir até a "cidade", pois era assim que nos referíamos o centro de Blumenau. E na minha imaginação ir até a "cidade" nesse tempo, parecia tão longe....tão demorado.....a gente ia mesmo só em caso de muita necessidade.
Um grande abraço.

Pfau disse...

Lendo - como de costume - no teu BLOG vi que colocasse um texto sobre o antigo comércio. Legal. Misturado com a industria. Mas tem muita coisa ainda da história do comércio no Garcia... tinha a Souza Cruz (fumo em folha), tinha o café Uru, esses Tomio são coisa nova ? tinha a fabrica de cera ali perto da Souza Cruz que incendiou. A tecelagem União, depois o complexo de comunicação aonde estava a Rádio Alvorada. Tinha o açougue do Perner, Condimentos Prima, fabrica de cortadores de grama do Sr. Udo Schadrack, farmácia ali no lado do Quartel, tinha restaurantes famosos, Supermercado da Lorenz ali na Engº Odebresch, o Tiefensen, hotel Fraga, o Pfuetzenreiter, lojas do centro que se instalaram em filiais como Hass calçados, Utilar, Probst, Além evidentemente dessa tua lista genial de secos & molhados e outras coisinhas tradicionais. A Apae era no Garcia.
José Geraldo Reis Pfau

Anônimo disse...

Nobre Pesquisador,

Estavas eu, um militante pesquisador de genealogia familiar, a investigar um pouco mais sobre minha família: Rasbold (até 1780 +- Raspold, no nome de Christoph e depois Rasbold, com seus descendentes, no Brasil, Johann Anton e filhos)
E encontrei este artigo sobre a história de Blumenau e diz sobre uma Padaria da Família Raspold...
Há uma pergunta, somente, terias o nome (pessoal) destes moradores?
No aguardo,
um de meus emails: rasbold.libras@bol.com.br
Att,
Junior Kolling Puehler Rasbold

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