"A Educação é a base de tudo, e a Cultura é a base da Educação"

Seja Bem-Vindo e faça uma boa pesquisa!

domingo, 18 de janeiro de 2009

- Tempo e placar no Dêba



Crônica de Maurício Neves de Jesus de Lages SC - Grande desportista e advogado.
A escolha oportuna e feliz do tema “Tempo e Placar no Dêba” ecoa entre os fanáticos torcedores blumenauenses. Mauricio veio cursar direito na FURB em Blumenau e se apaixonou pelo Blumenau Esporte Clube.
- Nasci e me criei em Lages, e por assim dizer, torço para o Internacional. O velho Inter, de tantas jornadas gloriosas e divertidas, o Leão da Serra. Muito cedo comecei a freqüentar o estádio Vidal Ramos Júnior, e me seduzi por aquele futebol que – bem diferente dos poucos jogos televisionados – tinha textura de vida real, cheiro de grama e pipoca fresquinha, gosto de bergamota e pé-de-moleque. E tinha sons, muitos sons.
Internacional de Lages 1988 :Em pé: Aloísio Maguila, Bin, Madruga, Zé Rubens, Nei e Muralha;Agachados: Marciano, Weber, João Carlos, Zé Sérgio e Marcos Lima.

Rodolfo Sestrem (foto Airton G. Ribeiro - Airton Moritz)
Sestrem faleceu no dia 01/junho/2002
Era o palavrão a cada gol perdido, era o uuuhhhh da bola que passou rente ao poste e deixou na garganta o grito de gol, era o som que escapava do rádio do vizinho de assento: - O Internacional joga com Madruga, guardião do arco rubro; o lateral-direito é Alves, jaqueta dois; os homens da zaga são Dudu, o xerife do Morro do Posto com a três, e Dutra jaqueta quatro; fechando o setor defensivo a classe e a experiência de Cláudio Radar, meia-dúzia às costas!
O DÊBA lotado

Sestrem 
O futebol era uma degustação organoléptica da vida. Usava todos os sentidos. Audição, paladar e olfato já explicados, o tato quando apertava o braço do meu pai a cada ataque inimigo, e a visão, ah, a visão daquelas camisas vermelhas espalhadas pelo gramado verde em busca da bola branquinha sob um céu azul, cinza ou negro e estrelado.
A falta que o BEC faz
Não posso dizer que o Inter daria um livro porque o livro está quase pronto mesmo. E não é do Inter que quero falar hoje, mas dos adversários. Aliás, de um adversário. Não o Figueirense de Albeneir ou o Avaí de Bizu, nem o Joinville de Nardela ou o Criciúma de Jorge Veras. Falo do Blumenau, o BEC, que a vida acabou por tornar um adversário alvo de meu afeto
Acesse:

O BEC em 1989 : em pé Leandro, Alaércio, Silva, Gassem , Sidney, e Derval - Agachados Serginho, Osmair, Mirandinha, César Paulista e Cide.
No início, era o temível Blumenau. Zeca, armador habilidoso, bom chute de fora da área, sempre jogava bem contra o Inter. Mas a grande ameaça era Piter, goleador implacável. Até hoje quando lembro da voz de Toninho Waltrick, plantonista da Rádio Clube anunciando um gol na rodada, me vem assim: - Bola na rede, dizia Toninho. – É festa de quem?, perguntava Mário Motta, hoje na RBS e à época narrador da Clube. Respondia Toninho: - É festa tricolor na rua das palmeiras em Blumenau, Piter abre o placar contra o Renaux.
Anos depois, um trauma. 1988. O Inter precisava vencer para fugir da segunda divisão, e não depender dos dois últimos jogos fora, contra Avaí e Figueira. O BEC lutava para ir às finais. Era um sábado à tarde, e sofremos muito até Weber fazer 1x0, já com o segundo tempo bem avançado em minutos. A vitória parecia certa, mas o centroavante Chicão acertou uma cabeçada incrível aos quarenta e três minutos. Parecia que a bola não tinha forças para chegar ao gol, mas chegou e entrou no canto esquerdo, como que impulsionada pelo vento. 1x1 o placar final, e o tento de Chicão foi chamado de “e o vento levou”.
Levou mesmo, o BEC às finais e o Inter ao rebaixamento...
Três anos depois fui morar em Blumenau, para cursar Direito na FURB. E longe do Inter, que só me chegava pelo plantão da Rádio Nereu, adotei o BEC. O time estava mandando os jogos no histórico Aderbal Ramos da Silva, e a voz de Rodolfo Sestrem vinha de todos os lados, de todos os rádios: - Teeeeempoooo e placaaarrrr no Dêeeeba...
Lembro especialmente de um jogo contra o Criciúma, então o poderoso campeão da Copa do Brasil. Dia 10 de novembro de 1991, Dêba lotadinho. Soares fez 1x0 para o Tigre, mas o BEC foi empurrado pela torcida até empatar com Chicão, batendo pênalti rasteiro no canto direito, lá no gol do barranco. E só não saiu a virada porque aquele Criciúma tinha Alexandre na meta, em grande tarde. Ficou o empate, e saímos do estádio satisfeitos com a garra dos jogadores do Blumenau.
Vi outros jogos no Dêba, grandes lembranças que a demolição do estádio não vai apagar. Mas dói ler nos jornais que começa hoje o campeonato catarinense, e não teremos o Inter e o BEC na disputa. Que saudade de saber que Lages e o Inter estavam ao alcance de três horas pela 470, ou de simplesmente almoçar no Moinho antes de seguir para o Aderbal Ramos da Silva. Se fechar os olhos e ficar em silêncio, acho que ainda consigo ouvir a voz imponente de Sestrem anunciar teeeeempo e placaaarrr no Dêeeebaaaa...
Era um belo tempo, caro e saudoso Rodolfo Sestrem. Eu era feliz e sabia.
Arquivo : Colaboração especial de Maurício Neves de Jesus /Adalberto Day
acesse:
A História do Futebol de Lages e Região

12 comentários:

Márcio Volkmann disse...

Ainda mais em um domingo de manhã, que tão bem combina com as lembranças que tenho de preparação para os jogos no Dêba ( pilhas pro radio, comprar ingresso antecipado na janelinha da bilheteria, etc), ler uma crônica assim me deixa por demais saudoso. Lembro muito bem quando ficava na arquibancada coberta, e sempre havia um poste na minha frente, rs mas mesmo assim. Dá, dá sim muita saudade. Eu torço pelo futebol de Blumenau. Sou sócio-torcedor do Metrô, pois incentivo todo trabalho sério que seja feito aqui. Gosto muito de ir aos jogos, porém o charme do antigo Dêba, esse ninguém tira.
Parabéns pela crônica.

Abraços

Márcio
http://novablumenau.blogspot.com

Mauricio Neves disse...

Adalberto, obrigado pela deferência. Márcio, obrigado pelo comentário. Eu tenho um amigo que era diretor no Metrô, o Jair Theiss, e eu mesmo fui auxiliei a diretoria do Clube Atlético Lages. Mas saudade de verdade eu tenho é do Inter, do BEC e do Dêba tremendo ante o vozeirão de Sestrem...

André BEC disse...

Era bom o tempo de BEC, Ainda mais no Aderbal...
Boms tempos que serão dificeis de voltar

Abraços e Saudações Tricolores
André BEC

MAICON NABIL CHARTOUNI disse...

As lagrimas estão nos meus olhos nesse momento, relembrando do VELHO DEBA, poruqe fizeram isso com nosso querido deba?

NÓS TE AMAMOS DEBA, BEC VOLTA BEC!!!

MAICON NABIL CHARTOUNI disse...

FUTEBOL DA CIDADE?PIADA!!!

Se isso é futebol da cidade, tamo ferrado!!!

Glauco disse...

realmente tempos de deba que acho que nao voltam mais la
mais chega cedinho...compra aquela pipoca.....aquela gelada....a galera chegando e se amontuando na geral....ao gritos de BECCCCC.....BECCCCCC isso so de lembrar realmente e uma forte emocao......
espero que o BEC volte e logo.

Anônimo disse...

Parabéns ao Maurício e ao Adalberto pela importante matéria. Agora instalado em São Paulo a serviço da Rádio Record, espero futuramente escrever não só sobre o DEBA mas alguma coisa que guardo do meu início de rádio em Blumenau. Transmiti em todos os estádios que se possa imaginar, até no Vermelhão em Lages, no oscar Rodrigues da Nova em Joaçaba, no Estádio do antigo Frigor na Itoupava Central... Devo estrear na próxima semana na Rádio Record de São Paulo. Um grande abraço aos amigos.
Edemar Annuseck-São Paulo-SP

Jéssica disse...

Adalberto Day!

Sou Jéssica Roda, estudante do 8º período de Jornalismo na UNIVALI.

Este semestre começo a fazer o pré-projeto do meu TCC. Não tenho o tema bem definido, apenas decidi no ano passado que gostaria de fazer algo que envolvesse o esporte feminino em Blumenau. Hoje, numa busca com as palavras chaves no site de pesquisa Google encontrei um blog com uma notícia sobre a conquista do Campeonato Brasileiro Feminino de Handball por Blumenau, na qual o senhor fez um comentário.

Vi no seu Blog algumas matérias sobre o BEC, mas gostaria de saber se o senhor tem algum conhecimento sobre o histórico do esporte feminino na nossa cidade.

Desde já, obrigada!

Jéssica Roda.

Valdir disse...

Adalberto e Mauricio,
parabéns pelo belo trabalho.
Só tá faltando o livro, né Mauricio.

Ivan e Michael disse...

ivannaatz RT @michaeldiderot @ @adalbertoday tá aí uma coisa q tenho saudades. Dêba lotado ! (eu também).

Anônimo disse...

BEC meu amor por ti é eterno - não morre nunca ! - Naatz Ivan

Anônimo disse...

Bons tempos, gritei muito, sofri com as derrotas e vibrei com as vitórias.....
Parabéns a você Beto, por oportunizar este espaço e aos colaboradores que não nos deixam esquecer deste tempo.
Forte Abraço,
Mauro Bremer

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...