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domingo, 11 de janeiro de 2009

- Willy Sievert

O comerciante – cineasta
- Nascido em Blumenau no dia 20 de maio de 1903, aos 15 anos Willy Sievert já estreava no comércio, ramo que mais tarde o consagraria como grande homem de negócios. Iniciou como aprendiz na fábrica e loja de brinquedos Gustav Bernhardt.
Em 1923, a loja foi comprada por Artur Hoeschel. A Carreira de Sievert teve que ser interrompida pouco depois de completar 22 anos de vida. Apesar do serviço militar não ser obrigatório na época, ele se inscreveu para o sorteio que selecionava os recrutas, e foi um dos premiados. Mas mesmo na caserna, Willy Sievert exercitou a vocação de comerciante e ainda colecionou uma série de histórias inusitadas.
Durante toda a vida, Sievert iria enaltecer o tempo passado num quartel no Rio de Janeiro, mas também sem nunca esquecer os dias difíceis passado com a farda de cor cáqui. O jovem não chegou a sofrer com os horários da tropa. Antes do alistamento ele já se levantava às 6h pra limpar os armazéns e loja onde trabalhava. Mas se a rotina de acordar cedo foi vencida com certa facilidade, a diferença dos hábitos alimentares entre a vida na terra natal e as minguadas refeições do quartel trouxeram muito sofrimento e fome ao soldado.

Casa Willy Sievert

Interior da Loja
Interior da Loja
- Em Blumenau só saía de casa depois de tomar café e comer várias fatias de pão caseiro com musse ou mel. Por volta das 10h, parava o trabalho de aprendiz para saborear mais um pedaço de pão e tomar chá, previamente trazidos de casa.Ao meio-dia o almoço era farto com grandes porções de carne. Às 15h, mais pão e chá e à noite, um bom jantar. Além de Sievert, outros 80 soldados também eram da região, e mantinham o mesmo costume alimentar.
Funcionários e diretores da Casa Willy Sievert
No quartel, porém, o café da manhã era resumido a um pequeno pedaço de pão com pouca margarina e uma xícara de café ralo, com muito açúcar. A próxima refeição só seria feita no almoço, servida em uma pequena onde se contavam raros grãos de feijão afundados em muita água e apenas um naco de carne. O Próprio Sievert chegou a afirmar que alguns soldados choravam de fome e saudades de casa.

Fotos da familia de Arno Letzof. Senhor Arno é este no balcão do armazém.
Apesar de dureza daqueles dias, Sievert não deixou de arrumar uma maneira de aumentar seu soldo, aproveitando para também matar parte da fome dos colegas de caserna. Saindo escondido pelos fundos do quartel e indo até a cidade, ele comprava chocolates e outras guloseimas, que revendia, acrescidos de um pequeno lucro , para os companheiros de farda e suplícios. O tráfico de doces rendia tanto que Sievert chegava a mandar dinheiro para a família em Blumenau.
Terminado o serviço militar Sievert voltou a trabalhar na loja de Arttur Hoeschl,mas por pouco tempo.Com um tino comercial apurado e juntando praticamente todo o dinheiro que ganhava, no dia 30 de outubro de 1933 conseguiu comprar a loja onde trabalhava. Com orgulho que nunca conseguiu esconder, o jovem comerciante inaugurava então a Casa Wily Sievert, que marcou época na esquina da Rua XV de Novembro e Amadeu da Luz.
Outra prova da capacidade criativa de Sievert para os negócios é o fato de ele ter sido o criador do slogan “Tem de tudo”, até hoje amplamente usado por inúmeras empresas. Foi durante o tempo em que economizava praticamente todos os seus ganhos que Sievert conheceu uma paixão que o acompanharia praticamente até o fim da vida. Sempre que podia, abria mão de alguns vinténs para assistir a um filme em preto-e - branco, ainda mudo, no Cine Busch. Assim que pôde, depois de aprender a fotografar, ele foi a Porto alegre comprar uma filmadora.
Até 1983, com quase 80 anos, registrou quase todos os grandes acontecimentos da cidade, de familiares e amigos. Sievert teve sete filhos, frutos de dois casamentos. Vítima de uma grave infecção nos intestinos, morreu às 22 hs do dia 12 de novembro de 1998, com 94 anos.
Suplemento do Jornal de Santa Catarina, sábado 2/setembro/2000 Volume 3 – Personagens, lugares e construções.
Foto em preto e branco: Arquivo Histórico José Ferreira da Silva/Foto em cores Pfau Comunicação/Adalberto Day
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Confira vídeos antigos de Blumenau feitos por Willy Sievert
Publicado no Jornal de Santa Catarina dia 22/janeiro/2011

Vinicios Batista/Rafaela Martins
Acervo de 200 filmes enriquece a história da cidade
Cerca de 3 mil negativos fotográficos da década de 1940 e 1950 e mais de 200 filmes que abrangem o período de 1950 até 1980 produzidos pelo comerciante blumenauense Willy Sievert foram encontrados por seu neto, o arquiteto blumenauense Sávio Abi-Zaid. O avô, que morreu em 1998, havia deixado o material na casa da família. Após a morte da avó, Vitória Sievert, ano passado, o neto encontrou o acervo.
Além de filmes e fotografias, Abi-Zaid encontrou diversas revistas, selos, moedas e outros materiais.  vídeo com as projeções de filmes em formato 16mm.
 http://www.youtube.com/watch?v=Z6wze3iT51s&feature=player_embedded
Belo trabalho publicado por Vinicios Batista e fotografias Rafaela Martins, a história de Blumenau agradece. (Adalberto Day cientista social e pesquisador da história).

4 comentários:

Mauricio Neves disse...

Grande personagem de Santa Catarina!

valdir disse...

Emocionante, Beto.
Valdir

Urda disse...

Oi, Adalberto, só agora consegui ir espiar o teu blogue. Muito obrigada por tudo, inclusive por partes da história do seu Willy Siewert que eu não conhecia!
Abraço,
Urda.

Bola disse...

Olá Beto...

Sou Bola Teixeira, filho do Teixeirinha. Morei por 17 anos na Amadeu da Luz e me identifiquei demais com seu blog contando passagens (algumas delas) contemporâneas dos meus tempos de Blumenau. Você está de parabéns. Estou escrevendo um livro onde boa parte trata de Blumenau, meus tempos de Willy Sieverdt e tudo mais. Fiquei mais vidrado ainda no seu blog quando vi fotos da loja, eu frequentava a discoteca Carlos Gomes, era atendido, todos os dias, pela Dna. Lilia, uma senhora muito simpática que parecia a Madame Mim, de Disney. Vi que as fotos são do arquivo histórico e vou atrás prá conferir se há fotos de meus tempos de Willy Sieverdt.
grande abraço...e continue com o seu trabalho, afinal de contas o Santa já não é nosso (é dos gaúchos). Fiquei p... da vida quando o Sadinha morreu e a gauchada não colocou uma linha ...

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