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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

- Uma artesã de rara habilidade


- Blumenau perdeu em 19 de fevereiro de 1994 um de seus mais impressionantes talentos artísticos. Falecia, depois de uma árdua luta contra o câncer, Elke Hering. Mesmo com a saúde debilitada, nos últimos meses de vida, como diretora da Fundação Casa Doutor Blumenau, lutava pela instalação de um centro cultural no prédio da antiga prefeitura.
O Museu de Arte de Blumenau IMAB), na renovada prefeitura velha, possui uma sala dedicada à hábil artesã que trouxe a modernidade artística para o Vale do Itajaí,e, consequentemente, a Blumenau. Elke Hering e sua arte serão homenageadas em um ambiente próprio, que trará informações sobre sua vida e obra. Nascida em Blumenau no dia 10 de agosto de 1940, a filha de Eulália e Victor Max Hering saiu da cidade com 15 anos, para estudar arte em Munique, na Alemanha. Voltou transformada: as roupas negras, a independência e a rebeldia acabaram se transferindo para a sua arte. Era algo diferente de tudo o que havia na cidade. Novas formas e novas matérias-primas traziam o moderno.
Inicialmente, foi estudante de Lorenz Helimair, o qual auxiliou na execução de vitrais religiosos em Blumenau, além de realizar trabalhos similares em Porto Alegre, no ano de 1959. Nos dois anos da primeira passagem por Munique, estudou escultura com o professor Anton Hiller. Em Salvador (BA), foi aluna por um ano do escultor Mário Cravo Junior, e realizou um estágio no ateliê do artista, em 1961. Algum tempo depois, voltou para Munique para estudar belas artes com o dinamarquês Robert Jacobsen.
Elke era uma lutadora, e batalhava pelo que acreditava. Não havia melhor espírito para uma artista completa. Pinturas, desenho, escultura em madeira, tapeçaria, mármore e bronze: peças e matérias-primas das mais diversas que, em suas mãos, adquiriam formas únicas. Mas, a partir de meados dos anos 80, escolheu um grande desafio: trabalhar com o cristal.
A escultora decidiu que queria dominar aquele magma transparente, que saía a 1.600 graus centígrados da fornalha. Sentada em um banco, e munida de tesoura, espátula, pá de madeira e pinça, dava forma aos cristais. Aos operários da Cristais Hering, onde suas peças, sugeria que cada objeto fosse visto como uma obra artística, própria. Mesmo aqueles que, pela visão da escala industrial, apresentassem defeitos.
Uma de suas obras mais conhecidas pelo grande público é o Colete Espacial. Por muitos anos, a escultura deu boas-vindas a quem chegava à parte central da cidade, no cruzamento entre a Rua XV de Novembro e Alameda Rio Branco. As mudanças no trânsito do Centro, no entanto, ceifaram a obra de seu antigo lugar.
Suplemento do Jornal de Santa Catarina, sábado 2/setembro/2000 Volme 3 – Personagens, lugares e construções.
Arquivo de Adalberto Day

Um comentário:

Mery - Coqueluxos disse...

Mulher com visão contemporânea... merecida homenagem!

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