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sexta-feira, 11 de julho de 2008

- Rua Progresso, 2421

Na foto:Maria Heiden, seus filhos, Valmor Heiden e Maria Julia Boos, a filha adotiva Elena (Lena) Rocha e Irene Alfarth.
Hoje vamos novamente apresentar o tema:


Por André Luiz Bonomini - A antiga casa de Eugen Maier até hoje é lembrada, um verdadeiro “marco da entrada da Rua Guarapari”, até o fogo chegar.
- Rua Progresso, 2421 – Bairro Progresso em Blumenau. Durante anos, esse endereço ficou na história popular e do bairro, pela casa que lá ficava lembrada com alegria por muitos que a viram, criticada por muitos que a achavam um “incomodo”, uma “velharia”, aquele endereço fez parte da vida de muita gente, e em certa parte, da minha também.
Segundo meu avô, Godofredo Heiden, a casa ainda não existia teoricamente no terreno, seu dono, o carpinteiro faz-tudo Eugen Maier tinha outra casa, atrás desta. Mas após o falecimento de seu pai, Eugen e a família se mudaram para a Rua Rui Barbosa e colocaram aquela casa em aluguel para um comerciante de sobrenome Struck, e este, mas tarde passara para outro homem de sobrenome Piske.
Mas tarde, este homem passou o estoque desta venda para Inácio Borges, que assume a direção do pequeno armazém e resolve, em 1925 (aprox.) fazer a construção de um estabelecimento maior, que abrigasse a loja e sua casa própria, a casa assim surgia. Borges não era dono dela, ele ainda pagava aluguel a Eugen, o dono do terreno.

Depois de alguns anos, Borges passa o ponto para dois cunhados, de sobrenome Manske e Knopp. O armazém permaneceu até 1942 com eles, até Godofredo e seu irmão Paulo Heiden, comprarem o ponto, com o estoque e tudo mais da venda que havia dentro da loja. O sucesso era tremendo, o que era uma pacata mercearia tinha virado um armazém movimentadissimo. O movimento e a compra eram tantos que, mesmo aos domingos, era aberta uma janela na lateral da casa só para atender os clientes, que estavam dentro e fora do estabelecimento. Motivo óbvio era a única venda de grande porte da empresa Artex para cima no Progresso, pelo que se tem conhecimento. E também um dos mais “modernos”, contava até com uma “geladeira natural”, um porão de temperatura amena, onde se mantiam as bebidas em geral, e que as deixavam frescas como se fosse numa geladeira mesmo.
Mas em 1961, Godofredo passa para a moderna casa que construira ao lado da antiga, a família voltava a crescer, e era preciso mais espaço, a casa então voltava à família proprietária Para lá voltou o filho Heinz Maier, a mulher Magnólia Maier e filhos e a mãe de Heinz, Ida Maier, nota: Até hoje, na escritura original, o nome do proprietário ainda é de Ida Maier!
Eugen, que tinha criação de cavalos e outros animais, ficara sozinho na Rua Rui Barbosa (antigo Kroba). A sua morte foi uma das mais misteriosas, voltando do armazém de Godofredo, com os 2 quilos de milho que comprava para seus animais todo dia – e depois de alguns copos de cachaça – sumiu ao “tentar” entrar na ponte da Rua Rui Barbosa (a “ponte preta”), foi encontrado morto no dia seguinte, pelas crianças que iam para o colégio, deitado numa pedra, perto do leito do ribeirão, com o saco de milho nas mãos e como guarda-chuva pendurado no pescoço.
A família Maier assim ficou durante muito tempo, morando naquela casa, chegou-se até a abrir um pequeno botequim, mas o destaque ficou para o começo da “Radical Som”, empresa de som e sonorização de Cesar Maier que começara na frente da casa. Tendo depois seu endereço mudado para a Rua Santa Maria, bem na esquina com a Rua Ana Groh. Depois de algum tempo, a casa foi se esvaziando, Magnólia se mudara dali, Heinz Maier falecia e ficava ali apenas a tia de Heinz, Regina, que também deixaria a casa e iria para a Casa São Simeão, algum tempo depois.
A casa, abandonada na esquina virou sinônimo de incomodo, pois os moradores da Rua Guarapari e seus visitantes reclamavam da saída, além de virar abrigo de andarilhos e vândalos. No fim de tarde de 2 de maio de 2006 desencadeou-se um grande incêndio que consumiu mais de 80 anos de história em quase uma hora e meia, confesso que fiquei aterrorizado, nunca tinha visto um incêndio ao vivo, quanto mais assim perto de casa. Assim hoje, o que resta apenas é um terreno baldio, quem passa e mora lá perto já se acostumou a morar sem a casa, mas é impossível não deixar de lembrar dela, gerações passaram ali, e muitas não esquecem deste endereço: Rua Progresso, 2421.
*Godofredo Heiden é o último remanescente daquela época, avô de André Luiz Bonomini, é dele a maior parte das informações aqui descritas. Está com 95 anos e é o ultimo vivo que teve negócio na casa e o ex-morador mais velho da casa. Arquivo de Adalberto Day/André Luiz Bonomini. Colaboração Godofredo Heiden.

4 comentários:

Maurício da Silva Junior disse...

É Beto, se não preservarmos nossa história, ela vai acabar como essa casa: sumindo...

Pelo menos temos as memórias dos nossos "antigos" e pessoas (como vocês) que tem vontade de registrá-las. Parabéns meeesmo!

Tiago Tamanini Junior disse...

Poxa, uma pena mesma esse "incêndio". Entristece-me isso pois vemos de um lado uma casa histórica genuína da cultura alemã sendo dizimada e ao mesmo tempo se construindo horrores de falsos enxaimeis na cidade, uma tristeza mesmo. Ainda estamos longe de alcançar um ponto cultural desenvolvido à cidade, falta respeito à nossa história. Adalberto pela postagem, é sempre importante relembrar nossa história, seja ela boa ou ruim, é preciso se saber.

Marcia C. Maier- mcma2014@hotmail.com disse...

Sou Marcia Celina Maier, filha de Arian Maier irmao cacula do Sr, Eugenn Maier. Talvez o Sr, Adalberto Day, se vivo for ainda se lembre do meu pai. Estive algumas vezes nesa casa para visitar meu primo Heinz e sua esposa Magnolia, como tambem a irma de Heinz que morava na casa de tras com sua familia (Haroldo e filhos). Ao encontrar este texto hoje me emocionei ao ler parte da historia da familia de meu pai. Parabens e muito obrigada pelo registro

Marcia C Maier disse...

Corrigindo.... leia-se Sr. Godofredo, ao inves de Sr. Adalberto Day.

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