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domingo, 27 de julho de 2008

- 25 anos da Enchente – Lojas Hering


“Histórias de nosso Cotidiano”

Julho de 1983, enquanto as águas sobem, uma das mais tradicionais lojas da cidade se prepara para enfrentar as águas do Rio Itajaí-Açu, e pela primeira vez!
Por: André Luiz Bonomini
Baseado no depoimento de Anelore Heiden Bonomini


Saudações amigos!
Hoje, embalados pelas memórias trágicas de Julho de 1983, resolvi revirar um pouco a memória de meus parentes, a primeira “vitima” foi a minha mãe, Anelore Heiden Bonomini (foto), que estava trabalhando na saudosa Lojas Hering desde 1979, ela me contou muito sobre como estava a situação da loja naquele trágico Julho e de como a direção das Lojas Hering, de antemão, previu que não seria qualquer cheia.
Pegos de Antemão

Já no primeiro fim de semana do mês de julho havia uma boa chuva, dia 2, sábado, foi dia de trabalho normal, das 08h00min até 13h00min (as Lojas Hering fechava as 13 horas aos sábados). Todo o fim de semana foi chuvoso, e na segunda foi dia normal de trabalho, tudo transcorria normalmente.
Ao chegar à terça-feira (5/7 de 1983), todos os funcionários foram para um dia normal, porém, começaram a chegar às medições oficiais que indicavam alerta de enchente, e previa-se já que não seria uma enchente qualquer, como a última de dezembro de 1982 (detalhe, já chovia em pequena quantidade desde o natal de 1982). Seria uma enchente de grande porte, tendo isso como alerta geral, foi ordenada uma coisa inédita até o presente momento nas Lojas Hering, que todo o térreo da loja (inclusive o subsolo, onde se localizava a TOKA), teria que ser esvaziado. Em enchentes anteriores dificilmente a água chegava no estabelecimento, mas desta vez, parecia que a pratica desmentiria a teoria, e foi o que aconteceu.

Foto das funcionárias (da esquerda p/direita):Marcia, Tereza (Depósito), Anelore (Toalhas), Ingelore (Depósito), Nair (Toalhas) e Alaide (Chefe do setor de toalhas)
Toda a mercadoria foi levada a sobreloja, deixando apenas o mobiliário fixo. Para isso, foi usado um método bem engenhoso para a evacuação da seção de toalhas, a escada rolante foi r usada como esteira de transporte entre o térreo e a sobreloja. Louças, cristais e porcelanas foram embrulhados e seguiram de elevador para o depósito. Toda a mercadoria das seções do térreo foi literalmente esvaziada. Estavam no térreo da loja às seções de:
-Perfumaria
-Papelaria e Presentes
-Cine – Foto – Som
-Cristais
-Cama – Mesa – Banho
-Porcelanas
-Moda Masculina
E no subsolo a TOKA, seção de moda jovem de discos/fitas.
Seção de toalhas com Rosilene e Anelore
No fim da tarde, todos os funcionários foram dispensados, pois já com 10 metros de cheia, já não se tinha passagem em várias vias, como a Rua São Paulo e a Rua Amazonas. Durante todo o período da enchente os funcionários estavam em suas casas esperando à hora de voltar, alguns lutavam contra as águas, outros apenas esperavam. Quando se deu a certeza de que o tempo estava firme e que não haveria mais previsão de mais chuvas os funcionários começaram a voltar à loja. O chamado foi feito pelas rádios da cidade. Para chegar a loja não foi um caminho fácil, a única passagem da Garcia até o centro era a Rua Hermann Huscher, e ainda até no Hospital Santa Isabel, dali se seguia um atalho a pé por trás do Hospital, passando atrás do Colégio Sagrada Família até chegar à atual saída do educandário, entrando na Rua Paul Hering até chegar à Rua XV. O cenário era devastador, lojas colocavam suas mercadorias todas para fora, era tanta lama que o risco de uma queda era eminente, ao chegar à frente da loja. O Sr. Günter Steinbach, já esperando seus "heróicos" funcionários, ordenou que os mesmos entrassem pela frente da loja, já que o subsolo (inclusive a TOKA) estava ainda submerso. Para Anelore, um fato histórico, pois a diretoria não permitia que seus funcionários em serviço entrassem com o uniforme da loja na porta da frente, mas a situação o obrigou a quebrar a norma e deixar os poucos que conseguiram chegar entrar. Observação: O rio ainda se encontrava em alto nível, porém em baixa.

A medida "a olho" dentro da loja denunciou 1,20 de água. Os turistas que chegavam a loja depois do acontecido sentiam curiosidade em saber sobre a enchente, até se mostrava, com certo "espanto" até onde as águas haviam alcançadas no local, Para Anelore foi um certo sufoco, pois por ironia do destino, sua função era justamente a de Repositora, e tinha de cuidar da limpeza do setor.
A enchente de 1983 mexeu não só com seu “profissional”, mas com seu “pessoal”, com casamento marcado para dia 30 de Julho, teve de adiá-lo para 27 de Agosto de 1983. Este ano, no próximo dia 27 de Agosto, Anelore e seu marido Mario José Bonomini comemoram suas bodas de prata, pelo menos, no meu caso, alguma coisa de alegre faz 25 anos. Mas uma coisa devo afirmar: para mim, não são apenas 25 anos de uma tragédia, mas 25 anos de alegria, pois a partir deste dia surgiu um casal, e deste casal nasceu este que vos escreve hoje. É realmente (desculpem o trocadilho) uma enchente inesquecível!
*Anelore Heiden Bonomini trabalhou nas Lojas Hering de 22 de Março de 1979 a 12 de Setembro de 1995, desempenhando os cargos de Repositora, Balconista, Armazenista, Almoxarife, Encarregada do setor de deposito e Armazenista II, e como muitos blumenauenses, sentem falta da querida Lojas Hering!
Arquivo de Adalberto Day/ Anelore Heiden Bonomini/ André Luiz Bonomini

3 comentários:

Djalma disse...

De algumas coisa me lembro da enchente de 1983.Trabalhava na Sul Fabril e um dia a noite,após as aguas baixarem no centro da cidade, aulgumas pessoas me pedirão para tentar ir ao centro da cidade comprarar alguns mantimentos, como cigarro.Sai da Sul Fabril em plena penumbra e subi a Rua Itajai e 15 de Novembro sem saber se estava pisando em uma estrada confiavel, pois a lama era muinta e iluminação somente de algumas pessoas que ficavam em seus estabeleimentos com velas e lanternas no intuito de evitar roubos e começar a fazer suas limpezas.Uma imagem que teima em não sair da memória.Vc subir a rua 15 sem saber onde esta, devido ao caos ali existente houvindo apenas murmurios visto que não se enxergava nada. Outra coisa tambem foi a solidariedade de algumas pessoas.Eu e o Sr. Jose de Oliveira saimos para pedir ajuda para alguns comerciantes para conseguirmos ingredientes para a produção de sopões que era feito no Colégio Celso ramos, embalados em sacos plasticos e depois distribuidos de canoas pelo exercito e voluntarios nas residencias atingidas.Tambem não escapou aquelas pessoas que se aproveitavam da situação para tirar proveito.São sempre as mesmas pessoas que ainda estão ai ao nosso redor.Uma pena.

Paulo Roberto disse...

Gostaria de ter algumas informações sobre o Ribeirão da Velha, de antigamente, curiosidades e fotos, e como seu blog é farto em fotos antigas da cidade, gostaria de saber onde posso encontrá-las e se seria possível uma entrevista com o senhor para sobre o Ribeirão da Velha, mesmo que o senhor tenha morado no Garcia, ou com alguém que o senhor possa indicar.

Grato desde já, Paulo Eduardo Mendes Silva, aluno do Colégio Adolpho Konder.

Maurício da Silva Junior disse...

Muito bom saber essas histórias "coadjuvantes" desse grande (e triste) acontecimento histórico de Blumenau!

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