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segunda-feira, 10 de março de 2008

- Os Vários Mitos que cercam o Teatro Carlos Gomes de Blumenau


Por Carlos Braga Mueller A imponência do prédio que abriga a Sociedade Dramático-Musical Carlos Gomes sempre foi alvo de muitos comentários, principalmente daqueles que atribuem a construção do prédio, na década de 30, aos marcos alemães, supostamente vindos do 3º Reich.
- Atendendo a uma solicitação do pesquisador Adalberto Day, dou abaixo a minha visão destes fatos, uma vez que sempre me interessei pelas “lendas urbanas” de Blumenau.
- O livro “O Punhal Nazista no Coração do Brasil”, do Coronel Antônio Lara Ribas, editado nos anos 40 pela Delegacia de Ordem Política e Social de Santa Catarina, órgão que combatia o nazi-fascismo local, cita diversas sociedades e clubes catarinenses que teriam recebido doação em dinheiro da Alemanha.
“Entre elas não consta o nome da Sociedade Teatral Frohsinn”, que durante a segunda guerra. passou a chamar-se Carlos Gomes.
Mas as lendas urbanas perseguem até hoje o Teatro.
- Primeira delas: a fachada seria uma réplica do quepe militar de Hitler. Não há como negar. Basta olhar para se ter esta impressão. O quepe do Fuehrer, ou seja, lá de que general for, pode sim ter inspirado qualquer arquiteto, sem que tivesse havido conotação política no projeto.
Conversando com um cidadão, cujo avô trabalhou nas obras do Teatro Carlos Gomes, ele me disse que o avô contava que de vez em quando arquitetos vinham da Alemanha acompanhar a construção. Teria isto algum significado político? Ou seria apenas um intercâmbio técnico-cultural?
As lendas diziam também que o prédio seria a Sede do 3º Reich na América Latina, se Hitler ganhasse a guerra!
Hitler perdeu. Ficou a lenda!
- Outra questão levantada sobre o prédio do Teatro é a possível existência de um túnel, que ligaria os seus porões a uma saída de emergência.
De alguns anos para cá, muitas reformas foram feitas e nada, absolutamente nada foi encontrado que denotasse escavação ou indícios de um túnel ou coisa parecida. É bem verdade que existem paredes no prédio com espessura de mais de meio metro. Mas, segundo consta, tudo de acordo com o projeto original. É bom lembrar um outro fato que, misturado a esta lenda, pode explicar alguma coisa.
Onde hoje existe a Rua Namy Deeke (transversal que liga a Rua XV à 7 de Setembro), corria um ribeirão.
Com a necessidade de se urbanizar o centro, o ribeirão foi canalizado desde o morro da Rua 7 até o Rio Itajaí Açu.Como o terreno do Teatro Carlos Gomes ficava ao lado do antigo Ribeirão, hoje Rua Namy Deeke, muita gente, que acompanhava a construção da tubulação, que naquele tempo era feita de aço, erguia os olhos e via o Teatro. Tinha tudo para dar a impressão que do Teatro saía um túnel em direção ao Rio Itajaí Açu.
E a lenda vai mais adiante: na barranca um barco veloz estaria sempre a postos, para levar Hitler até um local mais navegável do Rio, onde um submarino aguardava o Fuehrer, para levá-lo são e salvo a outro território do Reino.
Indo mais adiante, subindo o Rio Itajaí Açu, chegando a Ibirama, nos vêm à lembrança outra lenda: Hitler teria autorizado homens de sua confiança, egressos da antiga Companhia Hanseática de Hamburgo, que colonizou Ibirama, a encontrar uma grande área de terras para ali instalar-se no Brasil.
Em 1934, o dirigível Graf Zepellin sobrevoou Blumenau e depois se dirigiu para Hammônia, hoje Ibirama.
A justificativa dada pela Companhia Zepellin foi a de que o comandante da aeronave, Dr. Hugo Eckner, tinha parentes na região e foi até lá para saúda-los.
Dizem as lendas, que Eckner não deu muita importância à missão de mapear algum território para Hitler.
Ficou público e notório o desentendimento que marcou as relações do Fuehrer com o Conde Zepellin até o final da guerra.
Em 1936, Hitler abriu com pompas as Olimpíadas na Alemanha. E exigiu que os dois maiores dirigíveis da Nação, o Graf Zepellin e o Hindenburg, sobrevoassem juntos Berlim, uma verdadeira apoteose do nacional-socialismo alemão.
Pois para conseguir este feito teve que ameaçar o Conde de que, ou os dois dirigíveis voavam em dupla ou a empresa passaria ao controle do Estado! Voaram.
Outra briga entre Zepellin e Hitler foi a colocação da cruz suástica no bojo das aeronaves. Só a muito custo a empresa Zepellin concordou em colocar a suástica nas caudas dos dirigíveis, e mesmo assim bem pequenas. Hitler queria que elas tomassem todo o bojo lateral, mas não conseguiu o intento.

Para saber mais e sobre a história do Teatro Carlos Gomes, acesse:
www.teatrocarlosgomes.com.br/historico.asp

Arquivo: Adalberto Day/ Texto: Carlos Braga Mueller escritor e jornalista

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* TV COLIGADAS, PIONEIRISMO E AVENTURAS – Capítulo 2
* O GARCIA HÁ 50 ANOS

14 comentários:

becmanguaca disse...

Para béns pela materia, cada dia acompanho mais e mais esse blog parabéns!!

Maicon BEC MANGUAÇA

bjcadu3 disse...

otima materia ..

Sobre este mesmo assunto, sugiro abordar o caso comentando sobre a lenda dos mesmos tuneis ligarem os colegios Pedro II / Sagrada / Santo antonio ... Varias pessoas como eu foram alunos desses colegios e nao ha como negar que ha alguma coisa estranha nas estruturas dos mesmos .. eu mesmo ja entrei no que seria a entrada do tunel na frente do ginasio do sagrada familia que sem explicao foi fechado com tijolos vazados !!!

Abraco.

Eduardo disse...

Muito bom.
Eu já tinha ouvido falar do teatro e dos túneis.
Sempre curioso sobre o assunto.
Mais eu acredito que eles existem de verdade.
Como li em outro comentário existe algo de estranho no colégio Pedro II
No caso do teatro, com uma pesquisa descobri que a pintura original ainda está bem conservada debaixo das dezenas de camadas já pintadas.
E dizem que a suásticas pintadas nas paredes, mas tudo coberto com o tempo.
Mais relembrado um pouco, fique sabendo uma vez que teria um túnel debaixo da ponte dos arcos, também fechado há muito tempo.
Parabéns

Fábio Ricardo disse...

Parabéns pelo texto! Realemnte, a historia de nossa cidade é muito rica em lendas. Infelizmente, ninguém busca descobrir a fundo o real significado delas. Falta apoio dos que querem esconder algo, ao que me parece. Os túneis são lendas que tomam a cidade inteira. Um pedaço da história enterrada e esquecida, bem debaixo de nosso nariz.

José Geraldo Reis Pfau disse...

Quá, quá, quá... como o povo gosta de túneis, de coisas secretas, mistérios, "quem matou Odete Reutmann" hehehe depois a gente se admira da audiência das novelas. .... é fantástico. Parabéns pela matéria do Carlos Gomes. Genial -"lendas de Blumenau".

Veja que os comentários abriram para seu BLOG mais sucessos, outros assuntos até novas oportunidades ou até novos túneis. Nesse assunto do nazismo havia conversas que o Carlos Gomes nos pisos superiores era cheio de salinhas (salas pequenas) como se fosse um quartel - ou uma prisão - na verdade são salinhas apropriadas para dar aula de música. Na parte frontal do prédio existe na frente - no meio - bem em cima uma espécie de "oratório" de onde o Hitler iria falar.

Na verdade se sabe que a verba da construção foi transferida da Alemanha. Nada de estranho, pois somos uma colônia alemã. Essas passagens internas de prédios como teatros, casas de espetáculos, devem explicar os entendidos que fazem parte até das necessidades das apresentações artísticas. Mas havia outras coisas como o Hotel (super luxo) em Pomerode que fazia parte de uma rota de interesse e identificação do Nazismo pela América. Geniais estes assuntos.

O túnel entre a moradia dos padres e das freiras até poderia existir, mas as propriedades eram praticamente cercas vizinhas separadas pelo morro - que foi cortado para dar passagem à Rua 7 de Setembro - e onde era o cemitério Municipal católico e atrás da igreja matriz.

Hercílio Schmitt disse...

Olá Adalberto !
Muito interessante as lendas s/ o Carlos Gomes, mas, aquela do submarino.... foi demais. Qta imaginação ..........! A gente sempre aprende coisas "novas e respeito da nossa velha", o bairro que moro desde que vim à Blumenau. Valeu !
Abraços !!!

Hercílio Schmitt

Anônimo disse...

Quando eu era jovem e na época em que o restaurante do teatro Carlos Gomesera dirigido pelo ecônomo senhor Endes,(Enders)pai do proprietario da Confeitaria Herr Blumenau atualmente, Felix Endes Evaldo Volles e a minha insignificância descemos por uma abertura que dava acesso a uma galeria feita totalmente de tijolos vermelhos.Era um tunel escuro cheio de baratas no teto, era úmido, e no chão escorria água que vinha de outro lado da rua 7 de Setembro ,adentramos um bom pedaço com um toco de vela acesa.

Anônimo disse...

Boa matéria sobre o mistériodo Teatro Carlos Gomes. Lenda é lenda, deve ser sempre preservada e não se omitir como muita gente da cidade faz. Parabéns Braga Mueller.

Carlos Braga Mueller disse...

Amigo Beto,

Despertou mesmo muito interesse a matéria sobre os túneis.
Na verdade, o único que existe é o da antiga Estrada de Ferro. Ah, tem também o do Shopping na 7.
Sem falar naquele que a Casa Royal construiu na Namy Deeke, ligando o Posto de Gasolina à loja em frente. Coisa recente.
Os outros, ou são as famosaos canalizações antigas (sob a Namy Dekke e Nereu Ramos), ou são túneis mesmo.
Estudei no Pedro II nos anos 40 e 50 e não me lembro deste fato.
Alguém lembrou sobre o Hotel Oásis de Pomerode. Restou uma lenda sobre o Oásis, que ficava em Blumenau (até 56 Pomerode era distrito de Blumenau).
Abs
Braga

Anônimo disse...

amigo!
que tem tunel na casa royal e na sete e no antigo caminho de trem todo mundo sabe, a questão é:os tuneis citados no teatro Carlos Gomes são reais, mas eles são dados como lendarios, até porque não é do interesse que o publico saiba que realmente estes tuneis existem.

Rúbia Camila disse...

Olá! Meu nome é Rúbia, e, primeiramente, gostaria de parabenizar pelo blog Adalberto Day, que é maravilhoso quanto às informações e curiosidades! Estou fazendo um trabalho, um documentário, sobre as lendas blumenauenses, e achei o blog com as lendas do Teatro Carlos Gomes. Sei que Blumenau possui várias outras lendas, mas tenho uma idéia muito vaga sobre elas, o que torna o trabalho mais complicado. Gostaria de poder falar mais sobre as lendas de Blumenau, quais são e como surgiram, se fosse possível. E, sobre o texto das lendas do Teatro Carlos Gomes, redigida por Carlos Braga Muller, gostaria de obter mais informações sobre ele, e quando posso conversar com o mesmo. Seria de extrema importância, se pudesse contar com a sua ajuda no documentário!

Desde já agradeço! Um abraço e ótima semana!

Ronaldo disse...

Ótima matéria.. sobre o chapéu do füher, pelo que eu sei é mentira... Meu bisvô foi o engenheiro que trabalho no Carlos Gomes e ele sempre negou isso.

Tânia Regina Wiggers disse...

Matéria explêndida! Parabéns. Gostei muitíssimo.
Um grande abraço.

VÂNGELA =) disse...

Olá! Gosto de ler matérias que aguçam a curiosidade alheia, e prende nossa atenção para os detalhes! Pode até não ser verdade, mais fiquei impressionada com conscidência da fachada do Teatro Carlos Gomes, com o quepe do Hitler. Parabéns:)

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