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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

- A "Streichorchester"


A "Streichorchester" (orquestra de cordas) foi formada por volta de 1932 e se apresentava principalmente no antigo Cine Garcia e na "Casa das Irmãs" [Schwestern] . Um dos componentes é o senhor Oswaldo Hinkeldey, sentado à esquerda da bateria.Max Rudolf Wünsch (saxofone),

- Publicado no Jornal de Santa Catarina, dia 06/agosto/2008 – Coluna do Jornalista Sérgio Antonello
Antigo Salão Hinkeldey/Cine Garcia – "Casa das Irmãs" [Schwestern] . Esta casa foi moradia das irmãs que vieram da Alemanha e prestaram serviço social e espiritual aqui no Garcia até 1961.
O “Streichorchester Ideal” [orquestra de cordas] que seria a origem do futuro “Jaz Ideal”. Oswaldo Hinkeldey tocava violino e não havia somente instrumentos de cordas como diz o nome, mas havia também um saxofone e um clarinete. Era uma reunião de amigos que faziam música pelo prazer que esta arte proporciona. Não sabemos mais o nome de todos os integrantes. Esta orquestra evoluiu e no auge reuniu cerca de 30 músicos, passando então a denominar-se de “Jaz Ideal”. Desta orquestra participou também João Schulenburg, grande bandoneonista . Desde a origem da orquestra Oswaldo Hinkeldey era o 1º violino, ou seja, o “spalla”.
Arquivo Adalberto Day e Osmar e Waldemar Hinkeldey

domingo, 3 de agosto de 2008

- Russland III - Beirando o PARQUE NACIONAL


- Hoje novamente vamos apresentar uma belíssima crônica da escritora Urda Alice Klueger, falando sobre um tema ’A conhecida Nova Rússia ou Russulana”.
(Para Márcio e Sandro)

Tais minas estão a apenas três quilômetros desta pousada onde venho me abrigar, e quando saí, na tardinha, tinha a intenção de ir lá ver, e reviver, quem sabe...
Fiquei conversando com um velho morador que conhecia os Klueger, no entanto, durante tanto tempo, que quando fui vencer o último trecho do caminho, a noite caiu. Pelo que me disse uma outra rara moradora, eu estava chegando, mas voltei sem ir lá.
Há uns raros postes com lâmpadas acesas ao longo da estrada escura, muito distantes um do outro, e a estrada está mergulhada entre morros e ladeada de nascentes que se juntam num rio, e mesmo sendo de quarto crescente esta noite fria, em algumas curvas, onde as árvores eram muito altas, a escuridão era total, e eu acabei montando na minha imaginação e viajando no Tempo. Um dia também anoitecera ali, naquele lugar, quando um antigo povo ia por ali passando, e todos, homens, mulheres e crianças procuraram logo o lugar mais abrigado para passar a noite. Pensei: e se estivesse chovendo torrencialmente? Conheceriam os antigos moradores alguma gruta, alguma cova, algum abrigo onde se enfiar? Hoje a geografia está toda alterada por conta do colonizador – como teria sido um dia? Os abrigos estariam por ali desde tempos imemoriais, ou seriam construídos rapidamente, como aqueles que Sílvio Coelho dos Santos[1] nos conta em Índios e Brancos no Sul do Brasil?[2] Água não faltaria: aquelas nascentes todas e aquele rio estavam ali, decerto, há MUITO tempo!
Numa dessas curvas bem escuras, fui ultrapassada por uma van que transporta estudantes, e fiquei ali olhando como ela se escondia no breu de mais adiante, onde suas luzes traseiras vermelhas se multiplicavam muitas vezes na escuridão.
Desta vez, ao crepúsculo, eu caminhei em direção das Minas da Prata. Nem só em Potosi houve minas de prata na América – em Blumenau/SC, também as houve, e tomei o rumo delas, à tardinha, lembrando dos tempos em que era muito jovem, tinha meu primeiro fusca e vinha acampar diante das minas com minha irmã Margaret, mais os nossos vizinhozinhos Márcio e Sandro, garotos de primário, que estavam descobrindo a vida e aos quais eu ensinava a usar a imaginação, quando entravam de férias. É daquele tempo que me lembro das minas, já então abandonadas de há muito – como as de Potosi, sua prospecção se tornara antieconômica. Sobraram as bocas das galerias, e os túneis avistados lá dentro, pois era proibido entrar, por temor de desmoronamentos – mas havia toda uma magia ao ir-se lá – naquela altura, embalados pelos quadrinhos de Walt Disney, ficávamos a imaginar as minas do tio Patinhas. Éramos muito inocentes, então: não sabíamos dos 8.000.000 de índios mortos de fome e maus-tratos em Potosi. Mas lembro como qualquer pedra que se achasse no chão, podia ser quebrada com facilidade, e como o seu interior faiscava todo de veios de prata. O problema é que era muita pedra para pouca prata, o que fez os mineradores irem embora.
Índia Xokleng
- Como uma fogueira! – pensei. Sim, devia ser a mesma sensação – um grupo humano andando por ali – pois aquele caminhozinho provavelmente um dia foi uma trilha entre as nascentes e o rio – e alguém mais atrasado chegando no escuro, quando a fogueira já estava acesa! Foi como se visse lá, ao abrigo do fogo, os adultos e as crianças cozinhando e se preparando para passar a noite, e a grande sensação de conforto que sentiu quem vinha chegando atrasado, pois lá no fogo haveria abrigo, solidariedade, comida. Talvez fosse frio como hoje e as pessoas estivessem usando suas mantas de fio de urtiga, como há uma lá no Museu da Família Colonial[3], mas não chovia naquela noite da minha imaginação. Há coisas que devem ser atávicas dentro da gente: eu era capaz de sentir cada sensação daquela pessoa de muito tempo atrás avistando o conforto daquela fogueira no meio da escuridão de breu. Há que andar muito mais por este lugar que hoje chamam de Nova Rússia, pois aqui os vestígios da História ainda podem ser tão visíveis, tão visíveis! Basta à gente ter olhos de querer ver e atavismo no coração!
Blumenau, 13 de Maio de 2008.
Urda Alice Klueger /escritora
Arquivo: Adalberto Day/ – Guia de Blumenau
[1] Sílvio Coelho dos Santos: antropólogo, estudioso do povo Xokleng.
[2] Livro do mesmo autor.
[3] Museu da Família Colonial: em Blumenau/SC

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