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terça-feira, 12 de junho de 2018

- Na época do Frei João Maria

RECORDAR É VIVER – PARTE 2
Por Sérgio Cunha


As minhas primeiras lembranças sobre acontecimentos religiosos me remetem ao Frei João Maria (Foto), o pároco da Igreja N.S. da Glória, localizada no bairro Garcia. Sobre o Frei Raul, o antecessor, não tenho lembrança, provavelmente por ser eu ainda muito pequeno. Frei João marcou muito, principalmente porque ele nos lecionou aulas de doutrina.
Tinha um comportamento bem peculiar, pois quando nos encontrava no pátio da igreja, indo para a doutrina, de longe já citava o nome do aluno e ia logo perguntando se estava tudo bem, como estavam o papai, a mamãe, se tínhamos estudado a lição da doutrina, etc. Colocava a sua enorme mão no ombro do menino e começava a apertar fortemente o musculo, acho que é o “ombrex”, kkk, enquanto esboçava seu largo e exuberante sorriso.
Nós, garotos, sentíamos muita dor, pois ele apertava bem forte, mas aguentávamos, mesmo porque nos ensinavam que “homem não chora”. Os garotos comentavam entre si que doía bastante, mas nunca soube de alguém que tivesse reclamado por isso, ao frei. Comentavam também que quando era possível, se desviavam do caminho dele, dando a volta ao redor da igreja, indo direto para a catequese.

As aulas de catequese eram lecionadas atrás da igreja num salão que servia para atividades variadas. Foram alí as primeiras aulas da Dona Julia (Foto), catequese, reuniões, além de Sede da Congregação de Marianos e das Filhas de Maria. Nesse local, em domingos que tinham celebração especial, perfilavam-se os Congregados Marianos e as Filhas de Maria, rigorosamente paramentados e principalmente portando sua fita de congregado no pescoço. Em seguida, contornavam a igreja, margeando próximo a rua e entrando pela porta da frente, entoando belos hinos religiosos.
Ocupavam essas pessoas a terceira carreira de bancos da igreja para o final, porque a primeira e segunda carreira seriam ocupadas pelas crianças que estavam na catequese. O padre iniciava a missa e quando chegava na hora do “Sermão”, aproximava-se das crianças e as questionava aleatoriamente sobre o texto lido no Evangelho, com a finalidade de testar se estavam prestando atenção a missa e também para fixar a doutrina.
Por pouco, muito pouco mesmo, o povo não aprendeu a falar em latim, pois tudo o que o padre falava durante a celebração: “Dominus Vobiscum”, o povo respondia: “Et cum Spiritu tuo”. Não aprendemos porque o latim caiu em desuso. Era, sem sombra de dúvidas, uma linda celebração religiosa.
No pátio da igreja (Foto), bem encostadinho da rua, tinha uma pequena banca de madeira, tipo banca de revista, pintada de verde claro, onde os fiéis encontravam e compravam uma variedade imensa de artigos religiosos, como crucifixos, escapulários, terços, imagens, bíblias, catecismos, velas, medalhas, pingentes, “santinhos”, etc. A banca era aberta pouco antes de iniciar a missa e fechava logo depois do final da mesma.
Localizados atrás do salão e portanto também atrás da igreja, existiam os banheiros, erguidos em uma construção de alvenaria bastante rudimentar. Entre esses banheiros e o colégio iniciava o caminho que subia o morro em direção a gruta de Nossa Senhora
Gruta
O caminho foi escavado no morro em forma de ziguezague entremeado com as arvores. Nos dias que a comunidade se reunia para prestar homenagem a Santa, principalmente quando realizada à noite, com os devotos subindo o morro, empunhando suas lanternas iluminadas com velas, formava-se um espetáculo indescritível. Lembro de quando era encenada a Via Sacra, as 15 estações da crucificação de Cristo. Um espetáculo sem igual.
Em 1959/60 as irmãs do grupo escolar selecionaram uns oito meninos do primeiro e segundo ano e montaram conosco uma peça teatral. Depois de vários e vários dias de ensaio, fizemos nossa apresentação naquele salão atrás da igreja onde se reuniam os congregados. O nome da peça era: “O esquife do morto vivo”. Encenávamos um fato acontecido em um velório e em um determinado ato, o defunto se levantava, “vivinho da silva”. Aí era um corre-corre danado. Fizemos somente três apresentações e logo fomos censurados pois algumas crianças que assistiram, a noite não conseguiram dormir, kkk. Nunca soubemos se alguma das freiras era fã do Zé do Caixão, hehe.
Anos mais tarde (63/64), o Érico Morbis fundou um grupo de teatro de jovens com idade entre 15 a 20 anos, batizado de TASC, Teatro Amador Sta. Cecilia, que fizeram bastante sucesso durante alguns anos, encenando episódios como “Os Dois Sargentos” e “Sinal Misterioso”, entre outros. Inicialmente as apresentações eram feitas em um pequeno palco montado no pátio do Grupo Escolar São José que ficava lotado pelo povo. Não demorou muito, o grupo fez tanto sucesso que se apresentavam no palco da Cantina da Artex e apresentavam-se também em cidades próximas.
Alguns integrantes desse grupo eram os nossos amigos, Celézio Bernz e Maurina Pereira, Irineu Bernz, Ornélio Bernz, Jacó Antônio Tomasi, Luiz Ernesto Souza (Leco), Jaci Sestrem, Álvaro de Andrade, a Cristina, que trabalhava no Centro de Treinamento da Artex, Getúlio Cristofolini, Gerson Cardoso, entre outros.
Em conversa com nossa querida amiga Erica Morbis, que contribuiu com importantes informações sobre esse grupo de teatro, contou-me ela também que quando falava com o Érico sobre o grupo, sua mãe Dona Aninha lhe disse que era ela que costurava as vestimentas e figurinos do grupo.
Nessa época, os jovens na nossa faixa de idade, estávamos exalando hormônios por todos os poros e iniciava-se então aquela fase de flertes, namoricos e olhares apaixonados. Alguns casais saíam do colégio de mãos dadas com suas namoradas. Um ou outro casal arriscava-se a dar as primeiras bitoquinhas.
Acontece que morava no Garcia um senhorzinho, cujo nome não é necessário mencionar, o qual era extremamente religioso e conservador dos preceitos da família. Ele dirigia uma carroça puxada por dois cavalos. Quando via um casal de namoradinhos de mãos dadas ou trocando bitoquinhas na rua, ficava furioso e os ameaçava com seu chicote em punho. Uma outra vez o vi parar a carroça, descer e sair em perseguição de um casal. Sorte deles que eram mais jovens do que ele e corriam mais rápido, kkk. Foi muito divertida nossa infância e adolescência. Saudades!
(Em tempo: O nome do musculo que o frei Joao apertava é o Trapézio). Uuufa!
Sergio Cunha – 14/04/2018 


27 comentários:

Anônimo disse...

Muito interessante!

José Alfredo disse...

Ok.
Muito interessante.
Valeu
Ab.
José Alfredo Schierholt

Luzia disse...

Foi ele que lecionou a doutrina para fazer a primeira comunhão
Luzia da Silva

Silvio disse...

Silvio S. Duarte Duarte Frei João. Fui coroinha dele nos anos de 64 a 66. As vezes tocava a sineta que levávamos na mão na hora errada e quando terminava a missa e entrava na sacristia levava um chute na bunda do Frei.quanta saudades..

Jacira disse...

Jacira Forbici Nossa!! Nessa época comecei a tocar e cantar mas missas . Foram mais de 10 anos. Saudade!

Júlio disse...

Adalberto Day você não vai acreditar mas um dia ai eu iria te perguntar se você teria algo da época do Frei João Maria eu fui coroinha dele.Valeu Adalberto Day.
Julio Costa

Arlete disse...

Arlete Bugmann Hasse Eu fiz minha primeira comunhão com ele em 1962.

Sônia disse...

Sonia Ruth Anton Bauler Frei João Maria, foi meu professor de catequese. Com ele não tinha moleza. Tinha que prestar atenção mesmo. Mas parece que conheço mais algumas pessoas da foto. Acho até que minha primeira professora. Que gostoso relembrar. Muito obrigado Adalberto

Catarina disse...

Catarina Tecla Mistura Frei João Maria, grandes lembranças, foi ele me casou e nessa foto tem muitas pessoas que conheço, a professora que está na foto Sonia, é a D. Ida. Muito obrigada Adalberto.

Chico disse...

Chico Borba Legal Adalberto. Meu pai, Janga Borba Correia e minha mãe, Erica Borba Correia, também estão na foto, ao lado esquerdo do Frei João Maria.

Ilson disse...


Ilson Borba Boas lembranças Adalberto, Parabéns

Sérgio disse...

Sergio Cunha Ao lado direito do Mario Schimitt estão o Marcelino (Segata?), o Viriato da Silva e acho, esposa. O Arno Chegatti e esposa Luzia Conceição. Ao lado da coluna é o Lauro Zimmermann e esposa Edwiges Weinrich. Otima recordação.

Herta disse...

Herta Butzke da Silva Não é do meu tempo mas reconheci muita gente que estão na foto Sr. Mário Schmitt e algumas senhoras que me lembro

Urda disse...

Urda Alice Klueger Nossa... seu Mário Schmidt morreria pouco depois, quando o avião em que viajava bateu contra uma montanha, aqui perto de onde moro agora... Lembro bem dele cantando no coral da igreja, com uma possante voz e dando tudo de si... Impressionava-me. Deixou as filhas pequenas, minhas amiguinhas de colégio...

Arnalto disse...

Arnaldo Mueller Fiz minha primeira comunhão com padre João Maria em 1961

Vitorio disse...

OBRIGADO AMIGO ADALBERTO, por todos os artigos que você me enviou e envia.
Estarei em Blumenau no período de 13 a 23 de julho.
Um grande abraço!
VITÓRIO Felsky.

Nilsa disse...

Nilsa Alves fiz minha primeira comunhão e meu casamento com frei Joao Maria

Algair disse...

Algair Nazareno Que bom lindo maravilhoso essa lindeza p as pessoas recordar abraços
Adalberto

Sueli disse...

Sueli Zendron A 1¤ mulher da direita ao lado das crianças, é minha mãe, Ida Zaida Zendron (nascida Borba) e a bebê com a bola, sou eu.

Maria disse...

Maria Stoll Barni Adalberto, que foto prá fazer chorar, muita emoção lembrar dessas pessoas maravilhosas e que fizeram parte da minha infância. Poderia nomeá-las, uma a uma, porque todas foram muito presente em nossa comunidade. Grata

Maria do Carmo disse...

Maria Do Carmo Bianchi Frei João Maria celebrou o meu casamento em 1963

MArilise disse...


Marlise W de Oliveira A familia do meu falecido marido tbm era da época do frei joao
Família Leopoldo de oliveira,

Norival disse...

Norival Muller Lembrança da minha primeira comunhão, ele foi o meu catequista. Expressava seu carinho com forte aperto nos ombros das crianças que nos faz lembrar até hoje.

Nilton disse...

Nilton Peixer Ele foi meu catequista, era bem rígido levei alguns puxão de orelha quando chegava atrasado

Renate disse...

Renate Pereira Boa noite Beto!!! Lembro bem do padre Frei João Maria. Parabéns pela matéria.

Ivonete disse...

Ivonete Poerner Foi o padre que deu doutrina para minha primeira comunhão ( 1958 ). Rezava missa cantada e em latim. Duração de quase 1 hora e meia.

LWD disse...

Boa noite!
Ótimo texto.
Muito obrigada, Waleska

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