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terça-feira, 30 de agosto de 2016

- A senhora Cassiano

Crônica de Adalberto Day  com colaboradores citados no final. 
Maria Mansur e sua filha Neide quando jovens.
Senhora Maria Mansur Neves já idosa
(fotos da família)
 Em Histórias de nosso cotidiano apresentamos Maria Cassiano. Já mostramos neste espaço diversas personalidades de Blumenau e a pedido também carinhosamente abro meu coração para falar dessa cidadã folclórica (se assim podemos intitular a senhora Maria Cassiano), com muito respeito e carinho, moradora de um dos mais importantes bairros de Blumenau – bairro da Glória.
Certamente como qualquer cidadão não desejaria ter a vida que levou com tantos sacrifícios, rotulada com certo “desprezo por alguns da comunidade em geral”. Porém soube levar a vida conforme pôde e sustentar sua família, cidadãos de bem de nossa cidade.
Rua da Glória
Quando a conheci, a senhora Cassiano ajudava a cuidar de um neto filho de sua filha Neide, chamado Sidnei, Nascido em 13/06/1954 e faleceu 21/09/2000 Sidnei, por último morou no final da rua Emilio Talmann, depois que a casa “incendiou-se” , foi embora. Meses depois faleceu em um acidente automobilístico. Eu o conhecia desde minha infância na rua da Glória.
Maria Cassiano tinha um filho conhecido como Zone Cassiano que trabalhava com alto-falantes fazendo propagandas. Foi um dos pioneiros na comunicação (propaganda) com serviço de alto-falante - inclusive veículos do serviço de alto-falantes.
De boné HAROLDO GONÇALVES DA LUZ (pai do José Carlos) ex. gerente das lojas Prosdócimo. ZONE CASSIANO valorizando a foto, fazendo uma entrevista do evento. 
Zone Cassiano
Nome Waldemiro Neves (Cassiano) faleceu em 1992. Conhecido como Zone Cassiano. Zone teve seis filhos e duas filhas. Uma empresa familiar nos serviços de som pela cidade. A primeira empresa a trabalhar na Oktoberfest em Blumenau, contrato assinado pelo seu filho Jonas. Uma empresa muito respeitada e conhecida na cidade. A Oktoberfest mudou o destino do Som Cassiano que era especializada em propaganda externa em carro de som (cornetas). Tinha muita tradição e o carinho dos blumenauenses e região. Sua frota era composta de vinte carros.
Na opinião da maioria, era um som impecável.
O estabelecimento se localizava aonde (foto) está a casa comercial de cor azul.
Conheci a senhora Maria Cassiano já idosa na Rua da Glória (na época estrada de barro lamacenta) em uma pequena garapeira inominada, no atual endereço de número 546 ao lado do antigo comércio do senhor Emilio Felsky que também era barbeiro, próximo também da alfaiataria do senhor “Milico”. Uma referencia também conhecida o comércio do senhor Oswaldo Pfiffer. A rua da Glória antes era conhecida como Specktiefe (palavra de origem alemã que quer dizer caminho lamacento ou gorduroso. - speck significa toicinho, e tiefe, profundidade). O nome Specktiefe porque desde o início da Rua da Glória até próximo ao atual CSU - Centro Social Urbano, existiam pés de eucaliptos dos dois lados da rua, mantendo este espaço sempre sombrio, e, consequentemente, muito lamacento.
Rua da Glória década de 1920 , -  quando era conhecida como Specktiefe

O então diretor da Empresa Industrial Garcia, João Medeiros Jr., mandou colocar barro vermelho, e esta mistura fez o lamaçal ficar com cor de toicinho. A partir de 1938 recebeu o nome de rua da Glória em Homenagem a um antigo conjunto musical chamado “Glória”.
Maria Cassiano (também conhecida por Dinha pelos netos e bisnetos)  nascida em  13/09/1910 e faleceu em 1997.
Era casada e creio que seu marido se chamava Cassiano Neves, antigo Inspetor de Quarteirão da região.
Era conhecida como a “Velha Cassiano”! Segundo relatos na pesquisa, muito “braba e desbocada”, assustava os clientes. Não gostava de ser chamada dessa forma, pois seu nome era Maria Mansur Neves. Fazia questão de deixar escrito e explicito dentro de sua garapeira este descontentamento, com seu verdadeiro nome. Chegou a existir uma plaquinha “M.M” de Maria Mansur. "M.M" interpretado por alguns pejorativamente. 
Em seu estabelecimento vendia caldo de cana, a famosa bananinha, e de forma geral frutas.
Nos relatos que obtive, este estabelecimento existiu desde o início de 1950 até próximo ao ano de 1990.
Ela sentava aos fundos de seu estabelecimento e controlava as pessoas com um espelho e avistava quem estava ali por perto e indagava, “entra ou vá embora se não desejas nada”.
A preferencia era as bananas, que comprávamos em “pencas”.
Certa vez ao adentrar sua pequena garapeira, por solicitação de meu pai que solicitou para comprar bananas, alertado por ele de escolher aquelas que não estavam “pretas” ou machucadas, apalpei-as e ela me reprendeu dizendo em tom alto “porque estás mexendo, não queres vá embora”. E foi o que fiz, nunca mais entrei lá. Passava por ali para ir à Escola São José (atual Celso Ramos) com certo receio. Quando às vezes olhava para dentro da vendinha ela de lá dizia “tais olhando o quê”!
Com mais esta história espero a compreensão dos netos, familiares e que possam até acrescentar algo a mais, e quem sabe com fotos da garapeira e da senhora Cassiano.
Personagens que moravam próximo, para saber acessem:
Senhor Milico
Senhora Muchi

Colaboraram na pesquisa: José Geraldo Reis Pfau, Valdir Salvador, Mauro Malheiro, Cornélio de Souza, Neide Fronza, Carlos Hiebert, SUZY ALINE SANTOS, e  Samantha Aline,   bisnetas da senhora Maria Cassiano. 
Arquivo Adalberto Day/Zé Pfau. 

11 comentários:

ARLETE TRENTINI DOS SANTOS disse...

Bom dia Sr Day.
Aqui mais uma boa história de antigamente.É sempre uma grande alegria conhecer esses fatos pitorescos.Na minha infância conheci um garapeira que deveria ser mais ou menos igual a essa.Tinha também banana e umas cucas de farofa que eram vendidas em pedaços.Hoje tomamos caldo de cana em pequenas moendas,e isso nos faz relembrar a infância.

Valeu por mais esse belo texto.Abraços gaparenses

sergio luiz buchmann disse...

Bom dia professor Adalberto! Maria Cassiano Lembro bem do comercio dela,e realmente era brava muito por o que se criou em função do que criam em torno da quitanda dela e o seu jeito de ser e se vestir. Em minha época acredito eu q todas as crianças tinham medo de de Maria Cassiano.Quando vc citou a compra de bananas,me lembrei q um dia parei pra comprar Chiclets,e se não me engano uma coleguinha da época q disse que ela dava mais Chiclets que outros comércios,e realmente era verdade.E foi bom eu ter ido lá pois me fez ver q ela não era nada de má ou outras coisas q falavam na época. Maria Cassiano uma Mulher de fibra que muito trabalhou e castigada pelos destinos da vida. Abraço querido amigo.

Nillton Sergio Zuqui disse...

Meu caro Adalberto,
Como não lembrar desta Sra. Que tanto nos passava medo,sim medo pois eramos criança e não tínhamos a dimensão do que ela se preocupava, que era tão somente cuidar de sua venda. Dito isto,lembro também da rua suja sim, dos eucaliptos que em dias de verão bem cedo perfumava um certo espaço com o aroma das folhas deste,lembro que dá casa da minha vó saímos sempre correndo em direção a venda para chatear com a tal mulher brava kkkkkkk que saudades deste tempo, mais uma bela história, obrigado.

Henry disse...

Adalberto

Se todas pessoas que se dizem de bem, fossem ou foram como MARIA CASSIANO, com certeza muitas coisas seriam diferente.

Senhora lutadora, pessoas que jamais fariam como ela fez que abriam a boca para sem manifestar com julgamentos chulos, se cuidassem corretamente de seus lares teriam o bastante para cuidar de vez de cuidar da vida alheia.
Fiz varias compras em seu estabelecimento para minha mãe, quando ainda bem ativo e não comemos ou compramos algo que deixa-se de ser correto.

Senhora MARIA CASSIANO, que Deus a tenha.
Henry Geog Spring


Valdir disse...

Dona Maria Cassiana, foi uma guerreira do jeito dela,viveu a vida dela como ela queria criou e educou todos seus filhos , ao contrario de muitas Marias que eram simpáticas e bonitas mas coitadas não conseguiram encaminhar sua família como Dona Cassiana, se ela hoje estivesse aqui deveria dizer que falem Mal ou falem Bem o importante é que falem de mim tenho dito........Valdir Salvador

Djalma disse...

Conheci e frequentei o seu estabelecimento. Muitas coisas ditas delas focloricamentes , como ser brava e brigona é correto, mas pra quem a conheceu era uma bonissima pessoa. Passava regularmente defronte ao seu comercio e sempre estava la. Nao era de comprimentar todo mundo. Não por falta de educação, mas apenas por não faze-lo. Alias, que não faz isto nos dias de hoje?

Adriana Veber disse...

Olá. Gostaria de ter mais detalhes sobre a família Schatz. Meu bisavô Paulo Schatz viveu com sua família na rua da Glóri@ a. Amo saber sobre o passado sa minha família

SUZY disse...

Minha bisavó, ela faleceu em 1997, tenho só um foto dela, pois como era muito ranzisa e nós adolescentes imaturos não sabíamos participar dos seus conhecimentos. Agradeço a quem colocou a matéria e os comentários, através de outras pessoas conhecemos um pouco mais da nossa familía.Sou a filha do Sidney que faleceu no ano 2000. santossuzyaline@hotmail.com

samantha aline disse...

Boa noite mt interessante sua matéria e como citou minha irmã Suzy, é bom conhecer uma pouco mais uma parte tão importante da nossa família, tb sou bisneta da Maria Cassiano conhecida carinhosamente na família por Dinha, tenho apenas uma foto dela pois quando ela veio a óbito tinha apenas 5 anos...

samantha aline disse...

E se quiseres te passo a foto só me chamar no e-mail samanthaalinesantos@gmail.com

Eliane Day disse...

Olá Beto
Nossa, como lembro da Sra. Cassiano e sua "venda", confesso que nunca entrei neste local, mas sempre que ia na casa da minha tia que ficava nos fundos do beco, passava em frente e ficava olhando, só de curiosa.

Bom relembrar.
Beijos

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