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terça-feira, 29 de março de 2016

- Blumenau: a perda de territórios

COMO FOI QUE O  MUNICÍPIO  DE  BLUMENAU  FICOU  TÃO  PEQUENO?

Por Carlos Braga Mueller/Jornalista e escritor em Blumenau (foto).
Em 1930 o Município de Blumenau englobava o território de Gaspar e ia em direção ao oeste até Curitibanos. Possuía 10.610 km².  Mas então começou a ser retalhado, passando para a extensão territorial dos dias atuais, apenas 519,8 km².
Como foi que isso aconteceu?  

Em parte devido ao desenvolvimento dos vários Distritos que compunham o município. Mas a grande retaliação foi de origem política, em 1934, o que motivou grandes manifestações de rua, quando o povo desfilou pedindo que Blumenau ficasse unido.
Não adiantou, como veremos depois.
SIEBERT, Claudia. Estruturação e desenvolvimento da rede urbana do vale do Itajaí. Blumenau: Editora da FURB, 1996.

1864
por volta de 1890 - Alameda 
DE  VILA  A  MUNICÍPIO
A Colônia Blumenau  ficava em terras de Itajaí, e pela Lei Estadual nº 860, de 4 de fevereiro de 1880, foram desmembradas do município de Itajaí as freguesias de São Pedro Apóstolo, de Gaspar, e São Paulo Apóstolo, de Blumenau, para formarem um novo município, Blumenau. A sede do município passou a ser a freguesia de São Paulo Apóstolo, que foi elevada à categoria de Vila e Município, com a denominação de Vila de Blumenau.
Embora só em 10 de janeiro de 1883 tenha sido oficializada a instalação do município, em virtude da catastrófica enchente de 1880, a vida da cidade transcorria serena, sob a soberania do Imperador Pedro II, cabendo  à Câmara Municipal exercer  a administração da Vila/Município.
Em 28 de julho de 1894, pela Lei Estadual 197, a Vila foi elevada à categoria de cidade, ficando dividida em três distritos: o da Sede e os de Gaspar e Indayal.
Com a Proclamação da República, em 15 de Novembro de 1889, houve uma reviravolta na política brasileira, a que não vamos nos estender aqui, mas que colocou na administração da cidade uma Intendência, logo substituída por uma Superintendência. Ambas, no período inicial, foram exercidas pelo médico baiano, radicado em Blumenau, Dr. José Bonifácio da Cunha, um ferrenho defensor da República.
Enquanto isso, iam sendo criados Distritos na vasta região de Blumenau, especialmente para atender as demandas populacionais.
Em 2 de março de 1912,  pela Lei Municipal nº 80, foi criado o Distrito de Hammonia (hoje Ibirama). Logo em seguida, 13 de março de 1912, surgiu o Distrito de Bella Aliança (hoje Rio do Sul). Em 16 de setembro de 1916 foi criado o Distrito de Encruzilhada (atual Rio dos Cedros).  Em 16 de abril de 1919, pela Lei Municipal nº 120, surgiram os Distritos de  Rodeio e Ascurra.
O Distrito de Massaranduba foi  criado em 16 de agosto de 1921, pela Lei Municipal 142.
A Lei Municipal 148, de 30 de maio de 1922, oficializou o Distrito de Benedito /Timbó.
Viria em seguida, criado pela Lei Municipal 213, de 26 de março de 1927, o Distrito de Taió.
Assim, em 1930, este era o panorama territorial, Sede e  respectivos Distritos, da Grande Blumenau,  de 10.610 km².
A DIVISÃO COMEÇA
Em 10 de outubro de 1930, em plena efervescência política no país, com a Revolução que colocou Getúlio Vargas no Governo, ocorreu o primeiro e significativo desmembramento de Blumenau. O Distrito de Bella Aliança tornou-se município com a denominação de Rio do Sul.
Com a nova ordem institucional no Brasil foram extintos os Conselhos Municipais e nomeados prefeitos provisórios. Em Blumenau o prefeito provisório João Kersanach criou uma Junta Administrativa Municipal e nomeou para integrá-la os senhores Antônio Cândido de Figueiredo, como presidente; Thomé Braga como vice, Teodolindo Pereira como secretário e Max Mayr e Adolfo Wollstein como membros. Tanto Kersanach como a Junta não duraram muito.
Os Estados passaram a ter Interventores Federais e em Santa Catarina este cargo coube ao General Ptolomeu de Assis Brasil. Vieram novos prefeitos provisórios: Antônio Cândido de Figueiredo (05/01/1931 a 21/4/1933); Jacó Schmidt (24/4/1933 a 25/2/1934); Capitão Antônio Martins dos Santos (25/02/1934 a 20/08/1934). Seguiram-se os prefeitos nomeados João Gomes da Nóbrega e Germano Beduschi.
Durante a gestão de Antônio Cândido de Figueiredo surgiram divergências entre ele e o Interventor Federal, já então Aristiliano Ramos, o que levou Figueiredo a demitir-se.
Em 1933, já com Jacó Schmidt como prefeito, realizaram-se  eleições para  Deputados à Assembleia Constituinte.
Em Blumenau a oposição ao governo federal crescera muito, o que infligiu espetacular derrota aos candidatos governistas.
Então, vingança política ou não, o Interventor Federal Aristiliano Ramos resolveu, em fevereiro de 1934, subdividir o território do Município de Blumenau em vários outros. Foram emancipados os Distritos de Hammonia, sob o nome de Dalbérgia (hoje Ibirama), Gaspar, Indaial e Timbó.
Em 1934 a Linha Colonial de Rio do Testo foi elevada à categoria de Distrito como Vila de Rio do Testo (hoje Pomerode).
Blumenau ficou reduzido a cerca de 900km², com apenas os  distritos de Massaranduba e Rio do Testo.
População de Blumenau nas ruas 1934

A população blumenauense ficou indignada e o povo saiu às ruas em passeatas de protesto, portando cartazes, O movimento  passou à história com a designação de  “Por Blumenau Unido”. Oradores exaltados se fizeram ouvir, entre eles o Juiz da Comarca, Amadeu da Luz, filho de Hercílio Luz. Houve até preparação para ação armada, mas a prudência dos líderes do movimento evitou derramamento de sangue e outras trágicas consequências.
Depois deste triste acontecimento, que feriu, e muito, os brios dos blumenauenses, houve poucas alterações territoriais no município.
Em 31 de dezembro de 1943 foi criado o Distrito de Vila Itoupava, desmembrado do Distrito de Massaranduba.
Em 11/12/1948, o remanescente do Distrito de Massaranduba  passou a ser município, desmembrado de Blumenau, Itajaí e Joinville).
Em 19 de dezembro de 1958, Blumenau perdeu seu último território: o Distrito de Rio do Testo passou a ser Município com o nome de Pomerode.  Emancipação político-administrativa: 21 de janeiro de 1959.
Em 17 de dezembro de 1999 foi criado o Distrito do Grande Garcia, unificando os bairros do Garcia, Glória, Progresso, Vila Formosa e Valparaiso. Obs: o bairro Ribeirão Fresco embora pertencendo ao Grande Garcia, preferiu não ser incorporado ao distrito.
Este, e a Vila Itoupava e o da Sede constituem os três únicos e atuais distritos de Blumenau, nos levando a rememorar o longínquo ano de 1894, quando também eram três os distritos: Sede, Indaial e Gaspar.
Todavia, dos municípios que foram desmembrados de Blumenau surgiram muitos outros, que a seguir relacionamos por ordem alfabética,  num total de 36 e mais o município-mãe, Blumenau.
_______________________________________________________________________
Município                               Data de criação     Desmembrado de
01 - Agrolândia                       12/06/1962             Trombudo Central
02 - Agronômica                     08/04/1964             Rio do Sul
03 - Atalanta                             04/12/1964            Ituporanga
04 - Ascurra                             01/04/1963             Indaial 
05 - Apiúna                              04/01/1988             Indaial
06 - Aurora                              08/04/1964            Rio do Sul
07 - Blumenau                         04/02/1880            Itajaí
08 - Benedito Novo                  20/12/1961           Rodeio
09 - Braço do Trombudo        26/09/1991           Trombudo Central
10 - Chapadão do Lageado    29/11/1995            Ituporanga   
11 - Doutor Pedrinho              04/01/1988            Benedito Novo
12 - Dona Emma                     17/05/1962            Presidente Getúlio
13 - Gaspar                             17/02/1934            Blumenau
14 - Ibirama                             17/02/1934           Blumenau 
15 - Imbuia                              23/08/1962           Ituporanga
16 - Indaial                              28/02/1934           Blumenau
17 - Ituporanga                       30/12/1948            Rio do Sul,Bom Retiro
18 - José Boiteux                    26/04/1989            Ibirama
19 - Laurentino                       12/06/1962            Rio do Sul
20 Lontras                                     19/12/1961            Rio do Sul
21 - Massaranduba                  11/12/1948            Blumenau, Itajaí e Joinville
22 - Mirim Doce                      26/09/1991            Taió 
23 Petrolândia                       26/07/1962             Ituporanga
24 - Pomerode                        19/12/1958             Blumenau
25 - Pouso Redondo               21/06/1958             Rio do Sul
26 - Presidente Getúlio           30/12/1953             Ibirama
27 - Rio do Campo                  20/12/1961             Taió 
28 - Rio do Oeste                    21/06/1958              Rio do Sul
29 - Rio dos Cedros                19/12/1961              Timbó
30 - Rio do Sul                        10/10/1930             Blumenau
31 - Rodeio                              22/10/1936             Timbó
32 - Salete                                29/12/1961             Taió
33 - Taió                                       30/12/1948             Rio do Sul
34 - Timbó                               28/02/1934             Blumenau
35 - Trombudo Central             21/06/1958             Rio do Sul
36 - Vitor Meireles                   26/04/1989              Ibirama
37 - Witmarsum                       17/05/1962              Presidente Getúlio    
       
OBS: As datas acima são das leis que criaram os municípios. As datas das respectivas instalações, em alguns casos, são outras. Tome-se como exemplo: Rio do Sul, criação em 10/10/1930; instalação em 15/04/1931. Recomenda-se que para mais informações se consulte os sites de cada município.
Em virtude de posteriores divisões territoriais por regiões do Estado e também em virtude da criação de áreas específicas, como o “Vale Europeu”, muitos indicam como sendo oriundos do município de Blumenau os municípios de Luiz Alves, Vidal Ramos, Ilhota e até mesmo Brusque, Guabiruba e Botuverá. Luis Alves originou-se de Itajaí; Vidal Ramos, de Brusque; Ilhota, de Itajaí; Brusque, de Itajaí; Guabiruba e Botuverá, de Brusque.
Mais dados sobre a perda de territórios:
Texto e pesquisas de Carlos Braga Mueller/Jornalista e escritor em Blumenau.
- Internet/Wikipédia - sites dos municípios relacionados neste artigo;
- José Ferreira da Silva, História de Blumenau, Editora Edeme, 1972;
- José Deeke, O Município de Blumenau e a História do seu Desenvolvimento, Editora Nova Letra, 1995 (mapa antigo de Blumenau).


Arquivo de Carlos Braga Mueller e Adalberto Day e  Claudia Siebert http://csiebert-arq.wix.com/csiebert

4 comentários:

Jairo disse...

Boa tarde, seu Adalberto.

Nem sonhava que Blumenau já "foi" até Curitibanos e tantas outras coisas que realmente nos dão muitas saudades e outras muitas preocupações sobre que futuro estamos construindo.

Abraço.
Jairo Santos

Nillton Sergio Zuqui disse...

Meu caro Adalberto,
Se não me falha a memória em outro texto no passado, já fora falado sobre os desmembramentos. Toda via não com tantas riquezas de detalhes,o que nos faz imaginar nunca ter visto antes tal texto. Fico muito feliz em ter estas informações, pois o que mais me chamou atenção foi os nomes que foram dados aos distritos que hoje são municípios.
Muito bom o texto, e os detalhes,parabéns.

sergio luiz buchmann disse...

Boa tarde! Ao ler todo o texto me veio a memoria lembranças de conversas com pessoas idosas,e que contavam a enormidade do território Blumenauense,que com o passar dos anos foram se dividindo! Territórios esse,q com suas divisões, foram ser tornando,novas Cidades,e por sinal lindas cidades. Todas elas seguindo as tradições de seus colonizadores: Alemães, Italianos, Polacos etc...Talvez na época os Blumenauenses ficaram indignados,com todas essas divisões,se pensar bem acho q foi melhor assim. Se não tivesse toda essa divisão territorial talvez nossos problemas seriam bem maiores, do q já enfrentamos nos dias de hoje.Uma da coisas q me deixa muito intrigado é que desde de a colonização, e fundação,sempre se enfrentava as grandes enchentes, e nunca abriram mão de fazerem as cidades próximas aos rios,e nunca pensaram em afastar um pouco deles.Já me fiz essa perguntas varias vezes,e fiz a mesma pergunta aos mais idosos,e sempre obtive a mesma resposta: O trafego pelos rios. E eu já penso,e sei das dificuldades da época,e muitas estradas já eram construídas o q poderia ter sido evitado muitos transtornos nos dias de hoje.Grande abraço meu amigo e professor Adalberto!

Theodor Darius disse...

“Muito bom Adalberto !
Matéria objetiva e esclarecedora sobre o que ocorreu com o território de Blumenau. É lógico, seria difícil administrar um território tão grande com as demandas atuais. Mas pessoalmente lamento pelas perdas próximas como Gaspar, Indaial e Pomerode. Se ainda fizessem parte teriamos um cidade mais forte no contexto estadual e até nacional, mais possibilidades, uma economia mais forte. Outras várias cidades como São Paulo e até nossa vizinha Joinville tem mais de 1.000km2 e conseguem se viabilizar. Resta-nos o consolo, já utilizado na época das perdas, de que todos estes municípios continuam - de certa forma - fazendo parte da "grande Blumenau". Os laços de estima, históricos e interativos permanecerão para sempre.
Um abraço, Theodor.”

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