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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

- Blumenau: o inicio, o meio e o fim, como será?


Em histórias de nosso cotidiano, apresentamos mais uma crônica  do amigo Flavio Monteiro de Mattos (foto), carioca de nascimento e BLUMENAUENSE POR OPÇÃO", contando um pouco de suas lembranças quando vinha do Rio de Janeiro visitar Blumenau, com sua família.

BLUMENAU. O ÍNÍCIO, O MEIO E O FIM, como será?
Desde que Adalberto Day divulgou em seu blog as lembranças das minhas estadas em Blumenau, creio haver mencionado mais de uma vez que tal ligação teve início lá pelos anos de 1930, quando tios-avós e um casal de filhos, todos cariocas, aportaram em Santa Catarina, inicialmente em Mafra e mais tarde, em Blumenau, onde ficaram raízes.
O Início
Minha mãe, dentre suas irmãs, era das visitantes mais assíduas e manteve com os primos “catarinenses” uma ligação fraternal que carregou por toda sua vida. Foi por seu intermédio que meu pai e eu desenvolvemos um vínculo especial com a cidade e sua gente e que perdura até hoje. 

Sentíamo-nos em casa e prova disso é que meu pai, bom de violão e   de copo, literalmente desaparecia tão logo chegávamos por conta das serenatas capitaneadas pelo Nagel Mello, isso quando não estava às voltas com as irresistíveis pescarias que o saudoso primo Zé Luis programava, ou ainda, era figura assídua nos incontáveis eventos de canários da terra que o “seu” Bitú promovia em sua residência? 
Eu também meio que desaparecia e sempre tinha muito para fazer. Ora eram as incontáveis as “peladas” disputadas na rua de terra ao lado da casa dos tios-avós e mais tarde, em um gramado que ficava nos fundos do campo do Olímpico, como também eram horas a fio em passeios de bicicleta pelas ruas da cidade, impecavelmente limpas e constatar que as casas não somente ainda estavam no mesmo lugar como também mantinham o hábito do cultivo de hortênsias, revelando nesses pequenos detalhes o capricho dos blumenauenses na preservação de sua cidade. 

O Meio
Anos depois e já maiorzinho, as blumenauenses eram o principal motivo das idas à cidade. E elas estavam por toda parte! 
Nas matinês do Cine Blumenau, nos bailes de Debutantes do Carlos Gomes, ou simplesmente pelas ruas da cidade.

São dessa época as lembranças do Cavalinho Branco e sua banda, do  Frohsinn , das escapadas à Itajaí para saborear um camarão frito recém tirado do mar; dos bailes do Caça e Tiro; das corridas de kart no Paraíso dos Pôneis; noitadas no Foca´s, do cronista social Carlinhos Muller, ou ainda nos Frohsinn´s motorizados pela Rua XV, cujo combustível o “seu” Fiuza, dono do posto de gasolina da Rua Sete com a Alameda, permitia que “pendurássemos” a conta da gasolina!
Seria um covarde se não arriscasse tentar morar nessa Blumenau e lá pelo meio dos anos 19(70), arrumei a trouxa e com a inestimável boa vontade dos parentes locais, instalei-me.

Mas infelizmente, a iniciativa não vingou e  retornei, ficando um longo período sem retornar por os pés em Blumenau, somente o fazendo ao término dos anos 90.

Aquela Blumenau da minha infância e adolescência, rendeu-se aos avanços do progresso aliado às covardes enchentes, levando de roldão o casario em estilo técnica eixaimel, os carros de mola, as mais conhecidas malharias do país, as lojas Moellmann e Kiekebusch, a rivalidade entre o Olímpico e Palmeiras, as vendinhas onde se saboreava o capilé, o calçamento de paralelepípedos, o Cavalinho Branco, Froshinn, a Hermes Macedo, a Casa Willy Sievert, o Baile de Debutantes do Carlos Gomes, a saída das alunas do Sagrada Família, os cines Bush e Blumenau, a Prainha, o Pfuetzenreiter, a Casa Royal, a TV Coligadas, a Tevelândia, a Rádio Blumenau, a coluna do Carlinhos Müller no JSC, ver a Vera Fischer como Miss Brasil e tantos outros, que somente permanecem vivos na lembrança dos mais antigos.

Com receio de também ser traído pela memória, redigi um longo texto para que meus descendentes conhecessem um pouco de uma época tão marcante na minha vida e à medida que o fazia era como revivesse o que um dia já fui.
Finda a tarefa e quando parecia não haver mais nada a acrescentar sobre minha ligação com Blumenau, quis o destino que encontrasse o Adalberto Day e, por seu intermédio e com a iniciativa escritora Urda Alice Klueger, ter minhas lembranças registradas no prestigioso Blumenau em Cadernos, que muito me honra. 
Novos textos vieram e também postados graças à gentileza do Adalberto Day.
Foi também em seu blog que tivemos a grata surpresa de descobrir que João Várzea, bisavô de minha mulher, comandou o vapor São Lourenço em suas primeiras viagens pelo Itajaí Açú, na ligação fluvial entre a capital          Desterro e Gaspar, isso lá pelas bandas de 1874.

A família sabia das andanças do comandante por conta do texto As Ondas, do renomado poeta e seu filho Virgílio Várzea, mas nos era desconhecido que seu pai houvesse navegado pelas águas blumenauenses!

Por tantas deferências, só tenho a agradecer todos àqueles com os quais tive o prazer em dividir tantos bons momentos.

Não menos feliz pela oportunidade de reencontrar pessoas e especialmente, agradecer pelos que leram meus textos e apostaram comentários.

É sincero meu reconhecimento à paciência dos parentes e amigos dos parentes por me aturam por tanto tempo, como também é o desejo de abraçar os amigos ainda virtuais, como manda a boa educação.

Danke, Adalberto Day!

Danke, Blumenau!

Flavio Monteiro de Mattos

Dezembro 2015

6 comentários:

Ivan disse...

Muito Dez Adalberto e Flavio Monteiro de Mattos, seu trabalho é digno de elogios. SE for de seu desejo vou tentar aprovar uma comenda p/ vc na Câmara ... Comendador Adalberto Day ... seria bem merecido.
Tudo de Bom.
Feliz Natal.
Naatz Ivan

sergio luiz buchmann disse...

Bom dia! Cine Blumenau,Carlos Gomes, Cavalinho Branco e sua banda, do Frohsinn,Moellmann e Kiekebusch, a rivalidade entre o Olímpico e Palmeiras,Willy Sievert,cines Bush e Blumenau, a Prainha, o Pfuetzenreiter, a Casa Royal, a TV Coligadas, a Tevelândia, a Rádio Blumenau, a coluna do Carlinhos Müller no JSC, ver a Vera Fischer como Miss Brasil. Tudo muito bem lembrado vivido,e curtido, meu Nobre amigo.Anos 70, 80,90 estão em nossas lembranças,os campinhos de terra,o Capilé Tudo muito maravilhoso nessa época, e muito,divertido bem lembrado pelo amigo.Hoje vivemos Uma outra Blumenau, não menos maravilhosa, com um progresso,q mudou para o bem, tbm o mau.Temos as maravilhas de sempre sem as lojas tradicionais e diversões, diversões da época.Só nem posso deixar de dizer que ainda vivemos na nossa linda loira Blumenau.Abraço!!!

Eduardo Machado disse...

Boas e inesquecíveis lembranças!

Nillton Sergio Zuqui disse...

Meu caro Adalberto
Texto impecável,um relato extremamente fantástico, me arrisco a completar dentro dos lugares(comércio) citados. Famosc,e Lojas HM,que certamente o nobre colega também vivenciou estes lugares,muito bom ler seu Blog.

Maria Lígia Luz Narciso disse...

Flavio, apesar de carioca, retrata muito bem a época de ouro da nossa Blumenau de antigamente: tão ingênua e romântica, sem os desafios atuais, como barulhos de trânsito ou de lindas casas sendo demolidas para darem lugar a grandes edifícios.Íamos à pé e sem a companhia dos pais para os colégios, sem maiores preocupações. Todos na redondeza se conheciam e se visitavam para o café da tarde com as tortas deliciosas que os alemães sempre foram mestres em fazer. O carro de mola era o nosso táxi para nos levar à estação de trem. As serenatas com as músicas inocentes da época, tipo "Gatinha Manhosa", inesquecíveis. As festas de 15 anos, com os casais circundando a aniversariante, todos portando vela acesa ao som da tradicional valsa.A missa das dez na Igreja Católica e posteriormente lanche na Confeitaria Toenjes e/ou footing pela rua XV. As trocas de gibis nas matinês, bons tempos. Parabéns ao autor e ao Adalberto por nos proporcionarem esta volta ao passado, de tão gratas lembranças! E um FELIZ NATAL a todos.

Calito disse...

"Quem já passou por essa vida e não viveu,
Pode ser mais mas sabe menos do que eu.
Porque a vida só se dá pra quem se deu,
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu...." Toquinho.

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