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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

- O Carrossel de Cavalinhos



BAÚ DA SAUDADE
Carlos Braga Mueller (foto)







O CARROSSEL DE CAVALINHOS DA FESTA DO DIVINO EM BLUMENAU 
Por Carlos Braga Mueller
Embora não acompanhe as tradições portuguesas que reverenciam o Divino Espírito Santo, Blumenau sempre teve, na Festa do Divino da Paróquia de São Paulo Apóstolo, um dos seus grandes eventos comemorativos. 
Lá pelos anos 50, 60, era considerada a maior festa do município, antes mesmo da Oktoberfest assenhorear-se deste título.

Dos meus tempos de infância e adolescência me vêm à lembrança momentos inesquecíveis da festa blumenauense do Divino. 
GANHE UM CANARINHO ... NA RODA DA FORTUNA
Um deles me remete à roda da fortuna, que girava de vez em quando com um prêmio muito especial: lindos canarinhos com gaiola e tudo. Aqueles pássaros possuíam uma cor amarela inconfundível,  que só perdia para a qualidade canora das avezinhas. Dizem que um dos frades franciscanos, um bem velhinho, incumbia-se de cuidar dos canários durante o ano todo, até que chegasse o dia da festa, quando eles estavam no “ponto”.
Pobres canários, enjaulados, sorteados e levados sabe Deus para onde ! 
O CARROSSEL
Outra atração da festa era o Carrossel, montado religiosamente uma semana antes.
Nos meus dez anos, eu frequentava catecismo da igreja matriz, era cruzado eucarístico e acompanhava, dia após dia, a montagem do carrossel e a colocação dos cavalinhos que faziam parte do brinquedo.
Quando o carrossel era acionado, os cavalos subiam e desciam, numa cavalgada de puro sonho para a criançada.
Era comum  um pequenino sentar-se na sela e rodar sendo segurado pela mãe.
DISNEY ENTRA NA RODA
foto - (atriz no cavalinho) - texto: Disney, interpretado pelo ator Tom Hanks, revela seu brinquedo favorito na Disneylândia: o carrossel.
No filme “Walt e os Bastidores de Mary Poppins” (Saving Mr. Banks), de 2013,  Walt Disney, protagonizado por Tom Hanks, tenta convencer  Pamela Lyndon Travers, ou P.L Travers como assinava nas historinhas de Mary Poppins, a vender-lhe os direitos desta personagem para realizar um filme musical .
Foram quase 20 anos de insistência do aclamado desenhista, até que Travers concordou.
O filme musical “Mary Poppins” foi realizado e lançado em 1964, constituindo-se em um dos maiores líderes de bilheteria do cinema, lembrado e assistido até hoje em DVD e Blu-Ray.
Em determinado momento do filme “Walt e os Bastidores de Mary Poppins” o criador do Mickey leva a autora para visitar a Disneylândia. E confessa que o seu brinquedo favorito é o Carrossel de Cavalinhos !!!
Os dois acabam entrando na roda, ela cavalgando o corcel de mentirinha, um enlevo que transporta a criadora de Mary Poppins a momentos de sua infância, nos braços do pai, cavalgando um portentoso cavalo branco pelas planícies australianas.

A preferência de um mago da diversão, como Disney, criador dos maiores parques temáticos do mundo, por um simples “carrossel de cavalinhos” é a prova evidente que todos nós, seres humanos, vivenciamos em nossas infâncias um momento inesquecível: o de cruzar com um carrossel de cavalinhos !
E onde eles ficaram ? Hoje em dia só se pensa em colocar nos parques brinquedos que mexam com a adrenalina.
Enquanto isso, a maioria dos carrosséis restaram apenas na lembrança. Como esta, que acabo de narrar.

Arquivo e texto de Carlos Braga Mueller/Jornalista e escritor. Antigamente em Blumenau. 

17 comentários:

Henry disse...

Bom dia.
Muito bom; também ganhei, canário e periquitos.
Henry G. Spring

Osmar Hinkeldey disse...

Boa tarde Adalberto

gostei da matéria do Braga; parece que ganhar uma gaiola com canário na roda da fortuna era uma tradição das festas de Igreja nos idos tempos; hoje não mais.
também muito interessante a história sobre o carrossel de cavalinhos com a Mary Poppins e Walt Disney.
Um feliz 2015 e que possas recuperar totalmente a tua saúde neste ano, na esperança da graça de Deus.
Grande Abraço.
Osmar

Urda disse...

Muito lindo, Adalberto. Parabéns ao Braga - apesar de eu ter ficado horrorizada com o caso dos canarinhos.
Lembro bem dessas festas. Meu pai dava um dinheiro a cada filha, para ir gastar na festa, e eu olhava tudo, observava tudo - e depois ia para a barraca de tortas, e gastava toda a minha grana em tortas, um pedaço depois do outro. Achava que aplicava meu dinheiro de melhor forma que os outros, hehe!
Abraço,
Urda A Klueger.

Adalberto Day disse...

Era cultura nos anos 50 até final de 70, depois foi mudando. Porém te digo esses canários só vivem em gaiolas e são gerados dentro de gaiolas, eles não sobrevivem na natureza aqui no Brasil.
Sr. Braga
A Festa do divino é "divina" quantas histórias das mais diversas festas de igreja. Sobre os canários eram originários O canário (Serinus canaria), também conhecido como canário-da-terra,canário-do-reino, ou, popularmente,canarinho é um pequeno pássaro canoro, membro da famíliaFringillidae. Este pássaro é originário dos Açores, da ilha da Madeira e das ilhas Canárias. O seu nome vem destas últimas, sendo que o nome das ilhas vem da palavra em latim canaria que significa "dos cães", já que os romanos encontraram ali muitos cães selvagens. O nome canário-do-reino foi dado em oposição ao canário-da-terra, pois os canários eram levados por piratas e navegadores como presentes aos reis europeus.
Parabéns
Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau

Nilton Sergio Zuqui disse...

Meu caro Adalberto,
Este texto me faz lembrar que, em uma desta festas do Divino não vou lembrar o ano, mas lembro que conheci o carrinho de choque, pois não tinha muita sorte com a roda da fortuna. Dinheiro oriundo das vendas de picolés , que gastávamos nestas festa que eram fantásticas, saudades.
Parabéns mais um excelente texto.

ARLETE TRENTINI DOS SANTOS disse...

As histórias de festas de igreja são parecidas. Aqui em Gaspar tanto nas festas da igreja Católica como na Luterana as rodas com os canários era a maior sensação.
Nós tivemos dois amigos criadores de canários .Eles mesmos se encarregavam de levar os pássaros que ficavam nas gaiolas penduradas por toda barraca.
Agora aqueles dois já estão em outra dimensão .e já não tem mais rodas de canários como naqueles tempos.
Muitas coisas vão fincando para sempre só nas lembranças.
Mas mesmo assim vale a pena relembrar.
Abraços gasparenses

Valdir Salvador disse...

Pois é amigos voces eu acho que não tem lembranças do passado pois,são igual a papagaios so sabem repetir digo se lembrar o que o outro falou, eu diria que lembro 1 a grande missa que era a atraçao do domingo,2 a grande banda ou orquestra como a militar 23 b.i. que animava a festa , 3 a famosa barraca da pescaria quem não queria pescar?,4 A famosa barraca do canarinho que na verdade era todo os passaros na gaiola eram femeas que o fornecedor vendia mais barrato para a festa, 5 era a barraca da Urda de doces e cucas com café,6 a barraca da Bramha que gentava os maridos e pais de familia por mais tempo na festa, e que não se lembra da barraca da canja de galinhas paras os de clase media e media baixa pois a atração era o belo filé duplo e suculento maravilhoso que era servido 8 era a grande barraca do bingo que mais arrecadava lucros, 9 a barraca das argolas, posso esquecer alguma? mas não vou esquecer que eu era a principal atração da festa, desculpe a modestia mas eu era o camelo la em baixo na entrada da festa que distraia a garotada com a venda dos balões a gas e simples enquanto os pais gastavam na festa para colaborar com o divino HaHaHaHa.Abraços a todos desculpe a brincadeira.Valdir Salvador.

Ivonete disse...

Ganhei uma gaiola com um canarinho, na roda da fortuna, em uma festa da Igreja Sto Antônio, no Garcia, há uns 30 anos. Fiquei maravilhada, pois nunca tinha sido sorteada. O número era 6. Nunca esqueci.
Ivonete Poerner

Airton disse...

"é pra cabá", na década de 50 e 60 tínhamos na região o canarinho da telha e canarinho do reino, o primeiro mais comum o segundo muito raro e cobiçado pelos amantes de animais presos. o meu vizinho mais próximo o Daniel Godri, andava para cima e para baixo exibindo seu troféu, um lindo e garboso canarinho do reino. Certo dia, passei em sua residência e ele chorava copiosamente, o dito canarinho havia sumido. Até a presente data não se sabe de que forma, várias eram as suspeitas, gato? gatuno? quem sabe o Dani esqueceu de trancar a portinhola....enfim....sumiu.....e o desconsolado Dani continua inconformado.....irton Gonçalves Ribeiro

Mary disse...

Lembro bem dessa época: meu pai adorava canários e os tinha em gaiolas, além de confeccionar as mesmas. Certa ocasião, "um gatuno", infelizmente conhecido nosso, furtou um "Azulão" pelo qual meu pai tinha imenso carinho. Através da ajuda de vizinhos, (morávamos na rua Cel. Feddersen) conseguimos identificar o "dito cujo" e recuperar o seu passarinho de estimação! Tínhamos "bico de lacre", um valiosíssimo "Curió", canários do reino, bem amarelinhos e periquitos. Naquela época, eu devia ter uns 10 anos, eu já era contra passarinhos engaiolados, mas fazer o que? Era um costume muito comum naquela época...Mary Reif Rosa

Adair disse...

Jamais gostei desse" passatempo" horrível e monstruoso que é criar passarinhos em gaiolas. Acho isso deplorável, passarinhos existem para viver soltos e voando por aí, nos alegrando com seus cantos e suas acrobacias. Nao consigo entender o prazer que muitas pessoas tem em manter esses seres vivos engaiolados desse jeito. Será que essa gente se sentiria bem se estivessem dentro de gaiolas ou jaulas? Certamente que nunca aceitariam viver presos, o ser humano preza a liberdade, mas ao mesmo tempo cultiva hábitos perversos assim. Nunca dei um centavo sequer para esse tipo deplorável de "passatempo". Tanta coisa boa e prazerosa pra se fazer na vida, e ficam contemplando e incentivando absurdos como esse.
Adair Dolzan

Mary disse...


jamais incentivei ou achei que fosse um passatempo prazeroso o fato de manter passarinhos em gaiolas. naquela época eu devia ter uns 10 anos, e eu já era contra passarinhos engaiolados, mas fazer o que? Era um costume muito comum naquela época...". Leiam o que escrevi acima Ou seja, apenas relatei um fato que aconteceu há quase 50 anos e era muito comum as pessoas terem passarinhos mantidos em gaiolas. Ninguém aqui está discutindo valores morais, apenas relatando histórias e costumes antigos de Blumenau, tão comuns naquela época. Apenas isso, nada mais. Espero que tenham entendido...
Mary Reif Rosa

Adair disse...

O comentário que fiz foi no sentido de apenas desaprovar esse tipo de hobby, passatempo ou seja lá o que for, que é criar passarinhos em gaiolas. Penso que este espaço destinado a tratar de assuntos relacionados a história de nossa cidade é sem dúvida, muito importante e interessante para todos nós. Como trata-se também (creio eu) de um espaço democrático e de livre pensamento, aproveitei para comentar sobre uma prática deplorável e que fez parte (infelizmente) da vida de algumas famílias por aqui. Apenas expressei o que penso sobre hábitos como esse, sem querer ofender ou levar para o lado pessoal, longe disso. Entendo o que a senhora disse e espero que eu seja entendido da mesma forma, ok? Um abraço. Adair Dolzan

Djalma disse...

Adair Dolzan e pessoal que participou desta postagem. Vamos deixar desta bobagem de achar isto ou aquilo. Esta postagem mostra apenas um habito que existia aqui na região até a alguns anos atrás. As gaiolas com canarinhos e periquitos eram um atrativo a parte das festas e "TODOS" tinham o prazer de participar. Não sejamos hipócritas. Apenas apreciemos o que já aconteceu na região e relembremos. Todos somos contra, apesar de algumas espécies só sobreviverem assim, como o canário em questão. Djalma Fontanella

Adair disse...

Djalma Fontanella, discordo de você quando diz que é uma bobagem o que falei ou o que penso, lamentável essa sua crítica ao meu comentário. Repetindo mais uma vez, acho esse hábito de criar passarinhos em gaiolas, um absurdo inexplicável e pronto. É minha opinião, e a ela tenho o sagrado direito de exercê-la onde bem entender e do jeito mais apropriado que convier. Essa atividade pode até fazer parte da vida e da história de algumas famílias por aí, mas isso de maneira nenhuma justifica essa abominável prática que jamais poderá considerar-se ecologicamente correta. Nao sei se existem leis que permitem manter pássaros engaiolados ou criados em cativeiro, mas se elas existem, paciência! Fazer o quê? Só nos resta protestar contra essa prática e jamais incentivá-la. Assim como condeno também a farra do boi, a puxada de cavalo, os animais aprisionados em circos e os rodeios. Eu não sou hipócrita como você mencionou logo acima, jamais pratiquei ou incentivei qualquer dessas infelizes atividades com animais que acabei de dizer. Se existem espécies que apenas vivem presas em gaiolas, foi porque o ser humano os condicionou dessa forma ao longo do tempo, todas elas viviam livres. Por outro lado, acho importante esse debate sobre assuntos que pareceriam insignificantes, mas na verdade tem uma importância bem maior, pelo menos pra mim. Um abraço a todos.
Adair Dolzan

Djalma disse...

Este assunto não é e nunca fui insignificante. Você é nascido numa época que este hábito já havia ou estava sendo encerrado, e não era um hábito de algumas pessoas ou famílias, e sim de varias regiões no BRASIL afora, assim como eram e ainda é as rinhas de galo ( esta sim uma pratica idiota). Agora parece que andaram trocando os galos por pessoas e mudaram o nome pra MMA, UFC, e dai todos aplaudem, acham bonito.
Djalma Fontanella

Adair disse...

Felizmente ou infelizmente, as polêmicas fazem parte do mundo civilizado e democrático, o que pode ser uma coisa bem saudável e necessária. Acredito que preservar a história de uma cidade passa também por reunir os prós e contras dos fatos, para entender melhor o nosso passado e construir um futuro melhor. Um abraço a todos.
Adair Dolzan

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