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quarta-feira, 4 de junho de 2014

- Fábrica de Chapéus Nelsa

Mais uma participação exclusiva do jornalista e escritor Carlos Braga Mueller que hoje nos faz um relato da antiga Fábrica de Chapéus Nelsa de Blumenau.
A Fábrica  de Chapéus Nelsa primórdios
Acervo de Carl Heinz Rothbarth 
Foto da fachada original da Fábrica de Chapéus Nelsa. 
Trabalhadores - Foto Patricia Schwanke
Trabalhadoras : Foto Patricia Schwanke


Por volta de 1924 os senhores Rudolfo Clasen e Hermann Weege fundaram um fábrica de chapéus em Blumenau.
Localizava-se na Rua São Paulo, próximo à Companhia Salinger, onde hoje se situa o campus 2 da FURB.
Para enfrentar o mercado, pois na época todos os homens usavam chapéu, foi contratado um chapeleiro formado, Rudolfo Leder, de nacionalidade polonesa, já então radicado no Brasil. Também entrou na sociedade o Sr. Olinger.
Desde aquela época os chapéus ali fabricados usavam a marca NELSA, que em pouco tempo tornou-se famosa, principalmente pela qualidade.
Em 1931 a fábrica mudou-se para prédio próprio, na Rua São Paulo nº 1.120 (em frente ao atual SENAI).
Nos primeiros anos, a equipe de empregados era pequena, mas esmerava-se em confeccionar os produtos que dali eram despachados para lojas de todo o Brasil.
Com o tempo foram feitas aquisições de máquinas modernas, porque além dos chapéus a linha de produção incluía boinas e ombreiras de lã.
AHJFS - Arquivo Histórico José Ferreira da Silva
Nos anos 60 a fábrica cerrou suas portas: o chapéu tinha saído de moda.
O prédio, de linhas imponentes, foi vendido e ali funcionaram durante décadas a redação e as oficinas do Jornal de Santa Catarina. Hoje (2014) o local abriga um centro comercial e a fachada mantém as características originais.
Recentemente, o Mercado Livre colocou a venda, na internet, um chapéu bem conservado fabricado pela Nelsa, ao preço de R$ 800,00. Acompanha a peça a embalagem original, caixa de papelão redonda, com a marca Nelsa estampada em suas faces.
Contribuição Carlos Braga Mueller, jornalista e escritor em Blumenau).
Fontes: Arquivo Histórico de Blumenau, site produto:
www.mercadolivre.com.br e arquivo pessoal do autor. 


ADENDO:
POR QUE A MARCA CHAMAVA-SE "NELSA" ?
Wieland Lieckfeld colocou uma questão interessante: de onde teria surgido o nome NELSA ?
Pesquisando encontramos o que segue:
Como vimos na matéria "Fábrica de Chapéus Nelsa", havia sido contratado para os trabalhos iniciais da fábrica o chapeleiro formado, Sr. Rudolf Leder, polonês radicado no Brasil. Também havia entrado na sociedade um senhor de sobrenome Olinger.
Segundo informações verbais de blumenauenses mais idosos, a marca NELSA teve a seguinte origem:
"N", inicial de Ninete, filha do sócio Olinger; "ELSA", nome da filha mais nova de Rudolf Leder.

Greve em Blumenau.
O site  campeche.inf.furb.br na área de história de Blumenau cita o seguinte:
"Outra greve motivada por recuperação salarial, que foi considerada ilegal e duramente reprimida pelas forças policiais, ocorreu em fevereiro de 1950......
....os então operários da Indústria Garcia, Cremer, Fábrica de Chapéus Nelsa e Agotex pararam durante 29 dias."
Reunidos nos portões da Empresa Industrial Garcia,  os grevistas foram dispersados pela força policial que usou bombas de gás lacrimogêneo, ao mesmo tempo em que dispararam tiros de metralhadora e fuzis para o ar.
Não conseguiram, porém, abrir os portões pois a eles os operários se agarravam desesperadamente. Diante disso, os mantenedores da ordem pularam os muros e tomaram conta da fábrica, enquanto os portões continuavam em poder dos grevistas. 
Adendo:
Adendo:
MRoeck Röck O nome "NELSA" pode ter a origem de "N", inicial de Ninete, filha do sócio Olinger e "ELSA", nome da filha mais nova de Rudolf Leder, conforme relata o jornalista e escritor Sr. Carlos Braga Mueller em publicação de 04/07/14 - Fábrica de Chapéus Nelsa no blog do Sr. Adalberto Day.

Acredito que: "NELSA" já era utilizado como endereço telegráfico por Clasen & Weege - Fábrica de Chapéus desde o início da fundação em 1925.
É certo que, quando Rudolf Leder e Leopoldo Olinger assumiram a fábrica, o produto fabricado recebeu o nome de Nelsa.
O nome da empresa passou então para "Leder & Olinger.
Com a entrada do sócio, Sr. Kurt Lischke e a retirada de Olinger, passa a denominar-se "Leder & Lischke" (propaganda de 1936, acervo de Ellen Vollmer).
Em janeiro de 1940 foi transformada em sociedade anônima, sob a denominação de "Fábrica de Chapéus Nelsa S.A.", sendo a diretoria composta dos seguintes:
Sr. Kurt Lischke - Diretor-presidente (antigo sócio)
Sr. Herich Herrmann - Diretor-gerente (guarda-livros da firma desde maio de 1930)
Sr. Rudolfo Leder - Diretor-técnico (antigo sócio).
Em 1944 assume o Sr. Francisco Weber como Diretor-presidente.
Mesmo com as dificuldades que se apresentavam em 1944 (2ª guerra mundial) trabalhava com cerca de 60 empregados. Destes diversos tinham 15, 14 e 12 anos de serviço na firma e grande parte com mais de 7 anos.
Os produtos fabricados eram, chapéus de feltro, chapéus de lã, carapuças para chapéus de senhoras, boinas e ombreiras.
 

13 comentários:

zepfau@pfau.com.br disse...

Mais uma contribuição de qualidade do amigo Braga. Essas histórias registram parte de um periodo que fez da região uma referencia em produtos. Parabéns para o seu blog Adalberto.
Um abraço
José Geraldo Reis Pfau
Publicitário em Blumenau.

Valdir Salvador. disse...

Alo amigo Beto,foi muito bem lembrado esta oportunidade de trazer atona a lembrança da famosa fabrica de chapéu Nelsa, isto éra a prova de como os homens eram vaidosos,usandos os mais bonitos e confortaveis chapéus,e tambem presevavam o derreito de mostrar quanto eram educados na tentativa de se mostrar e paquerar as mocinhas ao passar poder se curvar e tirar o chapéu para conprimenta-las, era lindo de ver .parabens amigo Braga Muiller abraços . Valdir Salvador..

Dr. José Victor Iten disse...

Esta fábrica foi referencia em qualidade na fabricação de chapéus.
Lembro do Luiz Alberto Fidler, bisavô dos meus filhos, que foi fundador das malhas Lion, ter relatado que trabalhou nesta fábrica.
E o local exato de onde estava a fábrica é onde era o Jornal de Santa Catarina.
Obrigado Carlos Braga Muller e a você Adalberto Day por nos brindar com estes relatos brilhantes.
Abraços e saúde a todos.

Silvio Kohler disse...

Parabens Adalberto e seus pares. Maravilhoso post sobre nossa história.
Abraço do Silvio Kohler

Dagma disse...

Lembro desta caixa em casa de meus pais, pois ele usava chapéu desta fábrica.
Dagma Steinmann

Waldir disse...

Eu me lembro bem dos chapéus Nelsa ali na rua são paulo
Waldir Mafra

Adela disse...

Essa marca de chapéu era muito conhecida meu pai só usava ,e no comércio só marca NELSA.
Adela Keunecke Klitzke

Arno José Schmitt Junior disse...

Muito legal a matéria Beto. Não tinha conhecimento dessa fábrica em Blumenau.
Abraços,
Arno

Wieland Lickfeld disse...

Parabéns ao colega Braga Müller, Adalberto, pelo importante registro sobre a extinta Fábrica de Chapéus Nelsa. Impressionante, o padrão de acabamento desta relíquia que foi preservada, da empresa que desapareceu há cerca de 50 anos. Há algum tempo perguntei à Sra. Ellen Weege Vollmer se ela sabia o significado do nome 'Nelsa'. Comentou que acreditava que se tratava de alguma junção de sílabas de nomes, mas não recordava a origem. Porventura o Braga Müller sabe algo a respeito? Grande abraço!

Antunes disse...

Adalberto
Interessante matéria caro Adalberto.
É versátil nosso querido amigo Carlos Braga Mueler.
Abraço,
Antunes Severo

Jorge disse...

Dileto Amigo e Mestre,

nasci em uma casa que ficava em frente a fabrica que pertencia ao meu padrinha Bernardo Ziebarth. Ótima matéria.

Forte abraço

Jorge Alfredo Holetz

Santos disse...

É caro amigo Beto. Essa fábrica foi fundada quando eu nasci. Só que não durou tanto. A moda do chapeu caiu e assim, essa teve que fechar as portas e, consequentemente, muita gente ficou desempregada, como aconteceu com outras fábricas de nossa cidade, como a Sul Fabril e outras, que já tiveram o seu tempo. São saudosas lembranças , pois, eu conhecia todos os seus dirigentes, e foram nossos clientes no Banco do Brasil. Valeu amigo Beto.
Eutraclínio A. dos Santos

Luciene disse...

Bom dia, senhor Adalberto,

Descobri seu blog pelo Facebook e fiquei muito contente por ter uma fonte de pesquisas tão interessante.
Já percebi que terei muitas coisas para ler e que poderei talvez inclusive reaprender a história da minha tão querida Blumenau.
Parabéns pelo belo trabalho!

Cordiais saudações do sul da Alemanha,

Luciene Maria Carvalho-Fuchs

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