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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

- As Salas de Cinema

RELEMBRANDO A ERA DAS GRANDES SALAS DE CINEMA  - MOMENTOS INESQUECÍVEIS 

Por Carlos Braga Mueller/escritor e jornalista em Blumenau

Nunca é demais recordar o importante papel das duas principais salas de cinema, Cines Busch e Blumenau, para a diversão dos  blumenauenses durante oito décadas..
Depois de usar o Salão Holetz durante mais de 35 anos  para suas exibições cinematográficas, o Cine Busch resolveu construir um prédio próprio, o que aconteceu em 1940, quando foi inaugurado o então novo Cine Busch (bem ao lado do Salão Holetz). Suas linhas "art dèco" chamam a atenção até hoje, embora o cinema já tenha sido desativado e o prédio reformado, guardando a característica quase original da  fachada.
Onze anos depois - 1951 - era registrada a inauguração do Cine Blumenau, que veio para concorrer com o Busch, e assim durou até que alguns anos depois os dois foram incorporados por uma empresa da capital, os Estabelecimentos José Daux, que mantinham o monopólio de quase todos os cinemas de Florianópolis
Durante 4 décadas o Cine Busch reinou absoluto em Blumenau, como o único cinema do centro da cidade.
Existiram, a partir da década de 40, os cinemas de bairro: o Cine Garcia, na Rua Amazonas, e o Cine Mogk na Itoupava Norte.Mais tarde viriam o Atlas na Vila Nova.
Mas na área central o Busch era o único.
Até que em 1951, por iniciativa de Antônio Cândido de Figueiredo, foi inaugurado o Cine Blumenau.
Quase 1.300 lugares, distribuídos na platéia e balcão, davam ao novo cinema a dimensão que tinham que ter os cinemas da época: grandes e com telas gigantes !

A INAUGURAÇÃO 
Depois de pronto o prédio, especialmente construído para abrigar o cinema, foi marcada a data da inauguração:  28 de julho de 1951, uma sexta-feira.
Filme de estréia: uma super produção romântica de capa e espada:"As Aventuras de Don Juan" (The Adventures of Don Juan), com Errol Flynn no papel do herói, e mais Viveca Lindfors, Robert Douglas, Alan Hale, Ann Rutherford e outros, com direção de Vincent Shermann.

A comunidade blumenauense atendeu em massa o convite para prestigiar a primeira sessão do Cine Blumenau, conforme ficou registrado em foto histórica, cujo original faz parte do Arquivo de Blumenau.
Os ternos, gravatas,  vestidos da moda, deixaram os armários e todos se vestiram a rigor para assistir As Aventuras de Don Juan.
Antônio Cândido de Figueiredo, o proprietário, e seu filho Caetano, recepcionavam as autoridades, convidados especiais e amigos na ampla sala de espera.

Quando todos estavam em seus lugares, cinema lotado, o gongo soou e as luzes apagaram. Apenas permaneceram acesas as luzes-guia, amarelas e vermelhas.
Na grande tela, logo após a exibição de um jornal cinematográfico e trailers, foi projetada a logomarca da Warner Bros, anunciando o filme em cartaz.
Até então, o Cine Busch tinha a exclusividade de exibir os filmes de todas as companhias cinematográficas; com a chegada de um novo cinema cada empresa ficou com determinadas companhias. Coube ao Cine Blumenau exibir os filmes da Warner Brothers em nossa cidade.

AS EMOÇÕES VIVIDAS COM O PRIMEIRO FILME 
Após uma decepção amorosa na Inglaterra, Don Juan (Errol Flynn) é chamado de volta à Espanha para ser o instrutor de esgrima da academia real.
Ao chegar, Juan encontra a bela Rainha Margareth (Viveca Lindfors) e o rei Phillip III, este manipulado pelo perverso Duque Le Lorca.
Le Lorca planeja utilizar quase todas as reservas do país para aumentar as tropas militares, mas a rainha abre os olhos de Phillip e o convence de que o povo precisa mais dos recursos do que o exército.
Para continuar com seu plano, Le Lorca precisa dar um fim em Margareth e então planeja um atentado contra ela.
Fazendo o que sabe de melhor, conquistar as mulheres, Don Juan toma conhecimento dos planos de Le Lorca e junto com seus leais aprendizes de esgrima ergue sua espada e trava uma batalha contra os traidores a fim de salvar a amada rainha das garras da morte. 
O filme tinha 110 minutos de duração, quase duas horas, que passaram sem que os espectadores ficassem entediados, porque  todos divertiram-se muito com as peripécias de Errol Flynn, então um dos maiores astros de Hollywwod. 
Na saída, os cumprimentos que a família Figueiredo recebeu comprovaram a satisfação dos blumenauenses, que agora tinham mais um cinema na cidade, e este era maior e mais moderno que o Busch.

FATOS CURIOSOS 
A TELA DO CINEMASCOPE EXIGIU REFORMAS 
Quando em 1955 foi anunciada em Blumenau a novidade do Cinemascope, com "som estereofônico", todo mundo ficou curioso.
O Cinemascope deixava de lado as telas quadradas e abria o panorama para ambos os lados, constituindo-se em uma tela retangular ... e enorme.
A tela comum do Cine Blumenau, onde a novidade seria instalada, já era grande. E iria ficar maior ainda.
O palco do cinema era ornado com duas belas colunas gregas, uma em cada lado.
Para proporcionar a tela cinemascope as colunas foram retiradas.
E assim, Blumenau teve acesso às projeções de filmes através das "lentes anamórficas", que abriam a imagem para os lados e deixavam todos encantados com uma bela visão de atores e cenários mais amplos.
A estréia do Cinemascope  em nossa cidade deu-se com bastante propaganda pelo rádio e jornais.
No dia 5 de agosto de 1955 foi exibido o primeiro filme pela nova técnica: Caminhos Sem Volta, um emocionante drama sobre corridas de carros, o que seria hoje a Fórmula 1. 

OS BICICLETÁRIOS  
Naqueles tempos era grande o número de pessoas que andavam de bicicleta em Blumenau.
Além de usarem este veículo para ir ao trabalho, era na bicicleta, também, que iam ao cinema.
Por isso, o Cine Blumenau não se descuidou e montou, na lateral do prédio, um grande "bicicletário". Eram dezenas de encaixes para a roda dianteira da bicicleta. Ali o veículo ficava guardado em segurança até o final da sessão, sob os olhos vigilantes de um jovem, o Bubi, que se tornou figura muito conhecida na época.
Já o Cine Busch tinha no porão um local para se guardar as bicicletas.

CORRIDA PARA NÃO PERDER O ÔNIBUS 
Um problema sério enfrentado por aqueles que iam ao cinema antigamente era quando o filme ultrapassava o tempo normal, geralmente de uma hora e meia.
Se a sessão passasse das 10 da noite, e você não tivesse carro, moto ou bicicleta, perdia o último ônibus para os bairros.
Era muito comum ao final da sessão, mesmo antes da palavra FIM aparecer na tela, o público levantar-se e ir saindo do cinema,  para não perder o ônibus.
Alguns até sacrificavam o final do filme e saíam correndo ... pescoços voltados para trás ..os que moravam nas Itoupava e na Velha  atravessavam a Rua 15 de Novembro para acessar o ponto de ônibus que ficava um pouco antes da Casa Willy Sievert . Para quem ia ao Garcia, era mais fácil: o ponto ficava em frente ao cinema. A Rua 15 tinha duas mãos de direção, subia e descia...

A ENCHENTE ACABOU COM O CINE BLUMENAU 
Na enchente de 1983, contrariando todas as expectativas de nível do Rio Itajaí-Açu (mais de 15 metros acima do normal), o cinema foi invadido pelas águas. Poltronas encharcadas, piso solto, situação de desespero da comunidade foram motivos suficientes para os donos do prédio acharem outro destino para ele: seria ocupado durante alguns anos  pelas Lojas Americanas e atualmente abriga uma loja do Magazine Luiza (2013).
Arquivo de Adalberto Day/ e fotos reprodução.  

11 comentários:

Valdir Appel disse...

Que aula de conhecimento. Brilhante, Carlos. Parabéns, Beto por mais este post, abração

Wieland Lickfeld disse...

Grato, Braga Müller e Adalberto, pelo belo texto sobre os nosso cinemas. Minha primeira ida ao cinema foi para assistir Flipper, no Cine Blumenau. Quem me levou foi minha querida avó materna, falecida em 1996, Albertina Prochnow. Lembro da satisfação que dava comprar uma espécie de bala ou pastilha, a qual creio que chamávamos de Drops de Limão. É muito bom recordar coisas boas vividas na infância. Grande abraço aos dois!

Sidnei Moisés Dalfovo disse...

Adalberto!
Realmente emocionante reviver estes tempos, levávamos gibis para trocar (Mandrake, Zorro, Fantasma). Tinha também o pipoqueiro ao lado do Cine Blumenau, com as pipocas brancas, saltando no visor. Guardávamos as bicicletas na lateral (onde tinha uma porta de saída).
No cine Buch, aquele porão das bicicletas era "sinistro". Barro batido, escuro, dava medo na piazada. Lá tb também guardavam os cartazes enormes dos filmes, pintados à mão (quem será que era o artista ?).
Quanto aos ônibus, lembro que os motoristas ganhavam entrada "permanentes", para assistirem o filme até o fim e não deixarem o pessoal pé...

Flavio Monteiro de Mattos disse...

Parabéns novamente ao Amigo Adalberto e o Carlos Braga Muller pela ilustrativa crônica dos cinemas de Blumenau, que tive a oportunidade de conhecer e frequentar, mesmo que nessas épocas fosse apenas carioca. Triste saber o fim do Cine Blumenau e surpreso também com a informação sobre o nível que atingiu a enchente que o destruiu. Boas lembranças, as águas levaram, mas que as palavras do cronista fizeram retornar.

Nilton S. Zuqui disse...

Adalberto, como é bom relembrar estas historias, pois eu tive o prazer de assistir filmes nos cine Buch , aquela da Itoupava Norte(MOC)era este o nome se não me engano, e o nosso saudoso Cine Garcia, naquele da Itoupava jogávamos quilica das ultimas fileiras para ouvir o barulho degrau abaixo kkkkk....Era muito divertido, parabéns pelo texto..

Alexandre disse...

Adalberto e Braga Mais um excelente resgate histórico, parabéns Mestre. Tenha uma boa semana. Saúde.
Alexandre Farias ‏

Marcos disse...

Adalberto - poxa ,lembrei do cine Busch ,que saudades
MARCOS R CONINCK

Osmar Hinkeldey disse...

Boa tarde Adalberto

bela matéria do Braga.
saudades dos tempos em que assistia filmes nestes cinemas.

abraço

Kurt disse...

Olá Adalberto. Muito interessante a matéria sobre os cinemas de Blumenau. Frequentei muito o Cine Mock, principalmente para trocar os gibis. Tens alguma matéria sobre o "Cine Bar", ao lado do Cine Blumenau?. Abraços. kurt igor kleine

Sérgio de Oliveira disse...

Seu Adalberto,

Trabalhei por 3 anos com a filha do Sr. Holetz e ela contava as histórias do pai, que como o senhor, sempre foi procurado por muitos políticos, mas também nunca teve a sinalização de uma possível construção de um acervo para manter viva a história da comunicação da cidade.
Mas vou pensar em algo e vou cutucar as pessoas para ver se algo acontece nessa cidade.

Abraços,

Sérgio

Anônimo disse...

Muito Bem Bem Bem,como vai o amigo e falmilia ?,tudo muito lindo falouse em Cine Blumenau, Café ao lado Do Cinema, garagem de bicicletas, com a figura maravilhosa que todos adoravam do Bubi, o Pipoqueiro que morava na rua Ararangua,lembra tambem do ponto de taxi ao la do pipoqueiro que eram umas figuras peraltas, do Bar em frente do famoso Bemtim que faz parte da historia de Blum enau ,vamos ao Cine Buch, o famoso porteiro da parte alta chamada como Balcâo o velho Pedro como todos chamavan,a meu Deus que saudades nosso amigo policial Lavino que mantinha a ordem no balcão como nos o incomodava coitado que Deus o tenha, outro que tambem ficou na historia foi o famoso e Holetz que muita alegria nos presenteou, quanto aos vendedores e trocadores de gibys so tenho a dizer que na Ponta Aguda em meu antiquario posso servi-los com muitas espécies como Tarzan, Zorro, Cavaleiro Negro et etc etc etc etc etc abraços atodos com um Feliz Natal. Valdir Salvador

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