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terça-feira, 9 de novembro de 2010

- Do "12" ao Amazonas

A esquerda "12" e direita Estádio do Amazonas sendo aterrado
Quando garoto, a alegria tomava conta de nossa gente, nos idos anos de 1960 em diante. Estudar, se divertir e com uma boa educação sendo preparado para o futuro, sem vícios, sem drogas, bons exemplos fizeram parte de nossa vivencia, tanto as meninas como os meninos.
Nós os meninos, a alegria era geral, jogar bola no "12" ou Morro e no Amazonas. Também íamos no pasto do Sr. Rulenski e no pasto do senhor Souza, no Brasileirinho. Ir assistir um filme no Cine Garcia, no salão do Amazonas, banhar-se no Tapume do Garcia.
Mas meu relato hoje é sobre o "12" e o Amazonas. 
Obs.:  O "12" existiu devido a retirada do barro para a aterrar a antiga Praça Getúlio Vargas em 1954. 
O Cantinho da Saudade
O campo do “12” ou Morro Foto Sábado à tarde, domingo pela manhã sol ou chuva, “vamos ao majestoso¹”  estádio dos eucaliptos o clube “12”, para mais um jogo.Geralmente tínhamos que erguer novas traves, pois o Sr. Hipólito tinha recolhido para queimar em seu fogão a lenha. O pequeno campo do “12” ou Morro se localizava na rua Almirante Saldanha da Gama bairro Glória, próximo às empresas Garcia e Artex em Blumenau.  Tinha este nome de Doze , devido aos moradores da rua 12 de Outubro, hoje Praça Getúlio Vargas e Terminal Garcia.
Muitos craques se revelaram nesse pequeno campo, e foram jogar em equipes como Amazonas, Palmeiras, Olímpico e tantos outros. Suas dimensões não ultrapassavam 60x30, mais barro que grama, e foi palco de diversos jogos valendo uma “garrafa de capilé” (troféu da época). Quem teve oportunidade de conhecer esse pequeno espaço de propriedade da Empresa Industrial Garcia, com funcionamento, a partir de 1954 até 1979, jamais esquecerá, pois irá recordar de um gol (“eu fiz alguns de cabeça²”), de machucar o pé ou o dedo no solo irregular, (era comum o atleta atuar descalço). O Nino Valênçio, disse que fez cinco só em um jogo, será? Depois se tornou um dos melhores goleiros da história do Amazonas. Nesse dia o Ziza foi o goleiro, o Dinho, Luizinho, Cau, Egon, Dico, Aurélio, Fininho, Walfrido, Jonas Husadel,Ride, Valter Hiebert , Celesio Berns,Valmor, Edson e o Dedé também jogaram. Essa era a velha guarda, na nova geração até seu final, atuaram os Oliveiras, que só eles davam um time, os Vieira, Massaneiros, Malheiros, Silvas e Fontanelas, os Siegels (Nenê,Ticanca e Bigo), os Cavacos, Oechsler, Day, Moritz, os Galassini (Zinho e Tide) os Izidoros, os Zuchi, Huzadel, os Souza , os Schnaider, e tantos outros. Até você que está lendo este artigo agora, deve ter feito um gol, ou então sabe de um amigo ou parente que diz ter feito pelo menos um. Embora ninguém acredite até o Álvaro Luiz dos Santos (Toureiro) diz ter marcado um. Antes do jogo, o aquecimento era o famoso controle, só valia gol de cabeça. O Silvio Roberto de Oliveira , O Nilton das Silva eram bons também na cabeça e controle.
¹ majestoso, só os eucaliptos.
² de cabeça, Beto Day

Amazonas Esporte Clube
O Amazonas EC, foi fundado em 19 de setembro de 1919 mas que de fato era muito mais antigo porque existia desde 1911, muito conhecido pelo nome de "Jogadores do Garcia".
O clube Alvi – Celeste - ou anilado como era conhecido o Amazonas, fundado por empregados da Empresa Industrial Garcia , já praticavam o futebol desde o inicio do século XX, era o time proletário do bairro Garcia, teve como primeiro estádio por alguns meses, onde hoje é o batalhão do exercito. Depois se transferiu para as proximidades da Rua Ipiranga (conhecida como Rua Mirador), por quase cinco anos, posteriormente por alguns meses, na rua Progresso próximo a Artex, onde existia um bar conhecido como Bar do Iko, e, finalmente, em 1926, mudou-se para o definitivo local, próximo a Empresa Garcia, até ser aterrado pela Artex, em 1974.
O nome da praça de esportes Amazonense, se chamava Estádio da Empresa Industrial Garcia, o mais belo de Santa Catarina até então.
Relembro com muita tristeza a enxurrada de 31 de outubro de 1961, que destruiu totalmente toda praça esportiva, inclusive o salão, e ali foram encontradas três vitimas fatais presas ao alambrado. O reduto Amazonense ficou em ruínas, tal a violência da água que transbordou do curso normal do ribeirão Garcia, para causar destruição geral e deixar um rastro de calamidade. O gramado praticamente sumiu, tal o acumulo de areia, pedras, lama, árvores, móveis, balcão frigorífico, material esportivo, troféus, tudo ficou inutilizado.
Neste período de recuperação do estádio, que se tornou mais bonito, sediando até competições dos primeiros jogos abertos em Blumenau em 1962, o Amazonas treinava num estádio construído provisoriamente próximo de onde hoje é a praça Getulio Vargas Nos jogos oficiais, o mando de campo era no estádio do Palmeiras E.C, O Estádio foi reinaugurado em 23 de setembro de 1962, com a realização de um jogo amistoso entre o Amazonas e o Marcilo Dias, com a praça esportiva completamente tomada pelos torcedores, mas o placar foi desastroso para o Azulão que após fazer um bom primeiro tempo, perde por 6x2 na fase derradeira. Mas nada que ofuscasse o brilho das festividades, em seu magnífico estádio.
Quantos jogos memoráveis, que os torcedores Amazonenses presenciaram durante muito tempo. Ver os gols do grande Nena Poli, Leopoldo Cirilo, as defesas de Rudolf Rosumek , do Antonio Tillmann, do Nino do Ziza, Valdir, Deusdith, Gaspar, a zaga firme Oscarito, Tenório,Osny, Cilinho Corsini, Eloy, Vilmar Heiden (que jogou na meia esquerda,ponta), Elizeu,Nicassio muita classe e o Malheirinho talentoso, os chutes fortes do Chico Siegel, Ivo Mass, Tarcisio Torres, e os pênaltis cobrados pelo Gepe ...que categoria! O Arlindo Eing, Rizada, enfim, tantos que fizeram a glória do Amazonas. "Dizem os mais idosos, que jogou por aqui algumas partidas, o jogador Patesko, jogador do Botafogo do R.J., que também jogou na Seleção Brasileira”.
Como esquecer os gols de bicicleta do Filipinho, e aquele gol de calcanhar que o Dico fez contra o Palmeiras, as arrancadas fulminantes do Meyer, que quase sempre se transformava em gols, o Celinho, Duflis artilheiros natos, Nilson (Bigo) – maior artilheiro da história do clube) era zagueiro, fazia tantos gols que foi jogar de centro avante assim como tantos outros artilheiros que passaram pelo Amazonas.
O principio do fim Foi em 26 de maio de 1974, um domingo bonito com sol, mas sombrio pela circunstância, que o Amazonas se despediu para sempre do seu magnífico estádio, uma baixada que foi impiedosamente aterrada, pela Artex, em trabalhos de terraplanagem executado por duas possantes maquinas da Construtora Triângulo, o Amazonas vence o Tupi de Gaspar por 3x1, com 2 gols de Bigo e um de Tarcisio Torres, pelo campeonato Taça Governador Colombo Machado Salles.
Os últimos jogadores a pisar o gramado do majestoso estádio da Empresa Industrial Garcia, foram: Gaspar, Girão, Eloi,(depois Luiz), Nena e Adir, Nelsinho e Cavaco, Werninha (depois Poroca),Nilson (Bigo), Tarcisio e Ademir.
As comemorações juninas e natalinas, como também dia do trabalhador, dia da criança, patrocinadas pela diretoria do Amazonas e da Empresa, estando à frente da organização, o inesquecível Jose Pera, e em novembro de 1968, as comemorações do Centenário da Empresa Industrial Garcia S/A, foram acontecimentos que marcaram época.
Autor -Adalberto Day – Cientista Social  e Pesquisador  da História.
Arquivo de Giovani Luebke/Adalberto Day

6 comentários:

Adilson Siegel disse...

Meu Caro Adalberto,

Saudades, saudades e mais saudades, tanto do 12 onde iniciei meus primeiros chutes e principalmente do Amazonas Esporte Clube onde todos da minha família tiveram a honra e a alegrir de vestir o manto sagrado anilado.

Tempos que mesmo o tempo é incapaz de nos fazer esquecer as emoções vivenciadas.

Ao ler a matéria, triste é perceber que muitos nomes citados já não mais nos dão a felicidade do convívio mas certamente onde estão devem estar relembrando momentos mágicos vividos no 12 e no Amazonas.

Abraços,
Adilson Siegel (Ticanca)

Karol disse...

Prezado Adalberto, obrigada por dividir a história, cultural e esportiva da região, bem como resgatar momentos mágicos do Amazonas.
Karol Meyer

Paulo Roberto Bornhofen disse...

Adalberto,

Interessante notar como a tragédia das águas vem forjando a história da nossa Blumenau.

Abraços,

Paulo R. Bornhofen

OSMAR HINKELDEY disse...

Prezado Adalberto

Como é importante resgatar o passado, pois o povo que não conhece o seu passado, não consegue projetar o seu futuro.
Que bela foto esta do campo do Amazonas Esporte Clube. Traz lembranças da infância, porque algumas vezes estive ali nas festas que eram feitas, tudo muito legal.
Abraço

Cao Zone disse...

Prezado Adalberto, minha visão de Blumenau está mudando, não é só o centro, são também os bairros. E onde viveram pessoas, as recordações ficaram. Não pude deixar de me comover com sua referência à garrafa de capilé. Um sonho anterior a Coca-Cola. E aqui vai uma dica de pauta: empresas de fabricação de bebidas. A "antiga" Blumenau deveria estar cheia delas. Alguém se habilita a escrever? Abraços. Cao

Valdir Appel disse...

Beto,
Estes relatos da nossa juventude são nostálgicos e fazem um bem danado pro coração.
Belas reminiscencias meu caro,
abraço

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