"A Educação é a base de tudo, e a Cultura é a base da Educação"

Seja Bem-Vindo e faça uma boa pesquisa!

terça-feira, 6 de julho de 2010

- Tabajara Tênis Clube

Tabajara Tênis Clube de Blumenau
Fundado em 01/dezembro/1859, com nome de “Schützengesellschaft Blumenau” que significa: “Sociedade de Atiradores de Blumenau”, tendo sido o primeiro Clube de Tiro do Estado de Santa Catarina.
Localiza-se em terreno doado pelo próprio Dr. Hermann Blumenau, fundador da cidade.
Telefone: (47) 3221-2600 (47) 3340-6998
Rua Alwin Schrader, 415 - Centro - Blumenau - SC - CEP: 89015-000
____________________________
Livro “Uma Taba Para Todos”, escrito pela historiadora Bettina Stingelin, traz uma pesquisa sobre toda a história do clube, desde os primórdios, na época da Sociedade de Atiradores, até os dias de hoje. O título com a palavra “taba” remete à “aldeia de índios” e também ao nome indígena adotado pelo clube depois da Segunda Guerra, Tabajara.
Sócios fundadores:
• » Carl Wilhelm Friedenreich
• » Heinrich Pettermann
• » Jacob Louis Zimermann
• » Jayme Dittmar
• » Rudolph Oswlad Hesse
• » Victor Gärtner
• » Victor von Gilsa
____________________________________________
Adendo de Niels Deeke/memorialista em Blumenau/SC
Casa dos atiradores em 1870
TABAJARA TÊNIS CLUBE - O Rescaldo de uma Ruína - Recordações de Niels Deeke. Excerto extraído de suas memórias consubstanciadas sob o título ¨Palavras aos Blumenauenses¨ - obra inédita em constante laboração, aditada com Prolegômenos Acrescentados à Exibição Comentada dos 142 Discursos de HERCÍLIO DEEKE que foram possíveis resgatar.

........¨ Respeitante à ¨Casa dos Atiradores¨, designação como eram referidas, durante a 2ª Grande Guerra, as instalações do antigo ¨Schützenhaus ¨, ou melhor do ¨“Schützengesellschaft Blumenau”, posterior ¨Tabajara Tênis Clube¨ assim denominado por acertada sugestão de Dona Ruth Steinbach - esposa de Felix Stenbach, recordo-me, com grata nostalgia, de uma ocorrência, entre as muitas havidas, naqueles conturbados tempos do imediato pós guerra, que foi, decisiva - como terminantemente resolutiva para a perenização do aspecto arquitetônico das edificações então miseravelmente arruinadas e que eram objeto de iminente e completa demolição.
Terminada a Guerra Mundial, em um domingo do 2º semestre de 1945, meu pai Hercílio Deeke, com certeza previamente apalavrado com o ilustre casal Sr. Felix Steinbach e sua esposa Dona Ruth, e mais o proficiente arquiteto Richard Kaulich, tomando, bem cedinho, um ¨carro-de- mola¨ ( carruagem puxada por dois cavalos) pois gasolina, nem os poucos automóveis de fabricação anterior a 1942, havia, seguiu, comigo sentado junto ao boleeiro, até a rua Paraná ( hoje rua Vidal Ramos - epônimo transferido da rua que atualmente é denominada Rua Paul Werner) e, lá embarcando o casal Steinbach, rumamos ao pátio da abandonada ruína da ¨Casa dos Atiradores¨.
Ali já encontrava-se o arquiteto Kaulich - de quem diziam ser exímio nadador e que teria vencido, a nado - ida e volta, a grande distância entre a Praia dos Amores e a de Cabeçudas, contornando o Morro Cavaleiro, onde está o Farol de Cabeçudas - uma proeza e tanto, acrescendo ter comprometido um dos seus pulmões, que imagino necessitou extrair. Kaulich instalara, sobre caixotes vazios, uma bancada dotada de instrumentos, compassos e largas folhas de papel, lápis de cor, além de duas trenas de medição. Ao lado da bancada descarregamos nossas vitualhas de campanha, compostas de latas contendo galinhas fritas misturadas à farofa com ovos cozidos, alguns pratos e um mínimo de talheres, térmicas com café e garrafas de água mineral.
O boleeiro foi dispensado e acertado buscar-nos pelas 17 horas.
A seguir fomos à Inspeção do recinto da edificação. Externamente nem parecia tanto arruinado, porém seu interior estava em pandarecos. Vistas e caixilhos das janelas e portas, rodapés e todo o madeirame da cobertura, fora corroído pelos cupins ou apodrecido com a infiltração de água das chuvas - telhas quebradas deixavam visível o azul do céu, e, o pior, era a imundície em todo o ambiente interno onde havia montes de caixas de madeira quebradas, montanhas de ¨palha¨ ( seria feno?), imensidade de trato ressecado para cavalos, porquanto durante a Grande Guerra, o Batalhão do Exército aqui sediado, transformou o salão de bailes, em ¨ Estábulo ¨ para as suas animálias. Consertar, ordenar, limpar e varrer, isto imagino jamais fizeram, enfim o estado da construção era mesmo calamitoso e, creio ter visto aflorarem lágrimas de tristeza dos olhos sempre radiantes de idealismo de Dona Ruth.
Manhã inteira foi dedicada aos esboços de projeção para remodelação da parte do antigo prédio, cuja construção era de alvenaria. O Sr. Felix dedicava-se às medições da cancha de rolamento para jogos de Bolão e do pequeno anexo à este, que então ainda era em madeira, e sua ruína era total. Ficava do lado sudeste e em ponto pouco mais elevado, contudo deste setor foram somente tomadas as coordenadas gerais, ficando acordado sua erradicação e futura nova construção. Foram tantas as medições que nem me recordo se chegou-se até a quadra de tênis.
Devo ter percorrido muitos quilômetros puxando o início das trenas que o Kaulich depois enrolava no estojo da ¨Chave de Bremen ¨ e, lembro muito bem de que só ouvia meu pai e o Sr. Kaulich berrando : Niels, mais para frente, para a direta, para a esquerda, menos e mais, sobe até lá e segura firme e assim por diante, mas felizmente não piqueteou-se, com estacas, ponto algum. Aí já seria demais.
Cada vão de janela foi medido e d. Ruth insistiu na conservação do aconchegante anexo frontal, em nível mais elevado que o salão de bailes e que tinha janelas em arcada, aliás uma das características marcantes de seu ideário arquitetônico, que desenhava com incrível rapidez e maestria, eram as arcadas abobadadas, tanto a que foi projetada para a Entrada Principal, como as internas. Portanto é mérito exclusivo de D. Ruth Steinbach a aparência visual que o Clube ainda hoje mantém, malgrado em parte tenham sido modificadas.
Foi, também, naquela ocasião decidido, visando diminuir custo, instalar, mesmo que precariamente, as dependências privativas do futuro ecônomo, no sótão acima do forro do Hall de Recepção, condição que demonstrou-se muito imprópria, vez que, naquele recinto, o pé direito ficou muito baixo, com pouca ventilação e insuportável nos abrasados verões. O primeiro ecônomo sr. Furhrmann e família, eram originários do Rio Grande do Sul, e não permaneceram na função por muito tempo. Fui colega dos dois filhos de Furhmann, quase ruivos e com os quais cacei alguns guaraxains apanhados em armadilhas de aço. Entristeço-me ao lembrar que até um lobo-guará apanhamos nos matos dos fundos do ¨Tabajara¨, quando foi necessário, porém, amputar-lhe a perna dianteira, que esfacelou-se ao pisar nos mordentes da armadilha.
Sociedade dos Atiradores em 1895
Na parede das dependências do ecônomo, na parte superior que dava para o salão de bailes, foi adaptada uma minúscula espia que, à guisa de ¨câmara oculta ou secreta¨, permitia fosse observado tudo quanto acontecia no dito salão de festas. Quando jovem, cansei de divertir-me espiando, daquele ponto, cenas inusitadas, contudo não imagino por quanto tempo permaneceu ativa aquela indiscreta espia.
Não imagino se o casal Steinbach deixou algum relatório daquela inspeção e pré-estudo de reforma e remodelação do Clube. Soube porém, através o meu pai, que o arquiteto Kaulich elaborou diversos esboços para apreciação dos sócios, prevalecendo, felizmente, toda a concepção inspirada por d. Ruth Steinbach, portanto é seu mérito exclusivo o aspecto visual da edificação. Como se não bastasse todo o empenho de d. Ruth, ainda lhe deve, o Clube, a sugestão e indicação do nome ¨Tabajara¨ , quando em reunião da casa de meu pai, considerou-se as denominações de outros clubes existentes, como Guarani, em Itajaí ; Guaicurus, não lembro onde ; Caiçara - no RJ ; Guairacá - onde seria mesmo ? ; e assim por diante.....
Finalizando :
Ergo, em louvor a saudosa e mui prestimosa dona Ruth Steinbach, a minha mais clamorosa SALVA de GRATIDÃO, porquanto foi ela - quem dotada dos mais nobres sentimentos preservacionistas e de providencial estímulo artístico - a legítima Mola Mestra sobre a qual edificou-se, em 1945, todo o Primordial Ideário de tudo quanto é atualmente o Tabajara Tênis Clube. Muito Obrigado Dona Ruth.
Niels Deeke, cidadão em Blumenau.
E.T. : Jamais fui sócio do TTC, pois tendo herdado de meu pai uma ação patrimonial, procedi, de imediato, a sua transferência ao Sr. Agustinho Schramm - da Casa Flamingo.
Arquivo de Adalberto Day
Para saber mais acesse:

http://www.tabajaratenisclube.com.br/website/pt_br/

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...