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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

- Big Year sem Fritz Müller?´


Dr. Cézar Zillig

Liderado pela comunidade científica britânica, o mundo celebra o que se convencionou chamar de Big Year. Trata-se de oportuna homenagem ao genial naturalista Charles Robert Darwin, pelo transcurso dos 200 anos de seu nascimento no dia 12 de fevereiro, há duas semanas. O Big Year comemora também, em 24 de novembro, 150 anos do lançamento do livro onde Darwin apresentou ao mundo a teoria de que as espécies animais evoluem espontaneamente através de um processo de seleção natural. Peça principal das comemorações é uma exposição itinerante que expõe a obra de Darwin. Infelizmente, para nós catarinenses e brasileiros, o nome de Fritz Müller não está sendo mencionado em lugar algum. Mesmo artigos redigidos por cientistas brasileiros têm omitido o nome e a obra de Fritz Müller.Tal lapso só pode ser atribuído a conhecimento parcial de uma história que pretendem festivamente contar, tanto lá fora quanto aqui. Os organizadores do Big Year demonstram ignorar a importância que o “Für Darwin”, de Fritz Muller, representou para o próprio Darwin e sua ousada teoria. Foi Darwin quem buscou contato com Fritz Müller e com ele manteve correspondência até sua morte em 1882. Nas edições posteriores do livro “A Origem das Espécies”, Darwin se referiu, mais de uma dezena de vezes, aos trabalhos de Fritz Müller.Deixar de citar o “Príncipe dos Observadores” – como Darwin carinhosamente se referia a Fritz Müller em cartas a outros pesquisadores – permite suspeitar de outras omissões mais e deixa dúvidas quanto à consistência da história que estão contando ao redor do mundo.Se até hoje as ideias de Darwin causam tropeço, mesmo no seio de nações tidas como adiantadas, imagine a briga que o lançamento de “A Origem das Espécies” desencadeou em meados do século 19. E Darwin previa isto; não foi à toa que titubeou por cerca de 20 anos.Conquistar um homem do quilate de Fritz Müller, logo nos primeiros momentos do que foi o mais sério embate científico da história da ciência, foi providencial, foi um trunfo, para Darwin e sua teoria.
Publicado no Jornal de Santa Catarina 23/fevereiro/2009
História
Charles Darwin
Charles Robert Darwin, naturalista inglês, nasceu em 12 de fevereiro de 1809, em Shrewsbury. Robert Darwin, seu pai, era Físico, filho de Erasmus Darwin, poeta, filósofo e naturalista. A mãe de Charles, Susannah Wedgood Darwin morreu quando ele tinha oito anos de idade. Com dezesseis anos, Darwin deixou Sherewsbury para estudar medicina na Universidade de Edinburgh. Repelido pelas práticas cirúrgicas sem anestesia (ainda desconhecida na época), Darwin parte para a Universidade de Cambridge, com o objetivo (imposto pelo seu pai) de tornar-se clérigo da Igreja da Inglaterra.
O seu pai, Dr. Robert Darwin, foi um físico proeminente da época. Darwin não foi um aluno brilhante, pois não se interessava pelas matérias que lhe ensinavam na escola. Estava destinado a viver da fortuna da família, mas o seu pai convenceu-o a optar por uma profissão. Em 1825, Charles Darwin foi estudar medicina, tendo desistido dois anos mais tarde, para ingressar no curso de direito na Universidade de Cambridge. Aí, um dos seus professores, Prof. Henslow, convenceu-o a levar mais a sério o seu interesse pelas Ciências. Em Janeiro de 1831, Darwin formou-se. O Prof. Henslow falou-lhe então de um navio, o H.M.S. Beagle, que iria partir para uma viagem à volta do mundo numa missão de investigação e, assim, em 27 de Dezembro de 1831, Darwin partiu numa expedição que iria durar cinco anos e que se iria tornar um marco da história da Ciência.A vida religiosa não lhe agrada e em 31 de dezembro de 1831 ele aceita o convite para tornar-se membro de uma expedição científica a bordo do navio Beagle. Assim, Darwin passa cinco anos (1831 a 1836) navegando pela costa do Pacífico e pela América do sul. Durante este período, o Beagle aportou em quase todos os continentes e ilhas maiores à medida que contornava o mundo, inclusive no Brasil. Darwin fora chamado para exercer as funções de geólogo, botânico, zoologista e homem de ciência. Esta viagem foi uma preparação fundamental para a sua vida subseqüente de pesquisador e escritor. Tanto é verdade que na introdução de seu livro ele assim se refere: "as relações geológicas que existem entre a fauna extinta da América meridional, assim como certos fatos relativos à distribuição dos seres organizados que povoam este continente, impressionaram-me profundamente quando da minha viagem a bordo do Beagle, na condição de naturalista. Estes fatos (...) parecem lançar alguma luz sobre a origem das espécies (...) julguei que, acumulando pacientemente todos os dados relativos a este assunto e examinando-os sob todos os aspectos, poderia, talvez, elucidar esta questão".Em todo o lugar, Darwin reunia grandes coleções de rochas, plantas e animais (fósseis e vivos) enviadas à sua pátria. Imediatamente, após seu regresso à Inglaterra, Darwin iniciou um caderno de notas sobre a evolução, reunindo dados sobre a variação das espécies, dando assim os primeiros passos para a Origem das Espécies. No começo, o grande enigma era explicar o aparecimento e o desaparecimento das espécies.Assim surgiram, em sua cabeça, várias questões: por que se originavam as espécies? Por que se modificavam com o passar dos tempos, diferenciavam-se em numerosos tipos e freqüentemente desapareciam do mundo por completo?A chave do mistério Darwin encontrou casualmente na leitura: "Ensaio sobre a População", de Malthus.Depois disso, nasceu à famosa doutrina darwinista da seleção natural, da luta pela sobrevivência ou da sobrevivência do mais apto - pedra fundamental da Origem das Espécies. As pesquisas feitas durante a viagem abordo do Beagle é que fundamentaram sua Teoria da Evolução, servindo de base para o famoso livro Origem das Espécies. A obra foi publicada em 1859, sob o bombardeamento das controvérsias – o que era muito natural: Darwin estava mudando a crença contemporânea sobre a criação da vida na Terra.No livro Origem das Espécies, Darwin defende duas teorias principais: a da evolução biológica - todas as espécies de plantas e animais que vivem hoje descendem de formas mais primitivas - e a de que esta evolução ocorre por "seleção natural". Os princípios básicos da teoria sobre a evolução de Charles Darwin, apresentados na Origem das Espécies, são quase que universalmente aceitos no mundo científico; embora existam controvérsias em torno deles. A Origem das Espécies demonstra a atuação do princípio da seleção natural ao impedir o aumento da população. Alguns indivíduos de uma espécie são mais fortes, podem correr mais depressa, são mais inteligentes, mais imunes à doença, mais agressivos sexualmente ou mais aptos a suportar os rigores do clima do que seus companheiros. Estes sobreviverão e se reproduzirão, enquanto os mais fracos perecerão. No curso de muitos milênios, as variações levaram à criação de espécies essencialmente novas. Após a publicação de sua obra mais famosa, Darwin continua a escrever e publicar trabalhos na área da Biologia por toda a sua vida. Ele passa a viver, com sua esposa e filhos, em Downe, um vilarejo a 50 milhas de Londres. Sofre de síndrome do pânico e mal-de-Chagas, o último adquirido durante sua viagem pela América do Sul. A morte chega em 19 de abril de 1882. Charles Darwin é sepultado na Abadia de Westminster.
Fritz Muller
O sábio e naturalista Fritz Muller primeiro morou no Bairro Garcia por dois anos, depois transferiu-se para a Rua Itajaí, 2195 – bairro Wostard, em 1856, porém sua casa não é considerada a mais antiga, pois passou por várias modificações. .Fundação: 17 de junho de l936 (hoje, o Museu de Ecologia Fritz Müller).
Obs: Fritz Müller morou 2 anos no Garcia (1852 - 1854), depois (1854) se transferiu para a margem esquerda do Itajaí Açú, depois (1856) transferiu-se para Desterro, vindo de volta prá Blumenau em 1867, aí sim, indo morar na rua Itajaí, onde permaneceu por 30 anos até cair doente e vir a falecer.
- Oficialmente, a história nos relata que em 28 de agosto 1852, o fundador da colônia Blumenau, Dr. Blumenau, distribuía os primeiros lotes aos colonos. Era nesse contexto que se iniciava a colonização do Garcia, passando a receber os primeiros contingentes de imigrantes alemães. O objetivo Geral desta colonização era a agricultura.. Fritz Muller foi o primeiro a adquirir a concessão de terras no Garcia.
Johann Friedrich Theodor Müller, nasceu na aldeia de Windschholzhausen, na Alemanha, em 31 de março de 1822. Fritz Müller como era chamado, estudou matemática e ciências naturais, em Berlim, foi doutor em Filosofia e concluiu a faculdade de medicina aos 27 anos. Mas foi um livreto escrito por Dr. Blumenau, que falava da colônia no Brasil, que o convenceu a embarcar para o nosso país, em 19 de maio de 1852. Suas habilidades de cientista e sábio da vida contribuíram na formação de opiniões e influenciaram comportamentos. Sem deixar de manter contato com grandes pesquisadores na Europa, manteve grande amizade com o cientista Charles Darwin que o chamou “Príncipe dos Observadores”. Fritz Müller escreveu o livro Pró-Darwin, defendendo a teoria de Darwin sobre a seleção natural das espécies. Sua paixão, assim que começou a desbravar a mata, foram a fauna e a flora, dais quais se tornou observador e pesquisador.Fritz Müller descobriu, observando, que borboletas de cores semelhantes tinham um gostou muito ruim, e que isto as protegia de seus predadores. E então? Darwin utilizou esta descoberta na sua Teoria da Seleção e denominou tal forma de mimetismo de Mimetismo Mülleriano. Müller também descobriu uma forma larval de que preencheu, dali por diante, uma lacuna que existia na teoria evolucional dos crustáceos.Por se tratar de um cientista que proclamava a biogênese (a idéia de que a vida vinha da vida, não de um deus), Müller foi aos poucos sendo excluído da colônia Blumenau. O terreno que lhe foi dado para construir a casa era dos mais distantes do centro e só se chegava lá de barco. Doutor Blumenau, luterano, não queria um cientista ateu por perto.É por isso que nos roteiros culturais para se fazer a pé que são publicados em Blumenau não aparece o nome do Museu Fritz Müller. Montado na antiga casa do cientista, às margens do Rio Itajaí Açu, o museu é um verdadeiro arsenal entomológico e nos mostra, sem querer, como desenvolveu-se a pesquisa científica nos últimos 100 anos.O Museu Fritz Müller, que existe desde 1936, pertence à Faema, órgão municipal de meio-ambiente, e hoje mantém uma importante atividade de educação ambiental, sendo visitado principalmente por estudantes e turistas. O Museu fica localizado na Rua Itajaí , 2.195 – VorstadtVisitar o museu não é somente uma viagem à história e aos hábitos de um cientista do século XIX: é também conhecer a fundo, cientificamente, a fauna e a flora da Mata Atlântica que encobre Blumenau e se deixar encantar belas belezas naturais desde reduto de floresta tropical
Arquivo de Adalberto Day

3 comentários:

Zillig disse...

Salve, Adalberto
Estive visitando o seu Blog; parabéns por promover Blumenau
César Zillig

Antonio Aires da Cunha Filho disse...

Zilig,meu amigo,fiquei triste com a frase(o nome de Fritz Müller não está sendo mencionado em lugar algum)aqui em Santos,apresentei Fritz em uma expo-no Aquário Municipal de Santos onde tivemos o privilégio da visitação de nada menos que 741.085 pessoas,que creio levaram Fritz Müller em suas lembranças.Apaixonei-me por sua Cidade e tenho grande apreço por Mabeli e Bacca.Fraternal Abraço.

Antonio Aires disse...

Completando meu comentário.

Antonio Aires
E-Mail-toninhoreplicas@yahoo.com.br

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