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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

- No Tempo da etiqueta de “papel”


Na foto dona Ingeborg Lauterjung Artista Plástico nasceu em 02 de Julho de 1924 e fez suas primeiras obras em 1990.e Adalberto Day – nos fez a doação de um guardanapo (adamascado) de tecidos da E.I. Garcia de seu enxoval de 1943, bordado com suas iniciais I.D. Inge Darius – seu pai Theodor Darius foi um dos fundadores da Auto Viação Catarinense.
As imagens são de artigos fabricados no século passado décadas 40/60 quando ainda eram utilizadas etiquetas de papel.
São Guardanapos, Pano de copa, e toalhas confeccionadas na Empresa Industrial Garcia em Blumenau.
Curiosidade: era comum as moças “prendadas” até as décadas de 70, organizarem caprichosamente seus enxovais para o futuro casamento. A maioria desses artigos que adquiri, consegui junto a mulheres que acabaram não casando, por uma razão ou outra.
Com uma produção de 200 toneladas mensais, Blumenau, é a líder mundial na produção de etiquetas. O volume produzido no município é suficiente para "etiquetar" meio bilhão de peças por mês. O segmento fatura cerca de 500 milhões de reais por ano.
História:
A primeira indústria que se instalou no bairro e mais antiga de Blumenau, foi a Ex-Empresa Industrial Garcia em 1868, na Rua Amazonas nº 4906 –fundada por Johann Heinrich , August Sandner, Johann Gauche,( Confirmado no Documentário da CIA. Hering por ocasião de seu centenário em 1980) associaram-se com um tecelão, conhecido como Lipmann (já possuía teares desde 1865) que ajudou a montar alguns teares e deram impulso na primeira indústria têxtil de Blumenau, com o nome de “Johann Henirich Grevsmuhl & Cia.” Este era o nome da pequenina tecelagem - ganhou diplomas em duas grandes exposições internacionais e algumas medalhas, na Europa. Uma dessas exposições foi no ano de 1873, em Viena (Áustria) e a outra teria sido em Paris. Em 1876 esta pequena empresa extinguiu-se.. Esses considerados fundadores foram os antecessores, de Gustav Roeder.Pouca gente sabe que a Empresa Industrial Garcia teve como primeira edificação, bem em frente à Portaria da ARTEX – (Toália - Coteminas), onde subia para a antiga cantina,atual AGG, em uma casa de madeira, de Grevsmuhl.

Foto 1971 (pano de louça) enviada por Valdira Zanonni
Em 1883 juntamente com sua esposa, Roeder assume o comando dando grande impulso no desenvolvimento da Empresa adotando o nome de “Tecelagem de Tecidos Roeder”, (antes em 1882, Roeder, juntamente com Heinrich Hadlich e Johann Karsten, fundara a Empresa KARSTEN ). Em 1896 Roeder sofria um grande golpe com o falecimento da esposa, que era, incontestavelmente, a alma comercial da empresa, ela dirigia os negócios da fábrica, sendo que grande parte do capital lhe pertencia. Com o seu desaparecimento a empresa entrou em fase de decadência, os negócios diminuíram sensivelmente, Roeder viu-se então forçado em princípios de 1900, a promover a liquidação da Empresa. Assumiu a direção da Empresa Nicolau Malburg, que não foi mais feliz que seu antecessor, tanto que poucos meses após, não conseguindo melhorar a situação, foram forçados a vender a fábrica a uma sociedade da qual faziam parte Heinrich Probst, Frederico Busch e Hermann Sachtleben. Em 1906 faleceu Heinrich Probst, substituindo-o na direção da empresa, seu Filho Júlio Probst. Neste mesmo ano, havendo se retirado o sócio Frederico Busch, constituiu-se numa nova firma com a denominação “Probst & Sachtleben”. Em 1913 a Empresa foi transformada em Sociedade Anônima, adotando a denominação “Empresa Industrial Garcia & Probst”. Fabrica de Fiação e Tecelagem – Tinturaria – Fundição – Serraria – Olaria - -Oficina Mecânica – Marcenaria - Ferraria. A empresa colocou o nome de Garcia em homenagem a primeira família a residir no bairro conhecido como gente do Garcia. a ex E.I.Garcia já foi também conhecida pela fabricação de maquinário agrícola e de sinos para Igrejas. Otto Huber técnico austríaco trouxe idéias não só para a tecelagem, mas também foi responsável pela implantação do prédio com três pavimentos. Em janeiro de 1918 verificou-se a nova alteração no nome da firma com a retirada do seu maior acionista JÚLIO PROBST.
Na constituição da nova sociedade, verificou-se a entrada de capitais de Curitiba Grupo Hauer (permanecendo até o final da Empresa), passando definitivamente a denominar-se “Empresa Industrial Garcia S/A”. Os operários desta empresa eram em sua maioria, moradores do bairro e filhos e parentes de empregados, pois facilitava a locomoção até o parque fabril, por residirem perto da empresa. Isso ocorria, devido às estradas serem esburacadas, empoeiradas e lamacentas, principalmente as Ruas Amazonas e Glória, por esse motivo à empresa de ônibus “Empresa Coletivo Ultich Ltda.” (antes existiam outros particulares que faziam transporte urbano), negava-se a realizar esse trajeto.
Em 15 de fevereiro 1974, a E.I.Garcia, incorporou-se a Fábrica de Artefatos Têxteis Artex. A incorporação teve cunho político através do governo federal, que investia nas duas empresas, a Artex dirigida pela família Zadrozny e a Garcia controlada por dirigentes do Estado do Paraná, grupo Hauer, que controlava a empresa que pertencia a um grupo canadense. Em 14 de julho de 1972, o então ministro da Fazenda Delfin Neto buscou a fusão, dando preferência que ficasse o controle acionário em Blumenau, através da família Zadrozny. A fusão teve início em 15 de fevereiro de 1973 em caráter experimental, concretizado em 15 de fevereiro de 1974. Antes destas negociações, a família Zadrozny teve um encontro com o grupo canadense em Nova York.
- Arquivo de Adalberto Day/colaboração:
Vânia Maria de Oliveira/Ingeborg Lauterjung Artista Plástico

13 comentários:

ANGEL Tostes disse...

Belíssima matéria! Estive em Blumenau uma única vez,mas sou encantada com esse blog... é um misto de informação, cultura e história!

Tere disse...

Beto, belíssima reportagem. Não conhecia a verdadeira história da Empresa I. Garcia, como tudo começou. Uma empresa que fez parte de nossas vidas. Quase toda minha família trabalhou alí. Acho o seu blog de grande valor cultural. Um abraço. Tere.

Valter Hiebert disse...

Adalberto, parabéns por mais brilhante pesquisa.

Sobre as tolhas "adamascadas" quem melhor pode informar é teu pai, mas segundo minha memória eram produzidas na Sala 16 da EIG em 4 teares, cuos n[umeros era de 47, 48, 49 e 50. Meu pai, David Hiebert (mais conhecido por Russo, em funçao da naturalidade), era o tecelão no primeiro turno dos teares 47 e 48.Segundo me recordo eram teares de maior complexidade operacional, pois os desenhos em relevo no tecido exigiam extremo cuidado.
Sobre o transporte coletivo, o Sr. Ulrich comprou uma empresa já existente que pertencia ao Sr. Siegel, cujos filhos, Carlinhos e Walter, eram também motoristas. Essa empresa tinha 5 ou 6 ónibus, sendo que somente o n° 1 era daqueles feitos pela Chevrolet, comprado novo pelo Sr. Siegel. Dada a beleza e conforto do memso foi apelidado de Marta Rocha. Os pontos finais da linha eram na Rua Belo Horizonte e Praça Victor Konder. A garagem ficava ´na frente da Tafona do Sr. Klein. Quando a empresa foi comprado pelo Sr. Ulrich a garagem mudou para o meio do percurso da linha, no fundo de um canavial, perto da Telelagem União (Cristiano Theis, que merece uma pesquisa tua).
O pátio da antiga garagem era esporadicamente utilizado por circos de tourada que passavam pela rua da Gloria.
O Sr. Ulrich investia nos seus empregados, tendo dois cobradores, Ivo e Carlinhos, depois de passarem da idade para serem cobradores (18 anos), passado um bom tempo com aprendiz na oficina da garagem ´para serem promovidos a motoristas de sesus ónibus. Foi ele qeu comprou o já citado "Papa Fila", utilizado nos horários de pico da linha. Dos citados ex cobradores o Ivo era o mais afoito ao volante e chegava na frente do companheiro nos horários que exisgiam dois ónibus. Era óbvio queu os estudantes preferiam o Ivo.
Outro motorista era chamado de Tatu (dada a aparencia) e tinha também o Paulo, que residia perto fundos da casa do Zeca Silvino (um dois 6 guardas de trânsito qeu existiam em Blumenau).
Vou parando para não ficar cansativo.
Valter Hiebert
hiebert.valter@gmail.com

Renata disse...

Bela matéria Beto!
Não passo um dia sem ver o seu blog, é uma viagem no tempo...poucas vezes fui a Blumenau, mas simpatizo muito com a cidade.
Um grande abraço e felicidades!

Zé Pfau disse...

Adalberto
Da tua (mais uma boa) "blogada" sobre a história têxtil de Blumenau você cita que até a década 70 era habito as moças fazerem seus enxovais. Parabéns novamente.
José Geraldo Reis Pfau

Beli disse...

Grande Beto!
Parabéns...esse assunto de costura me atrai muito, viu? E para nossa economia e nossas vidas, sem dúvida a empresa Garcia foi fundamental. Estou muito interessada nisso, muito mesmo. Quero estudá-la para TCC. É interessantíssimo a tendência, até mesmo mundial, de empresas muito grandes para pequenas facções.

Continue com esse belo trabalho! Parabéns mesmo.

Beli

Santos disse...

Amigo Adalberto, parabens de todos os blumenauenses interessados em nossa história. Belo trabalho. Vê-se que o amigo especializou-se em assuntos ligados à região do Garcia e conhece aquilo tudo como a palma de sua própria mão. Alguns ligados a essa história
conheci pessoalmente. Nossos cumprimentos a vc e sua querida Família.
Eutraclínio A.Santos e.a.s30@hotmail.com

Eurico de Andrade disse...

Prezado Beto,
Recebi por e-mail uma indicação para visitar seu blog e cá estou. Só estive em Blumenau uma vez, por volta de 1980. Já era uma linda cidade. Imagino agora. Quero parabenizá-lo pelo seu trabalho de garimpagem histórica. Também eu faço pesquisas, na área de cultura popular. Se puder, dê um pulinho ao meu blog. Grande abraço.

Urda disse...

Legal, Adalberto! Cada coisa que tu desencantas, não? É coisa de arqueólogo!
Urda

Sobre o Futebol Carioca disse...

Boa tarde!

Muito bom o seu Blog, eu vi aqui no meu E-mail.

Muito bom mesmo.

Edemar Annuseck disse...

A matéria da irmã do Raul Darius é maravilhosa. Aliás como todas as matérias que você tem postado. Ainda bem que as pessoas tem reconhecido este seu trabalho.

Parabéns

Anônimo disse...

Parabéns seu Adalberto,estava no dia da sua palestra no Henrique Alfarth,AMOR...Ùnica palavra descreve o uanto vc ama nossa cdade.

Valdira disse...

Bom Dia!!!

Mexendo no meu baú fiquei surpresa em encontrar um pano de copa do ano de 1.971 fabricado por vocês,apesar dos anos passados ele não perdeu a qualidade nem a cor,mostrei para familiares e amigos; fiz um comentário: "o que é bom foi feito para durar mesmo".
Estou anexando umas fotos para que vejam a conservação do material.
Não conheço o Estado de Santa Catarina,mas nossos enxovais eram todos da marca Garcia os quais duraram anos a fio.
Sou empresaria no ramo de comercio de madeiras a 7 anos na cidade de Jaguariaiva no estado do Paraná, quiz entrar em contato com vocês para mostrar a qualidade do material que continua sendo até os dias atuais os melhores.
Visitei o site e observei o histórico da empresa, gostei muito;

Sem mais fins pelo momento..

Att: Valdira Zanonni

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