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quinta-feira, 19 de junho de 2008

- A família Hinkeldey

Histórias de nosso cotidiano
Texto: Osmar Hinkeldey, colaboração Waldemar Hinkeldey

A imagem mostra um conjunto musical que se apresentava nos finais de semana, nas tardes de café, onde era a pousada e salão Hinkeldey, antes de se tornar Cine Garcia em 1944. No saxofone – Max Rudolf Wünsch; no clarinete – Rudolfo Papst; no piano – Oswaldo Hinkeldey, também tocava violino, mas nestas ocasiões assumia o piano; violino – Franz Baumgarten. Não temos o ano exato, anos 30 provavelmente, mas é uma prova de que a vida cultural no Garcia já era intensa.
A Imagem do início dos anos 60, mostra o Coral Misto do Garcia, cujo regente era o senhor Oswaldo Hinkeldey, a Schwester Martha Kunzmann está na frente. A “Streichorchester” [orquestra de cordas].formado por volta de 1932 – O Sr. Oswaldo Hinkeldey i está sentado à esquerda da bateria.
BIOGRAFIA DE OSWALDO HINKELDEY
Oswaldo Hinkeldey era filho de Hermann Hinkeldey e Thekla nascida Klüger. Nasceu a 26/05/1911 em Blumenau. Teve ainda uma irmã, de nome Helena. Casou-se em 06/03/1940 com Adele nascida Hinkeldey no município de Gaspar. Deste casamento nasceram quatro filhos: Waldemar, Geraldo, Iracema e Osmar. No ano seguinte ao nascimento do último filho, adotaram ainda um menino, de nome Edson. Nosso pai iniciou os estudos de primário aos sete anos de idade na Escola Rodolfo Hollenweger. Das matérias lecionadas, logo se destacou na música, demonstrando grande talento. Como recompensa ganhou de presente um violino alemão de seu pai Hermann. Este violino atualmente está na posse do Waldemar.
O nosso avô Hermann era um grande incentivador das artes, mormente da música. Assim, encaminhou o filho para aulas particulares e com este incentivo, nosso pai tornou-se um grande violinista. Aos 15 anos iniciou estudos de piano, sempre incentivado pelo nosso avô Hermann. Ao lado da música, ajudava no comércio e nas horas de folga participava de um quarteto que fazia “música de salão”, como se vê em uma foto cujos integrantes eram: Max Rudolf Wünsch no saxofone, Rodolfo Pabst no clarinete, Franz Baumgarten no violino e nosso pai Oswaldo Hinkeldey no piano. Na música que o quarteto fazia, nosso pai tocava piano, porque o colega Franz Baumgarten tocava violino; o quarteto era muito apreciado.

A imagem mostra a casa de 1912 da família Hinkeldey - Osmar e Waldemar Hinkeldey no dia 16/06/1976 na Igreja Nossa Senhora da Glória participação no casamento de Adalberto e Dalva Day. Além desta atividade musical, formou ainda o “Streichorchester Ideal” [orquestra de cordas] que seria a origem do futuro “Jaz Ideal”. nosso pai tocava violino e não havia somente instrumentos de cordas como diz o nome, mas havia também um saxofone e um clarinete. Era uma reunião de amigos que faziam música pelo prazer que esta arte proporciona. Não sabemos mais o nome de todos os integrantes. Esta orquestra evoluiu e no auge reuniu cerca de 30 músicos, passando então a denominar-se de “Jaz Ideal”. Desta orquestra participou também João Schulenburg, grande bandoneonista e grande amigo de nosso pai. Desde a origem da orquestra nosso pai era o 1º violino, ou seja, o “spalla”.
A vida musical no Garcia, portanto, era bastante intensa; em uma foto datada de 5-6 de setembro de 1931 foi promovido um encontro de músicos, o assim chamado “Musik Club Garcia”; pela foto pode-se ver a grande variedade de instrumentos. Mas o nosso pai não era somente músico. Também era um apaixonado leitor: leu muito na sua vida, até madrugadas adentro e se interessava principalmente por romances históricos, por exemplo, tinha a edição completa em alemão gótico do “Conde de Monte Cristo” e dos “Três mosqueteiros” de Alexandre Dumas; aos 18 anos leu “Ben-Hur”: este livro está atualmente na biblioteca particular do filho Osmar, sendo que consta na 1ª página o seu nome e o ano de 1929. Apenas para citar mais alguns, que ficaram na memória: de José de Alencar “As minas de prata”, de William Shaekspeare “Júlio César” e diversos outros autores, cujos nomes não nos recordamos mais. Mais tarde nosso avô Hermann adoeceu e teve que vender a casa comercial [que segundo informações seria de 1905] onde morava com a família [prédio do antigo Cine Garcia]. Nosso pai foi procurar trabalho para sustentar a família porque neste meio tempo havia casado, conseguiu emprego no Armazém da Empresa Industrial Garcia. Anos depois veio a trabalhar como escriturário. Trabalhou 30 anos na empresa Garcia e em alguns momentos foi auxiliar de caixa com Max Pagel e Eugen Anton. Com o dinheiro auferido pelo nosso avô com a venda da casa comercial, que não foi suficiente, nosso pai ainda teve que fazer um empréstimo na firma para completar o valor e assim poder comprar a casa enxaimel de nº. 4137. Esta casa é do ano de 1912 e pertencia a Johann Iten, também conhecido pelo nome de João Iten. Nosso pai adquiriu a casa com o terreno de 609,00 m2 através de escritura pública de compra e venda datada de 19-08-1943. Nossos avós vieram junto com nossos pais para ficarem na nova casa e cuidaram deles até o falecimento.
Uma vez que nossos pais passaram a morar na nova casa, nosso pai comprou um “Harmonium” instrumento com teclado e com foles, pois com a pressão dos pés sobre os pedais era produzido o som. Neste instrumento o nosso pai tocou muito, ensaiava as suas músicas e mais tarde quando o filho caçula entrou na adolescência passou a ser o instrumento no qual recebeu as primeiras lições. Tinha em casa além do violino, também um violão que nosso pai também tocava e no qual nossa irmã passou a tocar. Assim foi a vida do nosso pai até 1950, quando deixou o “Jaz Ideal” em definitivo.
O ano de 1950 foi decisivo em sua vida: neste ano, a convite da Irmã [Schwester] Martha Kunzmann veio para o Garcia o Pastor Alcides Jucksch [ainda vive] para promover uma evangelização, ou seja, despertar a espiritualidade na comunidade, despertar a busca por valores espirituais.
O nosso pai sentiu-se tocado pelas mensagens e a partir daí passou a dedicar a sua vida a Deus e à Igreja: toda a música secular deixou para trás e passou a tocar apenas música religiosa e na Igreja. Em raros momentos um trio formado por nosso pai e por nós, tocava alguma peça musical de Mozart, Beethoven ou Bach. O sentimento religioso e a piedade do pai foram crescendo e isto também passou a refletir-se em casa: todas as refeições eram precedidas de oração, após o almoço o pai lia um devocional em alemão que constava de um versículo bíblico e a sua interpretação. A nossa mãe possuía uma excelente voz de contralto e mais tarde passou a participar do Coral Misto do Garcia que foi fundado pelo nosso pai no ano de 1951. O nosso pai foi o regente titular deste coral até a sua morte em 03/08/1992. O Coral Misto do Garcia Alto no Progresso não foi fundado por ele, mas foi convidado para assumir a regência e foi o regente deste Coral até o ano de 1975 quando o Waldemar assumiu a regência, porque nosso pai se deslocava para esta localidade de bicicleta.
Acompanhava o Pastor Rolf Dübbers nos cultos, acompanhando os hinos com o “Harmonium” ou violino, conforme a necessidade, porque a Garcia se tornou Paróquia independente apenas em 1968 e ao final daquele ano, chegou o 1º Pároco.
Nunca abandonou a música, foi um estudioso constante das partituras e dos hinos e passou a ler mais livros de fundo religioso e também passou a ser um estudioso profundo das sagradas escrituras. Temos orgulho dos nossos pais, eram pessoas humildes, mas formavam um casal harmonioso e quando faziam com suas vozes um dueto nos momentos de devoção ou o pai ensaiava com a mãe que tinha uma bela voz de contralto um hino em que ela ainda não estava segura, temos na memória estas belas vozes. A tradição continua. Blumenau, 16 de junho de 2008. Arquivo: Adalberto Day e família Hinkeldey

Um comentário:

Valter Hiebert disse...

Parabéns Adalberto,
sou testemunha de parte do relato feito pelo Osmar e Waldemars. Particei de muitos cultos na Igreja da Shwesta Marta, sempre abrilhantados pelo Sr. Hinkeldey. Apesar de eu ser ainda menino, guardo a bela imagem dele tocando o "Piano", acompanhado do filho Waldemar e do meu então futuro cunhado Harry Kertischka. Minhas irmãs foram regidas por ele no coral da igreja. A Frau Hinkeldey era muita amiga de minha mãe a participava ativamente da igreja. Esse belo relato deve ser guardado como uma página de nosso bairro, da nossa infância, de nossas vidas. Parabéns Osmar e Waldemar, de quem fui colega de trabalho da EIG por dois anos. Valter Hiebert hiebert@uol.com.br

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