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segunda-feira, 30 de julho de 2007

- "O Menino Santo"

A Casa em que morou o "Menino Santo
“O Caso Menino Santo” Por volta de 1954, no então conhecido Beco Tallmann no Garcia, hoje Rua Emílio Tallmann bairro Progresso 406, houve o conhecido “Caso do menino Santo”. Ficava no inicio da Rua Emílio Tallmann próximo a subida da encosta do morro que do acesso a Rua Centenário. Esse episódio do suposto “menino Santo” de nome (não divulgo a pedido) que teria proporcionado curas, milagres, através de aparições de Nossa Senhora Fátima, quando o menino subia ao telhado da residência (supostamente aparecia em um abacateiro ali existente) de seu pai ,"que segundo as Histórias a mim relatadas", tramou essa farsa, juntamente com sua esposa que era a principal articuladora do episódio, para se beneficiar monetariamente, conseguindo excelentes lucros . No local foi erguida uma gruta próxima ao barranco, para os devotos pedirem através de oferendas, algum tipo de ajuda. Vinham romarias de todas as localidades de Santa Catarina. Os caminhões com romeiros, faziam filas e estacionavam em frente ao estádio do Amazonas. Eram abandonadas dúzias de muletas e aparelhos ortopédico deixados por pessoas, supostamente curados pelo “milagre” do menino santo. Alguns peregrinos levam folhas do abacateiro, e barro pensando ser tudo santo. Mesmo depois que foi desativado a gruta, fieis vinham à noite pedir ajuda a imagem e depositavam dinheiro, que segundo o novo morador,que quando foi morar ali, ainda permanecia a gruta, seus filhos usavam o dinheiro para comprar alguma coisa, sorvetes, balas e outros. Contam os moradores que residiam próximos que em certa ocasião quando foi anunciada uma suposta aparição de Nossa Senhora, se acumulou em torno de 6000 peregrinos (número aproximado calculado pela Policia). Comentam também que houve casos de óbitos de pessoas com sérios problemas de saúde, que ao esperar não resistiram. Esses peregrinos causavam transtornos à vida dos pacatos moradores da então pequena localidade, que viviam trancados em suas residências, com medo de invasões e pedintes que se acumulavam aos montes. Alguns moradores ganhavam alguns dividendos, vendendo feijoada preparada no local. Outros lucravam com a venda até de água. Então elaboram um abaixo assinado para a retirada dessa família do bairro, e também por acreditarem que tudo não passava de uma farsa. O objetivo foi alcançado, esta família foi para Curitiba (por volta de 1956) acusados de charlatanismo, mas a gruta permaneceu até o meados década 19(60).
Adendo de Valter Hiebert:
Esse menino é o Vilmar Schmidt, o famoso menino santo.

A imagem ao fundo é de Nossa Senhora, aquele que ele dizia ver no bambuzal que ficava nos fundos da cooperativa. Ele estudava no turno da manhã.
O teatrinho era na hora do almoço quando a turma geral saia. Ele apontava para o bambuzal e dizia estar vendo a santa e nós não víamos nada.

Era a hora que eu tinha chegado em casa e ia levar a marmita com o almoço de meu pai na sala 14, onde ele trabalhava até às 13,30 horas 

Não vejo porque omitir o nome do "santo", pois todos conheceram o Vilmar Schmidt. Ele era meu colega na EPSJ (Escola São José, hoje Celso Ramos. Seu pai Antônio um dos 3 (três) eletricistas da EIG. Nome do pai Antônio e da mãe Carmem. 
Todos os dias, perto do meio dia, voltando para casa depois da aula, para cruzar a "ponte de balanço" que existia ao lado da cooperativa da EIG, era necessário chamar algum "valentão" que trabalhasse na EIG. O motivo era que o Vilmar alegava ver Nossa Senhora Aparecida no alto daquele bambuzal que ficava a direita do outro lado do rio. Ele tinha medo de cruzar sozinho a tal ponte, não o fazia sem estar acompanhado de alguém forte e valentão. Lembro que um dos acompanhantes foi um dos Massaneiros. Aquele bambuzal era onde tirávamos nossas varas de pescar e nunca alguém viu nada. Quando ele dizia estar vendo a Santa no bambuzal, jamais alguém que estivesse junto viu alguma coisa, inclusive eu. As pessoas perguntavam: "por que ter medo de Nossa Senhora ?" Se ela ali estivesse certamente estaria protegendo, jamais o contrário.

Contudo, aquele ritual continuou.

A seguir começou a receber clientes na casa que até hoje existe, naquele tempo era a última a direita, hoje a penúltima antes da súbita para o centenário. A capela era onde hoje está aquela última casa. Era tamanha a romaria que a policia tinha que comandar o fluxo de pessoas na ponte de balanço. Durante um tempo num sentido depois em outro.
Os milagres eram realizados no quarto da frente da casa, na cama do casal. Como criança curiosa consegui assistir uma tentativa de cura ao vivo. Entrei pelo quintal do vizinho, era o armazém do Francisco Oliveira (esse deve ter muitas historias para contar),pulei a cerca e fui espiar pela janela da casa, cuja cortina estava com um fresta aberta. A cena: o Sr. Guerreiro (trabalhava na EIG), que tinha uma perna bem mais curta que outra, estava deitado na cama, dois homens seguravam os braços e dois puxavam a perna mais curta, com muita violência. O Vilmar estava deitado no peito do Sr. Guerreiro, que urrava de dor. O "Menino Santo" rezava ou falava alguma coisa que não me recordo, pois guardei somente os gritos do Sr. Guerreiro. Um dos que puxava era o "Boião" , me parece o Osmar Seiler e outro o tal Massaneiro que passava com ele na ponte.
O Sr. Guerreiro continuo com o mesmo problema ou talvez até maior. Com o sucesso da empreitada o Vilmar não compareceu mais às aulas e depois do fechamento do centro de cura ele desapareceu, nunca mais tive noticias dele nem do irmão mais novo que ele tinha. 
Seria interessante ouvir as pessoas citadas e fazer um relato de uma história que foi marcante à época.
O nosso bambuzal continuou nos dando belas varas com as quais tudo mundo do bairro pescou por muitos anos. Jamais alguma vara veio santificada, pois os peixes foram rareando até que ninguém pescasse graças ao "bicho" homem que acha ser o rio uma lixeira de pública.

Arquivo de Dalva e Adalberto Day

8 comentários:

Anônimo disse...

ótimo texto, tenho uma monografia com essa temática.Religiosidade no Bairro Garcia

Maurício da Silva Junior disse...

Bah! Muito interessante Adalberto... Mais uma bela história de nossa Blumenau...

odilon disse...

tenho uma monografia com esse tema publicada pela furb.

carlos odilon

carlosodiloncosta@gmail.com

Nazaré Domingues disse...

Gostaria muito de ter mais informações e se possível foto do menino santo, pra ver se é o mesmo Wilmar Schimidt que esteve em minha cidade.
Quem puder me ajudar eu agradeço!

Prof. Wieland Lickfeld disse...

Interessante relato, Adalberto. Não conhecia a história. Deve ser interessante ler as monografias escritas sobre o tema. Grande abraço!

Giba de Oliveira disse...

Olá.
Muito boa a matéria!
Sou de uma das famílias Oliveira que moravam nas redondezas. Meu pai se chamava José Francisco de Oliveira, e meu tio, Francisco de Oliveira.
Pena que já se foram, senão perguntaria para eles.

Grande abraço e parabéns.

CIA. ARTEATROZ disse...

Olá.
Muito boa a matéria!
Sou de uma das famílias Oliveira que moravam nas redondezas. Meu pai se chamava José Francisco de Oliveira, e meu tio, Francisco de Oliveira.
Pena que já se foram, senão perguntaria para eles.

Grande abraço e parabéns.

Alaide disse...

Meu pai nos levou até lá, sob os protestos de minha mãe, totalmente cética, dizia que era tudo embuste. Havia um quarto onde as pessoas atiravam dinheiro, foi juntando muito dinheiro, o homem dizia que era para construir uma capela. Mais tarde o pai foi cortar o abacateiro e foi vendendo os pedaços dele, todo mundo avançando e querendo levar. Até que o homem se feriu seriamente com o machado, o sangue espirrando, assustando toda a gente que saiu fugindo e dizendo que era castigo de Deus... Só eu me lembro disso? Em 1954 eu teria seis anos de idade.
Alaíde Correia

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