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segunda-feira, 23 de julho de 2007

- Cine Garcia


Memórias que o tempo não apaga
No início do século 20, por volta de 1905, nas proximidades onde hoje é a igreja Santo Antônio, no Distrito do Garcia, existia o comércio de secos e molhados de Hermann Hinkeldey que, quando não recebia em dinheiro, fazia escambo de mercadorias. Também nesse local funcionava um salão dançante do conjunto Musik-Club Garcia, que teve seu funcionamento até por volta de 1941, quando então foi transformado em local para exibição de filmes (oficilamnete em novembro de 1944) com o nome de Cine Garcia. Seu último proprietário foi Reynaldo Olegário, que manteve as atividades no local até 1974. No ano seguinte foi instalada ali a paróquia. O antigo prédio do Cine Garcia abrigou a igreja até 1978 e no ano seguinte foi demolido. Mas deixou histórias e recordações. O Cine Garcia ofereceu momentos de lazer a toda comunidade do Garcia. A juventude trocava de gibis, tinha bate-papos e os namoros eram constantes. As pessoas se olhavam numa paquera quase envergonhada, em um momento sutil e mágico. Existia até mesmo uma suposta premiação para quem encontrasse uma pulga carimbada e a entregasse ao proprietário. Nunca soube de alguém que a tivesse encontrado, mas é o comentário que se ouve até os dias de hoje. Ainda no aspecto pitoresco, havia as ocasiões em que a platéia batia os pés, assobiava e gritava para incentivar o mocinho. Naquele instante, o lanterninha interrompia bruscamente a exibição para chamar a atenção dos mais exaltados "baderneiros" e ameaçava não continuar o espetáculo. Sem falar das vaias quando as enormes fitas se rompiam, ou acabavam, e precisavam ser emendadas ou trocadas. Os freqüentadores iam a pé ou de bicicleta. As laterais do prédio ficavam lotadas de bicicletas, empilhadas umas sobre as outras. Noo Cine Garcia, depois do gongo, entrava a música do Django Era o maior entretenimento dos moradores do Garcia, que assistiam, principalmente nas tardes de domingo, aos maiores clássicos e seriados do cinema. Depois de assistir ao filme, o ponto de parada era o Bar ao Lado, do senhor Schoenfelder, onde era servido um delicioso sorvete caseiro... Pura nostalgia de uma época que fez parte da vida de muita gente - como eu, seus pais, avós, tios, sobrinhos e quem sabe até você.
A matéria saiu em REPORTAGENS DO LEITOR, no Jornal de Santa Catarina, no dia 04 de novembro de 2005.

10 comentários:

Anônimo disse...

Beto
O Cine Garcia, foi um momento de magia que podemos apreciar em nossa juventude. Namoros, trocas de Gibis, Bate Papo, tudo muito legal. Jamais poderia imaginar ver uma reportagem como esta, parabéns

Tuti disse...

Que nostalgia!
Lembro ter assistido Mazaropi em "O vendedor de linguiça" e "Marcelino pão e vinho" no "Pulgueiro"!

Tere disse...

Lembro bem das minhas tardes de domingo, que o único divertimento era assistir matinê no "purgueiro". Lembram que durante um período o Sr. Olegário, antes de iniciar as matinês fazia um show de calouros lá em cima do palco....para quem quisesse se apresentar....a idéia não vingou...pois as vaias eram demais , a turma queria mesmo era assistir os filmes. Lembram daquelas pipocas que eram vendidas ao lado da bilheteria???

Tere disse...

Lembro bem das minhas tardes de domingo, que o único divertimento era assistir matinê no "purgueiro". Lembram que durante um período o Sr. Olegário, antes de iniciar as matinês fazia um show de calouros lá em cima do palco....para quem quisesse se apresentar....a idéia não vingou...pois as vaias eram demais , a turma queria mesmo era assistir os filmes. Lembram daquelas pipocas que eram vendidas ao lado da bilheteria???

Paulo Rogério pedrini disse...

A emoção começava ao ter que acordar o Pai após o almoço e pedir os cruzeiros para ir ao Cine Garcia. A Mãe me arrumava e dava os últimos conselhos antes de ir com meu irmão Beto.
Nem ligava para a barraquinha do Seu Osni, tão cobiçada outros dias. O objetivo era compra o ingresso. Aí a emoção aumentava, até passar pelo Seu Olegário.
Depois, era só aguardar o início do filme, sempre com a dúvida se a imagem vinha da frente ou de tras da tela.
Obrigado Adalberto, por mostrar que temos uma história tão bonita, que nos proporcionou estarmos onde hoje estamos.
Um grande abraço.

Paulo Rogério Pedrini
paulo_pedrini@hotmail.com

Claudio Pedrini disse...

Olá Adalberto.

Meus pais moram na Rua Ascurra, sou de 1967 e tive ainda o prazer de assistir os filmes "O maior espetáculo da terra" e "Mogli" no Cine Garcia, que depois ajudamos a reformar para a Próquia Santo Antonio e mais tarde demolir para a construção da Igreja.

Não tinha nenhuma foto do Cine Garcia e como era pequeno, não me lembrava de alguns detalhes que agora poderei eternizar através do seu trabalho.

Parabéns !!!

Rouse disse...

Muita saudade do Cine Garcia, foi lá que começou minha paixão pelo cinema... a pipoca era uma delícia, bem como o sorvete...
Alguém lembra da estréia do Django? do Drácula? Tinha um sujeito na platéia que de tanto assistir ao filme do Drácula, havia decorado a cena em que o Drácula de costa de vira para o público, nesse momento o tal sujeito chama... - "DRÁCULA !", então ele se vira... foi muito engraçado...
Muito obrigado pela lembranças...
Alguém tem alguma foto da barraquinha de frutas que havia ao lado esquerdo do Cine Garcia... e do barzinho no lado direito? E da sapataria que havia na beira do ribeirão, ao lado da ponte do Zendron?
Saudades, muitas saudades do Garcia de outrora...
Grande abraço, grande 2009

Elise Pedrini Grahl disse...

Sou irmã do Paulo e do Claudio e me emocionei ao ler o relato deles pois era assim mesmo...Meu irmão mais velho pegava uma montanha de gibis para trocar e saia em disparada, o Paulo era muito pequeno e saia praticamente correndo para alcança-lo.Minha irmã e eu íamos mais tarde pois menina não trocava gibi...Quando sobrava algum troco das entradas, nós podíamos comprar um sorvete no "seu Schenfeld", assim o chamávamos...Nem lembro dos filmes mas lembro de me sentir importante entrando no cinema.Ah, somos do tempo do São José também...
Parabéns e obrigada por nos permitir reviver uma época maravilhosa em nossas vidas.Abraços.

Fernando Pasold disse...

Meus pais ao verem esta fotografia disseram que pelo porte físico, tem tudo para a pessoa na imagem ser o Sr. Schoenfelder, meu avô, proprietário da sorveteria. A casa dele ficava ao lado do cinema, exatamente onde hoje há um espaço entre a torre com o sino da igreja e o muro do posto de gasolina ao lado.

Marlene Karin Werner disse...

Muito bonita a reportagem , fiquei emocionada pois amo Blumenau .

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