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quarta-feira, 10 de junho de 2009

- O primeiro narrador esportivo de Santa Catarina

Manoel Pereira da Silva Júnior, ou simplesmente "Maneca Pereira", como lhe tratavam os amigos, foi o primeiro locutor esportivo a narrar oficialmente uma partida de futebol pelo rádio em Santa Catarina.
O feito aconteceu na PRC-4 Rádio Cultura de Blumenau , emissora pioneira de rádio em SC, que, pouco depois, teve seu nome mudado para Rádio Clube de Blumenau.
A emissora foi fundada pelo Sr. João Medeiros Jr. e já havia transmitido alguns jogos em caráter experimental no Estádio do Amazonas E.C., narrados pelo próprio Medeiros.
Feitos os testes, Medeiros convidou então Manoel Pereira Júnior para ter o privilégio de ser o primeiro narrador de um jogo de futebol em Santa Catarina, um acontecimento inédito nos anais esportivos do Estado.
A imagem mostra Manoel Pereira da Silva Jr. – durante uma transmissão ( terceiro sentado da direita para a esquerda, camisa escura e calça branca).
Manoel Pereira Jr. nasceu em Florianópolis. Depois, por problemas de saúde, mudou-se com a família para Curitiba. Lá não se adaptou, retornando para Florianópolis. No Paraná ele chegou a cursar alguns anos da Faculdade de Medicina.
Em seguida a família muda-se para Blumenau, onde seu pai, Manoel Pereira da Silva, exerceu por algum tempo a função de Delegado de Polícia.
Em Blumenau Manoel Pereira Jr. demonstrou suas qualidades de grande radialista.
Também se destacou em atividades na S.D. Blumenauense (depois G.E. Olímpico), que foi uma das suas paixões. Quando Pereira Jr. narrava, dizem que era visível na sua locução mostrar o afeto que tinha pelo clube grená da Alameda Rio Branco.

O dia histórico:

Foi no dia 18 de junho de 1939, em Blumenau, no campo de futebol do Brasil , depois Palmeiras E.C., que aconteceu este momento histórico do futebol catarinense.
Pereira Jr, vestido elegantemente de terno branco, transmite o jogo Brasil (Palmeiras) 4 x 0 Caxias de Joinville e o time blumenauense conquista a taça "Alfredo S. Gresser".

Os gols do Brasil foram: dois de Augusto, um de Mário e outro de Xarope.

Neste jogo o Brasil (Palmeiras) formou com: Bruno, o grande Zé Pêra (que depois foi treinador do Amazonas, Olímpico e do próprio Palmeiras), Schramm, Ada, Karsten, Bóia e Irineu; Mário, Janga, Augusto, Schumann e Xarope. Também atuaram André e Rudolfo.
Atividades no rádio:
Manoel Pereira Júnior fundou em janeiro de 1940 o famoso programa esportivo "A Marcha do Esporte", que ia ao ar diariamente pela PRC-4 às 12,30 horas.

Em 1954, desgostoso com a direção da empresa, solicitou demissão. José Gonçalves assumiu a direção do programa por pouco tempo, sendo substituído pelo grande desportista e comentarista esportivo Tesoura Júnior.

. O motivo do descontentamento:
O descontentamento, que motivou a saida de Manoel Pereira Jr. da PRC-4 foi o seguinte: a partir de 1954 ele transmitia os relatos da história do "menino santo" do bairro do Garcia. Pereira Jr, muito religioso, acreditava nas histórias e nos supostos milagres atribuídos ao menino, enquanto que a direção da rádio não acreditava, e achava que tudo era uma grande farsa.

Pereira Júnior faleceu no dia 22 de julho de 1981, aos 66 anos de idade.
A imagem mostra Pereira Jr. ao centro de Branco com o seu instrumento de trabalho, o microfone.
A história da radiodifusão em Santa Catarina começou em Blumenau.
A Rádio Clube de Blumenau foi fundada no dia 19 de março de 1932. Em 1933 foi adquirido um transmissor Collins de 150 watts. Em 1934 começa um período experimental.
No dia 18 de março de 1935 entra no ar um transmissor Phillips, de 500 watts de potência.
Na época foi feito um plebiscito e o nome escolhido foi Rádio Cultura de Blumenau.
Poucos meses depois o nome foi mudado para Rádio Clube, até porque a rádio era conduzida como se fosse um "clube de ouvintes e colaboradores".
Foi a primeira emissora de Santa Catarina.
Seu fundador, Sr. João Medeiros Jr., nascido em 1893 em Florianópolis, também era diretor da Empresa Industrial Garcia.
Medeiros (Foto) igualmente foi pioneiro do radioamadorismo em Santa Catarina.
Em 1929 instalou um alto falante na Empresa Industrial Garcia, e tocava música durante algumas horas por dia. Foi diretor da EIG até 1940 e era muito estimado pelos empregados da empresa.
O serviço de alto falante foi depois aprimorado e dali surgiu a semente da primeira rádio do Estado.
A Rádio Clube era a única emissora blumenauense até 1957, quando surgiu a Difusora.
O seu programa mais conhecido era o "Peça a Sua Música", com dedicatórias musicais.
Na área de jornalismo ficou famoso o noticiário das sete da noite, o "Repórter Catarinense".
Durante quase 50 anos o horário das transmissões era das 7,00 h da manhã até às 23,00 horas.
Às vezes os equipamentos do transmissor esquentavam muito e havia interrupções.
A primeira transmissão experimental foi feita ainda na Empresa Industrial Garcia. Depois, foi instalado o estúdio na Travessa Aymoré, hoje Rua Capitão Euclides de Castro. A antena e o transmissor foram colocados no "Morro dos Padres", na Rua 7 de Setembro (morro que fica ao lado do Shopping Neumarkt).

Medeiros foi o primeiro locutor a transmitir futebol, em caráter experimental, no campo do Amazonas, Garcia. Mas oficialmente, o primeiro narrador esportivo foi Manoel Pereira Jr.
O primeiro "speaker" (locutor) foi José Ferreira da Silva, que anunciava os artistas locais, o nome das músicas e lia os anúncios, os reclames da época.
Também houve uma locutora, que prestava serviços a Medeiros. Seu nome era Atalá Branco.
As cinco emissoras de rádio AM de Blumenau, e o ano em que começaram a operar:

1936 – Rádio Clube de Blumenau (Com o nome de PR C 4)
1957 – Rádio Difusora (hoje Itaberá)
1958 – Rádio Nereu Ramos (Com o nome inicial de Rádio Tabajara) depois da morte de Nereu Ramos muda o nome. 01 de setembro de 1958
1962 – Rádio Alvorada 20 de julho de 1962 (Hoje CBN)
1967 – Rádio Blumenau. 01 de abril de 1967
* PR foi o prefixo que o governo federal concedeu às primeiras emissoras radiodifusoras no Brasil.
Por isto existe a informação generalizada de que a PRC-4 teria sido a quarta emissora do país.
Mas deve-se lembrar que antes dela vieram várias com prefixo PRA , depois PRB e só então as que ostentaram o PRC. Nesta sequência, então sim, a PRC teria sido a quarta.
Arquivo : Adalberto Day e Arquivo histórico José Ferreira da Silva Colaboração especial Carlos Braga Mueller, escritor e jornalista.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

- O antigo comércio no Vale do Garcia


Rua Amazonas por volta de 1912
Adentrando a Die Kolonie (a colônia).

Para os moradores, era o local da “Gente do Garcia”. Como portal de entrada do bairro e de acesso a toda região do Vale do Garcia, a Rua Amazonas, com mais de 5 Km detém hoje um vasto e variado comércio e industrias. Foi conhecido primeiro por estrada geral do Garcia até 1919 e depois a ser a Rua Amazonas dos nossos dias correntes, que juntamente com a Alameda Rio Branco, foram as primeiras ruas da cidade a receberem asfalto. Em torno dela a vida socioeconômica do bairro cresceu. A venda dos Hinkeldey onde os agricultores faziam suas compras, trocas, o escambo: o cine Garcia, ponto de encontro principalmente da juventude, a churrascaria Tiefensee, iniciada por George Frederico Tiefensee...
Estádio do Amazonas E.C.
e o Clube Amazonas que nas tardes de domingo fazia o bairro se enfeitar de azul e branco para vê-lo jogar em seu magnífico estádio da “Empresa”, o time era formado tão somente pelos funcionários da Empresa Industrial Garcia “. E o Salão da família de “Hermann Hinkeldey" (Foto a esquerda e a direita Cooperativa da Garcia), quantos relatos de felicidades e divertimentos, resultando muitas vezes em matrimônios duradouros, e depois nesse mesmo local transformou-se em Cine, “Cine Garcia”  oficialmente fundado em novembro de fundado em 1944 (em 1941 começou a passar filmes no local amadoristicamente}. por Carlos Zuege e Arthur Lohse e dirigido por ultimo pelo sr. Sr. Reynaldo Olegário, que proporcionava momentos de lazer maior a toda comunidade do Vale do Garcia, quantos relatos de trocas de gibis, namoros, e até da suposta premiação de quem encontrasse uma pulga e entregasse ao proprietário, que maravilha, nunca soube de alguém que teria encontrado, mas era o comentário que se ouve até os dias correntes, foi sem dúvida momento raro que jamais o tempo irá apagar. Depois de assistir ao filme, o ponto de parada era o Bar ao Lado do Sr. “Schoenfelder” para deliciarmos o sorvete caseiro feito na hora.
“Fatores diversos contribuíram para o progresso da região do Vale do Garcia” Hospital Santa Catarina, Madereira Odebreacht, Artex, o hoje 23º BI, a Tecelagem União foto a (E) , que se localizava na Rua Amazonas 1531,fundada em 1943 por um tecelão sr. Christiano Theiss e sua esposa dona Hilda, que com a fabricação de tecidos de algodão e felpudos e juntamente com duas lojas próprias, gerou centenas de empregos até o encerramento de suas atividades em 1972. Com grande satisfação também queremos mencionar a enorme contribuição que a Souza Cruz, trouxe para a região que desde 1952 instalou-se na Rua Amazonas - foto acima (D), então como Companhia Brasileira de Fumo
O Vale do Garcia, possui uma característica de um grande condomínio, talvez por isso ser tão charmoso, encantador e cheio de belas histórias. Sempre quem chega a essa localidade, seja por qualquer motivo, se faz necessário seu retorno devido o acesso ser praticamente inexistente para outras localidades. E é essa diferenciação com outros bairros, (que ao contrario muitas vezes apenas passamos por necessidade na busca de outra região), que representa tanto para a nossa comunidade.
Blumenau passou a município em 1880, quando Gaspar e outras cidades vizinhas passam a ser distrito de Blumenau. Luiz e Antônio Deschamps Filho fixam residências no final do século XIX no Gaspar Alto, para trabalhar na Empresa Industrial Garcia.
Atividades comerciais no início do séc. XX, e que predominaram até a década de 70, no entroncamento dos bairros Garcia,Glória e Progresso, não tinham nomes próprios, eram conhecidos como venda, mercearia ou bar do fulano, cicrano e beltrano.
Na Rua Amazonas em frente à rua Antonio Zendron existia o comércio de secos e molhados da família de Hermann Hinkeldey desde o início do séc XX., quando não recebiam em dinheiro, faziam o escambo (troca) de mercadorias. Também neste local funcionava um salão dançante (Hermann Hinkeldey), e mais tarde por volta de 1944, o cine Garcia até 1974, quando se transformou na Igreja Santo Antônio, e demolido em 1979, ao lado a sorveteria do Sr. Schoenfelder .
Cine Garcia e ao lado a direita Comercial Arco Íris (Foto Ângela Maria de Oliveira).
Em frente a este local existia o comercial Arco Íris, da família de Gerhard Schmidt, ao lado funcionava a Alfaiataria de Waldemar Rudolf, e ao lado o comércio de Fritz Pahal
Ainda na Rua Amazonas no nº 3985, funcionou durante alguns anos, o tradicional Café Urú, e no nº 4.137, existiu uma padaria das famílias Raspold e Arthur Germer, essa propriedade depois foi residência da família de Oswaldo Hinkedey, e hoje tombada como patrimônio histórico, um pouco antes no mesmo lado existiu a Alfaiataria de Arnoldo Gauche, e encostado, o Fotógrafo Lulu Machado. Bem próximo Funcionava uma pequena Igreja Evangélica (Luterana) e uma pequena sala de aula, e nos dias correntes jardim de infância Dr. Blumenau.
Na Rua Amazonas 4.220, existia os Secos e Molhados de João Iten, que também foi o primeiro salão do Clube Centenário. Ainda na Rua Amazonas, existiu onde hoje é Parque Fabril da Empresa Coteminas, a Cooperativa de consumo dos empregados da Empresa Industrial Garcia Ltda.
Também no início da Rua Progresso a Empresa Artex S/A tinha sua cooperativa. Onde hoje é parque fabril, na altura do nº 400, existia o comércio e Bar do “IKO” de Hilário Hort, um pouco mais adiante no n° 541 existiu o comércio do Sr. Juca Santos. E no nº 796 existia o Bar e Venda de Paulo Schmith a partir de 1950 (Foi Comercial Dona Frida - foto fundada em 24 06 1983 - Essa casa foi demolida em 2013), anteriormente morava neste local a família de Christiano Theiss e na entrada do Jordão o salão e comércio Sirhau.
Empresa Garcia e casas populares
No início da Rua da Glória onde hoje é o posto policial nº 22, existia uma pequena venda e garapeira da Senhora Faria, dirigido por última pela família Pêra.
Entre o início da Rua da Glória até próximo a Igreja Nossa Senhora da Glória, existiram os seguintes pontos comerciais respectivamente: Padaria do “MANECA”, Barbearia e Mercearia da família de Emilio Felsky, Venda da Cassiána, Bar e Secos e molhados de Francisco J. Malheiros, Alfaiataria do “MILICO” de Alois Felsky, Açougue do Capitão de Walter Haupt, Mercearia,Comércio de Secos e Molhados e Bar de “Oswaldo Phiffer”, Atafona de João Heiden, Churrascaria de Zé Silvino ,Mercearia de Delfino Tomio, Mercearia do Zé Geraldo, Secos e Molhados de Jacob Bodmuhller, Açougue de Valdir Bonanomi.
A partir de 1966 a Empresa Industrial Garcia, vende suas propriedades aos funcionários e começa a aparecer os primeiros pontos comerciais, como Loja Prosdócimo em 1967, no nº 174 e Hass calçados em 1971, no nº 130.
Vários empregados da Empresa Industrial Garcia, tinham outras atividades dentro da comunidade, um deles o Sr. Reynaldo Olegário Gerente da Cooperativa de Consumo dos empregados da Empresa Industrial Garcia, era proprietário do Cine Garcia. Outros participavam dos Clubes de Caça e Tiro Jordão e Centenário, alem de serem sócios do Amazonas E.C., aliás, o Amazonas até o início da década de 1970, era o clube de Blumenau com maior numero de associados, em torno de 3000. Outros colaboravam não só financeiramente na construção da Igreja Nossa Senhora da Glória e da antiga Escola São José hoje Colégio Celso Ramos, como também na própria construção, os empregados logo após o expediente, almoçavam e iam trabalhar na construção.
Também alguns empregados participavam de peças teatrais coordenados por eles mesmos. Algumas empregadas eram depois do expediente costureiras em sua própria casa. Era costume em quase todas as casas populares da Empresa Garcia, o cultivo de alimentos, os canteiros como eram chamados como também os famosos “galinheiros” todo mundo tinha um, onde existiam galinhas poedeiras e criação própria dessas aves. Era uma verdadeira aldeia formada pelos trabalhadores da Empresa industrial Garcia, que em sua maioria viviam em harmonia.
Arquivo de Adalberto Day/cientista social e pesquisador da história.

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