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quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

- À Musa, muito obrigado!

 

Em histórias do nosso cotidiano, o amigo Flávio Monteiro de Mattos , carioca de nascimento e BLUMENAUENSE POR OPÇÃO.

Hoje nos apresenta mais um texto sobre seu amor e carinho para com nossa Blumenau.

À MUSA, MUITO OBRIGADO!

Dias atrás tive um casual encontro na rua com um antigo colega de ginásio que, de chofre, perguntou se eu não era o que passava as férias em Blumenau e contava maravilhas da cidade? Confirmei que sim e foi a minha vez de indagar como ele se lembrava de um episódio tão antigo - afinal, essa época jazia nos meados da década de 1960 -, ele respondeu que em toda sua vida somente ouvira uma única pessoa falar das maravilhas de Blumenau e também pelo fato de ser fisionomista, que eu não mudara quase nada.
Isso de ter mudado a fisionomia, concordamos em deixar de lado concordamos com o fato de que no material didático daquele tempo, nada ou quase nada se mencionava acerca das nossas regiões geográficas, muito embora no sudeste e sul se registrasse o forte crescimento da indústria, especificamente a automobilística, com a produção efetiva de carros, caminhões, tratores, máquinas, etc. 

Nossas estradas eram percorridas pelos ônibus da Viação Cometa, Expresso Brasileiro, Nossa Senhora da Penha e a produção trazida e levada sobre as rodas dos heróicos caminhões “FENEMES”, produzidos a partir de 1949, em Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro, sob licença da marca italiana Isotta Fraschini. 

Que não se mencionasse nada sobre Blumenau, para minha tristeza, ainda passa, mas ignorar a explosão industrial que São Paulo capitaneou, foi como colocar a cabeça dentro do buraco, como fazem os avestruzes!

Bastava ter ouvidos atentos - e interesse! -, ao circular pelos pátios dos colégios no retorno das aulas, em julho, e ouvir comentários dos próprios alunos dos locais onde passaram suas férias, quase sempre em cidades onde tinham parentes em Minas Gerais, São Paulo ou até mesmo o distante Rio Grande do Sul. 

Eram poucos os que se aventuravam embarcar em viagens para localidades um “pouco” mais distantes como Blumenau, que nessa época distava por meio rodoviário três dias para ir e outros três, para retornar.

Sem falsa modéstia, fui um precursor do Globo Repórter e vi, ano após ano o desenvolvimento de cidades como Apiaí, Capão Bonito, Ribeira, Registro, Jaguariaíva e outras tantas, que na época se podia classificar como vilarejos.

Da mesma testemunhei o surgimento ou ampliação de fabricas e indústrias instaladas em São Paulo, no Paraná, e em Santa Catarina, que vieram a ser tornar potências. Algumas ainda estão operando e outras, talvez a maioria, sucumbiu por conta da globalização.

Vi também quando iniciaram o asfaltamento da estrada São Paulo / Curitiba, a rodovia Régis Bittencourt, que foi incorporada a BR 101 e muitos anos depois, duplicada.

É claro que não me dava conta da importância do momento que testemunhava nestas nossas viagens, porque na época meu maior interesse era chegar em Blumenau. Todos os percalços eram esquecidos quando adentrávamos o estado catarinense, com seus campos cultivados, suas casas em estilo  enxaimel, com fumaça branca saindo pelas chaminés.

E Blumenau ficava “logo depois” de descer a serra de Jaraguá! Parecia que esta fase final da viagem era a mais longa de todas, por conta da ansiedade de logo chegar, até que por fim ingressávamos no perímetro urbano da cidade e mais adiante, já trafegando pela Rua São Paulo misturavam-se automóveis, caminhões, ônibus e o ruído áspero das ferraduras das parelhas dos carros de mola sobre o piso de paralelepípedos perfeitamente alinhados.

Dependendo do horário, o transito ficava intenso pelo enxame de bicicletas dos funcionários das malharias, indústrias de porcelanas, cristais e brinquedos indo para o trabalho ou voltando para casa, tudo isso junto e misturado com o vozerio de pessoas falando em alemão e português. 

E todo um cenário típico das mais tradicionais cidades europeias no Brasil, que pouca gente teve oportunidade de ver ou conhecer. Por anos seguidos fiz esta mesma pergunta, mas nunca encontrei resposta.

Lembrei também e o antigo colega concordou que a maioria dos colegas que viajavam de férias comentar que não viam a hora de voltar para o Rio de Janeiro ao passo que comigo acontecia justamente o contrário. Retornar para o Rio era muito triste e quase era trazido de volta devidamente imobilizado. Era muito difícil deixar para trás os primos e amigos dos primos, das brincadeiras das intermináveis partidas de futebol, dos passeios de bicicleta, de assistir no estádio da Alameda dos clássicos entre Olímpico x Palmeiras, das matinês dos cines Busch ou Blumenau onde podia ir com os primos e sem o acompanhamento de adultos, concessão totalmente fora de questão em se tratando de Rio de Janeiro. 

Perto de encerramos a sessão-nostalgia, meu antigo colega fez uma revelação curiosa. 

Disse que por muitos anos daquela época, desconfiava dos meus comentários tão positivos sobre Blumenau e que somente passou a dar-lhes crédito quando ele e o Brasil conheceram, em 1969, a beleza da Vera Fischer ao se sagrar Miss Brasil.

Despedimo-nos e no caminho de volta para casa, agradeci à musa por ter me salvo da pecha de mentiroso. 

Texto; Flavio Monteiro de Mattos/fotos e Adalberto Day

 

- O pastor dos colonizadores


A presença do pastor Rudolf Oswald Hesse foi fundamental para a formação social e espiritual da colônia de Blumenau. Nas primeiras décadas da imigração, quando as grandes dificuldades geradas pela falta de dinheiro, de estrutura e pela força inclemente da natureza castigavam a alma do colono alemão, Hesse trouxe o conforto e a esperança para o núcleo de imigrantes. Afinal, seis anos após a chegada, ainda tinham um grande e árduo caminho a percorrer em sua vida pessoal e comunitária.
O pastor nasceu dia 11 de outubro de 1820, em Reinswalde, perto de Sorau, no reino da Prússia. Seu pai, Friedrich August Hesse, era professor no local. Dos anos de 1835 a 1840, Oswald frequentou o ginásio de Sorau. Depois cursou a universidade de Breslau, onde se formou em Filosofia e Teologia.
Desde a fundação da colônia em 1850 até julho de 1857 não houve pastor na colônia. Com perseverança, muito trabalho e dedicação, orientou por 22 anos as almas luteranas da cidade. Quando chegou, ainda não existiam igrejas. As humildes casas dos colonos e o barracão de recepção aos novos imigrantes serviam para a celebração dos cultos.
Através de insistentes solicitações, Doutor Blumenau finalmente conseguiu o auxilio do governo imperial na construção de um templo para os cultos. Em 23 de setembro de 1868, na cerimonia de lançamento da pedra fundamental da primeira igreja evangélica, o pastor Oswald Hesse proferiu um sermão radiante, que acabou se eternizando dentro da comunidade luterana da Colônia. Foi encerrado na pedra fundamental, como documento da história de Blumenau. A primeira Igreja evangélica da colônia e do Vale do Itajaí foi construída no Badenfurt e inaugurada no dia 07/07/1872.
A prédica do pastor elaborada para aquela ocasião tinha como base o texto bíblico de Romanos 12, 1-6.
                  
A Igreja do Espirito Santo demorou quase 10 anos para ser erigida, face á escassez de verbas provenientes do Império. Mas, ao menos, a longa espera inspirou um dos grandes momentos do orador Oswald Hesse. No dia 23 de setembro de 1877, um sermão de satisfação e júbilo inaugurou o espaço tão esperado pelos luteranos. Infelizmente, os sermões de Hesse só ecoariam no templo por pouco mais de dois anos a Igreja recebeu o Nome de  Espirito Santo. No entanto, a comunidade evangélica de Blumenau tem como data oficial de fundação o dia 09/08/1857, pelo fato  de neste dia o pastor Hesse ter realizado o primeiro culto em Blumenau em um barracão e provavelmente a comunidade reunida ouviu a prédica do Evangelho segundo Lucas 16,1-12.    
               Em 25 de novembro de 1879, o pastor acabou falecendo.
“Hesse oferecia em suas intensas pregações a esperança e o  conforto que os colonos necessitavam”.
Oswaldo podia ser lembrado pelos 910 matrimônios, 3. 794 batizados e 1.995 confirmações que celebrou em 22 anos. Mas o que ficou na memória da comunidade foi o personagem de espirito alegre e liberal , que exalava o humor e a esperança nas rodas de conversas. Também ficaram as atividades humanitárias. Era o primeiro a auxiliar os espíritos castigados e desamparados da colônia. Sua influencia foi fundamental na construção de novas igrejas e das novas comunidades evangélicas que surgiram.
Junto com a evolução espiritual, veio também o desenvolvimento da vida cultural e social do município. Hesse, por exemplo, teve papel fundamental na criação da Sociedade de Canto Germânia, uma precursora da Sociedade Dramático - Musical Carlos Gomes.
O pastor também foi personagem capital da educação, criando em 1862, a casa d’escola, habitações que eram utilizadas no ensino das crianças,  Ela se situava na colina onde atualmente está a Igreja Evangélica-Luterana do município, na Rua Amazonas. 
Reprodução Jornal de Santa Catarina, sábado 2 de setembro de 2000; 150 Anos Blumenau; Volume 3 – Personagens, lugares e construções;AHJFS

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