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sexta-feira, 11 de julho de 2014

- Festitália em Blumenau

Foto Jaime Batista da Silva em 2009
25ª edição da Festitália inicia nesta sexta-feira, dia 12 a 21 de julho/2019
Os amantes da tradição e cultura italiana poderão saborear um evento com muita culinária, música, canto e dança.
Festitália é uma promoção do Lira-Circolo Italiano di Blumenau, com o apoio da Prefeitura, através da Vila Germânica.
A gastronomia é um dos principais carros-chefes. Desde 2013, a maior festa italiana de Santa Catarina ampliou o cardápio e novidades não faltarão. Quem no Parque Vila Germânica vai se surpreender com a variedade de delícias típicas.
Para saber mais acesse:

História da maior festa italiana de Santa Catarina
A Festitália surgiu em 1994, fruto do ideal dos integrantes do Circolo Italiano di Blumenau em resgatar, manter e incentivar a cultura italiana e o amor pela Itália. Desde sua primeira edição consagrou-se como a maior festa italiana de Santa Catarina. Desde a primeira edição a Festitália acontece na Vila Germânica. No primeiro ano a maior atração foi a Orquestra Zaccharo de São Paulo e os conjuntos regionais, com prestígio e incentivo.
Em 1995 a cantora Italiana Gigliola Cinquetti (foto)foi a grande atração da Festa. Gigliola Cinquetti nasceu em Verona em 1947 e começou a cantar aos dezesseis anos em 1963, vencendo o concurso "Voci Nuove Di Castrocaro". Um ano depois participou do Festival de San Remo com a célebre canção "Non Ho L' Età", recebendo a primeira colocação. Gigliola Cinquetti fez tanto sucesso que a RAI decidiu fazer um especial em três etapas no final dos anos 60. Em 1969, Cinquetti protagonizou a transmissão de rádio "La Bella e La Bestia", junto com Paolo Vilaggio. Mas o grande destaque de Gigliola Cinquetti foi a interpretação da canção Dio como ti amo.
http://www.youtube.com/watch?v=-WY9vR0DsNY
Com esta canção ela vendeu milhares de discos em toda Europa.
Na segunda edição, buscou-se melhorias e foram oferecidos ao público expoentes da música italiana. E a partir da terceira edição a Festitália se consagrou como uma festa de família e de encontro de amigos. Nas edições mais recentes os organizadores buscaram oferecer espaços mais amplos ao público, além de consolidar a festa como um evento gastronômico, trazendo pratos típicos e vinhos.
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Adendo e fotos de Adolfo Ern Filho
Barraca do X POLENTA invenção do Décio e Lori Moser
1ª FESTAITALIA que fizemos na PROEB em 1994.
A história começou com o Prefeito Renato de Mello Vianna, que me chamou em seu Gabinete na Prefeitura dizendo que tinha uma reunião com Circulo Italiano de Blumenau e eu como Presidente da PROEB deveria estar nesta reunião. Cheguei mais cedo e ele me falou que tinha um compromisso de campanha e que desejava fazer uma Festa Italiana em Blumenau, eu argumentei com ele, “mas aqui é uma cidade típica alemã e já temos a OKTOBERFEST”.
Como vamos fazer uma festa italiana...ele me disse 30% da população de Blumenau tem origem italiana, fora as cidades italianas no vale do Itajaí. Bene.. o que fazer, o Capo queria La festa, então vamos fazer. Na reunião com o Circulo Italiano decidiu-se fazer a festa no mês de julho, mas só que ninguém sabia como fazer uma festa italiana. Seria nos moldes da Oktoberfest ou como era uma festa italiana. Me lembrei que tinha um amigo em São Paulo, um agente de Viagem, Modesto Matrorosa que realizava anualmente a festa de São Genaro em São Paulo. Para lá foi o Adolfo aprender fazer uma festa italiana e foi muito importante porque a Festa de Italiano é gastronômica e muita musica, muito vinho, dançar musica romântica, dança folclórica, cantoria, etc. diferente da oktoberfest que é muita bebida, muita dança e festa, gastronomia pouca, muita salsichas. Também foi bom ter ido a Festa de São Genaro porque conheci o Maestro Zaccaro e sua orquestra e outros contatos na Itália de Cantores Italianos que vieram para Blumenau. As reuniões com o Circulo Italiano eram ótimas, uma discussão que só acabava quando eu perguntava para eles quem iria pagar a conta. Corria todos, mas foram grandes companheiros e principalmente o Décio Moser que muito me ajudou a realizar esta primeira festa italiana em Blumenau e o Secretário de Turismo Norberto Mette que foi para Roma e Milão contratar os cantores e cantoras italianas que deram a grandiosidade internacional à festa, a decoração foi feita pelo saudoso amigo Carlos Jardim. A orquestra Zaccaro eu já tinha contratado em São Paulo. Organizamos até um desfile típico na rua Humberto de Campos,  com grupos italianos da região e outros estados. Fico feliz que esta semente germinou e continua sendo uma das grandes festas de Blumenau.
Maestro Zaccaro sendo homenageado pelo Prefeito com uma Placa com o Símbolo de Blumenau, Flavio de Almeida Coelho - Presidente da EMBRATUR, Décio Moser do Circulo Italiano,Prof.Jose Campestrini Consul honorário da Itália, vereador e diretoria do Circulo (não identificado ).
Maestro Zaccaro emocionado agradecendo a homenagem e Prefeito Renato Vianna.
Adolfo Ern Filho Presidente da PROEB, Prefeito m. Blumenau Renato de Mello Vianna, Maestro Zaccaro .
 Para saber mais acesse:
http://www.festitalia.com.br/

- No tempo das “Caleças” Fúnebres

NO TEMPO DAS "CALEÇAS" FÚNEBRES

Por Carlos Braga Mueller/Jornalista e escritor em Blumenau

Houve um tempo em que os mortos em Blumenau eram conduzidos para sepultamento em caleças¹ fúnebres, ornamentadas com cortinados e puxadas a cavalo.
Guardando a cor preta, estas caleças eram conduzidas por um boleeiro que ostentava sempre um terno escuro. A parelha de cavalos era preta e os cavalos ornamentados com penachos pretos.

No teto da caleça, na parte central, despontava uma cruz.
Esta simbologia, criada para levar aos cemitérios os entes queridos, não era exclusividade de Blumenau onde, em nossa infância, assistíamos com certo medo a passagem dos cortejos fúnebres.
Outras cidades, como São Bento do Sul e Pomerode, possuíam também suas caleças no mesmo estilo, que presume-se tenham tido inspiração europeia.
Na maioria dos municípios, onde predominava a área rural, a denominação desse transporte era "carroça fúnebre"; em Blumenau ficou conhecido como "caleça".
Nos velórios, era comum alguém indagar:
- A que horas chega a caleça?
Estas conduções cumpriram com suas finalidades até por volta de 1960, em alguns lugares até os anos 19(70), quando foram substituídas por veículos a motor, as camionetes funerárias muito menos pomposas, geralmente na cor cinza, ou preta, ostentando uma simples cruz nas portas do veículo para indicar sua missão.
Como os cavalos conduziam a caleça em passo de trote, ficava fácil aos parentes e amigos da pessoa falecida acompanhar a pé o cortejo. Logo depois da caleça vinham os familiares, vestidos de preto. Em seguida algumas carpideiras² davam o toque de choro ao adeus. E finalmente o povo vinha atrás. Eram raros os veículos particulares que acompanhavam os féretros.
A caleça seguia silenciosamente e ao seu redor eram penduradas as coroas fúnebres, homenagens ao falecido.
Vez por outra, se o falecido fosse importante, um ônibus acompanhava o cortejo levando quem não conseguia locomover-se com as próprias pernas até o cemitério.
Quando o cortejo fúnebre passava, as lojas cerravam as portas e logo depois reabriam. Sinal de respeito ao cidadão (ã) que partia.

PERSONALIDADES

Velório do Dr. Amadeu da Luz
Amadeu Luz, ilustre blumenauense, filho de Hercílio Luz, foi levado até a sepultura em caleça puxada a cavalo.
Seu sepultamento ocorreu no dia 2 de setembro de 1934 (dia do aniversário do município).
Foi velado na Prefeitura de Blumenau (prédio onde hoje funciona a Fundação Cultural de Blumenau). O féretro seguiu pela Rua 15 de Novembro em direção ao cemitério da Rua São José.

Além do acompanhamento tradicional, houve presença de um pelotão formado por integrantes do Partido Integralista Brasileiro (foto), que desfilou com suas camisas verdes em homenagem ao falecido.
Outro ilustre blumenauense que teve seu corpo trasladado por caleça foi Armando Silva, proprietário do Café Urú, como relembra Adalberto Day.
Foto do Artur Moser, publicada no Jornal de  Santa Catariba, mostrando uma caleça que está no Museu Pomerano.
Em Pomerode, Egon Tiedt, colecionador de peças e documentos antigos, fez questão de dizer que queria ser transportado, quando morresse, na caleça que era propriedade da família. Foi atendido.
Esta caleça (foto) encontra-se exposta atualmente no Museu Pomerano, mantido pela Prefeitura do Município, sucedâneo do Pommersches Museum, de Tiedt, que transferiu quase todo seu acervo particular  ao poder público municipal de Pomerode.
A caleça, ou carroça fúnebre, começou a ser utilizada naquele município em 1954 e durante 20 anos serviu à comunidade. Depois de aposentada, a caleça só foi ativada em fevereiro de 2008, para levar Tiedt até sua última morada. Recuperada, está no Museu.
Em São Bento do Sul, uma  caleça fúnebre construída em 1934 encontra-se atualmente exposta ao público em um abrigo de alvenaria que a prefeitura construiu na entrada do cemitério municipal daquele município.
Ela foi encomendada a alguns artesãos e profissionais são-bentenses pelo sapateiro Frederico Fendrich, que foi a Joinville, onde fotografou a carroça fúnebre da Funerária Stoll para servir de modelo ao seu projeto. 
Lenda Urbana ou fato real? 
Conta-se que em Blumenau, durante um cortejo fúnebre puxado a caleça, que se dirigia ao cemitério evangélico, houve um fato inusitado.
Quando descia a Alameda das Palmeiras, em direção ao cemitério evangélico, alguém soltou um foguete por perto.
Assustados, os cavalos empinaram e só não dispararam pela perícia do boleeiro condutor.
Todavia, o caixão caiu da caleça, sua tampa soltou-se e o morto foi jogado ao chão.
Constrangimento total!
Piedosos, os acompanhantes recolocaram o cadáver no lugar e o cortejo seguiu em frente.
Contavam os mais antigos que esta  história aconteceu nos anos 20 ou 30 do século passado na então pacata Blumenau.

Nota Final: 
Esta matéria nasceu de uma sugestão do nosso internauta e amigo Ivo Hadlich.
Adalberto Day também tinha intenção de reportar-se ao assunto.
O mesmo acontecia comigo, até pelas lembranças daqueles cortejos que eu via passar pela Rua 15 de Novembro quando era criança e que tanto nos assustava.
Resolvi, então, contar alguns fatos e assim surgiu esta postagem.
(Carlos Braga Mueller) jornalista e escritor. 
¹Caleça : Carruagem de tração animal (cavalo) montada sobre quatro rodas, tendo à frente um assento de encosto móvel e atrás uma capota conversível; caleche.
²Carpideira é uma profissional feminina cuja função consiste em chorar para um defunto alheio. 

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