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terça-feira, 7 de junho de 2016

- Mini reportagem quase sentimental

Em histórias de nosso cotidiano o Mestre Gervásio Tessaleno da Luz em uma crônica sobre "Cines" em Blumenau. 
Publicado: (Folha da Tarde, 26.10.1993).
Era um diário de uma página só em Blumenau, pertencia ao Rodolfo Buerguer. O redator-chefe, Carlos de Freitas. Com notas políticas e literárias.
Infelizmente, o jornal durou apenas dois meses, de outubro a novembro de 1993.
Antigo Cine Busch - foto 2006 Adalberto Day
Cine Busch 1976
Blumenau não é mais a mesma. Os cinemas morreram. Diriam: que é isso? Tem dois novos naquele shopping da rua Sete de Setembro. Nada a ver. Morreram de morte mandada (leia-se família Busch) os cines Busch 1 e 2.
O prédio em arte-decô é patrimônio histórico da cidade, cartão-postal da Alameda Rio Branco. Li no jornalão que o vice Vílson (de Souza) e o prefeito Renato (Vianna) bateram no peito e juraram impedir a demolição do edifício que daria lugar a mais um monstrinho para alimentar a selva de pedra que está virando Blumenau. Nada feito até a hora em que dedilhamos estas linhas um tanto rancorosas.
Cine Busch - e seu fundador Frederico Guilherme Busch

Pois bem, os cinemas Busch vêm da década de 1920, sangue genuíno da cidade. Com eles, a presença ímpar e insubstituível de seu gerente, por mais de 40 anos, Herbert Holetz. Homem sensível, inteligentíssimo, com uma biblioteca sobre a sétima arte de fazer inveja a países do dito Primeiro Mundo. Tomara que a Cultura Municipal (leia-se Sueli Maria Vanzuita Petry) atenda a um sonho do Holetz: um cantinho qualquer no Arquivo Histórico, onde ele possa depositar, tranquilo, o seu acervo cultural cinematográfico.
Pobre cidade esta. Vive empolgada com shoppings a mancheias. E deixa o melhor que possui fenecer. Mas a vida é assim. Os filmes ”noir” voltaram à moda. O episódio relatado acima soa à “noir”.
Sexta-feira, 22 de outubro, à noite, a cena mostrava-se deprimente. Os porta-cartazes de filmes vazios. Frente aos finados cinemas só a presença sonolenta dos motoristas de táxi, agora postados, com a mudança do trânsito, em frente a um banco que ocupou o lugar dos Correios e Telégrafos.
Tá bom. A tevê venceu. Antes dela, Blumenau possuía cinemas nos centro e nos bairros.
Eram o Busch, o Blumenau (depois Lojas Americanas, após a enchente de 1983), o Cine Carlitos 2 (o 1 era em Florianópolis, também já devidamente enterrado), e nos bairros: o Garcia (em frente à  rua Antônio Zendron), o Atlas, na Vila Nova, que virou minimercado, o Mogk, na Itoupava Norte, que se transformou em vídeo-locadora.
Cine Garcia - Foto Maria Ângela de Oliveira 

Gaspar já teve o seu cine, também Mogk. Atualmente, o local é uma loja de comércio. Roland, dizem. Mas há uma boa notícia: o Paca, ex-prefeito, promete num novo empreendimento, uma casa de espetáculos. Gaspar merece.
E Blumenau, rebatendo o teclado, não é a mesma sem os cinemas Busch. Reagir é preciso, parodiando o poeta d´além-mar Fernando Pessoa. Faltam pessoas para reagir. The end.

Texto de Gervásio Tessaleno da Luz  

8 comentários:

Shirley Day Kleine disse...

Delícia ler o que você escreve! Obrigada! Bjokas Shirló

Nillton Sergio Zuqui disse...

Meu caro Adalberto,
Quanta saudade dos nossos cinemas antigos,pois tive a oportunidade de conhecer e frequentar o cine Garcia,os demais da época íamos com mais frequência.Mas o grande propósito na época era mesmo de algazarra,pois jogávamos as bolas de gude lá de cima só para ouvir os barulhos degrau por degrau(pisos se madeiras), coisas de adolescentes,com tudo fomos sim engolidos por televisores,e canais fechados de TV por assinatura, que temos nos dias de hoje. Mais um excelente texto.

Marilene disse...

O velho e bom cinema.
Agora, só nos shopping.

Cesar-Blu disse...

Bons tempos, um abraço

sergio luiz buchmann disse...

Boa noite meu querido amigo professor. Vc nem imagina o que me trás de lembranças os antigos cinemas já não existentes.Os Cines Busch, Blumenau, Mogk, Garcia o mais frequentado por mim quando criança.E u até acho q comentei com vc Adalberto que aos domingos eu ia as matinês, pra ver os filmes , trocar revistas, e gibis, tomar um sorvete na sorveteria q tinha ao lado.Bons tempos. Depois em minha fase adolescente,já ia aos do centro cines Busch,e Blumenau q tenho belas recordações, dos bons filmes da época, os carros brigando por uma vaga nas ruas do centro,aquela empolgação, em entrar nos cinemas e ver os filmes em cartas.E dentro os trailers o Canal 100 q vejo ate hoje graças aos recursos da tectonologia. Tbm lembro de um dia q eu trabalhava Cia M. V Probst: Tinha q buscar, e levar as chaves na casa de Dona Ingrid Probst, E JÁ ERA NOITE quando eu passava correndo de bicicleta enfrente ao Cine Blumenau Um Carro abriu a porta eu bati e voei por cima do carro. Nunca me esqueci da preocupação do motorista do dito carro rs. Obrigado amigo por trazer a mim tão belas recordações. Realmente Blumenau não é mais a mesma. Desculpe me alongar me empolguei e tinha muito mais a dizer. E tenho certeza que outros q lerem sobre nossos antigos cinemas vão lembrar de algo q lhes aconteceu dentro e fora de algum deles. Novamente obrigado e grande abraço!

Dinorah Krieger Gonçalves disse...

É sempre muito agradável ler as crônicas do Tessaleno. Linguagem franca, direta, compreensível. Assuntos interessantes, principalmente quando abordam nossa querida Blumenau de outros tempos, com seu charme e sua cultura. Obrigada, Gervásio, por tantas e tão belas lembranças! Um abraço. Dinorah.

Urda disse...

Adalberto
Que lindo! Parabéns ao Gervásio! Dentre outras coisas, bateu forte em mim a foto do Cine Garcia, onde via Mazaropi e Elvis Presley na infância!
Urda A. Klueger

Valdir Salvador disse...

Pois é ca estamos novamente,relembrando e entrando neste famoso tunel do tempo,Cinemas de dos prazeres do povo de Blumenau.Cine Buch com o segurança e policial tradicional o Grande Lavino que éra o fantoche do publico que o respeitavam,o amigo de muitos e o respeitavel porteiro Sr Pedro, ja o cine Blumenau, que merecidamente levava o nome de nossa Cidade,com a sua umilde garagem de bicicleta la nos fundos ao lado esquerdo do prédio garantindo a segurança e a devolução das biciclétas ali confiadas ao Sr Buba que todos o conheciam por apelido, voltando ao Cine éra quase obrigatorio a compra de um saquinho deas deliciosas pipocas salgada e doce, feitas por o cidadão que morava no rua Ararangua,no termino do ilme que tal um sorvete no Bar do Cina ali ao lado?,no lado direito ao cine tinha o prédio da magestosa loja do Walter Schimitd, que me perdoe nosso amigoGervasio pois esqueceu o cinema do povão o tradicional Fut o cineminha ao ceu aberto em frente ao Bar Pinguoim com a tela em cima da Casa Buerger, e no todos sentados no chão puro Paralélopipedo acertei?? qué melhor???? depois que eu tambem me servia éra a grande cine Garcia co o famoso Olegario e ao lado a sorveteia do nosso amigo Osvaldo. tenho dito abraços a todos. deste seu amigo Valdir Salvador.

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