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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

- Almanaque Renascim

Eu Adalberto ao lado do amigo André  (Boina)
Em Histórias de nosso cotidiano, apresentamos mais um belo texto do colunista André Luiz Bonomini – Uma crônica relatando sobre os antigos Almanaques Renascim

Hoje e ontem. O tradicional Almanaque Renascim é apenas mais um na história dos almanaques farmacêuticos, que nunca deixaram o imaginário popular (André Bonomini)
Renascim: Os fabulosos almanaques farmacêuticos (que nunca morrem!)
Seus pais, tios ou avós já devem ter aparecido em casa com um destes depois de uma visitinha a farmácia do bairro. Pequeno, recheado de curiosidades, piadas, advinhas, dicas caseiras, calendário lunar e previsões astrais, sempre com uma bela mulher ou uma paisagem de capa. Hoje, naturalmente, é algo mais cult, mas em tempos mais remotos, era um baita informativo para o ano todo.
Tradicionais e nostálgicos, os almanaques farmacêuticos passaram de antiquadas publicações ao status de relíquias altamente valiosas e colecionáveis, uma verdadeira mina de história e costumes resumida em algumas poucas páginas. Parado em casa na manhã desta terça-feira passada (05/01), percebi na mesa da cozinha um pedaço dessa história que nunca morre. Era a 71ª edição do veterano Almanaque Renascim-Sadol, publicado anualmente pelo Laboratório Catarinense desde a fundação da empresa, em 1945, na sempre bela cidade dos príncipesJoinville.
Edição de 1908 do Pharol da Medicina, o primeiro almanaque de farmácia brasileiro, lançado no Rio em 1897 (Reprodução)
O Renascim é só uma pequena parte de uma história longa destas publicações que atravessam décadas e nunca deixam de estar nas farmácias brasileiras. Há quem não as encontre mais pelas drogarias de confiança, mas alguns afortunados como eu e outros tantos ainda desviam os olhos e garantem sabiamente um exemplar, distribuído gratuitamente.
O pioneiro foi o Pharol da Medicina, publicação elaborada com o patrocínio da Drogaria Granado, do Rio de Janeiro (sempre o Rio), em 1887. A partir dele, as publicações que se seguiram copiavam os moldes do pioneiro. O Almanaque trata-se de uma publicação anual que traz dicas para o lar, datas boas para pesca e agricultura, horoscopo, curiosidades, anedotas, adivinhações, tudo para cada mês do ano. Era um verdadeiro guia de bolso, da mãe em dúvida ao aluno curioso, do agricultor ao pescador.
Edição de 1943 do Almanaque do Biotônico Fontoura. Primeiros números tiveram ilustrações e foram editados por Monteiro Lobato (Reprodução) 
É dito que o mais conhecido do país foi o Almanaque Fontoura, criado pelo farmacêutico Cândido Fontoura, o criador do famoso fortificante Biotônico Fontoura. O que o faz tão conhecido e lembrado pela história é pelo fato de a ideia geral do anuário partir de um dos maiores gênios da literatura nacional: Monteiro Lobato. Amigo de Fontoura – e a qual devia uma por ter-lhe curado da fraqueza com o fortificante – era Lobato quem ilustrava e editava o Almanaque nos primeiros idos, dando-lhe personalidade e qualidade sem igual. A publicação esteve presente nas farmácias nacionais de 1920 até meados da década de 90, chegando a ter tiragem de 100 milhões de exemplares anuais em um período (tiragem de 1982).
Esta e outras tantas publicações, com o passar dos tempos, deixaram de serem simples peças antiquadas de um passado distante e passaram a ser exemplares ricos em história e simbolismo. Alguns exemplares, que no tempo de glória eram distribuídos de graça, são disputados atualmente a preços de ouro por colecionadores e sebos, por valores que variam entre R$ 15 a R$ 100, dependendo do valor histórico e se é um pacote com determinado número de almanaques. 
Apesar do desaparecimento do Almanaque Fontoura, outros persistiram e seguem na trilha até os dias atuais, como é o caso do Renascim. Destaco especialmente nesta edição uma preciosidade que tenho ainda hoje guardada, até como recordação de meu saudoso avô, Godofredo Heiden. É um pequeno exemplar do Renascim de 1979, que além do conteúdo padrão de todo Almanaque, traz uma curiosa história em quadrinhos em que um barbeiro contador de histórias (Zé Navalha) e o filho curioso (Brasílio) viajam o Brasil atrás de histórias e pontos turísticos conhecidos.
O andamento do conto é meio forçado em alguns momentos, especialmente na hora de inserir propaganda (vale lembrar, o Renascim é um informativo publicitário do Laboratório Catarinense), mas é uma curiosa peça de fim de anos 70 que vale a pena serem lida e contemplada, especialmente pela capa que traz os vários tipos brasileiros em confraternização. Dentro, além dos quadrinhos e dicas, um desfile de marcas tradicionais do Laboratório, algumas até hoje na ativa, como:
Balsamo Branco (Boettger), o próprio
Renascim, Melagrião, Sadol,
Alicura, Figatil, 
Camomila Rauliveira (Camomila Catarinense), 
Água Inglesa, Catuama e outros tantos.
Ah! Vale dizer que cada almanaque vem com a inscrição da farmácia (ou, naquele tempo, ponto de venda de medicamento, que podia ser uma pequena vendinha) que o cedeu. Neste de 1979, a recordação da antiga casa comercial de Max Klabunde, à época localizado no nº1940 da Rua Progresso, próximo a EEB Padre José Maurício.
A edição de 2015 do Renascim já está disponível nas farmácias de confiança no Centro e nos bairros. Quem não garantiu a sua ainda tem tempo. E guarde-a com carinho, nunca se sabe quando você, no futuro, terá uma peça história de valor inestimável e que pode até lhe valer alguns bons trocados.

Texto: André Luiz Bonomini
Leia o site A Boina https://goo.gl/6Yp8e8 

10 comentários:

Urda disse...

Usei o Almanaque Renascim como uma das tantas outras fontes necessárias para escrever meu livro Verde Vale, que se encaminha para a 14ª edição. Consultava nela as épocas de semeaduras e plantios da lavoura.
Como viver sem um almanaque Renascim?
Abraço,
Urda A. Klueger

Marília disse...

Beto, tive mais de 60 " almanaques de FARMÁCIA" Cheguei a emprestá-los a uma professora, que fez um catálogo, muito interessante, com todas as revistas e almanaques, que havia conseguido compilar. Um dia, alguém da minha casa achou um absurdo aquela" tranqueira" ( assim designada). Achei, que estava na hora de me desfazer e coloquei num leilão, partindo do pressuposto de quem compra, guarda com carinho. Não vendi. Acho que super estimei... Vendi, em separado, alguns exemplares: almanaque Dr Ross, Cabeça de Leão ...Vendo o seu email do Renascim, lembrei que tenho vários deles, de anos sequenciais. Qualquer hora vou colocá-los novamente em leilão e junto vai o catálogo, que pouca gente sabe que existe. Sinto que preciso me desfazer de objetos que juntei a vida toda. Ninguém quer lixo!!!!!!!!!!!!!!Para você ter uma idéia, tenho um álbum de cromos de 1865. Um abraço da velha juntadora de tralhas Marilia Car

Zé disse...

O Urbanauta 3 minHá 3 minutos lendo esses almanaques e adquirindo conhecimento geral, junto com HQs, álbuns de figurinhas, desenhos animados :-)
Zé Roig:

César disse...

Adalberto e André Todo começo de ano eu corria nas farmácias de Araranguá e Tubarão para pedir um almanaque desses.Pena que acabou.
César Canto Machado

Helga disse...

Sr. Day.
Feliz 2016, rico em descobertas interessantes e preciosas!

Apreciei ler a crônica do Sr. Bonomini.
Fez-me lembrar de uma passagem em um artigo que escrevi à pedido dos editores da REVISTA DE VICENTE SÓ,
para a sua próxima edição, com o título A LÍNGUA ALEMÃ EM BRUSQUE.
Pesquisando, descobri informações sobre o almanaque bilíngue do Laboratório Boettger (Fernando) de Brusque
que eu bem conhecia, nos anos que precederam a Grande Guerra.

Desejo-lhe uma boa semana!
Helga Erbe Kamp

Valdir Salvador disse...

Amigo Adalberto bonita lembrança dos dias do almanaque,os pequenos e com grandes inlustraçoes e maravilhosas reportagens, para quem quer saber tenho ainda uns 40 esemplarens, com numeros sortidos para vender a 5,00 cada,grato e abraços Valdir Salvador.

Nillton Sergio Zuqui disse...

Meu caro Adalberto,
Eu particularmente conheci alguns deles(almanaques) porém não tinha o hábito de explorara-los.
Sobre tudo entendo como um método muito valioso de informações para a época. Mais um excelente texto,parabéns.

Silvio Kohler disse...

Ola amigo Adalberto. Feliz 2016. Obrigado pela visita ao www.stadion.com.br por enquanto, somente as colunas publicadas em A Voz da Razão.
Saudades do Almanaque. Esperava-os com ansiedade quando menino. Parabéns pelo resgate.

Braga Mueller disse...

Beto e André,

Meu falecido pai teve farmácia no início dos anos cinquenta em localidades do interior de Santa Catarina: Serril, Braço do Trombudo e Rio Cerro II.
Naqueles locais, sem médico ou hospital por perto, o farmacêutico era considerado um verdadeiro doutor.
Me lembro que, quando criança, era aguardado com expectativa no finalzinho de cada ano o Almanaque Renascim, cujos exemplares vinham acondicionados na caixa dos remédios diretamente para a Farmácia. E ali nós colocávamos o carimbo Farmácia Popular....
Os moradores do interior, todos colonos, gostavam das informações e, como bem lembrou a Urda, eram dados de muita utilidade para cultivo da lavoura, datas da mudança da lua, etc. Um brinde e tanto !
A propaganda lembrava: "Quem toma Renascim...renasce sim !"
Outro medicamento daqueles tempos, a Camomila Rauliveira, tinha um mote também interessante: "Camomila Rauliveira...faz bem à família inteira."
E quem não lembra das "cartas enigmáticas" de antigamente, que muitos almanaques publicavam ?
Infelizmente não colecionei os almanaques que ganhei no decorrer dos anos, mas guardo um que herdei da família Braga: o do ano em que nasci. Precioso documento para saber o que acontecia naqueles tempos....

Carlos Braga Mueller

Wieland Lickfeld disse...

Caro Adalberto, o colega Braga Mueller citou a Camomila Rauliveira. Pesquisando os microfilmes de nossos jornais do final do século 19, encontrei ali anúncios de medicamentos oferecidos por "Raulino Horn e Oliveira". Parece vir dali o termo "Rauliveira". Quanto aos almanaques, a galera adolescente também gostava deles, mas por causa das belas mulheres que às vezes ilustravam suas capas. Grande abraço!

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