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terça-feira, 3 de novembro de 2015

- Mãos que oferecem rosas


Mais uma participação exclusiva da escritora e historiadora Urda Alice Klueger.

Mãos que oferecem rosas

Por Urda Alice Klueger

(Para Eduardo Venera dos Santos Filho)

Internet divulgação
                      Eu vinha de uma infância muito mágica, por conta da natureza, das minhas emoções e dos livros que lia. Escrevi muitas coisas, já, sobre isso, mas acho que nunca escrevi sobre a magia de ir de bicicleta à Biblioteca Púbica pegar livro novo, e na volta, vindo pela rua Amazonas, olhar para os morros e os vales do vale maior, que era o Garcia, e absorvê-los numa grande inspiração só, com suas distâncias, suas tonalidades que me pareciam as cores da nostalgia, e me sentir inteiramente parte daquilo tudo, dos morros, das cores, das distâncias.
 
Foto: Charles Schwanke Antigamente em Blumenau Rua Amazonas
Ilustração José Geraldo Reis Pfau
A bicicleta era como uma nave única no universo, onde eu podia viajar pela rua Amazonas e por todas as galáxias que a emoção e os livros traziam – por trás de tudo vinha a minha fada madrinha que se chamava Irmã Maria Adalgisa e que fora a minha professora de quarta série.
Irmã Maria Adalgisa
                      Assim fui atravessando a adolescência, cantando coisas bonitas como:
Rosas divulgação Internet
“Fica sempre um pouco de perfume
Nas mãos que oferecem rosas
Nas mãos que sabem ser generosas...”,

 
Irmãs da escola São JoséEdite de Oliveira Buerger
canções aprendidas com as minhas freiras queridas, e são tantas as lembranças desse tempo que nem dá para lembrar tudo aqui e agora, e assim fui andando pelo meus espaços, imbuída dessa magia que me vinha desde as primeiras lembranças, e um dia já tinha 19 anos e comecei a trabalhar.
                      E lá na escadinha que havia que subir para entrar no serviço, havia aquele moço mais bonito de todos, manhã após manhã, a me cumprimentar calorosamente com um sorriso de rosa desabrochando, e ele tinha também aquela cor das rosas mais suaves e lindas, pura cor de rosa, como a cor que a gente imagina que têm as nuvens onde anjinhos brincam, e havia um halo que o envolvia com aqueles tons de rosa que tem o amor.
                      Se vinha de uma vida encantada, mais encantada fiquei, e foi aquele moço mais bonito de todos quem me ensinou novas canções, daquelas que cantavam no rádio, mas que aprendi como se tivessem nascido somente da minha emoção:
  “Contigo aprendi que existe luz na noite mais escura
 Contigo aprendi, que em tudo existe um pouco de ternura...”

                      Tudo faz tanto tempo, mas é tudo tão real ainda!  Tanto a minha Irmã Maria Adalgisa quanto aquele moço mais bonito de todos e os aprendizados da magia, e fico pensando como a magia é coisa tão séria, que não se rompe, não se acaba, mas se multiplica e pode atravessar as décadas e iluminar uma vida inteira.
Vale do Garcia – Foto Adalberto Day
Hoje, quando passo por pequenos bosques, lembro daqueles tons de nostalgia dos morros do meu vale do Garcia e de outras coisas tão mágicas que aconteceram que acabaram norteando minha vida, e o moço mais lindo de todos, que partiu faz tantas décadas, normalmente me espera em lugares assim, e de novo me sorri seu sorriso de rosa, e vez ou outra sai da penumbra do bosque e me acolhe nos seus braços com tamanho carinho e proteção que não posso deixar de inspirar profundamente para absorver momentos de tal grandeza, como um dia, na adolescência, absorvia o encantamento do vale aonde vivia.

Blumenau, 01 de novembro de 2015.
Urda Alice Klueger
Escritora, historiadora e doutora em Geografia. 

7 comentários:

sergio luiz buchmann disse...

Bom dia!Urda Alice Klueger tão verdadeira em suas palavras O Garcia,a rua Amazonas, as pessoas Tudo muito lindo,o vede o natural,q através do tempo foi se perdendo pelas florestas de concreto.Todas as casas tinham jardins,todos se conheciam,trocavam mudas de rosa e flores em geral.O Futuro veio,o presente esta, o passado em nossas lembranças ficou!Como era magnifico o Bom dia , Boa tarde, o Boa noite, O RESPEITO A EDUCAÇÃO.Abração!

Nillton Sergio Zuqui disse...

Meu caro Adalberto,
Tomo a liberdade de viajar nesta linda história com muitas saudades dos tempos em que nos banhavamos no ribeirão Garcia.
É bem verdade que não viamos tantas flores,viamos sim grandes barrancos,tranpulins feitos por nos mesmos,e poços profundos que podíamos mergulhar sem medo. Outro dia estava passando pelos locais onde nos banhavamos fiquei boquiaberto em ver o nível do rio,quantas saudades.
Sai um pouco do texto, mas por a Sra. Urda relatar suas lembranças, também lembrei de momentos que hoje não vimos mais.
Muito boa a história, obrigado.

Antunes disse...

Que ele história, Adalberto.
Parabéns.
Antunes Severo

Valdir Salvador. disse...

Sr. Adalberto, posso ja enquadrar nossa simpatica e grande escritora, com Urdinha?, pois sempre me simpazei muito com ela por ser tão simpatica e meiga eu a conheço, desde quando eu fui a um lançamento de seu livro com historias de natal para ganhar um autografo foi num bar no trevo que ia para faculdade certo? mas uma vez aceite meus parabens pela sua linda historia espero que torne a ver seu principe encantado abraços Valdir Salvador.

Henry disse...


Olá.

Pessoa maravilhosa, estudamos juntos no Colegio Irmã Bemwarda, hoje no local Gerede, ao lado do Pedro II na Alameda e também estudamos juntos no Pedro ll.

Abraços.
Henry Georg Spring

Santos disse...

Oi Querido amigo Beto. Muito linda essa mensagem da Urda. Gostei imensamente, principalmente porque o meu primeiro amor também conheci lá no Bairro do Garcia. Ia visita-la também de bicicleta, condução principal da época, lá pelos idos de l945. Passei, talvez, por situações idênticas à de Urda. Tudo era lindo nessa ocasião e a natureza se destacava muito mais graças à redução de moradias. Meu primeiro amor residia exatamente onde hoje se acha localizado o Supermercado Cooper. E essa passagem fica tão profundamente gravada na alma da gente que ela é carregada pelo resto da vida. Lendo=se essa mensagem aquilo tudo é repassado como se fosse acontecimento recente. Eu olhava a natureza de forma diferente e adorava-a a tal ponto que, quando da longínqua época de caça, acompanhava meus companheiros com todos os equipamentos mas, não tinha coragem de atirar em um pássaro. Preferia sempre ficar para traz e apreciar a beleza de suas plumagens em contraste com o resplandecente verde das matas. Muitos anos mais tarde, tive essa sensação revivida em nosso antigo sítio pelas "bandas" do Encano Alto, adentrando a mata, ainda virgem, e encontrando lá ambiente idêntico, a ponto de ir muito longe para denunciar caçadores assassinos que rodavam por lá, acompanhados de cães. Mas, isso tudo na vida são páginas folhadas e passam tão ligeiro, mas, são obrigadas a permanecer lá no cantinho de nosso coração. É isso, meu grande e querido amigo, quando surgem eventos que repassam essas indeléveis lembranças que a escritora em causa não perde a oportunidade de narra-las para a posteridade. Um grande abraço meu amigo, e obrigado Urda pela mensagem que tanto mexeu comigo.
Eutraclinio Antônio dos Santos

Barreira disse...

Prezada amiga Urda.

Como sempre você escreve suas emoções e lembranças com muita clareza e expressão de sua alma.
Sua história na literatura brasileira está cada vez mais solidificada através destes belos textos como este que foi postado pelo Adalberto Day.
Sabe querida amiga, para mim pintou um pouco de ciúmes quando você relata a presença do belo moço que cortejava você todos os dias quando dirigia para seu trabalho.
Eu acostumei a apreciar suas obras e com isso agregou um sentimento com mais afinidade e de repente qualquer manifestação de sua parte sobre seu passado aflora uma pitada de ciúmes.
Mas de qualquer forma meus parabéns pelo belo texto. As minhas mãos estão carentes do perfume de suas rosas.
Um grande abraço.
Lourival Barreira. SP.

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