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quinta-feira, 24 de abril de 2014

- Marco Zero de Blumenau

Texto Niels Deeke Memorialista (in memorian) sobre o Marco Zero em Blumenau e esclarecimentos a respeito, incluindo níveis (réguas) de medição das enchentes em Blumenau.
 Foto: Martha Pimpão
Marco Zero da Cidade de Blumenau :  ( Não da Fundação da Colônia – note-se sempre muito bem a qualificação do Marco Zero)  Há, na praça Hercílio Luz, defronte à edificação da antiga Prefeitura de Blumenau, um referencial geográfico constituído em MARCO ZERO que representaria as posições geográficas oficialmente aceitas para o posicionamento da cidade de Blumenau de conformidade com o sistema de latitudes e longitudes conceituado no sistema GMT ou seja Greenwitch Mean Time ou ainda no GUT – Greenwitch Universal Time. Contudo o referido Marco, assim parece-me, seria uma alegoria representativa da pujança desenvolvimentista dos imigrados na Colônia Blumenau, pela razão de ter sido  naquele ponto – dito do porto fluvial de Blumenau -  que a grande maioria dos colonos  então recém ingressos, pisava pela vez primeira estas terras. Era o marco zero para demarcar um início de colonização ou como igualmente assentaram em diversas outras cidades do país, marcos zero simbolizando a fundação das vilas ou cidades, sem relação alguma com seus posicionamentos geográficos globais. Sintetizando trata-se de um marco alegórico ao início da colonização, contudo não verdadeiro, pois a imigração, com a chegada dos 17 pioneiros, teve início na foz do ribeirão da Velha e não na foz  do ribeirão Garcia. Enfim é considerado o Marco Central da Cidade. Localização: Segundo José Deeke a cidade de Blumenau está situada na margem direita do rio Itajaí Açu, na latitude  de 26º  55’ e 26’’ sul  e na longitude de 49º  03’ 22’’ a oeste de Greenwich. Tal posição, acredita Niels Deeke, foi obtida mediante observação a partir do terreno onde situa-se a Igreja Evangélica – Centro em Blumenau. No Relatório dos Negócios Administrativos do Município de Blumenau - referente ao ano 1951 e mesmo nos que foram editados nos anos subsequentes, gestões de Hercílio Deeke, consta: ano 1951 p. 107 : Posição Geográfica:  Latitude S :  26º 55’ 26’’. Longitude –W. Gr. (Oeste de Greenwich): 49º 03’ 32’’, posição que igualmente Niels Deeke, acredita haver sido aferida a partir do ponto de intersecção das atuais Alameda Rio Branco e Rua 15 de Novembro. Já no fascículo “Guia Turístico” editado pelo Prefeito Hercílio Deeke em setembro de 1963 – intitulado “Blumenau” tornam a constar dos dados com longitude W( Oeste) 49º  03’ 22’’ . Outros ainda consignam a longitude em:  49º 03’ e 19’’ W Gr. Há portanto pequena discrepância de dez segundos  nas  longitudes consignadas, cuja diferença poderia ser imputada à observações  tomadas  em pontos  fisiográficos  diversos,  portanto sua exatidão deixamos para futura aferição.  Em 18/8/2.000 O IPUB na Prefeitura Municipal de Blumenau, informava a seguinte posição geográfica : Latitude sul : 26º 55’ e 10’’, e por longitude oeste 49º 03’ e 58’’. Já a Enciclopédia dos Municípios, Volume XXXII Rio 1959 do I.B.G.E. consigna as seguintes coordenadas geográficas : 26º 55’ 26’’ latitude sul e  49º 03’’ e 19’’ longitude oeste Greenwich. Supomos que deva aceita a apresentação fornecida pelo IBGE, que é justamente a que mais se aproxima da consignada por José Deeke em 1917. Já o Departamento Estadual de Estatística do Estado de Santa Catarina em Janeiro de 1948, consigna : Latitude : 26º 55’ 26’’ 20.
Marco Zero - Praça HercílioLuz
E por longitude : 49º 03’ 19’ ’ 80. Entretanto será necessário aferir, com toda precisão, onde realmente esteve fincado, na praça Hercílio Luz, em Blumenau, junto ao chão,  o “marco padrão”, em pedra lavrada com incrustação de Metal Gravado, elaborado pelo IBGE, no qual constavam as coordenadas de localização. Dito marco- padrão  teria sido eliminado com a construção da Cervejaria Continental entre os anos 1993- 1996 e talvez tenha sido transposto para outro local na Praça Hercílio Luz ( conferir). Aliás, a construção da Cervejaria Continental suscitou  demanda judicial de Ação Pública responsabilizando  - por ilícito -  os administradores públicos da Prefeitura de Blumenau, ação ainda inconclusa  até o final de ano 2010.
Tenha-se sempre em conta que poderão haver DIVERSOS MARCOS ZERO  e suas definições estarão  condicionadas  ao complementos qualificativos que se lhe acrescentarem.

O MARCO ZERO REAL APARA AFERIÇÂO DO NÍVEL DO ITAJAÍ AÇU no CENTRO DE BLUMENAU – Não trata-se do símbolo supracitado, presume-se que esteja situado a oito metros do  ao nível do mar) Início da escala 1,50 metros acima do topo da Pedra da Lontra, ou como também a chamavam “Laje da Lontra”, ou ainda “ Laje do Lontra” ( na forma masculina) como os antigos relatórios dos administradores públicos a referiam, qual seja  ¨Do Lontra¨.  Com relação  aos níveis  das águas registrados nas diversas enchentes há que considerar um fato relevante, qual  seja o das  diversas  substituições de locais da régua de aferição. Até os anos 1948,1949 a régua esteve  embaixo da  antiga ponte de ferro sobre o ribeirão Garcia. Na demolição desta, foi colocada na margem direita da foz do Garcia, nos fundos da Prefeitura.
Lá permaneceu até, 1963, quando Hercílio Deeke mandou demolir
o Ponte Bar (foto), que fora inaugurado em 1950, e que era propriedade de Ricardo Bliesner, o qual recebeu gratuitamente para exploração terreno da PMB cf. contrato formado em 19/7/1950, com o compromisso de construir um “sanitário público”. O local é atualmente parcialmente ocupado pelo Mausoléu Dr. Blumenau. No dito Ponte Bar, onde vendiam exclusivamente bebidas, havia, no subsolo, os sanitários.  Cf. consta  da  p. 127  do Rel. Administrativo do Prefeito Hercílio Deeke, “Mandei demolir, mediante indenização ao respectivo concessionário  o “Ponte Bar”, ao lado da Prefeitura, ajardinando o terreno pelo mesmo ocupado e mandando construir novas instalações sanitárias públicas  à margem do Ribeirão Garcia, em local discreto”. Quando Hercílio Deeke iniciou, em 1964, a construção da  Beira Rio, com o enrocamento da foz do Garcia,  foi, a régua de medição,  levada para a barranca da Estação da Estrada de Ferro, na foz do ribeirão da Velha. Conforme era voz  corrente, na transferência para a foz do Velha, a régua teria sido colocada 0,37 metros abaixo do  ponto  mínimo anterior. As discussões foram muitas, entretanto não houve quem dirimisse  a dúvida. Cumpre-me aqui esclarecer um fato que poderá matar a charada. Desde o início da colonização o marco ZERO sempre foi considerado como o  ponto imaginário estabelecido a “HUM E MEIO METROS acima  do cocuruto da “Laje do Lontra”,  lajeado que se encontra pouco mais próximo da barranca esquerda do rio  e que pode ser vista, nas estiagens,  a partir da linha transversal  se faz, com rio, a partir do local onde se encontra a “Caça e Pesca.” A chapada daquela pedra (“ Pedra ou Laje Do Lontra”- no masculino, como costumavam chamá-la até o ano de 1954 e com tal denominação a referia Raul Deeke, que estudou detalhadamente as enchentes visando emergir o casco do “Vapor Blumenau”, então semi submerso na foz do ribeirão de Tigre (Tigerbach)  para colocá-lo na “Prainha”- e o feito é devido a ele Raul Deeke, que realizou a trabalhosa proeza através da entidade “Kennel Clube de Santa Catarina” foi, no passado remoto e mesmo neste século XX, o marco referencial de níveis para a navegação. O nível considerado mínimo normal foi sempre estimado como fixo em 01 metro e 50 centímetros acima da “Pedra da Lontra”, aliás a carreira de estaleiro para reparos da “Cia Fluvial a Vapor Blumenau- Itajaí,  instalações que foram desativadas em 1919”, também servia-se do dito marco ¨Pedra do Lontra ¨ ,vez que situava-se justamente defronte às suas instalações e era notoriamente visível  para as respectivas avaliações.. Este estaleiro para reparos nos vapores “ Progresso” e “Blumenau”, situava-se na foz do ribeirão Bom Retiro, no lugar, que depois de receber grande aterro, serviu para conter a conter a Praça dr. Blumenau. Dessarte as medições  eram efetuadas  considerando-se  um metro e meio acima do topo, medida de nível mínimo da água para possibilitar a navegação dos vapores para Itajaí e vice versa, pois ambas as embarcações calavam profundidades de 1,50 m. considerando, com pequena variação sua  carga ou mesmo dead weight. Portanto era preciso 1,50m. de água acima da Pedra da Lontra, se  bem que o rio sempre tenha  algum nível de água, que a submerge, lá havia no passado, fortemente cravada uma haste de ferro, cuja base encravada em uma fenda no centro da rocha, eu próprio Niels Deeke, ainda a vi e inclusive a apalpei com minhas mãos em, 1940 e 1950, durante as muitas pescarias nas armações dos espinhéis grossos para pescar os grandes bagres. A dúvida para equalizar os verdadeiros níveis de água do rio  atingidos outrora e na atualidade, excluindo-se as diferenças devidas a  fixação das réguas em níveos diversos, poderia ser facilmente esclarecida, tomando como ponto de referência a Casa Husadel, que na sua parede lateral tem (pelos menos tinha)  espetado um vergalhão de metal que indica o nível alcançado pela enchente de 1911, tido como de 16,70 metros. Ora, a partir da chapada da pedra, acrescido 1,50 m, medir-se-ia até o vergalhão espetado (se é que ainda lá esteja) para conferir a medição que  acreditamos  deverá  acusar a  altura alcançada em 1911, fato que talvez  derrubasse  outras medidas  consignadas, se  compulsadas  com a marcas devidamente assinaladas. As marcas  que constam  cravadas nas paredes do prédio da “Casa de Força” da Usina Salto, não podem ser consideradas como, absolutamente, válidas para o centro da cidade, mormente depois do estrangulamento do rio no centro da cidade, causado pelo enrocamento a da margem que consubstanciou-se no talude da Beira-Rio. (Uma das antigas réguas  que constava próxima à ponte sobre o Garcia, depois de substituída por nova, elaborada e pintada sobre “Placa” elaborada pelo marceneiro Schramm da rua Itajaí, fez parte do acervo particular de Niels Deeke – e atualmente só parte dela ainda existe). A altitude de Blumenau sobre o nível do mar, é citada como a de 14,00 metros, em frente a Prefeitura Municipal (Rel. Adm. Hercílio Deeke ano 1951  p. 107- Agendas de serviço de Hercílio Deeke). Em novembro de 1999 - comentavam alguns “entendidos” nas coisas do rio em Blumenau, dizendo que a solução para a erosão das margens do rio Itajaí Açu no centro da cidade de Blumenau, seria explodirem a “Lajota” ou Pedra que desviaria a corrente da água em direção às barrancas-  tal pedra trata-se, na verdade, da “Laje (ou Pedra) do Lontra”. Já  no ano 2.000 informalmente rebatizaram a lajota, denominando-a, certamente os arrivistas desconhecedores do nosso passado, por “Pedra da Fome”, alegando que a rocha ao aflorar visível no rio, indicaria grande  flagelo de seca, provocando escassez de alimentos – consequência muito relativa na atualidade e portanto denominação injustificável, vez que no passado, estando o rio, antes do aterro com pedras que forma o atual talude, mais largo em cerca de oito metros, motivo porque a Pedra do Lontra surgia com mais frequência, pois a vazão d’água em uma superfície mais larga era bem maior. Naquele sítio, tanto em sentido da Ponta Aguda com em direção à cidade na margem direita, o rio praticamente não possui em Talvegue que como tal possa ser definido, pois a laje estende-se em um só nível por toda a largura do rio. Há, entretanto um raso canal – com a largura de três metros em sentido oeste da Pedra, ou seja em direção á margem direita do rio.
Durante as tratativas do Kennel Clube que, em 1961, determinaram o assentamento do Vapor Blumenau, em 08/9/1961, sobre pilares do concreto na “Prainha”, foi, por Raul Deeke, aventada a hipótese de erigirem duas grossas pilastras sobre a Laje da Lontra, elevadas até  nível idêntico ao do piso da Ponte Adolfo Konder (então já existente) para então lá sobreporem o casco da embarcação com sua proa embicada para montante do rio. Pretendiam proceder ao acesso ao Vapor Blumenau, após sua firme fixação sobre os pilotis, mediante o lançamento de uma ponte pênsil até a barranca do rio próxima à Prainha. Raul Deeke inicialmente abraçou tal ideia, e insistiu junto ao seu irmão Hercílio Deeke, que então era o Prefeito Municipal, a fim de que a Prefeitura executasse as duas pilastras. No entanto Hercílio Deeke, apesar de considerar a ideia louvável, ponderou que naquele  período de crise financeira, a execução das soberbas pilastras,  dariam margem à acerbas críticas, vez que nem mesmo meios havia para  restabelecer o prédio da Prefeitura Municipal incendiado cerca de três anos antes. Fazia quase um ano que o casco do Vapor Blumenau havia sido assentado na Prainha, quando em julho de 1962, durante uma caçada na Fazenda de Raul Deeke ( Fazenda Marily) no alto Palmeiras, presentes os dois irmãos  Raul e Hercílio Deeke, além de Niels Deeke que estas linhas consigna, comentavam, os irmãos, ambos embombachados e calçados com suas botas sanfonadas e providas de tacões adequados para encaixar as esporas rosetadas para o incitamento das montarias,  numa noite gélida de rachar os beiços, e estando à beira da fogueira dos nós de pinho cujo crepitar era abafado pela monótona marchinha extraída  do bandoneón que o gordo Xenofonte Lenzi ( apelidado “Fonte”) esticava e  então, no entremeio das passadas da cuia do chimarrão, em seus devaneios, aquelas duas testemunhas oculares de tantos fatos históricos da colonização do Vale do Itajaí, arrazoavam  — feição e olhares saudosos perdidos nos seus passados distantes— quão imponente teria ficado o “Vaporzinho”  postado, sobre a Laje do Lontra,  bem lá no  alto, como um “Brasão Alegórico”, a cingir a cidade de Blumenau. Entretanto imagine-se o que teria ocorrido ao monumento se a sua elevação (altura) não fosse suficiente para, nas enchentes de 1983,1984, deixar o navio imune à força das águas. Por outro lado, também na Prainha, sobre pedestal muito mais baixo, esteve sujeito àquelas enchentes e resistiu, sem maiores problemas, à corrente do rio, se bem que lá estivesse à margem do centro da maior correnteza. 

Acesse sobre A Pedra da Lontra para saber mais detalhes técnicos a respeito.:

Arquivo Adalberto Day/Texto Niels Deeke Memorialista em memória/Colaboração Wieland Lickfeld pesquisador em Blumenau.

3 comentários:

Anônimo disse...

Esta foi mais uma grande tarde cultural.
São muitas coisas a aprender neste seu blog.
É impossível não se surpreender com tudo o que se lê aqui.
Muito obrigada, e mais uma vez parabém.
Abraços gasparenses da Arlete e do Bridon

Nilton Sergio Zuqui disse...

Meu caro Adalberto,
Quando comecei a ler este texto(muito bom por sinal),Lembrei de dois fatos.
1-Se fizermos uma pesquisa em nossa cidade sobre nomes das nossas praças, certamente 80% dos entrevistados não saberão o nome delas, confesso que e incluo neste percentual, quanto mais MARCO ZERO.
Comento sobre este assunto porque ora outra estou descobrindo nomes das nossas praças através de seus textos, ou de seus colegas.
2-Eu tive a honra de conhecer ,e entrar no então VAPOR BLUMENAU(namorava lá dentro aos domingos a tarde kkkk), quando estava na prainha, lembro que aos domingos era cheio de pessoas visitando tal local, e pessoas da cidade.
Quão bom é viajar nestas maravilhosas historias, parabéns....

Valdir Salvador disse...

Amigo beto este realmente é comentario para que tem estudo, muito longo complicado, e de varias respostas como voce diz,para quem entende deve ser interessante mas para mim so o que me chamou a atenção foi a falta do capim que desapareceu das margens de nosso rio talves por causa da maré alta e a agua salgada que desapareceu a forragens de capim, nos pescavamos com balaio de taquara ou de cipo pegava camarões, quanto ao Bar da ponte como era chamado não vendia so bebidas pois eu tambem freuqentei e tinha bolinho de carne pastel e lanche que eram servidos os funcionaros publicos da prefeitura, e eu pergunto onde esta os banheiros publicos do masuleu? que tomou seu lugar? quanto ao vapor Blumenau ifelismente foi o Sr Raul Deeke e o Kennil Club os culpados de nos deixarem com o compromisso de gastar um dinheiro jogado fora vergonhosamente, pois eu ainda acreditei quando da ultima vez a restauração foi com a promessa que seria uma bibliotéca flutuante depois de gastar até com a restauração do motor de 150 cavalos, para os burros verem. abraços Valdir Salvador

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