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terça-feira, 5 de novembro de 2013

- Histórias que o Rádio conta

HISTÓRIAS QUE O RÁDIO CONTA
Mais uma participação do renomado escritor e jornalista Carlos Braga Mueller que hoje nos relata sobre os “Shows” dos cantores de Rádio. 
Por Carlos Braga Mueller/escritor e jornalista.

OS “SHOWS” DOS CANTORES DO RÁDIO 
Nos anos 50 e 60 do século passado era comum  que os cantores que faziam sucesso nas grandes emissoras nacionais fizessem excursões, apresentando-se aos fãs espalhados pelo imenso Brasil.

Era o tempo em que existiam no Rio, SP e em outras cidades os fã-clubes de Emilinha Borba e de Marlene, arqui-inimigos, que se enfrentavam, e se engalfinhavam, na frente dos prédios das emissoras de rádio, cada qual querendo que seu ídolo fosse o melhor! Outros artistas também possuíam seus fã-clubes: Roberto Carlos (que até hoje tem o recorde de possuir ativo o fã-clube “Um Milhão de Amigos); Cauby Peixoto, Ângela Maria, nomes que não estão mais nas manchetes. 
As manifestações eram um desespero de corações emocionados, de adolescentes desmaiando, entre tapas e beijos do público aglomerado nas calçadas, quando um artista famoso desembarcava do carro e se dirigia ao auditório da rádio, geralmente a Nacional do Rio, campeã absoluta dos programas de auditório, como os comandados por César de Alencar e Paulo Gracindo.

Era um tempo em que os cantores do rádio também eram vistos nos filmes carnavalescos feitos a cada ano, as famosas chanchadas, principalmente da Atlântida do Rio de Janeiro, que criaram verdadeiros mitos, como Eliana, Anselmo Duarte, Cyll Farney, Adelaide Chiozzo, Oscarito, Grande Otelo, Ankito...
Eliana - Foto divulgação
Adelaide - Foto divulgação
Quando Eliana e Adelaide Chiozzo vieram a Blumenau nos anos 50, uma multidão de fãs aglomerou-se em frente ao Hotel Rex, para  ver de perto seus ídolos da tela e pedir-lhes um autógrafo.  
Foto divulgação
PERI RIBEIRO EM BLUMENAU
Naqueles anos de ouro do rádio eu era locutor da PRC-4 Rádio Clube de Blumenau, pioneira em Santa Catarina.
Quando um artista chegava a Blumenau, geralmente se apresentava no palco do Cine Busch, com transmissão pela PRC-4.
A proximidade do estúdio da rádio (Rua 15 de Novembro esquina com Nereu Ramos) com o Cine Busch (na Alameda Rio Branco), não era mais do que 100 metros em linha reta e existia uma “extensão” permanente (fio) entre os dois pontos para garantir as transmissões dos artistas “ao vivo”.
Rádio Clube PRC4 no antigo Lojas A Capital
Foi assim que no início dos anos 60, Peri Ribeiro, começando sua carreira, veio a Blumenau para apresentar-se em um espetáculo à noite.
Durante o dia, Peri visitou o estúdio da rádio, onde deu entrevista. Depois descemos (a rádio ficava no segundo andar) e fomos tomar cafezinho no Pingüim, que ficava na Rua 15, esquina com a Travessa 4 de Fevereiro, hoje Rua Ângelo Dias.

Estas lembranças me vieram a propósito de um filme de apenas 3 minutos, acessado no Youtube, onde se confirma que Peri Ribeiro foi o primeiro cantor a gravar “Garota de Ipanema”, considerada hoje uma das músicas mais gravadas ao redor do planeta. 
Peri chamava-se Peri Oliveira Martins, mas nos anos 50 adotou o nome artístico de Peri Ribeiro, por sugestão do radialista César de Alencar.
Nascido em 27 de outubro de 1937, era filho de famosos: seu pai, o cantor e compositor Herivelto Martins, e sua mãe, Dalva de Oliveira fazem parte da história da música popular brasileira. Os dois, juntamente com o “colored” Nilo Chagas, constituíram o conjunto vocal “Trio de Ouro”, que depois teve vários outros componentes.
Peri morreu no dia 24 de fevereiro de 2012, aos 74 anos, de infarto do miocárdio. 
Escreveu um livro contando a vida atribulada dos pais: “Minhas Duas Estrelas”. 
CURIOSIDADE: A GAROTA DE IPANEMA NA VIDA DE PERI RIBEIRO 
Por que Peri foi o primeiro a gravar a famosa canção “Garota de Ipanema”?
Pode ser lenda, mas lá pelo início dos anos sessenta, Peri  freqüentava a mesa de bar em Ipanema onde se reuniam os “papas” da bossa nova, entre eles Tom Jobim e Vinicius de Moraes.

Vinicius e Tom não se decidiam sobre a letra definitiva da canção.
A primeira versão fora batizada de “Menina que Passa”, era batucada no tampo da mesa, na caixa de fósforos, cantarolada pelos autores, e tinha a seguinte letra: 
“Vinha cansado de tudo
De tantos caminhos
Tão sem poesia
Tão sem passarinhos
Com medo da vida
Com medo de amar
Quando na tarde vazia
Tão linda no espaço
Eu vi a menina
Que vinha num passo
Cheia de balanço
Caminho do mar.”
A letra, porém, não agradava a Tom Jobim e nem mesmo a Vinicius, que a refez, mudando o nome para “Garota de Ipanema”. A inspiração foi uma jovem, Helô Pinheiro, que de vez em quando passava pela frente do bar, em direção a praia.
Os versos da nova versão, mais inspirada, começavam com a estrofe que imortalizou a canção no Brasil e pelo mundo afora:

“Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
Que vem e que passa
No doce balanço, a caminho do mar.”

De tanta discussão em torno da música, e prevendo que em alguma nova rodada de uísque, naquela mesa de bar, a letra pudesse mudar de novo, Peri Ribeiro, calado e sem avisar os autores, a gravou mais que depressa na sua privilegiada voz, não deixando de dar os créditos, no disco, a Tom e Vinicius.
Começava assim, pelo ímpeto do então jovem cantor, a gloriosa carreira da “Garota de Ipanema”.
Texto Carlos Braga Mueller/Arquivo de Adalberto Day  

5 comentários:

Urda disse...

Que legal, Adalberto! Eu lembro bem de quando Jerry Adriani esteve em Blumenau - tenho até hoje o autógrafo dele!
Abração e parabéns!
Urda.

Nilton disse...

Meu caro Adalberto, como sempre um excelente texto, agora esta da Garota de Ipanema é uma historia que não sabia, abraços.
Nilton Sérgio Zuqui

Valter Hiebert disse...

Parabéns Adalberto, mais um registro para "recordar e viver".
Pergunto se já saiu algum registro sobre os nossos cantores e cantoras locais que cantavam nos programas da PRC 4. Do Garcia me recordo do Victoria Pfifer, que também trabalhava na Cooperativa da EIG, da filha mais velha do Armando Silva, proprietário do Café Uru, ela era também acordionista. Também do Garcia tinha um trovador muito conhecido, trabalhava na EIG como porteiro.

Wieland Lickfeld disse...

Caríssimos Braga Müller e Adalberto, não cheguei a pegar a onda dos shows de cantores de rádio, mas nunca esqueci de um episódio da infância, no final da década de 1960. Na época era comum as pessoas se visitarem e assim fui com minha Oma num final de tarde visitar uma amiga dela que morava nas vizinhanças de nossa casa na Ponta Aguda. Creio que se chamava Frau Hansen e que era ligada à família do Sr. Claudio Gaertner. Lá chegando, a Frau Hansen ligou o rádio para elas ouvirem o episódio de uma novela de rádio. Fiquei impressionado com os sons de fundo que eram transmitidos e somente muitos anos depois, num programa de televisão, descobri como antigamente aqueles efeitos sonoros eram produzidos. Quase todos resultado da combinação do uso de criatividade e objetos utilizados no dia a dia. Grande abraço!

Valdir Salvador. disse...

Ola amigo Adalberto que bom entrar no tune´l do tempo e lembrar passagem igual a esta,por exemplo eu lembro do grande cantor da epoca eu sou seu fãn ate hoje, do saudoso Vicente Celestino ele se apresentou no centro do campo do Gremio Esportivo Olimpico mas infelismente não podemos ver o grande schou até o final pois baixou um brande neblina que nos roubou o grande schou e foi cancelado . abraços de teu amigo Valdir Salvador ,

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