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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

- Blumenau na História da aviação Comercial brasileira

BLUMENAU NA HISTÓRIA DA AVIAÇÃO COMERCIAL BRASILEIRA 
Mais uma participação do Escritor e Jornalista Carlos Braga Mueller
Que hoje nos relata sobre o quanto Blumenau contribuiu com a aviação comercial brasileira.

É bem verdade que foi por acaso, mas Blumenau participou ativamente da história da aviação comercial brasileira.
Primeiro, através de um ilustre conterrâneo catarinense, Victor Konder, advogado que morava em Blumenau na década de 20 do século passado e que havia assumido o Ministério da Viação e Obras Públicas no governo do presidente Washington Luiz.

Foto do Ministro Victor Konder.
Legenda: Victor Konder morava em Blumenau e era Ministro da Viação e Obras Públicas. Foi ele que formalizou a primeira concessão de um vôo comercial no Brasil, em 1927.

Segundo: pelos céus de Blumenau voou o primeiro avião a ser utilizado em rotas comerciais no Brasil, o hidroavião “Atlântico”, em viagem que foi inclusive filmada por um cinegrafista carioca, de dentro do avião, mostrando a bucólica Blumenau de 1927, com as curvas sinuosas do Itajaí-Açú vistas lá de cima, uma verdadeira preciosidade histórica.

Como foi que tudo aconteceu?
Foto do Hidroavião Atlântico.
Legenda: Hidroavião Atlântico, primeira aeronave para passageiros a voar nos céus do Brasil (1927). 

A LUFT HANSA E O PIONEIRISMO NOS ARES DO BRASIL
Em janeiro de 1926 foi constituída na Alemanha a Deutsche Luft Hansa A.G., que fez uma parceria com o Condor-Syndikat, empresa  que queria explorar uma linha aérea ligando a Colômbia aos Estados Unidos, empreendimento que não deu certo.
Na sociedade, a Condor entrou com 2 hidroaviões, um deles o “Atlantic” (depois Atlântico), que passou a fazer parte da história da aviação brasileira.
Estas duas aeronaves foram as primeiras a serem equipadas com poltronas para passageiros e por questões de peso as poltronas foram fabricadas de vime.
Para mostrar a eficiência dos vôos, a Luf Hansa transportou dois “aerobotes” Dornier-Wal, como eram conhecidos estes aviões, até Montevidéo, no Uruguai, e foi dali que o Atlântico iniciou uma viagem até o Rio de Janeiro, então capital da República.
A missão durou 10 dias, porque no trajeto foram examinados os locais para os futuros pousos e decolagens. A bordo vinha o ex-chanceler alemão Dr. Hans Luther.
Em seguida, Luther entrou em contato com as autoridades brasileiras e foi solicitada uma autorização para se iniciar o serviço aéreo no Brasil.
Quem recebeu o pedido na capital federal foi o então Ministro da Viação e Obras Públicas, Dr. Victor Konder, catarinense que residia em Blumenau, onde exercia a advocacia e estava envolvido nas lides políticas.
A Luft Hansa ofereceu ao Ministro uma viagem a sua escolha e ele escolheu sua terra natal, Santa Catarina .

DO RIO A FLORIANÓPOLIS, DE HIDROAVIÃO
O hidroavião “Atlântico” permanecia fundeado na enseada da Guanabara, Rio de Janeiro,  defronte ao Iate Clube, naquela época “Yatch Club”, a espera da viagem/teste do Ministro.
Assim, no dia 1º de janeiro de 1927 o experiente piloto Rudolf Kramer Von  Clausbruch, vindo diretamente da Alemanha para esta missão, assumiu o comando da aeronave, tendo como co-piloto Franz Nulle e como mecânico Max Sauer.
O hidroavião Atlântico alçou vôo em direção a Santos, sua primeira escala.
A bordo, além do Ministro, viajavam um jornalista, redator do jornal “O Paiz”, um representante da Agência Americana de Viagens e o cinegrafista Alberto Botelho, que registrou em filme os momentos históricos da viagem.
O hidroavião desenvolvia uma velocidade de 120 km por hora.
Em Santos  tripulação e passageiros fizeram um lanche e seguiram para o sul, passando pelo litoral de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Sobrevoaram Itajaí, terra natal do Ministro, e seguiram em direção a Florianópolis, onde o Atlântico amerissou.
Foram recebidos no Palácio Estadual pelo então Governador Adolfo Konder, irmão do Ministro.    
A partir dali o Governador passou a integrar a comitiva e a viagem prosseguiu.
O Atlântico tomou o rumo norte e voltou a sobrevoar Itajaí, seguindo então, orientando-se pelo leito do Rio Itajaí Açu, em direção a Blumenau, domicílio do Ministro.
O sobrevôo foi registrado pelo cinegrafista Botelho.
Finalmente, de volta a Itajaí, o Atlântico fez mais uma parada e a população e familiares do Ministro receberam os visitantes com manifestações de grande alegria.
De Itajaí o Ministro seguiu por terra até Blumenau, onde a população o recepcionou em frente ao Hotel Holetz.
Foi saudado pelo advogado Dr. Luiz de Freitas Melro e discursou, agradecendo a acolhida. Depois levou os visitantes até sua residência, situada na Itoupava Seca, cuja região hoje é conhecida como bairro Victor Konder.
Por que o Atlântico não amerissou no rio em Blumenau? Certamente por falta de maiores informações sobre a profundidade do leito, especialmente o perigo das pedras que até hoje estão atrapalhando a navegação.

MISSÃO CUMPRIDA  
No dia 4 de janeiro de 1927 o Dornier-Wal realizou a viagem de regresso ao Rio, sem qualquer contratempo.
Esta viagem aérea acabou sendo considerada como o início da aviação comercial brasileira e em sua homenagem o Correio lançou 3 anos depois selo postal comemorativo.
As autoridades brasileiras, convencidas da viabilidade do projeto, outorgaram a licença pleiteada pela Condor-Syndikat, subsidiária da Luft Hansa.
A primeira linha foi implantada no Rio Grande do Sul, entre as cidades de Rio Grande e Porto Alegre, a “Linha da Lagoa”.
Logo em seguida, no dia 3 de fevereiro de 1927, teve lugar a inauguração da primeira linha regular de transporte aéreo cobrindo o território nacional. Mas isto já é outra história ...

Para acessar o filme realizado pelo cinegrafista Botelho, pesquise no Youtube: “Victor Konder Do Rio a Florianópolis de Hidroavião”. São 4 filmetes, totalizando 35 minutos de duração. 
FontesPrimórdios da Aviação Comercial no Brasil (Oswald Heinrich Müller), in Informativo da Sociedade Germânia/Rio, Ano 5, nº 30 – Nov/Dez 2005. 
Botelho Filmes/Rio de Janeiro – Cobertura cinematográfica da viagem do Ministro Victor Konder a Santa Catarina em 1927. 

3 comentários:

Nilton S. Zuqui disse...

Como sempre, mais uma excelente historia que eu desconhecia....

Marília disse...

Beto e Braga
Gosto muito de saber essas coisas, admiro o seu sentimento de amor a sua Terra!!!

Marília Carqueja

Lauro Cordeiro disse...

Creio que seja do seu conhecimento. Um neto do Emil Odebrecht, Woldemar Odebrecht,pai do também Woldemar ,Percy e Ciro, trabalhou como comissário de bordo na Condor, lá pelos anos 40.Contam, que numa visita aos pais,deixou-os apreensivos ao comer melancia misturada com leite.Costume que viu e aprendeu nas viagens pelo norte do Brasil. Aqui era perigoso...
Belo trabalho seu e do Braga.

Blumenau,20/09/2013
Lauro Cordeiro

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