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terça-feira, 23 de abril de 2013

- Favela Farroupilha

Introdução:
Favela Farroupilha  em Blumenau
Hoje apresentamos informações que muitos na cidade desconhecem. As favelas localizavam-se nas faldas do morro da Caixa D’água, onde estabeleceram o Museu da Água.
Os assentados eram de todas as etnias, ideologias, e vieram, na sua maioria, à nossa cidade para trabalhar na construção da Estrada de Ferro e Ponte de Ferro “Aldo Pereira de Andrade.” A eles nosso respeito e carinho, pois souberam com seu trabalho obter sustento às suas famílias, além de contribuir para o crescimento de nossa querida Blumenau.
Adalberto Day

A foto entre 1947/48 retrata o Morro da Caixa d'água  com os assentamentos da Farroupilha no costado leste do dito  morro, ou seja, visto da margem esquerda do rio Itajaí Açu  - de algum ponto antes do túnel EFSC. Existiam em torno de 102 barracos.
Entre 1947/48 Foto AHJFS
Foto entre 1947/48 - AHJFS
“Existia em Blumenau uma favela no morro da caixa d'água. (Onde hoje se localiza a ETA 1, ao lado da ponte de ferro Aldo Pereira de Andrade). Essa favela era conhecida como a Farroupilha. Era um tratamento pejorativo, porque farroupilha significa maltrapilho, mas acabou tendo, também, uma característica sentimental.
Acontece que era ali, naqueles barracos na barranca do Rio Itajaí Açu, que estavam os mais apaixonados torcedores do Brasil/Palmeiras E.C./BEC., e por isso foi formada a "Torcida Farroupilha". 
O interessante é que pobres e ricos se uniam nessa torcida e quando o Palmeiras enfrentava seu arqui rival, o G.E. Olímpico, a torcida farroupilha desfilava pela rua quinze com batuques e bandeiras do clube, em um pré-desafio ao time grená da Alameda Rio Branco.
Foto 1938 - Frederico Kilian
A favela Farroupilha foi "desativada" pela Prefeitura em 1949, visando "embelezar" a cidade para festejar o seu centenário em 2 de setembro de 1950. A maioria dos moradores foi deslocada para outro morro, o da Rua Araranguá (o então Beco Araranguá), conta o escritor e jornalista Carlos Braga Mueller”.
 “Parte do terreno onde estabeleceram a Farroupilha do costado leste do Morro da Caixa (Com bem menos choupanas que no lado oeste), pertenceu  ao sr. Bruno Kadletz e o da parte oeste do costado  era propriedade do sr. Roberto Baier. Longa foi a demanda judicial mantida pelo Roberto Baier para ver-se imitido na posse do terreno tomado pelos trabalhadores.
Vieram de todas as partes do sul do país, não houve predominância regional. Procuravam trabalho e a EFSC contratava para executar a PONTE e o  TÚNEL, além da própria via férrea elevada. Recordemo-nos que tratores não havia, os  trabalhos eram executados com picareta, pá e carrinho de mão, enfim no braço.
A primeira Foto deve ser dos anos 1947/48, logo antes da sua erradicação . No   alto do morro, junto às instalações da caixa d'água, pode ser observada a construção que serviu de residência ao responsável pelo tratamento da água, o sr. Reinoldo Althoff  e família” nos relata Niels Deeke, memorialista em Blumenau.
Arquivo : Bruno Kadletz/Frederico Kilian/Arquivo Histórico José Ferreira da Silva AHJFS
Colaboração: Niels Deeke/Carlos Braga Mueller/José Geraldo reis Pfau

23 comentários:

Fernando M Santos disse...

Que artigo, muito legal, sou de 79 e nunca imaginaria que ali já teve uma favela estabelecida!
Parabéns Sr. Day, abs.!

Arlete Trentini dos Santos disse...

MAIS UM GRANDE ARTIGO.PARABÉNS.
A CADA DIA ESTAMOS TENDO UM CONHECIMENTO MUITO MAIOR DAS COISAS QUE ACONTECERAM OU QUE ACONTECEM AQUI NESTA NOSSA VIZINHA BLUMENAU E REDONDEZAS.
GASPAR TAMBÉM TEVE UM LOCAL DE NOME FARROPILHA COM MAIS OU MENOS AS MESMAS CARACTERISTICAS .
AGORA É DENOMINADO BAIRRO SÃO PEDRO,E FICA BEM NO CENTRO NA NOSSA CIDADE.
ABRAÇOS GASPARENSES,SAUDE E MUITA ENERGIA

Valmiria disse...

Sr. Adalberto,

Legal conhecer um pouco mais desta história, até porque hoje moro ali no bairro BOA VISTA, e ver como houve um crescimento
Em nossa cidade é muito legal.
Obrigado.

Abraço.
Valmiria Silva

Susie disse...

Adorei, já tinha me esquecido. Obrigada caríssimo.
abraços Susie xx

Adrian Marchi disse...

Meu amigo,
Que show que você deu nesta matéria!

Há muitas pessoas em Blumenau que ainda teimam em não ver os bolsões de pobreza que sempre existiram por aqui.

Eles apenas mudaram de lugar e de nome.
Blumenau possui o maior número de favelas/habitante.

Só não se mostra aquilo que nao se quer ver.

Dr. José Victor Iten disse...

Bom dia!

Adorável o artigo! Mostra uma situação que muitos de nós jamais imaginamos.
Hoje, infelizmente, há situações parecidas na nossa Cidade, porém "escondidos" atrás dos morros.

Abraços

Rubens Heusi disse...

Lembro-me bem da favela do Morro da Caixa Dágua,inclusive tinha amigos que frequentavam comigo o Luis Delfino.

Pimpão disse...

Caro Adalberto Day:
Esta favela era tão aparente que serviu para que a torcida do Olímpico desse seu nome à torcida do Palmeiras. O Dr. Luiz Stotz, palmeirense fanático, assumiu o nome depreciativo e fez com que a Torcida Farroupilha se tornasse um símbolo esmeraldino. Aí a pobreza foi deslocada para o alto da Rua Araranguá e da Pedro Krauss. Hoje as favelas estão mais escondidas ainda. A vantagem aqui é que, como o homem é produto do meio, pouco a pouco os casebres vão sendo substituídos por construções de melhor qualidade. O que persiste é a insegurança das construções. Perigo de incêndio em função das gambiarras e de deslizamentos. Mas suas fotos e informações são preciosas para o blumenauense. Povo que não tem passado não tem futuro! Um abraço
Altair Carlos Pimpão

Nilton S. Zuqui disse...

Meu caro Adalberto,em outra oportunidade assisti uma materia em uma TV local(RIC)onde o nosso Amigo Emerson Luis presta homenagens aos ex atletas da nossa Cidade.E na ocasião falavam sobre esta torcida, do encontro na rua quinze mas não sabia a origem até ler seu texto ,eu achava que era a galara de Gaspar,pois la eu sei que tem um bairro que chama Farropilha,como é bom estar informado,alias indiquei seu nome ao Emersom para uma possivel matéria sobre o nosso glorioso Amazonas,abaços..

Anônimo disse...

José Geraldo Reis Pfau diz;
Parabéns Beto, novamente através do teu BLOG se apresenta mais assunto da história da nossa cidade.

Anônimo disse...

Sinceramente não sabia sisto,embora tenha ouvido falar,na torcida farropilha,pois até pensava que era o nome da torcida do Beco Ararangua,que tinha uma torcida muito grande do Palmeiras.Mais um artigo importante .Valeu Abrços

Alexandre disse...


Adalberto Day
Bom registro mestre, desconhecia tal fato. Abraços.
Alexandre Farias

Antunes Severo disse...


Belo trabalho de pesquisa, Day.
Abraço,
Eurides Antunes Severo

Rosana disse...

Adorei o blog!
Rosana Agostini

Angela disse...

Jamais imaginei favelas em Blumenau !!!
Angela Bonato

Gelmar disse...

Com a construção da ferrovia EFSC veio essa mão de obra para Blumenau. Como ganhavam pouco construíram essas casas no Morro da Caixa d´Água. Para a comemoração de Centenário de Blumenau (1950) elas foram removidas no final da de 40.
Gelmar Vollrathda

Ursel disse...

Fiquei sabendo mais alguma coisa sobre esta favela. Muito coisa já conhecia e pude verificar, in loco, a situação da mesma, quando como aluna de D. Pedro II, a atravessamos, em 1949. Ursel Kilian

Fernando Pasold disse...

Muito, muito curioso. Parabéns pelo resgate!

Charles Ringenberg disse...

Ótima postagem, Adalberto !
As fotos são bem marcantes. É interessante ver que desde cedo a Prefeitura "tapou" a pobreza e a escondeu em seus vales.
Abraços !

Osmar Hinkeldey disse...

Boa tarde Adalberto

Obrigado por enviar esta postagem.
Mais um pouco de História de nossa cidade, porque desconhecia totalmente que teve uma favela "Farroupilha" situada no lado leste do Rio Itajaí Açu.
Diz a matéria que parte desta população foi transferida para a Rua Araranguá e deve estar estabelecida lá até os dias de hoje.
O que será que o Município está fazendo para que estas pessoas sejam integradas na sociedade?
Abraço

Henry disse...

Adalberto
A respeito da Farroupilha, conheci vários moradores da Rua Araranguá, quando meu pai trabalhava na Blucar, tinha lá um lavador de carros, chamava Idalicio, morava próximo a antena da Embratel, um dia alguém avisou que Sr. Idalicio, faleceu, todos ficaram muito sentidos logo cedo com tal noticia, quando lá por volta do meio dia alguém veio informar que Idalicio havia ressuscitado, quando estavam preparando o corpo para o velório, o velhinho acordou.
Depois quando tínhamos a oficina Simca, lá na Amadeu da Luz, tínhamos três mecânicos moradores da Rua Araranguá, sempre que alguém fazia um gozação, usava seu farroupilha, ou caboclo da Araranguá.
Na época se falava, assim se Blumenau, fosse para ter um time de Futebol, seria o Olímpico, porque era mantido por alemães, jamais a farroupilha da Rua Araranguá conseguiria manter o Palmeiras, tínhamos um cliente de uma Simca Sr. Faber, o filho dele jogava no Palmeiras, eram lá de Paranavaí PR criadores de gado, (também não tenho certeza se era Faber) sei que eram de Paranavaí, e ficava muito bravo quando ouvia os mecânicos comentando isto.
Você com certeza deve ter lembranças deste Faber.
Mas agora temos o Metropolitano, classificado para serie D, isto é coisa chique, meu vizinho lá no Bela Vista, não falha um só jogo de Metro, Gilberto Oescsler, ai da Rua da Gloria, vizinho seu quando jovens. Sofreu uma lesão bastante seria jogando futebol de salão, há algum tempo, ficou com sequelas, nas vinha fazendo terapia por um longo período.

Você nos remete sempre a boas lembranças da nossa cidade e época, Blumenau tem orgulho de ter um Cientista e pesquisador desta categoria, parabéns.
Um abraço e bom final de semana.
Henry

EDEMAR ANNUSECK disse...

Olá amigo Adalberto,

Já comentei com vc por email que embora tivesse tio e primos residindo na Ponte Aguda por muitos anos (Tio Victor, primos Valdemar e Edgar Annuseck) não me lembrava da Favela junto a Ponte José Aldo Pereira de Andrade. Lendo agora os comentários deparei com o nome Faber relacionado ao GE Olimpico. Faber era o sobrenome do jogador Paraná (Carl Heinz Faber) que fazia aquela dupla famosa de meio de campo com Mauro Longo. Lamentávelmente o Paraná já é falecido.

Wieland Lickfeld disse...

Caro Adalberto, é importante trazer à luz este tema da nossa história, pois aumenta o nosso conhecimento sobre Blumenau e nos faz lembrar que estas situações persistem, obviamente não apenas aqui, mas em todas as cidades que, por seu nível de crescimento ou desenvolvimento, atraem pessoas em busca de trabalho e de uma vida melhor. Não gostamos de ver a pobreza em nossa cidade, mas ela existe e não pode ser ignorada. É um tema complexo, mas temos que refletir sobre ele, não somente no campo das políticas públicas, mas também individualmente. Grande abraço!

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